QUINTA-FEIRA, 17 DE ABRIL DE 2014

O peso de Pasadena

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O PT recebeu pesquisa nacional mostrando que o Brasil rachou ao meio no caso da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Cerca de 51% dos ouvidos tomou conhecimento dos fatos e, destes, 56% avaliam que houve “negligência do governo”. Os estrategistas do Planalto aguardam a decisão da ministra Rosa Weber (STF) para preparar a reação. Até lá, segue a linha de acusar os críticos de inimigos da Petrobras.*

(*) Blog do Ilimar Franco.

QUARTA-FEIRA, 16 DE ABRIL DE 2014

As curtas pernas da mentira

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A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que a empresa perdeu US$ 530 milhões com a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, EUA. “Definitivamente não foi um bom negócio”. O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, acha que foi um bom negócio e que a refinaria de Pasadena dá lucro.

São duas opiniões, de duas pessoas que têm experiência no negócio. São opiniões divergentes; mas numa democracia é normal a divergência de opiniões.

Só que números são números. Segundo Gabrielli, a Petrobras pagou US$ 486 milhões pela Refinaria de Pasadena. Segundo Graça Foster, a Petrobras pagou US$ 1, 25 bilhão.

Há uma diferença de valores, entre o ex-presidente e a presidente atual, de US$ 764 milhões. Número não é opinião, não admite divergências. No caso de Pasadena, um dos dois está errado – muito, muito errado.

Diz a regra do jogo político que, antes de mentir, é preciso combinar direitinho com os demais participantes, para que todos mintam a mesma mentira. Essa precaução elementar foi esquecida: a diferença de um número para outro é escandalosa, tão escandalosa que não pode ser explicada como um simples engano. Alguém está querendo enganar a opinião pública. Sem entrar no mérito da questão, já que não entende nada de petróleo, este colunista lembra que Sérgio Gabrielli é político, hoje secretário de Estado na Bahia, e foi um dos aspirantes petistas ao Governo baiano (o escolhido acabou sendo outro secretário, Rui Costa). Graça Foster não é política, mas funcionária de carreira da Petrobras.

Relembrando

A Refinaria de Pasadena foi comprada pela Astra Oil, belga, em 2005, por US$ 42,5 milhões. Em 2006, a Petrobras comprou metade da refinaria, pagando à Astra US$ 326 milhões (segundo Gabrielli, presidente da empresa na época) ou US$ 360 milhões, “pelo menos” (segundo Graça Foster, presidente da empresa, hoje). O valor inclui metade do estoque de petróleo de Pasadena. Em 2012, a Petrobras comprou a outra metade da refinaria, por US$ 820,5 milhões.

Bom negócio, segundo Gabrielli; definitivamente, não foi bom negócio, segundo Graça.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

VALHA-NOS DEUS!

Jornalista dinamarquês desiste de cobrir

a Copa depois do que viu em Fortaleza

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Quase dois anos e meio atrás eu estava sonhando em cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O melhor esporte do mundo em um país maravilhoso. Eu fiz um plano e vim estudar no Brasil. Aprendi português e estava preparado para voltar.

Voltei em setembro de 2013. O sonho seria cumprido. Mas hoje, dois meses antes da festa da Copa, decidi que não vou continuar aqui. O sonho se transformou em pesadelo.

Durante cinco meses fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, Forças Armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Descobri que todos os projetos e mudanças têm como objetivo pessoas como eu – um gringo e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar.

Em março, estive em Fortaleza para conhecer a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje. Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo à noite em áreas com muitos turistas. Por quê? Para deixar a cidade limpa para os gringos e a imprensa internacional? Por causa de mim?

Em Fortaleza eu encontrei Allison, 13 anos, que vive nas ruas. Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada – só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10.000 e tinha um MasterCard no bolso. Inacreditável.

Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da limpeza que acontece em Fortaleza.

Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da história em reais e centavos – também é um preço que, estou convencido disso, inclui vidas de crianças.

Hoje, vou para a Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show. Um show de que eu, dois anos e meio atrás, sonhava participar. Mas hoje eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil.

Alguém quer dois ingressos para o jogo entre França e Equador no dia 25 de Junho?*

(*) O dinamarquês Mikkel Jensen é jornalista independente,

no blog do Augusto Nunes.

MAQUIAGEM GOVERNAMENTAL

DILMA BATE RECORDE DE LULA E

TORRA R$ 2,3 BI COM PROPAGANDA

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GASTOS COLOCAM O GOVERNO FEDERAL COMO O QUARTO MAIOR ANUNCIANTE DO BRASIL

O governo da presidenta Dilma Rousseff bateu o recorde em gastos com publicidade e chegou ao total de R$ 2,3 bilhões em 2013. Os dados são divulgados desde 2000, o recorde anterior pertencia ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em 2009, torrou R$ 2,2 bilhões. De acordo com a Secom, “em 2013 o governo federal apresentou novas campanhas de utilidade pública voltadas à prevenção de acidentes de trânsito, de combate ao uso do crack e de lançamento do programa Mais Médicos”. A justificativa para a gastança também entrou para a conta dos Correios. “Um terço do crescimento do volume publicitário de 2013 foi puxado pelas ações dos Correios, que completou 350 anos em 2013”. Os R$ 2,3 bilhões torrados pela administração de Dilma colocam o governo federal como o quarto maior anunciante do Brasil, superando alguns gigantes como, por exemplo, a Ambev (R$ 1,8 bilhão). O primeiro lugar ficou com a Unilever (R$ 4,6 bilhões), seguida por Casas Bahia (R$ 3,4 bilhões) e o laboratório Genomma (R$ 2,5 bilhões).*

(*) Folha-UOL

A CASA DA MÃE JOANA

Petrobras: banda muda cala sobre a politicagem

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Nenhum congressista ignora: o dinheiro continua saindo pelo ladrão no orçamento da Petrobras porque os apaniguados dos políticos continuam entrando no orçamento. Diante disso soou espantoso o silêncio da banda muda do Senado durante a inquirição da presidente da Petrobras, Graça Foster, nesta terça-feira. Uma única e solitária voz tratou do tema a sério.

Na sua vez de formular perguntas, Pedro Simon (PMDB-RS) deu nome aos bípedes que frequentam o primeiro escalão da Petrobras por indicação política. Noves fora os já demitidos, citou três diretores apadrinhados por Fernando Collor (PTB-AL) e um diretor patrocinado pela bancada do PT na Câmara.

Mencionou também o ex-parlamentar Sérgio Machado, que preside a subsidiária Transpetro desde 2003 por indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros. “Está quase ganhando estabilidade no emprego”, ironizou Simon, antes de descer ao ponto: “É isso o que está atrapalhando a Petrobras.”

Em timbre de decepção, Simon disse que esperava que, ao assumir a presidência da estatal, em 2012, Graça Foster imprimisse “outra linha” à gestão da empresa. Em privado, a presidente da Petrobras é uma crítica mordaz do aparelhamento da estatal. Sob holofotes, porém, respondeu a Simon com desconversa.

“Nós temos técnicos e engenheiros da Casa, tanto atualmente quanto na diretoria anterior. E sempre tivemos um número bastante grande, em outras diretorias no passado, de bons técnicos da companhia. Os nomes que o senhor citou em geral são bons técnicos da nossa Casa.” Simon interveio: “Alguns não são, não.”

Graça não se deu por achada: “Falo da diretoria atual, a diretoria indicada e levada ao Conselho de Administração por mim e, por isso, de minha total responsabilidade.” Ora, qualquer técnico que chega a um posto de mando da estatal carregado nos ombros de um político prestará contas ao padrinho antes de se reportar aos superiores hierárquicos.

Paulo Roberto Costa, o ex-direitor preso da Petrobras, é um exemplo típico dessa tribo. Servidor de carreira da Petrobras, foi alçado à diretoria de Abastecimento graças ao deputado mensaleiro José Janene (PR), ex-líder do PP na Câmara. Lula o chamava de , Paulo Roberto de “Paulinho”. Com a morte de Janene, Paulo Roberto foi assumido por PT e PMDB. A coisa terminou na cadeia.

Líder do PSDB, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) comentou os casos de Paulo Roberto e de Nestor Cerveró, o ex-diretor que Dilma Rousseff acusa de ter elaborado o relatório “falho” que a levou a avalizar a compra da refinaria de Pasadena. Por que não foram demitidos logo que vieram à tona as primeiras irregularidades? Graça não respondeu. “Tinham costas quentes”, disse Aloysio.

O senador tucano referiu-se a um diálogo mantido por Dilma com o vice-presidente Michel Temer. Deu-se na época em que se discutia a reforma ministerial. Na versão vazada para o repórter Lauro Jardim, a presidente negou um ministério extra ao PMDB sob o argumento de que a Transpetro vale mais do que muitos ministérios.

Sem citar Sérgio Machado, o mandachuva da Braspetro, e Renan Calheiros, o padrinho dele, Aloysio Nunes lançou no ar uma incômoda indagação: “Quantos votos rende a Transpetro?” Votos, não rende nenhum. Poder-se-ia dizer que os padrinhos indicam os afilhados por patriotismo. Mas a insistência com que a Petrobras frequenta o noticiário policial indica que a motivação é de outro tipo. Vem daí o fato de o Congresso ter no momento quatro CPIs da Petrobras e nenhuma investigação.*

(*) Blog do Josias de Souza

POBRE BRASIL…

O PT paga pela sua ‘compreensão’

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André Vargas deveria ter sido isolado pelo PT no ano passado, quando atacou o ex-governador gaúcho Olívio Dutra, que defendera a renúncia do deputado José Genoino depois de sua condenação no processo do mensalão. Na ocasião, disse o seguinte:

“Quando ele passou pelos problemas da CPI do Jogo do Bicho, teve a compreensão de todo mundo. Para quem teve a compreensão do conjunto do partido em um momento difícil, ele está sendo pouco compreensivo. Ele já passou por muitos problemas, né?”

Olívio Dutra nunca fora condenado em qualquer instância judicial. Genoino acabava de receber do Supremo Tribunal Federal uma sentença de seis anos e onze meses de prisão. Olívio passou pelo governo e continuou morando no pequeno apartamento que comprou como funcionário do Banrisul.

Em apenas dez anos, entre sua eleição para vereador em Londrina e sua última eleição para a Câmara, André Vargas decuplicou seu patrimônio. Teve um doleiro amigo, redirecionou R$ 836 mil de doações legais para companheiros e chegou à primeira vice-presidência da Câmara dos Deputados. Certamente foi um militante compreensivo. Felizmente, faltou-lhe a compreensão do comissariado.

A reeleição da doutora Dilma, bem como a sua possível substituição por Lula, está ameaçada pelo exercício do que André Vargas chamou de “compreensão”. Esse sentimento, amplo, geral e irrestrito, prevaleceu no PT em 2005 quando ele optou pela blindagem dos mensaleiros.

Os partidos têm horror a cortar a própria carne. O PSDB manteve Eduardo Azeredo na sua presidência depois da exposição do mensalão mineiro. Fingiu-se de surdo por quase dez anos diante das sucessivas provas de que funcionara em São Paulo um cartel de fornecedores de equipamentos pesados, liderado pela Alstom.

O comissariado marcha para uma campanha eleitoral onde enfrentará um desejo de mudança. Sua dificuldade estará em mostrar que se pode mudar com mais do mesmo. Se algo mudará com outros candidatos é um problema que caberá a cada eleitor julgar, mas, pela lógica, do mesmo, mudança não sai. Isso fica claro quando a doutora Dilma diz que há uma “campanha negativa” contra a Petrobras.

Falso, o que há, desde 2003, é um aparelhamento partidário, com bonificações pessoais, dentro da empresa. Aqui e ali foram tomadas medidas moralizadoras, sempre em silêncio, até que o doutor Paulo Roberto Costa, tentando esconder sua contabilidade, foi parar na cadeia.

Todos os governantes que fizeram campanhas políticas com a bandeira da moralidade, inclusive Lula, enganaram seus eleitores. A ferocidade com que o tucanato se opõe à manobra diversionista do PT para expandir o foco da CPI das petrorroubalheiras, é um indicador dessa “compreensão” generalizada.

Os tucanos de boa memória haverão de se lembrar do que foi a administração do doutor Joel Rennó na Petrobras (1992-1999). Em benefício de Fernando Henrique Cardoso, registre-se que ele herdou-o de Itamar Franco e manteve-o no cargo atendendo ao falecido PFL.

O rápido isolamento de André Vargas é boa notícia. Ainda assim, é pouco detergente para muito pano. O que a campanha precisa é da luz do sol, inclusive em cima das propostas dos candidatos.*

(*) Elio Gaspari, O Globo

DOMINGO, 13 DE ABRIL DE 2014

Em torno do sol

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Ainda contabilizando os prejuízos da espetacular derrocada, Eike Batista continua pensando grande.

Aos mais próximos anunciou, com seu peculiar entusiasmo, planos de criar uma empresa para abastecer todo o Brasil com energia solar.

(*) Blog do  Lauro Jardim

SE GRITAR, PEGA, LADRÃO…

Vargas e Youssef foram criados no interior do Paraná e se conhecem desde os anos 90

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Em Londrina, dono de jatinho é conhecido como o maior contrabandista de produtos do Paraguai

LONDRINA (PR) — Amigos de longa data e criados no interior do Paraná, o doleiro Alberto Youssef e o deputado petista André Vargas (PT-PR) cruzam o caminho um do outro muito antes de o parlamentar usar o jatinho particular do doleiro ou, com ele, trocar mensagens comprometedoras. O próprio deputado diz que é amigo de Youssef há 20 anos, mas que desconhecia suas atividades ilegais. Mais do que doleiro, Youssef é conhecido em Londrina como o maior contrabandista de produtos do Paraguai, sobretudo eletroeletrônicos, para abastecer os mercados do Paraná e de São Paulo. Antes de ir para a cadeia por suas ações como doleiro, Youssef já havia sido preso cinco vezes pela Polícia Federal por contrabando nas décadas de 1980 e 1990. Apesar de indiciado e processado em todas estas vezes, pagava as multas pelos produtos apreendidos e se livrava de períodos mais longos de prisão. Ganhou tanto dinheiro com a contravenção, que, na década de 90, virou doleiro, tornando-se conhecido nacionalmente pela remessa ilegal de US$ 30 bilhões para o exterior, no escândalo das contas CC-5, do Banestado. Ficou preso preventivamente duas vezes nesse processo, no início dos anos 2000, mas fez acordo de delação premiada com a Justiça e se livrou da prisão. — Todos os moradores de Londrina conhecem Youssef como o maior contrabandista da história da cidade. É impossível que o deputado desconhecesse a vida criminosa do amigo — disse ao GLOBO um policial que participou da maioria das prisões de Youssef.

Negócio de família

Youssef, hoje com 47 anos, começou cedo no contrabando, aos 17. Sua irmã Maria Youssef Parisoto trazia produtos eletrônicos e bebidas do Paraguai em ônibus e ele os revendia em Londrina. Aos poucos, Youssef foi assumindo os negócios da família; ele mesmo buscava os produtos no Paraguai, levando-os para a região de Londrina em aviões, que desciam em pequenas pistas de pouso em fazendas do interior do estado. A PF rastreou 150 pequenas pistas de pouso usadas por Youssef ou “Beto”, como é chamado pelos policiais. Maria morreu num acidente de ônibus em 2000 a caminho de Foz do Iguaçu, na divisa com o Paraguai. Mas foi a outra irmã de Youssef, Olga Youssef Soloviov, que o introduziu no ramo de casas de câmbio. Doleira no Paraguai, em São Paulo e em Ribeirão Preto, ela abriu uma casa de câmbio em Londrina em 1993 e deixou o irmão administrando o negócio. Após as prisões no caso da CC-5 do Banestado, Youssef fechou a casa de câmbio em Londrina, mas continuou a operar o mercado do majestoso escritório de um andar que possui no Twin Towers, um prédio luxuoso na Avenida Tiradentes, em Londrina. O GLOBO foi ao local, mas o escritório está fechado. A Polícia Federal sabe que neste escritório ele montou um esquema de transmissão de voz pela internet conhecido por Voip, que não era rastreado pelos policiais, através dos quais operava seus negócios nebulosos. Este sistema era muito parecido com aquele em que Youssef foi flagrado conversando com André Vargas e cujas mensagens foram interceptadas pela PF na Operação Lava-Jato. As ligações com Vargas vêm do tempo em que Youssef já era doleiro. Vargas entrou para o PT em 1990 e ajudou a coordenar campanhas eleitorais do partido até 2000, quando já era o presidente do partido em Londrina. Em 1998, foi coordenador da campanha de Paulo Bernardo para deputado federal, em dobradinha com Antonio Carlos Belinati, candidato a deputado estadual. O atual ministro das Comunicações não se elegeu, mas Vargas foi acusado pelo Ministério Publico do Paraná como responsável pelo desvio de R$ 10 mil dos cofres da Prefeitura de Londrina, então administrada por Belinati, cassado por corrupção. Vargas recebeu os R$ 10 mil de um assessor de Belinati, dinheiro usado para pagar cabos eleitorais. O petista foi absolvido da acusação de improbidade, mas condenado a devolver o dinheiro à prefeitura. Ele recorreu e o caso corre no Tribunal do Paraná. O dinheiro era da Comurb, autarquia da prefeitura de Londrina, da qual foram desviados mais de R$ 14 milhões em 1998.

Caso está na justiça desde 2000

Neste mesmo esquema de desvios de dinheiro da Comurb, Youssef foi denunciado por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, falsificação de documentos e falsidade ideológica. Ele desviou R$ 120 mil. O caso, denunciado à Justiça em 2000, ainda está tramitando em primeira instância em Londrina. O promotor Claudio Esteves, do MP do Paraná, autor das denúncias, critica a Justiça pela lentidão: — Youssef pode ser beneficiado com a prescrição dos crimes porque a ação já tem mais de 13 anos e até hoje a Justiça não deu sentença. Esteves diz que a conexão entre eles viria do fato de os dois terem recebido cheques relacionados ao esquema no mesmo dia, 1º de outubro de 1998, e da mesma pessoa. Paralelamente à trajetória política, Vargas melhorou de vida. Até 1990, quando entrou no PT, morava no proletário bairro dos Cinco Conjuntos. Hoje, mora numa mansão no condomínio Alphaville Jacarandá, com casas de R$ 1 milhão. Tem um sítio e circula na cidade com carro importado. Até a Operação Lava-Jato estourar, era visto com frequência no Hotel Blue Tree, o mais luxuoso de Londrina, e que pertence a Youssef. Com a Lava-Jato, o hotel foi bloqueado pela Justiça Federal e nada pode ser feito no local sem ordem judicial. A assessoria de Vargas informou que o deputado “nem sonhava” com as atividades ilegais de Youssef.

(*) GERMANO OLIVEIRA, ENVIADO ESPECIAL (O GLOBO)

O GRANDE RESPONSÁVEL…

Quem paga o pato é você

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Lula fala como se não fosse em nada responsável

por tudo o que está aí. E a maioria ainda acredita nele

O maior líder da oposição atualmente, que cobra mais medidas concretas da presidente Dilma Rousseff, que mais reclama do estado preocupante da economia brasileira, que ganha mais manchetes, que mais mexe com o mercado quando abre o verbo, e que mais tem condições de ganhar a eleição, todo mundo sabe, é Lula, o criador da criatura.

Lula sempre soube que não entende nada de economia. Mas entende de povo. Sabe que os brasileiros estão pessimistas e irritados com a inflação sentida no mercado e na feira. O tal “teto da meta” já foi estourado há muito tempo no dia a dia, e isso é fatal para uma líder sem carisma. As greves começarão a pipocar, para o povo recuperar o poder aquisitivo. Lula não gosta nadinha do que vê. Você pode chamá-lo do que quiser, menos de bobo.

Em sua entrevista a blogueiros, com repercussão na imprensa que ele ataca, Lula foi direto na jugular da companheira. “Poderíamos estar melhor, e a Dilma terá de dizer isso na campanha claramente: como a gente vai melhorar a economia brasileira.” Lula fala como se não fosse em nada responsável por tudo o que está aí. E a grande maioria dos eleitores acredita nele.

Se será ou não candidato, é outro papo. Lula interveio agora na Presidência de maneira mais bruta que o Comitê Olímpico Internacional interveio na Olimpíada do Rio. É o mesmo raciocínio. Quando um projeto corre o risco de desandar, entra no ringue o mais forte para evitar danos futuros. O projeto Dilma soçobra como os Jogos no Rio. Falta credibilidade a ambos.

Lula não quer ninguém atrapalhando o PT. Nem a pupila Dilma, nem o ex-vice-presidente da Câmara, André Vargas, hoje um náufrago abandonado à própria sorte. “No final”, disse Lula, “quem paga o pato (da amizade de Vargas com o doleiro preso Alberto Youssef) é o PT.”

Quem paga hoje o pato não é o PT, mas o cidadão brasileiro. Paga o pato, a galinha, os ovos, o tomate. Paga mais do que dizem os índices oficiais de inflação. Paga o pato do despreparo e do oba-oba da equipe econômica, que deitou no sofá do Planalto em tempos fáceis e agora não consegue nem maquiar a economia real. Adiam-se aumentos nas contas de luz e de gasolina, e ninguém acredita mais em meta nenhuma.

Na corrida contra o tempo e contra o descrédito, até a eleição, Dilma tropeça em si mesma, se encolhe, não pode aparecer em público porque será vaiada, torce para a Seleção ganhar a Copa e tem de engolir as broncas públicas de Lula. “Minha candidata é a Dilma”, repete Lula. Mas ele só alimenta o que chama de “boataria”, quando se diz insatisfeito com os rumos da economia no Brasil.

“O problema maior foi deixar a inflação bater no topo da meta”, diz o economista Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real e ex-presidente do BNDES e do IBGE. “Estavam brincando com fogo e estão colhendo o que semearam.” Está claro, segundo Bacha, que a taxa de inflação real é maior que os 6,15% anuais. “Essa taxa, parcialmente oculta pelo controle dos preços administrados, contamina muito a própria ordem social.” Bacha não se assusta com as greves nem crê na argentinização do Brasil. “Não é o fim do mundo. Quem está parando é gente com poder de barganha, operários envolvidos em obras estratégicas.”

No Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro, funcionários em greve das obras de expansão do metrô irromperam com paus e pedras na esquina de minha rua. Estavam furiosos com os colegas que furavam a paralisação e insistiam em trabalhar. Os grevistas exigem pagamento de 100% sobre as horas extras, aumento da cesta básica de R$ 230 para R$ 300, retroativo a fevereiro, e 10% de aumento nos salários.

É só conversar com qualquer um na rua, taxista, segurança, lojista, feirante, dona de casa, que você ouvirá o que as pesquisas detectam: insatisfação, medo e desconfiança. O Rio teve a inflação mais alta do país, 7,87% em 12 meses. A alta em alimentos e serviços é muito maior, tanto que a moeda na cidade passou a ser apelidada de “surreal”. Como a maioria não acredita em “legado social da Copa”, tornou-se visível uma torcida cada vez mais militante contra o desempenho da Seleção.

Os grevistas da linha 4 do metrô carioca reivindicam só 10% de aumento porque não leem jornal nem revista. Se fossem bem informados, saberiam que o governo federal aumentou as despesas totais em 15%, só no primeiro bimestre de 2014. A conta de pessoal e encargos sociais cresceu 13,5% em janeiro e fevereiro. Péssimo exemplo! Com as finanças públicas sem controle no Brasil de Lula e Dilma, quem paga o pato não é o PT, é você. Até rimou. *

(*) RUTH DE AQUINO – ÉPOCA

SOM NAS CAIXAS

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