SÁBADO, 25 DE ABRIL DE 2015

SOM NAS CAIXAS

000000000000000000000000Phil Woods Quintet - American Songbook

0000000000000000alaoi

PORQUE HOJE É SÁBADO!

No mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, revelações do empreiteiro amigo empurram Lula para o pântano do Petrolão

000 - aa uma esmolinha aí, tio

Neste sábado, os leitores de VEJA saberão que o empreiteiro Léo Pinheiro, transferido da presidência da OAS para uma cadeia em Curitiba, fez revelações suficientes para tirar de vez o sono de Lula e estender por prazo indeterminado o sumiço do palanque ambulante. Como ainda não se decidiu por um acordo de delação premiada, o empresário encarcerado talvez até se desminta em outro depoimento, para socorrer o chefe e amigo. É uma opção de alto risco: essa demonstração de fidelidade lhe custará alguns anos de prisão em regime fechado.

Seja qual for o caminho escolhido, o que Pinheiro já disse (e detalhou em copiosas anotações manuscritas) basta para incorporar ao elenco do Petrolão o protagonista que faltava. No mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, as relações promíscuas entre o manda-chuva da OAS e o reizinho do Brasil serão escancaradas nas oito páginas da reportagem de capa. Entre tantas histórias muito mal contadas, a dupla esbanja afinação especialmente em três, valorizadas pela participação de coadjuvantes que valorizam qualquer peça político-policial.

Num episódio, o ex-presidente induz Pinheiro a presenteá-lo com a reforma do sítio que, embora Lula o chame de seu, pertence oficialmente a um sócio do filho Lulinha. Noutro, um emissário do pedinte vocacional incumbe o empreiteiro de arranjar serviço e dinheiro para o marido de Rosemary Noronha, a ex-segunda-dama que ameaçava vingar-se do abandono com a abertura de uma assustadora caixa-preta. Mais além, o comandante da OAS cuida de desmatar o atalho que levou Lula a virar dono de um triplex no Guarujá.

A participação do ex-presidente no naufrágio da Petrobras ainda não entrou na mira da Polícia Federal. O inventor do Brasil Maravilha está a um passo do pântano sem que tenha começado a devassa das catacumbas malcheirosas que escondem a farra das refinarias inúteis e a montagem da diretoria infestada de ineptos e corruptos, fora o resto. Pode estar aí a explicação para o estranho vídeo em que celebra as vantagens de um bom preparo físico. Vai precisar disso quando tiver de sair em desabalada carreira.*

(*) Blog do Augusto Nunes

MATOU A GALINHA DOS OVOS DE OURO

Dirceu diz à Justiça que fechou sua consultoria

000 - zd - galinha de ouro

José Dirceu informou à Justiça Federal do Paraná que fechou sua empresa, a JD Assessoria e Consultoria Ltda.. As atividades da firma foram encerradas em dezembro de 2014, anotou o advogado de Dirceu, Roberto Podval, em correspondência dirigida ao juiz da Lava Jato, Sérgio Moro.

Considerando-se o faturamento da JD, é como se o proprietário José Dirceu matasse uma galinha dos ovos de ouro. Entre 2006 e 2012, a empresa faturou R$ 29 milhões —ou uma média de R$ 4,8 milhões por ano. Parte dessa dinheirama veio de empresas pilhadas no escândalo da Petrobras. Coisa de R$ 8,78 milhões.

Dirceu enfia sua próspera consultoria no saco num instante em que seus advogados guerreiam no Judiciário para tentar impedir que o juiz Moro quebre seus sigilos bancário e fiscal. Deseja-se saber se a JD prestou mesmo consultoria à clientela ou se apenas simulou contratos para dar aparência legal a propinas extraídas de obras da Petrobras.

“Diante da notória influência de José Dirceu de Oliveira e Silva no Partido dos Trabalhadores e da prévia verificação de que as empreiteiras teriam se valido de consultorias fictícias para pagamento de propinas, razoáveis as razões para a decretação da quebra de sigilo bancário e fiscal diante dos lançamentos de pagamentos identificados”, escreveu Sérgio Moro numa de suas manifestações.

“Alguns contratos [de José Dirceu] apresentam algumas inconsistências […] Enfim, há várias inconsistências que necessitam ser esclarecidas com o aprofundamento das investigações, sendo imprescindíveis as quebras de sigilo fiscal e bancário”, anotou o magistrado noutro trecho.*

(*) Blog do Josias de Souza

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA

Rui Falcão: aéticos não ficam no PT!

Hã, hã…

00000000000000000000000nani

Discursando num congresso do PT de São Paulo, Rui Falcão, o presidente do partido, declarou o seguinte na noite passada: “Quem erra no caminho ético não pode continuar em nossas fileiras, essa é uma regra que os outros [partidos] não aplicam.” Abrem-se diante desta declaração três possibilidades:

1Expulsão em massa: o PT talvez esteja planejando uma faxina nos seus quadros. Suspeitos como o tesoureiro João Vaccari Neto terão de colocar de molho as barbas. Condenados como José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares não passam de expulsões esperando para acontecer.

2Bolsa palhaço: é possível que o companheiro Falcão cogite sugerir ao governo Dilma o lançamento do Bolsa Palhaço, um grande programa de requalificação profissional, destinado a atenuar o desemprego. Prevê a distribuição gratuita de um kit-palhaço contendo narizes vermelhos, colarinhos folgados e sapatos gigantescos.

3Revolução da língua: Ou os brasileiros estão diantes de uma das duas alternativas anteriores ou o Brasil ficou desobrigado de fazer sentido. Depois que o presidente do PT diz que os aéticos não podem continuar no partido e mantém nas fileiras da legenda a bancada da Papuda, implantou-se no país a revolução do vale-tudo semântico.*

(*) Blog do Josias de Souza

VAMPIRO GERENCIANDO BANCO DE SANGUE

UM FENÔMENO NA CÂMARA

0000000000000000000000000007rnwypgoetmhqu078ye31pd06

A gestão de Eduardo Cunha na presidência da Câmara vem sendo uma caixa de surpresas. Primeiro porque conta com mais da maioria absoluta dos deputados, entrando nos partidos feito faca na manteiga. Prometeu e cumpriu facilidades aos colegas, mas, antes disso, é popular pelo enfrentamento que pratica contra o Executivo. Tem inovado, também, em matéria legislativa. Ressuscitou velhos projetos, como o que eleva para 75 anos o tempo de aposentadoria compulsória nos tribunais superiores,e atendeu pedido das elites conservadoras, fazendo votar a lei das terceirizações, claro que favorável aos patrões. Impulsiona a reforma política como nenhum de seus antecessores. É quem mais conhece o regimento da casa e toda a legislação parlamentar, dispondo sempre de uma resposta pronta e correta para quaisquer dúvidas e até armadilhas. Criou a Câmara Itinerante, levando aos estados, todo fim de semana, uma prestação de contas das atividades em curso.

Aceitou convite para jantar com a presidente Dilma, desfazendo parte do clima de beligerância entre eles, mas não cedeu um milímetro na decisão de manter a independência do Legislativo. Até acaba de sair na briga com o presidente do Senado, Renan Calheiros, infenso a aprovar de imediato a lei das terceirizações: “Pau que dá em Chico dá em Francisco”, retrucou, ameaçando paralisar projetos de interesse dos senadores.

JULGAMENTO DE PARLAMENTARES

O singular nessa trajetória inesperada é que Eduardo Cunha está sempre inventando, não raro em seu favor. Anunciou a apresentação de emenda constitucional acabando com o foro privilegiado dos parlamentares, que faz muito só podem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal. Quer que o julgamento de deputados e senadores comece na primeira instância. Apenas para prendê-los ou censurar-lhes os telefones o juiz comum precisaria de licença da mais alta corte nacional de justiça. Uma armação perfeita para livrar parlamentares envolvidos em malfeitos, porque geralmente duram anos e décadas os processos na Justiça, sendo que depois da primeira instância vem a segunda, a terceira e até a quarta. No final, os crimes terão prescrito.

Como Eduardo Cunha é um dos que integram a lista do procurador-geral como suspeitos de irregularidades, atualmente sob inquérito judicial, nada melhor do que a mudança por ele proposta também em benefício próprio.

Em suma, até influindo nas nomeações da presidente Dilma para o ministério, o presidente da Câmara configura um fenômeno, ignorando-se apenas se para o bem ou para o mal. Poderá permanecer na função até 2018, se reeleito em 2016. Concorrendo a quê? Muita gente supõe que ao governo do Rio de Janeiro, mas como o PMDB jura que da próxima vez disputará o palácio do Planalto, quem sabe?…*

(*)  Carlos Chagas – Tribuna na Imprensa

FANFARRONICE PETISTA

PARA MANTER EMPREGO EM ALTA,

DILMA DESTRUIU A ECONOMIA

A presidente Dilma Rousseff sempre encheu a boca para falar que seu governo não mediu esforços para proteger o emprego, mesmo com o mundo em crise. Tanto que a taxa de desocupação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do país encerrou o ano passado no nível mais baixo da série histórica, de 4,3%.

A petista só se esqueceu de dizer que, para manter o desemprego nesses níveis, destruiu a economia do país em seu primeiro mandato. Usou e abusou de artificialismos na política econômica comandada pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega. Arrasou as contas públicas e empurrou a inflação para as alturas — mais de 8%.

Ao mesmo tempo em que dizia proteger os trabalhadores, estava contratando o desemprego, que vai bater fundo na Previdência Social neste ano e, sobretudo, em 2016. Como milhares de trabalhadores devem ser demitidos por causa da recessão econômica, as receitas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tendem a cair. Pelos cálculos do Ministério do Planejamento, o rombo em 2015 será de R$ 66,7 bilhões e, no ano que vem, de R$ 81 bilhões.

DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Com os erros de Dilma, o crescimento econômico desabou. O primeiro setor a sentir o impacto dos desacertos foi a indústria, que vem demitindo há pelos menos dois anos. Agora, a vítima maior da recessão é o setor de serviços, sobretudo o comércio, justamente o que tinha empregado a maior parte dos trabalhadores com menor escolaridade e preparo.

Demitir no Brasil custa muito caro. Por isso, mesmo com a atividade despencando, o desemprego não subia. Segundo os empresários, num primeiro momento, a orientação das companhias foi para absorver custos e reduzir as margens de lucro em vez de cortar pessoal. O problema é que, depois de quatro anos de fraca expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e com alta do dólar, das tarifas de energia elétrica e dos combustíveis, a situação chegou ao limite. A hora, agora, é de sacrificar o mercado de trabalho.*

(*) Vicente Nunes – Correio Braziliense

SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2015

Um governo para esquecer

000 - o partido que jogou o país na sarjeta

Recebi dois livros interessantes: Submissão, de Michael Houellebecq, eOrdem Mundial, de Henry Kissinger. Aproveito uns dias de resfriado para lê-los, mas só vou comentá-los adiante. Não sei se o resfriado turvou minhas expectativas, mas vejo o mundo caindo ao redor: empresas fechando, gente perdendo emprego e, como se não bastasse, estúpidos feriados.

Mas será que estar envolvido numa situação tão pantanosa me obriga a fazer as mesmas perguntas, tratar dos mesmos personagens, dona Dilma e seus dois amigos, Joaquim e Temer?

Nas últimas semanas deixei de perguntar apenas sobre o ajuste econômico, que nos promete uma retomada do crescimento. Começou enriquecendo os partidos e apertando as pessoas. Disso já suspeitava. Cheguei a indagar se não era possível superar o voo da galinha, achar um caminho seguro e sustentável. Constatei que lá fora também se faz a mesma pergunta, não a respeito do Brasil, mas do próprio capitalismo. O sistema tem um futuro, deságua em outra via de expansão?

Quanto à minha expectativa de um crescimento equilibrado, encontrei respostas desconcertantes. Como a do economista australiano Steve Keen, para quem o equilíbrio é uma ilusão e a economia tende a viver num desequilíbrio constante, sem jamais afundar.

Existem muitas previsões sobre o que vai acontecer mais adiante. A de Jeremy Rifkin pelo menos me agrada mais porque é a que mais se aproxima das minhas toscas expectativas. E de uma ponta de otimismo que nunca me deixa, mesmo no resfriado. Rifkin fala da internet dos objetos, da produção descentralizada de energia alternativa, das impressoras 3D e dos cursos online. Tudo pode fazer de cada um de nós um proconsumidor. Da produção em massa haveria um trânsito para a produção das massas, descentralizada e cooperativa.

Aqui acompanhei, por exemplo, a prisão de Vaccari, o tesoureiro do PT. Cheguei à conclusão de que foi motivada pela decisão do partido de mantê-lo no cargo. Quando foi depor na CPI, todas as acusações já estavam postas, incluídas as que revelam nexo entre propinas e doações. O despacho do juiz Sergio Moro fala em quebrar a continuidade dos crimes, evitando que o acusado mantenha uma posição em que, desde o caso da cooperativa dos bancários (Bancoop), desvia dinheiro para os cofres do partido.

Bastava ao PT afastá-lo enquanto durassem as investigações. Falou mais alto a fraternidade partidária. Tanto que os intérpretes oficiais diziam com orgulho que o partido não abandonaria Vaccari na estrada.

Citado por Kissinger, o cardeal Richelieu, comparando a sorte da pessoa com a de uma entidade política secular, afirma que o homem é imortal, sua salvação está no outro mundo. Já o Estado não dispõe de imortalidade, sua salvação se dá aqui ou nunca.

A maior interrogação ao ver o mundo desabando é esta: como chegaremos a 2018, com um governo exaurido, crise aguda e um abismo entre as aspirações populares e o sistema político?

A primeira pergunta é esta: com ou sem Dilma? O ministro José Eduardo Cardozo diz que a oposição é obcecada pelo impeachment. Disse isso ao defendê-la das pedaladas fiscais. Com a maioria dos eleitores desejando que Dilma se afaste, sempre haverá um motivo. Hoje é pedalada, amanhã é pênalti e depois de amanhã, escanteio, lateral, impedimento – enfim, é uma constante no jogo.

Os 12 anos de governo do PT foram marcados por uma extensa ocupação partidária da máquina pública. O Estado foi visto não só como o grande empregador, mas também como o espaço onde os talentos individuais iriam florescer.

Ao lado disso se construiu também a expectativa de que grande parte dos problemas dependia da interferência estatal. Da Bolsa Família aos empréstimos do BNDES, do patrocínio às artes à salvação do Haiti, da construção de uma imprensa “alternativa” ao soerguimento econômico de Cuba – tudo conduzido pelo Estado.

Com a ruína desse modelo, a oposição popular ao governo tem a corrupção como alvo, mas revela também uma profunda desconfiança do papel econômico do Estado, a ponto de alguns analistas a verem como réplica do movimento Tea Party, uma ala radical do Partido Republicano nos EUA. Se olhamos um pouco mais longe, para o colapso do socialismo, vamos encontrar algo mais parecido com a realidade nacional. Foi muito bem expresso por um ministro húngaro na aurora da reconstrução pela via capitalista: no passado havia uns fanáticos que diziam que o Estado resolve tudo, agora aparecem outros dizendo que o mercado resolve tudo.

Além da corrupção, sobrevive ainda uma expectativa num Estado bálsamo, que cura todas as dores, resolve todos os problemas, traz de volta as pessoas amadas. É compreensível que surja uma resistência apontando para um Estado mínimo e que as esperanças se reagrupem em torno do mercado.

O que resultará disso tudo ainda é muito nebuloso. Tenho consciência de escrever sentado numa cadeira ejetável. Mas, e daí? Quando você mostra que a experiência do governo petista se esgotou, muitos protestam. Com que ideias vão dinamizar a nova fase? Com que grana vão inventar um novo ciclo de bondades balsâmicas?

Se Dilma sobrevive como um fósforo frio, isso é só um problema imediato. É hora de começar a desvendar o futuro. Não tenho dúvida de que todos os exageros, os erros patéticos, a arrogância, a desmesura, tudo será cobrado até que se restabeleça um certo equilíbrio

Viveremos o teatro fúnebre de um governo que não é mais governo, de uma esquerda oficial petrificada, de jornalistas de estimação analisando minúsculos movimentos mentais de um poder lobotomizado. Como diz um personagem de Beckett, acabou, acabamos. Resta ao governo sonhar com um domingo ideal em que, finalmente, voltadas para suas atividades normais, as pessoas o esqueçam. Imagino a discreta festa palaciana: mais um domingo, ninguém se lembrou de nós, viva!*

(*) Fernando Gabeira, Estadão.

O ETERNO CARNAVAL

Festa na ilha da fantasia

Nesse caleidoscópio de sonhos, delírios e fugas da realidade, o V Congresso do PT vai sair em busca da legitimação de uma hegemonia que a sociedade recusa conceder-lhe

O novo presidente da Petrobras, convenientemente constrangido, pede “desculpas” à população ao apresentar, com 5 meses de atraso, um balanço auditado com 6 bi de buraco por corrupção e 21,6 bi de prejuízo por erros de gestão.

O ministro Joaquim Levy percorre agências de risco prometendo que vai colocar as contas em ordem e pedindo, por favor, para não rebaixar o grau de investimento do Brasil para não atrapalhar ainda mais o que atrapalhado já está. E tenta convencer os condestáveis do Congresso, Cunha e Renan, que sem ajuste o futuro será negro.

O panorama visto da ponte não é nenhum campo de girassóis como aqueles que Van Gogh pintava. O governo ainda rumina os 13% de popularidade, a inflação ameaça, o crescimento fica adiado para quando der, e bomba da Lava Jato não para de espirrar lama.

Isso não impede que o senhor Roarke, com seu prestimoso auxiliar, o simpático anãozinho Tatoo, continuem alimentando a sua particular ilha da fantasia, onde qualquer desejo pode ser realizado.

O senhor Roarke prepara agora para junho, em Salvador da Bahia, o V Congresso do Partido dos Trabalhadores. (Usamos algarismos romanos para dar a devida pátina de respeitabilidade ao evento. Trata-se, nada mais e nada menos, de decidir o futuro do Brasil, e en passant, o da Humanidade. Não é coisa pouca).

Sabe-se Deus de que recantos do Brasil surgirá esse exército de sonhadores, envergando seus estandartes vermelhos, com a missão de construir “um partido para tempos de guerra”. O que os guerreiros pretendem decidir é qual tipo de socialismo estão reservando para guiar nosso futuro rumo ao paraíso na Terra.

Eles vão decidir isso entre 11 e 13 de junho, mas nós, os burguesotes comuns, já podemos ir tomando conhecimento e consultar o menu que nos preparam. Está aqui, é só clicar em cima: as diversas tendências internas do PT exibem as teses que apresentarão no V Congresso.

Ao contrário do Partido Social Democrático Alemão, que renunciou ao marxismo e à luta de classes no longínquo ano de 1959, no Congresso de Bad Godsberg (vocês viram a tragédia que foi para a Alemanha essa infausta decisão, não é?), o PT ainda tem uma vasta coleção de fantasmas para mobilizar as suas tropas.

Com mais ou menos adereços de mão, ressuscitando o linguajar das assembleias estudantis dos anos 60 (“correlação de forças”, “flanco histórico” , “arco de apoios” e outras relíquias retóricas),as diversas tendências do PT caminham juntas na contramão da História, cada uma percorrendo sua via particular de acesso ao luminoso futuro.

Para algumas, como a “Virar à Esquerda-Reatar com o Socialismo”, é preciso meter o pé na porta, demitir ministros “capitalistas”, como Joaquim Levy, Gilberto Kassab, Armando Monteiro e Kátia Abreu e estatizar a rede Globo e, claro, dar um jeito nessa direita “fascista”. (É bom ressaltar; tudo o que não sejam eles, é “fascista”).

Para outras, como “O Partido que Muda o Brasil”, para quem o PT perdeu “o frescor da juventude”, ele precisa “reinventar-se”.

Nesse caleidoscópio de sonhos regressivos, delírios e fugas da realidade, o V Congresso do PT vai sair em busca da legitimação de uma hegemonia que a sociedade recusa conceder-lhe.

Pior para a sociedade, dirão eles.*

(*) Sandro Vaia, jornalista, no blog do Noblat

 

O PROPINODUTO É NOSSO

Saudades de Waldomiro

Da crise das empreiteiras surgiu um peculiar nacionalismo petista: é melhor ser roubado por patrícios do que pagar a estrangeiros por bons serviços

00000000000000000000000000AUTO_heitor

Por onde anda Waldomiro Diniz, braço-direito do Zé Dirceu na Casa Civil e o anjo anunciador do mensalão, flagrado em vídeo pedindo a Carlinhos Cachoeira propina para o PT — e 1% para ele mesmo?

O flagrante está comemorando dez anos, os mensaleiros já foram julgados e condenados, mas nunca mais se ouviu falar do histórico Waldomiro. Não escreve, não telefona, não manda WhatsApp, estamos com saudades. Até seu chefe já puxou cadeia, mas ele continua livre, leve e solto. Que borogodó tem Waldomiro? O que ele sabe que não sabemos?

Saudades de Fernando Cavendish e sua pequena Delta, dos Vedoin, da máfia das ambulâncias, dos sanguessugas, desses ladrõezinhos dos tempos pré-petrolão, que disputavam trocados enquanto os profissionais armavam e operavam na Petrobras uma máquina monstruosa de corrupção e um projeto de manutenção do poder que nem canalhas megalomaníacos ousariam imaginar.

A crise das empreiteiras brasileiras fez surgir um peculiar nacionalismo petista: é melhor sermos roubados por compatriotas do que pagar a estrangeiros por serviços (bem) prestados.

Toda vez que Dilma diz que os malfeitos de alguns indivíduos são fatos isolados na devastação da Petrobras, debocha da inteligência alheia, fingindo que não sabe que o petrolão não tinha só ladrões vocacionais, que roubariam em qualquer governo, para qualquer partido e, principalmente, para eles mesmos, mas eram parte de uma organização criminosa formada por empreiteiras, partidos, funcionários e políticos, para saquear a empresa e os seus acionistas — o povo brasileiro — e sustentar um projeto de poder que desmoraliza a democracia e as instituições.

Se fossem só “alguns indivíduos”, seriam uns Waldomiros, estariam soltos por aí, ninguém repararia. Mas em dez anos a arguta Dilma nunca desconfiou de nada, de como eram feitas as nomeações para diretorias, como funcionavam as concorrências e os aditivos contratuais. Como quem nunca tivesse comido melado, se lambuzava no óleo do pré-sal.

Dos 1% de Waldomiro aos 260 milhões de dólares de Pedro Barusco e Renato Duque, se passaram dez anos. Crescemos muito, mas para baixo.*

(*) Nelson Motta – O Globo

FIM DE LINHA

A NOVELA NÃO TERMINA COM O NOVO CAPÍTULO

Enfim, a condenação dos oito primeiros implicados no escândalo da Petrobras. A expectativa é de que outros sigam o mesmo rumo, em especial os altos dirigentes das empreiteiras e os políticos envolvidos. Sobressai o fato de que os dois por enquanto tidos como maiores responsáveis pela lambança saíram das grades e cumprirão as penas em suas residências, mesmo sujeitos a restrições. Tanto Alberto Youssef, doleiro, quanto Paulo Roberto Costa, ex-diretor da petroleira, beneficiaram-se da delação premiada, mas, ainda assim, receberam sentenças compatíveis com seus crimes. Mais existem buscando facilidades iguais, mas a ressaltar estão as condenações aplicadas pelo juiz Sérgio Moro.

O singular nessa equação é que os detentores de mandatos parlamentares, a ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal, não tiveram sequer iniciados os inquéritos capazes de transformá-los em réus. Nem ex-governadores e ex-ministros à disposição de outros tribunais. O exemplo, no entanto, foi dado pelo juiz da primeira instância, esperando-se que não demore a correspondente ação superior.

Pelo menos, fica claro que roubar já não parece tão fácil, em se tratando do assalto a instituições do poder público. As quadrilhas deixam de movimentar-se com a desfaçatez de antes. A impunidade continua sendo questionada, como no caso do mensalão.

A pergunta que fica refere-se à culpa coletiva. Isoladamente, os malandros foram em boa parte identificados, tanto os do meio empresarial quanto os da política. Mas haverá, sobre eles, nuvens mais densas. Os governos Lula e Dilma terão tido responsabilidade na roubalheira, ao menos por omissão? O PT, o PP, o PMDB e outros partidos poderão ser arrolados como coniventes? A novela não termina com o novo capítulo das condenações.

DERROTA NÃO APENAS DO GOVERNO

Com a aprovação pela Câmara do texto que modifica as terceirizações, salvo pequenas modificações, fica evidente a derrota do governo. Apenas dele? Parece que não, porque o trabalhador vem perdendo mais do que uma simples votação. Se podem ser terceirizadas todas as atividades, qual a empresa que deixará de demitir assalariados que recebem quantias compatíveis com seu trabalho para trocá-los por outros de menores salários?

O projeto irá ao Senado, esperando-se venha a ser modificado, mas sendo a Câmara Alta mais conservadora, as dúvidas se acumulam.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet