O BLEFE E O ENGANO

Trump engabelou Bolsonaro, que se deixou engabelar

Acuda seu pai, Eduardo!

No dia em que completou seis meses sem dispor de um embaixador em Washington, o governo do presidente Jair Bolsonaro foi surpreendido com a notícia de que os Estados Unidos preferiram deixar para depois a indicação do Brasil a um assento na Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE). Apoiarão primeiro a Argentina e a Romênia.

Não teria sido o caso de despachar às pressas para Washington o deputado Eduardo Bolsonaro? Entre seus atributos para ocupar o posto vago não está sua fluência em inglês, o seu gosto por fritar hambúrguer e o seu acesso sem restrições ao presidente Donald Trump, aos filhos dele e aos seus principais auxiliares na Casa Branca? Quem sabe Trump não revogaria a decisão?

Nenhum dos ministros de Bolsonaro ousou lhe dar tal conselho. Poderia soar como deboche. Ultimamente, Bolsonaro anda se queixando de que poucos ministros o defendem nas redes sociais e na imprensa. O deboche poderia custar a degola de mais algum. De mais a mais, Bolsonaro decepcionou-se com Trump. Esperava melhor tratamento depois de tê-lo endeusado tanto.

Bolsonaro é sincero na sua admiração por Trump. E esperto também. Perfilar-se ao seu herói é um prazer para ele. Bajulá-lo e fazer-lhe as vontades, uma maneira de cativá-lo para que o ajude a governar. Trump simpatiza com Bolsonaro porque a imprensa americana o chama de “Trump dos trópicos”. Acha graça de algumas atitudes dele. Mas é só, e não é muita coisa.

Trump engabelou Bolsonaro com a promessa feita em março último de que apoiaria a entrada do Brasil na OCDE. E Bolsonaro, aflito por esgrimar com algum trunfo obtido, deixou-se engabelar. Trump não disse que sua promessa era para breve. Bolsonaro fez um escarcéu para dar a impressão de que a promessa seria cumprida rapidamente. Enganou os brasileiros. Deu-se mal.

Antes dera-se mal ao celebrar com grande alarde a conclusão do acordo entre o Mercosul e a Comunidade Econômica Europeia que se arrastava há mais de 20 anos. Para que entre em vigor, o acordo carece de confirmação pelo parlamento europeu. E com a crise ambiental que ameaça a Amazônia, a França já anunciou que não aprovará o acordo tão cedo. A Alemanha vai pelo mesmo caminho.

A pouca consideração de Trump pelo Brasil não fará Bolsonaro desistir da aprovação pelo Senado do nome de Eduardo para embaixador. A aprovação não é fatura liquidada, como os devotos do capitão insistem em dizer que é. Mas não deixou de ser possível. Tudo dependerá da generosidade de Bolsonaro no atendimento às reinvindicações$ dos $enhores $enadores.*

(*)  Blog do Ricardo Noblat

ESPERANDO POR UM MILAGRE

Na montanha-russa da economia, otimismo e incerteza se alternam
Notícias boas e ruins aparecem todos os dias, e ninguém sabe dizer quando o crescimento realmente vai voltar

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Desde que o Brasil saiu oficialmente da recessão, no fim de 2016, as previsões para a economia viraram uma espécie de montanha-russa. Às vezes, a sensação trazida pelos  indicadores e pelo noticiário relacionado às empresas é de que o crescimento está de volta. Mas aí chegam outros indicadores, outras notícias, e todo mundo se pergunta: quando é que o Brasil volta a crescer de verdade?

Neste mês, experimentamos isso mais uma vez. Na semana passada, a divulgação do desempenho da indústria em agosto (uma surpreendente alta de 0,8%, após três meses de queda) dava uma certa esperança de que a economia talvez começasse a dar sinais de recuperação. Aí veio o dado do comércio, que ficou praticamente estagnado  (alta de 0,1%). E, nesta sexta-feira, 11, o IBGE divulgou que o setor de serviços teve queda de 0,2% em agosto.  Um sinal bom, outro ruim e todos continuam à espera de que haja realmente uma retomada.

Já fizemos aqui no Estadão uma série de reportagens e entrevistas mostrando, no final das contas, por que o Brasil não cresce. Economistas como José Roberto Mendonça de Barros,  Marcos Lisboa e Eduardo Giannetti acreditam que o grau profundo de destruição deixado pelo longo período de recessão, iniciado no primeiro trimestre de 2014, e a falta de investimentos, tanto públicos quanto privados, prejudicam qualquer ensaio de retomada. Lisboa afirma que será muito difícil, pelas condições atuais, que o Brasil volte a ostentar crescimentos acima de 3% ao ano.

Na questão específica das obras, está claro que não será possível contar com o governo, completamente sem dinheiro. O Orçamento federal para 2020, quase completamente tomado pelas despesas obrigatórias, prevê apenas R$ 19 bilhões para investimentos,  um número ridículo, o menor em uma década. O presidente Jair Bolsonaro, em entrevista ao Estadão, disse que tem pedido aos ministros para terminarem obras inacabadas, o que teria, segundo um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), potencial para destravar investimentos de R$ 144 bilhões. Mas a pergunta é: com que dinheiro isso poderia ser feito?

Mais seguro seria contar com dinheiro privado para os investimentos. E, nesse sentido, houve uma ótima notícia nesta semana. O leilão de áreas de exploração de petróleo realizado na quinta-feira, 10, foi um sucesso – embora nem todas as áreas tenham recebido ofertas. No final, a arrecadação foi de R$ 8,9 bilhões, muito acima das previsões do governo. O ágio foi de 322% em relação aos preços iniciais. E, bom sinal, houve forte presença de empresas estrangeiras. A Petrobrás, que sempre foi o motor dos leilões de petróleo no País, ficou somente com uma área.

Esse sucesso traz alento porque esse é um setor que exige grandes investimentos. A estimativa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) é que só o pagamento de royalties aos governos chegue a R$ 100 bilhões quando as áreas estiverem produzindo. E em novembro tem mais: o governo espera arrecadar R$ 106 bilhões com a licitação de blocos do  pré-sal. Como disse nossa colunista Cida Damasco, foi apenas o começo, e um bom começo.

Mas é preciso mais, e o governo sabe disso. A privatização da Eletrobrás, por exemplo, é um objetivo que já vem sendo perseguido desde o governo de Michel Temer, mas sempre trava no corporativismo do Congresso.  Com subsidiárias importantes, como Chesf e Furnas, a empresa sempre foi objeto de barganha política.  Mas o governo Bolsonaro insiste. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que o novo projeto de lei de venda da estatal será enviado ainda este mês ao Congresso.

Assim, a economia continua em compasso de espera. Há promessas de reformas estruturais (Previdência – quase lá -, tributária, administrativa), fundamentais para tornar o País mais amigável aos investimentos, de reformas microeconômicas e de um festival de concessões e privatizações. Mas o salto da economia precisa que as promessas sejam cumpridas.*

(*) Alexandre Calais, O Estado de S.Paulo

 

LULA LIVRE! LULA PRESO!

Lula sai da prisão

Começa no último minuto desta sexta-feira (11) o prazo de uma semana para que a defesa do ex-presidente Lula se manifeste no processo de execução penal que pode tirá-lo da cadeia. O Ministério Público já se posicionou pela progressão de regime de Lula.

O ex-presidente reagiu e escreveu uma carta afirmando que não iria “barganhar” seus direitos e sua liberdade. Lula segue irredutível sobre não aceitar condições para sair da prisão, como o uso de tornozeleira eletrônica. Diz que só deixa o prédio da Polícia Federal, onde está desde abril do ano passado, com liberdade total.

O advogado do petista, Cristiano Zanin Martins, irá a Curitiba nos próximos dias para definir, com Lula, o conteúdo do documento. A ideia é usar todo o prazo e se posicionar no processo só na próxima sexta-feira (18).

Esse é o último passo antes de a juíza de Curitiba, Carolina Lebbos, proferir sua decisão sobre a soltura do ex-presidente.*

(*) Bela Menguelle – O Globo

POBRE PAÍS…

AGORA, NÃO FALTA MAIS NADA

O jornal Valor Econômico publicou hoje cedo, antes da operação da PF vir a público, uma entrevista que fez com o segundo “mais honesto do país”, Fernando Collor.

30 anos após vencer a primeira eleição direta no país após a ditadura militar, o senador alagoano não descarta a possibilidade de voltar ao Palácio do Planalto.

“São coisas do destino.”

TELE CURSO DIPLOMÁTICO

Aulas particulares de embaixadores para Eduardo Bolsonaro

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Ernesto Araújo pediu a embaixadores da cúpula do Itamaraty para dar aulas particulares a Eduardo Bolsonaro, informa a Época.

Eduardo também contratou, usando verba de gabinete, o ex-assessor da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Marcelo Rech para ensinar-lhe o beabá da diplomacia.

As aulas são dadas na casa de Eduardo em Brasília ou na Câmara.*

(*) O Antagonista

UM DELIRANTE NO PODER

Bolsonaro não ficou nem saiu do PSL e virou um OVNI político, perdido no espaço

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Charge do Jaguar (A Tarde)

 

O presidente Jair Bolsonaro conseguiu chegar à Presidência da República mediante uma série de circunstâncias, diria o grande filósofo e analista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Depois de chegar ao poder, porém, as circunstâncias mudaram muito e o presidente brasileiro enfrenta dificuldades cada vez maiores. Na política interna ou externa, seu amadorismo é cada vez mais surpreendente, porque formou uma péssima equipe e está pagando esse preço, porque não tem assessores qualificados que possam sugerir os caminhos mais seguros para trafegar. O resultado é patético.

Como toma as importantes decisões sem antes discuti-las, os resultados são patéticos e surpreendentes, A cada dia sai uma novidade (no mau sentido), como uma deselegância, um erro de avaliação, uma ofensa ou mesmo um desatino.

É ASSIM MESMO – Não adianta esperar que o presidente da República aprimore seu comportamento, porque ele é assim mesmo, todos sabem que não irá mudar. Na verdade, Jair Bolsonaro não se comporta como presidente da República. Posiciona-se preferencialmente como chefe da família Bolsonaro.

Um bom exemplo é essa briga com o presidente do PSL, Luciano Bivar, que nunca foi, não é e jamais será referência. Bolsonaro tentou destruí-lo com uma declaração explosiva: “Cara, não divulga isso não. O cara tá queimado pra caramba lá. Vai queimar o meu filme. Esquece o Bivar, esquece o partido”, disse, sem entrar em detalhes.

E o motivo? Ora, tudo isso é porque Bivar não impediu que o líder do PSL no Senado, Major Olimpio, criticasse publicamente Flávio Bolsonaro e sugerido que deixasse o partido. Ou seja, Bolsonaro agiu como pai, ao invés de se comportar como presidente da República.

CAIU NA RODA – O resultado foi o contrário do que Bolsonaro esperava, porque caiu no centro da roda e começou a levar pancada de todo lado. Bivar acusa pessoas ligadas a Bolsonaro de querem controlar as finanças do PSL, o que significa uma maluquice total, enquanto Olímpio aumenta as críticas aos filhos de Bolsonaro, dizendo que eles são filiados como qualquer outro, o que é pura verdade.

Todos sabem que seu partido, o PSL, não é nenhum primor democrático, mas foi a legenda que o levou ao poder e se tornou a maior do país. Agora Bolsonaro está na berlinda, não saiu, mas também não é mais do partido, igual à Viúva Porcina, aquela que foi, sem nunca ter sido, na definição genial de Dias Gomes.

Ele pode trocar de partido mais uma vez, porém os deputados e senadores que elegeu não podem acompanhá-lo com facilidade, há regras na Lei Eleitoral a serem obedecidos. A chamada janela só se abre em 2022. Até continuará reinando a esculhambação.*

(*) Carlos Newton – Tribuna na Internet

O SALVADOR DA PÁTRIA

Após recusa de Trump, EUA dizem manter apoio ao Brasil, mas expansão da OCDE deve ser “controlada”

Charge do Adnael (www.humorpolitico.com.br)

 

O governo de Donald Trump afirmou nesta quinta-feira, dia 10, que mantém o apoio à entrada do Brasil na  Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas não estabeleceu um prazo para que isso aconteça e ponderou que a expansão da entidade deve ser feita em “ritmo controlado.”

“A declaração conjunta de 19 de março do presidente Trump e do presidente Bolsonaro afirmou claramente o apoio ao Brasil para iniciar o processo para se tornar um membro pleno da OCDE e saudou os esforços contínuos do Brasil em relação às reformas econômicas, melhores práticas e conformidade com as normas da OCDE. Continuamos mantendo essa declaração”, diz a nota divulgada pelo Departamento de Estado americano.

RITMO CONTROLADO – “Apoiamos a expansão da OCDE a um ritmo controlado que leve em conta a necessidade de pressionar as reformas de governança e o planejamento de sucessão […] Todos os 36 países membros da OCDE devem concordar, por consenso, com o calendário e a ordem dos convites para iniciar o processo de adesão à OCDE.”

O posicionamento pouco assertivo dos EUA, porém, frustrou a cúpula do governo de Jair Bolsonaro. Do lado brasileiro, a expectativa era de que os americanos indicassem de forma objetiva que apoiariam o ingresso do Brasil no clube dos ricos ainda este ano, comprometendo-se com uma fórmula para operacionalizar o processo.

ROMÊNIA E ARGENTINA – Segundo integrantes do Itamaraty, essa era a sinalização dos EUA inclusive após 28 de agosto, data da carta revelada pela agência Bloomberg em que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, diz à OCDE que vai dar suporte somente às candidaturas de Romênia e Argentina, e que não quer discutir neste momento uma ampliação maior do grupo de 36 países.

Em 16 de setembro, por exemplo, após encontro em Washington entre Pompeo e o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, o Departamento de Estado americano emitiu uma nota em que reafirmava “o apoio contínuo dos EUA à adesão do Brasil à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em consonância com as declarações do presidente Trump em março de 2019.”

O apoio americano ao Brasil na OCDE foi um dos principais compromissos firmados na visita de Bolsonaro à Casa Branca, em março, e contou com a contrapartida brasileira de abrir mão do tratamento especial dado a países emergentes na  Organização Mundial do Comércio (OMC). Na ocasião, o aparente acordo foi visto como uma vitória da diplomacia brasileira.

CRONOGRAMA – Integrantes do governo americano afirmaram nesta quinta-feira, dia 10, que os EUA se comprometeram a apoiar Argentina e Romênia antes das conversas com o Brasil e que por isso estão seguindo esse cronograma.

Diplomatas brasileiros, por sua vez, ressaltam que a carta de Pompeo não sinaliza que os EUA desistiram completamente de apoiar a entrada do Brasil na OCDE, mas mostram decepção com a falta de engajamento e preferência do governo Trump.

Em maio, o diretor-geral da OCDE, Ángel Gurría, já havia sinalizado que Argentina e Romênia iniciariam com o plano de adesão até setembro, antes do Brasil, e os EUA também haviam deixado claro que são contrários à maior ampliação da OCDE.

DECISÃO POLÍTICA – A formalização do apoio americano às candidaturas que não do Brasil foi uma decisão política, e não burocrática, dizem pessoas que participaram das negociações, e a tentativa do governo brasileiro agora é suavizar a sensação de uma derrota diplomática.

O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Filipe Martins, por exemplo, publicou mensagem em suas redes sociais nesta quinta-feira, após a repercussão das notícias sobre o tema, dizendo que o Brasil havia concordado com um cronograma que teria início com a Argentina e que a “histeria” sobre o assunto era fruto da cobertura da imprensa.

“CULPA DA IMPRENSA” – “Toda a histeria sobre a OCDE na imprensa revela o quão incompetentes e desinformadas são as pessoas que escrevem sobre política no Brasil. Não há fato novo. Os EUA estão cumprindo exatamente o que foi acordado em março e agindo de acordo com o cronograma estabelecido na ocasião.”*

(*) Marina Dias – Bruno Boghossian
Folha de São Paulo

O BAGAÇO DA LARANJA

Bolsonaro vê “exagero e má-fé” em inquérito sobre ministro do Turismo

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O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira, dia 10,  inquérito da Polícia Federal que resultou no indiciamento do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, sob acusação de envolvimento no esquema de candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais.

Em live semanal, transmitida nas redes sociais, ele afirmou que o responsável pela investigação policial “agiu de má-fé”, que houve “exagero” no inquérito e que a intenção não foi atingir o ministro, mas sim o presidente da República. No último domingo, dia 6, a Folha mostrou que um depoimento e uma planilha obtidos pela Polícia Federal sugerem que recursos do esquema foram desviados para abastecer, por meio de caixa dois, a campanha presidencial de Bolsonaro.

CAMPANHA – No depoimento, Haissander Souza de Paula, assessor parlamentar à época do hoje ministro, disse que “acha que parte dos valores depositados” foi usada para pagar material de campanha de Álvaro Antônio e de Bolsonaro.

“O delegado da Polícia Federal fez uma pergunta para o cara lá. ‘Esse recurso, que seria o caixa dois, foi usado na campanha do presidente Jair Bolsonaro?’ Ele disse: ‘Acho que sim’. Pronto, me carimbaram no processo. Isso aí é uma covardia. Quem fez esse inquérito aí agiu de má-fé. Ou devia se aprofundar. ‘Acho?’ Essa é a pergunta que se faz? O cara fala ‘acho’ e bota lá?”, disse o presidente.

NENHUM CENTAVO – Bolsonaro afirmou que passou parte da campanha eleitoral internado, após sofrer uma facada, e disse que não usou “um centavo do fundo partidário”. Na avaliação dele, a intenção é rotulá-lo de “corrupto” ou “dono de laranjal”.

“A intenção não é atingir o ministro Marcelo Álvaro Antônio. Não sei se é culpado ou inocente. Pelo que eu sei, até o momento, há um exagero no inquérito, pelo eu sei até o momento. Vamos aguardar o desenrolar do processo. É um exagero, mas a intenção não é o Marcelo, em primeiro lugar sou eu, Jair Bolsonaro. Querer me rotular de corrupto ou dono de laranjal”, afirmou.

Na planilha, obtida pela Polícia Federal e nomeada como “MarceloAlvaro.xlsx”, há referência ao fornecimento de material eleitoral para a campanha de Bolsonaro com a expressão “out”, o que significa, na compreensão de investigadores, pagamento “por fora”.

A Folha revelou, em fevereiro, a existência de um esquema de desvio de verbas públicas de campanha do PSL em 2018, que destinou para fins diversos recursos que, por lei, deveriam ser aplicados em candidaturas femininas do partido.

Álvaro Antônio, deputado federal mais votado em Minas Gerais, foi coordenador no estado da campanha presidencial de Bolsonaro. O ministro foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Até o momento, o presidente tem afirmado que irá manter, pelo menos temporariamente, o ministro no cargo, mas aumentou sobre ele a pressão do núcleo moderado do Palácio do Planalto por uma demissão. A avaliação é de que a permanência dele tem causado um “desgaste desnecessário” na imagem do governo.

Caso Bolsonaro decida exonerá-lo, o nome mais cotado para o posto é o do presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Gilson Machado Neto, considerado um dos auxiliares favoritos do presidente e presença recorrente em suas lives semanais, transmitidas pelas redes sociais.*

(*) Gustavo Uribe
Folha de São Paulo

OPERAÇÃO ARREMATE

“Estou indignado”, diz Fernando Collor ao ser alvo de operação da PF

Alvo de operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (11), o senador Fernando Collor de Mello (PROS-AL) se manifestou pelas redes sociais e se disse “indignado”. De acordo com as investigações, Collor é suspeito de lavagem de dinheiro por comprar imóveis em leiloes públicos, por meio de um representante, nos anos de 2010, 2011, 2012 e 2016, com o objetivo de ocultar recursos de origem ilícita. “Estou indignado com a tentativa de envolver meu nome num assunto em que não tenho nenhum conhecimento ou participação”, disse o senador. Collor foi presidente de 1990 a 1992, mas foi perdeu o cargo após ser alvo de um processo de impeachment.*

(*) Gazeta do Povo