TERÇA-FEIRA, 30 DE JUNHO DE 2015

SOM NAS CAIXAS

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ABRIU A BOCA, LÁ VEM…

Depois do falatório da presidente perdida em Nova York, a lama que estava na linha de cintura chegou à altura do pescoço

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A lama do Petrolão chegou à linha de cintura de Dilma Rousseff depois do que disse o empreiteiro Ricardo Pessoa. Alcançou a altura do pescoço presidencial depois do que o neurônio solitário resolveu recitar em Nova York.

Quando não se sabe o que fazer, melhor não fazer nada, repetia Dom João VI. Dilma faz declarações destrambelhadas. E sempre consegue piorar o que está péssimo, confirmam três momentos do falatório desastroso:

1. “Eu não respeito delator. Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em uma delatora”.

A primeira frase informa que Dilma resolveu esquecer que foi ela quem sancionou a Lei 12.850, que estabeleceu em 2013 as regras atuais da colaboração premiada. Repita-se: COLABORAÇÃO: a palavra “delação”, que não aparece uma única vez no texto, foi uma esperteza pejorativa criada por jornalistas sem compromisso com a verdade. A mesma frase revela que Dilma — a exemplo de Marcola, chefão do PCC — só respeita criminosos que escondem as bandidagens que cometeram e a identidade dos mandantes ou comparsas. Gente como João Vaccari Neto e Renato Duque, por exemplo.

A segunda frase sugere que Dilma não enxerga diferenças entre o governo que preside e o chefiado pelo general Emílio Médici nos anos 70. A terceira insinua  que os quadrilheiros presos em Curitiba têm sido submetidos a selvagens sessões de tortura. Os carrascos são os homens da lei que participam da Operação Lava Jato.

2. “Eu não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade. Primeiro porque não houve. Segundo, se insinuam, alguns têm interesses políticos.”

A primeira e a segunda frases, conjugadas, informam que a declarante não lembra que transformou a larápia Erenice Guerra em melhor amiga, braço direito e depois sucessora na chefia da Casa Civil; que nem sequer ouviu falar do dossiê forjado para caluniar Fernando Henrique e Ruth Cardoso; que nunca participou de reuniões do Conselho Administrativo da Petrobras por ela presidido anos a fio; que não sabe quem é Lina Vieira; que ignora a existência de qualquer tramoia concebida para revogar calotes fiscais da Famiglia Sarney; que nada fez para que o ministério se assemelhasse a um viveiro de corruptos; que conhece só de vista o amigo de infância Fernando Pimentel; que mete o nariz em tudo, mas é portadora de uma disfunção olfativa que a impede de sentir cheiro de corrupção.

3. “Há um personagem que a gente não gosta, porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. E ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator”.

Combinadas, as duas frases informam que, na cabeça da Doutora em Nada, o Petrolão é a Inconfidência Mineira do Brasil moderno, com Ricardo Pessoa no papel de Joaquim Silvério dos Reis. Lula, claro, é Tiradentes. A declarante é a Marília de Dirceu. José Dirceu é o Dirceu de Marília. E por aí vai. Os verdugos a serviço da Coroa portuguesa são o juiz Sérgio Moro, os procuradores federais, os policiais federais engajados na Operação Lava Jato, a elite golpista, a imprensa reacionária e, claro, FHC.

Nesta segunda-feira, aparentemente, Dilma tentou lançar-se candidata ao posto de  Madre Teresa do Planalto. Acabou transformando em certeza a suspeita encampada por 10 em 10 habitantes do país que pensa: na mais branda das hipóteses, a presidente da República agiu anos a fio como cúmplice e coiteira da quadrilha que consumou a maior ladroagem ocorrida desde o Dia da Criação.*

(*) Blog do Augusto Nunes

DESCENDO A LADEIRA

Lula tornou-se um líder

com receituário vencido

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Atordoados com o cheiro de enxofre que emana dos inquéritos da Lava Jato, deputados e senadores do PT reuniram-se com Lula na noite passada. Buscavam orientação. Encontraram um líder desorientado. Para evitar grampos companheiros, recolheram-se os celulares. A providência se revelaria premonitória. Evitou-se o registro em áudio de um Lula com o receituário vencido.

Na economia, Lula aconselhou o petismo a virar a página. Avalia que, vencida a etapa do ajuste fiscal, deve-se trombetear a agenda do crescimento econômico. Disse isso horas depois de a Petrobras anunciar que decidiu lipoaspirar seus investimentos em 37% e vender US$ 42,6 bilhões do seu patrimônio para fazer caixa.

Na política, o morubixaba da tribo petista aconselhou a infantaria partidária a erguer a cabeça e partir para cima da oposição. Mais cedo, o doutor Sérgio Moro, juiz da Lava Jato, avalizara um acordo de colaboração do lobista Milton Pascowitch. Apontado PF como operador de propinas da Construtora Engevix para o PT e para petistas como José Dirceu, Pascowitch é o 18º delator das petrorroubalheiras.

De resto, Lula disse que o governo Dilma vive momentos dramáticos e precisa ser defendido pelo PT. Dias atrás, reunido com religiosos, o mesmo Lula soara como líder da oposição. Dissera que o prestígio de Dilma está “no volume morto”. E o do PT, “abaixo do volume morto”.

Não bastasse cavalgar uma agenda vazia, Lula ainda ofende a inteligência alheia. No seu enredo, todos são culpados pela encrenca em que o petismo se meteu, menos ele. Esse comportamento é inútil, desonesto e paralisante.

É inútil porque já não há quem ignore que a engrenagem que assaltou a Petrobras foi estruturada na sua gestão. É desonesto porque desconsidera que o fiasco econômico foi produzido por uma criação sua: o mito da gerente impecável. É paralisante porque o PT não sairá do lugar enquanto Lula não enxergar no espelho a imagem de um cúmplice da conversão do partido numa máquina coletora 100% financiada pelo déficit público.

Lula manda sua tropa à guerra sem fornecer a munição. Não deu uma mísera explicação, por exemplo, sobre os pacotes de dinheiro que o empreiteiro-delator Ricardo Pessoa disse ter levado ao seu comitê de campanha em 2006. Nenhuma palavra também sobre as palestras que ninguém viu e que fizeram dele uma espécie de sócio-atleta do clube das empreiteiras.

Antes de falar aos congressistas do PT, Lula reunira-se com o marqueteiro João Santana, aquele que vendeu Dilma por lebre na campanha presidencial do ano passado. Nesta terça-feira, antes de deixar Brasília, o grande líder terá um encontro reservado com o velho e bom aliado Renan Calheiros. Nesse ritmo, Lula acaba alcançando o objetivo de virar a página. Para trás.*

(*) Blog do Josias de Souza

O ZÉ ESTÁ EM TODAS…

Lobista que pagou R$ 400 mil de empresa de Dirceu faz delação e deixa prisão

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O lobista Milton Pascowitch, que atuava como operador de propinas da construtora Engevix Engenharia, fechou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato e deixou a prisão nesta segunda-feira, 29. Ele se dispôs a confessar corrupção e lavagem de dinheiro e a contar o que sabe sobre o esquema de desvios na Petrobrás, em troca de uma possível redução de pena. Acusado de operar pagamentos de propina para a empreiteira Engevix, Pascowitch é dono da Jamp Engenheirose pagou R$ 400 mil do imóvel comprado por José Dirceu, onde funcionava a sede da empresa de consultoria do ex-ministro da Casa Civil (governo Lula), em São Paulo, a JD Assessoria e Consultoria Ltda.

A compra do imóvel da JD Assessoria é alvo central de inquérito da Polícia Federal que apura corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Dirceu, a JD e seu irmão e sócio Luiz Eduardo Oliveira e Silva. Comprado por R$ 1,6 milhão, no ano em que ele começava a ser julgado no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, Dirceu registrou em cartório ter dado R$ 400 mil de recursos próprios no negócio.

Em relatório de janeiro, a Receita Federal suspeitou da movimentação financeira porque o dinheiro não passou pela conta-corrente de Dirceu naquele ano. O documento resultou em inquérito aberto em 30 de janeiro, para apurar corrupção e lavagem de dinheiro na aquisição desse imóveis e de outro, em nome do irmão.

A Jamp assinou contrato com a JD em 2011, para pagamento de serviços que Dirceu teria prestado de consultoria internacional para a empreiteira Engevix. Foram pagos R$ 2,6 milhões entre 2008 e 2012 para a JD, de José Dirceu. Desses, R$ 1,4 milhão foram pela Jamp.

Preso desde abril na sede de Polícia Federal, em Curitiba (PR), base da Lava Jato, Pascowitch tem vínculos apontados nos autos da Lava Jato com o PT e o esquema de propinas na Petrobrás por intermédio do ex-diretor de Serviços Renato Duque e o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco. O lobista colocou tornozeleira eletrônica nesta segunda-feira e ficará em prisão domiciliar.

A Lava Jato tinha recolhido até aqui provas do envolvimento de Pascowitch, por meio de contratos, empresas e contas operadas pelo lobista. Foram cruzados os dados entregues por delatores dos processos, como Barusco – com quem o lobista tinha um hobby em comum, o golfe -, materiais apreendidos nas buscas em suas empresas e residência além de quebras de sigilos.

Os tentáculos de Pascowitch que estão na mira na Lava Jato extrapolam sua atuação em nome da a Engevix na Petrobrás.

Investigadores acreditam que Pascowitch pode colaborar com as novas frentes de apuração, em especial na área de navios e sondas do pré – sal e também os esquemas de consultorias de ex-políticos e agentes públicos, como José Dirceu e Renato Duque.

O criminalista Theo Dias, que defende Pascowitch, disse que ‘não pretende se manifestar’. Nesta segunda-feira, 29, Theo Dias entregou petição ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) em que desiste de habeas corpus que havia impetrado pedindo liberdade para seu cliente. A desistência do habeas é uma das condições impostas aos que se propõem a colaborar.

A assessoria de Dirceu afirma que a JD sempre recebeu por serviços de consultoria efetivamente prestados.
No dia 17 de junho, a assessoria de Dirceu esclareceu questionamento da reportagem de O Estado. “O ex-ministro José Dirceu refuta, com veemência, qualquer ilação de prática de crimes de lavagem de dinheiro ou ocultação patrimonial, como questiona o jornal O Estado de S. Paulo. Dirceu trabalhou como consultor de empresas por 9 anos e todos os seus rendimentos foram declarados à Receita Federal, que não apresentou qualquer ressalva sobre sua evolução patrimonial no período.

As suspeitas não têm qualquer fundamento, já apresentamos à Justiça do Paraná todos os esclarecimentos pedidos e é preciso ficar claro que não existe nenhuma acusação formal contra o ex-ministro”, afirma o advogado Roberto Podval. “Já demonstramos a partir de vasta documentação que José Dirceu atendeu a cerca de 60 clientes e que todos os serviços foram plenamente prestados, os impostos recolhidos e os rendimentos declarados.”*

(*) Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba e Talita Fernandes, de Brasília – Estadão

SINUCA DE BICO…

A quem interessa derrubar Dilma?

À oposição ou a Lula e ao PT?

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Admitir, ela não pode. Mas Dilma sente apertar o cerco em torno dela. De um lado, Lula. Do outro, a Operação Lava Jato, que investiga a roubalheira na Petrobras.

Por que não digo de um lado Lula e do outro o juiz Sérgio Moro?

Simples. A Polícia Federal investiga. O Ministério Público também. Moro prende e depois solta àqueles sujeitos à sua jurisdição.

Manda os outros que gozam de fórum privilegiado para o Supremo Tribunal Federal (STF). Que confere vistas ao Procurador Geral da República. Que se pronuncia a respeito.

Então cabe ao STF abrir inquérito ou não.

Assim, não se pode responsabilizar unicamente Moro pelo perigo que bate à porta de Dilma. É risível dizer que ele está a serviço do PSDB. E que avança por aqui a construção de um Estado policial.

A maioria dos ministros do STF foi nomeada por Lula e Dilma. Os mensaleiros foram condenados por eles.

É do presidente da República a indicação do Procurador Geral da República. Ao ministro da Justiça subordina-se a Polícia Federal.

De resto, foi Lula que nomeou os diretores da Petrobras envolvidos com corrupção. A um deles chamava de “Paulinho”. Tão eficiente quanto “o nosso Delúbio”. Ou “Palocci, meu irmão”.

Como se pode falar em Estado policial contra o PT enquanto o PT por meio do governo controlar de alguma forma o aparelho do Estado? Piada! E sem graça. Ou desespero.

São os desacertos do PT, de Lula e de Dilma que explicam o que eles sofrem no momento. E é o oportunismo descarado de Lula que explica também o sufoco a Dilma.

De olho na sucessão dela em 2018, Lula empurra Dilma para uma encruzilhada: ou ela escolhe o caminho da resignação às vontades dele ou o caminho que a levará a perder o poder antes do tempo, pelo bem ou pelo mal.

A essa altura, derrubar Dilma, a teimosa, a criatura ameaçada pelo criador, interessa mais a Lula do que à oposição.

O que de pior poderá acontecer a Lula é chegar à próxima eleição presidencial amarrado a um governo impopular que carrega sua impressão digital. Será derrota na certa. Ele nem se arriscará.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

REPÚBLICAS BANANEIRAS

O teatro mais caro de todos os tempos

Lula e Chavez no palco de Abreu e Lima, com cenografia da Odebrecht

O operador de propinas da Odebrecht, Rogério Araújo, preso pela Lava Jato, enviou um e-mail aos seus colegas sobre a solenidade de assinatura do contrato da refinaria Abreu e Lima.

No e-mail, reproduzido pelo jornal Valor, ele avisa que Lula seria a estrela do evento e que a Odebrecht deveria ter “alguns equipamentos já mobilizados, para fazer parte do teatro”.

Considerando que Abreu e Lima, na assinatura do contrato, estava orçada em 4 bilhões de dólares e acabou custando cinco vezes mais, 20 bilhões de dólares, pode-se dizer que os brasileiros pagaram o ingresso de teatro mais caro de todos os tempos.*

(*) O Antagonista

 

 

DILMA VAI FICAR SANGRANDO…

Saiba como a hipótese do impeachment aparece nas conversas em Brasília

Processo só andará se houver acordo sobre quem o comandará

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De mansinho, nos bastidores, voltou aquela discussão recorrente na política sobre um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Nesta segunda-feira (29.jun.2015) cedo, deu-se uma conversa entre duas pessoas que acompanham a política muito de perto. Foi assim:

A  Perguntaram-me hoje o que acontece se Dilma Rousseff sofre o impeachment. Queriam saber quando e em que hipótese haveria uma nova eleição…

B – Se só sair a presidente Dilma, assume Michel Temer até o final do mandato.

A – É, mas essa história de Lava Jato é sobre propina para a campanha da presidente… Se for confirmada, atinge a chapa inteira. Até porque votamos para presidente e vice-presidente de maneira conjunta. É a chapa completa que fica atingida…

B – Nesse caso, saem os dois, se houver impeachment. Saem Dilma Rousseff e Michel Temer. E aí, como ainda não foram cumpridos 2 anos de mandato, tem de assumir o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e novas eleições são convocadas em 90 dias.

A – Aí começam os problemas. O PMDB do Michel Temer vai ser contra, pois serão todos colocados para fora do poder. O PMDB de Eduardo Cunha é mais modesto em tamanho e força para estar à frente do processo. Quem pode se interessar é o PSDB, pois pesquisas dizem que uma eleição hoje colocaria Aécio Neves na frente.

Aí terminou a conversa.

Como se observa, haver ou não haver impeachment depende de dois fatores.

O primeiro, por óbvio, é a existência de algum fato objetivo que complique criminalmente a presidente da República. O segundo é a necessidade de as forças políticas mais relevantes se entenderem sobre quem comandaria essa transição.

O indício sobre crime eleitoral na campanha de Dilma de 2014 já apareceu na delação premiada de Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC. A petista declarou que não respeita delatores. O problema é outro: tem de dizer o que achou do conteúdo da delação –e responder de maneira objetiva no caso de acusação se transformar em denúncia.

A união de forças anti-Dilma hoje exigira muita engenharia política.

Quando o Brasil teve o impeachment de Fernando Collor, em 1992, havia partidos políticos muito mais sólidos e estruturados. PMDB e PFL dominavam o centro do espectro político.

Hoje, a fragmentação é completa.

Por que os 10 partidos no momento grudados ao governo largariam esse conforto para apoiar uma nova eleição de um tucano –possivelmente Aécio Neves? Só o farão depois de ter segurança de que ficarão no mesmo lugar no qual se encontram.

Por essa razão, o impeachment pode até estar voltando aos poucos ao debate em Brasília. Mas a viabilização dessa saída é muito mais complexa do que possa parecer.*

(*)  Blog do Fernando Rodrigues – UOL

PADRÃO FIFA

Marin gasta R$ 1,9 milhão para tentar evitar prisão nos Estados Unidos

EX PRES LULA/CBF

O ex-presidente da CBF José Maria Marin, 83, preso na Suíça há 34 dias acusado de envolvimento em esquemas de corrupção, já gastou R$ 1,9 milhão em sua defesa, que tem como prioridade evitar que ele tenha de ficar em um presídio norte-americano.

Cerca de metade do dinheiro foi gasto na Suíça na tentativa de evitar que ele seja extraditado para os EUA.

A Justiça norte-americana tem até sexta-feira (3) para apresentar o pedido de extradição de Marin e de outros seis dirigentes do futebol mundial que estão detidos em prisão próxima a Zurique.

Os advogados tentarão, de início, evitar sua transferência, mas já têm cartas na manga para o caso de derrota.

Folha apurou que dois escritórios contratados pela família e amigos do dirigente –por quase R$ 1 milhão– já estudam firmar um acordo com o governo norte-americano, no qual ele se colocaria à disposição da Justiça e pagaria indenizações ao país.

Os advogados admitem, inclusive, que Marin abra o seu sigilo bancário e pague ao governo americano as multas correspondentes aos crimes pelos quais é acusado.

O acordo desenhado pela defesa do dirigente não prevê a confissão da culpa, nem mesmo uma espécie de delação premiada. Marin descarta repassar informações à Justiça americana sobre o caso.

A ideia da defesa é que, caso a extradição prospere, o acordo permita que ele não fique nos presídios de Nova York. Por causa de sua idade, a proposta da defesa é que ele tenha liberdade condicional.

Se o acordo for firmado, Marin ficaria em liberdade, mas com restrições de locais onde poderia transitar. Numa primeira etapa, ele precisaria usar tornozeleira eletrônica e, depois, poderia ficar apenas no Estado de Nova York, onde tramita o processo.

Mais à frente, o raio de restrição poderia ser expandido para os EUA todo. A defesa do cartola entende que, se houver a extradição, a melhor opção é propor esse acordo.

Caso ele vá para os EUA, a ideia é pedir, inclusive, que Marin possa responder ao processo em prisão domiciliar. O cartola tem um apartamento em Nova York.

Na hipótese de barrar a extradição, a estratégia será entrar com recurso na Justiça suíça para que Marin fique no país europeu enquanto responde ao processo nos EUA.

A defesa do dirigente já ouviu de autoridades norte-americanas que o processo de extradição está sendo elaborado e será enviado à Suíça até quinta-feira (2).

A partir de então, a Justiça suíça pode demorar até seis meses para avaliar o pedido.

A PRISÃO

Marin foi detido em 27 de maio, às vésperas da eleição da Fifa, em hotel de luxo de Zurique, com seis dirigentes, entre eles o ex-presidente da Conmebol Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, ex-vice da Fifa. Todos seguem presos.

No geral, os dirigentes são acusados de integrar um esquema de propina na negociação de acordos de transmissão de torneios nas Américas do Sul, Central e do Norte –entre eles, Copa América e eliminatórias para a Copa.*

(*) FOLHA DE SÃO PAULO

MULHER ANTA, JURAMENTADA

Depois da ode à mandioca, Dilma faz confusão com a história e as instituições

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Menos de uma semana depois do já célebre discurso em que saudou a mandioca e inventou a “mulher sapiens”, Dilma Rousseff comparou a delação premiada à tortura e fez um paralelo entre as apurações da Operação Lava Jato e a Inconfidência Mineira.

São muitas as confusões históricas da curta entrevista da presidente em sua viagem aos EUA. Justamente por isso, a fala foi recebida com desânimo no PT e nos escalões do governo –e logo no dia em que o ex-presidente Lula aproveitou a ausência da sucessora para pontificar na capital.

Ao igualar a delação premiada à tortura em um regime de exceção como a ditadura, Dilma omite que a colaboração judicial é um instituto legal. Mais: é um direito da defesa (portanto voluntária), regido por uma série de regras, sendo a principal a necessidade de provas que corroborem as acusações.

Além disso, ao mencionar os maus-tratos a presos políticos, Dilma novamente lembrou que ela mesma foi presa e torturada, um expediente que, pela repetição, vai perdendo a força de registro histórico para se transformar em muleta para os momentos de dificuldade política.

A comparação do empreiteiro Ricardo Pessoa com o traidor da Inconfidência Mineira Joaquim Silvério dos Reis é outro exotismo histórico. Silvério traiu seus companheiros ao entregar os inconfidentes. O que a presidente quis dizer com essa analogia? Que ela e os demais acusados seriam de alguma maneira “os pares” do empreiteiro investigado por corrupção na Petrobras?

Por fim, a petista disse “não admitir” que se insinue nada contra ela e contra sua campanha. Uma coisa são insinuações, outra é a delação premiada, e não cabe a Dilma “admitir” ser ou não alvo desse instrumento legal.

Ao dizer que, caso citada novamente, ela e os “ministros da área” tomarão as providências cabíveis, a presidente joga o peso do governo para intervir numa acusação que diz respeito às suas campanhas, algo questionável do ponto de vista institucional. *

(*) VERA MAGALHÃES – FOLHA DE SÃO PAULO

EU, HEIN, ROSA!

Dilma declara guerra a Ricardo Pessoa e diz que vai provar que ele mentiu na delação

A presidente Dilma Rousseff declarou guerra ao empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC. Em reuniões internas com integrantes do governo, ela se diz disposta a “anular os benefícios da delação premiada” do empresário, “provando” que ele mente em relação às doações feitas à sua campanha em 2014.

GUERRA 2
“Eu não tenho rabo preso com ninguém”, disse Dilma em um dos encontros internos, segundo duas testemunhas relataram à coluna.

GUERRA 3
Antes de fazer acordo de delação premiada, por sua vez, Ricardo Pessoa disparou vários recados. Ainda preso, ele fez chegar ao governo e a outros empresários a informação de que estava contrariado com uma suposta paralisia de Dilma Rousseff em relação às investigações.

GUERRA 4
Empreiteiros investigados na Lava Jato reclamavam que Dilma não se interessava pela Lava Jato por acreditar que a operação ficaria restrita às empresas, sem atingir o governo. Alguns deles acreditavam que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, poderia ter papel mais ativo para “coibir abusos” de policiais e até da Justiça, nas palavras de um empresário.

GUERRA 5
Marcelo Odebrecht, por exemplo, foi preso contrariado com a presidente. Ministros que acompanham de perto o caso dizem que interlocutores da família Odebrecht sinalizam que a contrariedade só faz aumentar.

GUERRA 6
O ex-tesoureiro do PT João Vaccari também tem emitido sinais de que está se sentindo “abandonado” na prisão de Curitiba. O partido recentemente saiu em sua defesa.

EU QUERO É PAZ
No meio do tiroteio, José Eduardo Cardozo já dá sinais de esgotamento, segundo amigos próximos. Sentindo-se pressionado pelas empreiteiras, o ministro ficou ainda mais incomodado com a ameaça do PT –o partido diz que vai “convidá-lo” para dar explicações sobre as ações da Polícia Federal, subordinada a ele.

CABO DE AÇO
A hipótese de Cardozo deixar o governo neste momento, no entanto, é remota, pela relação de extrema confiança que ele tem com a presidente Dilma Rousseff.*

(*) MONICA BERGAMO – FOLHA DE SÃO PAULO