QUARTA-FEIRA, 1º DE OUTUBRO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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CHAGA NACIONAL

Os mais iguais

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O juiz baiano Sérgio Rocha Pinheiro Heathrow foi condenado por crime de peculato – desvio de dinheiro público – pelo Tribunal de Justiça da Bahia. Segundo a acusação, o juiz libertou duas pessoas, com o pagamento de fiança, e se apropriou das quantias. Coisa pequena, aliás (para quem acompanha o Petrolão, é dinheiro de troco): R$ 1.085,00 e R$ 3.400,00. Mas, enfim, houve desvio de dinheiro público, segundo o entendimento do Tribunal que o condenou.

Qual foi a pena? Não, caro leitor. Prisão é para os fracos. Para o juiz Sérgio Rocha Pinheiro Heathrow, a pena é outra: aposentadoria, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Foi condenado a receber sem trabalhar.

Hábitos e costumes

O tratamento ao juiz Sérgio Heathrow não foi mais benévolo que o habitual. Um juiz condenado por matar a esposa e ocultar o cadáver continua como ocupante do cargo de juiz titular da comarca. Como não pode trabalhar, outro magistrado exerce a função, mas com título e salário de juiz substituto.

 

A PROPÓSITO

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Frases

Da executiva Clarice Bagrichevsky:

Entre os lançamentos para o Natal, vem aí a próxima biografia expressamente não autorizada: “Eike Batista: da Luma à Lama”

Do jornalista Sandro Vaia, sobre o diálogo proposto por Dilma com os terroristas do Estado Islâmico que decapitam reféns:

E por onde a senhora começaria a negociação com o Estado Islâmico?Pela corda ou pelo pescoço? 

Do tuiteiro Hugo a go-go:

Dilma poderia promover um programa de intercâmbio entre a galera do Presídio de Pedrinhas e a turma do EI. Técnicas de Decapitação. 

Da candidata Marina Silva:

Se somarmos as minhas pernas e as de Beto com as pernas de milhões de brasileiros, chegaremos lá! 

Do economista Alexandre Schwartsman:

Governo acha que fez tudo certo; só a realidade que atrapalha

Da internauta (e excelente chef de cuisine) Vera Vaia:

A Polícia Federal procura Lula e não acha. A Interpol procura Maluf e não acha. Será que só a gente é que encontra os “coisa ruim” por aí? 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

MORREU NA PRAIA…

Marina Silva: ‘Eu vou pescar

a baleia com anzol’

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Horas antes da divulgação do Datafolha e do Ibope que atestaram a continuidade do movimento de desintegração do seu índice de intenção de votos, Marina Silva reuniu representantes dos partidos de sua coligação. Conforme já noticiado aqui, ela fez um discurso impregnado de indignação.

O pronunciamento foi adornado com um guizo retórico que eletrificou a plateia. Um dos presentes identificou no comentário final de sua candidata um quê de messianismo. Para certificar-se, ao chegar em casa, o correligionário de Marina colocou para rodar o áudio do discurso, que ele gravara no celular. Eis a frase que lhe soara mal:

“Meus amigos, vamos à luta, vamos à vitória, vamos mostrar que hoje, aqui, tem que se ver relâmpago de caracol, os nevoeiros pararem, dar eclipse no Sol, as águas do mar secarem e eu pescar a baleia com anzol.” Seguiu-se um coro de inspiração petista: “Marina, guerreira da pátria brasileira…”

Como não acredita que o mar possa secar até domingo, dia das eleições, o aliado de Marina receia que, se não ajustar sua estratégia, a candidata “corre o risco de ser a melhor presidente que o país jamais terá.”*

(*) Blog do Josias de Souza

ELEIÇÕES 2014

Dilma tentará ganhar no 1º turno. Caso não consiga, prefere enfrentar Aécio no 2º

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Então fica combinado assim: levando-se em conta as pesquisas de intenção de voto do Ibope e do Datafolha divulgadas ontem à noite, Dilma vai para cima dos seus adversários na tentativa de liquidar a eleição no próximo domingo.

E Marina e Aécio se engalfinharão atrás da chance que permita a um dos dois empurrar o fim da eleição para o segundo turno.

Marina e Aécio admitem que é isso o que farão. Dilma, não. Recusa-se a admitir que esteja empenhada em se eleger no primeiro turno. E por que?

Para não se frustrar nem frustrar sua tropa se não conseguir. O mais provável, segundo Mauro Paulino, diretor do Datafolha, é que fique para o segundo turno o desfecho da eleição.

Segundo Paulino, Dilma deverá chegar no domingo com 36% a 43% das intenções de voto. Marina, com 22% a 28%. E Aécio com 18% a 23%.

Não entra nessa conta o fato de Aécio dispor mais do que Marina de aliados políticos nos Estados capazes de favorecê-lo.

Nem entra o risco que corre Marina de perder eleitores que ainda não sabem como votar nela.

A pesquisa Ibope foi aplicada entre os dias 27 e 29. A do Datafolha, entre 29 e 30.

As duas apontam quase os mesmos resultados no primeiro turno: 39% para Dilma, 25% para Marina e 19% para Aécio no caso do Ibope. No caso do Datafolha, 40%, 25% e 20%.

Os resultados da simulação de segundo turno na duas pesquisas são bastante parecidos.

Os dois institutos coincidem no registro de um quadro de estabilidade para Dilma e Aécio. E de queda acentuada e permanente de Marina.

Em meados de agosto último, Marina tinha 20 pontos percentuais a mais do que Aécio. Agora, só cinco.

Caiu porque virou alto preferencial dos ataques de Dilma no rádio e na televisão. E não soube – ou não quis – respondê-los. O programa de TV de Dilma tem 12 minutos. O de Marina, dois.

Aécio tem cara de candidato de oposição. Marina, de candidata da mudança. Para Dilma, ela representa um risco maior do que Aécio. Daí porque Dilma tanto bate nela.

Pelo Ibope, Marina lidera as intenções de voto em São Paulo onde estão 22% dos eleitores, seguida por Dilma e Aécio. Embora em queda no Nordeste, é mais forte ali do que Aécio.

Se não se reeleger no primeiro turno, Dilma irá para o segundo na condição de favorita seja contra Marina ou Aécio.

A maioria dos eleitores cobra mudanças. Eram 79% há uma semana. Agora são 74%, informa o Datafolha.

Dilma é considerada por eles como a candidata mais apta a promover mudanças – 34% a 24% (Aécio) e a 23% (Marina).

A pancadaria de Dilma em Marina, a qual se associou Aécio, provocou um aumento de sua taxa de rejeição – o percentual de eleitores que dizem que jamais votarão nela.

Em 15 de agosto, a rejeição de Marina era de 11%. Subiu para 25%. É menor que a rejeição de Dilma (31%). Mas maior que a rejeição de Aécio (23%).*

(*) Blog do Ricardo Noblat

GARGANTA PROFUNDA

Ex-diretor da Petrobras aceita devolver R$ 70 mi

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa aceitou devolver aos cofres públicos cerca de R$ 70 milhões, entre dinheiro e bens, por causa de sua participação em crimes ligados à estatal, segundo o acordo de delação premiada que assinou com o Ministério Público.

Costa também se comprometeu a pagar uma indenização no valor de R$ 5 milhões. Ele terá que colocar bens como garantia para constituir uma fiança do valor.

O acordo prevê que o ex-diretor da estatal entregará à União cerca de US$ 23 milhões mantidos na Suíça e US$ 2,8 milhões mantidos, em nome de parentes, no Royal Bank of Canada das ilhas Cayman, paraíso fiscal no Caribe. Somados, os valores que estão no exterior correspondem a aproximadamente R$ 63,2 milhões.

Também serão repassados aos cofres públicos cerca de R$ 1,3 milhão em dinheiro, uma lancha no valor de R$ 1,1 milhão, um terreno avaliado em R$ 3,2 milhões e um carro (R$ 300 mil).

O acordo de delação premiada de Costa foi homologado nesta segunda (29) pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.

Na decisão, Teori, que é o relator do caso no STF, confirma o possível envolvimento de “várias autoridades” detentoras de foro privilegiado citados nos depoimentos do ex-diretor da Petrobras.

“Dos documentos juntados com o pedido é possível constatar que, efetivamente, há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento, de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive parlamentares federais, o que atrai a competência do STF”, diz documento assinado por Teori.

Esta é a primeira confirmação oficial da Justiça de um possível envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro na delação.

Preso em março, Costa decidiu revelar detalhes sobre subornos na Petrobras em troca de uma pena menor.

Ele citou, segundo a revista “Veja”, os nomes de 12 parlamentares que recebiam propina do esquema, entre os quais os dos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Todos negam.

O Ministério Público afirma no pedido de homologação que foi possível identificar um conjunto de pessoas físicas e jurídicas envolvidas em operações ilícitas, utilizadas inclusive para lavar dinheiro oriundo de crimes antecedentes praticados em detrimento da Petrobras”.

Com a decisão do ministro, a Justiça do Paraná autorizou nesta terça-feira (30) a prisão domiciliar de Costa.

Conforme a Folha antecipou na semana passada, o ex-diretor vai cumprir prisão domiciliar no Rio e usará uma tornozeleira eletrônica. A sua soltura está prevista para esta quarta-feira (1º).

Em nota, o juiz federal responsável pelo caso, Sergio Moro, afirmou que “o benefício em questão foi solicitado pelo Ministério Público Federal e pela Defesa diante de aparente colaboração do acusado com a Justiça criminal”.

PRISÕES

Costa havia sido preso na Operação Lava Jato, em março, sob a acusação de ocultar provas, mas foi liberado 59 dias depois por decisão do ministro Teori Zavascki.

Voltou a ser preso em 11 de junho, após autoridades da Suíça informarem a Justiça brasileira de que ele tinha US$ 23 milhões naquele país.

No fim de agosto, o ex-dirigente da Petrobras fez o acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal após saber que a PF poderia prender suas filhas*

(*) FOLHA DE SÃO PAULO

TERÇA-FEIRA, 30 DE SETEMBRO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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BANANA REPUBLIC

UM PAÍS ENVELHECIDO

Ganhe Dilma ou ganhe Marina, no segundo turno, já tem gente pensando em 2018. Geraldo Alckmin reivindica o comando da esquadrilha dos tucanos enquanto os companheiros jogam suas fichas no retorno do Lula. Mais do que um vídeo-tape de 2006, uma forma de duas das maiores forças eleitorais voltarem à tona sem salva-vidas, em especial se Marina for a vencedora a 26 de outubro. Porque ela também parece candidata às profundezas,  assim como Dilma, qualquer que seja a mais votada. A pergunta que se faz é se o futuro estará tão envelhecido assim como o presente. Porque dos governadores em vias de se eleger, ninguém desponta em nome da renovação. Muito menos no Congresso ou no PMDB de Michel Temer, cujo tempo se esgotará daqui a quatro anos.

Assistimos, por isso, com tempo marcado, o começo do fim de uma era, se for para examinar o quadro político de amanhã com as lentes de hoje. A verdade é que o país envelheceu. Na teoria, sempre será possível esperar o aparecimento de algum fenômeno, mas as experiências passadas de Jânio Quadros e de Fernando Collor não parecem promissoras, muito pelo contrário. Imaginar nas ideologias uma fonte renovadora estará fora de moda. Assim como nos partidos, o mesmo se verifica no sindicalismo, no empresariado, na intelectualidade ou nas religiões. Nem se fala nos militares. Todos os condutores da vida nacional murcharam, vão saindo pelo ralo sem deixar saudades nem sucessores.

PÁGINA VIRADA

A verdade é que os personagens líderes de cada uma de nossas expressões políticas integram uma página quase virada. Do Lula a Dilma, de Marina a Alckmin, até a Aécio Neves, cuja recuperação só acontecerá por milagre, eles já passaram. Com um pouco de boa vontade, estão acabando de passar.

Há uma razão fundamental para essa conclusão: faltam, no Brasil de hoje, como mais faltarão daqui a quatro anos, inspirações renovadoras. Lufadas de vento capazes de sensibilizar a população e varrer para o passado os esqueletos do presente.

Apenas em termos políticos? Nem pensar. Até no futebol entramos em cone de sombra, mas o que dizer da ciência, há muito carente de candidatos ao Prêmio Nobel, da literatura esvaziada de autores e entregue a acadêmicos de atividades disformes, da medicina sem mais lições e descobertas a oferecer ao mundo, da universidade perdida na produção de greves e reivindicações salariais? E quantas atividades  a mais, igualmente agora insossas, informes e inodoras? A política não poderia ser diferente, mas o que preocupa é o conjunto. O Brasil, como nação, vai perdendo a unidade, se é que algum dia a possuiu.

Geograficamente, mantém a vontade de continuar junto, mas política e mesmo socialmente, constitui um conglomerado amorfo e despojado de estruturas em condições de preservá-lo.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa Online

PETROESCÂNDALOS

MAIS ESCÂNDALOS: EX-DIRETOR DA PETROBRÁS

DEU ADITIVOS DE R$ 200 MILHÕES A EMPRESAS

Costa, o homem-bomba da Petrobras

Sob o comando do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o Conselho de Administração da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, aprovou R$ 201 milhões em oito aditivos contratuais para empresas investigadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.

O conselho ainda autorizou duas antecipações de pagamento, uma de R$ 200 milhões para o Consórcio CII Ipojuca Interligações (Queiroz Galvão e Iesa Óleo e Gás) e outra de R$ 4 milhões ao governo de Pernambuco.

Costa e o doleiro Alberto Youssef são réus na Justiça Federal do Paraná por montarem uma organização criminosa, com outras oito pessoas, para desviar recursos da Petrobrás, entre 2009 e 2014. Corrompendo agentes públicos e contando com a participação de políticos, o esquema abasteceu uma lavanderia de dinheiro que movimentou até R$ 10 bilhões, segundo a Polícia Federal.

“DIGITAIS”

Com base em 70 atas do Conselho de Administração da Abreu e Lima da época em que Costa foi o presidente, o Estado obteve as digitais do ex-diretor da estatal nas obras da refinaria, que foi a que mais recebeu recursos da Petrobrás no período.

Iniciada em 2008, quando Costa assumiu a presidência do conselho, a obra tinha custo inicial estimado em R$ 2 bilhões; hoje, já consumiu mais de R$ 20 bilhões, sem ter sido concluída. O Tribunal de Contas da União contabilizou superfaturamento em duas frentes de apuração: obras de terraplanagem (R$ 70 milhões) e cláusulas contratuais de reajuste (R$ 367 milhões).

AMPLOS PODERES

O levantamento revela que Costa tinha amplos poderes para autorizar contratos (foram R$ 3 bilhões em novos serviços com as empresas investigadas na Lava Jato), empréstimos (R$ 10 bilhões do BNDES), negociar aumento de valores contratuais (R$ 201 mi), nomear diretores e estabelecer rendimentos da diretoria (R$ 4 milhões para 2010).

As atas foram anexadas ao processo da Lava Jato a pedido do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo caso. São, ao todo, 123 atas, 70 tendo Costa como presidente, entre março de 2008 e janeiro de 2012. “Costa persistiu recebendo e lavando valores dos desvios mesmo após deixar o cargo de diretor da Petrobrás”, afirma o juiz.

CARGOS ERAM FUNDAMENTAIS

Os cargos de diretor e de presidente do conselho foram fundamentais, segundo Moro, para desvios na Petrobrás que envolveram Costa, Youssef, empreiteiras e políticos.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás firmou um acordo de delação premiada com a Justiça pelo qual conta o que sabe em troca de redução de futuras penas. Numa série de depoimentos prestados nas últimas semanas, Costa citou como beneficiários de desvios de dinheiro de contratos da estatal dezenas de parlamentares da base do governo, além de ex-governadores e um ministro, o de Minas e Energia, Edison Lobão. Todos negam envolvimento com o esquema.*

(*) Ricardo Brandt e Valmar Hupsel Filho – O ESTADO DE S.PAULO – via Tribuna daImprensa

QUEM É O CHEFÃO?

Se continua jurando que só soube agora das maracutaias na Petrobras, por que Dilma demitiu Paulinho de Lula em 2012?

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Durante o debate na TV Record, Dilma Rousseff colocou os adversários na cara do gol duas vezes, ambas em jogadas inspiradas na Petrobras. A primeira pisada na bola foi acusar o PSDB de tramar a privatização da estatal. Aécio Neves chutou no ângulo: o que pretende é reestatizar com urgência a empresa que o governo privatizou sem licitação para que o PT, em parceria com bandidos de estimação adestrados no PP e no PMDB, pudesse saqueá-la impiedosamente.

Sabe-se lá por quê, a oposição ignorou a segunda derrapagem. “Uma coisa precisa ficar clara: quem demitiu o Paulo Roberto Costa fui eu”, gabou-se Dilma, referindo-se ao ex-diretor que, depois de preso pela Polícia Federal, descobriu as vantagens da delação premiada e começou a falar. Para angústia dos participantes (por ação ou omissão) das bandalheiras incontáveis, não é pouco o que sabe o parceiro a quem Lula chamava carinhosamente de “Paulinho”. O que vazou foi suficiente para espalhar a insônia entre os fora da lei da divisão especial. O que logo se saberá vai ampliar a fortuna dos advogados que cobram a hora em dólares.

Dilma escapou por pouco de descobrir como se sentiu o time de Felipão naqueles 7 a 1. Aécio Neves (ou Marina Silva) deixou de enfiar-lhe a bola entre as pernas com a dedução óbvia: como quem demite também nomeia, a oponente acabara de confessar que a diretoria é escalada não pelo presidente da empresa, mas pelo presidente da República. Se é assim, Nestor Cerveró (nomeado diretor da Área Internacional em 2003) e Paulo Roberto Costa (diretor de Abastecimento entre 2004 e 2012) chegaram à sala do cofre graças a Lula.

Gol da Alemanha: a afilhada confessou que o padrinho o parteiro da quadrilha. Outro golaço viria com a pergunta que Marina Silva (ou Aécio Neves) ficou devendo: quais foram os motivos da demissão? Se Dilma dissesse que foi por “falta de afinidade”, tropeçaria na inclusão de Paulo Roberto Costa no seleto grupo de convidados para o casamento da filha e nas dezenas de fotos que documentam a harmoniosa convivência entre a supergerente de araque e o executivo espertalhão.

Caso afirmasse que a ação de despejo resultou das maracutaias colecionadas por Paulinho de Lula, Dilma se meteria num beco sem saída a bordo de interrogações desmoralizantes. Uma delas: se sabia de tudo pelo menos desde 2012, quando a demissão se consumou, como se atreve a continuar jurando que só soube agora da ladroagem na Petrobras? Outra: por que escondeu durante dois anos a roubalheira que justificara a demissão? Pena que Aécio e Marina tenham desperdiçado a chance do ataque em pinça.

Terão a oportunidade de redimir-se com o debate na Globo. Tomara que à dupla oposicionista não faltem agilidade mental e astúcia. Tomara que sobrem coragem e indignação.*

(*) Blog do Augusto Nunes

O HOMEM DAS CAVERNAS

Levy dá preconceito como

bananeira dá bananas

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O ser humano se espanta cada vez menos. Tornou-se uma criatura de pouquíssimos espantos. Se testemunhar um homem dando à luz uma aberração, não fará a concessão de uma surpresa.

Na noite passada, durante o debate de presidenciáveis transmitido pela Record, o nanico Levy Fidelix deu preconceito diante das câmeras como a bananeira dá bananas. A plateia riu. E os demais candidatos silenciaram.

Alguém que ainda não suprimiu dos seus hábitos o ponto de exclamação precisa mover uma ação judicial contra o nanico Levy. Ele cometeu sob holofotes pelo menos dois crimes: homofobia e incitação à violência.

Luciana Genro perguntou-lhe “por que as pessoas que defendem tanto a família se recusam a reconhecer como família um casal do mesmo sexo?” E Levy deu preconceito em cacho.

“Olha, minha filha, tenho 62 anos. Pelo que vi na vida, dois iguais não fazem filho.” Ouviram-se risos. “E digo mais: desculpe, mas aparelho excretor não reproduz”. Mais risos. “É feio dizer isso, mas não podemos, jamais, gente —eu, que sou um pai de família, um avô—, deixar que tenhamos esses que aí estão, achacando a gente no dia a dia, querendo escorar essa minoria… a maioria é do povo brasileiro.”

Levy não parava de excretar: “Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. E vamos acabar com essa historinha: eu vi agora, o santo padre, o papa expurgar do Vaticano um pedófilo. Está certo. Nós tratamos a vida toda com a religiosidade, para que nossos filhos possam encontrar um bom caminho familiar.”

Mais babanas: “Então, lamento muito. Que façam bom proveito os que querem continuar como estão. Mas eu, presidente da República, não vou estimular. Se está na lei, que fique como está. Mas estimular, jamais, a união homoafetiva.”

Sem perceber que debatia com um homem-bananeira, Luciana Genro deu trela à aberração: “Infelizmente, não está na lei. O casamento civil igualitário é fundamental para que nós possamos reconhecer juridicamente qualquer tipo de família. Creio que sou uma das que mais defendem a família, porque estou defendendo todas as famílias. Não importa que sejam dois homens e duas mulheres. O que importa é que as pessoas se amem. Para combater a discriminação, é fundamental reconhecer o casamento civil igualitário.”

Ao perceber que seu preconceito provocava risos e reações amenas, Levy animou-se. Querem bananas? Pois que seja em profusão! “O Brasil tem 200 milhões de habitantes. Se começarmos a estimular isso aí, daqui a pouquinho vai reduzir para 100 milhões. …Então, gente, vamos ter coragem: nós somos maioria. Vamos enfrentar essa minoria! Vamos enfrentá-los, não ter medo de dizer que sou pai, mamãe, vovô… E o mais importante é que esses que têm esses problemas sejam atendidos no plano psicológico e afetivo. Mas bem longe da gente. Bem longe mesmo…”

Quando alguém testemunha um cristão como Levy Fidelix dando preconceitos em cacho, fica tentado a concluir que Deus não merece existir.*

(*) Blog do Josias de Souza