MAIS RESPEITO COM OS CABARÉS…

Alerj solta deputados acusados de receber ‘mensalinho’

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A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu soltar, depois de votação feita nesta terça-feira, 22, cinco deputados estaduais presos no âmbito da Lava Jato no Estado, pela PF em ação nomeada como Operação Furna da Onça. Por placar de 39 a 25 votos, foi aprovada resolução que libera André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC) Luiz Martins (PDT) Marcus Vinicius Neskau (PTB) e Marcos Abrahão (Avante). Acusados de receber “mensalinho” durante os governos dos emedebistas Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, os parlamentares ainda cumprem prisão preventiva.

A votação da Alerj ocorre após decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia. Três dos cinco deputados contemplados pela determinação entraram com recurso na Corte reivindicando que seus casos fossem analisados pela Assembleia. Os outros dois parlamentares foram inclusos pela própria Casa, para evitar desgaste num futuro próximo, já que eles provavelmente também entrariam com recurso.

Agora, a Assembleia deve encaminhar ofício ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, para informar da decisão. A ação não suspende, contudo, a tramitação dos processos na Justiça. Os deputados que votaram o mérito também deixaram claro que a soltura não implica que os réus assumam os mandatos. Esses cinco parlamentares foram reeleitos antes da prisão e chegaram a tomar posse na cadeia, mas a Justiça não reconheceu a legitimidade dos mandatos.*

(*) Equipe Br Político – Estadão

AMINIMIGOS

Ex-líder Joice Hasselmann, na verdade, ameaça Jair Bolsonaro de impeachment

A ex-líder do governo no Congresso Joice Hasselmann (PSL-SP) se transformou numa verdadeira bomba relógio contra o mandato do presidente Jair Bolsonaro.

Trata-se de uma das mais perigosas acusações contra o presidente da República a sua afirmação —feita a Marco Britto, do UOL, e postada hoje pela manhã— segundo a qual os filhos de Bolsonaro lideram uma rede de funcionários que criam perfis falsos nas redes sociais.

Depois, à Globo News, Joice não só confirmou a publicação do UOL como disse que parte desse esquema funcionou até mesmo dentro do gabinete do presidente da República, no Palácio do Planalto.

A atuação do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) se daria, de acordo com Joice, por meio de ao menos 20 perfis no Instagram que alimentam uma rede propulsora de informações. Essa rede chegaria a 1.500 páginas e perfis. É a chamada “milícia digital”, nas palavras da parlamentar. As acusações fazem lembrar a briga do ex-presidente Fernando Collor de Mello com seu então líder do governo na Câmara, o hoje senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Depois que Pedro Collor apontou seu irmão Fernando e o tesoureiro da campanha, PC Farias, como chefes de uma rede de corrupção, o líder Renan veio a público confirmar as acusações.

As declarações do irmão do presidente ensejaram uma CPI que foi fortalecida pelo depoimento de Calheiros.

O resultado todos sabem: apareceu o que seria a confirmação da doação de um Fiat Elba e o presidente da República teve seu mandato cassado.

Ao UOL, Joice disse que fará denúncia ao Ministério Público e apresentará queixa na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. “Não vou ficar apanhando e ficar quieta”, afirmou.

Muito provavelmente, ela acabará sendo chamada à CPMI das Fake News. Coincidentemente, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito inicia nesta semana suas audiências públicas visando embasar as investigações.

A CPMI foi aberta para investigar notícias falsas e assédio virtual nas redes sociais, principalmente os casos com motivação política relatados a partir de reportagem da Folha de 18 de outubro do ano passado.

Depois muitas outras reportagens vieram a reforçar as suspeitas.

O UOL publicou no último dia 19 de setembro que ainda estavam ativas 80% das contas da rede de robôs que distribuíram notícias falsas pró-Bolsonaro pelo aplicativo WhatsApp durante a campanha eleitoral de 2018.

Se Joice sustentar suas acusações e estas forem confirmadas, não só os filhos, como o próprio presidente da República estarão com seus mandatos ameaçados. *

(*) Blog do Tales Farias – UOL

IRMÃOS METRALHA

SEGUNDA TURMA CONDENA GEDDEL E LÚCIO VIEIRA LIMA

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Com o voto de Cármen Lúcia, a Segunda Turma condenou por associação criminosa e lavagem de dinheiro os irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima.

“Me pareceu comprovado sem sombra dúvida razoável que teriam se associado de forma estável e permanente para a prática dos crimes de lavagem de dinheiro, superando portanto as observações, ponderações e divergências apresentadas”, disse.

A ministra seguiu Edson Fachin e Celso de Mello para considerar os irmãos culpados pelos dois delitos. Mais cedo, votaram pela absolvição por associação criminosa Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes — os dois votaram pela condenação apenas por lavagem.

Após um intervalo, os ministros voltarão a se reunir para definir a pena.

Os Vieira Lima são acusados de desviar R$ 20 milhões da Caixa por intermédio de Lúcio Funaro; de receberem propina de R$ 3,9 milhões da Odebrecht; e de se apropriarem de R$ 2 milhões de salários de ex-secretários parlamentares.

A ação penal é resultado da descoberta, em 2017 pela PF, de R$ 51 milhões que estavam escondidos num apartamento da família em Salvador.*

(*) O Antagonista

FOGO NO RENDEZ-VOUS

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo no Congresso, afirmou nesta terça-feira (22) em entrevista ao G1 que assessores de CarlosEduardo e Flávio Bolsonaro — filhos do presidente da República —, criaram perfis falsos numa rede social.

Joice diz ainda que “dentro do Palácio do Planalto”, “no gabinete do presidente”, há um grupo responsável por produzir materiais .

De acordo com a parlamentar, há mais de 20 perfis falsos no Instagram criados por assessores e pessoas ligadas aos três filhos políticos do presidente: o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC).

Essas 20 contas no Instagram, segundo ela, estão vinculadas a 1,5 mil páginas de Facebook, muitas delas também falsas. Joice também informou haver contas do WhatsApp vinculadas, mas não deu detalhes.

A deputada não citou os nomes dos assessores.

Em entrevista ao portal UOL publicada na noite desta segunda-feira (21), Joice citou o que chamou de “milícia digital”. Ela disse que os perfis falsos de funcionários dos filhos de Bolsonaro alimentam uma rede de 1,5 mil páginas e perfis e servem para campanhas de difamação, além de divulgação de informações falsas.

G1 enviou e-mail ao Palácio do Planalto às 10h53 desta terça e mensagens de WhatsApp às assessorias de Flávio e Carlos às 11h10, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Já a assessoria de Eduardo informou que o parlamentar “não vai se manifestar”.

Nos últimos dias, Joice criticou publicamente o presidente Jair Bolsonaro e trocou ataques pelas redes sociais com filhos dele. A briga se intensificou depois de ela ter sido destituída pelo presidente da função de líder do governo no Congresso.

“Os cérebros do processo [de criação de perfis fake no Instagram e páginas na internet em defesa do governo] estão ligados, e tem gente do gabinete do Eduardo, do Carlos e do Flávio — além de um grupo que fica produzindo material lá dentro do Palácio mesmo, dentro do Palácio do Planalto”, declarou ao G1.

A reportagem questionou se esse material é produzido dentro do gabinete do presidente, e Joice confirmou: “no gabinete do presidente”.

“São pelo menos 20 Instagrams fakes, criados por assessores ou gente ligada a assessores — eu tenho os nomes, mas não vou divulgar agora — e interligados com 1,5 mil páginas [no Facebook], muitas delas fakes, e outras que trabalham para fakes”, explicou.

“Quando a página é do funcionário contratado, não precisa ter dinheiro para bancar uma página. Você cria a página, mas o funcionário é bancado. O cérebro não é todo mundo, não. Obviamente, tem muita gente que está ali achando que está fazendo um trabalho para ajudar aquelas páginas. Toda página que você vê ‘conservador não sei das quantas’, ‘Bolsonaro radical’, ‘patriota não sei das quantas’ faz tudo parte deste grupo aí”, afirmou.

Críticas ao presidente e troca de ataques com filhos de Bolsonaro

Joice Hasselmann destituída pelo presidente da função de líder do governo no Congresso na última quinta-feira (17). A substituição dela pelo senador Eduardo Gomes (MDB-TO) se deu após a deputada assinar uma lista pela manutenção, na liderança do PSL na Câmara, de Delegado Waldir (GO).

Essa posição foi na contramão do desejado peplo presidente, que queria Eduardo Bolsonaro na função.

Após deixar o cargo, Joice afirmou que Bolsonaro foi “ingrato” e “mal-educado”. “Minha alforria chegou. Cansei de fazer discurso para consertar as besteiras deste governo”, disse Joice ao colunista da GloboNews e do G1 Valdo Cruz.

Neste sábado (19), Joice Hasselmann e Eduardo Bolsonaro trocaram ofensas nas redes sociais. Ao comentar uma publicação de Joice, Eduardo publicou a seguinte mensagem: “#DeixeDeSeguirAPepa”.

A mensagem comparava a parlamentar à personagem principal de desenho animado “Peppa Pig”, que é uma porca. A deputada, então, respondeu: “Picareta! Menininho nem-nem: nem embaixador, nem líder, nem respeitado. Um zero à esquerda. A canalhice de vocês está sendo vista em todo Brasil”.

Nesta segunda, Joice foi destituída de outro cargo: o de vice-líder do PSL na Câmara dos Deputados. A decisão foi tomada pelo próprio Eduardo Bolsonaro, que pouco antes havia assumido a liderança do partido na Casa e trocado outros 11 vice-líderes da legenda.

(*) Tahiane Stochero, G1

E LÁ DO TÚNEL…

FALA SÉRIO…

Geraldo Alckmin (PSDB) não descarta concorrer ao governo de SP em 2022… *

(*) UOL

 

A PROPÓSITO

– E eu que pensava que “Geraaaaaaaaaaaaaldo” era apenas um bordão do humorista Castrinho no programa “A Escolinha do Professor Raimundo”, do grande Chico Anysio, da TV Globo, nos anos ’80.

HÁ CONTROVÉRSIAS

Se os homens fossem anjos

Pintura de Benjamin West com as delegações no Tratado de Paris de 1783:
John Jay, John Adams, Benjamin Franklin, Henry Laurens, e William Temple
Franklin. A delegação britânica se recusou a posar, e a pintura nunca foi concluída.

A democracia liberal está em regressão. Não sou eu quem o diz. É a Freedom House, e pelo 13.º ano consecutivo. Causas? Várias. Mas uma delas está na divergência crescente entre “democracia” e “liberalismo”. O mito democrático está chegando ao fim.

Essa é a tese que Yascha Mounk apresenta em O Povo Contra a Democracia (Companhia das Letras), talvez o melhor livro que li até o momento sobre o chamado populismo. Resisti bastante, confesso, porque o título enganava.

Erro meu. Mounk não se limita a carpir mágoas contra a fúria iliberal das massas, ou daqueles que as dizem representar. No banco dos réus, também está o “liberalismo não democrático” que desprezou e alienou essas massas. São precisos dois para dançar o tango.

Mas eu falei em mito democrático. E que mito é esse? Basicamente, a ideia de que os destinos da comunidade estão nas mãos do demos, do povo, dos que votam.

Ter democracia sem direitos ou liberalismo sem democracia só pode acabar da mesma forma: em tirania

Na Grécia Antiga, talvez fosse assim, exceto para mulheres, escravos ou estrangeiros. Mas Atenas era uma cidade-Estado, pequena, sem a complexidade das grandes repúblicas. Impossível replicar o modelo na era moderna, por mais que Jean-Jacques Rousseau e seus herdeiros o tenham desejado (e, durante o Terror da Revolução Francesa, praticado; não deu bons resultados).

Quando os “pais fundadores” dos Estados Unidos são obrigados a pensar e a executar o modelo democrático moderno, em nenhum momento tiveram a ilusão de que estavam a imitar a democracia ateniense.

Quando muito, estariam a adotar o modelo republicano de Roma, onde as assembleias populares eram parte do processo político mas nunca a totalidade dele.

Para James Madison, a tirania de um só homem era tão intolerável como a tirania das massas. E a única forma de impedir qualquer um desses extremos de assumir uma posição suprema passava por um governo representativo e por um sistema de checks and balances, capazes de frear quer o absolutismo de um rei, quer o absolutismo das multidões.

A tensão entre “democracia” e “liberalismo” – no fundo, a tensão entre a vontade popular expressa pelo voto e a soberania da lei na proteção das liberdades e dos direitos fundamentais – esteve presente desde o início da democracia moderna.

Pois bem: para Mounk, essa tensão latente virou conflito aberto.

De um lado, existe a sensação crescente e impaciente de que a arquitetura tradicional das democracias liberais já não funciona – e de que é necessário acelerar a “vontade geral” na prossecução de fins políticos, mesmo que isso implique formas mais autoritárias de organização social.

Do outro lado, e nas palavras certeiras de Mounk, “o sistema político se converte no pátio de bilionários ou tecnocratas” e “a tentação de excluir cada vez mais o povo de decisões importantes irá crescer”.

Como resultado desta divergência, o povo tornar-se-á cada vez mais iliberal e as elites ficarão cada vez mais não democráticas.

Perante esse quadro sombrio, a velha pergunta leninista: que fazer?O autor tem razão quando afirma que “democracia” e “liberalismo”, apesar de conterem naturezas divergentes, conseguiram coexistir por três motivos essenciais: havia dinheiro para distribuir; não havia redes sociais para incendiar; e a tribo ocidental, etnicamente falando, era mais homogênea.

Essa cola desapareceu: os filhos sabem que não terão uma vida tão confortável como os seus pais; a internet mobiliza os descontentamentos com uma força que James Madison nunca conheceu; e as sociedades multiculturais despertam ansiedades nativas que só um cego não vê.

No livro, Mounk tenta responder a cada um desses problemas com proclamações vagas sobre a necessidade de menos desigualdade, mais educação para resistir à imbecilidade cibernauta e um renovado papel para o esquecido Estado-nação. Difícil discordar.

Mas o grande desafio, ao qual Mounk não responde completamente, é o de saber por que motivo a democracia liberal merece ser defendida. É uma discussão metapolítica, ou até ontológica, sobre as virtudes de um regime político que tenta combinar a escolha livre dos cidadãos com a durabilidade de certos direitos ou instituições que estão acima das contingências populares.

No fundo, é preciso voltar ao básico – “se os homens fossem anjos, nenhum governo seria necessário” – para lembrar o básico: ter democracia sem direitos ou liberalismo sem democracia só pode acabar da mesma forma. Em tirania.*

(*)  João Pereira Coutinho – Gazeta do Povo

ENTRE UM BRINQUEDO E OUTRO, QUAL?

Bolsonaro recua e já trabalha com nome de diplomata antes preterido para assumir embaixada nos EUA

Charge do Jota A (portalodia.com)

 

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, dia 22, que poderá indicar o diplomata de carreira Nestor Forster para assumir a embaixada do Brasil em Washington, caso o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) desista efetivamente do posto.

Forster é próximo ao chanceler Ernesto Araújo e ligado ao escritor Olavo de Carvalho. Segundo Bolsonaro, é Eduardo quem vai definir, até o final do mês, se quer ter seu nome submetido à aprovação do Senado ou se ficará na liderança do PSL na Câmara. Bolsonaro falou com a imprensa instantes antes de seguir para a cerimônia de coroação do imperador japonês Naruhito, em Tóquio. O presidente foi acompanhado do embaixador do Brasil no Japão, Eduardo Saboia.

REVIRAVOLTA – Há alguns meses, a indicação de Forster para a embaixada do Brasil nos EUA era dada como certa por integrantes do Itamaraty. Em junho, ele foi promovido ao topo da carreira justamente para poder ocupar o posto. Um mês depois, no entanto, diplomatas foram surpreendidos pela possibilidade de Bolsonaro indicar Eduardo.

Embora tenha conseguido a aprovação do governo americano, o presidente enfrenta dificuldades para viabilizar o nome do filho no Senado. A crise no PSL também contribuiu para esfriar ainda mais as chances de Eduardo. Agora, Bolsonaro considera que seria mais estratégico o filho ajudar a “pacificar” o partido e a “catar os cacos” deixados pela crise interna.

ISRAEL –  Nesta terça-feira, Bolsonaro informou que também pretende mudar o embaixador em Israel, após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciar que desistiu de formar governo. A ideia, de acordo com o presidente brasileiro, é enviar um embaixador para estreitar as relações na área de inovação agrícola e alguém que tenha um “perfil apropriado” para a nova gestão.

Mesmo com a saída do atual primeiro-ministro de Israel, aliado de Bolsonaro, o presidente afirmou que está “100%” aberto ao diálogo com o seu eventual sucessor. “Israel é um país extremamente importante para o mundo e para nós.”*

(*) Júlia Lindner
Estadão

VAI ENCARAR?

FHC e Amoêdo apontam privilégios na previdência militar, mas general defende projeto

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Charge reproduzida do Arquivo Google

 

Parecia fácil. O projeto de reforma da previdência dos militares era dessas pautas destinadas a ter uma tramitação rápida e quase consensual no Congresso. Nas últimas semanas, porém, diversas vozes – da direita à esquerda – se ergueram contra o que consideram falhas no texto ou mesmo privilégios mantidos para os militares. Não se trata, pois, de consequência da polarização entre o bolsonarismo e seus opositores, conforme enxergaram alguns generais.

Uma das vozes críticas importantes é a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Neto e filho de militares, ele acabou em seu governo com a pensão para as filhas solteiras, o auxílio-moradia dos militares e a promoção ao posto imediato na hora da aposentadoria. E, por isso, muitos na caserna não gostam do líder tucano. “Pode parecer antiquado, mas eu acho que prevalece o princípio republicano”, disse ao Estado.

FHC ACHA INJUSTO – Fernando Henrique defendeu o fim da integralidade – receber o salário integral – nas aposentadorias dos militares a exemplo do que ocorre com outros funcionários públicos. “Eu não acho justificável; cria privilégio”, disse. Para o tucano, “a integralidade não se justifica mais”. “É preciso ter a mesma regra para todos.”

A integralidade também foi alvo do presidente do Novo, João Amoêdo. Em sua luta contra os privilégios da elite do funcionalismo – magistrados, procuradores, políticos –, Amoêdo incluiu os generais na última semana entre os membros da “privilegiocracia”.

“Será mantida a integralidade e a paridade. Ou seja, os militares se aposentarão ganhando o mesmo salário que recebiam, sem descontos como o restante da população, e receberão aumentos automáticos quando os pares na ativa receberem. Quem pagará a conta será a população”, afirmou Amoêdo.

INSUSTENTÁVEL – O criador do partido Novo prosseguiu: “O brasileiro quer uma previdência sustentável. O projeto da previdência militar não segue os avanços da Nova Previdência. Faz sentido beneficiar uma classe em detrimento de todas as outras?”, questionou. O projeto eleva a alíquota de contribuição dos militares de 7,5% para 10,5%. “Porém, os trabalhadores da iniciativa privada já pagam 11% e no setor público pode chegar até 22%.”

A bancada do PT na Câmara, por outras razões, deve votar contra o projeto. Até o general Roberto Peternelli Junior, deputado federal pelo PSL (SP), que defende o projeto, disse ao Estado que vai se abster em pelo menos um item da reforma: o que estabelece uma verba de representação vitalícia para generais. “Eu concordo (com essa crítica) e vou me abster.”

A gratificação vitalícia para generais nasce da ideia do Ministério da Defesa de que a verba de representação paga a oficiais que ocupam funções de comando deve ser incorporada nas aposentadorias dos generais porque a maioria deles permanece mais de cinco anos nessas funções. “E como os funcionários civis que recebem gratificação de função por mais de cinco anos incorporam ela em seus salários, o mesmo deveria ocorrer com os generais”, disse Peternelli.

BENEFICIADO – O general justifica sua abstenção pelo fato de que ele seria beneficiado pela medida. O que os críticos da proposta alegam é que, na reserva, os generais só representariam a si mesmos, não tendo mais por que receber a gratificação de 10% do valor do soldo. As bancadas da esquerda criticam ainda o aumento maior de gratificações para os níveis superiores das praças e dos oficiais em relação à base de cada um desses grupos.

O Exército se defende afirmando que as carreiras não são estáticas, que quem hoje é segundo-tenente, amanhã será coronel. De acordo com Peternelli, ainda assim, só um terço dos oficiais tem, por exemplo, o curso de altos estudos, ou seja, nem todos receberiam o aumento da gratificação de habilitação – ela passaria a ser 41% do valor do soldo para os generais e de 6% para os cabos.

“Esse é um plano de reestruturação. Vínhamos perdendo muitos profissionais do Exército para outros órgãos, como a Câmara dos Deputados, a AGU e outros. O que o Ministério da Defesa procurou foi fazer a valorização dos méritos dos que prosseguissem na carreira, tanto do oficial quanto do sargento.” Para o general, todo o funcionalismo público deveria ter um plano de cargos e salários.

IGUAL AO TETO – “Quando se pensa na carreira militar sempre se pensa no general, que representa 0,001%. O grosso das Forças Armadas tem a mediana no subtenente. O salário dele é o equivalente ao teto da previdência”, afirmou Peternelli.

Há ainda os que criticam o projeto em razão da oportunidade, um momento de crise fiscal dos Estados. E por causa da inclusão da PMs estaduais no projeto. Assim, não só os PMs manterão a paridade e a integralidade como vão recuperá-la no caso de três Estados em que a integralidade não existia mais. A economia que o projeto geraria aos Estados ficará muito abaixo daquela que ocorreria pelo fim da integralidade.

Chamar tanto a integralidade quanto a paridade de privilégio causa reações fortes dos militares. Em entrevista à rádio Guaíba, em Porto Alegre, o general Antônio Miotto disse: “Nós somos diferentes, a Nação tem de entender”. Em tempos de idade mínima de 65 anos, é cada vez menor a quantidade de pessoas disposta a entender o general.*

(*) Marcelo Godoy
Estadão

UMA NOVA VELHA POLÍTICA

Patota de caciques

Para dirigentes partidários, o controle do feudo está acima de tudo

 

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De fato, a briga entre Jair Bolsonaro e Luciano Bivar é por causa da dinheirama a que terá direito o PSL a partir do ano que vem. Da parte do presidente e família, porém, não é só isso. Trata-se do controle do mais vantajoso dos cartórios em que se transformaram os partidos políticos no Brasil, com raras e pontuais exceções.

Bivar alugou, mas não transferiu a propriedade da legenda para Bolsonaro & Filhos, e aí reside o x de uma velha questão na qual, no entanto, ainda não tínhamos visto um presidente da República se envolver tão aberta e displicentemente. Essa é a única novidade nesse caso, que reúne os ingredientes da lamentável história recente dos partidos: domínio de caciques, inchaço artificial proporcionado pela conquista do poder, trato obscuro do dinheiro público, serventia como cabides de empregos, zero debate político-doutrinário.

É o que se vê em agremiações com cheiro, cara e jeito de balcão para compra e venda de interesses privativos de seus donos e respectivos donatários. É o que Jair Bolsonaro está cansado de ver em sua vida política, pois já passou por oito delas, ocupa a nona e se prepara para integrar a décima.

Com a diferença de que agora é presidente e se crê merecedor de ter a sua, na qual possa ser ele o mandatário supremo. Já mostrou sinal disso durante a campanha nas exigências negadas por vários partidos antes de dar com os costados no PSL, mediante tratativas substantivas com o esperto negociante Luciano Bivar, e voltou ao assunto logo no início do governo, em fevereiro, quando os filhos andaram acenando a um partido ainda em fase de criação com a legenda da velha UDN.

Bolsonaro está mesmo é atrás de um partido no qual tenha controle total

A briga se estendeu pelo terreno da Justiça, teve a participação da Polícia Federal e ganha novos personagens no Congresso com a entrada em cena de integrantes do chamado Centrão já preocupados com essa história de contestação do poder e com a possibilidade de afastamento da atual direção do PSL. Querem criar umas regrinhas para dificultar isso. É a patota dos caciques se movimentando em causa própria.

O lobby desse pessoal atuará em favor da manutenção de Bivar. Não por amor, mas por interesse. Aberto um flanco desse tamanho amanhã ou depois, estariam os demais morubixabas partidários submetidos ao mesmo risco. Donde gente experiente no ramo aposta que Bolsonaro perde a parada e Bivar fica com a maioria dos 53 deputados e com a gorda verba destinada ao PSL em 2020: 359,1 milhões de reais resultantes da soma dos 113,9 milhões do fundo partidário e dos 245,2 milhões do fundo eleitoral.

Outra desvantagem de Jair Bolsonaro nesse embate é o potencial desgaste das negociações com um novo partido agora que está sentado numa cadeira sobre a qual reluz o maior refletor do país. Uma coisa é negociar nos bastidores ainda como obscuro deputado, outra é fazer isso no Palácio do Planalto sob a estreita vigilância da nação.

O presidente dá a entender que briga por moralidade no trato de verbas públicas, mas não pronuncia palavra em prol de mudanças que retirem o caráter cartorial dos feudos a que de maneira imprópria damos o nome de partidos de representação política.*

(*) Dora Kramer – veja.com