CRIMINOSO ATRAI CRIMINOSO

Renan na torcida por Lula

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) está na torcida para que o ex-presidente Lula consiga, nesta terça-feira, 23, em julgamento no STJ, reverter a condenação a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

“Torço para que, na lei, o STJ repare a condenação do presidente Lula”, escreveu o senador no Twitter. Segundo ele, a prisão do ex-presidente é “caracterizada por motivação política, atropelos legais e absoluta parcialidade de quem o condenou”, uma crítica ao agora ministro da Justiça Sergio Moro.*

(*) Coluna Estadão

A CASA DO TERROR

Supremo em autocombustão

Toffoli e Moraes resolveram carbonizar suas togas num inquérito do STF sobre um antigo vício humano, o boato. Acabaram atropelando a Carta para censurar “O Antagonista” e “Crusoé”


Semana passada, um dia depois de o Supremo Tribunal Federal transgredir a Constituição e restaurar a censura, oficiais de Justiça tentaram entrar numa sessão do Senado para intimar um parlamentar.

Foram impedidos pela segurança , por ordem do presidente Davi Alcolumbre. Desistiram antes da chegada de reforços da Câmara, comandada pelo deputado Rodrigo Maia.

Pouco depois, o Senado resolveu submeter ao plenário, com voto aberto, uma proposta de investigação sobre supostos delitos em tribunais superiores. Não há data definida.

A CPI Lava-Toga, como é conhecida, já é um fenômeno político. Em apenas 80 dias de legislatura foi requerida duas vezes por mais de um terço dos senadores. Enterrada, foi ressuscitada pela terceira vez, ao lado de uma dúzia de pedidos de impeachment de juízes do Supremo.

Inviáveis hoje, não devem ser subestimadas. Refletem a instabilidade fomentada pelo conflito entre os três Poderes e o Ministério Público.

É daquelas crises com desfecho certo: sem vencedores e alto custo político —para todos. Na origem está a fragilidade das lideranças.

Os juízes Dias Toffoli e Alexandre de Moraes resolveram carbonizar suas togas num inquérito do STF sobre um antigo vício humano, o boato. Acabaram atropelando a Carta para censurar a realidade noticiada por “O Antagonista” e “Crusoé”. O processo de decisão foi assim, na descrição de outro juiz do STF, Gilmar Mendes: “Ali se fez uma avaliação de que talvez houvesse fake news, porque talvez o documento [da Odebrecht identificando o codinome de Dias Toffoli] não existisse.”

Era tudo verdade. Sob pressão, Toffoli e Moraes recuaram da censura, mas insistem em avançar até os botequins da internet (Moraes avisou que o STF investiga a Deep Web.)

Esse empenho do Judiciário na corrosão da própria legitimidade assemelha-se aos rituais de imolação no Executivo e no Legislativo durante a exposição das teias de interesses desveladas na Lava-Jato.

Ao fazer política com mau humor, transformam a História num pesadelo constante para os governados.*

(*) José Casado, O Globo

QUEM TEM FILHOS COMO ESSES…

Bolsonaro vê Mourão como pretendente ao trono

Jair Bolsonaro dança com Hamilton Mourão a coreografia da enganação. O capitão passou a enxergar no seu vice o comportamento de um candidato ao trono. Esforça-se cada vez menos para disfarçar sua convicção. O general atribui as balas perdidas que lhe chegam à insegurança do titular do mandato. Mas finge acreditar na tese segundo a qual o presidente não endossa os disparos feitos pelo filho Carlos Bolsonaro e pelo guru Olavo de Carvalho.

Mourão costuma medir as pessoas pelas dimensões de seus assentos. Ainda estava na ativa quando uma declaração de conteúdo político lhe rendeu, sob Dilma Rousseff, o afastamento do cobiçado posto de comandante militar da região Sul. Reconheceu que falara demais. E resignou-se com a punição: “Cada um tem que saber o tamanho da sua cadeira.” Não imaginava que fosse virar para a família Bolsonaro a assombração que Michel Temer foi para Dilma.

Quando uma intriga de Carlos Bolsonaro produziu a crise que levou à demissão do ministro palaciano Gustavo Bebianno, Mourão aplicou a teoria do assento aos filhos do presidente: “Eles vão entender o tamanho da cadeira de cada um. Vão se limitar a ela.” Pois bem. Carluxo, o filho Zero Dois do presidente, revelou-se um elefante em poltrona de vereador. A diferença é que Mourão é um estorvo com mandato. Não está ao alcance da Bic do capitão.

Em agosto do ano passado, outro filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, parecia entusiasmado com a decisão do pai de converter Mourão em seu companheiro de chapa. “Sempre aconselhei o meu pai: tem que botar um cara faca na caveira pra ser vice. Tem que ser alguém que não compense correr atrás de um impeachment.” Decorridos apenas oito meses, os Bolsonaro exalam arrependimento.

Bolsonaro e sua prole imaginaram que a companhia de Hamilton Mourão transformaria Jair Bolsonaro, por contraste, num estadista instantâneo. Deu-se o oposto. De tanto fabricar crises do nada, o capitão atribuiu ao mandato do general um conteúdo moderador, ampliando o tamanho da cadeira do vice.

Mourão não hesita em assumir o papel de contraponto de Bolsonaro. A comparação do seu comportamento com a movimentação do titular fornece combustível para uma crise longeva. Os ministros fardados do governo observam a cena com apreensão.*

(*) Blog do Josias de Souza – UOL

 

PIADA PRONTA

Piada do Ano! Suposto dono do sítio de Atibaia pede autorização para vender o imóvel

Bittar é réu e está condenado a três anos por lavagem de dinheiro

Dono formal do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), o empresário Fernando Bittar, pediu autorização da Justiça Federal para vender a propriedade, que teve reformas investigadas na Operação Lava Jato. O imóvel foi sequestrado pelo Registro de Imóveis de Atibaia, em fevereiro de 2019.*

(*) G1 PR — Curitiba

A PROPÓSITO

É mais uma Piada do Ano. Sócio do filho mais velho de Lula, o empresário Fernando Bittar é suposto dono do sítio, mas lá a Polícia Federal nada encontrou que pertencesse a ele. E na única vez em que foi convidada para uma festa no sítio, Bittar teve de dormir numa pousada, porque não havia nenhum quarto disponível para o “dono”.

AQUI COMO LÁ?

A comédia da Ucrânia e a nossa

Na Ucrânia, um comediante aproveitou a irritação geral com os políticos para chegar ao poder. Volodymyr Zelenskiy fez sucesso na TV ao interpretar um professor que se revolta contra o sistema e vira presidente por acaso. A série ficou tão popular que ele decidiu se candidatar de verdade.

Zelenskiy evitou os palanques, fugiu da imprensa e faltou a quase todos os debates. Preferiu fazer campanha nas redes sociais, onde protagonizou cenas inusitadas. Num vídeo recente, pediu votos enquanto fazia flexões numa barra. Em outro, apareceu com um nariz de palhaço.

O humorista foi criticado por não ter experiência administrativa e apresentar poucas propostas concretas. “Não tem promessa, não tem decepção”, respondeu, num slogan engraçadinho. Os ucranianos gostaram da piada. Zelenskiy virou favorito e foi eleito no domingo, com mais de 70% dos votos.

Num país ao sul do Equador, outro outsider apostou no marketing do homem comum. Ele capitalizou a indignação com os políticos, apesar de acumular sete mandatos parlamentares. Também escapou dos debates e repetiu a mesma resposta para todo tipo de pergunta: “Tem que mudar tudo isso daí, tá ok?”.

A comédia começou depois da eleição. Um guru paranoico e três irmãos tuiteiros se encarregaram de distrair a plateia. No elenco de apoio, despontaram um diplomata louco, uma pastora histriônica, deputados youtubers e um ator pornô.

No feriado da Páscoa, os núcleos da série voltaram a se engalfinhar pela internet. O guru debochou dos generais que despacham no palácio: “Só cabelo pintado e voz empostada”. Acrescentou que o regime exaltado na propaganda oficial “entregou o país ao comunismo”. O pitbull do governo se empolgou com a performance e divulgou o vídeo nas redes do pai.

Um dos alvos das piadas não achou tanta graça. Sugeriu que o guru é um charlatão e lembrou seu passado como astrólogo. Magoado, o herdeiro do presidente anunciou “uma nova fase”: “Quem sou eu no meio deste monte de gente estrelada?”.*

(*) Bernardo Franco Mello, O Globo

A ZORRA É TOTAL E ABSOLUTA

Duas imagens que valem mais do que que mil palavras sobre a ‘esculhambação’ carioca

Em maio de 2016, a coluna publicou uma foto (veja aqui) e a nota “Prédio é construído a ritmo impressionante no meio de favela”. Era sobre a Muzema e trazia o título “Atenção, prefeito Eduardo Paes”. À época, a prefeitura foi até lá e informou que demoliria o prédio, absolutamente ilegal. Está lá até hoje — não foi um dos dois que desabaram no último dia 12, deixando 24 mortos.
Agora veja estas duas fotos da Muzema.
Na de cima, perceba como a região era praticamente toda dominada pela mata. Sabe de quando é? Da década de 1980? Anos 1990? Nada disso. É de… 2007. Só 12 anos atrás.
Já a foto de baixo, feita do mesmo ângulo, foi clicada ontem. Ganha uma cobertura na Muzema quem adivinhar qual desses prédios da foto foi construído legalmente. É como diz Marcelo Crivella: o Rio é uma “esculhambação completa”*

(*) Ancelmo Gois – O Globo

A Muzema em 2007

A Muzema em 2019

DANÇANDO NO CONVÉS DO TITANIC

Pragmatismo x Ideologia


Diante dos intermináveis capítulos da novela da disputa entre militares e olavetes por poder no governo Jair Bolsonaro, a BBC Brasil listou em reportagem os quatro principais assuntos que opuseram as duas alas desde o início da administração. Três deles dizem respeito à política externa: a relação entre Brasil e Estados Unidos, a transferência da embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, e a intervenção militar na Venezuela. O quarto foco de conflito foi a disputa por espaços no Ministério da Educação.

A lista é didática por evidenciar que, em todos os casos, a posição dos militares se caracteriza pelo pragmatismo e a dos olavetes, pelo alto conteúdo ideológico, como forma de marcar a eterna guerra entre direita e esquerda, muitas vezes segundo conceitos importados pelos seguidores do “guru” da extrema-direita americana. *

(*)  Vera Magalhães, editora da Coluna Estadão

A PROPÓSITO

Bolsonaro ignora trégua

Pouco ou nada adiantou a trégua nos ataques ao vice-presidente Hamilton Mourão deflagrada por Jair Bolsonaro na noite de segunda-feira. Depois de anunciar que iniciaria uma “nova fase”, no fim de semana, Carlos Bolsonaro voltou à carga no Twitter. Num post, elogiou Olavo de Carvalho –e a publicação foi retuitada por outro filho do presidente, o “chanceler informal” e deputado Eduardo Bolsonaro.

Em outro, voltou as baterias novamente contra Mourão. Em resposta a um seguidor que postou o programa de uma palestra de Mourão nos Estados Unidos, que continha críticas à Bolsonaro, Carlos prometeu “traduzir e expor”. Ou seja: vem mais chumbo por aí, a não ser que o pai intervenha e mande o filho parar.*

(*) Vera Magalhães, editora da Coluna do Estadão

SÓ TIROS NOS PÉS

Governo gasta energia demais com polêmicas inúteis

O governo terminou a semana passada amargando um adiamento inesperado da votação do relatório da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça. Sem conseguir dobrar o Centrão e sendo fustigado pela oposição, o governo preferiu recuar o time para evitar a derrota do seu projeto mais importante.

Era de se esperar que o governo passasse o feriado da Páscoa reorganizando suas forças, negociando pontos da proposta – será obrigado a ceder em pelo menos quatro – e mapeando apoios. Ou seja: foco total na tentativa de aprovação da proposta. Mas o governo preferiu dividir a energia da negociação da reforma com mais uma inexplicável polêmica em torno das críticas de Olavo de Carvalho aos militares que participam do governo, especialmente ao vice-presidente Hamilton Mourão. Perder tempo com esse tipo de discussão parece quase uma tentativa de dar um tiro no próprio pé quando o claro e único  alvo deveria ser a reformulação do combalido sistema previdenciário nacional.*

(*) Marcelo de Moraes, Coluna Estadão