QUARTA-FEIRA, 30 DE ABRIL DE 2014

Lula, cachaça e tapete grosso

lula51

Um velho cientista político que conhece o PT como poucos comentava que vai ser difícil tentar tirar, uma vez já instalados, os companheiros do poder.

Dizia ele, com preconceito e sarcasmo, que esse pessoal que tomava cachaça e comia linguiça nos anos 70 no ABC paulista agora se acostumou aos “tapetes grossos” de palácios e ministérios.

Isso também serve para tucanos e baianos.

Imagine-se quantas famílias sobreviveram, filhos foram criados e propriedades compradas pelos políticos e servidores que vivem do dinheiro de feudos no Brasil.

Os tucanos estão há quase duas décadas em São Paulo. O Carlismo de ACM dominou a Bahia por 40 anos. E o “choque de gestão” de Aécio Neves mantém o pessoal dele agarrado ao poder em Minas desde 2003.

Política no Brasil é um meio de vida para milhões de pessoas. É um projeto de ascensão social às custas da sociedade. Quem detém esse poder se agarra a ele como pode.

Suspeitas de superfaturamento na compra de trens e refinarias são apenas meios de financiar essa permanência.

Mas nada se compara ao governo federal, o ente mais poderoso da federação.

Só os cargos de livre nomeação no Executivo passaram de 17,6 mil para quase 23 mil desde que o PT assumiu a Presidência, em 2003. São usados para tudo: acomodar desde gente competente a parentes de políticos ou aliados que perderam sua boquinha em outro lugar.

Sem falar num Orçamento de R$ 2,4 trilhões anuais, que controla tudo e a todos, dos gastos do Bolsa Família e Previdência às transferências a Estados e municípios.

Com Dilma caindo nas pesquisas e cada vez mais isolada, Lula está deixando a porta aberta para a sua volta, se necessário.

Como qualquer outro em seu lugar, depois de 12 anos no poder os petistas não arriscar perder esse meio de vida por nada.*

(*) Fernando Canzian – FOLHA DE SÃO PAULO

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone