E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

Mantega diz que crise de Eike Batista afetou imagem do país

000 - eike aista - mamando sempre

A crise nas empresas de Eike Batista afetou a imagem da economia do país. A opinião é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que participa de evento em São Paulo nesta segunda-feira (30).

O ministro afirmou que a queda das ações da petroleira OGX “já causou problemas para a imagem do país e para a Bolsa de Valores, que teve uma deterioração”.

Segundo Mantega, a situação das empresas controladas por Eike afeta o próprio desempenho da economia brasileira e “nossa reputação na Bolsa de Valores, que é muito boa”.

De acordo com o ministro, apesar da “Bolsa estar subindo agora, teve uma queda de perto de 10% por conta dessas empresas de Eike”.

“É o mercado o que tem que solucioná-la. Não é o Governo que tem que fazer algo. Espero que eles consigam se recompor o mais rápido possível”, disse.

As empresas do bilionário enfrentam uma séria crise de confiança no mercado e grandes perdas na Bolsa de Valores. Somente neste ano, a OGX perdeu R$ 13,3 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria Economatica.

Na semana passada, Mantega já tinha dito que a solução para a OGX não é problema do governo. “É um grupo privado. Não tem uma ligação com o governo e, portanto, a solução da OGX é de mercado. É o mercado quem tem de dizer quando o grupo vai ser saneado e quando vai deixar de causar problemas para o mercado de capitais.”*

(*) UOL

 

A PROPÓSITO

000 - a cara+pau

Pensando bem…

…já que não tem autossuficiência em petróleo, o Brasil bate recordes na produção de óleo de peroba.*

(*) Diário do Poder

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XEROX DE LIVROS

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Já se cogitou há algum tempo de um projeto de lei que permita a cópia xerográfica não apenas de capítulos de livro, mas também do livro inteiro, desde que seja para uso pessoal, sem intenções comerciais.  O preço do livro é alto demais no Brasil, e, sobretudo no caso de obras coletivas, é preferível  ter apenas o capítulo desejado e não o livro inteiro. A cópia é muito mais barata.

Reconheço que um estudante terá sua vida facilitada se lhe for permitido copiar o livro inteiro, já que a cópia, por mais páginas que tenha, é sempre mais barata. Mas o autor do livro copiado pode ser seriamente prejudicado.

Em 1982, Celso Pedro Luft publicou pela L& PM, de Porto Alegre, o livro O Gigolô das Palavras, título de uma crônica de Luís Fernando Veríssimo, equivocadamente analisada pelo gramático que achava estar publicando lições com embasamento linguístico. No dia 25-8-85, publiquei no Suplemento Literário do Minas Gerais uma crítica a esse livro  mostrando que muitas das observações do autor eram inadequadas, por se respaldarem em obras superadas, como a de Charles Hockett, A course in modern linguistics, publicada pela Macmillan de Nova Iorque em 1958. Uma das afirmações de Luft (que não levou em conta o fato de ter-se apoiado num livro escrito trinta anos antes) era a de que uma criança de três anos já é um adulto linguístico e sabe, portanto, fazer análise sintática (o que ele queria dizer é que a criança já constrói frases sintaticamente organizadas).  Ora, em 1974, quase uma década antes do lançamento do livro de Luft, já havia saído pela Eldorado, do Rio de Janeiro, organizado pelas professoras Maria Stella Fonseca e Moema F. Neves, o livro Sociolinguística, em cujas páginas 49-85 se encontra um estudo primoroso de William Labov intitulado “Estágios na aquisição do inglês Standard”, que mostra que é apenas a partir dos cinco anos que a criança, ao entrar na escola e ao pôr-se em contato com outras crianças, vizinhos e colegas,  aprende o dialeto do grupo e se distancia do dialeto familiar. Pode-se dizer, portanto, que uma criança de três anos apenas domina a gramática básica, em seu contato com a família.

Luft não gostou da minha crítica e partiu para uma resposta agressiva, publicada no Suplemento Literário, no dia 2 de novembro de 1985. A polêmica prosseguiu até o dia 27 de setembro de 1986, com meu artigo intitulado “Dissonância cognitiva”, em que mostro, citando Humberto de Campos, Rubem Braga  e Manuel Bandeira, entre outros cronistas, que, ao contrário do que afirmava Luft, a combinação de pronomes, a mesóclise e o emprego de tu e vós ainda se encontram em escritores brasileiros contemporâneos e não devem ser retirados das gramáticas de língua portuguesa.

No final de 1986, José Hildebrando Dacanal, que trabalhava na Editora Mercado Aberto e costumava ler o Suplemento Literário, pediu-me que reunisse todos os meus artigos da polêmica e organizasse um livro sobre o ensino da língua. Assim, em 1988, saiu, pela Mercado Aberto, o  meu livrinho Por uma política do ensino da língua, em que não cito Luft, porque, como justifiquei com o Dacanal, meu livro era uma proposta e não uma resposta.

Em 1988, ainda, a professora Edith Pimentel Pinto, pediu aos seus alunos de pós-graduação da Universidade de São Paulo, que analisassem os três livros que tratavam do mesmo assunto: o de Celso Luft, acima citado; o de Evanildo Bechara, intitulado Ensino da Gramática: Opressão? Liberdade? (São Paulo:Ática, 1985), também contradizendo Luft, embora indiretamente; e o meu. Os alunos compraram os livros de Luft e Bechara, mas acharam mais barato tirar cópia do meu, que era o mais fininho dos três… Resultado: fiquei sem receber os direitos autorais dos 30 exemplares que os alunos da Dra. Edith deixaram de comprar…

É por isso que sou contra a permissão de se fazerem cópias xerográficas de livros inteiros… Apesar de tudo, restou-me o consolo de saber que meu livro foi lido, analisado e eleito o segundo melhor dos três. O de Luft ficou em terceiro lugar.*

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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EMPRESÁRIO CULT DO LULOPETISMO

‘Estou comendo vidro’, diz Eike sobre dificuldades no grupo

000 - eike aista - mamando sempre

O empresário Eike Batista atribuiu as dificuldades atuais de seu conglomerado às falhas de gestão cometidas por executivos do grupo, à impaciência dos investidores e à falta de sorte.

Em entrevista ao “Wall Street Journal”, o executivo disse ter sido enganado pelo “dream team” (time das estrelas) de diretores montado para tocar os negócios do grupo.

Em referência à OGX, uma das principais frustrações dos investidores, Eike considerou que, por ser executivo da área de mineração, não tinha conhecimento suficiente sobre a indústria de petróleo para questionar relatórios apresentados pelos executivos.

“Sou dono de um grande grupo. Eu, sozinho, não posso fazer isso. Eu poderia ser o dono de um hospital, mas sem 50 cirurgiões das suas respectivas áreas você não é nada. Não tenho conhecimento específico. Você não pediria ao dono de um hospital para operar seu rim”, diz ao jornal.

Grupo EIG será controlador da LLX

Os negócios no setor de petróleo, diz, foram uma tentativa de criar riqueza e dividi-la, uma aposta que foi beneficiada pela bolha dos altos preços da matéria-prima, segundo ele.

“Vivendo em um país que tem essas descobertas de petróleo gigantescas, por que eu não poderia ter sido abençoado com uma delas?”, diz.

Eike está no centro de uma das maiores reestruturações empresariais do país. Mergulhado em uma crise de credibilidade e com dívidas superiores a R$ 20 bilhões, o grupo EBX viu o valor de suas empresas ser reduzido a menos de 15% do pico, próximo a R$ 7 bilhões.

O executivo iniciou vendas do seu patrimônio para pagar dívidas e hoje tem posições expressivas só nas empresas que não conseguiu repassar para outros grupos, como OGX e OSX.

Um dos próximos passos, segundo ele, pode ser a venda das plataformas de petróleo para levantar cerca de R$ 1 bilhão.*

(*) Folha de SP

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SE GRITAR PEGA LADRÃO…

Auditoria liga mulher de ministro do Trabalho a

convênios com irregularidades no Estado de SC

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Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina detectou irregularidades em convênios irrigados com verbas do Ministério do Trabalho. Os contratos somam R$ 2,1 milhões, dos quais 83% são verbas federais. São mencionados no processo Dalva Maria de Luca Dias e Rodrigo Minotto, respectivamente mulher e chefe de gabinete do ministro Manoel Dias (Trabalho).

A revelação consta de notícia produzida pelos repórteres Andreza Matais e Fábio Fabrini. Eles contam que os papeis da auditoria foram remetidos ao TCU, órgão responsável pela fiscalização do uso das verbas federais. O envio dos documentos foi feito na segunda-feira da semana passada, mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Esopo, aquela que apontou desvios de R$ 400 milhões na pasta do Trabalho.

Dalva Dias, a mulher do ministro, foi secretária de Assistência Social, Trabalho e Habitação do governo de Santa Catarina entre maio de 2007 a julho de 2010. Foi nessa função que ela geriu os recursos recebidos de Brasília. Rodrigo Minotto, o chefe de gabinete do atual ministro, era coordenador do Sistema Nacional de Emprego (Sine) em Santa Catarina. As verbas foram transferidas na gestão de Carlos Lupi, demitido da pasta do Trabalho em dezembro de 2011 na pseudofaxina de Dilma Rousseff.

Filiado ao PDT, Manoel Dias faz política em Santa Catarina. Foi à poltrona de ministro por indicação de Lupi, presidente nacional da legenda. De acordo com os auditores do TCE, o tribunal de contas estadual, o dinheiro do Ministério do Trabalho foi repassado a três entidades, uma delas vinculada ao PDT. As verbas deveriam ter financiado cursos profissionalizantes. Detectaram-se na contabilidade despesas “sem caráter público”, “ilegítimas” e com descrições “genéricas”. Os editais não mencionavam nem o tipo de aula que seria ministrada.

O TCU já havia analisado as formalidades da contratação das entidades. Embora a licitação tenha sido dispensada, o tribunal considerou legais os convênios. Diante das constatações da auditoria estadual, os contratos serão reavaliados em Brasília.

Ouvida, a mulher do ministro negou que tenha patrocinado malfeitos. “Estão querendo pegar coisas minhas por causa dessa história toda do ministério. Você pode fuçar minha vida quanto quiser. Foi tudo feito com a maior lisura. Eu tenho, por princípio, zelar pela coisa pública”, disse Dalva Dias. Se é assim, por que há processos no TCE? “Não há no Brasil nenhum gestor público que não tenha um processo.”

Rodrigo Minotto considerou “salutar” o envio dos documentos ao TCU. Disse que exercerá o seu direito ao contraditório. “Não dá é para fazer prejulgamento.” Afirmou que não se sente desconfortável no cargo de chefe de gabinete de Manoel Dias. Não cogita pedir para sair.*

(*) Blog do Josias de Souza.

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DICAS PARA QUEM ESCREVE (II)

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1. Uso do apóstrofo – Segundo o Formulário Ortográfico, reproduzido nas partes pré-textuais do Aurélio (p. XX-XXV) e no Volp, usa-se o apóstrofo em apenas três situações: a) para indicar supressão de uma letra ou letras num verso: c’roa, ‘star; b) para reproduzir pronúncias populares: ‘tava, ‘teve; c) para indicar a supressão da vogal em palavras compostas por hífen: pau-d’água (bêbado), copo-d’água (planta, lanche). E observa o Formulário Ortográfico: “Restringindo-se o emprego do apóstrofo a esses casos, cumpre não se use dele em nenhuma outra hipótese.” Assim: falta dágua, dele, doutro, daqui, vivalma, etc. Apesar disso, os dicionários registram “filho d’algo” (fidalgo), sem hífen e com apóstrofo.

2. Ganho-ganhado – Quando um verbo tem dois particípios (verbo abundante), o regular tem sempre função verbal; e o irregular, função adjetiva. Por exemplo: O vento tinha secado a roupa (função verbal). A roupa está seca (função adjetiva). Os particípios regulares se constroem com “ter” ou “haver”; os irregulares, basicamente, com “ser” ou “estar”. Se o particípio regular puder ser usado também como adjetivo e não apenas como verbo, então os dois particípios poderão ter sentido diferente: homem omisso (irresponsável) / homem omitido (esquecido); garota enxuta (de corpo bonito / garota enxugada (livre de umidade); carro seguro (que dá segurança ) / carro segurado (coberto por uma seguradora); trabalho correto (sem erro) / trabalho corrigido (que sofreu correções); amigo oculto (amigo X) / amigo ocultado (escondido); abstraído/abstrato; pervertido/perverso; torcido/torto; rompido/roto; corrompido/corrupto, etc.

Em contrapartida, há  três verbos que perderam seus particípios regulares há pelo menos 200 anos, restando apenas os irregulares: ganhar (ganho), pagar (pago) e gastar (gasto). Não existem mais as formas “ganhado”, “pagado” e “gastado”, apesar de aparecer na imprensa, vez por outra, a forma “ganhado”. Seu uso é um anacronismo, um arcaísmo. Numa consulta ao Aurélio, no verbete “ganhar”, item 30, ler-se-á: “a forma regular ‘ganhado’ quase não é usada hoje, a não ser em certos provérbios e  locuções, como, p. ex., vintém ganhado, vintém poupado, e viver do ganhado.” Basta conferir.

3. Ovo estalado/ovo estrelado – O Houaiss, no verbete “estalar”, registra, na acepção 6, o verbo “estalar” como sinônimo de “estrelar”, isto é, de fritar o ovo com a clara e a gema inteiriça. A primeira acepção de “estalar” é “partir, quebrar, espedaçar”, tanto no Houaiss quanto no Aurélio. Para os cozinheiros, ovo estrelado é o ovo frito inteiro, com clara e gema inteiras. E ovo estalado é o ovo frito aos pedaços, como o que se usa para fazer farofa ou recheio de frango. Portanto não existe erro nenhum em se dizer “ovo estalado”, ainda que se não queira fazer a distinção dos “chefs” de cozinha.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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VAI ACABAR EM PIZZA

Celso de Mello diz que não se sente pressionado

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O decano do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, afirmou neste sábado, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que não se sente pressionado pela circunstância de ser o responsável pelo desempate da votação que poderá garantir o direito a um novo julgamento a 12 dos 25 condenados no processo do mensalão. “Absolutamente não. Eu leio o noticiário e, a despeito do que se fala, não sinto nenhum tipo de pressão”, disse o ministro neste sábado à tarde, em entrevista por telefone. “Após 45 anos, seja como promotor ou juiz, é uma experiência que você tem e supera tranquilamente.” O fato de o presidente do STF, Joaquim Barbosa, ter encerrado a sessão na quinta-feira passada quando o placar estava empatado em 5 a 5, submetendo o decano a uma espera de quase uma semana para a revelação do voto, também não o abalou: “O adiamento da sessão, longe de significar qualquer possibilidade de pressão externa, aprofundou ainda mais minha convicção”, afirmou o ministro. Na quinta-feira, Barbosa encerrou a sessão mesmo depois de ter recebido de Celso de Mello um aviso de que estava pronto para votar e de que sua manifestação demoraria apenas cinco minutos. Com base em declarações anteriores do ministro a respeito do tema, a expectativa no STF é de que, na quarta-feira, ele desempate a votação reconhecendo o direito a uma segunda chance para os condenados que conseguiram pelo menos quatro votos absolutórios. Nesse grupo está o ex-ministro José Dirceu, condenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha. O próprio Celso de Mello disse na semana passada, em entrevista à imprensa, que no início do julgamento do mensalão, em agosto de 2012, já tinha exposto a sua posição. Na ocasião, ele afirmou que está em vigor a regra que garante a réus condenados o direito aos chamados embargos infringentes – na prática, isso significa um novo julgamento. “Não sinto nenhum tipo de pressão e estou pronto para proferir o meu voto”, afirmou Celso de Mello. “O que acho importante é que tenho a minha convicção. Aprofundei-a muito. Li todas as razões das diferentes posições. E cada vez mais estou convencido de que fiz a opção correta.” Questionado sobre a direção em que iria sua convicção, o ministro preferiu manter sigilo do voto.

(*) Mariângela Galucci – Estadão.

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DICAS PARA QUEM ESCREVE (1)

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Há certas regrinhas que muitos usuários da língua desrespeitam quando escrevem, por vício de oralidade. Vejamos algumas delas.

1. Em face de/em frente de – As locuções prepositivas formadas com um substantivo têm sempre duas preposições: uma antes e outra depois do substantivo. Ex.: fim / a  fim de; atenção / em atenção a; função / em função de; respeito/ a respeito de /com respeito a; causa / por causa de; procura / à procura de, etc. Ora, como “frente” e “face” são substantivos, as locuções prepositivas correspondentes têm de ser formadas com duas preposições: à frente de/em frente a/em face de. Vale dizer: “frente a” e “face a” não existem, nem constam dos bons dicionários de língua.

As únicas locuções prepositivas com núcleo substantivo e apenas uma preposição no fim são, que eu saiba, “graças a” e “mercê de”, que são sinônimas. Esta última, com sentido de “ao capricho de”, tem também duas preposições ladeando o núcleo substantivo: “por mercê de”. A explicação para essas exceções, parece-me, prende-se à mudança de sentido ao longo do tempo. A expressão “graças a” é exceção talvez por causa da alteração semântica do latim “gratia”, agrado, para “favor” e “reconhecimento” (“dar graças a Deus”), que se manteve no sinônimo “mercê”: “mercê de Deus” (“pela mercê de Deus”). Assim “graças a” vem de “graças a Deus”, uma parte da expressão “dar graças a Deus”. As formas “graça” e “mercê” (esta, em sua tradução francesa, “merci”, denota agradecimento) estão na origem das formas respeitosas de tratamento de 2ª pessoa: vossa mercê (port.), vuestra merced (esp.), Lei (=ela, italiano), Sie (= elas, alemão). Em alemão,  a fórmula “vossa mercê” era traduzida no plural: Eure (por Euer) Gnaden, isto é, “vossas graças”.

2. Dentre – entre – de entre. “Dentre” é contração das preposições “de” e “entre”, e significa “do meio de”. Em outras palavras, se não há “de”, não há “dentre”. “Entre” significa “no meio de”, “em meio a”. Ex.: “Bendita sois vós entre (não “dentre”) as mulheres.” MAS: “Dentre nós sairá o candidato ao cargo” (sair de). “De entre” se escreve em duas palavras, quando se quer manter a percepção diferenciada das unidades de um conjunto: “Ela tirou essa idéia de entre os vários livros e professores que consultou.”

3. Afro-afra – Certos adjetivos pátrios podem ser abreviados, como luso (lusitano), afro (africano), nipo (nipônico), franco (francês), etc. Outros têm equivalentes reduzidos bastante diferentes, como galo (francês), ebúrneo (costa-marfinense), sino (chinês), etc.

Em linguística, dizemos que uma “forma” é presa quando não tem existência isolada. “Forma” é o nome que se dá a um fonema ou a um conjunto de fonemas dotados de significação. Assim, o S final de “pratos” é uma forma que significa “mais de um”, característica do plural. E é uma forma presa, porque só pode aparecer anexada a um nome (substantivo ou adjetivo).  A palavra “prato” é também uma forma, já que tem significação própria. Mas é uma forma livre, porque é capaz de, sozinha, constituir uma frase, como na resposta à pergunta: “O que você comprou? Prato ou panela?” Resposta:  “Prato”.

Adjetivos pátrios, como nipo- ou sino-, aparecem nos dicionários com um hífen aposto à vogal final, para indicar que são formas presas, que só existem na composição de formas livres, como sino-brasileiro ou nipo-americano. Assim, não podemos dizer “música sina” nem “canção nipa”. Mas “luso” e “afro”, contudo, são formas livres, isto é, são adjetivos que têm pronúncia independente de qualquer outra forma, como em “música lusa”, “dança afra”, embora possam aparecer como formas presas na composição de outras formas, como em “luso-brasileiro” ou em “afrodescendente”. O Volp e os dicionários Houaiss e Aurélio registram “afro” indevidamente como forma apenas presa, contrariando bons gramáticos, como Domingos Paschoal Cegalla (Dicionário de dificuldades da língua portuguesa) e o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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BANANA REPUBLIC

Uma lista de Drops Brasilis. Tão falsos quanto a matéria-prima

000 - acir - governo dilma

1 ─ Música de cabeceira de José Dirceu; Juventude Transviada de Luiz Melodia. Aquela que começa assim: “Lava a roupa todo dia, que agonia…”.

2 ─ Já Valdemar Costa Neto, nestes novos tempo, prefere Eu sou boy, do Kid Vinil, que acaba assim: “Chega o fim do mês, com toda aquela euforia, todos ganham bem e eu aquela mixaria…Sou boy, eu sou boy”.

3 ─ O Congresso Nacional é a única escola atual que precisa de bedéis. (É escola de bandidos e os bedéis são juízes).

4 ─ Dilma Rousseff não precisa ficar preocupada. Barack Obama ouviu tudo mas, como todo mundo (exceto Celso Arnaldo), não entendeu nada.

5 ─ Os milicianos são tão espertos que agora só falam ao telefone bem baixinho prá ninguém ouvir.

6 ─ A espionagem em mails feita pela NSA foi um fracasso. Os três mails trocados entre lulopetistas eram cópias das lições do curso de alfabetização.

7 ─ Michel Temer é o único sujeito com cara de mordomo que não é suspeito do crime. Os patrões têm preferência.

8 ─ Sansão perdeu os cabelos e a força. Lula perdeu a barba e o resto de vergonha.

9 ─ Dúvida: a próxima reunião da Executiva Nacional do PT será na Papuda ou será providenciada uma teleconferência conectando diversos presídios?

10 ─ Por que todo blogueiro chapa-branca vem da imprensa marrom? Seria o caso do vermelho-de-vergonha? Haja cores.

11 ─ José Serra dorme pouco. O último sono prolongado coincidiu com as eleições de 2010.

12 ─ Aécio Neves, depois de decidir se é mineiro ou carioca, e se é senador ou ex-governador, vai decidir se é oposição ou não. Cada coisa a seu tempo.

13 ─ Eduardo Campos já não tem dúvidas. Com ele é: “Ser e não ser. Encerrada a questão!”

14 ─ Marina Silva é coerente. Nasceu na floresta, na floresta se criou e nela há de morrer. Qualquer semelhança com outros habitantes da selva não é mera coincidência.

15 ─ Dilma sabe a que veio. Por isso, sofre. E Lula ri.

16 ─ Ouvir ainda é possível aceitar. Mas aquele olhar cínico de Obama para Dilma já é humilhação.

17 ─ A primeira comunicação interceptada de que se tem notícia no Brasil foi obra do espião que vazou a carta de Pero Vaz de Caminha endereçada ao rei de Portugal.

18 ─ Não é verdade que a Rússia pretende atacar os EUA em outubro, por causa do imbróglio na Síria, com o lançamento de Dilma em território americano.

19 ─ Caso o PT naufrague nas eleições de 2014, o PMDB já reivindica o emprego de coveiro do cemitério federal.

20 ─ Faltam opositores. Sobram aderentes. Caso ginecológico ou de higiene íntima.

21 ─ A oposição no Brasil é tão feroz e combativa que prefere o silêncio. Afinal, o silêncio é de ouro.

22 ─ Título de eleitor anda tão desmoralizado que a exigência de documento com foto é para certificar-se de que o cidadão vai mesmo fazer a bobagem que planejou.

23 ─ O mais irritante não é a corrupção generalizada e impune. É a gargalhada do corrupto a cada crime descoberto.

(*) REYNALDO ROCHA, NO BLOG DO AUGUSTO NUNES.

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