TERÇA-FEIRA, 26 DE AGOSTO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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A HORA DO ‘VAMOS VER’…

A hora do tiro ao alvo 

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As pesquisas que mostram o crescimento de Marina Silva liquidaram de vez a gentileza dos adversários. Agora, para Dilma e Aécio, é hora do jogo bruto. No segundo turno há duas vagas, disputadas por três candidatos. E dois deles acham que Marina é que deve sobrar.

Aécio até prefere livrar-se de Dilma, mas sabe que esta missão é quase impossível. Dilma acha que, se Marina for ao segundo turno contra ela, terá o apoio de Aécio; e acha também que, se Aécio for ao segundo turno, não terá certeza do apoio de Marina. Em 2010, Marina, com quase 20 milhões de votos, preferiu a neutralidade e foi para casa, largando Serra sozinho. Por que não repetir a dose?

Só resta saber quem será o primeiro a atirar em Marina. Dilma a detesta, mas pode esperar que ela e Aécio se desgastem. Aécio é mais conciliador e gostaria de aproveitar a briga sem entrar nela. Mas, de qualquer modo, o marido de Dilma, até agora um discreto militante muito próximo do PT, será chamado ao ringue. A discussão em torno do dono do jatinho que caiu, dos recursos usados para comprá-lo, da maneira como foi cedido ao candidato, já é o início da campanha para desconstruir também Eduardo Campos. Serão acusações verdadeiras?

Não importa: como dizia o estadista alemão Otto von Bismarck, nunca se mente tanto como depois da pescaria, durante a guerra e antes da eleição. Se a verdade estiver por perto, que venha armada. E se proteja, porque ninguém gosta dela.

O profeta

Marina cresce nas pesquisas, e hoje será entrevistada no Jornal Nacional; o Governo Dilma ganha pontos na avaliação do eleitorado; Aécio, embora herdando boa parte da estrutura política de Campos, que não aceita Marina, corre o risco de ficar fora do segundo turno. Mesmo assim, o senador Romero Jucá, que integrou todos os Governos anteriores, declara voto em Aécio, embora desobedecendo à orientação de seu partido, o PMDB.

Um leitor assíduo desta coluna, que acompanha com sagacidade a política brasileira, chama Jucá de “nosso Frank Underwood” (de House of Cards) e acredita que ele “deve saber algo de que nós ainda não sabemos”. É uma boa observação – se bem que, se seu candidato perder, Jucá terá aderido ao vencedor antes que tenhamos tempo de dizer “É Tóis”. *

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

VELHA PRÁTICA ELEITOREIRA

Recepcione Dilma e Lula. E ganhe uma dentadura.

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Sou tentado a acreditar, aos 65 anos de idade e 48 de jornalismo, que já vi tudo. Mas que nada! A vida é surpreendente. Os políticos são surpreendentes. Os governantes então… Nem se fala.

Na semana passada, a prefeitura de Paulo Afonso, no norte da Bahia, recebeu um telefonema do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza.

Um funcionário do ministério pediu que se providenciasse uma prótese dentária para a agricultora Marinalva Gomes Filha, dona Nalvina, 43 anos de idade e pessoa muito conhecida no lugar.

Dona Nalvina estava escalada para recepcionar, dali a dois dias, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Os três gravariam cenas para o programa de propaganda eleitoral de Dilma na TV.

Pegaria mal a anfitriã de Dilma e de Lula aparecer com alguns dentes a menos.

Uma vez que a Folha de S. Paulo contou a história, a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, foi acionada para sair em socorro de Dilma e de Lula.

A ministra explicou que a encomenda de uma dentadura para dona Nalvina não passou de “uma ação de rotina” do seu ministério. Foi além:

- É uma prática nossa. Qualquer situação que a gente identifique, a gente encaminha para o órgão competente – disse.

Quer dizer: dona Nalvina ganhou uma dentadura porque precisava – não porque fosse virar personagem do programa eleitoral de Dilma. Sempre que o ministério sabe de alguém com poucos dentes, aciona as prefeituras.

Você acredita nisso?

Eu também não.*

(*) Blog do Ricardo Noblat.

MUDANÇAS, É?

FHC diz querer Marina Silva

no governo de Aécio

Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) afirmou nesta segunda (25) que “gostaria de ter uma aliança” com Marina Silva (PSB-AC) caso Aécio Neves (PSDB-MG) se eleja presidente.

O ex-presidente deu a declaração ao comentar a afirmação do economista Eduardo Giannetti, conselheiro da candidata, que disse à Folha que um eventual governo Marina buscaria apoio de FHC e de Lula.

“No mandato do Aécio eu gostaria muito de ter a aliança da Marina”, afirmou o tucano, ao deixar evento da Comissão Global de Políticas sobre Drogas, da qual é membro, no Jardim Paulista. “A recíproca é verdadeira.”

Mais cedo, Aécio havia ironizado a intenção do auxiliar de Marina de governar com a colaboração dos ex-presidentes e de membros do PT e do PSDB.

O senador disse que “vai prevalecer o software original” e que “quem vai governar é o PSDB e com figuras qualificadas”.*

(*) Mônica Bergamo – Folha de São Paulo

SEGUNDA-FEIRA, 25 DE AGOSTO DE 2014

SOM NAS CAIXAS

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ENTÃO PRA QUE MUDAR?

Aécio ironiza intenção do PSB de governar com apoio de Lula e FHC

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O senador Aécio Neves (PSDB), candidato à Presidência, ironizou nesta segunda-feira (25) a intenção de auxiliares de Marina Silva (PSB) degovernar com o apoio dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Ele disse que “vai prevalecer o software original”.

O tucano respondeu à afirmação do economista Eduardo Giannetti, que disse à Folha que um eventual governo Marina buscaria apoio dos líderes petista e tucano.

“Não sei se é bom começo para quem tem que apresentar propostas e mostrar com quem vai viabilizar. [...] Fico muito honrado ver sempre referências positivas aos nossos quadros. Mas o que vai prevalecer é o software original. Quem vai governar é o PSDB e com figuras qualificadas”, disse Aécio, em visita ao mercado popular do Saara, no Rio.

Em entrevista à Folha, Giannetti afirmou que, se for eleita, Marina procurará pessoas do PT e do PSDB para formar sua equipe de governo e garantir apoio a seus projetos no Congresso.

Para o economista, até os ex-presidentes Lula e FHC poderiam colaborar. “Se [José] Sarney, Renan [Calheiros] e [Fernando] Collor [de Mello] vão para a oposição, com que se governa e com quem se negocia? É com Lula e FHC.”

“O PSDB é um partido de muitos técnicos e pouca liderança”, afirmou Eduardo Giannetti da Fonseca. “O PT também tem técnicos de excelente qualidade, que trabalharam no primeiro mandato de Lula, e a gente adoraria trazê-los. Nossa ideia é governar com os melhores na política e na gestão de políticas públicas”, concluiu.

Aécio usou as declarações do economista para afirmar que o PSDB é o partido com os melhores quadros e mais capaz de concretizar suas propostas. “Ninguém tem melhores condições de transformar as propostas em realidade. Até a própria declaração do meu amigo Giannetti é uma demonstração de que ele encontra no PSDB os quadros mais qualificados”, afirmou o tucano, após entrevista na rádio local.

O tucano disse que o empate técnico com Marina nas pesquisas de intenção de votos é consequência do que considera baixo conhecimento sobre sua candidatura. Ele afirmou que na segunda semana de setembro o quadro eleitoral estará mais próximo do que considera “real”.

“Estamos tranquilos e serenos porque temos os melhores quadros para o Brasil. Tenho um conhecimento baixo. Quem já fez tem melhores condições de dizer que vai fazer”, disse ele. O tucano fez campanha acompanhado de candidatos do PMDB, entre eles o presidente regional da sigla, Jorge Picciani. *

(*) ITALO NOGUEIRA  – DO RIO – FOLHA DE SÃO PAULO

FALA, FALA, LOURO!!!

COSTA TEM MUITO A DIZER NA DELAÇÃO PREMIADA, POIS SUBSTITUIU GABRIELLI NO COMANDO DA PETROBRAS 24 VEZES

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Preso desde junho e réu em dois processos, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa foi presidente interino da estatal em 24 ocasiões de 2005 a 2012, período em que a empresa comprou a refinaria de Pasadena, nos EUA, numa operação que causou prejuízo milionário. Ele também é acusado de agir em benefício do esquema do doleiro Alberto Youssef nesse mesmo período.

Ao todo, foram 95 dias no cargo. O regimento da Petrobrás dá ao presidente – à época José Sergio Gabrielli – o direito de escolher o substituto. Costa só não ficou mais no cargo máximo da Petrobrás do que o ex-diretor de Exploração e Produção Guilherme Estrella, que assumiu a cadeira de Gabrielli 36 vezes e 116 dias. A frequência com que Costa era chamado a comandar a estatal contrasta com o depoimento de Gabrielli dado em junho à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobrás. O ex-presidente da estatal negou que Costa fosse seu “homem de confiança”.

O ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró, protagonista na compra da refinaria de Pasadena, ficou seis vezes no cargo. Jorge Zelada, também ex-diretor de Internacional, três. Ao lado de Costa, os dois são apontados como responsáveis pelos prejuízos causados à estatal em razão da compra da refinaria.

CRONOLOGIA

As negociações para aquisição da refinaria começaram em fevereiro de 2005. Um mês antes, a companhia belga registrara a compra da unidade por US$ 42 milhões. Em agosto, a primeira proposta aprovada pela Petrobrás era de US$ 365 milhões por 70% de participação. No mês seguinte, a Astra exigiu US$ 425 milhões pela mesma cota.

Até novembro de 2005, foram nove ausências de Gabrielli por viagens ao exterior. Costa e o diretor financeiro, Almir Barbassa, assumiram a presidência uma vez cada. Estrella ocupou o cargo sete vezes, inclusive no dia da assinatura do memorando de entendimentos com a Astra Oil (empresa da Bélgica), em 16 de novembro de 2005, para a compra de 50% da refinaria americana.

Estrella, que ao lado de Cerveró e Costa teve os bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União sob suspeita de ter causado prejuízo à Petrobrás em razão de Pasadena, jamais se pronunciou sobre a compra.

O acordo previa a aquisição de 50% da refinaria por US$ 365 milhões e indicava a necessidade de reforma para adequá-la ao óleo produzido pela Petrobrás. O negócio foi apresentado à Diretoria Executiva em 2 de fevereiro de 2006. No dia seguinte foi aprovada pelo Conselho de Administração, à época presidido pela hoje presidente da República, Dilma Rousseff.

A presidente afirma que só aprovou a compra porque recebeu um resumo “falho” e “incompleto” sobre o negócio. O autor do resumo executivo entregue ao conselho foi Cerveró.*

(*) Antonio Pita - O Estado de S.Paulo

### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG  DA TRIBUNA – A cúpula do PT e o Planalto passaram um fim de semana de cão, preocupados com o fato de o ex-diretor Paulo Roberto Costa ter aceitado a delação premiada para reduzir sua pena. Se Costa realmente contar o que sabe, a terra vai tremer sem precisar do uso de escavadeiras e perfuratrizes. (C.N.)

O PETRÓLEO É DELES

NA PETROBRAS É ASSIM: DIRETORES PODEM ROUBAR À VONTADE, POIS QUEM PAGA AS MULTAS DELES É O SEGURO DA EMPRESA

A Petrobrás vai livrar 11 atuais e ex-dirigentes de terem de ressarcir o Tesouro pelo prejuízo com a compra da refinaria de Pasadena (EUA), além de multas e custos com as defesas. A empresa comunicou aos executivos que vai acionar um seguro para pagar o valor cobrado pelo Tribunal de Contas da União individualmente dos funcionários.

Com isso, o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli e os ex-diretores Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, por exemplo, não terão de desembolsar recursos próprios para devolver o dinheiro. Mesmo efeito terá para a presidente da Petrobrás, Graça Foster, que deve ser incluída hoje entre os possíveis responsáveis por Pasadena em decisão a ser tomada pelo TCU. Graça, que era diretora de gás e energia quando se desenvolviam as negociações de Pasadena, deve ter seus bens declarados indisponíveis, a exemplo dos demais.

SEGURO-CORRUPÇÃO

O TCU estimou perda de US$ 792 milhões com a compra da refinaria. O processo está em andamento, o que pode alterar o valor a ser ressarcido. A empresa justifica o seguro como forma de “resguardar” os executivos.

O Estado ouviu três ex-diretores que disseram estar se movimentando para garantir o uso do seguro caso o TCU confirme a punição. Segundo os ex-executivos, trata-se de um direito.

“A companhia assegurará a defesa em processos judiciais e administrativos aos seus administradores, presentes e passados, além de manter contrato de seguro permanente em favor desses administradores, para resguardá-los das responsabilidades por atos decorrentes do exercício do cargo ou função, cobrindo todo o prazo de exercício dos respectivos mandatos”, diz o estatuto da empresa.

TETO DE 250 MILHÕES

O seguro é um tipo de apólice comum em grandes companhias, principalmente as com capital aberto fora do País, como a Petrobrás. O seguro é de cerca de US$ 250 milhões. Caso o TCU mantenha a decisão de cobrar os US$ 792 milhões calculados na peça inicial, o valor acima da apólice seria pago pela petroleira e cobrado dos 11 envolvidos posteriormente.

Mas a expectativa na área jurídica da empresa e de técnicos do TCU é de que o valor será reduzido durante o processo, a ponto de ser todo coberto pelo seguro.

A apólice só não pode ser acionada se for configurado dolo do dirigente, isto é, se for provada a intenção de provocar o prejuízo.

Para “acalmar” os ex-dirigentes responsabilizados pelo TCU e que tiveram bens declarados indisponíveis, a estatal os convocou para uma reunião em sua sede no Rio, na última semana. Cinco ex-diretores participaram do encontro com o departamento jurídico, no qual foram informados de que terão assistência financeira e de advogados. Gabrielli não compareceu porque estava em viagem fora do País, mas mandou representante.*

(*) Andreza Matais, André BorgesO Estado de S.Paulo

### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG DA TRIBUNA – O PT já havia criado a “multa-vaquinha”, para beneficiar os mensaleiros, e agora a Petrobras inventa a “multa-seguro”, para evitar que os dirigentes que se corromperam possam ser chamados a ressarcir os cofres da estatal. O mais impressionante é que alardeiam essa possibilidade com orgulho, como se fosse um direito adquirido pelos corruptos. Na verdade, não existe isso. O seguro foi criado para ressarcir a empresa de prejuízos por má-gestão, é para isso que serve, mas dona Maria das Graças Foster quer transformá-lo em seguro-corrupção, em benefício dela própria e desse bando de vagabundos de colarinho branco que circulam à sua volta. Se tentarem criar esse seguro-corrupção, eu mesmo entrarei na Justiça com ação popular contra a Petrobras, com base na Lei da Improbidade e na nova Lei Anticorrupção. (C.N.)

O ÚLTIMO DOS MOICANOS

Simon decide disputar

reeleição para o Senado

Em reunião encerrada perto das 23h deste domingo (24), o senador Pedro Simon cedeu à pressão do PMDB gaúcho e disputará a reeleição para o Senado. Ele substituirá Beto Albuquerque (PSB), que abdicou da candidatura de senador na semana passada, para compor a chapa presidencial de Marina Silva, na posição de vice.

Com 85 anos, Simon havia anunciado a aposentoria para 31 de janeiro, quando termina seu atual mandato. Nos últimos dias, invocava a idade para se esquivar das pressões. Dizia que seu médico, Fernando Lucchese, desaconselhara sua participação em mais uma campanha eleitoral. Súbito, aposentou a ideia de se aposentar.

Coube ao candidato do PMDB ao governo do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, anunciar a meia-volta: “Houve uma convergência de todos os oito partidos da coligação para o nome do senador Pedro Simon”, disse ele, ao final da reunião realizada na noite passada na sede do diretório gaúcho do PMDB.

O retorno de Simon ao jogo será formalmente anunciado em entrevista programada para esta segunda-feira (25), em Porto Alegre. O movimento deve embaralhar a corrida para o Senado no Estado, hoje polarizada entre os candidatos Lasier Martins, do PDT, e Olívio Dutra, do PT.

Além de pedir votos para si, Simon reforçará o palanque de Marina Silva. Coligado com o PSB, o PMDB gaúcho apoiava a candidatura presidencial de Eduardo Campos. Com a morte dele, transferiu o apoio para Marina. Mas a transferência foi apenas formal.

Na prática, um pedaço da legenda decidiu trabalhar em favor do presidenciável tucano Aécio Neves. Outro naco do PMDB gaúcho, minoritário, prefere a reeleição de Dilma Rousseff. Não porque morre de amores por ela, mas para prestigiar o vice-presidente Michel Temer.*

(*) Blog do Josias de Souza

SE GRITAR, PEGA, LADRÃO…

Dilma muda o tom e reconhece que a Petrobras não está imune à corrupção

Em entrevista no Palácio da Alvorada convocada por sua campanha, presidente afirmou que a empresa é maior do que funcionários que cometeram crimes

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A presidente Dilma Rousseff mudou o tom diante das irregularidades na gestão da Petrobras no governo do PT. Neste domingo, em entrevista coletiva convocada por sua campanha à reeleição, a presidente-candidata foi questionada sobre as consequências da delação premiada aceita por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal preso na operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Dilma não comentou diretamente a delação, mas adotou um discurso diferente do que vinha repetindo nas últimas semanas: “Se pessoas cometeram erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção, isso não significa que as instituições tenham feito isso. Não se pode confundir as pessoas com as instituições”, disse ela, que até agora costumava apenas criticar o “uso eleitoral” das denúncias envolvendo a Petrobras.

Dilma também afirmou que não há instituição imune a irregularidades. “Nas empresas, inclusive nas que vocês trabalham, pode ocorrer isso. Não existe nenhuma instituição acima de qualquer suspeita quando se trata de seus integrantes”, afirmou.

A presidente comentou ainda uma afirmação dada por Marina Silva, candidata do PSB. Em um comício no Recife neste sábado, a sucessora de Eduardo Campos afirmou que o presidente da República não precisa ser um gerente. Dilma respondeu: “Essa história de que o governo não precisa de ter cuidado com a execução de suas obras ou obrigação de entregá-las é uma temeridade”. A presidente disse que isso é algo de quem “nunca teve experiência administrativa” e fez uma ironia: “Acho que o pessoal está confundindo o presidente da República com algum rei ou rainha de algum país constitucional”.

As declarações de Dilma foram dadas em uma rápida entrevista coletiva convocada por sua equipe da campanha e realizada no Palácio da Alvorada, a residência oficial da presidente. Os pronunciamentos diários da petista se tornaram rotina nessa época de eleição, mesmo quando não há anúncios a fazer. Neste domingo, por exemplo, Dilma abriu a coletiva anunciando que almoçaria em seguida com Lira Neto, autor da biografia do ex-presidente Getúlio Vargas.

A presidente afirmou que “algumas medidas” de Vargas foram importantes, como a criação da Petrobras e da Vale. Ela também disse que o líder gaúcho terminou a vida como “um grande democrata”.*

(*) Gabriel Castro, de Brasília – VEJA