BRAZIL…ZIL…ZIL…

As ordens desordenadas

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As sentenças do Mensalão estão sendo executadas, como manda a lei; o julgamento foi legal e democrático, na forma da lei. Mas há certos detalhes que incomodam quem acredita que a lei não deve se prestar a excessos nem abusos.

1 – Os condenados foram recolhidos pela Polícia Federal em São Paulo e Belo Horizonte e levados a Brasília. Sabendo-se que o normal é que os presos cumpram pena perto de suas famílias, por que tirá-los de São Paulo e Minas e levá-los a Brasília, apenas para depois trazê-los de volta? É caro. Além do avião, mobilizam-se agentes que poderiam fazer outras coisas. No mínimo, desnecessário.

2 – A pressa. OK, é simbólico determinar a prisão de gente poderosa no Dia da Proclamação da República. Mas este simbolismo não está na lei. E, para que existisse, os presos foram enviados à prisão sem especificação do regime, nem a reserva de acomodações para o regime semiaberto. No mínimo, desnecessário.

3 – O show. Prisão não é espetáculo; a privação de liberdade, por mais justa, correta, legal e necessária que seja, é sempre uma tragédia. Divulgar os horários, para que televisassem o avião na pista? Há quem diga que é pedagógico mostrar que a pena está sendo cumprida. É a mesma justificativa cruel usada por Governos que promovem execuções em praça pública. No mínimo, desnecessário.

4 – José Genoíno e Roberto Jefferson submetem-se a delicados tratamentos de saúde, e isso é fato público. Tratá-los como se não tivessem problemas e esperar que seus advogados informem o fato oficialmente é, no mínimo, desnecessário.

A volúpia da masmorra

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A condenação e a prisão de uma pessoa lhe impõem a privação de liberdade. Mas, para parte da opinião pública, isso é insuficiente: é preciso tripudiar. É a história dos banhos frios, das privadas turcas: em que isso contribui para qualquer objetivo legítimo? Prisão não é masmorra, ou não deveria ser. E há coisas inaceitáveis: por exemplo, a prisioneira Kátia Rabelo não pode sequer tomar sol sem ser escrachada por câmeras de TV?

Alguém deu o horário certo. Para que?

 

Em boca própria

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Reclamar da condenação faz parte do jogo: grande parte dos condenados sempre se diz inocente, sejam quais forem as provas contra eles. Mas Genoíno e Dirceu se considerarem presos políticos é meio muito: não foram punidos pelo que pensam nem por sua posição política, e o Governo está há mais de dez anos em mãos de seu partido. Mas que eles assim o digam, vá lá.

Duro é ouvir de jornalistas a comparação entre a prisão de Genoíno e o caso Herzog. Pior é ver que Delúbio Soares se intitula “ambientalista e preso político”. Ambientalista! Pois é.

 

O Mensalão do outro lado

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Um dos grandes motivos das reclamações dos partidários dos condenados está sendo afastado: o Mensalão mineiro, berço que gerou o Mensalão nacional, deve ser julgado pelo Supremo no primeiro semestre do próximo ano, segundo o relator Luís Roberto Barroso. O Mensalão mineiro envolveu o desvio de dinheiro público para a campanha de reeleição do governador Eduardo Azeredo, do PSDB, em 1988 (Azeredo perdeu para Itamar Franco). Azeredo foi presidente nacional do PSDB e hoje é deputado federal. E quem, além dele, está citado no caso? Marcos Valério, claro; seus sócios; o Banco Rural, de novo; Clésio Andrade, da Confederação Nacional de Transportes, candidato a vice de Azeredo; Walfrido dos Mares Guia, que era vice-governador e secretário de Azeredo. Mares Guia saiu do processo por ter completado 70 anos. Extinção de punibilidade.

 

Outro lado?

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O PT pede (com justiça) o julgamento do Mensalão mineiro. Mas, como ensinavam os antigos gregos, os deuses, quando querem destruir um homem, atendem a seus desejos. Azeredo ainda é tucano. Marcos Valério, seus sócios e o pessoal do Banco Rural mudaram de lado e já foram condenados no Mensalão; Clésio Andrade mudou de lado e hoje é lulista desde criancinha. Mares Guia também tinha mudado de lado, mas não terá problemas.

Além de Azeredo, o Mensalão mineiro deve atingir os mesmos do Mensalão propriamente dito.

 

La dolce vita

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A filha de Walfrido dos Mares Guia, Erika, dona de uma loja de roupas finas em São Paulo, casou-se na semana passada em Punta del Este, com show de Dionne Warwick.

Diz a imprensa uruguaia que a cerimônia custou US$ 3 milhões.

 

Eleição? Nada a ver

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A grande pergunta: em que o caso do Mensalão influenciará as próximas eleições presidenciais? A resposta é simples: dificilmente terá alguma influência. Há muitos anos os partidos sabem que denúncias de corrupção não afetam resultados eleitorais. Neste caso, menos ainda: faltando quase um ano para a eleição, há tempo suficiente para diluir a memória do caso. Com todas as acusações que sofreram, Jader Barbalho, Joaquim Roriz, Paulo Maluf, José Roberto Arruda sempre se elegeram com facilidade (Jader, Maluf e Arruda foram presos, fotografados na prisão e isso não se refletiu nas urnas).

A última pesquisa do Ibope, a propósito, indica que, no tumulto das condenações do Mensalão, a presidente Dilma cresceu e, hoje, venceria no primeiro turno qualquer de seus adversários.*

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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O MENINO É PAI DO HOMEM

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Uma frase de Machado de Assis, que serviu de título a um capítulo de um de seus romances, acho que Memórias Póstumas de Brás Cubas, elimina, a meu ver, a responsabilidade do ser humano pelos seus atos e o livra de todos os pecados: “O menino é  pai do homem”.

Não me lembro do conteúdo desse capítulo. Citei o título de memória. Mas, analisando a frase em si, isolada do romance, imagino que, por essa ideia, se uma tara é genética, não cabe ao tarado a culpa de seus malfeitos; se a má índole é adquirida, é no meio ambiente, na família ou na desagregação social que se deve pôr a culpa. A frase de Machado de Assis significa, salvo melhor juízo,  que o que se faz a uma criança hoje se reflete depois no adulto que ela se tornará. O que o menino suporta, enfrenta ou recebe hoje é que vai decidir o caráter do adulto.

Se isso é verdade, então não existe o pecado, não existe responsabilidade, não existe o livre-arbítrio. Presume-se a incompetência ou a impossibilidade do indivíduo em vencer as forças negativas, em superar seus traumas ou em decidir seu próprio destino.

O livre-arbítrio não existe, certamente, para quem crê num deus. Como o destino de uma pessoa está previamente traçado ou já é inteiramente conhecido por esse deus, não importa o esforço que ele faça para melhorar. O que quer que ele pretenda fazer já está previamente decidido por esse deus, se for um deus onisciente… Em outras palavras, que chances teria Pedro de não negar a Cristo por três vezes, antes que o galo cantasse, se o próprio Cristo previra essa traição dele? Cristo teria sido charlatão ou mentiroso, se a profecia dele não se tivesse realizado. O mesmo se diga da traição de Judas, já prevista também. Como poderia um homem fugir do destino ingrato que lhe estava reservado, independentemente de sua vontade? O papel de Judas era necessário aos desígnios da divindade. Para que se realizassem as profecias, para que Jesus morresse pelos homens, Judas teria de fazer o que fez, ainda que não quisesse, ainda que pudesse negar-se a fazer um papel que a humanidade condenaria como traição,  mas que a humanidade deveria agradecer por ter sido seu beijo pretensamente traidor a base  de uma Igreja ou o fundamento de uma religião. Judas não traiu ninguém. Judas foi a chave que abriu uma porta e nem sequer tinha consciência da grandeza de seu papel.

Mas eu creio no livre-arbítrio, porque não acredito em divindades. Creio na responsabilidade do homem pelos seus atos e no seu poder de escolher seus próprios caminhos.

Se Machado de Assis tivesse razão, não teria sido um escritor, mas um revoltado contra a humanidade, por ter ficado órfão cedo, por ter sido pobre, ou por ter sido descendente de escravos.

Machado de Assis enganou-se. O menino que fui não é o pai do homem que sou. Afinal, não tenho nenhuma divindade a espionar o que faço entre quatro paredes ou a decidir o destino de que  sou o único dono e responsável. Eu é que decido o que faço e escolho meus próprios caminhos. Deus, segundo a Bíblia, fez o mundo em seis dias. Como ninguém é de ferro, resolveu descansar no sétimo dia. E nunca mais fez nada, a não ser traçar o destino dos que nele creem. E acabar com o livre-arbítrio.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de
uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do
ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

 

POBRE BRASIL…

NÃO SOBRA NINGUÉM…

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“A corrupção não tem partidos e é um mal em si. Nestes poucos meses, explodiram escândalos em um ministério, em um importante estado e em uma importante prefeitura”.*

(*) Luís Roberto Barroso, Ministro do STF

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FALA, PODEROSO CHEFÃO, FALA

‘Quero falar algumas coisas’ sobre o mensalão, diz Lula

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Em meio às discussões no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a possibilidade de prisão imediata dos condenados no mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (13) que pretende “falar algumas coisas” sobre o que é considerado o maior escândalo de corrupção de seu governo, mas que só o fará após o final do julgamento.

“Tenho dito para todo mundo: eu, quando terminar toda a votação sobre o mensalão, aí eu quero falar algumas coisas que eu penso a respeito disso”, disse Lula, que conversou com a imprensa após um encontro com militantes do PT em Campo Grande.

Questionado sobre a possibilidade de prisão dos condenados, Lula disse “não ter autoridade para fazer qualquer julgamento sobre qualquer decisão de uma Corte suprema”.

“Ou seja, na hora que ela tomar a decisão, está tomada a decisão. Eu obedecia como presidente, acatava, acato como cidadão brasileiro”, completou.

Sobre o desejo de expressar suas avaliações sobre o caso, Lula disse que não o fará antes do final do julgamento “pelo fato de ter sido ex-presidente e ter indicado vários ministros que estão lá [no STF]”.*

(*) Folha de SP

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O FUTURO CHEGOU: FUJAM!

As portas do futuro

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O PT elegeu sua nova, e reformulada, direção. Nomes controvertidos ficaram de fora. José Dirceu, por exemplo. Mas seu filho, Zeca Dirceu, está no comando, ao lado de Mônica Valente, esposa de Delúbio Soares. Nomes consagrados perderam a disputa. A deputada, ex-senadora e ex-ministra Benedita da Silva, por exemplo, mesmo com apoio de Lula e José Dirceu, não alcançou a presidência do PT fluminense. Quem ganhou foi Washington Quaquá, prefeito de Maricá. Grande personagem, o Quaquá: nomeou 132 funcionários sem concurso, todos petistas, muitos vivendo em outros Estados. Deu R$ 3 milhões à Escola de Samba Grande Rio para que o desfile homenageasse Maricá (e pode oferecer mais um milhão). Tantas fez o Quaquá que a Justiça o tornou inelegível por oito anos.

Os concorrentes do PT também se renovam, com vistas ao futuro. O PSB, de Eduardo Campos e Marina Silva, pensa numa chapa jovem para o Governo paulista, com Luíza Erundina, 78 anos, e Walter Feldman (quando Erundina foi prefeita de São Paulo, Feldman foi um dos mais combativos vereadores da oposição). Atraiu o técnico de vôlei Radamés Lattari, o nadador Xuxa, e Magrão, goleiro do Sport Recife. O PTC convocou Joana Machado, ex-mulher do jogador Adriano, para se candidatar a deputada. O PSDB filiou o técnico de vôlei Bernardinho e quer lançá-lo para o Governo do Rio. O PMDB escolheu um ex-secretário da Segurança de São Paulo, Ferreira Pinto, para tentar a deputança.

Já o PR, de Valdemar Costa Neto, não se renovou. Vai de Tiririca, mesmo.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

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E NO PAÍS DOS “RECURSOS INFRINGENTES”…

Delúbio entra com novo recurso no STF para

reiterar pedido de absolvição por quadrilha

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A defesa de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, apresentou nesta segunda-feira (11) novo recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo a sua absolvição pelo crime de formação de quadrilha no julgamento do mensalão. Delúbio também foi condenado por corrupção ativa, e a sua pena total foi de 8 anos e 11 meses de prisão em regime fechado, além de multa de R$ 300 mil.

Ele já havia questionado a sua condenação num recurso em maio, chamado de embargos infringentes, que acabou rejeitado pelo presidente do tribunal, ministro Joaquim Barbosa, que é relator da ação.

O advogado Arnaldo Malheiros recorreu da decisão, e o pedido foi analisado por todos os demais ministros em plenário em agosto, que acabaram decidindo por aceitar os tais embargos.

Esse tipo de recurso permite reverter a condenação, uma vez que obriga os ministros a analisarem novamente todas as provas do processo. Em tese, só pode ser apresentado pelo réu que tiver tido ao menos quatro votos favoráveis, mas há diferentes interpretações sobre o número exigido.

No recurso apresentado hoje, o advogado diz que ele serve para “ratificar e aditar os embargos infringentes já apresentados em maio”.

Ele reitera que espera do tribunal que absolva Delúbio do crime de quadrilha. No entanto, caso os ministros decidam manter a sua condenação, que ao menos diminuam a sua pena.

O argumento da defesa é que o aumento da pena foi desproporcional. Afirma que, na definição da pena, os ministros consideraram que, das oito circunstâncias judiciais possíveis, trÊs eram desfavoráveis ao réu. No entanto, a pena fixada foi mais do que o dobro da pena mínima prevista aquele crime e chegou perto da máximam, que é de três anos.

No recurso de maio, o advogado alegou que Delúbio “jamais se associou a outras pessoas com o fim de cometer crimes” e que o STF deveria considerar “simples coautoria na alegada prática do delito de corrupção ativa”.

O julgamento dos embargos infringentes pelo STF deve ocorrer apenas no ano que vem. Nesta semana, o tribunal julga a segunda rodada dos chamados embargos declaratórios, recursos que não têm o poder de reverter condenações, mas podem corrigir erros e omissões do texto (acórdão) do julgamento.*

(*) Fernanda Calgaro , do UOL

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BANANA REPUBLIC

Em nome da “felicidade”, Maduro decreta

Natal antecipado na Venezuela

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Segundo Maduro, o objetivo da medida é garantir “felicidade para todo o povo” e derrotar a amargura.

“Hoje, sexta-feira, 1º de novembro, quisemos decretar a chegada do Natal. Queremos a felicidade para todo o povo, a paz”, disse Maduro durante a Feira Natalina Socialista 2013, na capital Caracas.

“O Natal antecipado é a melhor vacina para aqueles que querem inventar tumulto e violência. Aqueles que andam amargurados por aí terão uma canção natalina para alegrar a alma”, continuou o presidente.

Maduro também aproveitou a ocasião para rebater as críticas ao recém-criado Vice-Ministério para a Suprema Felicidade Social do Povo Venezuelano.

“Ninguém poderá com a gente, ninguém poderá com a felicidade e o direito à paz, ninguém poderá com o nosso direito de viver e de ter um bom Ano-Novo. Novembro e dezembro têm que ser um bom fim de 2013, para que seja premonitório do que será um tremendo 2014 para a economia e a sociedade”, concluiu.

Imagem de Chávez

Na última quarta-feira (31), Maduro exibiu uma imagem nas obras de um túnel do metrô de Caracas que ele afirma que é do rosto do ex-presidente Hugo Chávez, morto em março deste ano.

“Olhem a figura, um rosto. Esta foto foi feita pelos trabalhadores, os operários. Quem está neste rosto? Um olhar (…) É o olhar da pátria que está em todos os lados(…) Os trabalhadores estão ali, trabalhando e lhes aparece uma imagem na parede e, assim como apareceu, desapareceu. Chávez está em todas as partes”, disse Maduro.

Em abril, durante a campanha para a eleição presidencial convocada após a morte de Chávez, Maduro afirmou ter visto o comandante encarnado em um “pássaro”.*

(*) UOL

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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

O IBGE descobre o ‘aglomerado subnormal’ e

acaba com as favelas do Brasil Maravilha

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Primeiro, Lula criou o Fome Zero e acabou com os famintos que herdou de FHC, e todos os brasileiros passaram a saborear pelo menos três refeições por dia. Depois, Lula criou a nova classe média e acabou com a pobreza que herdou de FHC, e todos os pobres foram intimados a subir para a divisão superior sem que tivesse subido o salário.

Mais tarde, Dilma Rousseff criou o programa Brasil sem Miséria e acabou com os indigentes que Lula, decerto por distração, esquecera de incluir na classe média, e todos os miseráveis da nação aprenderam que podem viver muito bem com 3 reais por dia, e se não forem perdulários logo estarão viajando de avião ou embarcando no trem-bala.

Sem fome, sem pobreza, sem miséria, o que estaria faltando para que o Brasil Maravilha virasse uma Noruega com muita praia, carnaval, mulata, futebol e jabuticaba? Acabar com os milhões de nativos que se espremem em barracos pendurados nos morros, hasteados nos pântanos ou fincados na periferia das cidades, decidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Depois da divulgação de um estudo que abrange a população que sobrevive nesses tumores urbanos, já não falta mais nada. Pelo que se lê no papelório, os alquimistas do IBGE decretaram que, a partir deste começo de novembro, o que parece uma favela é um “aglomerado subnormal”. Isso mesmo: “aglomerado subnormal” é a grande novidade apresentada nesta primavera pela novilíngua companheira.

Embora a imensidão de favelados esteja onde sempre esteve, as favelas não existem mais. Haja cinismo.*

(*) Blog do Augusto Nunes.

 

A PROPÓSITO

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O brasileiro, depois do Lulla, nunca amou tanto, e com tanto ardor, o dinheiro…

Mas só platonicamente…*

(*) Acir Vidal, editor do blog.

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LIÇÃO DA COPA

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Uma das lições da copa de 2014 talvez nunca seja realmente aprendida. Não vou falar de futebol, porque não entendo nada desse jogo e não torço para time nenhum, nem mesmo em disputas internacionais. Não se fale em “patriotismo”, quando é a Seleção Brasileira que joga. Patriotismo não é isso e é muito mais que isso. Quanto treinava a Seleção Japonesa, Zico comandou contra a Seleção do Brasil um jogo de sua equipe, e nem por isso deva ser chamado de antipatriota. Filipão já comandou a Seleção portuguesa contra a brasileira e não é antipatriota. O jogador de futebol, em qualquer situação, em qualquer jogo, luta pela vitória para engordar o bolso, e não por amor à pátria. Quem torce pela Seleção torce por um time e apenas por um time, ainda que esse time se arrogue o direito de representar seu país. Mas vamos ao assunto a que vim.

Grafema é um sinal gráfico distintivo, que pode ser uma letra, como a que distingue  < pato > de  < pago > , ou a cedilha, que distingue <  paco > de     < paço > ou um acento, como o que distingue  < pode  > de < pôde >.  Isso significa que qualquer letra é um grafema, mas nem todo grafema é letra.

O < x > é um grafema que pode representar vários sons: ora  [z], como em exame; ora  [ks], como em fixo; ora [s], como em máximo, ora  [š], como em lixo. Em todas as palavras começadas por < hex-> , o < x > representa os seguintes sons: [z], [gz] ou [ks]. Ex.: hexágono, hexassílabo, hexaedro, hexacloreto, hexógeno, hexâmetro, hexagrama, hexacampeonato, etc. O Houaiss registra as pronúncias [z, ks, gz] nas palavras que têm < hex->, como  hexaedro e hexacampeão, embora o povo só diga hekzaedro, hekzacampeão. Se o < x > é um dífono, isto é, se representa dois sons, então a pronúncia deveria ser [ks], e não [kz], que não existe para o < x  > em português. Assim, se fôssemos aceitar o < x > como dífono, nas palavras começadas por <hexa->, então a pronúncia seria heksacampeão, heksacampeonato, e não hekzacampeão, hekzacampeonato.

Existe na língua um fenômeno chamado “assimilação”, que consiste na mudança de um som por influência de outro. O < s > de “deste” ou de “vespa” soa [s], como o     < c > de “cebola”. Da mesma forma, em “mesmo ou em “desde o < s > soa [z ] (mezmo, dezde), porque a sonoridade das vogais e consoantes se transferiu para o < s >, que soa sonoro. O  < x > em <hexa-> poderia soar [ks], porque ambas as consoantes são surdas, ou [gz], em que ambas as consoantes são sonoras, ou como [z], sonoro entre vogais sonoras. O mesmo fenômeno de assimilação ocorre em “cosquinha” (oriunda de “coceguinha”, diminutivo de “cócega”), com síncope da vogal pré-tônica anterior). Como seria difícil pronunciar “cosguinha” (uma consoante surda antes de uma consoante sonora), houve um ensurdecimento da consoante da sílaba tônica e ambas soam surdas [sk]. Assim, é mais difícil dizer “ekza” do que “eksa”” na pronúncia da palavra “hexacampeão” (ou ambas as consoantes soam surdas, ou ambas soam sonoras). A sequência kz existe em português, em algumas poucas palavras, como “eczema” e derivados ou “czar” e derivados,  mas nunca para o valor de < x >. Mas essa pronúncia é reforçada pela própria escrita com < z >. É por causa da assimilação que o povo pronuncia “subzídio” por “subsídio” ou “subzistência” por “subsistência”, fazendo soar sonoro o < s > depois de consoante sonora (o < s > depois de < b > soa [s] , surdo, segundo a prosódia oficial, exceto em “obséquio” e derivados). Em francês o < x > também representa vários sons: [s] (dix), [z] (dix amis), [ks] (fixer), [gz] (examen), ou  [Ø] antes de nome começado por consoante  (dix livres).

No Dicionário de dificuldades da língua portuguesa (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996),  no verbete hexa-, Domingos Paschoal Cegalla recomenda a pronúncia “egza”. Consequentemente, para ele, o torcedor da Seleção brasileira deveria dizer egzacampeonato” (hexacampeonato).

Como será que os torcedores vão pronunciar “hexacampeão” na copa de 2014?

NOTA: No texto, os parênteses quebrados (< >) indicam grafemas; os colchetes ([ ]), sons da fala.

 

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011.

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TÁ TUDO DOMINADO

Pesquisa aponta que 70% dos brasileiros não confiam na polícia

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A insatisfação da população com a polícia cresceu no primeiro semestre de 2013 em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o Índice de Confiança na Justiça Brasileira (ICJBrasil), realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para integrar a 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 70,1% da população não confia no trabalho das diversas polícias no País, 8,6 pontos porcentuais acima do registrado no primeiro semestre de 2012.

O FBSP destacou que a credibilidade das polícias está mais próxima da apresentada pelos partidos políticos (95,1% dos brasileiros afirmam que não confiam em legendas políticas) do que pela apresentada pelas Forças Armadas (34,6% não confiam), o que, mostra o documento, indica a necessidade de rever a atuação dos agentes de segurança pública.

De acordo com o fórum, as atuações das polícias desde as manifestações iniciadas em junho são apenas um ponto que precisa ser revisto na política de segurança adotada nos dias de hoje.

Cinco pessoas morrem em média todos os dias no país vítimas da ação policial, de acordo com o Anuário. No ano passado, 1.890 pessoas foram mortas em episódios envolvendo policiais em serviço. Além disso, considerando as taxas de mortes por homicídio da população e de policiais, o risco de um policial morrer assassinado no Brasil é três vezes maior que o de um cidadão comum.

A taxa de homicídio geral da população foi de 24,3 por 100 mil habitantes, enquanto a de policiais mortos em serviço e fora de serviço foi de 72,1 por 100 mil policiais. “A polícia está matando muito e morrendo muito”, disse o coordenador do Anuário, Renato Sérgio de Lima. Ele afirmou que os dados são uma evidência forte de que a forma como o Estado brasileiro atua para lidar com crimes é “anacrônica e falida”.

Lima disse que, embora o gasto do País com segurança pública tenha atingido R$ 61,1 bilhões em 2012, alta de 16% ante o ano anterior, cerca de 40% desse valor é destinado a aposentados e inativos. “O Brasil gasta muito, mas investe mal”, resumiu.*

(*) – Estadão – UOL

 

A PROPÓSITO

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