QUARTA-FEIRA, 22 DE OUTUBRO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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UM VEXAME

O OCASO DAS PESQUISAS

 

Começou a trapalhada das pesquisas. Aberta a campanha do segundo turno, Ibope e Datafolha, cautelosamente, davam empate técnico entre Aécio e Dilma, mas com prevalência numérica para o tucano, na base do 51 contra 49. Logo veio a Sensus e ampliou a vantagem: Aécio 56, Dilma 48. Só que agora, na semana que antecede a eleição, o Datafolha aponta Dilma com 52 e Aécio com 48. Com o Ibope, hoje e amanhã pode ser diferente.

Qual a conclusão a tirar? Que o eleitorado é volúvel, vive mudando de opinião, ou que amostragens envolvendo no máximo 9 mil eleitores não representam 143 milhões? Quem sabe as metodologias e coletas científicas de tendências constituem mera fantasia?

Tanto faz, mas a verdade é que as pesquisas vivem seu ocaso político. Confundem, mais do que esclarecem. O vexame do primeiro turno jamais será esquecido, mas se estiver sendo repetido no segundo, os institutos perderão futuros faturamentos, aliás monumentais até agora. Torna-se necessário encontrar novos mecanismos de aferição da vontade popular. Ou abandonar essa prática que de ano para ano só perturba e desmoraliza as campanhas eleitorais.

É possível, mas não é provável, que certa parcela de eleitores mude de candidato às vésperas do pleito. Como também admite-se um percentual de indecisos. O problema, ou melhor, a solução, é que a imensa maioria do eleitorado há se decidiu faz tempo pelos candidatos. Saberemos na noite de domingo. Imaginar que ínfima minoria possa representar a totalidade significa dar as costas para a lógica e o bom senso. As pesquisas podem induzir alguns votos, mas se batem cabeça, é sinal de sua incompetência. Não ganham eleição, conclui-se. Ainda mais quando são pagas…

NO REINO DA FANTASIA

Campanhas são campanhas. Aceita-se que os candidatos exagerem em suas promessas na busca de votos, mas quando começam a enganar descaradamente o eleitor, é bom tomar cuidado com eles. A gente não sabe se o segundo turno está se realizando sob a égide do Pinóquio ou do Ali Babá, mas de um dos dois não escapamos. Dilma e Aécio prometem absurdos. Com a vitória de um deles o Brasil se transformaria no Nirvana.

O problema é que a presidente teve quatro anos para realizar o que agora anuncia e nem chegou perto. O senador bem que poderia ter apresentado projetos de lei no Congresso, para viabilizar seus sonhos, mas não apresentou. Agora, encenam um espetáculo de prestidigitação daqueles dignos de mágicos de parques de diversões. Quem vencer dará de ombros para o que prometeu, caindo na real sem buscar muitas explicações para o malogro. O povo que aguarde mais quatro anos para iludir-se. Ou para concluir que nada de novo existe debaixo do sol.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

TÁ BOM PRA VOCÊS?

Tem bububu no bobobó

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Quem é Val Marchiori? Há respostas simples: apresentadora de TV, integrante do programa Mulheres Ricas, fã de roupas e objetos de luxo, grande consumidora de champagne francês, famosa das que aparecem em revistas de famosas. Há respostas mais difíceis: é amiga do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. Isso terá algo a ver com o empréstimo a juros baixinhos que conseguiu, embora não tivesse quitado empréstimo anterior? Embora amigos, a ponto de um ex-motorista do Banco do Brasil, Sebastião Ferreira da Silva, ter contado que costumava buscá-la a pedido do presidente do Banco do Brasil, terão seus dois encontros em Buenos Aires e no Rio, hospedados no mesmo hotel, quando Bendine estava em missão oficial, ocorrido por pura coincidência? É o que ele diz.

O fato: Valdirene Aparecida Marchiori levantou quase 2 milhões e 800 mil reais a juros de 4% ao ano – para pessoas comuns, os juros são superiores a 8% ao mês. Garantia? A pensão de seus filhos menores. O prazo para pagamento é de 106 meses, nove anos, sendo seis meses de carência. O dinheiro vem de uma linha do BNDES, subsidiadíssima – e o caro leitor sabe quem paga o subsídio.

Outro fato: a empresa de Val, a Torke, gerencia sua carreira (contratos de publicidade, recebimento de pensões alimentícias). E pediu o empréstimo para comprar cinco caminhões semirreboques, que foram imediatamente repassados a outra empresa, a Veloz, de seu irmão e da cunhada.

Isso não é um escândalo. Escândalo é que seja só para ela, não para todos.
E ela explica

Val Marchiori dá a resposta da Torke: diz que o empréstimo é “disponível para todos os empresários brasileiros, seguiu todas as regras e normas exigida pelos bancos envolvidos, não tendo recebido qualquer favorecimento”. *
(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

POR QUÊ, DILMA?

Governo ainda não entrou com ações de

ressarcimento dos desvios do mensalão

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O julgamento do mensalão foi concluído, os condenados foram presos, alguns dos detentos progrediram do regime semiaberto para a prisão domiciliar e até já estourou um novo escândalo na praça, o petrolão. Tudo isso sucedeu em um ano e meio. E o governo não moveu até o momento nenhuma ação judicial para reaver o dinheiro roubado, devolvendo-o aos cofres públicos.

No último final de semana, Dilma Rousseff recitou para os repórteres uma posição que combinara com o marketing de sua campanha sobre o escândalo da Petrobras, espécie de mensalão 2, hipertrofiado. “Farei todo o meu possível para ressarcir o país”, disse ela, antes de admitir, pela primeira vez, a existência de crime. “Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não. Houve, viu?.”

Diante do ímpeto de Dilma, o blog decidiu verificar que providências o governo da candidata à reeleição adotou no caso do mensalão. Vai abaixo resumo da encrenca. Percorrendo-o, você perceberá que, confrontadas com um caso concreto, as palavras de Dilma perdem o sentido:

1A nota da AGU: no dia 14 de dezembro de 2012, a Advocacia-Geral da União divulgara nota na qual prometera cobrar dos condenados do mensalão o ressarcimento das verbas que saíram pelo ladrão.

“…Os advogados públicos aguardam o acórdão do STF, fixando o ressarcimento, para iniciar a atuação”, dizia o texto. Preventivamente, a AGU cogitava requerer o bloqueio de contas, o sequestro e a penhora de bens, “para evitar o esvaziamento do patrimônio” dos condenados e “garantir que as quantias sejam restituídas à União”. E nada.

2O acórdão: O resultado do julgamento do mensalão foi publicado pelo STF em 22 de abril de 2013. Nesta quarta-feira, a publicação completa um ano e meio. No dia seguinte, na saída de um encontro com Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara, o ministro Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, foi espremido pelos repórteres. E o ressarcimento? “Vou ver os embargos de declaração”, disse ele, realçando a necessidade de aguardar o julgamento dos últimos recursos a que tinham direito os 25 condenados.

Isso não é um expediente protelatório?, quis saber um repórter. E Adams: “Não é protelatório porque os embargos de declaração são um instrumento de esclarecimento do acórdão. Se isso vai resultar ou não em procedência, a Corte é quem tem que decidir. As ações da AGU, nós vamos analisar em cima do que foi publicado a possibilidade de tomar alguma medida de imediato.” E nada.

3A situação atual: procurada, a Advocacia-Geral da União informou ao blog que já decidiu buscar “o ressarcimento de recursos públicos que, segundo o STF, foram desviados da Câmara dos Deputados na gestão do ex-deputado João Paulo Cunha”, hoje um dos petistas que compõem a bancada da Papuda.

Em valores da época do escândalo, os desvios da Câmara foram orçados em R$ 1,32 milhão. A cifra foi malversada por meio de contrato de fancaria firmado com uma das agências de publicidade de Marcos Valério, a SMP&B. A Advocacia da União informa que aguarda informações requisitadas ao TCU para agir.

Obtidos os dados, a “AGU e o Ministério Público junto ao TCU atuarão em parceria para a efetiva devolução do dinheiro desviado.” Quando? Não foi informado. E quanto ao resto do dinheiro? Bem, “quanto aos recursos desviados do Visanet, a atuação caberá ao próprio Banco do Brasil e ao Ministério Público Federal.”

4O Fundo Visanet: o repórter apurou no STF que, seis dias depois das prisões dos primeiros mensaleiros condenados, a área jurídica do Banco do Brasil requisitou ao então ministro Joaquim Barbosa cópia da íntegra do processo do mensalão. Manifestava a intenção de reaver os R$ 73,8 milhões que seu ex-diretor de Marketing, o petista Henrique Pizzolatto, desviara da cota do BB no fundo Visanet para o esquema operado por Marcos Valério.

Sem hesitações, Barbosa repassou cópia dos autos em 25 de novembro do ano passado. Mas o Banco do Brasil até hoje não moveu a ação judicial. Por quê? A casa bancária estatal informou ao blog que, de fato, “solicitou cópia da Ação Penal 470 ao STF para estudar as medidas judiciais cabíveis para a salvaguarda de seus direitos.” De posse do material há quase um ano, o ex-empregador de Pizzolatto, hoje preso na Itália, informa:

“Diante da complexidade do processo, que é um dos mais volumosos já apreciados pelo Judiciário brasileiro, o BB destacou uma equipe de advogados específica para analisar o processo e implementar a estratégia processual que confira a necessária segurança jurídica aos interesses do Banco, a partir da análise das 8.400 páginas do acórdão e das 60 mil laudas dos autos que compõem os 295 volumes e mais de 500 apensos, incluindo diversos laudos periciais de elevada complexidade.”

Quando será protocolada, afinal, a ação destinada a reaver o dinheiro? Eis a resposta oficial: “A decisão do Banco do Brasil é promover a ação ressarcitória com a brevidade possível.”

5O montante: Ex-presidente do STF, Carlos Ayres Britto comandou a grossa maioria das sessões de julgamento do processo do mensalão. Antes de se aposentar, ele estimou em R$ 150 milhões as verbas drenadas de cofres públicos. Fez isso a partir de uma soma de cifras extraídas dos autos.

Somando-se a verba surrupiada na Câmara ao dinheiro desviado do Visanet, chega-se a R$ 75,12 milhões. Ainda que se adicione a esse valor mais R$ 2,9 milhões em verbas publicitárias do BB que, segundo o Supremo, foram apropriadas indevidamente pela DNA Propaganda de Marcos Valério, o montante fica longe dos R$ 150 milhões citados por Ayres Britto. E não há no governo quem se preocupe em refazer essas contas.

6O petrolão: no escândalo que derrama óleo queimado sobre a logomarca da Petrobras, há duas Dilmas. Uma, a presidente, sustenta que “não sabia” da existência da quadrilha que desviava 3% dos bilionários contratos da maior estatl brasileira para os bolsos de políticos e as arcas do PT e de legendas aliadas. Outra, a candidata, faz pose de gestora rigorosa.

“Tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos”, disse a Dilma-candidata na entrevista que concedeu no final de semana passado. “Mas ninguém sabe ainda o que deve ser ressarcido. A chamada delação premiada, onde tem os dados mais importantes, não foi entregue a nós.” Verdade. Mas a papelada do mensalão está toda sobre a mesa. E nada.

A demora dos subordinados da presidente em agir no caso mensalão tornam sem nexo a pressa da candidata no escândalo do petrolão. Fica demonstrado, uma vez mais, que dinheiro público roubado do cofre é como pasta de dente que sai do tubo. Colocar de volta é tão difícil quanto desfritar um ovo.*

(*) Blog do Josias de Souza

EU ROUBO SIM, E VOU VIVENDO…

Atenção, senhores:

podem roubar à vontade!

O eleitor não está nem aí.

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Dilma guardou silêncio por mais de mês sobre o escândalo de corrupção que reduziu à metade o valor da Petrobras.

O escândalo tem a ver com o desvio de recursos para enriquecer políticos que apoiam o governo e financiar campanhas. A de Dilma, inclusive.

Por que na semana passada, finalmente, Dilma avisou a jornalistas que a entrevistavam: “Houve desvio, sim!”?

Primeiro: o desgaste de continuar fingindo que desconhecia o escândalo estava pegando mal junto a formadores de opinião.

Segundo: Dilma se sentiu confortável para reconhecer o escândalo ao saber que políticos do PSDB também meteram a mão na grana da Petrobras.

Ora, se todos roubam por que não podemos roubar? Se todos são uns pilantras por que não podemos ser?

E daí?

Daí, nada.

Salvo uma parcela do eleitorado que baba de raiva quando ouve falar em roubalheira, o resto está pouco se lixando. Parte do pressuposto de que todo político é ladrão. E de que só nos resta aturá-los.

O mensalão 1, o pagamento de propina a deputados federais para que votassem como queria o governo, fez tremer o governo no segundo semestre de 2005. Lula chegou a pensar em desistir da reeleição.

O primeiro semestre do ano seguinte começou com a recuperação da popularidade de Lula. O segundo terminou com a reeleição de Lula com larga vantagem de votos sobre Geraldo Alckmin (PSDB).

João Vaccari, tesoureiro do PT e representante da campanha de Dilma junto à Justiça Eleitoral, está metido até o último fio de sua quase careca na corrupção que ameaça engolir a Petrobras.

Vaccari foi nomeado por Dilma para o Conselho Administrativo da Itaipu Binacional. Ganha R$ 20 mil para participar de duas reuniões mensais.

- A senhora confia em Vaccari? Confia? – perguntou Aécio a Dilma no debate da TV Record.

Dilma fez que não ouviu.

Desde que façam alguma coisa pelos mais pobres, os políticos poderão continuar roubando à vontade.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

TERÇA-FEIRA, 21 DE OUTUBRO E 2014

SOM NAS CAIXAS

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A GRANDE DÚVIDA…

E a vida real, presidente?

Avida real começa na próxima segunda-feira. O presidente eleito deverá
enfrentar um cenário de emergências urbanas e rurais.

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Avida real começa na próxima segunda-feira. O presidente eleito deverá enfrentar um cenário de emergências urbanas e rurais. Seus efeitos só podem ser parcialmente mitigados, mas, se não houver eficiência na resposta imediata, poderá resultar em pesado ônus político logo na estreia do novo governo.

Falta água em uma de cada três cidades brasileiras. Das margens do Tietê, em São Paulo, até à beira do Riacho do Sangue, no interior do Ceará, sobram sol, plantações dessecadas, desemprego na agroindústria, torneiras sem água e esperança com arribações de verão.

As chuvas não devem demorar, mas serão insuficientes para assegurar a reposição dos reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste até o nível mínimo (42%) necessário para garantir o abastecimento de energia — avisam diferentes institutos meteorológicos.

Significa que o presidente eleito no domingo corre o risco de atravessar o primeiro semestre de 2015 no papel de gerente de um racionamento de água e de energia no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Crises dessa natureza costumam impor um alto custo político aos governantes de plantão.

Aécio Neves e Dilma Rousseff sabem que racionamento de energia ainda não aconteceu porque caiu o consumo nacional, em decorrência da estagnação da economia e da grande elevação nas tarifas cobradas à indústria, o maior consumidor.

Não há discurso que resolva a seca na Bacia do São Francisco, fonte de abastecimento para 521 municípios (10% do território nacional), ou o esgotamento dos reservatórios de usinas hidrelétricas no Paraná, em São Paulo e em Minas Gerais. Em outubro do ano passado estavam cheios em mais da metade. Agora, a água disponível mal ultrapassa 20% da capacidade de armazenamento.

A abstração da crise de água para consumo humano e produção de energia, assim como o caos no sistema saúde e saneamento público, foi um dos aspectos mais curiosos dessa campanha eleitoral caracterizada por golpes abaixo da linha do intelecto.

A cinco dias da votação os eleitores não têm a menor ideia de como o próximo presidente imagina fazer para lidar com:

a) a escassez de água nas torneiras e nas usinas hidrelétricas;

b) a crise no Sistema Único de Saúde, do qual dependem oito em cada dez brasileiros. Ela está no topo das prioridades do eleitorado e produz uma rotina de matança nos pronto-socorros (no atendimento do Hospital de Urgências, de Teresina, registraram-se seis mortes por dia no primeiro trimestre);

c) o déficit de saneamento básico, que adiciona à superlotação dos hospitais um contingente de 700 mil novos pacientes por ano. Oito em cada dez projetos federais anunciados há quatro anos, por exemplo, não saíram do papel.

Como não se sabe se Aécio e Dilma têm propostas para lidar com essas emergências nacionais, cujas características são doenças em disseminação, mortes no atacado e destruição econômica, resta uma possibilidade: talvez ainda não tenham conseguido enxergar o problema. *

(*) José Casado, O Globo

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA

Chacrinha ‘assina’ manifesto de apoio à economia de Dilma

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Economistas simpatizantes da política econômica do governo Dilma Rousseff (PT) assinaram um manifesto que, por volta das 18h desta segunda-feira (20), contava com 526 nomes. Um deles, porém, era um trote.

Na lista havia o nome de José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como Chacrinha, morto em 1988. Ele aparecia como professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana. No Instituto de Economia e Política da universidade, que fica em Foz do Iguaçu, informaram à reportagem que não há professor com este nome.

Chacrinha saiu do manifesto de apoio à reeleição de Dilma depois que o economista Márcio Pochmann, um dos organizadores do manifesto, recebeu o telefonema da Folha.

“Tem hacker, tem gente que gosta de fazer chacota. Isso não invalida o movimento, que tem mais de 500 nomes”, diz ele.

Pochmann afirma que o grupo produziu uma nota informando que não se responsabiliza pelas informações dadas a quem colocou seu nome na lista. Para aderir ao manifesto, que se chama “Economistas com Dilma”, é preciso enviar um email para os organizadores.

“Não fico pedindo requisitos para incluir o nome de uma pessoa que aderiu de livre e espontânea vontade”, afirmou Pochmann.

BAIXA

Nesta segunda-feira (20), a lista sofreu outra baixa, dessa vez de verdade.

O economista José Clemente Ganz, diretor técnico do Dieese (Departamento de Estudos Intersindicais), pediu para ter seu nome suprimido do manifesto. A informação foi noticiada pela revista “Época”, em seu site.

Com a repercussão, o Dieese divulgou uma nota informando que “não apoia institucionalmente nenhum candidato no processo eleitoral em curso e não se manifestou a favor ou contra nenhum deles”.

O Dieese faz estudos econômicos que auxiliam os sindicatos. Como se sabe, o movimento sindical está dividido: a CUT apóia Dilma e a Força Sindical, Aécio Neves (PSDB).

Pochmann disse à Folha que o nome de Clemente nunca esteve entre os signatários da lista original.

Na tarde desta segunda-feira (20), porém, o site do PT mantinha no ar uma reportagem, datada da última quinta-feira (16), sobre o manifesto. A reportagem reproduzia a lista de apoiadores e o nome de Clemente estava lá.

Informado pela reportagem, Pochmann afirmou que a lista foi reproduzida por vários sites e que o nome de Clemente pode ter sido incluído por algum deles.

“Não tenho controle sobre isso”, afirmou. “Que interesse eu teria de colocar na lista pessoas que não apoiam as ideias expostas no manifesto?”, questionou.

TRANSFORMAÇÃO

No manifesto, os signatários afirmam que “o Brasil está vivendo uma profunda transformação social que interrompeu o ciclo histórico da desigualdade no país”.

“Na base dessa transformação está o modelo de desenvolvimento econômico com inclusão social iniciado no governo do presidente Lula e que prossegue no governo da presidenta Dilma Rousseff”, afirma.

Na lista de apoiadores, há integrantes do governo, como os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

E também nomes de ex-integrantes do governo PT, como os de Jorge Mattoso (ex-presidente da Caixa) e de Nelson Barbosa (ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda).

Economistas como o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira e Luiz Gonzaga Belluzzo também assinaram o manifesto. Eles são referência na escola heterodoxa brasileira –que faz críticas ao livre mercado e prega uma maior intervenção do governo na economia.

“Nós apoiamos a Dilma porque suas propostas são mais compatíveis com os valores que a gente tem”, afirmou Belluzzo, um dos conselheiros da presidente Dilma na área econômica.

Belluzzo criticou manifesto, divulgado há cerca de uma semana, de economistas contrários à política econômica do governo Dilma.

documento, endossado por 164 professores universitários de economia, critica o discurso oficial de que o atual desempenho negativo do país se deve à crise externa.

“Entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no sítio da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão”, afirma o manifesto.

O texto, contudo, não declara apoio a Aécio Neves, embora haja apoiadores do candidato entre os signatários.

Para Belluzzo, o grupo “embasou seus argumentos sobre uma aura pseudo-científica”.

“Economia não é uma ciência, como a física”, disse. “Uma coisa é apoiar um candidato, outra é fazer uma análise e dizer que a crise já acabou. O voo rasante dos EUA e o risco de deflação na Europa estão aí para provar que a crise não acabou”.*

(*) Folha de São Paulo

BAIXARIAS & BAIXARIAS…

A kriptonita pessoal vai derreter

as balas de prata contra Dilma e Aécio

ReproduçãoReprodução

Vivemos na semana da bala de prata. As redes sociais estão infestadas de manifestações sobre o que as assessorias de Dilma e Aécio podem lançar na sexta-feira, seja no debate na Globo, seja em alguma mídia.

A pergunta que não quer calar é: o quanto uma bala de prata gerada por assessores, e voltada a certas mídias, poderá alterar as cabeças dos indecisos que vão decidir esta eleição?

Em 36 anos de jornalismo este blogueiro testemunhou algumas balas de prata cuja eficácia ninguém até hoje aferiu.

Dizia-se no passado que uma “vária” (nota editorial curta) do Jornal do Commercio derrubaria até Deus. Esses tempos não mais existem. Nem capa de revista é mais bala de prata.

Conheço uma boa bala de prata que funcionou. Mas aconteceu nos EUA. Gary Hart era a grande esperança do partido democrata norte-americano. Anunciou oficialmente, em maio de 1987, a candidatura à Casa Branca. Mas o Miami Herald revelou que Hart havia passado  uma noite em companhia de um jovem manequim, sem conhecimento da mulher. Hart negou. Depois, sem saída, declarou que a vida privada dos homens políticos não deve ser pública. Mas o escândalo assumiu tais proporções que Hart retirou a candidatura. E quando regressou à corrida, sete meses mais tarde, terminou em último, numa distância olímpica dos dos outros  sete candidatos democratas à presidência dos EUA.

A. M. Rosenthal, então editor-assistente do The New York Times, num artigo clássico, de maio de 1987, chamado “Ouvindo o ranger da cama” condenou a publicação do Herald: referindo que “não me tornei jornalista para ficar escondido do lado de fora da casa de um político para ver se ele está na cama com alguém”.

Brigadeiro bala de prata
Conversei com general Golbery do Couto e Silva, bruxo da abertura política, duas vezes, por telefone. Numa delas era para conferir a seguinte história de uma bala de prata. O tenente Eduardo Gomes, na Revolta dos 18 do Forte de Copacabana,  em 1922, teria tomado um tiro na Benelux (países baixos): e ficado emasculado. Na sua candidatura à presidência, em 1945, com o lema “Brigadeiro é bonito e é solteiro”, a oposição soltava nas mídias notinhas de que ele era o “capão bonito”. E, segundo Golbery, até um doce, que não tinha nome até então, foi batizado de “brigadeiro” pela oposição, naquela  campanha presidencial: tudo porque o doce brigadeiro não tem ovos na receita original…

Este blogueiro testemunhou pessoalmente algumas balas de prata. Vamos falar das eleições de 1989. O Datafolha havia noticiado, sozinho, que quem iria para o segundo turno eram Lula e Collor, e não Brizola. Acertaram na mosca.

Inconformado (não se sabe se pelo furo preciso do Datafolha ou se pelo anúncio da ida de Lula ao segundo turno), o jornal O Globo trouxe reportagem, de autoria de Dalton Moreira e Chico Capela, indicando que o Datafolha “chutara” a aposta em Lula pela margem de poucos milhares de votos (sic).

Verdadeira ou não, a reportagem do Globo estremeceu por meses as relações entre os dois jornais.
Também naquelas eleições de 1989 duas balas de prata tentaram mudar o curso das eleições: o furo do Jornal do Brasil, de que Lula não reconhecia a filha Lurian Cordeiro Lula da Silva. E outro sumamente fecal: a nós, que cobríamos o sequestro de Abilio Diniz, a Polícia Civil de São Paulo ofereceu um cenário torpe: com milhares de projéteis, dezenas de submetralhadoras, e em meio ao arsenal fotos da campanha de Lula à presidência.

Tentaram a todo custo vincular Lula aos sequestradores. Lembre-se que Abilio foi solto do cativeiro, na zona sul de São Paulo, exatamente às 17h daquele 17 de dezembro de 1989: ao fechamento das urnas do segundo turno, que conduziram Collor à Presidência. Torno essa foto pública pela primeira vez.

Também lembro de uma bala de prata plotada pelo PT. Em março de 1998 fui capa da revista Caros Amigos, com o então mais processado jornalista do Brasil. Ali contei uma particularidade: como na Folha de S. Paulo havia encomendado a mim e a outro repórter especial a tarefa de ir atrás do suposto filho de Fernando Henrique Cardoso, fora do casamento. Contei que o outro repórter tentaria arrancar do terno de FHC um cabelo com bulbo (o que era impossível). E a mim caberia mandar fazer o exame de DNA, numa época em que apenas uma pessoa o fazia em todo o  Brasil (era um médico geneticista  da Polícia Civil de São Paulo).

Meses mais tarde, o PT pegou a minha dica: e a plantou na capa de Caros Amigos, aquela sobre o porquê  a mídia não noticiava nada sobre o filho de FHC fora do casamento.

Foi feio, feio “bagaray”: o filho não era de FHC e mesmo assim ele assumiu a paternidade. Um ponto de honra para o tucano sobre o qual as pessoas insistem em não se lembrar…

Vamos esperar a bala de prata de sexta-feira próxima.

Com a certeza (numa mixórdia entre Drácula e Super Homem), de que nos tempos ultra-modernos as balas de prata da mídia murcham à irrelevância face a Kriptonita que é a opinião pessoal de cada eleitor..*

(*) Blog do Cláudio Tognolli

TIREM AS CRIANÇAS DA SALA

TSE pune Aécio e Dilma com perda do tempo de TV e rádio

Eles exibiram propagandas com ataques, em vez de mostrarem propostas

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BRASÍLIA – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a punir com a perda do tempo de televisão e rádio candidatos que usam o horário eleitoral para fazer ataques a outros candidatos, em vez de apresentarem propostas. Decisões do ministro Admar Gonzaga atingiram tanto a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, como seu adversário Aécio Neves (PSDB). A petista perdeu quatro minutos de suas inserções na TV e 72 segundos no programa de rádio. O tucano foi penalizado com a perda de dois minutos e meio de suas inserções na TV. As medidas valem até que o plenário tome uma decisão definitiva sobre o caso e seguem a nova orientação do TSE, iniciada na última quinta-feira.

No segundo turno, cada candidato dispõem de dois blocos de dez minutos no horário eleitoral, tanto no rádio (às 7h e às 12h) como na TV (às 13h e às 20h30). Além disso, para cada um dos dois meios, eles têm sete minutos e meio de inserções, que podem ser veiculadas ao longo do dia.

No caso de Aécio, a punição foi provocada pela veiculação de uma propaganda na qual é dito que Dilma não fez nada contra a corrupção da Petrobras. A peça publicitária foi transmitida em cinco inserções na TV no último sábado. A campanha de Dilma alegava que a propaganda era de caráter difamatório e calunioso e continha afirmação ofensiva e sabidamente inverídica, atingindo sua honra e dignidade. Em sua decisão, Admar Gonzaga entendeu que “a propaganda impugnada ainda não se ajustou à nova linha estabelecida por este Tribunal, circunstância que conduz à concessão da liminar”.

No caso de Dilma, ela foi punida por ter veiculado, no dia 19 de outubro, uma inserção no rádio com uma paródia da música “Oh, Minas Gerais”. Na peça publicitária, a letra era adaptada para criticar o candidato tucano, que obteve menos votos que Dilma em Minas, estado onde ele foi governador entre 2003 e 2010. “Oh, Minas Gerias, oh, Minas Gerais, quem conhece Aécio não vota jamais”, dizia a propaganda. Em decisão anterior, ele já havia determinado a suspensão da peça. “Ainda que a propaganda não utilize expressões grosseiras, foi elaborada num tom jocoso, com o claro propósito de enfuscar a imagem do primeiro representante (Aécio). Destoa ela, portanto, da novel orientação desta egrégia corte”, disse Admar em sua decisão.

Na TV, Dilma foi punida por ter levado ao ar uma propaganda em que acusa Aécio de desrespeitar as mulheres, por ter chamado a própria Dilma e a candidata Luciana Genro (PSOL) de levianas em debates na TV. Nos quatro minutos a que Dilma não terá mais direito na TV, o ministro Admar Gonzaga determinou que deve ser exibida a informação de que a não veiculação da propaganda resulta de infração da lei eleitoral. A campanha de Aécio dizia que a propaganda de Dilma ofendia a honra do tucano e reproduzia trechos de debate fora de contexto, para passar a impressão de que ele seria agressivo com as duas candidatas.

Admar Gonzaga também determinou a suspensão de propaganda feita em outdoors eletrônicos contra Aécio em São Paulo. A campanha de Dilma projetou no prédio do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, sábado à noite, imagens de Aécio com as frases: “e advinha só quem é réu pelo desvio de 4,3 bilhões da Saúde de Minas Gerais?”; “do jeito que ele fala de Minas Gerais até parece que os mineiros lá gostam dele”; e “o dinheiro é público mas o aeroporto que eu fiz pro meu tio não é”.

Segundo o ministro, a projeção de propagandas em tamanho superior a quatro metros quadrados, “além de aparentemente violar a legislação eleitoral, atenta contra o equilíbrio e a igualdade entre candidatos na disputa eleitoral”. Ele destacou que a Lei das Eleições proíbe a veiculação de propaganda de qualquer natureza “nos bens cujo uso dependa de cessão ou permissão do Poder Público, ou que a ele pertençam, e nos de uso comum, inclusive postes de iluminação pública e sinalização de tráfego, viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos urbanos”.*

(*) ANDRÉ DE SOUZA – O GLOBO