PURO RACISMO

50 tons de pele

Racismo nas redes sociais contra Joaquim Barbosa

Toda a feroz campanha contra o ministro Joaquim Barbosa terá como causa a vingança contra a ousadia de condenar réus do sacrossanto partido que ocupa o poder federal? Ou, como causa associada, a possibilidade de que o ministro saia candidato à Presidência da República, cometendo o crime de lesa-majestada?

Talvez a causa seja outra (até porque Barbosa, arrogante, de trato áspero, muitas vezes grosseiro, dificilmente ganharia uma eleição): o ator Milton Gonçalves, respeitado militante dos movimentos negros desde os tempos em que isso não era moda, vê a face do racismo na guerra a Joaquim Barbosa. “Se fosse louro de olhos azuis, o discurso seria outro”. Completa: “Ele tem méritos. Não entrou por cotas, fala cinco línguas, é um personagem importante em nosso país”.

O advogado Humberto Adami, do Instituto de Advocacia Racial, entrou na luta por Barbosa, criando a campanha “O Brasil abraça o ministro Joaquim e o STF” nas redes sociais e criticando a “campanha desonesta, vil e evidentemente racista contra um brasileiro que tem cumprido fielmente suas obrigações constitucionais”. Lembra que a campanha racista é movida contra Barbosa, que é negro, e poupa os demais ministros que votaram a seu lado pela condenação. Mas os outros que condenaram os réus são brancos e não sofrem ataques.

Racismo também é coisa nossa. Esmeraldo Tarquínio, prefeito eleito de Santos, foi hostilizado por militares por ser de esquerda e cassado por ser negro.

Da ditadura à democracia, muita coisa mudou. Mas há fatos tristes que se repetem.*

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

 

A PROPÓSITO

sponholz647

(…) Joaquim Barbosa, responsável pela execução das penas, tem sido destratado de maneira inconcebível, inclusive pelos sentenciados. É apontado como tirano, como se a condenação tivesse sido manifestação solitária dele e não do plenário do STF. Não foi ele quem causou a cardiopatia de Genoíno, nem quem o induziu a assinar empréstimos fraudulentos para o PT.*

 

(*) Ruy Fabiano, no blog do Noblat.

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FUGITIVO DO HOSPÍCIO

 

Presidente do PT diz que laudos são

manipulados para manter Genoino preso

000 - Rui Falcão - Camisa de força

O presidente do PT, Rui Falcão, disse nesta sexta-feira (29) que os laudos sobre as condições de saúde do deputado licenciado José Genoino estão sendo “manipulados” para mantê-lo na prisão.

O dirigente participou da abertura do fórum “Ideias para o Brasil”, promovido pela Fundação Perseu Abramo, centro de estudos ligado ao PT, em São Paulo. Após discursar por 12 minutos, ele embarcou para Brasília, onde se reunirá com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o cenário eleitoral para 2014.

Falcão afirmou que a prisão dos ex-dirigentes petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares por envolvimento no esquema do mensalão é parte de uma “campanha antecipada” dos adversários do partido visando às eleições do próximo ano.

Em sua avaliação, que reproduz o que o PT vem manifestado em textos oficiais desde o final do ano passado, as siglas de oposição ao governo, a imprensa e as cúpulas do Judiciário e do Ministério Público “distorcem os fatos” para prejudicar a legenda.

“Acabamos de ver a ação penal 470 [nomenclatura jurídica do processo do mensalão], que condenou companheiros sem provas, inverteu o ônus da prova, fazendo que as pessoas tivessem que provar que são inocentes, que suprimiu o duplo grau de jurisdição, que puniu companheiros pelas tarefas que desenvolveram”, disse Falcão.

“E agora, não contentes com esse tipo de condenação política, humilham os companheiros na forma do cumprimento da pena. Colocam em risco –e serão responsabilizados por isso– a vida do companheiro Genoino, que padece de uma cardiopatia grave e manipula inclusive laudos para mantê-lo na prisão em condições que ele não pode suportar”, concluiu

O parecer de uma junta médica da Câmara dos Deputados, que analisa um pedido de aposentadoria por invalidez feito por Genoino, afirmou que o petista não pode ser considerado impossibilitado de trabalhar em definitivo. A recomendação foi que ele fique afastado por 90 dias e seja reavaliado. A avaliação frustra a expectativa do PT, que esperava a concessão do benefício antes de a Casa julgar se o parlamentar deve ter o mandato cassado em consequência da condenação no mensalão.

Outro laudo, elaborado por médicos da Universidade de Brasília a pedido do Supremo Tribunal Federal, disse que a doença de coração de Genoino –operado em julho passado para corrigir uma dissecção na artéria aorta– não se caracteriza como grave e que, embora o parlamentar necessite de tratamento, não é “imprescindível” que ele cumpra a pena em casa, como pleiteou inicialmente sua defesa.

Falcão disse que houve omissão na divulgação de partes do laudo e defendeu a prisão domiciliar para Genoino. “O laudo diz o seguinte: ele está bem, só que tem que ter acompanhamento médico regular, controle da pressão, da coagulação sanguínea e tem que ter alimentação especial. Ora, como é que você pode, diante desse laudo, concluir que ele não está necessitando de prisão domiciliar? Há uma manipulação nesse sentido”, declarou o presidente do PT.

O dirigente afirmou que os erros cometidos pelo partido e por seu integrantes não justificam a forma como o mensalão foi julgado e a execução das penas dos petistas. “Temos tido o tempo todo solidariedade com esses companheiros, a despeito dos erros cometidos coletivamente por nós nesse processo e dos erros individuais que ocorreram também, mas que não justificam nem o tipo de julgamento, nem a condenação, nem as penas”, disse.*

(*) DIÓGENES CAMPANHA – DE SÃO PAULO – FOLHA DE SÃO PAULO

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Papuda’s Inn

Juízes determinam fim de ‘privilégios’ a presos na Papuda

00rs1128b - Tudo em alta; até o Genoino.

Decisão da Vara de Execuções Penais do DF estabelece isonomia de tratamento na penitenciária onde estão condenados no mensalão

BRASÍLIA – A Justiça do Distrito Federal determinou que os condenados do mensalão recebam, no presídio da Papuda, o mesmo tratamento dado aos demais presos. Na decisão, os juízes da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal afirmam que o tratamento desigual provoca instabilidades no sistema carcerário. Desde que foram presos, os condenados no mensalão receberam visitas fora no horário normal de visitações e chegaram, conforme o Ministério Público, a receber pizzas encomendadas pela Polícia Federal.

Os juízes da Vara de Execuções determinaram ainda que Simone Vasconcelos, ex-diretora da empresa SMPB, e Kátia Rabelo, ex-presidente do Banco Rural, sejam transferidas para o presídio feminino para cumprirem suas penas. As duas estão presas no 19º Batalhão da Polícia Militar no Complexo da Papuda, área reservada para presos militares.

O tratamento dispensado aos condenados foi criticado por familiares de demais presos, que costumam passar horas na fila para conseguirem visitar seus parentes. Um documento feito pelo MP, que inspecionou o local em que o ex-presidente do PT José Genoino está preso, mostrou que a PF chegou a pedir pizza “tarde da noite” no dia em que os condenados foram presos.

“Penso que não há qualquer justificativa para que seja dado a um interno/grupo específico tratamento distinto daquele dispensado a todos os demais reclusos, valendo consignar que é justamente a crença dos presos nesta postura isonômica por parte da Justiça do Distrito Federal que mantém a estabilidade do precário sistema carcerário local”, decidiu a Vara.

Os juízes Bruno Silva Ribeiro, Ângelo Fernandes de Oliveira e Mário de Assis Pegado, que assinam a decisão, não mencionam expressamente o grupo de condenados por envolvimento no mensalão. O titular da Vara, Ademar Silva de Vasconcelos, não assinam a decisão. Suas decisões e postura desagradaram o presidente do STF, Joaquim Barbosa.

Deficiente.

O tratamento diferenciado só teria justificativa, dizem os magistrados, se fosse possível admitir a existência de dois grupos de seres humanos: “um digno de sofrer e passar por todas as agruras do cárcere e, outro, o qual deve ser preservado de tais efeitos negativos, o que, evidentemente, não é legítimo admitir”.

Os juízes afirmam ainda que é “fato público e notório” que o sistema carcerário brasileiro é deficiente, mas acrescentam que isso não seria justificativa para tratamento diferenciado. Por isso, alegando ser necessário o “restabelecimento da harmonia no sistema prisional”, os juízes da Vara de Execuções Penais determinaram a “estrita observância por parte das autoridades penitenciárias locais das prescrições regulamentares, legais e constitucionais, especialmente no que se refere ao tratamento igualitário a ser dispensado”.

A decisão decorre de manifestação do Ministério Público do DF, que fez uma inspeção nos dias 25 e 26 de novembro. A inspeção constatou um “clima de instabilidade e insatisfação” na penitenciária.*

(*) Felipe Recondo – O Estado de S. Paulo

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BRAZIL…ZIL…ZIL…

Renda extra

000 - ZD - Genoino na Papuda

Corre na Papuda a piada de que José Genoíno só está vendendo saúde para pagar a multa de R$ 468 mil fixada pelo STF no julgamento do mensalão!

Preso só pensa bobagem, né não?

“Siamo junti”

Cassado pelo Senado italiano, Silvio Berlusconi já manifestou sua vontade de, se for em cana, ficar preso na Papuda em solidariedade aos brasileiros que, como ele, se dizem vítimas de injustiças!

Via das dúvidas

migueljc

Entreouvido num ponto de ônibus de Brasília sobre o laudo médico que não considera “imprescindível” o tratamento de José Genoino em prisão domiciliar:

“O que é ‘imprescindível’?”*

(*) Tutty Vasquez, no Estadão.

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REPETIÇÃO DE PREPOSIÇÃO

000- a coluna do Joauca - 500

Uma regra pouco conhecida, porque tácita, recomenda que se repitam, antes de cada complemento, as preposições a, com, de, em, para e por, sobretudo. A razão é simples: se a preposição não se repetir, o sentido pode mudar. Ex.:  a frase “Maria saiu com João e você também” significa que “você também saiu com João”. Mas na frase “Maria saiu com João e com você também”, o que se quer dizer é que “Maria também saiu com você”.

Às vezes, a omissão da preposição, isto é, o fato de se não repetir a preposição pode resultar no oposto do que se pretendia dizer. Em A Tribuna de 02-04-2011, p. 47,  sob a manchete “Governo líbio recusa oferta de cessar fogo”, lê-se: “O governo dos Estados Unidos reforçou ontem que no final de semana irá parar de disparar mísseis Tomahawk e lançar ataques aéreos contra as forças de Kadafi.” O que a notícia diz é que o governo americano vai parar de disparar mísseis mas vai lançar ataques aéreos. Repare-se que os dois infinitivos estão coordenados: “irá parar… e lançar…”, o que permite a interpretação de que os Estados Unidos vão lançar ataques aéreos contra Kadafi.  Se a preposição se repetisse, a ideia seria outra: “O governo dos Estados Unidos reforçou ontem que no final de semana irá parar de disparar mísseis Tomahawk e de lançar ataques aéreos contra as forças de Kadafi.” Aqui a coordenação se faz entre os termos preposicionados: “…parar de disparar… e de lançar…” Isto é, se a preposição de é repetida, a notícia diz que o governo americano não vai lançar ataques aéreos. Se a  preposição não é repetida, a notícia diz que o governo americano vai lançar ataques aéreos.  O emprego da preposição é fundamental para a precisão do que se vai dizer.

Atente-se ainda para o fato de que “vai parar” já é futuro. Dizer “irá parar” é pôr no futuro o que já estava no futuro. Dá-se a essa redundância particular o nome de hipercaracterização, isto é, a caracterização do que já estava caracterizado. A hipercaracterização é frequente quando o falante esquece a formação da palavra ou da expressão. Em “comigo” a preposição “com” se repete, já que “comigo” se origina do latim “cum me cum”. Quando digo “arrozal” ou “cafezal”, o sufixo é “al”. Mas em “milharal”, há a repetição do sufixo: “milhal + al”  dá “milharal” (por dissimilação, o l da primeira ocorrência do sufixo muda para r). Outro exemplo: como “meio” já significa “ambiente”, a expressão “meio ambiente” se formou por hipercaracterização. Assim, em lugar de “irá parar” bastaria dizer “vai parar”, que já é uma forma de futuro.

Outro exemplo de que é necessária a repetição da preposição: “José está com saudade de  Maria e Carlos também”. A frase diz que “Carlos também está com saudade de Maria”. Se a preposição se repete, a interpretação é de que José também está com saudade de  Carlos: “José está com saudade de Maria e de Carlos também”.

Quando traduzi o livro A sombra da serpente, um romance extraordinário do lituano Saulius T.Kondrotas (publicado pela Record em 1994), tive de repetir a preposição a antes dos dois núcleos do objeto direto: “Era o pai. Nunca o ouvi rir, nem a ele nem ao avô” (página 19). A ideia do texto original era de que nem ele (o pai) nem o avô riam. O revisor foi impiedoso em sua incompetência, suprimindo as duas ocorrências da preposição: “Nunca o ouvi rir, nem ele nem o avô”, o que muda completamente o sentido, sobretudo porque o leitor fica sem saber quem é esse “ele”, que deveria ser pronome pleonástico do objeto direto o, referente a “o pai”. E o avô passou a ser a pessoa que nunca o ouviu rir, em vez de ser a pessoa que nunca riu.

Tudo isso significa que é uma pena que se tenha extinguido a função dos copidesques. Ou que não se recorra à revisão de um professor de português.

(José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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E VIVA O BANANÃO!

Hotel da Sucessão

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Só quem conhece a história da TV brasileira recorda deste programa de sucesso de 1955, na época da eleição que levou Juscelino Kubitschek ao poder. No hotel se hospedavam os personagens da campanha. Lá circulava não muito discretamente um objeto misterioso que convencia os políticos a mudar de opinião.

Pois agora, a um ano da eleição, 58 anos depois, outro hotel entra em cena. O ex-ministro José Dirceu pediu ao Supremo que o autorize,como presidiário em regime semiaberto, a trabalhar durante o dia na gerência do Hotel St. Peter, em Brasília. José Dirceu, trabalhando em hotel, sem qualquer experiência no ramo?

Depende do ramo. O proprietário do Hotel St. Peter é Paulo Abreu, empresário de comunicações, de tradicional família de políticos (como os ex-deputados Dorival de Abreu e José de Abreu). É dele a Rede Mundial, que engloba uma série de emissoras de rádio em São Paulo, Supertupi AM e FM, Kiss FM, Scalla FM, Apollo FM, Terra AM e FM, Atual, com ótima audiência. Mas seu sonho é maior: ressuscitar a TV Excelsior, que já foi a maior rede do país sob o comando de Mário Wallace Simonsen, e destruída pelo regime militar. Paulo Abreu, ao longo dos anos, obteve os direitos da TV Excelsior; e não encontra resistência no Ministério das Comunicações. Só falta um decreto presidencial, que elimine eventuais pendências da velha Excelsior com o Governo Federal e lhe deixe o caminho livre.

Como dizia José Dirceu, quando ele dava um telefonema “era um telefonema!” Prestar-lhe um favor, tê-lo ao lado todos os dias – que mal faz?

 

Os mais iguais

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O artigo 231 do Estatuto do PT determina a expulsão de petistas condenados “por crime infamante ou práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado”. Nenhum dos condenados com trânsito em julgado no processo do Mensalão foi expulso, ou teve o processo de expulsão iniciado.

O decreto 4.207/02 determina a cassação de medalhas oficiais de condenados com trânsito em julgado. José Dirceu tem a Medalha da Ordem do Mérito Militar; José Genoíno, a Medalha do Pacificador; Roberto Jefferson, a Medalha do Pacificador e a Ordem do Mérito Militar; Valdemar Costa Neto, a Medalha do Pacificador. A Medalha do Pacificador deve ser cassada por ato do comandante do Exército, general Enzo Peri; cabe ainda a ele notificar o Conselho da Ordem do Mérito Militar da situação dos condenados. Mas até agora ninguém se moveu, muito menos ele: essa história de obedecer às normas é para os menos iguais.

 

Economizar, jamais

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A coluna Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br), de Cláudio Humberto, faz uma comparação impressionante entre Brasil e Estados Unidos. O Palácio do Planalto, sede do Governo brasileiro, tem 4.600 funcionários; a Casa Branca, sede do Governo americano, tem 460 funcionários. O presidente americano mora e trabalha na Casa Branca. O presidente brasileiro trabalha no Palácio do Planalto, mora no Palácio da Alvorada e dispõe da Granja do Torto; tem também à disposição o Palácio Rio Negro, em Petrópolis.

E a mania de palácios à vontade não é exclusiva dos presidentes, seja qual for seu partido: o governador de São Paulo mora e trabalha no Palácio dos Bandeirantes, tem um palácio no Horto Florestal, em São Paulo, tem outro palácio em Campos do Jordão. Para que? Para nada.

 

The British way

O primeiro-ministro britânico mora e trabalha numa casa em Downing Street, 10. A casa foi um presente do rei George 2º a seu principal ministro, Robert Walpole, por bons serviços prestados. Walpole aceitou o presente, desde que não fosse algo pessoal: a casa seria utilizada por quem quer que ocupasse o cargo.

 

Tudo numa boa

As denúncias sobre fraude em São Paulo no pagamento do Imposto sobre Serviços, ISS, são pesadas. As empresas que pagaram propina dizem ter sido chantageadas, mas os denunciantes afirmam que o pessoal da construção civil era o primeiro a saber quem iria chefiar a fiscalização da Prefeitura e que as empresas procuravam os fiscais para combinar o desconto nos impostos e o valor do suborno.

OK, não é caso de condenar antes de julgar; mas não dá para ficar por isso mesmo por anos a fio. Por que não foi solicitada ainda a quebra do sigilo bancário e fiscal das empresas denunciadas? Aquela lei que pune empresas corruptoras, afastando-as de negócios com o poder público, por onde anda?

 

Crivella na briga

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O ministro e senador Marcello Crivella acha que chegou sua hora: está pronto para disputar o Governo do Rio, na sucessão de Sérgio Cabral, enfrentando nomes como o senador Lindbergh Farias, o vice Pezão, os ex-governadores Anthony Garotinho e César Maia. A legenda de Crivella é o PRB, ligado à Igreja Universal. Ele se atribui grande poder político: segundo disse em entrevista a O Dia, foi quem convenceu o atual governador fluminense Sérgio Cabral a deixar a oposição e aliar-se ao Governo petista.

Afirma Crivella que Cabral, disputando o segundo turno no Rio contra a juíza Denise Frossard, inclinava-se a apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência, contra Lula, mas cedeu a seus argumentos: Crivella só lhe daria apoio se largasse Alckmin e ficasse com Lula. *

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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Blue Skies

Dani

“Seu disco soa um tom- ou vários- abaixo dos sons ensurdecedores deste Brasil instaurado, onde qualquer tentativa de reflexão é taxada de “baixo-astral”, qualquer intimismo é considerado “depressivo”. Um artista sempre é termômetro de seu tempo, e o disco da Marina revela com perfeição a face oculta de um país que não está tendo voz – essa voz das pessoas mais ou menos como a gente, um pouco acima da miséria, chegando à meia – idade, essa voz meio cansada, desiludida e muito assustada. Por trás das dores, sem medo de ser séria, a comovedora serenidade da “jovem senhora de passagem” pede que não tentem fazê-la feliz – ela aprendeu que o amor é bom, mas também dói demais sentir”. Recolhendo em minha casa alguns velhos jornais arquivados, encontro um recorte bastante envelhecido e amarelado extraído da Folha de São Paulo de 1994. Nada mais nada menos que Caio Fernando Abreu, que em cinco parágrafos precisos e incisivos traça o panorama do Brasil sonoro “histérico” que despontava em meados da década de noventa. Mais de uma década se passou e fico pensando que este texto poderia plenamente ser assinado hoje, se Caio ainda estivesse vivo entre nós. Num universo de “voices” proclamado pela mídia, toca-me uma saudade de vozes despretensiosas, se me faço entender, mais suaves, e que não tenham tanto comprometimento com virtuosismos e performances. Saudade de Nara Leão, viva Rosa Passos, saudade viva de Marina Lima. A cantora que durante a década de oitenta e início de noventa foi a elegante musa do Rio de Janeiro ensolarado Ipanema-Gávea-Leblon, envelheceu e não desfila mais seu corpo dourado e belamente definido pelas praias, e nem solta mais sua voz pelas rádios. Hoje, ainda mais que ontem, gosto intensamente da elegância minimalista de Marina. Em meio a performances expressionistas à la Ivete Sangalo, Daniela Mercury e Ana Carolina, contraponho meus ouvidos saturados de excessos à beleza do canto rouco de Marina. Como me acolhe, instiga e colore de poesia ouvir Marina cantando os versos de seu irmão, o parceiro, poeta e filósofo Antônio Cícero : “Eu tenho febre eu sei/É um fogo leve que eu peguei/Do mar ou de amar, não sei/Deve ser da idade”. “O solo da paixão não dura mais que um dia/O suco, a polpa, o frêmito, a gota/Colherei esse dia na hora antes de acordar”. Ouço Marina cantando e sinto saudade de certo ar de graça, leveza e sensualidade sugerida, que jamais perde seu prumo sofisticado e delicado. Ouço Marina cantando e penso que a canção para ser bela não precisa ser interpretada aos gritos, que a voz em entoações sutis e suaves, é capaz de elaborar uma alquimia perfeita com a desenvoltura dos acordes. Ouço Marina cantando e sinto que o amor e a dor podem ser interpretados, até mesmo rimados, por meio de uma beleza insinuante e não desgastante. Ouço Marina. Percorrendo a discografia de Marina, vejo o quão é acentuada a sua preocupação em imprimir em seus trabalhos um apuro estético-sonoro que ultrapassa significativamente o rótulo de roqueira. Marina gravou e compôs roques, mas sempre com uma concepção sonora requintada, que traz influências da música popular brasileira mais ortodoxa, da bossa nova e do jazz. É única, forte-frágil sua leitura de “Solidão”, de Dolores Duran: “Eu quero qualquer coisa verdadeira/Um amor, uma saudade/uma lágrima, um amigo/Ai, a solidão vai acabar comigo”.  A acidez de roqueira impressa no entoar dos primeiros versos se funde com uma delicadeza softy num derramamento tocante, mas sem excessos. Há um frescor aparentemente tão sincero e espontaneamente lírico, aliado a um despudor erótico sem medos ou máculas, que faz de Marina um ser meio Sui Generis hoje em dia: “A melhor música é a cerebral. Mas não estou isentando a emoção dela. Os grandes matemáticos, quando criaram suas equações, devem ter tomado um porre durante uma semana. A música é calculada, com emoção e razão juntas. Não acredito em espontaneidade na arte. Não me interesso por isso. O meu caminho quem faz sou eu. Se vou ser mais popular ou menos, é outra questão”. Despontam filigranas de belezas no cantar de Marina, grávida de vida essa menina-mulher comunga com luzes e trevas, objetos e desejos: “Eu tô grávida/Grávida de um beija-flor/Grávida de terra/De um liquidificador/E vou parir/Um terremoto, uma bomba, uma cor/Uma locomotiva a vapor/um corredor”. A energia acalorada abundante em canções mais ensolaradas como “Uma noite e meia” e “À francesa”, alterna sua força com um estremecimento “tamático”, com mais cara de inverno, cuja introspecção sofrida nas letras machuca aqueles que andam descompatibilizados com a vida. Marina tenta talvez oferecer um abrigo aos corações desabrigados, como em sua tocante interpretação de “Carente profissional”, composição de Cazuza e Frejat: “Tudo azul/No céu desbotado/E a alma lavada/Sem ter onde secar/Eu corro, eu berro/Nem dopante me dopa/A vida me endoida/ Eu mereço um lugar ao sol/Mereço ganhar pra ser/Carente profissional”. Gosto especialmente quando Marina brinca com texturas sonoras, experimenta sutilezas de acordes com jogadas mais contundentes de naipes de sopros, que trazem sua influência reelaborada do jazz, como em “Stromboli”: “Sou uma artista solo, e criava bandas para poder mostrar meu trabalho. A parafernália eletrônica me facilitou muito na composição dos arranjos. Eu me sinto meio cientista, gosto de experimentar coisas novas. E também, como João Cabral de Melo Neto, tenho a contenção como uma meta”. Marina é cosmopolita por essência, e não perde seu tempero nacional ao dialogar constantemente com músicos internacionais. Que espetáculo o desempenho do contrabaixo de Bruce Henry em diálogo com a levada cool da bateria de Cesinha, na execução da base para a entrada de sua voz que canta: “O mundo se divide/Nos bons e nos maus/E nos dez mais elegantes/Nos livros da estante/E ela dançando/À beira do abismo/E ela dançando/ À beira do vulcão”. Prevalece uma espécie de dor contida que subjaz e seduz, ternura azulada e dolorosamente pulsante de muitos céus que se anunciam em efêmeras promessas: “Blue skies/Smiling at me/Nothing but blue skies/Do I see /Bluebirds/Singing a song/Nothing but/Bluebirds/All Day long”. Nas palavras de seu irmão Cícero: “O todo, a arte de Marina, funciona como um espelho mágico, que nos devolve não a imagem da nossa realidade física ou psicológica, mas a força de sentimentos maravilhosos e obscuros, e de promessas de felicidade há muito dormentes em nosso coração”. Ouço Marina, que abre sutil e gravemente feridas com gotas de sangue misturadas a fluxos de luz. Uma fincada de veneno adocicado que deixa escorrer pétalas de rosas: “Veneno essa vida tão pouca e pequena/ Esses lábios tem todo o veneno/Que você ama e quer”. Marina Lima embala minha noite de sábado com seu gosto agridoce de veneno cor de rosa.

(*) Daniela Aragão, mineira de Juiz de Fora, é cantora e Doutora em Literatura pela PUC-RJ

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…TÁ FALTANDO UM

Dirceu pressionou Lula a defender petistas presos

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Preso em uma cela de seis metros quadrados, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu criticou Luiz Inácio Lula da Silva pela forma como ele administrou até agora a crise do mensalão. A insatisfação com o ex-presidente foi manifestada por Dirceu a pelo menos três amigos que o visitaram, nos últimos dias, no Complexo Penitenciário da Papuda. Irritado com o silêncio do Planalto, Dirceu perguntou: “E o Lula não vai falar nada?”. Era a senha para a urgência de um pronunciamento, que deveria ser feito o quanto antes, no diagnóstico do ex-ministro, sob pena de grande abalo na imagem do PT, com potencial de interferir na campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição. Três dias depois de receber o recado, Lula fez o mais veemente discurso desde que os petistas foram condenados. Sugeriu, na quinta-feira passada, que o rigor da lei só vale para o PT e dirigiu ataques ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Em meio a protestos contra as “arbitrariedades” na execução das sentenças, Lula e dirigentes petistas também decidiram promover um desagravo a Dirceu, ao ex-presidente do PT José Genoino e ao ex-tesoureiro Delúbio Soares na abertura do 5.º Congresso da sigla, de 12 a 14 de dezembro, em Brasília. A contrariedade de Dirceu com Lula, porém, não vem de hoje. Interlocutores do ex-ministro contaram ao Estado que ele sempre reprovou a forma “conciliatória” como o então presidente conduziu o caso desde que o escândalo estourou, em junho de 2005. Em conversas mantidas no cárcere, Dirceu tem dito que Lula errou ao não fazer o “enfrentamento” necessário para não deixar a denúncia de corrupção virar uma espada permanente sobre o PT e o governo. Para Genoino, os réus do PT não têm escapatória, mesmo se conseguirem reduzir suas penas, pois perderam a batalha da comunicação. “Estamos marcados como gado”, resumiu ele a um amigo. Na avaliação de Dirceu, Lula deixou a CPI dos Correios prosperar, em 2005, quando ainda teria condições de barrá-la. Por esse raciocínio, ao não politizar a denúncia da compra de votos no Congresso, Lula abriu caminho para a “criminalização” do PT. O partido até hoje insiste que nunca corrompeu deputados em troca de apoio e só admite a prática do caixa dois.

Nomeação

Arquiteto da campanha que levou o PT ao Palácio do Planalto em 2003, Dirceu revelou que Lula chegou a consultá-lo sobre a nomeação de Luiz Fux para ministro do Supremo. “Se você está dizendo que sim, quem sou eu para dizer que não?”, disse Dirceu, segundo relato de amigos, antes de ser procurado por Fux, que pediu sua ajuda para conquistar o cargo. Fux acabou nomeado em 2011 por Dilma. Petistas juram que ele prometeu “matar no peito” a acusação, em sinal de que absolveria os réus. Quando saiu o voto pela condenação, o espanto no governo e no PT foi generalizado. Num café da manhã com Dirceu, em novembro de 2010, Lula prometeu a ele que, quando estivesse fora do Planalto, desmontaria a “farsa do mensalão”. A promessa não foi cumprida sob a alegação de que era preciso blindar o primeiro ano do governo Dilma. Depois vieram as disputas municipais de 2012 e agora o ano é pré-eleitoral. Para o líder da bancada petista no Senado, Wellington Dias (PI), o PT não soube construir uma narrativa para reagir à ofensiva da oposição e da mídia. “Sob intenso cerco político, nós acabamos permitindo que as versões da compra de votos florescessem”, avaliou Dias. A estratégia do governo e do PT, agora, é usar o escudo da “legalidade” e o discurso de que há “dois pesos e duas medidas” na Justiça para impedir que o mensalão contamine a campanha de Dilma em 2014. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.*

(*) Vera Rosa e Wilson Tosta | Agência Estado

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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

O exército fantasma do comandante Dirceu foi

dizimado sem ter entrado em combate

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Em agosto de 2005, despejado da chefia da Casa Civil pela descoberta da grande roubalheira, José Dirceu resolveu assumir ostensivamente o comando do colosso paramilitar aquartelado na imaginação sempre fértil do guerrilheiro de festim diplomado em Cuba. “Vou percorrer o país para mobilizar militantes do PT, dos sindicatos e dos movimentos sociais”, ameaçou o ainda deputado federal num encontro da companheirada em São Paulo. “Temos de defender o governo de esquerda do presidente Lula do golpe branco tramado pela elite e por conservadores do PSDB e do PFL”.

Um ataque de tropas lideradas por José Dirceu só consegue matar de rir, registrou o post que desmontou a dupla tapeação: o que o orador pretendia defender com a entrada em ação do exército fantasma era o próprio mandato parlamentar. O comandante sem comandados passou as semanas seguintes mendigando votos até entre os contínuos da Câmara, amargou a cassação em dezembro e caiu fora do Congresso chamando o porteiro de “Vossa Excelência”. Encerrada a ofensiva inaugural que não houve, as tropas invisíveis a olho nu foram recolhidas ao acampamento imaginário.

Ali ficaram até agosto de 2012, quando o chefe do esquema criminoso decidiu intimidar o Supremo Tribunal Federal às vésperas do início do julgamento do mensalão. “Todos sabem que este julgamento é uma batalha política”, reincidiu o general da banda podre no congresso nacional de uma certa União da Juventude Socialista. “Essa batalha deve ser travada nas ruas também, porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas. É a voz do monopólio da mídia. Eu preciso do apoio de vocês”.

Os ministros que tratassem de inocentar os culpados, advertiu. Caso ousassem enxergar a montanha de provas e evidências que incriminavam o declarante e seus comparsas, o comandante não hesitaria em sublevar a imensidão de “companheiros das forças progressistas e dos movimentos populares”.

Qualquer torcida organizada de time de futebol tem mais militantes que o PT, replicou a coluna em outro post. Assembleias organizadas por sindicalistas pelegos são menos concorridas que reunião de condomínio. Sem duplas sertanejas, cerveja, tubaína e mortadela, as celebrações do Dia do Trabalho juntariam menos gente que quermesse de lugarejo. Todos os movimentos sociais morreriam de inanição uma semana depois de suprimida a mesada federal. O palavrório beligerante, portanto, era só mais um blefe do jogador falastrão. E se o STF resolvesse pagar para ver?

Foi o que fez o ministro Joaquim Barbosa. E então o embuste virou cinza, feito vampiro de filme B confrontado com um crucifixo. Dirceu estava entrincheirado no sítio em Vinhedo quando foi condenado à prisão. Estava de sunga branca numa praia da Bahia quando soube que seria obrigado a bronzear-se no pátio da cadeia. Para livrar-se da traseira do camburão, entregou-se espontaneamente à Polícia Federal. Mas nenhum canastrão de nascença resiste à tentação do patético. E Dirceu achou uma boa ideia posar para as câmeras com o punho esquerdo cerrado apontando para o céu.

Excitados pelo gesto do comandante, enfim deram as caras nas ruas os combatentes dispostos a matar ou morrer pelo guerreiro do povo brasileiro. Como atesta a imagem abaixo, cabem numa foto. Pelo que se vê, não amedrontam nem um pelotão de escoteiros aprendizes. Seriam neutralizados em poucos minutos por qualquer pelotão que agrupasse um oficial psiquiatra e meia dúzia de enfermeiros armados de tranquilizantes e camisas-de-força.

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(*) Blog do Augusto Nunes

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ASSUNTOS PARA MEDITAÇÃO

000- a coluna do Joauca - 500

1. Um étimo para meditarmos — Alguns dicionários etimológicos de boa aceitação atribuem ao nome “canguru” o sentido primitivo de “Não te entendo” , como o de José Pedro Machado (Dicionário etimológico da  língua portuguesa. 2.ed. Lisboa, Confluência,1967) que, no verbete próprio, transcreve a história que Shipley inseriu em seu Dictionary of Word Origins: o capitão Cook, quando pisou o solo australiano em 1770, em Queensland, ao ver um canguru, perguntou a um nativo que bicho era aquele. O nativo teria dito “canguru”, que significaria “Não te entendo”, em sua língua, mas o capitão achou que a resposta do nativo era o nome do animal.

T.F.Hoad (The concise Oxford Dictionary of english etymology. Oxford: Clarendon Press, 1986, s.v. kangaroo) não se compromete:  diz, embora citando o nome do capitão James Cook,  que a origem numa língua nativa australiana do nome canguru é defendida por alguns autores e negada por outros,

Corominas, que não conta essa história do capitão James Cook, no seu  Diccionario crítico etimológico de la lengua castellana (Madrid: Gredos, 1976, s.v. Canguro) informa que “canguru” significa “quadrúpede em geral”.

Millôr Fernandes, em sua coluna do Jornal do Brasil de 30 de janeiro de 1992, primeiro caderno, p. 11, contradiz essa história (em sua versão, “canguru” teria o significado de “eu não sei”, na língua dos nativos). Transcrevo: “…o maior lexicógrafo moderno da língua inglesa, Eric Partridge (Origins. Routledge, London, 9730 pgs.), nem toma conhecimento dessa versão. Eric, pesquisador lexicográfico genial (suas pesquisas são de tirar o fôlego de quem lê), diz apenas: ‘Kangaroo; palavra composta do verbo aborígene australiano Kanga, saltar ou pular, com o sufixo rro (possivelmente vindo de uma palavra completa, perdida) significando ‘quadrúpede ou animal’.”

Se a história do capitão Cook fosse verdadeira, caberia pelo menos uma pergunta: Se ninguém sabe nem mesmo que língua nativa australiana é essa, já que ninguém lhe dá nome, como saber que “canguru” significa “Eu não sei” ou “Não te entendo”?

2 -Uma frase para meditarmos: “No mundo tudo é como é, e acontece como acontece. Nele não há valor; e, se houvesse, o valor não teria valor.” Não sei o que essa frase significa, mas deve ser bem profunda, porque é de autoria do filósofo Wittgenstein.

3.Um fato para meditarmos – A espada de El Cid se chamava Colada; a de Roland (Orlando), Durindana (isto é, “a inflexível”); a do rei Arthur, Excalibur  (“libertada da pedra”). Mas fantástica é a espada Tizona (“sangradeira”), do rei Bucaro que ninguém sabe de que reino era nem que tenha existido.

4. Um mito para meditarmos — Os três reis magos que foram adorar Jesus recém-nascido não eram reis, mas sacerdotes persas, e talvez sejam apenas uma bela metáfora para os três continentes ou para as três raças humanas: Gaspar (a Ásia, a raça amarela), Melquior (a Europa, a raça branca) e Baltazar (a África, a raça negra).

5. Uma palavra para meditarmos – Gustavo Barroso, em Através dos folk-lores (São Paulo: Melhoramentos, 1927), usa uma palavra inexistente nos dicionários de língua: epostracismo (p. 80 e ss.), para designar a “tainha”, isto é, a brincadeira que consiste em jogar uma pedrinha à água pra fazê-la ricochetear na superfície o maior número de vezes possível. Curiosamente, Gustavo Barroso informa, nesse livro, na p. 8, que as histórias das Mil e uma noites vieram da Índia. Será?

6. Um pensamento para meditarmos – Perdão não é uma perda grande, mas, como recomendava Heinrich Heine, “deve-se perdoar aos inimigos – mas só depois de enforcados.”

7. Versos para meditarmos – Augusto dos Anjos escreveu: “Morte, ponto final da última cena,/ Forma difusa da matéria imbele…”  (poema “As cismas do destino”). Não sei bem o que ele quis dizer com isso, mas é bonito…

8. Uma definição para meditarmos: “Saudade quase se explica / nesta trova que te dou: / Saudade é a falta que fica / daquilo que não ficou… (Luiz Otávio)

9. Um haicai para meditarmos: Eis um poeta da gema: / O vento que agita as ramas / Segreda um longo poema. (JAC)

 

(José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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