SEXTA-FEIRA, 1º DE AGOSTO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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CASCATEIROS JURAMENTADOS

O MAL DE PROMETER TUDO A TODOS

Jânio Quadros já havia renunciado, depois foi cassado, em seguida confinado, anos mais tarde, anistiado. Candidatou-se a governador de São Paulo, perdeu outra vez. Parecia furada a profecia de Sana Khan, que prenunciara a ida do jovem recém-formado em Direito à Câmara de Vereadores, à Assembleia Legislativa, à prefeitura de São Paulo, ao governo do estado e à presidência da República. Chorando, o vidente previu a renúncia mas anunciou que décadas depois Jânio retornaria ao poder nos ombros da multidão.

Ninguém dava mais um centavo pela carreira política do histriônico personagem, quando, surpreendentemente, ele se elege prefeito de São Paulo. O vidente só errara o alvo, imaginando de novo a presidência da República, quando o voo era mais curto, apesar da imagem que antecipava, de centenas de milhares de pessoas elegendo o ex-presidente.

Antes de empossar-se na prefeitura, Jânio deu entrevista a uma rede de televisão. Lembrei sua campanha presidencial, onde prometera tudo a todos: reformas sociais profundas para o trabalhador. Terra para o camponês. Política externa alinhada ao Terceiro Mundo. Participação dos empregados no lucro das empresas. Ensino gratuito em todos os níveis para a juventude. E mais:

Para os empresários, estabilidade econômica, juros baixos, crédito fácil e contenção salarial dos trabalhadores. Ajuda do governo a investidores nacionais e estrangeiros. Segurança e ordem para a classe média. Novos direitos para os parlamentares. Garantia da propriedade da terra para os fazendeiros. Hierarquia e disciplina para os militares. Submissão aos postulados da Igreja para as massas empobrecidas.

Em suma, quando candidato presidencial, Jânio contemplou com promessas todos os grupos, categorias e classes, obtendo formidável apoio nacional. Cada um ouvia apenas o que queria ouvir, ignorando as propostas que batiam de frente com suas concepções.

Empossado no palácio do Planalto, imaginou poder atender a todas as promessas, por sinal conflitantes. Viu inverter-se a equação. Passou a receber críticas e hostilidade dos que discordavam de suas ações em favor de interesses opostos. Todo mundo ficou insatisfeito. O resultado foi sua tentativa de tornar-se ditador, única forma de exercer a autoridade contestada. Felizmente, quebrou a cara. Deixamos de viver a ditadura anos antes que ela chegasse por outras mãos. O Congresso tomou conhecimento da renúncia, ato unilateral de quem a pratica. As multidões não foram buscá-lo no fim de semana para exercer o poder excepcional, como antes fizeram os egípcios com Gamal Abdel Nasser e os cubanos com Fidel Castro.

Mesmo assim, Jânio continuou fixado na profecia de Sana Khan. Depois de sofrer anos de ostracismo, até de exílio, ganhou como consolação a prefeitura de São Paulo, de onde saiu para o esquecimento, uma vez completado seu mandato. Não deram certo aqueles vaticínios do estranho leitor do futuro.

Por que se recordam acontecimentos hoje tão distantes no tempo? Porque na remota entrevista de prefeito eleito, depois de indagar dele se não repetiria o erro anterior, espantei-me quando Jânio se levantou, olhou-me nos olhos e sentenciou: “o senhor acaba de explicar minha renúncia à presidência da República, mas não repetirei o erro anterior!” Ele jamais havia explicado o gesto inusitado.

Há outro motivo para essas reminiscências. Porque hoje os três principais concorrentes à presidência da República, Dilma, Aécio e Eduardo, estão prometendo tudo a todos. Correm o risco de acabar prefeitos…*

(*) Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa Online

LEGADO DA COPA

Produção industrial recua pelo quarto mês seguido e cai 1,4% em junho

A parada forçada pela Copa do Mundo, os estoques em alta e a desconfiança do empresário levaram a indústria a acentuar sua crise em junho.

No mês, a produção industrial recuou 1,4%, a quarta queda seguida no ano, segundo dados livres de afeitos sazonais. Os dados foram divulgados pelo IBGE na manhã desta sexta-feira (1º).

O resultado veio um pouco melhor do que as previsões do mercado, que esperava queda entre 2% e 3%.

Na comparação com junho de 2013, indústria registrou recuo de 6,9%, no pior resultado nessa relação desde 2009, quando a produção foi duramente afetada pela crise econômica mundial.

Considerando todos os meses, essa é a pior queda na comparação anual desde setembro de 2009.

Na comparação com o mês imediatamente anterior, o setor já vinha de três quedas, nos meses de março, abril, maio, de, respectivamente, 0,7%, 0,5% e 0,8%, segundo dados revisados.

Assim, o índice acumulado neste ano já soma uma queda de 2,6%, e em 12 meses, de 0,6%.

O setor também é afetado por juros maiores, crédito restrito, inflação elevada e especialmente empresários com menos disposição de investir nesse ano.

O mercado de trabalho também tem mostrado sinais de arrefecimento, sem a entrada de mais mão de obra no mercado, tirando da população a disposição para consumir.

Editoria de Arte/Folhapress

DURÁVEIS

Fortemente sensível à taxa de juros e ao crédito, o setor da indústria que produz bens duráveis (como automóveis e eletrodomésticos) levou um forte tombo e recuou 24,9% em sua produção frente ao mês anterior.

Na comparação com junho do ano passado, a queda é de 34,3%.

Segmento mais sensível ao humor do empresário para investir, o setor de bens de capital –que inclui caminhões, por exemplo– caiu 9,7%, na comparação com maio e 21,1% na comparação com junho de 2013.

A compra de máquinas e equipamentos é reflexo direto da confiança do empresário com o futuro da economia, e a queda nesse quesito mostra a desconfiança do grupo.

Dos 24 ramos acompanhados pelo IBGE, a indústria perdeu produção em 18.

Em quatro meses, a produção de bens duráveis perdeu um terço de seu volume –a queda acumulada desde março foi de 33,3%.

Nessa mesma comparação, o setor de bens de capital encolheu 17,8%.

A queda na indústria de bens de consumo duráveis foi a pior da série histórica, que é desde 2002.

COMPARE O DESEMPENHO (em %)

GRUPO JUN.14/MAI/141 JUN.14/JUN.13 NO ANO EM 12 MESES
Bens de Capital -9,7 -21,1 -8,3 1,2
Bens Intermediários -0,1 -2,9 -2,2 -1,2
Bens de Consumo -7,9 -10,7 -1,9 -0,3
Duráveis -24,9 -34,3 -8,6 -3,7
Semiduráveis e não Duráveis -1,3 -3 0,3 0,8
INDÚSTRIA GERAL -1,4 -6,9 -2,6 -0,6

1 Série com ajuste sazonal Fonte: IBGE

DIAS PARADOS

Os segmentos que sofreram mais em junho com dias parados e com questões macroeconômicas foram os de equipamentos de informática e produtos eletrônicos (recuo de 29,6%) e automobilístico (queda de 12,1%), mesmo com a manutenção do IPI menor, que vai vigorar até dezembro.

Os números ruins da indústria de veículos neste ano levaram o setor a programar férias coletivas.

Outras contribuições negativas para o indicador industrial vieram dos ramos de confecção, do segmento de bens de consumo, com queda de 10%, e de máquinas e equipamentos, que produziu 9,4% menos do que maio. A Indústria de produtos de borracha e material plástico, classificada dentre os bens intermediários, caiu 5,6%.

Considerando os seis primeiros meses do ano, o encolhimento da produção de 2,6% foi influenciado, também, pela indústria automobilística, com queda de 16,9%, e da indústria de produtos de metal e metalurgia, com recuos de 10,1% e 5%, respectivamente.

TÁ TUDO DOMINADO

“O aço que nos tempera”

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…são fatores, entre outros, que determinaram o desgaste do PT. Alguns afirmam que corrupção sempre existiu, mas agora aumentou a transparência. Parcialmente correto. No entanto, muitos casos só emergiram, como o mensalão e esse escândalo carioca, de uma forma clássica: a disputa pelo butim…

O relatório sobre a queda do viaduto em Belo Horizonte apontou a causa: a viga de sustentação tinha só 1/10 do aço necessário para conter o peso da estrutura. Stalin chamava-se o homem de aço. Romances populares editados pelos partidos comunistas da época celebravam os bolcheviques de aço, entre eles um aviador que perdeu as pernas e continuou combatendo. No universo ocidental, mais crítico, o aço é integrado ao corpo humano na figura de um herói infantil, o Super-homem. Não tenho nada contra a fusão do corpo com o metal. O titânio tem ajudado muita gente a se mover normalmente: é uma boa presença. Felizmente, não trabalhamos com essa mitologia de corpos de aço. Mas pelo menos o aço de nossas construções deveria ser o suficiente para mantê-las de pé.

Para onde foram os 90% do aço? É uma pergunta pertinente, pois só assim entenderíamos melhor o desabamento, para além do laudo técnico. Ausência do aço necessário, camuflada em misturas de areia e cimento, é um elemento simbólico no País. Foi essa mistura malemolente que derrubou os prédios do Sérgio Naya. No Rio, um deputado confessa em gravação que recebe R$ 15 mil/mês, entre outros ganhos, só com o lanche que é servido por ONGs conveniadas com a prefeitura. Se os lanches pudessem ser decompostos como elementos de uma viga, diríamos que milhares de pães, rios de café com leite, igarapés de laranjada desembocaram na barriga do deputado.

Uma notícia diz que Lula se surpreendeu com o desgaste do governo, esperando algo assim só para 2018. Os governos desgastam-se, naturalmente, numa democracia. Nela precisam gerir recursos limitados para atender a gigantescas necessidades. E vencem as eleições prometendo mais do que podem. Esse é um dos dínamos da alternância. Mas cada governo se desgasta de maneira singular. A tolerância e a cumplicidade com a corrupção são fatores, entre outros, que determinaram o desgaste do PT. Alguns afirmam que corrupção sempre existiu, mas agora aumentou a transparência. Parcialmente correto. No entanto, muitos casos só emergiram, como o mensalão e esse escândalo carioca, de uma forma clássica: a disputa pelo butim.

O desgaste do PT começou como uma pedra na água. O primeiro círculo de descontentes nasceu com os navegantes próximos que abandonaram o barco. Impulsionados pelos ventos econômicos, novos amplos círculos desenham-se na água. O processo não se resume à política interna e à economia. O PT quer realizar uma política externa dele, e não do País. Isso é possível em Cuba ou na China. Não para um partido que chega ao poder pelo voto, num contexto democrático. Os dirigentes chineses e cubanos fundem o país com o partido porque liquidaram a oposição organizada.

Esse tema não tem grande impacto eleitoral, mas sempre me preocupou. A nota que o governo brasileiro publicou sobre a guerra na Faixa de Gaza exprime a posição do partido e de milhões de pessoas diante da morte de civis e crianças. No entanto, uma nota nacional sempre é mais equilibrada, mencionando também a violência do Hamas.

O porta-voz israelense chamou o Brasil de anão diplomático. Um líder trabalhista chamou o Brasil de gigante do futebol. Não somos nem uma coisa nem outra. É um equívoco chamar o Brasil de anão diplomático, pois retira a importância do fato histórico da criação de Israel. Neste caso da guerra em Gaza, a violência da resposta de Israel acabou atenuando a posição do governo brasileiro. Mas, sem dúvida, houve uma inflexão: ingenuamente, Lula achou que poderia influenciar um processo de paz. Chegou a viajar para isso.

…”A política externa tem pouco impacto eleitoral, mas soma-se aos equívocos que, no conjunto, jogam o PT numa aventura romanesca: navegar sem novas ideias num oceano de desejos de mudança. São Paulo é uma referência: o governo perde para qualquer um dos opositores, sinal de que, para a maioria dos entrevistados, o PT já era. Em termos eleitorais, isso é equacionado em números: perdemos aqui, ganhamos em outros Estados, não ameaça a vitória nacional. Mas perder na região mais desenvolvida do País dá o que pensar, sobretudo para quem se diz na vanguarda do progresso, combatendo elites brancas e outros moinhos de vento”….

Ao lançar a nota, o governo praticamente abre mão de dialogar com um dos atores. O Brasil não tem o poder de resolver uma crise que desafia a humanidade, como a do Oriente Médio. Mas tem sido eficaz na pacificação de conflitos nos países de sua região. Está na busca efetiva da paz o grande fundamento de nossa política externa. Mas o PT move-se em zigue-zagues.

A política externa tem pouco impacto eleitoral, mas soma-se aos equívocos que, no conjunto, jogam o PT numa aventura romanesca: navegar sem novas ideias num oceano de desejos de mudança. São Paulo é uma referência: o governo perde para qualquer um dos opositores, sinal de que, para a maioria dos entrevistados, o PT já era. Em termos eleitorais, isso é equacionado em números: perdemos aqui, ganhamos em outros Estados, não ameaça a vitória nacional. Mas perder na região mais desenvolvida do País dá o que pensar, sobretudo para quem se diz na vanguarda do progresso, combatendo elites brancas e outros moinhos de vento.

A Bolsa Família é uma zona de conforto porque envolve milhões de pessoas e foi reconhecida internacionalmente. Supor que represente um escudo contra todos os erros e tropeços é um equívoco. Alguns críticos do programa dizem que com a bolsa as pessoas não querem trabalhar. Discordo, minha tese é que, com a bolsa, o governo não quis mais trabalhar, no sentido de interpretar o Brasil, buscar alternativas, ligar-se aos setores mais dinâmicos e desenvolvidos tanto dentro como fora do País. A Bolsa Família deu para o gasto. E agora que o preço político dos erros vai ficando mais alto?

Por mais que os pragmáticos riam, o viaduto que caiu, além de matar duas pessoas, indicou, para mim, o ponto central do momento: nosso sistema político, já frágil, foi perdendo o aço com a mistura de areia e cimento que a longa dominação do PT injetou.

O perito de Minas ficou surpreso porque a viga não se partiu antes. Se traduzimos o aço por credibilidade, também ficamos surpresos como o edifício político se mantém no Brasil. É um problema que transcende as eleições deste ano. Mas elas são a única oportunidade para todos poderem olhar para o abismo que se abriu entre o universo político e o Brasil real.

O ano que nos espera, sobretudo no setor da energia, não é dos mais animadores. O pequeno apagão que vivi na manhã de domingo me lembrou da aspereza do caminho. Tocar o País em tempos de crescimento internacional e distribuição de renda é mais fácil. Quem vencer as eleições encontrará uma pedreira.*

(*) Fernando Gabeira, no Estadão.

ACORDA, BRASIL!

A roda quadrada

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A roda já tinha sido inventada e girava razoavelmente bem.

Na verdade, eram três rodas: inflação na meta, câmbio flutuante e superávit primário de 3,1% do PIB.

Tudo que estava prometido na Carta ao Povo Brasileiro para garantir aos eleitores que o programa do PT iria dormir na gaveta enquanto a política anterior continuaria sendo aplicada, e assim espantar os fantasmas e tornar possível a vitória de Lula, o dr. Palocci aplicou direitinho.

Nunca antes na história deste país um governo reformista reformou tanto a sua retórica para, no fim, mudar para que tudo permanecesse igual, como pregava Tancredo, o sobrinho do príncipe de Salinas, o Leopardo.

A roda continuou girando até que se abrissem as portas da generosidade máxima dos “reformadores”, que foram eleitos para expandir as suas benesses para todos. O dr. Palocci foi escanteado por mil razões, e com ele foi jogada no lixo a roda que girava, o tripé que parava em pé, e o governo, travestido de Estado resolveu meter a sua mão na roda.

A cócega do salvacionismo estatal falou mais alto e o governo resolveu meter a mão na economia, talvez na ilusão de fazer a roda girar mais rápido – ou à imagem e semelhança de suas utopias.

Subitamente foi inventada a quadratura do círculo e a roda parou de girar. Os mecanismos naturais da economia foram substituídos: a mão invisível do mercado foi substituída pela mão pesada do intervencionismo, e o governo resolveu trocar o seu papel regulador pelo papel de benfeitor da humanidade; começou a determinar os lucros e os riscos dos outros, a determinar os preços, a segurar as tarifas para não aumentar a inflação, e o trem descarrilou.

O país começou a crescer aos trancos e barrancos, menos que os seus vizinhos latino-americanos. A inflação começou a descontrolar-se, a feira ficou mais cara, os empresários perderam o “apetite animal” e diminuíram sua gana de investir, o governo voluntarista começou a maquiar as suas contas.

Maquiar as contas públicas é mais fácil do que maquiar e esconder o apetite intervencionista, que faz parte do mais recôndito desejo da alma deste governo. O governo, além de tentar dirigir a mão da economia, tenta agora dirigir também a mão das reações ao seu ímpeto dirigista.

Na véspera de uma eleição que vai decidir se a sua roda quadrada tem suficiente sustentação para continuar a engasgar ou não, o governo intervém também na principal função técnica dos bancos, que é o seu compromisso contratual de orientar seus clientes para preservar seu patrimônio.

Intimida as instituições acusando-as de fazer jogo político-eleitoral simplesmente por cumprir a sua função de relatar fatos, associando-os uns aos outros, até dar-lhes sentido.

Os analistas dos bancos não entendem “porra nenhuma” do Brasil, e quem acha que entende faz com que eles calem a boca.

Onde foi que já vimos esse filme? *

(*) Sandro Vaia, jornalista, no blog do Noblat

BATENDO NA MADEIRA…

Pessimismo inadmissível

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Convencida de que “há no Brasil um jogo de pessimismo inadmissível”, a presidente Dilma, coadjuvada pela cúpula do PT, parece tentada a reverter o jogo na marra.

O ensejo para desencadear uma operação de intimidação dos “pessimistas” foi o texto, enviado a clientes, em que o Banco Santander repisa a constatação, amplamente discutida na mídia, de que o mercado financeiro tem reagido positivamente à queda de popularidade da presidente.

As primeiras reações couberam ao presidente do PT, Rui Falcão, que informou que o comitê da campanha estava avaliando se era o caso de entrar com medida judicial contra o banco, já que o que havia ocorrido era “proibido, porque você não pode fazer manifestações que, por qualquer razão, interfiram na decisão do voto”.

Com base nesse argumento, Falcão permitiu-se fazer admoestações: “Espero que daqui para a frente nem o Santander, nem nenhuma outra instituição incorra nesse tipo de atividade.” (“O Estado de S. Paulo”, 26 de julho).

A investida de Falcão foi logo reforçada pelo Planalto. Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, em 29 de julho, Dilma partiu para cima: “É inadmissível para qualquer país, principalmente um país que é a sétima economia do mundo, aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro, de forma institucional, na atividade eleitoral e política.”

E acrescentou que não queria antecipar o que faria, mas que teria “uma atitude bastante clara em relação ao banco”.

São reações que revelam visão espantosamente autoritária do que deve ser o processo eleitoral numa sociedade democrática.

Na encruzilhada política em que o país se encontra, é natural que, entre muitas outras considerações, cada eleitor leve em conta como poderá ser afetado pela evolução da economia nos próximos quatro anos.

Para que possa tentar vislumbrar essa evolução, é bom que o eleitor seja exposto a amplo leque de visões prospectivas dos desdobramentos econômicos de diferentes desfechos do processo eleitoral.

Parte desse esforço prospectivo é desenvolvido em instituições acadêmicas e institutos de pesquisa. Mas, goste ou não o governo, grande parte desse esforço é também desenvolvido em departamentos de pesquisa de instituições financeiras, grandes empresas, firmas de consultoria, sindicatos de trabalhadores e órgãos de representação patronal.

Com base na repercussão desse leque variado de visões prospectivas na mídia e nas redes sociais, eleitores formam expectativas sobre a evolução da economia e, em alguma medida, conseguem relativizar o discurso econômico dos candidatos a presidente.

O que Dilma Rousseff e a cúpula do PT estão tentando fazer é interditar parte desse confronto de visões prospectivas. Querem ditar quais segmentos da sociedade civil podem participar desse debate e quais não podem.

O que lhes falta é uma Lei (Rui) Falcão que imponha um regime em que a CUT possa brandir à vontade o mantra de que a vitória da oposição é receita certa para arrocho salarial, mas instituições financeiras não possam nem mesmo afirmar que a vitória de Dilma seria deletéria para acionistas da Petrobras e de empresas do setor elétrico.

Melhor faria o Planalto se, refeito do surto de autoritarismo, tentasse entender o que vem alimentando a onda de pessimismo de que se queixa. Logo perceberia que o problema básico é o discurso escapista do governo.

Ainda não se tem a menor ideia do que Dilma faria em 2015 para enfrentar o grave quadro de estagflação que o país enfrenta. Para continuar fechada em copas sobre a definição da sua equipe econômica, a presidente vem alegando que, por ser supersticiosa, prefere não antecipar nomes antes de ser reeleita.

Mas esse suposto sigilo esconde um segredo de polichinelo. Quem quer que tenha acompanhado de perto a política econômica nos últimos anos bem sabe que, se reeleita, a presidente não abrirá mão de continuar a controlar pessoalmente a formulação e a condução da política econômica.

É dessa percepção de que nada vai mudar que advém boa parte da onda de pessimismo que tanto incomoda o governo.

(*) Rogério Furquim Werneck, economista e professor da PUC-Rio, no blog do Noblat.

QUINTA-FEIRA, 31 DE JULHO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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ME ENGANA QUE EU GOSTO

PARA CADA BRASIL, UM DISCURSO DIFERENTE

Eduardo Campos, Aécio Neves e Dilma Rousseff mais pareciam a encarnação das famílias  Ford, Rockefeller, Tyssen e quantos outros potentados industriais que tentaram amoldar o planeta a seus interesses e concepções, mesmo os mais mesquinhos do começo do século passado. E os atuais. Também, não tinham alternativa os três presidenciáveis que enfrentaram, em separado, 700 dos mais importantes industriais brasileiros ou estabelecidos no Brasil.

Foi ontem, na Confederação Nacional da Indústria, em Brasília. Intimidados ou espertos, os candidatos  apresentaram  promessas que as elites industriais queriam ouvir: redução de impostos, isenção de encargos, diminuição de juros, facilidades de crédito, extinção de deveres sociais, diminuição das prerrogativas do  poder público e estado mínimo.  Foram aplaudidos, é claro. Serviram os pratos que os comensais  esperavam. Caso diferentes suas mensagens,  sentiriam o  rumor surdo da discordância do auditório de que necessitam para reforçar suas candidaturas e financiar suas campanhas.

A gente fica pensando como se comportarão Aécio, Eduardo e Dilma se atenderem convite da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, das Centrais Sindicais, do MST e congêneres. Certamente defenderão o aumento do salário mínimo, a preservação e até a ampliação dos direitos trabalhistas, mais investimentos sociais, diminuição da jornada de trabalho, participação dos empregados no lucro das empresas  e outras  reivindicações dos assalariados.

Para cada Brasil, um discurso diferente.  Como disse dias atrás a presidente da República, dois pesos e dezenove medidas, tudo para agradar as diferentes plateias e conquistar seus votos. Depois, o eleito comemorará a vitória sem poder atender um mínimo de suas promessas, mas também, para quê? Conquistado o poder, haverá que gozar de suas vantagens…

Podem parecer um tanto amargas essas conclusões, mas a  verdade é que o jogo político continua presidido pela máxima do “me engana que eu gosto”, válida para todos os contendores. Candidatos e categorias diversas, pensam apenas na concretização de seus interesses.  Um dia, tomara que bem para o futuro, a corda vai arrebentar.

O GRANDE CONFRONTO

Em São Paulo, o verdadeiro embate político não se dará, salvo inusitado, entre Geraldo Alckmin e Alexandre Padilha. Talvez nem entre o atual governador e Paulo Skaf. O divisor de águas será entre José Serra e Eduardo Suplicy, candidatos ao Senado. Isso na hipótese de o PT acordar e apostar seus cacifes no atual senador, visto com certa distância por seus próprios companheiros.  Lula e companhia tiveram que engoli-lo, na falta de outro. Agora, será apoiá-lo com todas as forças para que o PT não fique completamente desmoralizado em sua maior base política.  Espera-se que a presidente Dilma venha em seu socorro.*

(*) Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa Online

O BICHO VAI PEGAR


Caso Pasadena:

TCU encrencará Graça Foster

O ministro José Jorge, do TCU, reconheceu que o órgão cometeu um erro ao julgar o processo que resultou na responsabilização de executivos da Petrobras por prejuízos na compra da refinaria de Pasadena. Relator do caso, ele informou que o equívoco será corrigido. Com isso, Graça Foster, atual presidente da estatal, deve ser incluída no rol de pessoas que tiveram os bens bloqueados para cobrir eventual ressarcimento dos danos, orçado por ora em US$ 792,3 milhões.

São 11 os diretores e ex-diretores da Petrobras que o TCU considerou passíveis de punição por decisões consideradas lesivas. Um dele, Ildo Sauer, ex-diretor Gás e Energia, já tinha deixado a estatal na época em que uma das decisões foi tomada. Substituiu-o no cargo Graça Foster. Daí a necessidade de corrigir o acórdão do TCU. Algo que levará a uma inevitável indagação: uma gestora com os bens bloqueados terá condições políticas de continuar no comando da Petrobrass?

O POSTE DO LULA ESTA QUEIMADO

Ibope: Alckmin tem 50%, Skaf 11% e Padilha 5% na disputa em SP

Do UOL, em São Paulo

Intenção de voto

GOVERNADOR DE SÃO PAULO

Geraldo AlckminPSDB

50

Paulo SkafPMDB

11

Alexandre PadilhaPT

5

Gilberto NataliniPV

1

Laércio BenkoPHS

1

Gilberto MaringoniPSOL

1

Raimundo SenaPCO

1

Wagner FariasPCB

1

Walter CiglioniPRTB

0

Brancos e nulos

15

Indecisos

14

Ibope / TV GloboPesquisa do dia 30/07/2014, realizada entre os dias 26 e 28/07/2014; Registro nº: SP-00013/2014; Amostra: 1.512;Margem de erro: +-3 pontos percentuais.

Pesquisa Ibope divulgada na noite desta quarta-feira (30) mostra que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se reelegeria no primeiro turno das eleições em São Paulo. O tucano aparece com 50% das intenções de voto, seguido pelo empresário Paulo Skaf (PMDB), com 11%, e pelo ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT), com 5%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Gilberto Natalini (PV), Laécio Benko (PHS), Gilberto Maringoni (PSOL), Wagner Farias (PCB), Raimundo Sena (PCO) aparecem com 1% das intenções, cada. Walter Ciglioni (PRTB) não pontuou. Votos brancos e nulos somam 15%. O percentual de entrevistados que não quiseram ou souberam responder foi de 14%.

A taxa de rejeição de Padilha é de 19%, de Alckmin, 18% e de Skaf, 13%. Natalini e Sena têm rejeição de 7%, cada. Benko, Maringoni, Ciglioni estão com 6% de rejeição, cada. Farias tem 5%.

A pesquisa também avaliou o governo Alckmin. Ao todo, 6% consideram ótimo, 34% bom, 38% regular, 8% ruim, 4% péssimo, 3% não souberam responder.

O Ibope faz 1.512 entrevistas, em 78 municípios, entre 26 e 30 de julho. Apesquisa foi registrada sob o número SP-00013/2014 e foi contratada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e pela “TV Globo”.*

Senado

O Ibope também ouviu os eleitores sobre suas preferências para o Senado. Nestas eleições, apenas um senador será eleito por Estado, com mandato de oito anos. O tucano José Serra obteve 30% das intenções de voto, seguido de Eduardo Suplicy, com 23%, e Gilberto Kassab (PSD), com 5%. Ana Luiza (PSTU) alcançou 3% das intenções.

Fernando Lucas (PRP), Juraci Garcia (PCO), Kaka Wera (PV) , Marlene Campos Machado (PTB) e Senador Fláquer (PRTB) obtiveram 1%. Edmilson Costa (PCB) e Genildo Moreira (PSB) não pontuaram. Brancos e nulos alcançaram 12%; 10% dos entrevistados não souberam responder.

Pesquisa Datafolha

Em pesquisa do Datafolha divulgada em 17 de julho, também com margem de erro de dois pontos percentuais, Alckmin tinha 54% das intenções de voto, Skaf, 16% e Padilha, 4%. Natalini, Benko, Sena e Farias apareciam com 1% das intenções cada. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos e nulos somaram 13% e indecisos, 10%.

A taxa de rejeição medida pelo Datafolha foi de 26% para Padilha, 20% para Skaf e 19% para Alckmin. Na mesma pesquisa, 46% entrevistados avaliaram a administração de Alckmin como ótima ou boa, 37% como regular e 14% como ruim ou péssima.

O Datafolha também mediu as intenções de voto para senador. Serra obteve 34% das intenções, Suplicy, 29%, Kassab, 7% e Ana Luiza, 4% e Marlene Campos Machado, 2%. Edmilson Costa e Fernando Lucas tiveram 1% das intenções. Os demais candidatos não pontuaram.*