SEXTA-FEIRA, 19 DE DEZEMBRO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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O BICHO VAI PEGAR

Delação de Alberto Youssef é homologada no STF

000 - Por centavos tudo bem; por bilhões não tem.

A delação do doleiro Alberto Youssef, prestada em acordo de delação premiada da Operação Lava Jato, foi homologada nesta sexta-feira pelo ministro Teori Zavascki, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. O teor da delação chegou às mãos do relator na última terça-feira, 16, após passar pela análise do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Além da homologação, Zavascki aceitou também o pedido de Janot para que os depoimentos tanto de Youssef quanto do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras de Paulo Roberto Costa sejam desmembrados em procedimentos autônomos para facilitar a condução do caso.

O próximo passo será o desmembramento dos casos em que não há foro privilegiado ou em que o julgamento não é de competência do STF, caso de quem não tem mandato, como parlamentares que não foram reeleitos e de governadores, cujo foro fica a cargo do Superior Tribunal de Justiça*

(*)  - Talita Fernandes

SE GRITAR, PEGA, LADRÃO!!!

Galhos e macacos

Cada galho com seu macaco, ninguém vai chamar Zeca Pagodinho
para cantar jazz nem João Gilberto para cantar rock

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Até petistas sabem que tucanos são mais eficientes para conduzir a economia, porque têm mais conhecimento e prática do capitalismo globalizado e da sociedade de mercado em que vivemos, e que não “quebraram o país três vezes”, salvaram-no com o Plano Real.

Até tucanos sabem que petistas são mais eficientes para desenvolver projetos de inclusão social e distribuição de renda, porque estão familiarizados com essas políticas, que estão na própria origem do partido e são fruto de três décadas de experiências e acertos. Não são só mensaleiros e assaltantes da Petrobras.

É claro que economistas de formação marxista têm mais dificuldade em lidar com a economia de um país e de um mundo muito diferentes dos que estudaram, sonharam e acreditaram. Para Dilma, como economista de esquerda de origem brizolista, deve ser muito difícil entender o mundo econômico globalizado em que vivemos, com sua lógica implacável em que voluntarismos acabam resultando no oposto da boa intenção do governante, como foi baixar os juros e as tarifas elétricas no grito e na “vontade política”, o que gerou prejuízos monstruosos para todos.

Não se trata de valores de esquerda ou direita, mas de adequação. Por isso, Lula chamou o tucano Henrique Meirelles para comandar a economia em seu governo, com grande sucesso, que lhe deu os recursos para desenvolver seus programas sociais e grandes obras.

Como sabia que não sabia nada de economia, Lula foi sábio ao escolher a pessoa certa para o lugar certo. E, na hora de investir os milhões ganhos com o suor da sua garganta em palestras, com certeza não vai se aconselhar com um economista da CUT ou de sindicato dos bancários. Sei lá, vai ver que Lula investe todo o seu dinheiro em ações da Petrobras, por patriotismo… rsrs.

Cada galho com seu macaco, ninguém vai chamar Zeca Pagodinho para cantar jazz nem João Gilberto para cantar rock. Então, é melhor maneirar na hipocrisia e reconhecer as virtudes e limitações de companheiros e adversários para tentar encontrar as pessoas certas para os lugares certos, uma missão quase impossível no nosso presidencialismo de coorruptação.*

(*) Nelson Motta, O Globo

COSA NOSTRA

Desfecho melancólico

Uma espécie de coronelismo industrial, em que a Petrobras passou
a deter o “cofre das graças e o poder da desgraça”

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Seis meses atrás, a presidente Dilma ainda não se dera conta das proporções do desastre que se abatera sobre a Petrobras. Continuava a se autocongratular por seu longo envolvimento com a empresa: “Quem olhar o que aconteceu com a Petrobras nos últimos dez anos e projetar para o futuro, conclui que fizemos um grande ciclo. Eu estive presente em todos os momentos.” (“Folha de S.Paulo”, 2/7/2014)

Seu envolvimento teve início em 2003, quando assumiu a presidência do Conselho de Administração da empresa, cargo do qual só se afastou em 2010, para disputar a eleição presidencial.

A partir de 2005, na posição privilegiada de quem também passara a ser ministra-chefe da Casa Civil e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma tornou-se a figura-chave na interface da cúpula do governo com a Petrobras.

Era por meio dela que as preferências, diretivas, prioridades e urgências do Planalto se faziam sentir na gestão da empresa. E, naturalmente, toda e qualquer nomeação de diretor, fosse a escolha técnica ou política, tinha de passar por seu crivo.

Com a descoberta do pré-sal, o envolvimento de Dilma com a Petrobras tornou-se ainda mais intenso. Especialmente a partir de 2008, quando o presidente Lula, preocupado com a falta de experiência eleitoral da sua futura sucessora, decidiu transformar o pré-sal em espalhafatosa plataforma de lançamento antecipado da sua candidatura à Presidência da República.

Para definir o arcabouço legal que pautaria a exploração do pré-sal, o governo poderia ter optado por um encaminhamento suprapartidário do problema, como questão de Estado. Mas preferiu partidarizar a discussão e brandir uma restauração nacionalista do controle estatal sobre a exploração e produção de petróleo, para exacerbar diferenças que pudessem favorecer a candidata oficial no embate político.

No novo arcabouço, concebido por uma comissão formada por Dilma Rousseff, Edison Lobão, Guido Mantega, José Sergio Gabrielli, Luciano Coutinho e três outros membros, a Petrobras acabou sobrecarregada pela tríplice exigência de: manter o monopólio da operação dos campos do pré-sal, assegurar pelo menos 30% de cada consórcio que explorar tais campos e arcar com a “nobre missão” de desenvolver a indústria de equipamentos para o setor petrolífero no pais.

Montou-se um gigantesco cartório para distribuição de benesses a produtores de equipamentos. Uma espécie de coronelismo industrial, em que a Petrobras passou a deter o “cofre das graças e o poder da desgraça”.

Sob a proteção de requisitos absurdos de conteúdo local, quem nunca construíra nem mesmo um bote foi transformado em grande produtor de equipamentos de alta tecnologia.

Esse oba-oba, regado a dinheiro barato do BNDES, repassado pelo Tesouro, criou caldo de cultura propício para a proliferação das irregularidades que, agora, vêm ganhando destaque na mídia.

Não bastasse a sobrecarga de investimento e a obrigação de arcar com preços escorchantes de bens de capital, a Petrobras ainda foi fragilizada por longo represamento populista de preços de combustíveis.

Na esteira da descoberta de um amplo esquema de desvio de recursos nos seus programas de investimento, a situação da empresa agravou-se rapidamente.

Processada por minoritários e investigada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelas comissões de valores mobiliários do Brasil e dos Estados Unidos, a Petrobras já nem mesmo consegue publicar balanços auditados. Marcha para a perda do grau de investimento, enquanto suas ações despencam em queda livre.

É o desfecho melancólico de 12 anos de estreito envolvimento de Dilma Rousseff com a Petrobras. Foi, de fato, um longo ciclo, durante o qual a presidente esteve “presente em todos os momentos”.

Tendo atrelado sua trajetória política à empresa, Dilma afinal se dá conta de que está fadada a ser assombrada, no seu segundo mandato, pelos desdobramentos de fatos ocorridos no longo período em que foi a principal responsável pelos destinos da Petrobras.*

(*) Rogério Furquim Werneck, O Globo

ABRINDO O BICO

Relator da Lava-Jato no STF, ministro Teori Zavascki homologa delação premiada de Youssef

Ele autorizou a Procuradoria-Geral da República a separar informações dentro das delações para pedir a abertura de inquéritos

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BRASÍLIA – O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, homologou no início da tarde desta sexta-feira a delação premiada do doleiro Alberto Youssef, preso em Curitiba no âmbito da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. A informação de que o relator do caso no STF iria homologar a delação foi antecipada na coluna do jornalista Merval Pereira, na edição de hoje de O GLOBO. Ele autorizou pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para desmembramento das informações prestadas nas delações de Youssef e de Paulo Roberto Costa para a abertura futura de processo autônomos.

Para averiguar se Youssef prestou as declarações de livre e espontânea vontade, um juiz auxiliar do STF o visitou no hospital em que estava em Curitiba durante esta semana. Essa audiência foi filmada. Após a visita, o ministro Zavascki concluiu que a delação tem validade legal e como as informações prestadas tinham relevância para as investigações decidiu pela homologação.

Devido às férias coletivas no Judiciário, que começaram nesta tarde, o encaminhamento físico dos processos às diferentes instâncias deverão ocorrer apenas a partir de 2 de janeiro. A PGR deverá trabalhar durante o recesso forense, em janeiro, e deverá apresentar os pedidos de inquérito a partir de fevereiro, quando os ministros do STF retomarão os trabalhos.

Como revelou o GLOBO, a expectativa expressada por Janot a políticos é de que cerca de 30 parlamentares sejam alvo de pedidos de inquérito. Caso alguns deles não tenham mais mandato em fevereiro, o caso descerá para a primeira instância.

Com a homologação da delação, Youssef terá direito a benefícios como redução de penas, mas terá que devolver parte do dinheiro desviado e pagar multa. Primeiro a ter homologação da delação pelo STF, Costa conseguiu partir para o regime de prisão domiciliar e quando for condenado nos procedimentos abertos cumprirá apenas parte da pena e ficará em regime semiaberto.Os citados que não têm mais foro privilegiado estão sendo remetidos para a primeira instância e há casos remetidos para o Superior Tribunal de Justiça – que julga governadores, por exemplo.

As informações voltarão à PGR para que sejam preparados os pedidos de inquérito em relação a pessoas com foro privilegiado, como deputados e senadores. Parte das delações seguirão para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), foro de governadores de estado. Outros trechos serão encaminhados à 13ª Vara Federal de Curitiba, onde correm os procedimentos em relação a quem não possui prerrogativa de foro.*

(*) EDUARDO BRESCIANI – O GLOBO

SAUDADES…

Bons tempos aqueles de CPIs barulhentas!

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Nos fim dos anos 80 do século passado, Ulysses Guimarães, o mais poderoso político da oposição, simultaneamente presidente do PMDB, da Câmara e da Assembleia Nacional Constituinte, cometeu duas frases que se tornaram famosas — a segunda mais que a primeira.

A primeira: “O bom de frequentar o Piantella é que jamais somos importunados por lobistas”.

Reduto, na época, de parlamentares da oposição, o restaurante Piantella funciona até hoje em Brasília. A frase de Ulysses já não se aplica a ele. De resto, lobistas ocupam todos os espaços públicos de primeira linha da cidade.

A segunda: “Cheguei ao Congresso em 1951. Aprendi que o Parlamento de hoje é pior que o de ontem, embora melhor que o de amanhã”.

Em tese, o exercício da boa política seria capaz de sobreviver à ocupação pelos lobistas dos mais disputados lugares de Brasília. À degradação do Congresso, certamente que não.

Ulysses viu com antecedência o lento, gradual, mas inexorável processo de aviltamento do exercício da política entre nós. E esse é um dos motivos pelos quais as CPIs estão condenadas cada vez mais a se tornar um fiasco.

Diz a lenda que CPI, no passado, costumava resultar em punições — quase sempre cassação de mandatos e de direitos políticos. E que isso já não ocorre. É verdade. Mas nem tanto.

Duas barulhentas CPIs contribuíram para a construção da lenda: a do Collor, de 1992, e a do Orçamento, de 1993. Presidente eleito em 1989, Collor foi acusado por seu irmão Pedro de roubar e de deixar roubar. Acabou cassado.

A CPI do Orçamento pediu a cassação de 18 parlamentares acusados de se beneficiar de esquema de propina que desviou R$ 100 milhões. Empreiteiras faziam parte do esquema. Dos 18, apenas 6 foram cassados. E 4 renunciaram.

As CPIs perderam fôlego desde então. A que em 2006 apurou roubalheira no Ministério da Saúde, a Máfia dos Sanguessugas, pediu a cassação de 72 parlamentares. Nenhum foi cassado.

No passado, os políticos cobravam propinas para financiar suas campanhas. Hoje, cobram também para enriquecer. O aparelhamento do Estado, elevado à condição de obra de arte pelo PT, serviu para que os governos montassem folgadas maiorias para sustentá-los no Congresso, evitando o aborrecimento de enfrentar CPIs.

Deputado à Constituinte de 1988, Lula disse que o Congresso reunia 300 picaretas. Pois bem: com o mensalão, e o roubo na Petrobras, Lula quase multiplicou por dois esse número.

Dilma seguiu as pegadas dele. No caso da Petrobras, orientou seus liderados no Congresso para que sabotassem os trabalhos de duas CPIs. E assim se fez. Enquanto para o público externo Dilma se dizia interessada em apurar tudo “doa a quem doer”, para o interno mandava que nada se apurasse. Simples assim.

Não deve ultrapassar a casa dos 30 o número de políticos metidos com o escândalo da Petrobras. A ser assim, o teto do Congresso continuará de pé. Ao cabo, poucos serão punidos.*

(*) Blog do Noblat

A VERDADEIRA HERANÇA MALDITA

País tem rombo de US$ 9,33 bi nas contas

externas no mês e US$ 80 bi no ano

olho vivo

A diferença entre as transações do Brasil com outro países países ficou negativa em US$ 9,333 bilhões em novembro, recorde para o mês, segundo informações divulgadas pelo Banco Central nesta sexta-feira (19). O resultado é pior que o previsto pelo BC, de US$ 8 bilhões.

A diferença, que inclui tanto produtos quanto serviços, é chamada de conta de transações correntes.

De janeiro a novembro, o saldo negativo soma US$ 80,030 bilhões. Para este ano, o BC projeta US$ 86,2 bilhões (3,94% do PIB) e para 2015 a estimativa é US$ 83,5 bilhões (3,8% do PIB). Em 2013, a conta ficou negativa em US$ 81,1 bilhões, ou 3,62% do PIB, pior resultado desde 2001.

No acumulado em 12 meses encerrados em novembro, o resultado negativo ficou em US$ 88,659 bilhões, equivalente a 4,05% do Produto Interno Bruto (PIB).

Balanço de pagamentos como um todo está positivo

Esses resultados negativos foram registrados só numa das facetas do chamado balanço de pagamentos (as transações correntes).

Se forem considerados todos os demais itens, o resultado ficou positivo em US$ 416 milhões em novembro.

Dinheiro do exterior

Quando o país tem déficit em conta-corrente (gasta além de sua renda), é preciso financiar o resultado com investimentos estrangeiros ou tomar dinheiro emprestado no exterior.

O investimento estrangeiro direto (IED), que vai para o setor produtivo da economia, é considerado a melhor forma de financiamento, por ser de longo prazo. Existem, porém, outras formas de financiamento, como os empréstimos e os investimentos estrangeiros em ações e em títulos de renda fixa.

No mês passado, o IED chegou a US$ 4,644 bilhões.

Em relação a novembro de 2013, quando foi de US$ 8,334 bilhões, o fluxo de IED caiu 44%. Já no acumulado do ano, o ingresso de IED soma US$ 55,845 bilhões, abaixo dos US$ 57,520 bilhões vistos em igual período do ano passado.

Balanço de pagamentos é diferente de balança comercial

O balanço de pagamentos não pode ser confundido com a balança comercial. O balanço inclui todas as transações do Brasil com o exterior, comerciais, de serviços ou financeiras. Ele se divide em duas partes: transações correntes e conta de capital.

As transações correntes incluem a balança comercial (exportações e importações), a balança de serviços (juros da dívida externa, remessas de lucros e dividendos, viagens internacionais etc), e as transferências unilaterais (dinheiro mandado por brasileiros de fora do país, por exemplo).

A conta de capital e financeira é formada por aplicações em Bolsa, investimentos estrangeiros diretos (a criação ou ampliação de uma fábrica, por exemplo) e empréstimos concedidos ao Brasil.

O resultado entre as transações correntes e a conta de capital é que mostra se o balanço de pagamentos está positivo ou negativo. Com resultado positivo, as reservas internacionais do país crescem (quantidade de dólares em poder do governo).

SÃO TODOS INOCENTES

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Paulo Roberto Costa relata em 80 depoimentos relação que inclui ministro e ex-ministros da gestão Dilma Rousseff, governador, ex-governadores e parlamentares; são, ao todo, 10 nomes do PP, 8 do PT, 8 do PMDB, 1 do PSB e 1 do PSDB
Primeiro delator da Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa citou em 80 depoimentos que se estenderam por duas semanas, entre agosto e setembro, uma lista de 28 políticos – que inclui ministro e ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT), deputados, senadores, governador e ex-governadores.O Estado obteve a lista completa dos citados. A relação inclui ainda parlamentares que integram a base aliada do Palácio do Planalto no Congresso como supostos beneficiários do esquema de corrupção e caixa 2 que se instalou na petrolífera entre 2004 e 2012.

Há nomes que até aqui ainda não haviam sido revelados, como o governador do Acre, Tião Viana (PT), reeleito em 2014, além dos deputados Vander Luiz dos Santos Loubet (PT-MS), Alexandre José dos Santos (PMDB-RJ), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otávio Germano (PP-RS). Entre os congressistas, ao todo foram mencionados sete senadores e onze deputados federais.

O perfil da lista reflete o consórcio partidário que mantinha Costa no cargo e contratos bilionários da estatal sob sua tutela – são 8 políticos do PMDB, 10 do PP, 8 do PT, 1 do PSB e 1 do PSDB. Alguns, segundo o ex-diretor de Abastecimento, recebiam repasses com frequência ou valores que chegaram a superar R$ 1 milhão – dinheiro que teria sido usado em campanhas eleitorais. Outros receberam esporadicamente – caso, segundo ele, do ex-senador Sérgio Guerra, que foi presidente nacional do PSDB e em 2009 teria pedido R$ 10 milhões para arquivar uma CPI da Petrobrás no Senado.

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Sobre vários políticos, o ex-diretor da estatal apenas mencionou o nome. Não revelou valores que teriam sido distribuídos a eles ou a suas agremiações.

Foram citados os ex-governadores do Rio Sérgio Cabral (PMDB), do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) e de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) – que morreu em um acidente aéreo em 13 de agosto, durante campanha presidencial.

Primeiro escalão. A lista inclui também o ex-ministro Antonio Palocci (PT), que ocupou a Esplanada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma; os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o atual ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, e ex-ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Mário Negromonte (Cidades).

Os 28 nomes são exclusivamente de políticos que teriam sido beneficiários dos negócios da diretoria de Costa. A Polícia Federal e a Procuradoria da República trabalham com outros nomes de políticos que se relacionavam com os ex-diretores da estatal Renato Duque (Serviços) e Internacional (Nestor Cerveró).

As revelações foram feitas em depoimentos prestados por Costa à força tarefa da Lava Jato e fazem parte do acordo de delação premiada firmado pelo ex-diretor com o Ministério Público Federal em troca de redução da pena. Desde que sua delação foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, ele cumpre prisão em regime domiciliar, no Rio.

Alguns nomes dessa lista também aparecem na relação fornecida pelo doleiro Alberto Youssef, que firmou acordo semelhante – ainda não homologado pelo ministro Teori Zavascki, do STF. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve denunciar os envolvidos no esquema de desvios da estatal em fevereiro, quando tem início a nova legislatura (mais informações no texto abaixo).

A delação do ex-diretor da Petrobrás, já homologada pelo Supremo, estava com Janot desde novembro. Ele aguarda o teor do depoimento de Youssef para cruzar os nomes citados, o que deverá ser realizado até o início da próxima legislatura.

Foro. Na troca da composição do Congresso, alguns dos citados perdem foro privilegiado e passam a ser julgados pela Justiça de primeira instância. Por decisão do ministro Teori Zavascki, as investigações permanecem divididas entre a Suprema Corte e a Justiça Federal no Paraná, onde serão investigados os acusados que não têm mandato.

A lista de 28 nomes foi revelada por Costa exclusivamente no âmbito da delação premiada. Como são citados políticos com foro privilegiado, o caso foi parar no STF. Em depoimentos à primeira instância da Justiça Federal, o ex-diretor da Petrobrás não falou de políticos, mas citou que o PP, o PMDB e o PT recebiam de 1% a 3% sobre o valor dos contratos da estatal para abastecer caixa de campanha.

A investigação desvendou uma trama de repasses a políticos na estatal. A Lava Jato foi desencadeada em março e identificou a parceria de Costa com o doleiro Youssef. Na última fase da operação, deflagrada em 14 de novembro, foram presos os principais executivos e dirigentes das maiores empreiteiras do País, todos réus em ações penais por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, crimes de cartel e fraudes a licitações. *

(*)  FAUSTO MACEDO, RICARDO BRANDT, JULIA AFFONSO e FÁBIO FABRINI - ESTADÃO

QUINTA-FEIRA, 18 DE DEZEMBRO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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O BICHO VAI PEGAR

É diferente, não melhor

É a pior combinação possível: inflação elevada, economia estagnada,
juros altos (só perde dos russos), déficit nas contas

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A Rússia de novo? Sim, a pergunta faz sentido por aqui. Na conturbada sequência de crises dos emergentes nos anos 90, a Rússia quebrou em 98 e o seguinte na lista foi o Brasil, em 99.

Mas não se repete agora a parte anterior daquela sequência. Tailândia e Coreia do Sul, que quebraram em 1997, parecem longe da crise. Pelo menos desse tipo de crise.

Ainda ontem, o Banco Central da Tailândia manteve sua taxa básica de juros em 2% ao ano, nível em que se encontra há seis meses. E indicou que pode cortar a taxa em breve, já que a economia anda muito devagar, crescendo 1,5% em ritmo anualizado.

A Coreia também sofre com a moleza da economia mundial, mas resiste bem. Cresce a 3,5% ao ano, com inflação de 1,5% e juros pouco abaixo de 3%. E tem um baita superávit, de 5,5% do PIB nas contas externas. Tailândia também é superavitária nesse quesito importante.

Esses países representam bem a diferença entre os dois momentos. Ao fim dos anos 90, as reservas internacionais dos principais emergentes, sem a China, mal chegavam aos US$ 500 bilhões, com déficits nas contas externas e regime de câmbio fixo, quando o BC se compromete com uma determinada taxa na compra e venda de dólares. É caminho fácil para a fuga de capitais e desvalorização selvagem das moedas locais.

Depois das crises — quando todos ficaram sem dólares para pagar os compromissos da dívida e caíram no colo do FMI —, houve uma sequência de reformas macroeconômicas ortodoxas e a mudança para o câmbio flutuante.

Com a ajuda da China, com seu crescimento espantoso e a voracidade com que comprava as comodities dos emergentes, estes acumularam montanhas de dólares. Já na grande crise de 2008/9, desta vez dos ricos, esses emergentes detinham reservas de mais de US$ 3 trilhões. E continuaram acumulando, Rússia inclusive.

Tudo considerado, não que não existam problemas, hoje. São diferentes e variam conforme o país.

A Rússia, por exemplo, enfrenta uma questão política, as sanções econômicas impostas pelos EUA e a União Europeia, por causa da intervenção de Putin na Ucrânia. Há restrições tanto para negócios das empresas russas no exterior quanto para as companhias ocidentais na Rússia.

Só isso derruba o investimento e, pois, o crescimento. Em cima disso, veio a queda vertiginosa do preço do petróleo, a principal força econômica e política da Rússia. É a maior fonte de renda da economia e instrumento de pressão sobre a Europa, parcialmente dependente do combustível russo.

Isso não tem nada a ver com as situações de Tailândia, Coreia do Sul e Brasil. Só que, dos três, o caso brasileiro é o mais complicado, embora mantendo reservas elevadas.

Por conta da nova matriz introduzida especialmente no governo Dilma, o Brasil é apanhado nesta turbulência com todos os fundamentos desalinhados. É a pior combinação possível: inflação elevada, economia estagnada, juros altos (só perde dos russos), déficit nas contas externas e internas, dívida pública em alta.

É especialmente ruim porque pouco tempo atrás, ainda no segundo governo Lula, o quadro era o inverso. Com fundamentos em ordem, o país superou a crise de 2008/9. E depois, caiu na nova matriz.

Hoje, véspera do segundo governo Dilma, a crise da Rússia pode não ser um antecedente, mas mostra bem como foi equivocada a política econômica dos últimos anos. E explica por que a presidente resolveu ou foi obrigada a encaminhar uma guinada na busca dos fundamentos perdidos.

E com essa baita crise na Petrobras e no coração do governo e seus partidos. Por falar nisso, olha outra semelhança com o caso russo: o preço do petróleo em queda coloca em risco os planos de expansão econômica baseados no pré-sal.*

(*) Carlos Alberto Sardenberg, O Globo