COCHILOS DE QUEM ESCREVE

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Alberto Dines, na década de 70, quando era ombudsman da Folha de São Paulo, assinava uma coluna dominical chamada “Jornal dos jornais”, em que comentava deslizes linguísticos da mídia, não para criticar ou menosprezar, mas para orientar e reclamar mais atenção de seus colegas jornalistas.

Na coluna “Entre aspas”, Rubens Gomes publicava em A GAZETA uma seleção de frases alheias, mas evitava comentá-las porque, normalmente, eram frases que qualquer um que tenha  bom senso endossaria. Como Alberto Dines, não pretendo fazer pouco de ninguém, mas alertar os que escrevem, a fim de que tenham mais cuidado e releiam sempre seus textos antes de dá-los à estampa. Eis uma pequena lista de cochilos encontrados em textos alheios:

1.As vítimas do assassinato estavam indo embora da feira que acontece na região, dentro de uma Kombi. (A frase sugere que a feira acontece dentro de uma Kombi.)

2. Em pleno desespero, a dona de casa pulou com o filho de 1 ano e 2 meses nos braços do seu apartamento que fica no segundo andar. (A frase sugere que um apartamento tenha braços…)

3. Três suspeitos de intimidar testemunhas de crimes foram presos, a mando de presos. (Na verdade, os três eram suspeitos de intimidar testemunhas a mando de presos… Não foram os presos que mandaram prendê-los, como sugere a frase.)

4. A asa esquerda do Legacy atingiu o final da asa esquerda do Boeing  e se desprendeu. (Referência ao acidente aéreo que matou 154 pessoas. O texto dá a impressão de que foi a asa do Legacy que se desprendeu, mas foi a do Boeing.)

5. “…cumpriram, ontem, mandado de busca e apreensão na residência onde mora um casal de técnicos…”   (Melhor dizer: “na residência de um casal de técnicos”. Afinal, toda residência é lugar onde se mora…)

6. Se você tem interesse em abrir uma loja no Hortomercado, entre em contato com a empresa que irá administrar o local pelo telefone 9982… (O texto dá a impressão de que a empresa vai administrar por telefone…)

7. Avisos paroquiais ambíguos (colaboração dos amigos Roldão Simas Filho e José Lemos Sobrinho): a) Para quem tem filhos e não o saiba, temos na paróquia um espaço preparado para as crianças. b) O custo da participação na reunião sobre “Oração e Jejum” inclui refeições. c) Sexta-feira, às sete da tarde, as crianças da catequese representarão o Hamlet de Shakespeare no salão paroquial. A comunidade está convidada a participar dessa tragédia. d) Estimadas paroquianas: não esqueçais a venda de beneficência! É uma boa altura para vos livrardes de coisas inúteis que tendes em casa. Trazei vossos maridos. e) Quinta-feira que vem, às 5h da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as paroquianas que desejem fazer parte do grupo das mães devem dirigir-se ao escritório do pároco. f) As reuniões do grupo de recuperação da autoconfiança são às sextas-feiras, às 8h da noite. Por favor, entrem pela porta traseira. g) Assunto da catequese de hoje: “Jesus  caminha sobre as águas.” Assunto da catequese de amanhã: “À procura de Jesus.” h) O coro dos maiores de 60 anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia. i) Lembrem em suas orações todos os desesperados e cansados da nossa paróquia. j) O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia. l) O torneio de basquete das paróquias vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira. Venham nos aplaudir. Vamos tentar derrotar o Cristo Rei. m) Lembrem-se de que quinta-feira começará a catequese para meninos e meninas de ambos os sexos.

8. Ainda tenho e leio os contos da carochinha que há mais de cem anos encantaram meu avô, minha mãe e eu. (Crônica “Prazer de ler”, de Francisco Aurélio Ribeiro, A Gazeta, 22-06-2003) (O autor, além de usar o pronome eu como objeto direto, afirma ter mais de 100 anos. Corrija-se: Ainda tenho e leio os contos da carochinha que há mais de cem anos encantaram meu avô e minha mãe, e ainda hoje me encantam.)

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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BANANA REPUBLIC

O tempo fora de tempo

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Diz o Eclesiastes, um dos livros da Bíblia, que há um tempo para tudo, um tempo para tudo o que ocorre. Há, pois, que ter o tempo como aliado; e saber quando a hora não chegou. E, quando não for o tempo, adiar o que se deseja.

É justo ou não o pedido do ministro Joaquim Barbosa de aumento de salários no STF? Pode ser; mas não é hora de elevar agora o salário do STF para mais de R$ 30 mil, quando o salário mínimo talvez vá para R$ 722, e só no ano que vem. É correto manter o mandato do deputado federal Natan Donadon, do PMDB, preso por corrupção? Este colunista acha que não, a Câmara acha que sim; mas não é hora de criar a figura jurídica do deputado sem direitos políticos, que não pode votar nem ser votado, nem comparecer às sessões, mas continua deputado.

Não é o tempo certo para que a cúpula do país faça reivindicações, por justas que lhe pareçam. Multidões foram às ruas pedir seriedade na administração pública. Não é o tempo certo para que o governador do Ceará, do PSB, compre quatro helicópteros sem licitação e contrate bufês suntuosos para servi-lo; nem para que o senador Cássio Cunha Lima, do PSDB, arranje emprego público para a namorada, a sogra e o cunhado; nem para que o governador gaúcho, do PT, gaste R$ 400 mil do Tesouro para avaliar se o jornal Zero Hora o trata com imparcialidade; nem para que o governador do Piauí, do PSB, queira pagar seu hidratante, xampu reparador e gel esfoliante com dinheiro público. Puro deboche.

Parafraseando o Eclesiastes, que proveito tirou o povo de suas manifestações?

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Sabedoria antiga

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Um grande historiador, Capistrano de Abreu (1853-1927) dizia que a nossa Constituição deveria ter apenas dois artigos: “1 – Todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara. 2 – Revogam-se as disposições em contrário”.

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O caminho das pedras

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Em duas semanas, dois jogos em Brasília, com times de fora, e duas grandes brigas no Estádio Mané Garrincha. Um torcedor do Flamengo foi seriamente machucado por são-paulinos; corinthianos e vascaínos brigaram a pauladas, ignorando a Polícia. Três dos brigões corinthianos estavam entre os detidos em Oruro, após a morte do garoto boliviano Kevin Strada. Fala-se em proibir as torcidas organizadas, mas isso não funciona: basta que troquem de nome, e pronto.

No caso Watergate, a principal fonte dos jornalistas que revelaram o escândalo repetia sempre um lema: “Sigam o dinheiro”. O que se tem de fazer no futebol é buscar o caminho do dinheiro. Como puderam os briguentos ir a Oruro, viajar de avião a Brasília, comprar os caros ingressos, fora outras despesas? Os que ficaram detidos em Oruro por vários meses certamente perderam o emprego. Quem paga suas viagens?

Achando-se a resposta, as brigas acabam na hora.

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Ela não sabia!

Eduardo Gaievski, assessor da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, está foragido: exonerou-se e desapareceu depois de ter sido acusado de abusar sexualmente de meninas pobres, pagando-lhes de R$ 150 a R$ 200 (há outras acusações contra ele, mas esta é a mais grave). Gaievski foi prefeito de Realeza, no Paraná, preparava sua candidatura a deputado estadual pelo PT e seria coordenador da campanha de Gleisi ao Governo do Estado, no ano que vem.

E que disse a petista Gleisi sobre o caso? Claro: que não sabia de nada. Que, antes de nomear o assessor, o Governo consultou a ABIN, a Justiça, cartórios “e todos os órgãos necessários”, mas não recebeu informações porque os processos contra ele corriam em segredo de justiça. Pois é. Mas talvez tenha se esquecido do Cartório da Comarca de Realeza.

A certidão, mediante simples consulta, lista 12 ações contra Gaievski, incluindo a de exploração sexual.

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Dúvida pertinente

Uma pergunta: que significa “rigoroso inquérito”? Há inquéritos dignos desse nome que não sejam rigorosos? A propósito, já existe algum resultado do “rigoroso inquérito” sobre as denúncias da Siemens a respeito do cartel nos fornecimentos para trens urbanos e Metrô em São Paulo, que conforme as denúncias funcionaria desde o Governo Mário Covas, o primeiro da atual dinastia do PSDB?

Há gente daquela época até hoje ocupando cargos importantes, e seria de seu interesse que tudo fosse logo esclarecido, para afastar qualquer suspeita.

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A fila anda

É bom que o “rigoroso inquérito” sobre o cartel em São Paulo ande logo, porque parece que há mais coisas rolando. Existe quem fale em problemas em outros Estados, em fornecimentos para usinas e trens de passageiros regionais.

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Faça o que eu digo

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Está em pleno desenvolvimento o esforço governista de demonização do senador boliviano Roger Pinto, que ficou 455 dias isolado num quarto da Embaixada brasileira em La Paz e fugiu para o Brasil com auxílio do diplomata Eduardo Saboia. Todas as acusações que o Governo boliviano fez contra ele foram descartadas pelo Governo brasileiro, ao conceder-lhe asilo; mas agora são utilizadas como se fossem verdadeiras e comprovadas.

Veja o que diz José Dirceu – o próprio – em seu blog: “Molina, que deveria estar cumprindo pena (…)”

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

Na luz, as sombras

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Que há um heroi nessa história, não há dúvida: o diplomata Eduardo Saboia honrou as melhores tradições do Itamaraty e da política externa brasileira ao retirar o senador boliviano Roger Pinto, asilado político, do insalubre confinamento a que tinha sido relegado pelo nosso Governo por 455 dias. Que o Governo brasileiro agiu como comparsa das autoridades bolivianas que perseguiam o asilado político, também não há dúvida: as ordens para que a vítima não pudesse sequer tomar banho de sol partiram de dirigentes brasileiros, não dos bolivianos.

Tirando essas duas constatações, só há dúvidas. A história de que o principal adversário político do presidente Evo Morales saiu da Embaixada brasileira em La Paz na companhia de um diplomata e dois fuzileiros navais, rodou 1.600 km e chegou a Corumbá, MS, sem ser incomodado, não se sustenta. Imaginemos a cena: um diplomata determina a dois fuzileiros navais que o acompanhem numa viagem ao Brasil e os dois sequer comunicam a saída a seus chefes. Os carros são parados em vários postos rodoviários bolivianos e ninguém reconhece o passageiro, um político famoso, que vivia aparecendo na TV e nos jornais; e ninguém acha estranho que dois carros com chapa diplomática transportem fuzileiros navais. Passam a fronteira numa boa, sem identificação. E só em Corumbá, depois que telefonam às autoridades, é que o Governo descobre que fugiram.

Saboia diz que o Governo boliviano já havia indicado que não se oporia a uma fuga desse tipo.

Pelo jeito, quem se opunha era Dilma. Ou não.

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Nas sombras, a luz

Saboia é herdeiro da boa imagem do Itamaraty em Direitos Humanos. Na Alemanha nazista, dois funcionários diplomáticos brasileiros, Aracy, O Anjo de Hamburgo, e seu marido, o cônsul (e grande escritor) Guimarães Rosa desobedeceram às ordens do Governo brasileiro e deram vistos a judeus perseguidos pelos nazistas.

Na mesma época, o Governo brasileiro prendia e entregava à Alemanha a esposa do líder comunista Luiz Carlos Prestes, Olga Benário. Lá foi fuzilada.

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Nas sombras, as sombras

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O chanceler Antônio Patriota levou a culpa sabe-se lá do que, e foi punido com a perda do cargo e a nomeação para a ONU, em Nova York. Ou seja, não houve punição: ganhou um belo posto e só perdeu o cargo que jamais ocupou.

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Os sombrios

Hoje, começa nas redes sociais ampla campanha de difamação do senador Roger Pinto. Ele cometeu o crime máximo: opôs-se a um Governo bolivariano.

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…sin perder la ternura

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Noticia do bem-informado e respeitado jornalista Jorge Moreno, em sua coluna Nhenhenhém (http://oglobo.globo.com/pais/moreno/), dia 24: “O caso do aposentado do Senado que exige que o plano de saúde pague sua cirurgia de colocação de prótese peniana pode se transformar num dos maiores escândalos do Congresso Nacional.O dito-cujo tem a lista de todos os senadores, incluindo ex-presidentes do Senado, que tiveram o procedimento pago com dinheiro público”.

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Hay que endurecerse…

Para que o caro leitor não tenha o trabalho de pesquisar, eis os presidentes do Senado do ano 2000 até hoje: Jáder Barbalho, Édison Lobão, Ramez Tebet, José Sarney, Tião Viana, Garibaldi Alves Filho e Renan Calheiros.

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Saúde  e educação

Protestar contra a importação de médicos estrangeiros sem que façam o exame de revalidação do diploma é uma coisa; insultar os estrangeiros que vieram a convite do Governo brasileiro é outra, e grave. Contestar quem os convidou é um direito; mas receber os convidados com cortesia é obrigação. A grosseria dos médicos brasileiros em Fortaleza tira toda a razão que possivelmente tenham.

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Risco

Há tantas acusações conturbando o ambiente que os médicos cubanos ainda vão ser denunciados por formação de padilha.

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Inzoneiro

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É fácil entender a crise brasileira. Basta lembrar que:

1 – O Governo petista de São Paulo, a maior cidade do país, quer dar prioridade ao transporte público e dificultar o uso de automóveis. O Governo petista do Brasil reduz impostos para venda de automóveis e segura o preço da gasolina.

2 – Como a frota de automóveis particulares cresceu, beneficiada pelos incentivos e pela estabilidade do preço dos combustíveis, a Petrobras importa petróleo e gasolina, pagando mais caro do que cobra quando vende. Não está sobrando muito para sua prioridade declarada, a exploração do petróleo do pré-sal.

3 – O Brasil exporta minério de ferro e importa trilhos.

4 – A primeira linha de Metrô de Salvador está sendo construída há 13 anos. Ainda não foi concluída.

Mas existem equipamentos comprados há vários anos, já armazenados, já pagos e já inutilizados por falta de uso. E não é só lá, não.

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Passeando de moto

O grande filme sobre o uso de motos Harley-Davidson para espairecer é Easy Rider, com Peter Fonda e Dennis Hopper.

Em português, o título é Sem Destino.*

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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ILUSIONISTA JURAMENTADO

Lula, o censor!

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Indique a resposta certa:

Por que Lula repete com tanta insistência que o PT não precisa da opinião de “formadores de opinião” para saber como se comportar com decência?

Opção A: Porque a opinião dos “formadores de opinião” rejeitada por ele costuma ser contrária ao modo de o PT se comportar. Se fosse favorável, ele não reclamaria;

Opção B: Porque detesta “formadores de opinião” em geral e alguns em particular. Beneficia-se da opinião daqueles que o reverenciam, mas nem desses gosta muito;

Opção C: Porque a crítica aos “formadores de opinião” lhe garante largo espaço nos meios de comunicação. Isso massageia seu ego e atrai a solidariedade dos petistas;

Opção D: Nenhuma das opiniões acima;

Opção E: Todas as opiniões acima.

(Não responda sem antes refletir um pouco. Lula é um cara complexo. Salvo a turma de sua época de sindicalista, poucos o conhecem de fato. Por esperto, espertíssimo, engana correligionários e adversários com facilidade. Com frequência não diz o que pensa, mas o que seus interlocutores querem ouvir. E depois faz o que quer. Em resumo: é um político nato à moda antiga. Mais para samurais do que para ninjas.)

De volta ao questionário. Cravou uma das opções?

A certa a meu ver: a opção E (Todas as opiniões acima).

Lula trata o PT como um filho. Por sinal, vive comparando o PT a um filho desde a época do estouro do escândalo do mensalão. Disse algo assim: “Qual o pai que pode saber o tempo todo o que seus filhos estão fazendo?”

Com isso quis se declarar inocente.

Entre ser entrevistado ao vivo pelo Jornal Nacional no dia seguinte à sua eleição em 2002 e começar a apanhar quando Roberto Jefferson denunciou o suborno de deputados, foi um pulo. Ali acabou a lua de mel de Lula com a imprensa.

Saiu de cena o ex-sindicalista que passou a perna em todo mundo e alcançou a presidência da República. Entrou o ex-sindicalista que se dizia perseguido pelas elites – embora elas jamais tenham lucrado tanto quanto no governo dele, embora ele as tenha paparicado sempre que pode, embora elas, hoje, torçam por sua volta ao poder.

O fato de não ter estudado porque não quis e de ter sucedido alguém que nunca parou de estudar alimentou em Lula um certo desprezo por aqueles que sabem pensar e expressar o que pensam.

Como se acha bem-sucedido – e de fato o é – imagina-se merecedor de todos os elogios possíveis e um injustiçado quando eles escasseiam. Ou quando são superados pelas censuras.

Disse um dia (cito de memória): “Gosto de publicidade. De notícias, não”.

Existe publicidade positiva e negativa. É da primeira que naturalmente ele gosta. Sobre a notícia ele não exerce controle. Exerce sobre a publicidade desde que pague a conta. Ou que tenha quem pague.

Talvez tenha sido o primeiro político dos tempos interessantes que vivemos a intuir que tratar mal a imprensa lhe renderia generoso e gratuito espaço na… imprensa. E assim procede até aqui.

Seus admiradores mais simplórios apreciam a disposição com que ele destrata jornalistas, formadores de opinião e os mais poderosos conglomerados de comunicação. Lula lhes fornece argumentos para justificar todos os passos do PT. E eles se sentem aptos a travar discussões com seus desafetos.

Não é bacana? *

(*) Blog do Noblat.

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BANANA REPUBLIC

CHEIRANDO A ÓRÉGANO

em-nossa-direção

O STF não pode impor sua vontade. Viver em um Estado de Direito significa fazer tudo o que eu posso, e não tudo o que eu quero.*

(*) Luis Roberto Barroso, ministro do STF, ao defender que o Congresso decida sobre a perda de mandato de parlamentares condenados.

 

PENSANDO BEM…

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…tem batata assando, mas também há um certo cheiro de pizza no forno dos mensaleiros, no Supremo Tribunal Federal.*

(*) Diário do Poder

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NO PAÍS DOS MARKETEIROS

Dilma supera Lula nas despesas com propaganda;

juntos, gastaram R$ 16 bi

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Média anual é 23% maior com atual presidente, que vai tentar reeleição em 2014; montante desembolsado daria para pagar quase duas obras de transposição do São Francisco

Os gastos com propaganda do governo federal nos dois primeiros anos da gestão de Dilma Rousseff, incluindo estatais, é 23% maior, na média, do que nos oito anos de mandato de seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente também vem gastando mais – cerca de 15% -, na média, na comparação com o segundo mandato de Lula.

Ao todo, em dez anos de governo petista foram desembolsados, incluindo todos os órgãos da administração, cerca de R$ 16 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, segundo levantamento inédito do Estado.

A quantia é quase igual aos R$ 15,8 bilhões que o governo pretende investir no programa Mais Médicos até 2014. Com o valor também seria possível fazer quase duas obras de transposição do Rio São Francisco, atualmente orçada em R$ 8,2 bilhões.

Em mobilidade urbana, seria possível construir entre 25 km e 30 km de metrô em São Paulo – um terço da atual malha – ou então colocar de pé, na capital paulista, cinco monotrilhos iguais ao que ligará o Jabaquara ao Morumbi, na zona sul, passando pelo aeroporto de Congonhas.

O dinheiro gasto pelo governo com publicidade poderia também manter congelada em R$ 3 a tarifa de ônibus na cidade de São Paulo durante 50 anos.

Ainda para efeito de comparação, o valor é duas vezes superior aos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que Dilma anunciou para a capital paulista há dez dias, e que servirá para construir 127 km de corredores de ônibus, recuperar os mananciais das represas Billings e Guarapiranga, drenar vários córregos da capital e construir moradias para 20 mil famílias.

Os dados sobre os gastos com publicidade foram solicitados, via Lei de Acesso à Informação, a cada um dos órgãos que a Secretaria de Comunicação Social (Secom) informou ter assinado algum contrato publicitário desde 2003. Os dados foram computados com base na resposta fornecida por eles – o governo federal afirmou que não dispõe dessas informações de maneira centralizada.

Ao comentar os resultados do levantamento, o governo ressaltou que as despesas da administração direta – ministérios e Presidência – têm o objetivo de “levar à população, em todo o território nacional, informações de utilidade pública para assegurar seu acesso aos serviços a que tem direito e prestar contas sobre a utilização dos recursos orçamentários”.

No caso dos gastos da administração indireta, como as estatais, o governo argumentou que se trata de empresas que, apesar de públicas, concorrem no mercado, portanto precisam ter a imagem bem trabalhada.

Atualmente Dilma enfrenta problemas de popularidade, que já bateu recordes, mas, depois das manifestações de junho, enfrentou uma forte queda. No fim de semana, o Datafolha divulgou nova pesquisa que mostra uma pequena recuperação da aprovação do governo.

Médias comparadas. Nos dois primeiros anos de mandato da presidente Dilma, o governo federal gastou R$ 3,56 bilhões, média de R$ 1,78 bilhão por ano.

Nos oito anos de Lula, o governo desembolsou R$ 11,52 bilhões, média de R$ 1,44 bilhão. No primeiro mandato, a média foi de R$ 1,32 bilhão. No segundo, de R$ 1,55 bilhão – sempre lembrando que se trata de valores atualizados pela inflação.

O dado global de gastos com propaganda, de R$ 16 bilhões, pode ser, na verdade, ainda bem maior. Isso porque o Banco do Brasil se recusou a informar os seus gastos com publicidade entre 2003 e 2009.

Só há dados disponíveis de 2010 a 2012. Por essa razão, a fim de evitar distorções, os dados referentes ao banco só foram incluídos no valor global, ou seja, nos R$ 16 bilhões, mas descartados na comparação entre os anos.

Apenas para se ter uma ideia, entre 2010 e 2012, o Banco do Brasil gastou, também em valores corrigidos pela inflação, R$ 962,3 milhões com publicidade, média anual de R$ 320,7 milhões. É, no período, o segundo órgão que mais gastou, atrás da Caixa Econômica Federal.

Banco do Brasil à parte, a Caixa Econômica, a Petrobrás e os Correios, somados, representam 51,12% de tudo o que o governo destinou a ações publicitárias nos dez anos de gestão petista.

Por causa do peso dessas três gigantes, a administração indireta – que engloba autarquias, fundações, sociedades de economia mista, empresas públicas e agências reguladoras – concentrou 69,4% dos gastos do governo com publicidade.

Três companhias energéticas que integram a administração indireta – Alagoas, Piauí e Rondônia – não responderam ao questionamento do Estado.

Na administração direta, apenas o Ministério do Trabalho e Emprego não enviou seus dados de despesas com publicidade.

A Secom, que formula a estratégia de comunicação da Presidência, é o órgão mais gastador da administração direta, tendo sido responsável pelo desembolso de R$ 1,68 bilhão no período de dez anos. Ela é seguida pelos ministérios da Saúde, das Cidades e da Educação.

Tanto no caso da administração direta quanto da indireta, houve aumento dos gastos publicitários de 2003 para 2012. No primeiro caso, saltou de R$ 255 milhões para R$ 626 milhões, aumento de 146%. No segundo, de R$ 775 milhões para R$ 1,15 bilhão, crescimento de 48%.

Também nos dois casos, o pico de gastos ocorreu em 2009. A Secom e os ministérios gastaram R$ 752 milhões, e a administração indireta, R$ 1,22 bilhão. Era o terceiro ano do segundo ano de mandato de Lula.*

(*) Fernando Gallo – O Estado de S. Paulo

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ESCOLHER PALAVRAS

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Há um ruído na comunicação que pode provocar constrangimentos: o uso de uma palavra no lugar de outra, sobretudo quando se trata de parônimos, isto é, de palavras que se parecem na forma ou no som, mas diferem (e muito) no sentido, como, por exemplo, tráfico e tráfego, velhote e velhaco, docente e discente, vultoso e vultuoso, entre outros.

Entre os problemas da má seleção lexical, isto é, da má seleção de palavras, está o uso hoje generalizado, mesmo entre professores de português e linguistas de boa reputação, do nome gênero para designar sexo. É comum falar-se em gênero masculino quando se quer designar o sexo masculino. Acredito que esse vício de linguagem se deva à tradução literal do inglês gender, que pode significar tanto gênero quanto sexo. Ora, gênero é uma distinção gramatical, e sexo é uma distinção semântica. Um nome pode pertencer ao gênero masculino e designar alguém do sexo feminino, como mulherão, por exemplo, que, apesar de masculino, designa uma mulher extremamente feminina.  Também pode ocorrer que um nome  feminino designe alguém do sexo masculino, como sentinela, criança, vítima, testemunha, por exemplo. Não há razão para essa confusão entre gênero e sexo, nem há nenhum argumento que possa defender o uso de um pelo outro. Se esse erro se generalizar, cedo ouviremos falar de “relações genéricas” em lugar de “relações sexuais” e  de “sexo lírico e dramático” em lugar de “gênero lírico e dramático”. Um transexual viraria um transgenérico? Um remédio genérico nas farmácias viraria remédio sexual?

Inventou-se recentemente a palavra pedólatra (não dicionarizada) que, por sua formação, deveria designar aquele que adora crianças, como  um sinônimo não estigmatizado de pedófilo. Ocorre, no entanto, que a formação dessa palavra desrespeitou a sua origem etimológica e provocou confusão, porque seu uso se generalizou com o sentido de “aquele que adora pés” (podófilo ou podólatra). A confusão é tanta que um escritor chamado Miguel Dias ganhou o primeiro lugar num dos concursos “Talentos da Maturidade”, do Banco Real e teve seu conto “O pé de Júlia” publicado no livro Todas as estações, prefaciado por Deonísio da Silva, e publicado pela Editora Fundação Peirópolis, de São Paulo, em 2002. Diz ele, nas páginas 38-39: “Que não se confunda o pedólatra com o pedófilo. Condenável é a pedofilia (…). Menos grave é um indivíduo que adora pés (…).” O autor quis dar uma lição de semântica sem entender do riscado…

Outro erro de seleção lexical é o neologismo chocólatra, que é usado para designar aquele que adora chocolate, mas, pela sua má-formação, designa o adorador do choco, nome que em Portugal designa um molusco da família do polvo, conhecido no Brasil como siba. O adorador de chocolate deveria chamar-se chocolatólatra e não chocólatra.

Há também o adjetivo julinas, formado por analogia com juninas e usado para designar as festas de julho. Ocorre que as festas realizadas em julho são festas julianas. O nome julinas simplesmente não existe.

Um vereador (já falecido) queixou-se do salário dizendo que era um salário “pingue”. Por uma questão de sinestesia, achou que, por causa da tônica em i, pingue significaria “magro”, ou “diminuto”. Na verdade, pingue significa exatamente “gordo, abundante”. Se o salário era pingue, o vereador deveria dar-se por satisfeito..

Numa crônica intitulada  “Uma volta ao Caparaó”, publicada em A Gazeta, no dia 09-12-08, o cronista Francisco Aurélio Ribeiro escreveu: “…a bela, limpa e simpática cidade serrana do Caparaó se engalana, numa noite imemorável de cultura e arte.” – Eis aí outro erro de seleção lexical. O adjetivo imemorável é sinônimo de “imemorial”. Significa: “de que não há ou não pode haver memória, por causa de sua extraordinária antiguidade”. O adjetivo memorável é que significa “digno de permanecer na memória”, o que certamente terá querido dizer o cronista…

A língua, às vezes, prega armadilhas a quem escreve ou diz uma palavra sem saber exatamente o que ela significa…

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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FARINHA DO MESMO SACO – PODRE!

Executivo afirma que Serra sugeriu acordo em licitação

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O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) sugeriu à multinacional alemã Siemens um acordo em 2008 para evitar que uma disputa empresarial travasse uma licitação da CPTM, de acordo com um e-mail enviado por um executivo da Siemens a seus superiores na época.

A mensagem relata uma conversa que um diretor da Siemens, Nelson Branco Marchetti, diz ter mantido com Serra e seu secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, durante congresso do setor ferroviário em Amsterdã, na Holanda.

Na época, a Siemens disputava com a espanhola CAF uma licitação milionária aberta pela CPTM para aquisição de 40 novos trens, e ameaçava questionar na Justiça o resultado da concorrência se não saísse vitoriosa.

A Siemens apresentou a segunda melhor proposta da licitação, mas esperava ficar com o contrato se conseguisse desqualificar a rival espanhola, que apresentara a proposta com preço mais baixo.

De acordo com a mensagem do executivo da Siemens, Serra avisou que a licitação seria cancelada se a CAF fosse desqualificada, mas disse que ele e Portella “considerariam” outras soluções para evitar que a disputa empresarial provocasse atraso na entrega dos trens.

Segundo o e-mail, uma das saídas discutidas seria a CAF dividir a encomenda com a Siemens, subcontratando a empresa alemã para a execução de 30% do contrato, o equivalente a 12 dos 40 trens previstos. Outra possibilidade seria encomendar à Siemens componentes dos trens.

Serra disse à Folha que não se encontrou com executivos das empresas interessadas no contrato da CPTM e afirmou que a licitação foi limpa, com vitória da empresa que ofereceu menor preço.

O ex-secretário Portella disse que as acusações são absurdas e que não houve irregularidades na licitação.

O e-mail examinado pela Folha faz parte da vasta documentação recolhida pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, na investigação aberta para examinar a prática de cartel em licitações da CPTM e do Metrô de São Paulo de 1998 a 2008.

Os documentos examinados pela Folha não contêm indícios de que Serra tenha cometido irregularidades, mas sugerem que o governo estadual acompanhou de perto as negociações entre a Siemens e suas concorrentes.

Em outra mensagem de Marchetti, de setembro de 2007, o executivo diz que o governo paulista “gostaria de ver a Siemens contemplada com pelo menos 1/3 do pacote” da CPTM, em “parceria” com as outras empresas.

Os documentos foram entregues ao Cade pela própria Siemens, que fez um acordo com as autoridades brasileiras para colaborar com as investigações e assim evitar as punições previstas pela legislação para a prática de cartel.

Procurado pela Folha, o Cade informou que o caso está sob sigilo e nenhuma informação sobre o assunto poderia ser repassada à imprensa.

Na licitação dos trens, as negociações da Siemens com a CAF não deram resultado. A Siemens apresentou recursos administrativos e foi à Justiça contra a rival, mas seus pedidos foram rejeitados.

A CAF venceu a licitação e assinou em 2009 o contrato com a CPTM. A empresa espanhola executou o contrato sozinha, sem subcontratar a Siemens ou outras empresas.

A francesa Alstom também participou dessa concorrência. De acordo com os documentos entregues pela Siemens, a empresa tinha um acordo com a rival francesa para dividir o contrato se uma das duas vencesse a disputa.

Os documentos obtidos pelas autoridades brasileiras mostram também que, mais tarde, ao mesmo tempo em que negociava com a CAF, a Siemens discutiu a possibilidade de uma aliança com outra rival, a coreana Hyundai, contra os espanhóis da CAF.

(*) FLÁVIO FERREIRA, DE SÃO PAULO; CATIA SEABRA E JULIANNA SOFIA, DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

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POBRE PAÍS!!!

Dilma usa Lula como escudo

00rs0801b - volta, lula !!!

Quem de direito governa este país?

Dilma Rousseff, naturalmente. Porque foi eleita. E a Justiça reconheceu sua eleição como legítima.

Quem de fato governa este país?

Uma vez mais a resposta é Dilma. É ela é quem despacha no Palácio do Planalto e mora no Palácio do Alvorada. Reúne-se com ministros quando quer. E assina papéis.

Lula não influencia as decisões que ela toma? Principalmente as mais importantes?

É claro que sim. Mas se Lula mandasse tanto em Dilma como parece, é possível que o governo dela pedisse menos reparos.

Dilma não desobedece a Lula por mal. Nem por birra. Nem porque queira provar que é ela quem governa. Dilma, apenas, não consegue fazer tudo o que Lula sugere. E do jeito que ele sugere.

Na campanha eleitoral de 2010, Lula apresentou Dilma como melhor gestora do que ele. Disse que por isso deveria ser eleita.

Comprovou-se que Lula foi melhor gestor do que ela. Dilma é uma gestora medíocre. Por sinal não é gestora: é uma gerentona. São coisas diferentes.

Embora reconhecesse o temperamento um tanto áspero de Dilma e sua dificuldade em se relacionar bem com os políticos, Lula garantiu que no fim tudo daria certo.

Não deu – embora o fim ainda não tenha chegado.

É cômodo para Dilma que Lula aparente conduzi-la – e ao seu governo. Só assim ela pode compartilhar com ele os bons e maus resultados.

O compartilhamento dos maus resultados a protege um pouco.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Dilma se viu diante da seguinte pergunta:

– O que acha do movimento “Volta, Lula” em 2014?

A resposta:

– Querida [quando ela trata alguém por “querida” ou “querido” significa que está aborrecida], olha, vou te falar uma coisa: eu e o Lula somos indissociáveis. Então esse tipo de coisa, entre nós, não gruda, não cola. Agora, falar volta Lula e tal… Eu acho que o Lula não vai voltar porque ele não foi. Ele não saiu. Ele disse outro dia: “Vou morrer fazendo política. Podem fazer o que quiser. Vou estar velhinho e fazendo política”.

“Eu e Lula somos indissociáveis”, destacou Dilma. E teve razão para fazê-lo.

Se fossem dissociáveis ela não teria sido eleita. A maioria das pessoas votou “na mulher de Lula”. Raras as que tinham condições de avaliar se Dilma merecia seu voto. Lula pediu. Deram.

Se Lula e Dilma fossem dissociáveis, a essa altura ela estaria ainda mais próxima do fundo do poço. A verdade é essa.

“Eu acho que o Lula não vai voltar porque ele não foi. Ele não saiu”, afirmou Dilma.

Cortesia com Lula?

Sim, mas não somente. Aqui Dilma foi esperta.

Ao ressaltar que Lula não voltará ao governo ou ao poder porque jamais o deixou, Dilma aumenta a ligação dele com ela. Dilma vale-se de Lula como um escudo.

Se essa não foi sua intenção, esse é o resultado.

Dará certo valer-se de Lula como escudo?

Sabe-se lá!

Talvez constranja Lula e o PT. Talvez os levem a tentar salvá-la de todos os modos.

Foram eles que pariram Dilma. Ela não pediu para chegar onde chegou.

Eles, portanto, que a embalem.*

 

(*) Blog do Ricardo Noblat

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