DA PROLONGADA INSÔNIA

000- a coluna do Joauca - 500

Eis a implicação dos ateus:

Se Deus fez tudo do nada,

O nada é a essência de Deus.

 

Algodão entre cristais,

A minha vida parada

Passa depressa demais.

 

Nascer, morrer – ida e chegada…

O homem é uma frágil ponte

Ligando um nada a outro nada.

 

O poder corrompe, a fama embriaga,

O amor constrói, Deus é fiel…

Todo chavão é praga.

 

Na disfarçada idolatria

A Igreja  inventa seus santos

E a eterna virgindade de Maria.

 

Desminto meus alfarrábios:

O amor existe e  há de estar

Na doçura dos teus lábios.

 

A saudade aprisionada:

Na caixa, a trança e uma foto

De uma filha assassinada.

 

Tem dois lados toda fama:

O sopro que aviva a brasa

Apaga também a chama.

 

O que mais dói no meu ser:

As coisas que não fiz bem

E as que não pude fazer.

 

Ir ao topo é uma ambição:

Quanto mais alto subimos,

Melhor é a nossa visão.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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