O TEMPORA! O MORES!

Candidatura fake

Lula tem sido nos últimos três anos o exemplo sobretudo do chefão político que perdeu o senso de realidade e cometeu um erro atrás do outro

O script do fake lulista está perfeitamente descrito no artigo de opinião que publicou no (desavisado?) The New York Times. É a mesma narrativa de muitos anos atrás, a do pobre (com patrimônio de 7,9 milhões declarado à justiça eleitoral) representante de anseios populares perseguido por elites raivosas aliadas à imprensa e o Judiciário.

Essa narrativa foi amplamente desmentida pelos fatos, mas fakes não se interessam nem buscam fatos. É o que o historiador Timothy Snyder recentemente abordou num livro (The Road to Unfreedom) que está fazendo grande sucesso ao descrever e explicar fenômenos de líderes populistas do século 21 ao redor do mundo.

“O líder”, escreve o historiador, “se apresenta sozinho e caminha sozinho, pois ele vê qual é o futuro da política e sabe o que tem de ser feito”.

No caso do PT, o que tem de ser feito é o que Lula sempre mandou fazer: ele está em primeiro e em último lugar. Ninguém cresce à sombra dele ─ o que se tornou, neste momento, muito mais um problema do que uma qualidade do partido, mas dane-se o partido.

Nenhum dos componentes do fake eleitoral lulista escapa ao clássico da charlatanice, mentira e enganação, além de se constituir numa grotesca narrativa de fatos históricos brasileiros recentes. Mas a questão não é essa. A pergunta correta é indagar quais as razões pelas quais esse fake (o da vitimização, perseguição e conspiração de elites contra o homem do povo) recebe uma forte adesão por parte de considerável número de eleitores, a julgar pelas pesquisas de intenção de voto.

Não há nada em Lula remotamente parecido a Mandela, o homem que sai da cadeia com uma visão de História e de seu papel nela, e de sua missão de levar um país inteiro para além do monstruoso regime do apartheid. Mesmo assim o PT consegue iludir até plateias no exterior a respeito de um “mártir” que nunca mostrou grandeza moral começando pela conduta frente a amigos e pessoas próximas.

Para tentar responder a questão acima, é obrigatório constatar que Lula representa, sim, uma parte considerável da mentalidade e do caráter de todos nós, sociedade brasileira, que inclui desprezo pela lei, apego ao estatismo, à distribuição do dinheiro público aos mais variados segmentos, incluindo do empresariado e sistema financeiro.

Resta então mais uma e decisiva indagação para este momento particular do processo político eleitoral: quantos votos Lula transfere para seu poste?

Mais votos do que seria agradável reconhecer levando em consideração o papel central do PT no alargamento da corrupção endêmica do País e o papel peculiar que o próprio Lula representou ao ridicularizar e banalizar instituições, começando pela da Presidência. Mas menos votos do que seria necessário para “garantir”, desde já, seu poste no segundo turno.

Pois o fake Lula tem sido nos últimos três anos o exemplo sobretudo do chefão político que perdeu o senso de realidade e cometeu um erro atrás do outro. Dilma foi o maior erro de sua vida, mas, desde o começo de 2016, Lula deixou claro a seus adversários ─ e de graça ─ que não era o dono das ruas e que não conseguiria mobilizar gente suficiente para impedir a derrubada do governo petista.

Ironicamente, vai chegando ao ponto no qual conseguir colocar um poste no segundo turno (a probabilidade existe, mas não a vejo tão forte) seria um feito extraordinário, depois do que hoje se sabe sobre o período lulopetista. E, ao mesmo tempo, o seu fim.*

(*) William Waack – Estadão

BANANA REPUBLIC, ONDE A ZORRA É TOTAL

A única garantia dos garantistas é que o escárnio continuará

Maluf deveria estar na prisão, e Lula não deveria estar na lista de candidatos


Paulo Maluf deveria estar na prisão. Mas não está. Condenado a mais de sete anos em regime fechado, alegou problemas de saúde e conseguiu habeas corpus para ficar em sua mansão paulistana.

As restrições teriam de espelhar as que haveria na Papuda. Mas não é o que ocorre, nem ele parece preocupado com isso. Usa o celular sem nenhuma vergonha. “Pode ligar sempre”, afirmou à Folha.

Maluf tem dinheiro para contratar um dos advogados mais caros do país. Nem a cassação de seu mandato é cumprida. Nada lhe acontece nos Jardins. (Aliás, a cinco quadras da casa dele, noutra mansão, um criminoso confesso aguarda julgamento definitivo, que ocorrerá sabe-se lá quando; chama-se Joesley Batista.)

Wal do açaí não deveria estar na folha de pagamento da Câmara. Mas está. Vive a mais de mil quilômetros do DF, vendendo comida na praia.

Faz sete meses que a Folha apontou que ela era funcionária fantasma de Jair Bolsonaro. O deputado não esteve nem aí. Continuou direcionando dinheiro público para Wal. Ele continua não estando nem aí: após a demissão, disse que o que ela fazia era dar água para seus cachorros. Não vê problema em contar isso.

Lula não deveria estar na lista de candidatos a presidente. Mas está. Condenado a 12 anos, vive preso em Curitiba, a mais de mil quilômetros do Planalto. O PT registrou seu nome como “ficha limpa”, dizendo que a certidão negativa precisa estar válida só no domicílio eleitoral (SP). Não faz sentido nenhum, mas o partido não está nem aí.

As chicanas que permitem essas situações são o paraíso dos ditos garantistas, o pessoal que diz garantir as liberdades individuais. A única garantia que podem de fato oferecer, porém, é que, a depender da lógica deles, o escárnio continuará igual.

Com o celular à mão, Maluf garantiu seu direito de perguntar. “Você imagina, uma pessoa de 86 anos pode passar sete anos em regime fechado, comendo quentinha?” Pois é, eu garanto que imagino isso sim.*

(*) Roberto Dias – Folha de São Paulo

QUANDO A BOÇALIDADE IMPERA

As ideias centrais dos candidatos

No programa de governo de Jair Bolsonaro (PSL), “só há uma citação a ‘mulher’, contra 82 menções de ‘Deus’”, observa José Roberto de Toledo na piauí. O jornalista criou uma apresentação visual das palavras mais usadas nos documentos de cada candidato para perceber a mensagem central de cada campanha.
 
O programa de governo de Lula, por exemplo, gira em torno do candidato. É “egocêntrico”. Já Bolsonaro tem o maior mix de forma e conteúdo, mas escorrega em outra questão, citada lá no início do texto. “As mulheres são maioria do eleitorado e votam 60% menos em Bolsonaro do que os homens. Já Deus não tem título de eleitor.”

OS TRÊS SÃO FARINHAS DO MESMO SACO

Fernando Henrique topa apoiar PT contra Bolsonaro

Se depender do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o PSDB poderá apoiar o candidato do PT contra Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL, caso ambos cheguem ao segundo turno. “Espero que o PSDB vá para o segundo turno e acho que o PT espera a mesma coisa, mas dependendo das circunstâncias, eu não teria nenhuma objeção a isso”, afirmou Fernando Henrique em entrevista à rádio Jovem Pan, na noite de quarta-feira, 15.

Fernando Henrique disse também que a polarização entre o PT e o PSDB é uma questão antiga, mas não a vê com bons olhos: “Eu acho bom mesmo é ter mais abertura, discutir, variar. Democracia é assim, eu não sou favorável a um estado de beligerância permanente.”*

(*) Coluna do Estadão

ERA SÓ O QUE FALTAVA…

Urgente:
Lula está fora de debate presidencial na RedeTV

O ministro Sérgio Banhos, do TSE, acaba de rejeitar o pedido do PT para que Lula participasse do debate dos presidenciáveis na Rede TV, marcado para amanhã.

“A presente petição não comporta conhecimento”, escreveu. Banhos disse que “é fato público, notório e incontroverso no campo da existência que a segregação imposta ao pretenso candidato decorre de determinação exarada pela Justiça Comum.”

Segundo ele, a Justiça Eleitoral não pode “intervir em ambiente carcerário”.*

(*) Claudio Dantas – O Antagonista

“JUS SPERNIANDI”

Raquel Dodge se adiantou e pediu logo que o TSE rejeite a candidatura de Lula

Lula foi condenado na Lava-Jato por órgão colegiado, o que permite seu enquadramento na lei. Em janeiro deste ano, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), com sede em Porto Alegre, aplicou-lhe uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá (SP). Lula está preso atualmente em Curitiba.

POR OITO ANOS – “No caso em exame, o início de cumprimento da pena é recente e não se exauriu. Por isso, o prazo de inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena ainda não começou a fluir”, disse Dodge.

A procuradora também alegou que ele não pode manter sua candidatura enquanto não há uma análise definitiva do registro pelo TSE, uma vez que a campanha será financiada por recursos públicos. Para Dodge, o dinheiro deve ser destinado a quem é elegível. Ela também pediu que seja anexado ao processo a certidão da condenação no TRF-4.

Mais cedo, o PT protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro de candidatura de Lula à Presidência da República. Fernando Haddad, indicado como vice, Manuela D’Avila, do PCdoB, a ex-presidente Dilma Rousseff e a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, estiveram na Corte para deixar a documentação e fazer um gesto em defesa do ex-presidente.*

(*) André de Souza
O Globo

ELAS SÃO A MAIORIA DO ELEITORADO

O que querem as mulheres, mais propensas a votar branco e nulo do que os homens?

ario

Charge do Arionauro (arionaurocartuns.com.br)

São 77,3 milhões e têm poder decisivo nas urnas, com maioria (52,5%) dos votos. É essencial prestar atenção ao que pensam e dizem sobre eleições, candidatos à Presidência e o futuro governo. Pistas surgiram na semana passada, em atualização semestral da série Retratos da Sociedade Brasileira, pesquisa realizada pelo Ibope e Confederação Nacional da Indústria.

As mulheres (71%) se dizem céticas, mais pessimistas, mais indecisas e mais propensas a anular ou votar em branco do que os homens. Entre eles, essa proporção é bem inferior (64%), embora significativa.

LAVA JATO – Pode-se atribuir essa repulsão generalizada, com forte tom feminino, às circunstâncias de uma eleição sob o estigma das revelações da Operação Lava-Jato (corrupção transparece como principal motivo para ausência, voto nulo ou branco.)

Com os descontos, sobram percepções básicas sobre o país que as mulheres querem. Elas repisaram tudo aquilo que haviam indicado seis meses atrás na mesma pesquisa.

As preocupações se distinguem, por exemplo, naquilo que o próximo presidente deveria estabelecer como prioridade de governo. Metade das mulheres aponta mudanças sociais para redução das desigualdades sociais, como a melhoria dos serviços estatais de saúde, educação e segurança. Homens acham que deveria ser prioritária a moralização da administração, com ênfase no combate à corrupção e na punição dos corruptos.

DESEMPREGO – Seis em cada dez mulheres veem no desemprego o principal problema. Já entre homens a maior inquietação (59%) é com a corrupção.

Instigadas a relacionar três prioridades de governo, a maioria (51%) foi incisiva: saúde. Atribuem às deficiências nos serviços de saúde uma precedência isolada (41%).

No mundo masculino as preferências se dividem entre redução de impostos (33%), controle da inflação (32%) e melhorias na saúde (32%).

Portanto, quem sai de casa para caçar votos não deveria esquecer: urna é substantivo feminino.*

(*) José Casado
O Globo

DEPOIS OS FLUMINENSES RECLAMAM…

Garotinho tenta se limpar na sujeira de Cabral

Com palavras como “quadrilha” , “desgraçados” e “corruptos”, o ex-governador Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PRP, atacou os emedebistas Sérgio Cabral e Jorge Picciani, além de Eduardo Paes (ex-MDB, hoje no DEM), ao discursar em cima de um trio elétrico, em Duque de Caxias, cidade de sua vice, a vereadora Leide (PRB), registra O Globo.

“Aquela turma que roubou o estado tem muito dinheiro para comprar voto do povo. É o momento do Rio voltar a ser feliz, vamos recuperar o estado. Na tentativa de se igualarem a mim, eles me acusaram de dar cheque cidadão para pobre. Não tenho fazendas como Picciani ou conta milionária no Panamá como Paes”, afirmou Garotinho, que foi preso três vezes nos últimos dois anos e condenado em segunda instância por improbidade administrativa.

O jingle do candidato começa com “acabou a farra do guardanapo”, em referência à dança de Cabral com empresários em um restaurante de Paris.

A rejeição ao governo do MDB, que culminou na crise atual do Rio, é a principal aposta de Garotinho para conquistar o eleitorado.*

(*) O Antagonista