DOMINGO, 2 DE AGOSTO DE 2015

SOM NAS CAIXAS

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A CHAPA ESQUENTOU

O dilema de Dilma

Há momentos em que a Presidência depende de uma decisão solitária, às vezes suicida, às vezes redentora

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A doutora Dilma parece perdida como cego em tiroteio. Sua reunião com os governadores foi mais um exercício de perda de tempo. Admitindo-se que ela consiga desviar-se da ruína econômica, resta-lhe uma decisão: o que fazer diante da Lava Jato? Até agora ela se deixou corroer porque supõe que pode ficar numa posição de neutralidade contra. “Eu não respeito delator” será uma frase que a acompanhará pela vida.

Ou ela se alista publicamente na Lava Jato, ou está frita. Lula deu meios passos ao tirar José Dirceu da Casa Civil e Antonio Palocci da Fazenda. Faltou dissociar-se do mensalão, e o resultado está aí. Fernando Collor teria terminado o mandato se, na primeira hora, tivesse rifado o tesoureiro Paulo Cesar Farias. O general Figueiredo arruinou seu governo e sua biografia acobertando o atentado do Riocentro.

Não há agenda positiva possível enquanto o governo estiver sitiado pelas roubalheiras que hospedou, tolerou e finge desconhecer. Pactos são coisa para patos. Um rompimento com os conluios será coisa difícil, até porque enquanto a doutora está neutra-contra a Lava Jato, a oposição está a favor, desde que ela pare, limitando-se na amplitude e no tempo.

A doutora deve reler o que diz.

Na reunião com os governadores, informou:

“Nós, como governantes que somos, não podemos nos dar ao luxo de não ver a realidade com olhos muito claros.”

Quem souber o que isso quer dizer ganha um fim de semana em Miami.*

(*) Elio Gaspari – Folha de São Paulo

A VACA JÁ ESTÁ NO BREJO; E COMO TOSSE…

RENATO DUQUE CONTRATA ADVOGADO PARA FAZER DELAÇÃO PREMIADA

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A família do ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, contratou oficialmente o escritório do advogado Marlus Arns, de Curitiba, para que ele negocie com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) os termos de um acordo de delação premiada.

Segundo o próprio advogado, que conduziu a delação dos ex-executivos da Camargo Corrêa, Eduardo Leite e Dalton Avancini, as reuniões de Duque com o MPF ainda não ocorreram, mas as conversas devem ser iniciadas a partir da próxima semana. O ex-diretor está preso, em Curitiba, desde março deste ano. Os atuais advogados de Duque, Alexandre Lopes e Renato de Moraes, devem deixar o caso.

Duque apresentará aos investigadores uma lista de temas sobre os quais estaria disposto a contribuir com informações para a força-tarefa que investiga corrupção na Petrobras. Para que a delação seja aceita, o ex-diretor deve apresentar colaborações para as ações penais e inquéritos em curso, que o envolvem diretamente, mas também apresentar novos fatos que ajudem a PF e o MPF a apurar crimes de corrupção envolvendo a estatal. Em troca, o dirigente teria sua pena reduzida, em caso de condenação.

INDICADO POR DIRCEU

Apontado por petistas como diretor indicado pelo ex-ministro José Dirceu para o cargo, o que o ex-ministro nega, Duque é acusado de chefiar um dos grupos que fraudava licitações em benefício de empresas que pagavam propina a ele e ao PT. Sua relação com o esquema de corrupção na estatal foi denunciado por seu ex-braço direito e um dos delatores da Lava-Jato, o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco.

Na sexta-feira, a Justiça Federal aceitou denúncia contra Duque e os empresários Júlio Camargo e João Antônio Bernardi, por crimes como corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.*

(*) Thiago Herdy – O Globo

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG DA TRIBUNA NA INTERNET – É o começo do fim. Com a delação premiada de Duque e o envolvimento de Erenice Guerra e dos irmãos de Mercadante e Palocci, o castelo de Dilma Rousseff não tarda a desmoronar(C.N.)

FOI PRO VINAGRE

DEU TUDO ERRADO

Terminava a década de cinquenta e a União Soviética empolgava a Humanidade, em especial a juventude. Os russos haviam lançado o Sputnik, primeira espaçonave da História a circundar o planeta. Depois, Yuri Gagárin descobria  que a Terra era azul. Nikita  Kruschev prometia que em poucos anos o mundo seria todo socialista, enquanto os primeiros foguetes americanos explodiam a poucas centenas de  metros acima do solo. Entusiasmei-me, nos meus vinte anos, matriculando-me num curso de língua russa, idioma que em breve todos estariam falando.

Era repórter do Globo e passei a ser visto de viés por um dos irmãos Marinho, claro que não o dr. Roberto. Só que aquelas letras do alfabeto cirílico eram de tal maneira trocadas e confusas que não se passarem três meses até que desisti. Hoje, tantas  décadas depois, pergunto-me se não deveria ter estudado chinês, ainda que supondo o mesmo resultado…

Essa historinha se conta a propósito do governo Dilma. De uns dias para cá ela se tem empenhado numa maratona de otimismo ululante. Reúne os governadores, oferece jantares para os dirigentes e líderes dos partidos que a apoiam, despacha ministros para dialogar com deputados e senadores, mobiliza as forças sindicais e tenta, de todas as formas, injetar otimismo numa nação quase posta em frangalhos. Promete que em breve o crescimento econômico será retomado, que a volta da inflação é um pesadelo inconsequente e o desemprego, mera ilusão dos derrotistas.

LIMIAR DA FRUSTRAÇÃO

A presidente vive no limiar da frustração, sem percebê-lo, mas melhor que seja assim. Faria o quê, caso reconhecesse a derrota? Poderia precipitar a ebulição, antes que ela chegasse? Ou encontraria forças e bom senso para recomeçar no sentido oposto ao que vem percorrendo em sua bicicleta, de manhã bem cedo, ao pedalar pelos arredores do palácio da Alvorada, mais ou menos como um astronauta distribuindo bissextos acenos à garotada no rumo das escolas. Mais tarde, recebe ministros palacianos sem coragem de transmitir-lhe as más notícias do dia, para depois irritar-se com o noticiário dos jornais que teimam em desmentir suas previsões de um futuro brilhante para o país e seu governo. Vive a fantasia de estarmos apenas diante de dificuldades passageiras.

A gente se pergunta até onde irão os sonhos de Madame, se ela persiste em desmentir os postulados nos quais a população acreditou que cumpriria e por isso votou nela?  É claro que também foi enganada, ou enganou-se, em função de o PT faltar-lhe na essência de um projeto desfeito nas brumas da corrupção. Ou será que desde o início desacreditava na capacidade de os companheiros mudarem o Brasil? De qualquer forma, sem o apoio deles e sem apoiá-los, entregou-se nos braços daqueles que passou a juventude combatendo, até de armas na mão. Tornou-se campeã das privatizações, da livre competição entre quantidades desiguais, da redução de direitos trabalhistas, da compressão salarial das massas, do lucro dos bancos,  de maiores  benefícios aos privilegiados e da inação diante do desemprego.

O resultado não demora muito e não há mais cursos de russo para ninguém matricular-se…*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

QUEM VIVER, VERÁ?

Um agosto imprevisível

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O mês de agosto é aguardado com apreensão em Brasília. No Palácio do Planalto, as próximas semanas devem servir como termômetro para avaliar a real dimensão da crise política.

O governo enfrentará vários testes no Congresso Nacional. Enfraquecida politicamente, a presidente Dilma Rousseff pediu apoio dos governadores para barrar matérias que elevam o gasto público, a chamada “pauta-bomba”.

Mas até mesmo os articuladores políticos do governo estão pessimistas. Para tentar recuperar parte da base aliada, o Palácio do Planalto avisou aos parlamentares que vai liberar até o fim do ano R$,4,9 bilhões em emendas.

Mesmo assim, o governo teme que os desdobramentos da Operação Lava Jato possam ampliar a instabilidade política no Congresso Nacional.

Em março deste ano, a governabilidade da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional foi abalada de forma definitiva com a divulgação da famosa lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com os nomes de dezenas de políticos que passaram a ser investigados, com autorização do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Operação Lava Jato. Entre eles, estão os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

A constatação no Planalto é que, em agosto, com a divulgação de outra lista – a de denunciados –, a situação política pode ficar imprevisível.*

(*) Blog do Gerson Camarotti – G1

OI ZUM-ZUM-ZUM, TÁ FALTANDO UM!!!

FHC não exclui hipótese de Lula ir para a cadeia

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Em nota divulgada neste sábado, Fernando Henrique Cardoso explicou o teor de entrevista concedida à revista alemã Capital. Nessa conversa, ele atribuíra a Lula a responsabilidade política pela corrupção na Petrobras. Mas soara contrário à prisão do rival petista. Ao se explicar, FHC disse que não costuma falar mal de políticos brasileiros quando se dirige ao estrangeiro. E deixou claro que não exclui a hipótese de Lula ser preso. “Se o merecer, quem dirá será a Justiça e é de lamentar, porque terá jogado fora (coisa que vem fazendo aos poucos) sua história.”

A entrevista à revista alemã circulou neste sábado. Mas em notícia reproduzida na véspera pelo UOL, a agência de notícias alemã Deutsche Welle havia antecipado alguns trechos. Perguntou-se a FHC se acha que Lula está envolvido na roubalheira da Petrobras. E ele: “Não sei em que medida. Politicamente responsável ele é com certeza. Os escândalos começaram no governo dele.” Sobre a prisão de Lula, foram realçadas duas frases:

1. “Para colocá-lo atrás das grades, é necessário haver algo muito concreto. Talvez ele tenha que depor como testemunha. Isso já seria suficientemente desmoralizante.”

2. “Isso dividiria o país. Lula é um líder popular. Não se deve quebrar esse símbolo, mesmo que isso fosse vantajoso para o meu próprio partido. É necessário sempre ter em mente o futuro do país.”

As declarações de FHC renderam-lhe críticas nas redes sociais. Houve incômodo também no PSDB. Daí a nota divulgada neste sábado. Nela, FHC insinua que suas declarações estão defesadas: “A entrevista foi dada há algum tempo, não me recordo os termos que usei.” E alega que seu estilo é diferente do de Lula e do PT: “Ao falar ao estrangeiro cuido sempre de não ser agressivo com políticos brasileiros.
 Por outro lado, não falo, ao estilo lulopetista, desconhecendo o 
passado e negando fatos.”

“Lula, gostemos ou não dele e de suas
políticas, foi o primeiro líder operário a chegar à Presidência, o que tem inegável peso simbólico”, anotou FHC, antes de tratar do tema que motivou a divulgação da nota: “Por que haveria eu de dizer ao exterior que merece cadeia? Se o merecer, quem dirá será a Justiça e é de lamentar, porque terá jogado fora (coisa que vem fazendo aos poucos) sua história.”

Noutra referência ao estilo agressivo de Lula, FHC escreveu: “Não se constrói o futuro com amargor, nem desmerecendo feitos.
Tampouco poderá ele se erigir tapando o sol com a peneira. Mas nas democracias não é o interesse de pessoas ou de partidos quem dá a palavra final. É a Justiça. Podemos até torcer para que ela atue. Mas o bom senso de cada líder deverá conter seus naturais impulsos por ‘justiça já’, ou a qualquer preço, em favor da moderação e do respeito às regras do jogo. O fato dos adversários não se comportarem assim não deve nos levar a que nos igualemos com eles.”

Na entrevista à revista alemã, FHC fizera comentários também sobre Dilma. Indagado se acredita no envolvimento dela com corrupção, dissera: “Não, não diretamente. Mas o partido dela, sim, claro. O tesoureiro está na cadeia.” Acrescentara: “Eu a considero uma pessoa honrada, e eu não tenho nenhuma consideração por ódio na política, também não pelo ódio dentro do meu partido, [ódio] que se volta agora contra o PT.” Sobre esses trechos, FHC não fez nenhum reparo em sua nota de esclarecimento.*

(*)  Blog do Josias de Souza

INIGUALÁVEL RATOEIRA…

CGU descobre prejuízo de R$ 37 milhões ao Tesouro em 2015

Desvios foram identificados em licitações fraudulentas e superfaturamento na execução de programas de governo

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A Controladoria-Geral da União (CGU) informou nesta sexta-feira, 31, que no primeiro semestre de 2015 realizou 14 operações especiais em conjunto com a Polícia Federal, o Ministério Público, a Receita e outros órgãos de controle federais e estaduais – esse trabalho resultou no cumprimento de 48 mandados de prisão e afastamento de 13 servidores do exercício da função pública.

Segundo a CGU, as investigações permitiram identificar e evitar a continuidade de prejuízos ao erário da ordem de R$ 37 milhões.

A CGU informou que o objetivo das operações é desarticular organizações criminosas especializadas em desvios recursos públicos.
As principais constatações da CGU foram fraudes em licitações e contratos; além de sobrepreço e superfaturamento na execução de programas de governo. Os envolvidos foram indiciados por peculato, corrupção passiva e ativa, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

As áreas envolvidas nas investigações, segundo a Controladoria-Geral da União foram: Saúde, Educação, Minas e Energia, Cidades, Agricultura, Turismo, Planejamento, Integração Nacional e Transportes. As investigações estão distribuídas no Distrito Federal e em nove Estados – Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Amapá, Rondônia, Minas Gerais e Mato Grosso.

A CGU destaca o caráter preventivo da Operação Caronte (MT) que desarticulou organização criminosa antes mesmo que ocorresse a transferência de recursos federais para os beneficiários. Na ocasião, as prefeituras envolvidas (Rondonópolis, Cuiabá e Sapezal) suspenderam as empresas fraudulentas dos processos licitatórios, evitando que elas ganhassem contratos que ultrapassavam R$ 6,6 milhões.

Segundo a CGU, a partir da parceria estabelecida entre as instituições com funções relacionadas à defesa do Estado – a própria CGU, a Polícia Federal e o Ministério Público – , no período de 2003 a 2015, foram realizadas mais de 180 operações especiais.

A Assessoria de Comunicação Social da CGU informou que esses trabalhos permitiram tanto o ajuizamento de ações judiciais (criminais e cíveis) pelo Ministério Público, quanto, na esfera administrativa, a adoção de medidas de responsabilização e de ressarcimento ao erário, como declaração de empresas inidôneas, abertura de processos de Tomada de Contas Especial (TCE) e apuração de responsabilidades dos servidores públicos federais envolvidos.*

(*) Blog do Fausto Macedo – Estadão

MADAME E SEUS BICHOS SOLTOS

Bruxas e cachorros loucos

  000000000000000000000000000000000000000000000000000000Panelaço para o programa do PT na TV

Agosto chegou, trazendo velhas lembranças do “mês das bruxas”, ou “mês do cachorro louco”, quando Getúlio se matou, Jânio renunciou, JK morreu. E este agosto de 2015 promete ser um mês chacoalhado por grandes emoções no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Ah! E nas ruas…

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, vem aí! E vem armado até os dentes, testando sua tropa na Casa e mirando a presidente Dilma Rousseff, deve chegar camuflado, ora declarando que não usará o arsenal do cargo contra o Planalto, ora descarregando munição no gabinete presidencial, bem ali do outro lado da rua.

Ele pode disparar projetos-bomba que explodam as contas públicas e empurrem Dilma para o desgaste de vetá-los. Também pode utilizar seus homens-chaves na CPI da Petrobrás para detonar inimigos, adversários ou mero desafetos. E, enfim, ele tem em mãos um potente torpedo: os pedidos de impeachment. Mas Cunha é um guerreiro ferido, que tem voz de comando, mas se arrasta no terreno inóspito da Lava Jato. Se, além da delação de Júlio Camargo, houver provas contra ele, vai ter de economizar munição contra Dilma para se defender. Não será fácil.

Nesse clima, eis que a verdade chega nua e crua: depois de tantos bons serviços prestados ao País no impeachment de Collor, nos “Anões do Orçamento” e nas relações incestuosas entre o juiz Lalau e o então senador Luiz Estêvão, as CPIs não têm mais serventia. Perderam iniciativa e instrumentos para o MP e a PF e ficaram a reboque da internet e da mídia. Pior: se servem para alguma coisa, é para fazer o jogo de interesse dos poderosos de plantão no Congresso.

Qual o poder da CPI da Petrobrás? Os procuradores e policiais já estão lá adiante, avançaram para o setor elétrico, rodam o mundo, já têm uma história com início, meio e um fim plausível. A passos de tartaruga, a CPI só passa vexame a cada vez que um delator já está cansado de tanto falar, vai lá e não abre a boca.

Eduardo Cunha, que manda na Câmara e na CPI, parece aproveitar-se disso para fazer investigações, não de interesse da sociedade, mas do seu próprio interesse pessoal. Só isso explica que a empresa de espionagem Kroll esteja focando nos podres do lobista Júlio Camargo. Para tentar desqualificar sua delação contra Cunha? E só isso explica que a CPI insista em convocar a advogada Beatriz Catta Preta. Para ameaçá-la?

Num mundo de grandes criminalistas de cabelos brancos, pagos a peso de ouro, eis que surge aquela mulher, pouco mais que uma menina, e põe o processo, as regras e as tradições de cabeça para baixo ao entronizar esse instrumento tão elementar, mas novíssimo: as delações premiadas. Já são umas 25, 26, e é basicamente isso que torna tudo diferente. Daí vem o fio da meada, que vai se entrelaçando, desvendando, revelando e dando forma à maior roubalheira da história.

Não que Catta Preta seja santa – nem demônio. Por enquanto, ela é um personagem envolto em mistérios. Por que jogou os clientes da Lava Jato para o alto? Por que abandona a carreira no auge do sucesso? Por que a artimanha das insinuações e meias verdades? Em suas entrevistas ao Estado e à Rede Globo, a advogada se limitou a mandar um recado a quem interessar possa. Ela disse que sofre “ameaças veladas”, seja por meio da imprensa, seja por membros da CPI. Mas não disse o básico: quem, como, onde e por quê? Deixa um cheiro de pólvora no ar, sem apontar a arma, nem de onde partem os tiros.

E, em agosto, chega finalmente a vez de o Supremo entrar em cena, numa guerra contra o Congresso. Depois de empreiteiros, executivos da Petrobrás, doleiros e paus-mandados de todos eles, a Lava Jato vai pegar os políticos. Isso vai longe e tem potencial explosivo.

É nesse cenário, e com a economia em frangalhos, que o TCU vai julgar as contas do primeiro governo Dilma, e o TSE vai julgar as contas da campanha de Dilma. Ah! E com aquele arremate perfeito: as manifestações do dia 16 vêm aí!*

(*) Eliene Cantanhêde – Estadão

VANGUARDA DO ATRASO

Planalto aposta no Senado para barrar crise política e Renan apresenta fatura

BRASÍLIA – Tratado pelo Palácio do Planalto como peça-chave para impedir o agravamento da crise política, que pode culminar até no impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem sinalizado a interlocutores diretos que pode voltar a colaborar com o governo da petista a partir desta semana, na volta do recesso parlamentar. Renan, contudo, cobrará “faturas” nas áreas política e econômica, em troca da ajuda.

Há duas semanas, logo após o anúncio do rompimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o governo decidiu reforçar uma operação envolvendo ministros como Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) e lideranças políticas petistas para cortejar o presidente do Senado. “Renan será o fiel da balança”, definiu um dos envolvidos na investida do governo.

O Palácio do Planalto quer retomar a relação que mantinha com Renan durante o primeiro mandato Dilma, quando ele foi o principal interlocutor do governo no Congresso. O peemedebista, que contou com o apoio da presidente para se reeleger presidente do Senado em fevereiro, afastou-se do Planalto no mês seguinte, na esteira da abertura de três inquéritos contra ele no âmbito da Operação Lava Jato. Nos bastidores, Renan acusa o governo de ter atuado para incluí-lo no rol dos investigados.

O Planalto, porém, aposta no presidente do Senado para neutralizar os efeitos de uma provável decisão desfavorável no julgamento das contas de 2014 da gestão Dilma pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Caberá à Casa presidida por Renan apreciar inicialmente o parecer analisado pela corte.

Se tanto o Senado quanto a Câmara reprovarem as contas do governo, esse seria o primeiro passo para que um processo de impeachment fosse aberto contra a presidente. Por isso, dizem aliados, com a Câmara liderada pelo oposicionista Cunha, Renan é tido como fundamental para barrar no nascedouro um movimento pelo impedimento da presidente.

O peemedebista, porém, ainda não decidiu que papel vai adotar. É a esse delicado cálculo político que ele tem se dedicado nos últimos dias. Apesar da disposição de voltar a ajudar o governo, Renan deve investir na tese de que a análise das contas de 2014 poderá ser feita antes das contas de anos anteriores – ainda pendentes de julgamento – serem apreciadas pelo Congresso. Não há nada no regimento do Congresso que impeça isso e trata-se de uma decisão política.

Conta. Para aliados do presidente do Senado ouvidos pelo Estado, contudo, Renan está inclinado a assumir o papel de fiador da governabilidade de Dilma.Mas vai impor condições. Segundo interlocutores, uma das principais faturas do peemedebista seria que Dilma promovesse mudanças no seu núcleo duro de governo, a começar pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. O nome que conta com a simpatia de Renan é o do ministro da Defesa, Jaques Wagner, considerado por ele um político habilidoso. Desde a época em que eram colegas de Senado, Renan e Mercadante nunca tiveram uma boa relação e o peemedebista não está disposto a voltar a conversar com o Planalto se tiver o atual ministro como interlocutor.

Em outra frente, o presidente do Senado aguarda um apoio financeiro maior do governo federal a seu filho e herdeiro político, o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB) – que comanda um Estado com graves dificuldades econômicas. A expectativa no ano passado, quando Renan Filho foi eleito, era de que ele teria total apoio de Brasília para tirar de Alagoas o título de campeão em recordes negativos em indicadores sociais.

Ajuste. Renan também quer ter maior participação nas decisões do governo, principalmente em relação à política econômica. O fato de Levy ter consultado o senador antes do anúncio da redução da meta do superávit, há cerca de dez dias, agradou o peemedebista. Crítico do ajuste fiscal elaborado pela equipe econômica, que recentemente classificou como “tacanho”, ele defende ainda que o governo corte despesas do próprio Executivo, a começar pela redução do número de ministérios.

Assim como na crise de 2007, em que contou com o apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o peemedebista espera solidariedade do governo caso sua situação na Lava Jato venha a se complicar.

O assunto tem preocupado o Planalto, que avalia que a 16ª fase da operação, deflagrada na semana passada e que avança sobre as irregularidades do setor elétrico, pode afetar diretamente o grupo ligado a Renan na Casa e, assim, dificultar ainda mais a reaproximação.

Peemedebista espera para avaliar a ‘pressão das ruas’

A disposição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de ajudar o governo da presidente Dilma Rousseff vai depender também principalmente da pressão que vier das ruas.

Para avaliar qual caminho vai seguir, o peemedebista tem, inclusive, encomendado pesquisas para ver se os eleitores o relacionam como um nome ligado à petista. Segundo auxiliares do presidente do Senado, os resultados das pesquisas encomendadas por Renan mostram um descolamento da imagem dele e da petista, o que facilitaria a construção de um discurso caso ele decida romper publicamente com o governo.

O peemedebista tem dito a interlocutores que está aberto a uma reaproximação com o governo, mas isso pode mudar caso as manifestações que pedem o impeachment da presidente ganhem força. Os próximos protestos estão marcados para o próximo dia 16.

Renan deixou engatilhado o discurso de que o governo tomou um rumo, principalmente na crise econômica, com o qual não concorda. Por isso, estaria livre para desembarcar da base aliada.

Para lembrar: O ‘camaleão político’

Com mais de 36 anos de carreira pública, desde que se elegeu pela primeira vez deputado estadual por Alagoas pelo antigo MDB, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), completa 60 anos no dia 15 de setembro, tendo passado por sobressaltos em sucessivos governos. É um “camaleão político”, na definição de um aliado.

No governo Sarney, Renan foi um dos artífices da candidatura de Fernando Collor (foto) à Presidência e, depois, integrante da tropa de choque do governo dele no Congresso. Rompeu com Collor posteriormente e contribuiu para sua queda ao acusá-lo de ter conhecimento do esquema PC Farias.

Em dezembro de 1989, Collor recebe o deputado Renan Calheiros em seu comitê de campanha, em Brasília

Em dezembro de 1989, Collor recebe o deputado Renan Calheiros em seu comitê de campanha, em Brasília

No governo Itamar, foi vice-presidente executivo da Petrobrás Química (Petroquisa) e, em 1994, elegeu-se senador pela primeira vez. Quatro anos depois, se licenciou do cargo para se tornar ministro da Justiça do governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Mesmo tendo apoiado a candidatura de José Serra em 2002 (o único Estado em que o tucano venceu foi Alagoas), foi um dos primeiros peemedebistas do Senado a apoiar o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano seguinte, logo após emplacar seu apadrinhado Sérgio Machado na Transpetro (que perdeu o cargo por envolvimento na Lava Jato).

Em 2011, já no governo Dilma, como líder do PMDB, foi um dos principais fiadores da governabilidade. Foi relator da Medida Provisória 579, batizada de MP do Setor Elétrico. Em fevereiro deste ano, ganhou pela quarta vez a disputa pela Presidência da Casa na votação mais acirrada que disputou. No mês seguinte, tornou-se alvo de três inquéritos da Operação Lava Jato e, de aliado irrestrito, se distanciou do governo.*

(*) ISADORA PERON E RICARDO BRITO – O ESTADO DE S. PAULO

SÁBADO, 1º DE AGOSTO DE 2015

SOM NAS CAIXAS

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