O FUTURO CHEGOU, FUJA!

Cada crime com seu nome

Vamos falar claro: nenhum empresário deu propina a políticos, nenhum político recebeu propina. A palavra propina é sinônimo de “gratificação”, ou “gorjeta”, agradecimento livre e espontâneo pela prestação de bons serviços. Não é crime. “Gorjeta” deriva de “gorja”, garganta – algo como “tome uma dose”. Equivale ao francês “pour boire” – para beber. O que esses empresários fizeram foi “suborno”; Suas Excelências foram “subornados”. Todos os envolvidos no suborno cometeram crime.
Os “malfeitos” de que falava Dilma chamam-se crimes. A delação premiada foi essencial para desmascarar esse tipo de práticas. Mas deixemos de lado os eufemismos: aproveitemos as revelações da delação e desprezemos os delatores. São “caguetas”, “dedos-duros”, “alcaguetes”, “X9” – seres desprezíveis, que jogam cúmplices no fogo para salvar os próprios rabos sujos. Seres que não se envergonham de ostentar, perante filhos e família, a pena reduzida, o símbolo da traição. Visitar o cúmplice para gravá-lo? São traidores. Que tenham tido tantos privilégios para fazer coisas tão feias mostra o nível de bandalheira a que chegou a moral do país.
Na zona não há santos. Os ingleses diziam que um cavalheiro não ouve a conversa dos outros (diziam, mas ouvem; dizer era a homenagem que o vício presta à virtude). No Brasil do vale-tudo, em que milícias de policiais disputam com bandidos o controle da bandidagem, nem se faz, nem se diz.

A novilíngua

Todo esse esforço para amenizar o nome tradicional dos crimes lembra um romance clássico de George Orwell, 1984. Num Estado totalitário, em que os habitantes são permanentemente monitorados por câmeras, em que até o sexo tem de ser autorizado, tenta-se mudar o idioma para uma tal Novilíngua, em que certos conceitos desapareceriam, na falta de palavras para designá-los.
“Liberdade”, por exemplo, era uma palavra politicamente incorreta. Aqui, em vez de cuidar da urbanização, saneamento, transporte, passa-se a chamar favela de “comunidade”, como se isso mudasse alguma coisa. A máfia de larápios que se entupiu de dinheiro para trair eleitores vira um grupo que “recebeu propina”. Queremos clareza: ladrão é ladrão.
E, veja, é médico!

Muita gente aqui tem amigos que de vez em quando viram inimigos mas logo voltam a ser amigos. Lula sempre tratou Antônio Palocci, coordenador de sua campanha vitoriosa à Presidência, seu ministro da Fazenda, indicado por ele para coordenar a campanha de Dilma, imposto por ele para a Casa Civil da nova presidente, como amigo de fé e irmão camarada, daqueles de se guardar do lado esquerdo do peito (lado do coração e da carteira).
Agora, caguetado, eis o que disse do amigo Palocci, que pelo jeito agora é inimigo, para Sérgio Moro: “É médico, frio, calculista, simulador”. Que é que significa, na frase, “médico?” Um dia Lula diz “Conheço o Palocci bem. Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade”. “Ele espertamente diz ‘não é que sou santo’, e pau no Lula”.

Amigos, amigos…


Do lado do procurador-geral Rodrigo Janot, a surpresa veio de onde ele menos esperava: de seu colega mais próximo, o procurador Marcelo Miller. Miller, um dos coordenadores da caguetagem dos dois Batista, demitiu-se da Procuradoria e começou a trabalhar no escritório de advocacia que defende os irmãos que dedaram Michel Temer. Não é comum, mas a lei permite – só que surgiram suspeitas de que Miller já orientava a defesa dos dois alcaguetes enquanto estava na Procuradoria. A Polícia Federal tem certeza de que as suspeitas são verdadeiras. Janot obteve a prisão de Miller.

…negócios à parte

Enquanto cuida da frente interna, Janot aproveitou seus últimos dias como procurador-geral (a partir desta semana, o cargo é de Raquel Dodge) para apresentar nova denúncia ao Supremo contra o presidente Michel Temer e o Quadrilhão do PMDB; Segundo a denúncia, o grupo, chefiado por Temer, incluía os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, mais Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves – estes quatro já presos. As fraudes em contratos da Caixa, Furnas, Petrobras, ministérios da Agricultura e da Integração, Secretaria da Aviação Civil e Câmara dos Deputados atingiriam R$ 587 milhões.

Calma no Brasil

A denúncia será agora examinada no Supremo. Se aceita, vai à Câmara, que terá de autorizar a abertura de inquérito. Não é fácil: se 172 deputados votarem contra, ou simplesmente não aparecerem, o pedido é rejeitado.

A festa do caqui

Joesley foi preso com um terço nas mãos (os outros dois terços não apareceram). Geddel chorou (e explicou: teme ser estuprado). Wesley, irmão de Joesley, diz que seu crime foi virar delator. Foi mesmo. Feio, né?*

(*) Carlos Brickmann, na Internet

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone

AO DEUS DARÁ…

Só o Rio poderá salvar o Rio

A escalada da violência no Rio de Janeiro por culpa de um governo em colapso e de um aparelho policial a serviço do crime organizado dá razão de sobra às Forças Armadas para que, ali, elas se metam cada vez menos. Foram três as megaoperações que devolveram os militares às ruas do Rio.

 

As três fracassaram por conta do vazamento de informações. Um recruta acabou preso, suspeito de vazar. Nenhum chefe de gangue foi preso. Nenhum dos 15 mil fuzis em mãos de bandidos foi apreendido. Tão logo os militares foram embora, o crime organizado voltou a atacar – e com desenvoltura.

A situação do Rio cobra uma intervenção branca federal. Branca porque uma intervenção de verdade, que se assuma como tal, impediria a votação de temas importantes no Congresso. É o que manda a lei. Mas outros Estados já sofreram intervenções brancas que trouxeram bons resultados.

Foi assim em Alagoas, por exemplo, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente da República. Um general assumiu a Secretaria de Segurança Pública do Estado. O governador da época abriu as portas do Estado para que a intervenção fosse bem sucedida. O crime organizado acusou o golpe.

Temos no Rio um governador relapso, incompetente, que jamais esteve à altura das exigências do cargo, e cujo mandato foi cassado pela Justiça. Ainda está onde está graças a uma decisão judicial que pode ser suspensa a qualquer momento. Temos um prefeito que é mais bispo do que prefeito. E dois ex-governadores presos.

Na presidência da República, temos um político duas vezes denunciado por corrupção, ameaçado por novas delações e cercado de auxiliares alvos de investigações policiais. Foi justamente na semana em que Temer correu o perigo de perder o mandato que os militares reapareceram nas ruas do Rio. Esperar o que dessa gente?

Ninguém salvará o Rio se os seus habitantes não romperem primeiro com o imobilismo e não assumirem as rédeas do próprio destino.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone

TOCANDO NA BANDINHA DELA

A banda podre vai vencendo a guerra no Brasil

A cerimônia de posse de Raquel Dodge ajuda a entender por que o Brasil é o mais antigo país do futuro do mundo. Havia delatados, investigados e denunciados em toda parte, inclusive na mesa reservada aos presidentes dos Poderes. Pelo Executivo, Michel Temer, que já coleciona duas denúncias criminais. Pelo Legislativo, Eunício Oliveira e Rodrigo Maia, cada um com dois inquéritos.

A esse ponto chegamos: dois dos três poderes são comandados por políticos que têm contas a acertar com a Justiça. Bastava a Raquel Dodge olhar ao seu redor para perceber o tamanho do desafio que tem pela frente. Os procurados faziam festa para a procuradora-geral. A normalidade institucional brasileira é mesmo perturbadora.

Quem assistiu ficou com a impressão de que a banda podre da política está vencendo a guerra. A quantidade absurda de escândalos indica que o Brasil não é mais um país onde pipocam casos de corrupção. Virou um país, em si, corrupto.

A nova procuradora-geral pregou a harmonia entre as instituições. Ótimo. Mas não se deve confundir as instituições com os investigados que as dirigem. A restauração da harmonia depende da punição de todos os que estão em desarmonia com a moralidade.*

(*) Blog do Josias de Souza

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone

O PAI DA ERA DOS CANALHAS

 Vestal em casa de tolerância

Lula, fundador da agremiação que usa o número 13 e esteve no poder por 13 anos nunca participou da roubalheira que corria solta sob sua barba

Lula nunca soube o que se passava na Petrobras do Petrolão ou no Congresso do Mensalão, tampouco tomou conhecimento de atos de corrupção realizados por membros graduados do partido do qual é criador, presidente de honra – título que embute certa ironia – e mandatário perpétuo. Sequer foi informado do que ocorria nos gabinetes e corredores de estatais e ministérios comandados por gente de sua confiança, nomeada por ele e que, supostamente, estava ali para cumprir suas diretrizes e lhe prestar contas.

Trata-se de uma vestal em casa de tolerância, a donzela recém-chegada dos grotões que vai parar em um bordel acreditando estar em uma inocente casa de shows. Lula, fundador da agremiação que usa o número 13 e prestou depoimento no último dia 13, esteve no poder por 13 anos – outra ironia involuntária do destino –, pessoalmente ou por meio do poste avançado Dilma Rousseff, mas nunca participou da roubalheira que corria solta sob sua barba. Comporta-se como a mocinha que resistiu ao bordel sem ter a inocência subtraída e nem mesmo percebeu que aquelas mulheres excessivamente maquiadas protagonizavam ações capazes de ruborizar a mais experiente cafetina.

O assombroso, longevo e desmedido assalto aos cofres públicos transformou o Brasil num imenso lupanar explorado por incontáveis corruptos. Agora, para se livrarem de uma cana mais dura, eles acusam a mocinha do interior de tê-las comandado, enquanto ela continua acreditando que aquela era apenas uma casa de shows.*

(*) Eliziário Goulart, no blog do Augusto Nunes

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone

QUNADO O SILÊNCIO DA OMETÀ É QUEBRADO

Quando a máfia briga

Antonio Palocci era o elo que levava o dinheiro das empreiteiras a Lula

Nos filmes de máfia sempre existe aquele momento de tensão em que um lugar-tenente ou alguém menos expressivo na hierarquia começa a dar sinais de que vai roer a corda e ajudar os investigadores ou se bandear para o grupo rival. Na ficção, esse conflito geralmente acaba em morte, mas às vezes resulta na implosão da organização.

No enredo de gângsteres que a Lava Jato revela ao Brasil em temporadas cada vez mais eletrizantes, por ora não se teve ainda – o que é até de certa forma surpreendente, dada a profundidade e a extensão das revelações – casos de queima de arquivo, ou mesmo tentativas de. Mas a implosão das organizações criminosas pelo “pio” de suas figuras proeminentes tem sido e tende a ser o grande complicador para os capos políticos.

Agora questionada pela razão, mais ou menos óbvia, de que não produziu provas materiais, a delação de Delcídio do Amaral foi a primeira nessa categoria de colaborações. Ex-presidente da CPI dos Correios, ex-líder do governo Dilma Rousseff, frequentador assíduo do Instituto Lula e interface do PT com a Petrobrás por décadas, Delcídio sempre foi um insider.

Suas revelações sobre a cadeia de comando no PT e na relação do partido com as empresas, embora não tenham recibo, se mostraram precisas na descrição da engrenagem. Ele disse: Antonio Palocci era o elo que levava o dinheiro das empreiteiras a Lula.

Vieram as colaborações da Odebrecht, essas sim mais municiadas de documentos, pois envolvem a máquina de uma das maiores empresas do País, que tinha até um departamento dedicado à corrupção e, portanto, dispõe de planilhas, passagens, depósitos, contratos para ofertar, e confirmou, ipsis litteris, a narrativa de Delcídio.

Agora está próximo de ser selado o acordo em que Palocci dará o fecho na cadeia de confissões que começa em Delcídio, passa pela Odebrecht, demais empreiteiras, pelo casal João Santana e Mônica Moura e acaba em Lula.

Não é por outra razão que a figura que se sentou diante do juiz Sérgio Moro na quarta-feira nada mais era do que uma fera acuada. Por trás de uma malograda tentativa de soar indignado ou falar como psicólogo sobre as supostas razões de seu antigo lugar-tenente, Lula deixava transparecer na voz rouca e nos olhos assustados a certeza de que não há como contestar o que está por vir.

Por um mistério desses da política, Palocci, um médico interiorano sem nenhuma expertise em economia em 2002, foi o passaporte de ingresso de Lula nos salões dos empresários. Foi ele que, juntamente com os marqueteiros Duda Mendonça e João Santana, passou em Lula a camada de verniz que atestava: se eleito, ele não vai contrariar vossos interesses, muito pelo contrário.

Uma vez que a “esperança” venceu o medo, coube a ele voltar aos que lhe abriram as portas para introduzir Lula e apresentar o prospecto do custo que teriam e dos benefícios de que gozariam para ser “amigos” do PT. Um plano de fidelização que levou empresas à condição de campeões nacionais na velocidade da luz e deu no que estamos vendo agora.

Dizer que este personagem, assim tão central, diz o que diz sem ter elementos para demonstrar as acusações é brincar com a inteligência alheia. Palocci construiu uma consultoria gigante. Contratos maquiados e tráfico de influência eram seu core business. E o Instituto Lula, sua segunda sede.

Em tempo: a mesma lógica da implosão interna da irmandade valerá para Michel Temer se Geddel Vieira Lima, Henrique Alves e até capatazes menos influentes como Rodrigo Rocha Loures resolverem abrir o bico. Neste caso, também o clã peemedebista estará diante do risco real de implosão de seu chefe. Sem Rodrigo Janot para atrapalhar.*

(*)  Vera Magalhães – Estadão

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone

POR FALAR A VERDADE…

PT dá início a processo de expulsão de Palocci

Processo foi aberto nesta segunda-feira, 18, em São Bernardo, após ser acusado de ‘quebrar ética partidária’ em depoimento a Moro, em que incriminou Lula

A executiva municipal do PT de Ribeirão Preto decidiu nesta segunda-feira, 18, por unanimidade, enviar o caso do ex-ministro e ex-prefeito da cidade Antonio Palocci para a comissão de ética do partido. Na prática, o PT de Ribeirão deu início hoje ao processo de expulsão de Palocci. A Comissão de Ética da legenda tem um prazo de 60 dias, prorrogavéis por mais 30 para apresentar um relatório.

O ex-ministro é acusado de quebrar a ética partidária ao dizer em depoimento so juiz Sérgio Moro que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou um “pacto de sangue” com o empreiteiro Emílio Odebrecht e teria recebido benefícios pessoais da empresa, Palocci disse também que chegou a entregar maços de dinheiro vivo a Lula.

“O motivo são as acusações inverídicas que ele fez tentando incriminar o ex-presidente Lula”, disse o presidente do diretório municipal do PT de Ribeirão, Fernando Tremura.

Segundo ele, o partido não vai investigar as acusações de corrupção das quais Palocci é alvo. “Não vamos entrar neste mérito. As acusações de corrupção vão ser investigadas pela Justiça federal”, explicou o dirigente.

Tremura negou que o PT de Ribeirão estivesse evitando abrir o processo contra sua principal liderança. “Não é que o PT não queria investigar, é que até agora ninguém tinha feito uma denúncia”, afirmou.

O responsável pela iniciativa é Luiz Fernando da Silva, integrante da executiva municipal. Agora Palocci será notificado sobre a abertura do processo e terá um prazo para apresentar sua defesa. Dentro de no máximo três meses a comissão de ética apresenta um relatório com o resultado das investigações e sugestões de penalidades a serem aplicadas, se for o caso. O relatório é votado pelo Diretório Municipal, a quem cabe a última palavra.

A mãe de Palocci, dona Toninha de Castro, de 82 anos, é suplente no Diretório Municipal e militante ativa do partido. Segundo Tremura, ela costumava participar de todas as reuniões e votava quando algum integrante titular faltava à reunião. “Agora ela anda meio afastada. Dá para entender, ela é mãe”, disse o presidente do PT de Ribeirão.

Na direção nacional a expectativa é que Palocci tome a iniciativa de pedir a desfiliação.

Depoimento. Na semana passada, Tremura, afirmou que o ex-ministro Antonio Palocci teria prestado depoimento para o juiz Sérgio Moro, no último dia 6, “sob efeito de tortura”. A conclusão foi enviada ao militantes do partido por meio de uma nota.

Ao Estado, Tremura disse que as acusações que Palocci fez ao ex-presidente Lula foram “arrancadas depois de muita tortura psicológica, em consequência de uma prisão ilegal”. Sobre as críticas que Palocci recebeu de alguns membros do PT, Tremura disse não ser correto compará-lo a figuras como o ex-ministro José Dirceu, o ex-deputado José Genoino e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (que, embora presos, não delataram o ex-presidente).

“Palocci não tem as mesmas características, formação e preparo desses companheiros. São pessoas diferentes, com histórias diferentes de vida”. Questionado sobre uma possível expulsão de Palocci, ele afirmou que em Ribeirão Preto (cidade na qual o ex-ministro foi prefeito por duas vezes) “ainda não há hipótese de expulsão”. “Claro, vamos esperar uma diretriz nacional, mas nada do que ele disse diminui a importância de Palocci para Ribeirão Preto”, disse Tremura.*
(*) Ricardo Galhardo e Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone

MAIS UMA CONDENAÇÃO NO PRONTUÁRIO

Interrogatório de compadre de Lula abre contagem regressiva para nova sentença

Condenado a 9 anos e 6 meses no caso triplex do Guarujá, ex-presidente será julgado mais uma vez por Moro por acerto de R$ 12,5 milhões de propinas da Odebrecht em imóveis para Instituto Lula e para família

O interrogatório do advogado Roberto Teixeira, comprade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nessa terça-feira, 19, encerra a fase de instrução no processo em que o petista é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, na compra de um terreno para o Instituto Lula e de um apartamento para a família, em São Bernardo do Campo, pela Odebrecht, e abre contagem regressiva para mais uma sentença do juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, em Curitiba.

Lula foi interrogado por Moro na quarta-feira, 13, quando cerca de 4 mil pessoas foram à Curitiba, protestar em defesa do petista. Frente a frente com Moro, ele negou crimes e disse ser vítima de uma perseguição do Ministério Públicio Federal.

Teixeira será ouvido à partir das 10h. Com os interrogatórios dos réus concluídos, Moro abre prazo para as alegações finais na ação penal em que Lula é acusado pelo acerto de R$ 12,5 milhões de propinas com a Odebrecht, em benefício próprio, no esquema de corrupção na Petrobrás.

O Ministério Público Federal terá dez dias para entregar ao juiz seus memoriais, em que imputa os crimes aos réus pede a condenação ou absolvição. Depois é dado prazo às defesas dos acusados de apresentarem alegações finais.

Além do ex-presidente e de Teixeira, também respondem ao processo o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma), seu ex-assessor Branislav Kontic, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros três investigados.

Com a confissão dos crimes de Antonio Palocci, que acusou Lula de ser responsável por um “pacto de sangue” com a Odebrecht, que disponibilizou R$ 300 milhões de propinas para abrir espaço no governo, e a delação premiada dos donos da empresa, Emílio e Marcelo Odebrecht, a condenação de Lula nesse processo é dada como certa por investigadores e advogados ligados ao processo.
Participação. Teixeira tinha audiência marcada para o dia 13, quando Lula foi ouvido, mas pediu para remarcar, por motivos de saúde. Nesta terça, ele será interrogado de São Paulo, por videoconferência.

Compadre de Lula desde a década de 1980, Teixeira é acusado de ter participado da lavagem do dinheiro da propina da Odebrecht para Lula. Segundo a força-tarefa sustenta na acusação, ele junto com o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, que montaram a operação fraudulenta de compra dos imóveis.

É a primeira vez que Teixeira senta para ser interrogado como réu da Lava Jato. Seu genro, Cristiano Zanin Martins, é quem encabeça a defesa criminal de Lula nos processos. Sua filha Valeska também integra a banca.

Condenado. Lula foi condenado por Moro em junho a 9 anos e seis meses de prisão no processo da propina da OAS no tríplex do Guarujá. O ex-presidente recorre ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região em liberdade.

O petista também será julgado por Moro em uma terceira ação penal, que o acusa de receber propinas da Odebrecht e da OAS nas obras do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). A Lava Jato diz que a propriedade é do ex-presidente, registrada em nome de laranjas. Ele nega. Esse processo está ainda em fase inicial e deve ser julgado no início de 2018.*

(*) Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo e Luiz Vassallo – Estadão

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone

PIOR QUE ESTÁ NÃO FICA, É?

Pesquisa mostra Temer com a pior aprovação da série histórica

Presidente da República obteve 75,6% de avaliação negativa, a mais alta registrada entre os ocupantes do Palácio do Planalto desde 1998 pela CNT


BRASÍLIA – O presidente Michel Temer (PMDB) registrou a pior aprovação pessoal e de governo da série histórica da pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira, 19, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Do ponto de vista de avaliação de governo, a série histórica da pesquisa começou a ser registrada pela CNT em julho de 1998, durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. De lá para cá, Temer é o presidente da República com a pior avaliação.

Segundo os dados do levantamento, a avaliação negativa do peemedebista alcançou 75,6% neste mês de setembro. Até então, o pior desempenho era da ex-presidente Dilma Rousseff, que teve índice de 70,9% em julho de 2015.*

(*) Igor Gadelha e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone