SÁBADO, 30 DE ABRIL DE 2016

SOM NAS CAIXAS

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CASTELO DE AREIA À BEIRA MAR

Uma ciclovia chamada Brasil

Sem pilares de sustentação, cai a ciclovia chamada Brasil. É preciso reconstruí-la sobre bases mais sólidas

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A tragédia da ciclovia, uma obra de R$ 45 milhões que havia sido classificada como legado olímpico e cartão-­postal dos Jogos, é um retrato 3×4 da esculhambação do país. Ali, naqueles metros que desabaram três meses após a inauguração, em 17 de janeiro, estão reunidos muitos pecados capitais. Não foi só crime de homicídio, com a morte de duas pessoas inocentes, diante de uma das vistas mais belas do Brasil, na Avenida Niemeyer.

Pedalamos num mar de crimes de responsabilidade, num deserto de homens públicos (e mulheres públicas) decentes. Não sabem o que é decoro, recato, pudor – ou compromisso. Na queda da Ciclovia Tim Maia, a ressaca é a única inocente. Análises de primeira hora apontam negligência no projeto. Possível corrupção e superfaturamento. Imperícia. Falta de estudos sobre o impacto das ondas num costão. Falta de fixação da pista às vigas. Falta de uma das duas vigas que constavam no projeto da Geo-Rio! Falta de sistema de prevenção por não interditar a ciclovia em dia de ressaca. Falta de nomes assinando o projeto. Falta de fiscalização. Falta de parafusos!

Não é isso que vivemos em grande escala no país? Uma ressaca moral de imensa magnitude. Uma onda excepcional de corrupção que mina as contas públicas, os serviços públicos, o dia a dia da população, dos ativos e inativos, aposentados e pensionistas. O que se espera de uma gestão responsável? Que esteja apoiada em pilares, assim como a ciclovia.

Concordo com um artigo assinado em O Globo pelo consultor José Vidal: “Os pilares da governança corporativa são justiça e equidade, transparência, prestação de contas e respeito às normas reguladoras”. Foi pela falta de todos esses pilares, sem sustentação possível, que desabou o governo da presidente Dilma Rousseff, levando junto milhões de vidas em penúria.

A força do mar foi subestimada e por isso a ciclovia caiu? Sim. Mas foi isso e mais um pouco. A Contemat e a Concrejato, empresas do grupo Concremat que construíram a ciclovia agora amaldiçoada, pertencem à família do secretário municipal de Turismo do Rio de Janeiro, Antônio Figueira de Melo – um dos principais auxiliares do prefeito Eduardo Paes. Na gestão Paes, segundo o jornal Folha de S.Paulo, a empresa multiplicou por 18 o valor de contratos com a prefeitura do Rio. Melo, tesoureiro de Paes, diz ser “infundado e leviano” ligar seu nome aos negócios da Concremat, fundada por seu avô e presidida por seu tio.

Quem viu o desastre disse que a onda levantou a ciclovia como se fosse a tampa de uma caixa de isopor. Quando se vê o péssimo estado de uma série de obras realizadas para os Jogos Pan-Americanos de 2007, pensamos o que falta mais para o Brasil deixar de ser megalomaníaco. Faltam parafusos na cabeça de nossos gestores. Sobram trincas, rachaduras, afundamento na Vila do Pan, ameaças de desabamento dos estádios – como o Engenhão, fechado para reforma. Tudo faz parte do mesmo quadro.

Cinco meses depois da maior tragédia com barragens no mundo, o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, que destruiu o distrito de Bento Rodrigues, o que vimos na semana passada? A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ) decidiu revogar a lei ambiental que regulamentava, em tese, o licenciamento das obras públicas. A proposta do Senado é autorizar a obra a partir de um Estudo de Impacto Ambiental do empreendedor para garantir a “celeridade… em obras públicas sujeitas ao licenciamento ambiental”. Já foi apelidada de “Fábrica de Marianas”.

Faltam parafusos, faltam pilares. Como pode o governador mineiro Fernando Pimentel contratar como secretária de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social a mulher, Carolina Oliveira, investigada por corrupção pela Polícia Federal, dando a ela foro privilegiado? Como pode esse inacreditável ministro do Turismo Alessandro Teixeira, o marido da bumbum, contratar a tia da mulher como secretária na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, pagando R$ 19.488,60 de salário? Como pode a presidente Dilma Rousseff arrombar ainda mais o caixa da União para inviabilizar qualquer eventual sucessor?

Uma primeira medida para moralizar o país seria acabar com a reeleição de presidentes da República. Uma segunda medida seria acabar com o foro privilegiado. Uma terceira medida seria desmontar o cabide de cargos de confiança e o malfadado nepotismo. Uma quarta medida seria reduzir à metade a máquina do Estado. Uma quinta medida seria acabar com as aposentadorias integrais de representantes do povo.

Falta saneamento básico ao exercício da política. Sem pilares de sustentação, cai a ciclovia chamada Brasil. É preciso reconstruir sobre bases muito mais sólidas.*

(*) Ruth de Aquino – Época

A VIÚVA É RICA

Quem está pagando as contas de Lula?

Para conspirar a favor de Dilma, Lula aluga uma suntuosa suíte de um hotel em Brasília, mas não revela quem está bancando as despesas

Nas últimas semanas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se dedicado a uma atividade pouco republicana: evitar a queda da presidente Dilma Rousseff, aprovada pela Câmara dos Deputados e amparada em preceitos constitucionais. Em sua sanha desesperada, Lula reúne-se com velhos camaradas, conspira ao lado de integrantes relutantes do governo, urde tramas mirabolantes para conter o naufrágio do projeto petista. Na esperança de que as tramoias surtam algum efeito, Lula se aboletou no Royal Tulip, hotel localizado a menos de 1 km do Palácio do Alvorada, a residência oficial de Dilma. Por si só, a proximidade com o Alvorada é uma afronta ao processo de impeachment. Afinal, apenas alguns poucos metros separam o comando da nação de um QG que tem o objetivo de buscar apoio, de forma nem sempre republicana. Mas há outro motivo que causa ainda mais indignação. Lula e seus asseclas têm gastado uma pequena fortuna para manter o aparato. Quem paga essa conta?

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De acordo com informações obtidas por ISTOÉ junto a funcionários do hotel, desde que Lula se instalou no Tulip, há pouco mais de um mês, as despesas superam R$ 800 mil. Apenas a unidade que Lula ocupa tem 76 m². Ela conta com quarto e sala separados e varandas com vista para o Lago Paranoá e a piscina. Na antessala, uma suntuosa mesa de reuniões para 6 pessoas é o lugar preferido para os conchavos entre petistas. Além da suíte presidencial de Lula, outras três acomodações são ocupadas por sua entourage. A turma toda, composta por mais de uma dezena de pessoas, entre assessores, seguranças e companheiros petistas, faz todas as refeições no local, elevando a conta em alguns milhares de reais.

Não foi esclarecida a origem do dinheiro para bancar essa gastança. A história é nebulosa. Procurado por ISTOÉ, o Instituto Lula recusou-se a responder sobre os gastos com a hospedagem. Já o Royal Tulip declarou que não fornece informações sobre hóspedes. Como nos finais de semana Lula vem para São Paulo, há despesas também com o deslocamento aéreo em jatinhos particulares. Durante muito tempo, Lula usou a aeronave privada de Walfrido dos Mares Guia, um dos seus ex-ministros, para fazer deslocamentos Brasil afora. Há alguns dias, Mares Guia negou que, na última semana, tenha cedido a aeronave. Para ir conspirar em Brasília, em pelo menos duas ocasiões Lula viajou a bordo de um Cessna prefixo PR-LFT. A aeronave está registrada em nome da Global, empresa de táxi aéreo. A Global não divulga detalhes de seus negócios. ISTOÉ apurou que um voo de ida e volta entre São Paulo e a capital do País a bordo de um jatinho tipo Cessna custa cerca de R$ 40 mil.

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Lula tomou uma série de medidas para não deixar rastros de sua operação em Brasília. Escaldado por experiências anteriores, mandou cobrir as câmeras de vigilância do andar de sua suíte. Ele certamente se lembrou do episódio com José Dirceu, que, às vésperas de ser preso, também montou um QG em um hotel brasiliense para receber ministros e diretores da Petrobras. Cenas dos encontros foram gravadas pelas câmeras de segurança, e imagens constrangedoras acabaram exibidas na TV. Na semana mais intensa de sua estadia, a que antecedeu a votação do impeachment, Lula proibiu que os visitantes fossem encontrá-lo com celulares. É que ele tinha aprendido outra valiosa lição. O senador Delcídio do Amaral acabou preso depois de ter uma conversa sua gravada por um aparelho de celular, na qual discutia um plano de fuga do Brasil do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. As restrições impostas por Lula incomodam outros hóspedes do Tulip, que não admitem ter sua segurança comprometida pela ausência de câmeras e pela presença ostensiva de leões de chácaras petistas. Alguns deles ficam circulando no lobby do hotel para monitorar a movimentação de curiosos.*

(*) Marcelo Rocha – Isto É

ESCREVEU NÃO LEU, O PAU COMEU!

Geddel diz a aliados:

‘Não votou, a caneta come’

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Sempre que lhe perguntam sobre a qualidade do ministério do provável governo do PMDB, Geddel Vieira Lima, articulador político de Michel Temer, responde: “Não vamos nos iludir, será o ministério possível.” Em conversa com um amigo, Geddel esmiuçou seu raciocínio: “Teremos uma equipe econômica que inspira confiança, um time palaciano experiente, um chanceler correto e bons nomes para Saúde e Educação. O resto vem com a negociação política.”

No epicentro das articulações, Geddel utiliza nas conversas com os representantes dos partidos uma franqueza desconcertante: “Tenho 30 anos nesse metiê. Sei como funciona. Não haverá renegociação todo dia. Definida a participação de cada um, vocês vão apoiar projetos que o governo enviará ao Congrresso. Não votou, a caneta come! Estamos entendidos?”

Em privado, o próprio Geddel revelou-se incomodado com a dificuldade de associar ideal e prática. Para não ficar “tudo igual”, o futuro ministro se empenhou para atrair os oposicionistas DEM e PSDB. Submetido às tradicionais hesitações do tucanato, Geddel desenvolveu para Aécio Neves, presidente do PSDB, um raciocínio aritmético. “Vocês podem ter os melhores projetos do mundo, mas não conseguiremos aprová-los no Congresso sem o pessoal do PP e do PR.”

As pontas do ministério que se forma sob Temer, um presidente cada vez menos improvável, serão unidas por fios invisíveis. Difícil separar uma parte da outra sem identificar na Esplanada as ressonâncias do fisiologismo que permeia todos os governos desde José Sarney. As legendas mencionadas exalam o cheiro de enxofre do mensalão e do petrolão, escândalos dos quais o PMDB também é sócio.

Nos seus diálogos privados, Geddel gosta de recitar Lula, de quem foi ministro. “O Lula diz que o ideal seria vencer a eleição solito e, depois, governar solito. Mas isso é impossível. Se é assim depois de uma eleição, imagine a situação de um governo que assume por dever constitucional, depois de um impeachment.”*

(*) Blog do Josias de Souza

PÉ NA BUNDA DA VAGABUNDAGEM

Bruxas à solta

Michel Temer prometeu que, uma vez no cargo, não promoverá uma “caça às bruxas”. Ocorre que, se não o fizer, será ele mesmo caçado pelas bruxas que promete proteger. Não terá meios de governar se não o fizer.

O PT, reduto das bruxas, com seus conhecidos tentáculos – MST, MTST, CUT, UNE – já avisou que não fará qualquer rito de transição, procedimento básico na mudança de governo.

E não apenas por birra ou vingança, mas, sobretudo, porque a transição exporá o estado de terra arrasada em que deixou a administração pública e a economia do país. Não há um só cofre público imune ao espírito predador da Era PT.

Habitualmente, associa-se caça às bruxas à perseguição ideológica, típica das tiranias. Daí o sentido negativo que o termo adquiriu. Não é o caso. As bruxas, no presente contexto, não foram movidas por ideias ou ideais, mas pela ambição revolucionária de se perpetuar no poder. Um projeto, este sim, tirânico, baseado na rapina ao Estado e na divisão da sociedade brasileira.

Não apenas isso: uma rapina que, com recursos públicos brasileiros (onde está a CPI do BNDES?), financiou projeto idêntico em países vizinhos, hoje dominados, em grau mais avançado, por governos tirânicos e ineficazes, sem condições de prover a população de alguns dos itens mais elementares de consumo, como comida, papel higiênico e energia elétrica.

Venezuela e Bolívia – cujos governantes tiveram a audácia de ameaçar o Brasil de invasão armada – tornaram-se símbolos desse padrão governativo nefasto, concebido pelos luminares do Foro de São Paulo, instituição fundada em 1990 por Lula e Fidel Castro, para unir pela esquerda a América Latina.

De lá, segundo depoimento do próprio Lula, emergiram lideranças como Hugo Chavez, em parceria com organizações criminosas como as Farc, da Colômbia, que Lula sugeriu se transformassem em partido político e disputassem eleições.

São essas as bruxas que não podem ser poupadas, ou continuarão a assombrar a vida pública brasileira.

Se Temer não expuser o estado em que se encontra o país e os responsáveis pela obra – as tais bruxas -, terá dificuldades de encontrar receptividade às medidas impopulares que terá de implementar para que o país comece a se reerguer.

Será erro político imperdoável. Dilma Roussef está deixando a presidência da República pelo mais ameno de seus delitos: os crimes de responsabilidade. Mas há um manancial de outros, de natureza penal, que brotam das múltiplas delações da Lava Jato, que, em uníssono, desautorizam a imagem de honesta e honrada que tenta impingir à opinião pública.

Os delitos que fizeram de Eduardo Cunha persona non grata à sociedade brasileira decorrem da mesma matriz em que Dilma, Lula e o PT sujaram as mãos: a Petrobras.

Cunha tem a seu favor o fato de que roubou menos. Eram parceiros na divisão do botim, e a ele, figura menor na quadrilha, coube menos. Feitas as contas, o que recebeu foram migalhas. E mais: já se sabe onde depositou parte da rapina, em contas (não mais) secretas na Suíça. De seus parceiros, mais vorazes – e que ora o acusam, ocultando o fato de que era cúmplice -, ainda não se sabe nem o valor total, nem as contas em que o guardaram.

Há pistas, razoáveis, algumas já confirmadas. Sabe-se, por exemplo, que parte substantiva alimentou os cofres das campanhas da reeleição de Lula e das duas eleições de Dilma.

Ela pode não a ter colocado em conta pessoal, como Cunha, mas isso não a torna mais honesta, nem mais honrada. De certa forma, a torna pior, já que lhe deu destino mais predador, ao usá-la para chegar ao poder e nele levar o país à bancarrota, com seu cortejo de dramas e mazelas sociais.

Cunha já está pagando, ainda que parcialmente, por seus atos: será cassado pelo Conselho de Ética e sentenciado pelo STF. Já não tem como tirar sua reputação do lixo e não terá como voltar à vida pública. Acabará preso – e sabe disso.

Não dispõe de um palácio para reunir sua militância e fazer-se de vítima. Não possui palácio ou militância, nem desfruta do benefício da dúvida, já que dúvida a seu respeito não há. Está sentenciado pela opinião pública, sem consolo moral.

Dilma e Lula, não. Têm ainda defensores fervorosos dentro e fora do país, agregados a um projeto político que, em nome da defesa dos pobres, aumentou a faixa de pobreza.

Não foram, como diz a propaganda, 30 milhões de pobres que ascenderam à classe média, mas o contrário. O desemprego aumenta na classe média. Já se contabilizam, até aqui, mais de dez milhões, que ainda purgam a falta de expectativa de que as coisas melhorem no curto prazo.

O esperneio do PT e da presidente, apelando à retórica insustentável do golpe, é, este sim, um golpe – e, antes de mais nada, contra a inteligência e a paciência da população.

Felizmente não há bruxaria que mude o curso dos acontecimentos. A menos, claro, que Temer decida mesmo deixá-las à solta.*

(*) Ruy Fabiano , no blog do Ricardo Noblat

CANALHA JURAMENTADO

O carcará e o ratinho

Renan proseia com adversários na guerra de petralhas e coxinhas para garantir a própria impunidade e tirar proveito político

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O sobrenome Calheiros tornou-se notório no noticiário policial dos telejornais no começo dos anos 1980, mercê do conflito sanguinário iniciado com a morte de Henrique Omena, cabo violento da truculenta PM alagoana. O prenome Renan, em homenagem ao grande historiador francês das origens do cristianismo, ganhou mais notoriedade ainda depois que os tiroteios cessaram, talvez, quem sabe, por escassez de vivos a tocaiar.

Tudo isso se passou à sombra do alagoano nascido no Rio de Janeiro Fernando Affonso Collor de Mello, quando este, dito “Carcará Sanguinolento”, foi eleito presidente da República no fim daquele mesmo decênio. Tendo o já então ex-chefe sido deposto, contudo, o antigo faz-tudo estava fora do bando, servindo a outras bandas da política pelas mãos de Zé de Ribamar, dito Sarney, maestro da velha UDN, da Arena da ditadura e do PMDB da resistência. E lá foi Renan ser ministro da Justiça do tucano Fernando Henrique Cardoso e presidente do Senado pelo PMDB, na base de apoio de Lula e Dilma Rousseff, aos quais serviu com astúcia, eficiência e sucesso. Teve de renunciar à presidência do Senado, ao protagonizar escândalo em que foi acusado de receber propina de empreiteira para sustentar uma filha e a mãe dela numa relação fora do casamento. Mas ele voltou por cima e neste momento preside o julgamento do impeachment da quase ex-presidente Dilma, posando de varão de Plutarco, mesmo assentado em nove processos sob a égide do procurador-geral da República, Rodrigo Janot – cuja recondução ao cargo foi providenciada por ele no Senado – e do Supremo Tribunal Federal (STF). Não é pouco, mas até agora não lhe causou grande mossa. Afinal, Dilma, alvo do rumoroso processo, ainda hoje trata como inimigo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do mesmo partido de Renan e como ele egresso da base governista. Ainda que a Casa tenha decidido por acachapante votação mandar o processo direto para o colo do solícito anjo da guarda das pretensões de permanência da madama chefona.

Faz tempo que o rebento dos Calheiros, acusados de terem mandado matar o advogado e político Tobias Granja, está a merecer o título de Carcará Sanguinolento. Pois viu o ex-patrão reduzir-se a insignificante ratinho domesticado. De posse da paróquia de São Gregório, por ter consagrado no Congresso a prática de perder mais tempo discutindo prazos do que se inteirando de acusações e provas, fazendo-o vassalo do calendário gregoriano, tornou-se o grande Inquisidor. Em suas mãos repousa o poder de acender a fogueira para incinerar o desastrado desgoverno dilmolulopetiista. Foi assim que o pai do atual governador de Alagoas,  chamado de Renan Filho como convém numa oligarquia nordestina, e eleito sob a sombra paterna e em pleno gozo da herança de abundância da água fresca até no sertão, tornou-se o negociador-mor da República. “O diálogo”, diz ele, “fortalece a democracia”. Renan não é definitivamente um fofo?

Em vez de se ater a fatos e a autos, Sua Excelência passeia pelo Eixo Monumental de Brasília a se reunir com gregos e baianos para produzir o consenso da paz dos cemitérios, em que se enterram empregos e negócios, também denominador comum do qual ele espera tirar proveito político. Principalmente uma anistia por serviços prestados em todos os delitos dos quais é acusado. Renan não privilegiou lado algum: conversou com a presidente prestes a ser processada, com o vice-presidente pronto para ser empossado e com o colega do clã de São João del Rey, na Minas histórica, que ora preside o tucanato emplumado. E essa empalhada empulhação com cara de conciliação nacional na hora da crise e do pugilato teria de começar por um colega de prontuários. O tribuno que chefia a Mesa do Congresso Nacional trocou afagos públicos com Luiz Inácio Lula da Silva. Este é apontado em nota oficial da força-tarefa da popular e impiedosa Operação Lava Jato como um dos “principais beneficiários” da roubalheira que levou a Petrobras à lona e o Brasil às cordas. Foi o encontro do profeta da fome com o faquir da vontade de comer. Ambos, não por acaso, desejam o mesmo fim inglório para a república de Curitiba, chefiada pelo juiz que virou herói no império capitalista pelas páginas do semanário cujo nome significa o tempo todo:Time.

Da conversa de investigados pela polícia e pela Justiça escapoliram cochichos inconfidentes, como a de que Lula flertou com o desvio da Constituição representado pela antecipação de eleições. Mas foi lá mesmo para se alistar como voluntário na empreitada pacificadora de nosso moderno Bernardo de Vasconcelos no interregno entre Primeiro e Segundo Impérios, além de herdeiro de Tancredo Neves, fundador da Nova República, no enterro da ditadura militar. Pouco importa, se no dia anterior àquele em que o ex-líder sindical fumou com ele o cachimbo da paz, o ex-presidente tinha chamado os deputados federais de quadrilheiros que formaram um pelotão de fuzilamento para estraçalhar a tiros de fuzil a Constituição da República. Ensurdecido pelas balas cruzadas entre Omenas e Calheiros ou pela guerra sem quartel de coxinhas contra petralhas, o julgador-mor do destino da Nação no crítico momento presente só tem ouvidos para o bem. Só por isso não percebeu que o interlocutor e sua afilhada, objeto principal do julgamento que comanda, há muito abandonaram tolas veleidades da madureza na defesa da velha e boa democracia burguesa, sob cujo governo o Estado Democrático de Direito se mantém hígido, embora enxovalhado em nossa velha Pindorama de guerra.

O xará do grande biógrafo de Saulo de Tarso já garantiu que vai antecipar a presença do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, seu parceiro no sindicato dos solícitos dos poderosos que estão sendo destronados, para garantir segurança jurídica à decisão a ser tomada pelos 81 senadores. O pior de tudo é que não dá sequer para desconfiar se esta é uma boa providência ou apenas um jeito de o filho de Murici, onde aprendeu muito bem a não deixar que os outros saibam de si, entregar o trapézio a um partner que desperta tanta credibilidade quanto ele próprio. E vai em frente o espetáculo mambembe em que a plateia é atraída pelo cuspe do ator global Zé de Abreu e pela abundância muscular dos glúteos e do silicone que segura as glândulas mamárias da Miss Bumbum da Esplanada.  E Rainha da Xepa do desgoverno que desmancha no ar podre sem nunca ter sido sólido antes.*

(*)  Blog do José Nêmanne

A ALMA VIVA MAIS PURA DO BRASIL

Lula sempre ganhou mensalinho da OAS, diz empreiteiro

Engenheiro Zuleido Veras, preso em 2007 por pagar propina para obter contratos com o governo, conta que o ex-presidente recebia dinheiro da construtora desde a década de 80 e que cartel de empreiteiras foi montado para eleger Dilma Rousseff

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O engenheiro Zuleido Veras conhece bem o ambiente de promiscuidade que existe entre o mundo político e as empreiteiras de obras públicas. Em 2007, Veras foi preso em uma operação da Polícia Federal, acusado de pagar propina em troca de contratos milionários no governo – um roteiro de corrupção muito similar ao do hoje famoso petrolão. Dono da construtora Gautama, o empreiteiro ficou doze dias na cadeia, respondeu ao processo em liberdade e, neste ano, o Supremo Tribunal Federal considerou nulas as provas contra ele. Na década de 80, antes de abrir o próprio negócio, Veras ocupou durante dez anos um cargo importante na OAS, uma das empreiteiras envolvidas no escândalo de pagamentos de suborno da Petrobras. Trabalhou ao lado de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS e hoje um dos condenados no esquema de fraudes na estatal. Nesse período, Veras testemunhou o início de um relacionamento que pode explicar muito sobre alguns eventos ainda em apuração na Operação Lava-Jato.

Além dos golpes contra a Petrobras, Léo Pinheiro está sendo investigado por ter pago propina a políticos importantes, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, suspeito de ter recebido de presente da empreiteira um tríplex numa praia do Guarujá e a reforma de um sítio em Atibaia, ambos no Estado de São Paulo. Em entrevista a VEJA, Zuleido Veras conta que as relações financeiras entre Lula e a OAS reveladas pela Lava-Jato não o surpreenderam: elas existiam desde que o ex-presidente ainda era apenas um político promissor. O empresário afirma que Léo Pinheiro sempre deu dinheiro a Lula para “sua sobrevivência”, valores que hoje ficariam entre “30.000, 20.000, 10.000 reais”, e também ajudava “por fora” nas campanhas políticas do ex-­presidente. Em troca, os petistas estendiam a mão aos interesses da OAS. Veras também diz que o petrolão foi criado no governo Lula com a missão de garantir recursos para eleger Dilma.*

(*) Hugo Marques – Veja.com

EM NOME DO POVO

Foto do vereador Lino Peres navegando em site de vídeos pornôs viraliza nas redes sociais

Foto do vereador Lino Peres navegando em site de vídeos pornôs viraliza nas redes sociais Divulgação/Divulgação

A foto do vereador Lino Peres diante de uma tela com site de vídeos pornográficos no plenário da Câmara de Florianópolis correu feito rastilho de pólvora nas redes sociais Brasil afora. O fato de ser do PT funcionou como gasolina aditivada. Ele foi massacrado nos comentários. Somente no final da tarde, já com a uma versão mais detalhada, ganhou força a tese de que Lino dificilmente cometeria tal desatino. Quem o conhece, sabe que o professor e urbanista chega a ser “chato” de tão certinho, logo não faria uma bobagem como esta. Convêm apenas ao parlamentar dar uma conferida em que estava sentado atrás durante a sessão.

Aliás

Quem convive com o vereador Lino Peres, garante que ele “só pensa naquilo” 24 horas. No caso, política.*

(*) Blog do Rafael Martini

COBRA ENGOLINDO COBRA

Três caras que só pensam naquilo

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“(…) vivem em constante rivalidade, e na situação e atitude dos gladiadores, com as armas assestadas, cada um de olhos fixos no outro; isto é, seus fortes, guarnições e canhões guardando as fronteiras de seus reinos e constantemente com espiões no território de seus vizinhos, o que constitui uma atitude de guerra.” A célebre sentença de Hobbes refere-se aos Estados, mas serviria para definir os chefes políticos tucanos. O PSDB renunciou à condição de partido, reduzindo-se a um teatro de guerra permanente entre três caras que só pensam naquilo. Na inauguração do governo Temer, o impasse tucano já não deve ser visto como um problema intestino, mas como aspecto crucial da crise nacional.

A guerra, fria ou declarada, entre Aécio, Serra e Alckmin atravessou a era do lulopetismo, corroendo o tecido do principal partido de oposição. Hoje, quando o reinado lulo-dilmista chega ao fim em meio a incêndios econômicos, políticos e éticos, o conflito trava o PSDB, sabotando uma decisão nítida sobre o engajamento no governo transitório. Sem os tucanos a bordo, a nau de Temer se inclinaria na direção do PMDB de Jucá, Renan, Cunha et caterva, associado a um “centrão” composto por partidos ultrafisiológicos. No lugar de um governo de “união nacional”, surgiria um gabinete de salvação das máfias políticas que saltaram de um comboio descarrilhado.

Aécio devastou o capital político acumulado na campanha eleitoral cortejando uma bancada parlamentar irresponsável, que chegou a votar contra o fator previdenciário e estabeleceu um desmoralizante pacto tático com Cunha. Há pouco, declarou-se “desconfortável” com a participação orgânica do PSDB no novo governo. Serra, o incorrigível, preferiu negociar pessoalmente um lugar destacado na Esplanada dos Ministérios. Sonhando delinear um caminho próprio até o Planalto, se preciso pelo atalho do PMDB, ameaça virar as costas a seu partido, entregando-o à confusão. Alckmin, por sua vez, acalenta um projeto presidencial improvável acercando-se do PSB e tricotando com a camarilha político-sindical do Paulinho da Força. Nesse passo, implodiu a campanha tucana à Prefeitura de São Paulo. Hoje, a guerra particular que travam os três gladiadores tem o potencial para complicar a já difícil transição rumo a 2018.

A sorte do governo Temer será jogada no interregno entre a posse provisória e o julgamento final do impeachment no Senado. Uma coleção de notícias econômicas positivas, quase contratadas de antemão, não será suficiente para consolidá-lo. A carência de legitimidade eleitoral precisa ser compensada por iniciativas políticas coladas aos anseios da maioria que repudiou o lulo-dilmismo.

Se fosse um partido, não uma arena de gladiadores, o PSDB trocaria o engajamento integral no governo por um ousado compromisso com a Lava Jato. Exigiria do novo presidente a mobilização imediata da maioria parlamentar para cassar o mandato de Cunha. Conclamaria o governo a encampar o projeto de lei das dez medidas contra a corrupção formulado pelo Ministério Público. Em trilho paralelo, forçaria uma minirreforma política destinada a fechar o rentável negócio da criação de partidos de aluguel. Mas, imerso no seu pântano interno, o PSDB ensaiou fazer o exato oposto disso. No auge de seus exercícios ilusionistas, os tucanos prometeram a Temer um “profundo e corajoso” apoio parlamentar em troca da adesão a uma flácida agenda política. O intercâmbio equivaleria à cessão de um cheque em branco a um governo no qual não se deposita confiança.

Dias atrás, Aécio reuniu-se com Temer e sinalizou uma mudança de rota. “Tínhamos duas opções: lavar as mãos ou ajudar o país a sair da crise”, constatou, antes de concluir com um enigmático “vamos dar nossa contribuição”. Será, enfim, um indício de que o PSDB avalia a hipótese de fingir que é um partido? *

(*) Demétrio Magnoli – O Globo

SEXTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2016

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