QUINTA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2016

O fator Lula

Suponhamos agora que ocorra tudo isso: o governo não sai do buraco, a economia patina e Lula é apanhado

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Esqueçam o impeachment, ao menos por ora. Há uma questão anterior: quais as chances de a presidente Dilma governar com um mínimo de eficácia? Se ela não conseguir, não apenas volta a ameaça de impeachment, como surgirão articulações para algo como uma renúncia mais ou menos forçada — que ocorre quando o presidente fica inteiramente isolado, sem a menor capacidade de governar.

Pois essa situação pode estar mais perto do que muitos pensam, por dois motivos. O primeiro: o governo é ruim e está muito difícil recuperar eficácia. O segundo é Lula. Se a Lava-Jato apanhar o ex-presidente, derrete toda a estrutura construída em torno dele, incluindo Dilma e sua presidência.

É uma especulação, claro, mas… enfim, eis a coisa.

No dia a dia, todo governo funciona no automático. A burocracia mantém os programas existentes, até consegue tocar algumas obras.

Mas não é disso que se trata. Não estamos em um período normal. A presidente e seu pessoal precisam apagar o incêndio e, ao mesmo tempo, desenhar e refazer o edifício. Para a crise imediata, Dilma precisa arranjar dinheiro para fechar as contas deste ano. É como se estivesse no meio da tarde ainda sem o dinheiro da janta.

Para isso, a presidente conta, publicamente, com a CPMF, que precisa ser votada até maio. Fora do Congresso, ela conta também com a venda de prédios e outros ativos, coisa que depende da eficácia do governo e, claro, da disposição do mercado. Na Câmara e no Senado, não existe a maioria de três quintos exigida para a aprovação da CPMF. E não existirá enquanto o governo não der provas de que está vivo, atuante e com perspectivas. O que depende, e muito, do dinheiro da CPMF…

A venda de ativos e leilões de rodovias, aeroportos e outros serviços é uma privatização meio avacalhada, feita em um momento ruim. Aliás, como a privatização patrocinada pela Petrobras. Está torrando patrimônio para tapar o caixa e tudo com base em decisões exclusivas da diretoria. Mas, enfim, quando falta dinheiro, parece que vale tudo.

Precisa de competência, porém.

Está em falta. Na mensagem ao Congresso em 2015, Dilma prometeu leilões de rodovias e a terceira fase do Minha Casa Minha Vida. Está prometendo de novo, igualzinho.

Resumo: não vai conseguir debelar o incêndio, as contas públicas continuarão no buraco.

Acabou?

Ainda não. O país pode estar na pior, o governo meio parado, mas se há um presidente respeitado e que aponte um caminho crível, as expectativas melhoram imediatamente. A Argentina de hoje, por exemplo.

No nosso caso, a presidente Dilma precisa apontar um caminho que leve a três destinos: uma reforma estrutural das contas públicas; o controle da inflação; a retomada do crescimento e do emprego.

É muita coisa ao mesmo tempo. E Dilma só tem proposta para o primeiro destino: a reforma da Previdência. Mesmo assim, trata-se de uma proposta ainda secreta, não especificada. A presidente e seu ministro da Fazenda apontaram alguns temas gerais, que contam com forte, e explícita, oposição dentro do governo, do PT e da base aliada.

Para a inflação, o Banco Central perdeu a autoridade. Para a retomada do crescimento, tudo que o governo conseguiu foi juntar uns R$ 80 bilhões para novos créditos. É pouco dinheiro e, ainda assim, não há tomadores dispostos a pegar os recursos. Aliás, parte daqueles 80 bilhões está parada faz tempo nos cofres do FGTS.

Resumo: continua o ambiente de recessão e inflação alta.

Em cima disso, vem o fator Lula. Todo mundo pergunta: será que ele vai ser preso? Isso, claro, terminaria de enterrar o PT e todos seus aparelhos.

Mas a prisão não é uma condição essencial. Bastaria Lula tornar-se réu na Lava-Jato, em Curitiba, em um processo consistente, com provas fortes e de fácil entendimento da população, tipo ganhar um sítio, um apartamento em troca de favores com dinheiro público.

Mesmo sem isso, à medida que as investigações e denúncias aparecem, o ex-presidente fica cada vez mais isolado. Não por acaso, parlamentares do PT e ministros de Dilma saíram em campanha por Lula nos últimos dias. Sabem que aí está uma questão de vida ou morte.

Suponhamos agora que ocorra tudo isso: o governo não sai do buraco, a economia patina e Lula é apanhado. Todo mundo, na política, vai querer se afastar do PT, do ex-presidente e, pois, de Dilma. Aliás, ela também pode querer se afastar, mas para ficar de que lado, com quem?

Nesse momento, volta a ameaça do impeachment e aparece a articulação para se encontrar algum meio de substituir a presidente. Por quem? Aí já estão querendo especular demais — mas que aparece alguém, aparece.

Tudo considerado, o fator Lula é o decisivo. É a peça que falta para fechar um quadro de insustentabilidade do governo Dilma. Para variar, a história está também aqui com a Lava-Jato.*

(*)  Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

NO DOS OUTROS É REFRESCO…

Gilberto Carvalho, ex-ministro: “Reforma em sítio é a coisa mais natural do mundo”

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Por meio do seu ex-chefe de gabinete durante dois mandatos presidenciais, Lula piscou primeiro.

Ao jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira, Gilberto Carvalho, que costuma falar inspirado por seu ex-chefe, disse algo notável:

- É a coisa mais natural do mundo que você possa ter empresas contribuindo com essa ou com aquela pessoa.

Referia-se à notícia de que a Odebrecht e a OAS, construtoras envolvidas na roubalheira da Petrobras, reformaram o sítio de Atibaia do clã Lula.

O sítio está em nome de dois sócios de um dos filhos de Lula. Mas o Ministério Público de São Paulo suspeita de que seja do ex-presidente.

Quando deixou a presidência em janeiro de 2011, Lula despachou parte de sua mudança diretamente para o sítio.

De 2012 para cá, hospedou-se ali mais de 100 vezes. É onde descansa nos fins de semana e recebe amigos.

Atual presidente do Conselho Nacional do Sesi, e ex-ministro do governo Dilma, Gilberto Carvalho disse que o sítio não pertence formalmente a Lula.

E que não existe relação de causa e efeito entre a reforma e algum benefício público dado à Odebrecht ou OAS.

“O Lula estava fora já da Presidência. Fornecedores contribuíram com o Instituto Fernando Henrique, com o Instituto Lula”, disse Carvalho ao jornal. “Estando fora da Presidência, Lula pode receber [presente], qualquer pessoa pode dar um presente que quiser dar a ele.”

O Instituto Fernando Henrique e o Instituto Lula não podem ser comparados a um sítio particular, seja ele de quem for. Os institutos são entidades culturais. Quem doa para eles desconta parte do valor no Imposto de Renda.

Um sítio é um sítio. Aceitar que uma empreiteira, prestadora de serviços ao governo, reforme de graça um sítio que serve a um ex-presidente da República pode não configurar crime, mas é imoral, indecoroso, indecente e fere a ética comum.

Lula tanto sabe disso que continua negando que seja seu o sítio beneficiado pelas duas empreiteiras.

Por que tais construtoras investiriam tempo, dinheiro e empregados para reformar o sítio de Atibaia se ele não fosse regularmente frequentado por Lula e a família?

De resto, por que fariam tais agrados a ele? Para recompensá-lo por medidas que adotou no governo? Para remunerá-lo indiretamente por algum favor?*

(*) Blog do Ricardo Noblat

PALHAÇO ANIMADOR DE AUDITÓRIO

A derrota do reizinho prepotente e do banqueiro sabujo: TRT confirma sentença que condenou o Santander a indenizar a analista demitida por ordem de Lula

Foto: Ana Paula Paiva/Valor/Folhapress

Há duas semanas ─ um ano, cinco meses e vinte dias depois de perder por ordem de Lula o emprego no Santander ─, Sinara Polycarpo Figueiredo ganhou a segunda etapa da batalha judicial travada contra o banco que a demitiu. Neste 21 de janeiro, a juíza Cynthia Gomes Rosa, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, manteve a sentença expedida em agosto de 2015 pela juíza Lúcia Toledo Silva Pinto Rodrigues, que condenou a instituição financeira a pagar uma indenização de R$ 450 mil por danos morais causados à funcionária punida por ser honesta.

Ao recorrer da decisão em primeira instância, o Santander apenas adiou a consumação da derrota. Não há como inocentar o comando do banco, grita a reconstituição do monumento à subserviência que começou em 10 de julho de 2014, quando um documento produzido pela área chefiada por Sinara foi distribuído entre um grupo de clientes com renda mensal superior a R$ 10 mil. Na sentença, a juíza registrou que o texto limitou-se a  endossar “constatações uníssonas entre os analistas do mercado financeiro e nas diversas mídias independentes sobre investimentos”.

Um trecho do documento, por exemplo, registrou que “a economia brasileira continua apresentando baixo crescimento, inflação alta e déficit em conta-corrente”. Linhas adiante, o diagnóstico nada empolgante preveniu que a paisagem ficava mais sombria sempre que Dilma subia nas pesquisas.  Passados dezoito meses, a releitura da análise atesta que se tratou de um caso exemplar de excesso de timidez. As coisas estavam muito piores. E já se tornara inevitável o naufrágio consumado em 2015.

Para Lula, numa campanha eleitoral só é crime perder a eleição. O resto pode. Era previsível que fingisse enxergar num papelório inofensivo a prova material de que até bancos estrangeiros estavam envolvidos na conspiração urdida para encerrar a supremacia do PT. A ofensiva contra o diagnóstico do Santander começou assim que trechos do documento chegaram à imprensa. E atingiu o climax com o ataque em pinça executado por Dilma e Lula em 28 de julho de 2014.

Numa sabatina na Folha, transmitida pelo SBT e pela rádio Jovem Pan, Dilma puxou o trabuco do coldre: “Sempre que especularam não se deram bem”, apertou o gatilho ao responder a uma pergunta sobre a análise do Santander. “Acho inadmissível um país que está entre as maiores economias aceitar qualquer interferência externa. A pessoa que escreveu a mensagem fez isso sim, e isso é lamentável, é inadmissível”. Os disparos precipitaram a entrada no saloon de Lula, o pistoleiro que primeiro atira e depois pergunta. Quando pergunta.

No mesmo dia, num encontro noturno organizado pela CUT em Guarulhos, Lula acionou o tresoitão. No vídeo, andando de um lado para o outro, o copo até aqui de cólera começa o numerito cobrando gratidão do banco presidido pelo amigo Emílio Botín. “Não tem lugar no mundo onde o Santander esteja ganhando mais dinheiro que no Brasil”, rosna o animador de comício. Em seguida, recorda conversas e episódios que reduziram o banqueiro espanhol a um bajulador grávido de admiração pelo Lincoln de galinheiro. Por isso mesmo merecia o benefício da dúvida, informa a continuação do palavrório repulsivo.

“Ô Botín, é o seguinte, querido: olha, eu tenho consciência que não foi você que falô”, concede Lula na abertura do mais sórdido momento de uma trajetória repleta de infâmias: o antigo líder sindicalista vai ordenar ao dono do Santander que demita uma trabalhadora cujo único pecado fora contar a verdade aos clientes. “Mas essa moça tua que falô, ô, essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e não entende nada de governo Dilma. Me desculpe… Mantê… mantê uma mulher dessa num cargo de chefia é, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim que eu sei como é que eu falo”.

Assim se fez. Dois dias depois de formulada a exigência, Sinara foi demitida com outras duas pessoas de sua equipe. “Enviamos uma carta à presidente”, rastejou Botín em 30 de julho. “A pessoa tinha que ser demitida porque fez coisa errada”. O banqueiro espanhol não viveu para festejar a reeleição de Dilma. Morreu em setembro, um mês antes de completar 28 anos no cargo. Substituído pela filha e herdeira Ana Botín, o campeão da sabujice escapou de ler as considerações incluídas na sentença exarada em primeira instância e agora ratificada pelo Tribunal Regional do Trabalho.

A juíza Lúcia Toledo Silva Pinto Rodrigues entendeu que o banco maculou a carreira profissional de Sinara ao retratar-se publicamente pelo ocorrido. Concluiu, também, que o Santander foi longe demais ao agachar-se diante de Lula. Confira um trecho da sentença:

“O Banco reclamado foi sim submisso às forças políticas ao demitir a reclamante. Somente demonstrou a parcialidade da instituição em atender os interesses políticos que estavam em jogo na época por conta da eleição e a falta de comprometimento perante seus clientes investidores que, se acreditassem na assertiva de que a economia seguiria a ‘bem-sucedida trajetória de desenvolvimento’, fatalmente amargariam prejuízos financeiros, dada a retração da economia e a desvalorização do nosso câmbio e dos ativos negociados na bolsa de valores”.

Nesta primeira semana de fevereiro, o documento que resultou na degola da analista foi transformado num monumento ao otimismo pelas apavorantes dimensões da crise econômica. Isolada em seu labirinto, Dilma Rousseff luta para adiar o enterro em cova rasa. Emilio Botín é só um quadro nas paredes do Santander. Lula, enredado em maracutaias urbanas e rurais, caminha para a morte política. Apenas Sinara está liberada para divertir-se no Carnaval. Ela derrotou seus algozes.

(*) BLOG DO AUGUSTO NUNES – COM REPORTAGEM DE NAOMI MATSUI

TODO MUNDO SABIA, MENOS O LULA

Em 2007 e 2011, blog lulista já falava do apê de Lula no Guarujá

Assim como Lula nunca desmentiu o sítio de Atibaia antes da Lava Jato, a propriedade do apartamento no Guarujá sempre foi tratada como fato concreto. A primeira notícia surgiu em 2007, quando o triplex ainda era um duplex e a Bancoop de João Vaccari Neto ainda não tinha transferido o imóvel para a OAS.

Quando Lula deixou a presidência, o blog “Os Amigos do Presidente Lula” publicou a matéria intitulada “Imprensa brasileira deveria se orgulhar de Lula escolher o Guarujá para férias”.

No artigo, o blog dizia que Lula poderia passar suas férias em qualquer lugar do mundo, pois “milionários brasileiros e estrangeiros emprestariam de bom grado mansões de praia, iates, casas de montanha, em fazendas ou ilhas paradisíacas”.

“Mas Lula, com sua simplicidade e amor ao Brasil, escolheu o Guarujá, no litoral paulista, para o justo descanso do guerreiro. A família Lula já tem um apartamento próprio no Guarujá, adquirido financiado em sistema de cooperativa.”

Em outra matéria do mesmo blog, de agosto de 2007, havia até um link para a planta do apartamento ao lado da explicação. “Existem apartamentos duplex que devem ser maiores, mas também nada de excepcional. Além disso a construção pela Bancoop é a preço de custo.”

A diferença é que o duplex virou triplex nas mãos da OAS.

 (*) O Antagonista

QUARTA-FEIRA, 3 DE FEVEREIRO DE 2016

SOM NAS CAIXAS

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A ALMA LIMPA MAIS VIVA DO MUNDO

JK na Vieira Souto e Lula em Guarujá

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Dias depois da morte de Juscelino Kubitschek o presidente Ernesto Geisel recebeu uma carta de um coronel zangado. Ele dizia:

“Estamos assistindo a ‘choradeira’ nacional pela morte de JK, muito bem urdida e explorada pelos comunas e seus eternos aliados irresponsáveis. (…) O que é mais triste, prezado amigo, e disto discordo, é ver-se o governo decretar luto oficial por três dias.”

JK tivera um funeral apoteótico e Geisel contrariara a opinião do seu ministro do Exército, decretando o luto. O presidente tinha horror a Juscelino e anos antes participara da decisão que cassou seu mandato de senador, banindo-o da vida pública por dez anos. Geisel anotou na carta do coronel:

“O lamentável é que as provas não eram provas de qualquer valor jurídico. Na realidade, eram indícios, embora todos soubéssemos da ladroeira consumada. Eu penso que não houve, nem haveria condenação.”

O símbolo da “ladroeira” era um apartamento no edifício Ciamar (Avenida Vieira Souto, 206, o mesmo onde viveria Caetano Veloso).

Como chefe do Gabinete Militar da Presidência e secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, Geisel acompanhara o inquérito que investigou o caso do apartamento. As acusações eram duras. Sem concorrência, JK entregara a construção de uma ponte unindo o Brasil ao Paraguai a um consórcio de empreiteiras (Sotege-Rabello). Os empreiteiros seriam responsáveis pela construção do edifício Ciamar e também por benfeitorias feitas num terreno que o governo paraguaio doara a Juscelino na região de Foz do Iguaçu.

Quem passava pela Vieira Souto e via “o apartamento do Juscelino” decidia que JK era corrupto e seu governo, uma “ladroeira consumada”. Afinal, fora substituído por um político que fez da vassoura o símbolo de sua campanha. O ex-presidente foi proscrito por uma ditadura que tinha como objetivo afastá-lo da sucessão presidencial de 1965. A corrupção era um pretexto.

O eixo empreiteira-apartamento-presidente ressurgiu com as conexões em que se meteu Lula. O tríplex do edifício de Guarujá reencarna o da Vieira Souto e Nosso Guia, como JK, pode ser candidato à Presidência. Para quem não gosta dele, como para quem não gostava de Juscelino, não há o que discutir: é a “ladroeira consumada”. Felizmente, a ditadura se foi e restabeleceu-se o Estado de Direito. Nele, acusação não é prova e a condenação depende do respeito ao devido processo legal.

O tríplex de Guarujá está sendo tratado de forma semelhante ao apartamento de JK. Um promotor de São Paulo acredita que já juntou provas para comprovar a malfeitoria de Lula. O núcleo de investigadores da Lava Jato, menos espetaculoso, vem buscando a conexão da maracutaia a partir dalavanderia de dinheiro de uma offshore panamenha. Tomara que feche o círculo.

Metamorfose ambulante, Lula diz que não é dono do tríplex e que desistiu dele em novembro passado. Também não tem nada a ver com o sítio de Atibaia. Acredita quem quiser. Certezas, cada um pode ter as suas; sentenças, só a Justiça produz. O papel do Ministério Público e do Judiciário é o de trabalhar em cima de provas, porque se essa porteira for aberta, não se derretem apenas os direitos de pessoas metidas em “ladroeiras consumadas”, derretem-se os direitos de todos.

O edifício Ciamar foi rebatizado e hoje se chama JK. *

(*) Elio Gaspari – Folha de São Paulo

LULOBISTA EM APUROS

Presente de Natal da Odebrecht

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A Odebrecht reformou o sítio de Lula de outubro a dezembro de 2010.

O engenheiro que tocou a reforma, Frederico Barbosa, disse para a Folha de S. Paulo que realizou o trabalho durante suas férias.

O Antagonista perguntou aos assessores de imprensa da empreiteira se o engenheiro de fato estava de férias naquele período e se as férias foram registradas.

Surgiu, então, uma nova versão. Frederico Barbosa não reformou o sítio durante suas férias, e sim no “recesso” de Natal.

Quem reformou o sítio de Lula, portanto, foi Papai Noel.*

 

(*) O Antagonista

RESULTADO DA PETRORROUBALHEIRA

Juiz de NY nega pedido da Petrobrás e autoriza investidor a processar empresa em grupo

Decisão vai contra os interesses da estatal brasileira, que tenta minimizar o tamanho do litígio nos Estados Unidos e o montante de uma eventual indenização a ser paga aos investidores

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NOVA YORK – O juiz dos Estados Unidos responsável pelas ações judiciais da Petrobrás em Nova York, Jed Rakoff, negou pedido da empresa brasileira e vai permitir que investidores que aplicaram em bônus e em ações da empresa brasileira processem a petroleira em grupo.

Ao publicar a decisão, de 49 páginas na noite desta terça-feira, Rakoff negou o pedido da Petrobrás, que queria impedir a formação de classes em seu processo, em uma tentativa de minimizar o tamanho do litígio em Nova York, reduzindo assim o montante de uma eventual indenização a ser paga aos investidores. A empresa queria ainda limitar o período coberto pela ação judicial, também negado pelo juiz.

Rakoff certificou duas categorias diferentes de investidores, os que compraram bônus de renda fixa em duas ofertas da Petrobrás no mercado internacional, em 2013 e 2014, e os que adquiriram American Depositary Receipts (ADRs, na sigla em inglês), que são recibos que representam ações da Petrobrás e listados na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).

Os fundos de pensão do Havaí e da Carolina do Norte vão ser os representantes na Corte dos investidores que compraram bônus e o fundo de pensão inglês Universities Superannuation Scheme (USS) dos que aplicaram em ADRs. O escritório de advocacia Pomerantz será o responsável legal pelas duas classes. “Os interesses de classes estão alinhados e a mesma má conduta da empresa é alegada nas duas demandas”, afirma o juiz.

A alegação dos investidores é que a Petrobrás descumpriu regras do mercado de capitais dos EUA ao não divulgar corretamente informações sobre o esquema de corrupção na empresa. Quando as informações se tornaram públicas e passaram a ser investigadas pela Operação Lava Jato, os papéis da companhia tiveram forte queda no Brasil e no exterior.

Ao pedir que o juiz impedisse a formação de classes, a Petrobrás alegou que um grande número de investidores individuais “sofisticados” entrou na corte com processos próprios, uma das razões que não justificaria as ações coletivas. O juiz concordou com a primeira parte do argumento, pois 28 processos individuais deram entrada na Corte em 2014, mas vê a necessidade de que haja a ação coletiva, pois os papéis da Petrobrás são negociados por milhões de investidores ao redor do mundo.

“Foi uma vitória significativa a decisão publicada pelo juiz”, afirmou o advogado do Pomerantz, Jeremy Lieberman, em um comunicado. “A fraude conduzida pela Petrobrás durante o período da ação coletiva tem retirado bilhões de dólares em valor para o acionista, bem como prejudicado a estrutura política e econômica do Brasil, uma das maiores economias do mundo”, completa o advogado.

Prazo. O período da ação para quem comprou ADR foi aumentado em quatro meses. No processo inicial, era de janeiro de 2010 a março de 2015, mas agora vai até julho do ano passado. A Petrobrás queria que o período terminasse em março, alegando que quem comprou papéis da companhia depois daquele mês já sabia das denúncias de corrupção e, portanto, não faria sentido incluir na ação judicial.

Já os advogados dos investidores alegam que a empresa brasileira publicou mais “informações falsas e enganosas” depois de março, sobretudo no balanço auditado divulgado em abril e no qual estimou perdas de US$ 2,5 bilhões com as denúncias de corrupção.

Os investidores questionam esse valor e afirmam que as perdas ficaram em US$ 28 bilhões. “A decisão de Rakoff representa um marco significativo nos esforços dos investidores para recuperar uma parte significativa das perdas sem precedentes sofridas pelos requerentes”, afirma Lieberman.*

(*) ALTAMIRO SILVA JUNIOR, CORRESPONDENTE – O ESTADO DE S. PAULO

DILMA, A IRRESPONSÁVEL

Dilma: e eu com isso?

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Pompa e circunstância para o Conselhão que, na prática, não deu lá em muita coisa. Agora, pompa e circunstância para a reabertura do Congresso que, na prática, também não deve dar lá em muita coisa neste ano. Senão, vejamos: em junho começam as festas juninas e as bancadas do Nordeste somem; depois vêm a Olimpíada e o País para; e, enfim, o ano acaba com as eleições municipais. Resultado: Câmara e Senado vão funcionar meio ano, e olhe lá!

Portanto, toda aquela solenidade, o empurra-empurra e os tapetes vermelhos da chegada da presidente Dilma Rousseff ao Congresso, nesta terça-feira, repetiram a mesma lógica da sua reunião com as dezenas de líderes que se apinharam no Planalto na semana passada: o importante não é o conteúdo, mas a forma. Ou melhor, a foto.

Importante reconhecer que os dois momentos, como as duas fotos, foram relevantes para uma presidente que amarga 10% de popularidade, junto com uma rejeição evidente e um processo de impeachment no Parlamento. Apesar disso, e do desastre da economia, Dilma demonstrou em duas semanas seguidas que ainda atrai líderes de diferentes setores para o Planalto e é capaz de mobilizar o Congresso para recepcioná-la. Na reta final, Collor não atraía nem mosca para o Planalto e só atraía desaforos fora dele.

Além das sete medidas no Conselhão e da mensagem presidencial entregue pessoalmente ao Congresso (algo inédito nesses anos de mandato), Dilma também decidiu gravar pronunciamento pela TV convocando brasileiros e brasileiras a combater o agora inimigo número um do país: o Aedes aegypti. Se vem panelaço por aí? Logo saberemos.

Na chegada ao Congresso, ela trocou beijinhos com dois amigões do seu governo, os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e do STF, Ricardo Lewandowski, mas se limitou a um frio aperto de mãos ao cumprimentar o da Câmara, Eduardo Cunha. Afinal, nenhum dos dois é de ferro.

Lendo o resumo da mensagem, Dilma parecia estar assumindo a Presidência pela primeira vez, como se o desastre de 2015 não tivesse acontecido. Nenhuma autocrítica, nem um pio admitindo as graves crises na economia, na política, na questão ética. Nada, nada. Em vez de falar em crise, falou na “excepcionalidade do momento”. Nessa, o marqueteiro caprichou…

Ao enumerar dados grandiosos do Minha Casa Minha Vida, do Pronatec, do Enem, disso e daquilo, Dilma passou a ideia de que, apesar da tal “excepcionalidade do momento”, o governo dela foi eficientíssimo em 2015, um sucesso. E, somando as duas coisas – a crise passageira e os êxitos do mandato –, apelou para uma parceria com a sociedade, com o setor privado e com o Congresso para salvar a economia e aprovar a CPMF e a reforma da Previdência. E até se permitiu um diálogo com a deputada tucana Mara Gabrilli, que lhe perguntava sobre ações para as crianças com microcefalia.

O plenário lotado foi elegante com a presidente, apesar de a oposição vaiá-la quando ela defendia a CPMF. As vaias foram neutralizadas pelos aplausos dos simpatizantes, mas merece registro que raras vezes se viu um presidente vaiado, ao vivo e em cores, no Parlamento. Dilma, porém, não tem do que reclamar. Afinal, ninguém vaiou quando ela defendeu enfaticamente o crescimento econômico, o equilíbrio das contas públicas e a geração de empregos, como se jamais, em tempo algum, seu governo tivesse gerado recessão e explodido as contas e 1,5 milhão de empregos formais num único ano.

Ontem, aliás, o IBGE divulgou que a queda da indústria em 2015 foi de nada suaves 8,3%, mais um recorde da era Dilma. Essa queda arrasta milhares de empregos na construção, nos setores eletroeletrônico, têxtil, químico e vai por aí afora. Mas isso Dilma não disse. Ela fala e age como se tivesse zero responsabilidade por essa tragédia nacional.*

(*) Eliane Cantanhede – Estadão

BATE & ROBA, A DUPLA DO BARULHO

Lá se vão os anéis

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O dono e o capitão do “time” que assumiu o comando do País em janeiro de 2013 andavam afastados desde que a descoberta das práticas de um pôs em xeque a narrativa política do outro, colocando no rumo do descrédito o projeto de poder concebido por ambos.

Nos últimos dias, Luiz Inácio da Silva e José Dirceu de Oliveira e Silva voltaram a atuar em consonância por meio das respectivas estratégias de defesa. Começaram a admitir atos até então negados, numa nítida tentativa de redução de danos. Revelam o que podem na tentativa de manter oculto o que lhes seria muito mais prejudicial confessar. Mostram algumas cartas a fim de não abrirem o jogo por completo.

Desse modo, repetem a ideia originalmente apresentada pelo advogado Arnaldo Malheiros Filho e depois incorporada por Márcio Thomaz Bastos, então ministro da Justiça, de dar ao mensalão a roupagem de crime eleitoral. Lá como cá, as versões em tese mais amenas não deixam de ser altamente desabonadoras para seus autores. Em alguns aspectos, tão graves quanto as acusações a eles imputadas.

Vejamos as declarações do advogado de José Dirceu sobre o depoimento prestado por seu cliente ao juiz Sérgio Moro na sexta-feira passada. Segundo Roberto Podval, o ex-ministro da Casa Civil reconheceu ter aceitado “favores” de um dos lobistas (Milton Pascowitch) apontados como operadores do esquema da Petrobrás: empréstimo nunca quitado para a reforma e decoração de um apartamento.

Dirceu negou ser o mentor do esquema, mas admitiu ter permitido o uso de sua proximidade com o poder para a execução de negociatas, ciente do potencial de ilegalidade dessas ações. O próprio José Dirceu aparece no vídeo do depoimento divulgado nesta semana dizendo que a natureza das consultorias por ele aos seus contratantes era a de tráfico de influência: “Eu emprestava meu nome, meu prestígio e orientava essas empresas”, afirma.

Grave, pois não? Pois é. Quando confessa algo assim enseja a suposição da existência de fatos inconfessáveis, pois até então Dirceu jamais havia admitido envolvimento em operações questionáveis. A estratégia da confissão em doses homeopáticas com o intuito de entregar anéis para preservação dos dedos é possível observar nos movimentos do ex-presidente Lula.

Ele tem admitido atos que anteriormente negava ou sobre os quais se calava. Em pouco tempo, uma “cota” de um empreendimento imobiliário se transformou na intenção concreta de compra em apartamento específico (164-A) no condomínio Solaris, visitado pelo ex-presidente na companhia do dono da empresa que depois disso investiu quase R$ 800 mil em reformas.

Léo Pinheiro, o dono da construtora, está preso. Sua empresa obteve favorecimentos do governo e, junto com a Odebrecht, concedeu benemerências a sítio pertencente aos sócios de um dos filhos de Lula e local preferido da família Silva para momentos de lazer. O ex-presidente atesta sua proximidade com o preso, mas busca dar a ela moldura de naturalidade.

Relação esta que nada tem de normal. Nem a confissão (tardia) tem de natural, pois parece ter sido feita para encobrir o principal. *

(*) Dora Kramer – Estadão