FALA SÉRIO…

Voa…

000 - Avô e neto - aula de geografia

Informação do portal Contas Abertas: há 13 funcionários do Congresso, com salários de até R$ 22 mil mensais, escalados para ajudar parlamentares a embarcar e desembarcar em Brasília. Há também atendimento especial a parlamentares e autoridades judiciárias, ao custo anual de R$ 650 mil. Câmara, Senado, Supremo e Tribunal Superior do Trabalho têm salas VIP especialmente alugadas.

…dinheirinho

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Quatro ministros e dois funcionários do Superior Tribunal Militar passaram dez dias na Itália, neste mês. Só de diárias foram R$ 70 mil, mais as passagens – quatro executivas, duas econômicas. No total, pelo menos R$ 100 mil. Motivo da viagem: entregar a Ordem do Mérito Judicial Militar para o embaixador brasileiro em Roma e três adidos militares.

Esperar que viessem ao Brasil, nem pensar.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

SERÁ QUE NO FINAL DO POÇO TEM MOLA?

Num Brasil cada vez mais surreal,

o que nos resta é o voto

000  - a Maioria_silenciosa

O Brasil é surreal. Cada vez mais uma caricatura de quem, como o desenhista oficial do Planalto, ainda não sabe sequer colorir álbuns infantis.

Um índio flechando um policial. Como um Touro Sentado num duelo com o general Custer, sob o olhar complacente do especialista em “movimento sociais” – o que e me leva a incluir os índios nessa categoria. Seria emocionante como um faroeste se não fosse real.

 

Um bandido (ladrão que havia sido condenado a 12 anos de pena por assalto à mão armada), agora deputado estadual pelo PT, participando de reuniões com o PCC. A mesma organização que, segundo o partido do mensalão, só existe porque existe o governo do PSDB.

Agora temos Lula Cabral do Restelo. O que não descobriu o Brasil porque a história o traiu e colocou Pedro Álvares Cabral na caravela mais veloz. Perdeu a primazia.

E por fim há um presidente do Supremo Tribunal Federal que decidiu antecipar em 11 anos a aposentadoria por não suportar o convívio no mesmo plenário com o seu sucessor no comando da Corte.

É normal?

Tudo no Brasil é normal e aceitável?

Quem dirá que Joaquim Barbosa não tem razão? Quem dirá que sim?

O PT está em festa. É possível que no sábado haja mais uma feijoada na Papuda.

Miopia. Perderam a noção da cidadania e da garantia legal que o Poder Judiciário nos dá. Festejam o próprio enterro. Exaltam o desastre sem entender que também estão sob os escombros.

Neste país de poderes podres, ministros que devem favores (ou dinheiro a réus que irão julgar), ministros risíveis, presidente que supera Maria, a Louca, deputados ladrões. O que nos resta?

Resta o voto. Ou não?*

(*) REYNALDO ROCHA, no blog do AUGUSTO NUNES

PIB CRESCE COMO RABO DE MULA, PRA BAIXO

ECONOMIA DÁ VEXAME E CRESCE
SÓ 0,2% NO PRIMEIRO TRIMESTRE
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PIBINHO DE 0,2% MOSTRA UM QUADRO DE QUASE ESTAGNAÇÃO DA ECONOMIA

Nem com as obras da Copa, a equipe econômica conseguiu fazer o PIB crescer

A política econômica do governo federal volta a dar vexame: o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,20% no primeiro trimestre do ano sobre o quarto trimestre de 2013, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao divulgar, nesta sexta-feira, 30, as Contas Nacionais Trimestrais. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas de 65 instituições consultados pelo AE Projeções (de -0,30% a +0,60%), que resultou numa mediana positiva de 0,20%.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2013, o PIB avançou 1,90% nos três primeiros meses de 2014. O resultado ficou dentro das estimavas dos analistas do mercado, que previam alta entre 0,90% e 2,50%, com mediana de 1,98%.

Com o dado divulgado hoje, o PIB acumula alta de 2,5% no acumulado em 12 meses até o primeiro trimestre de 2014. O PIB do primeiro trimestre do ano totalizou R$ 1,2 trilhão.

Indústria

O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria caiu 0,8% no primeiro trimestre de 2014 em relação ao quarto trimestre de 2013. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o PIB da indústria mostrou alta de 0,8%. Os técnicos do IBGE vão conceder entrevista dentro de instantes para comentar os resultados. 

O PIB da atividade de serviços subiu 0,4% no primeiro trimestre de 2014 sobre o quarto trimestre de 2013. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, houve crescimento de 2%. *

(*) Agência Estado

AGORA, O RESTOLHO…

Joaquim Barbosa é a grande

obra ética de Lula

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Joaquim Barbosa é um ser humano de rara imperfeição. Na breve passagem pelo STF, seus 10% de qualidades deram aos seus 90% de defeitos uma fabulosa reputação. Ele desce ao verbete da enciclopédia como a grande realização ética da Era Lula. No papel de juiz, o principal mérito de Barbosa foi o de ter ateado em Lula uma enorme aversão à sua irascícel figura.

Darwin mostrou como o acaso é importante na evolução das espécies. Lula provou que o fortuito às vezes comanda também os movimentos civilizatórios. Ficou demonstrado que o acaso pode influir nos destinos da República tanto quanto um acidente genético pode condenar uma certa linhagem biológica ao extermínio ou à sobrevivência.

Barbosa foi o primeiro dos oito ministros que Lula indicou para o STF. Chegou à Suprema Corte porque o então presidente meteu na cabeça que tinha de indicar um negro. Acionou seu ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Que encontrou um negro de mostruário —origem pobre, eleitor de Lula e dono de boa formação acadêmica. Consumada a escolha, o computador do STF completou o serviço.

Numa seleção aleatória, a máquina escolheu o preferido de Lula para a função de relator do processo do mensalão. E Barbosa revelou algo que seu patrono não suspeitara: sob a pele negra, havia um magistrado independente. Desses que não costumam pagar o privilégio de uma indicação com a própria consciência. A criatura converteu-se em algoz do partido do criador.

O julgamento do mensalão é obra coletiva. Mas não há quem ignore: foi Barbosa quem levou os acusados à marca do pênalti. Subdividido em capítulos, seu relatório tornou o escândalo simples como um jogo de futebol. No auge da partida, Barbosa revezou-se nos papeis de artilheiro e zagueiro. Ora chutava em gol ora entrava como um Tonhão de time de várzea no calcanhar dos que ameaçavam seu domínio na grande área.

Mesmo quem acredita que tudo já está escrito nas estrelas, se surpreende ao imaginar o que poderia ter acontecido se o encadeamento de escolhas arbitrárias não tivesse conspirado a favor de Barbosa. Pense bem: e “se”…

Se o Lula não tivesse encomendado um negro, o Thomaz Bastos teria escolhido qualquer outro nome; mas se o Joaquim Barbosa não tivesse assumido uma poltrona no STF, o José Dirceu não estaria, agora, fazendo discursos contra ele na cadeia.

Nunca é demais lembrar que, se tivesse prevalecido o plano original, José Dirceu permaneceria na Casa Civil até o final dos dois reinados de Lula. Se isso tivesse ocorrido, o PAC provavelmente teria um pai, não a mãe que todos conhecem. E a República talvez fosse presidida, hoje, pelo impensável. Que estaria em plena campanha à reeleição.

A aposentadoria era uma folha distante no calendário de Joaquim Barbosa. Só chegaria em 2024, quando o ministro completaria 70 anos. A despeito das complicações na coluna, ele poderia permanecer em campo. Mas a perspectiva de passar a presidência do Supremo para Ricardo Lewandowski em novembro parecia doer-lhe mais do que as vértebras.

Mal comparando, Barbosa preferiu, a duas semanas da Copa, deixar a grande área do STF como uma espécie de Pelé. Decerto avaliou que, depois do mensalão, participar de um colegiado presidido por Lewandowski seria como jogar num time da segunda divisão.

O ministro executou sua saída com método. Transferiu José Genoino da reclusão domiciliar para o xilindró. Revogou as autorizações para que os mensalerios do semiaberto trabalhassem fora da cadeia. Negou o benefício a José Dirceu. Após virar todas as chaves, informou que vai pendurar a toga em junho.

Num país em que ninguém costumava pagar por coisa nenhuma acima de um certo nível de poder e renda, as 24 condenações do mensalão têm, para Barbosa, um sabor de mil gols. Ironia suprema: Lula, principal responsável pela armação da jogada, chama a goleada de “farsa”. Com isso, fica impedido de celebrar o único feito do seu governo no campo da ética.*

(*) Blog do Josias de Souza

PAÍS DA PIADA PRONTA

Pau e circo

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“Macaco que muito mexe quer chumbo” é um velho e sábio ditado mineiro sobre os perigos da superexposição e do exibicionismo, mas certamente nem passou pela cabeça de Lula e Ricardo Teixeira quando fizeram o diabo para trazer a Copa do Mundo para o Brasil, imaginando os benefícios políticos e comerciais e esquecendo os riscos e consequências de se colocar no centro das atenções do mundo como sede de um evento dessa grandeza. E veio chumbo grosso.

Recebidas como ofensas ao país, as críticas internacionais foram respondidas com bravatas grandiosas e apelos ao patriotismo paranoico, como se os estrangeiros só revelassem as mazelas e precariedades que estamos cansados de conhecer por maldade, inveja e má-fé, ou talvez por tenebrosas conspirações para atrapalhar a nossa Copa. É reserva de mercado: só nós podemos nos esculachar.

Mas, depois de sete anos, das 167 intervenções urbanas prometidas, só 68 estão prontas e 88 atrasadas, e Lula explicou tudo: “Vai levar alguns séculos para a gente virar uma Alemanha.”

 

Ricardo Teixeira e Lula. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O complexo de vira-latas também se caracteriza pela incapacidade de reconhecer erros, de responder a críticas e de tentar disfarçar o sentimento de inveja e inferioridade com a força bruta de hipérboles, bravatas e rosnados.

Quando Nelson Rodrigues disse que a vitória na Copa de 1958 nos livrou do complexo de vira-latas, ao contrário de Dilma, não entendi que havíamos nos tornado cão de raça ou mesmo cachorro grande, mas que nos livrávamos do complexo porque nos assumíamos como vira-latas bons de bola.

Sim, a vira-latice étnica e cultural é uma de nossas características mais fortes, para o bem e para o mal, e isso não há Copa nem metáfora genial que mude. Nesse sentido, ninguém é mais vira-latas do que os americanos, que também são os cachorros grandes do mundo.

Outra expressão atual da vira-latice é a ostentação, como o novo estilo de funk que celebra a riqueza e o exibicionismo, com orgulho e sem vergonha. É a trilha sonora perfeita para o Brasil ostentação da propaganda oficial que nos mostra no melhor dos mundos e fazendo a Copa das Copas.

Macaco que muito mexe…*

(*) Nelson Motta – O Globo.

O SONHO E OS MITOS

000- a coluna do Joauca - 500

O sonho, esse conjunto de sons e  imagens quase sempre surrealistas que nos vem durante o sono, mesmo contra a nossa vontade, batizou estranhamente o ideal por que lutamos e que constitui, às vezes, o objetivo principal da vida.  Como uma fantasia absurda que temos durante o sono pôde também designar, em sentido figurado,  o que nos humaniza e dá um simulacro de sentido à vida?

Dizem que o sonho, no sentido próprio,  é manifestação do subconsciente ou uma prova de que o cérebro está sempre funcionando. Não sei por quê, o sonho nos homens é em preto e branco, mas, nas mulheres – dizem os entendidos –,  o sonho é colorido. Por ser fantasioso e incoerente, o sonho não pode ser interpretado racionalmente.  A ciência já comprovou que não existe sonho premonitório, a não ser na ficção. A história de José do Egito que decifrou os sonhos do faraó e lhe conquistou as graças (Gen. 40 e 41) é apenas mais uma das divertidas invenções de Moisés, o autor dos primeiros livros da Bíblia e de outros  mitos bíblicos, como o dilúvio ou a história fantasiosa de uma serpente a tentar a segunda mulher de Adão (Gen. 3, 1-6.) A primeira foi Lilith; Eva foi sua sucessora.  Se alguém disser que houve um tempo em que os animais falavam, está aí esse capítulo do primeiro livro da Bíblia a mostrar que pelo menos as cobras falavam, embora se saiba que a serpente seja apenas um dos disfarces do mitológico deus do mal… O mais curioso desses mitos lembra a Medusa, que transformava em pedra as pessoas que a olhassem de frente:  o da mulher de Ló que virou estátua de sal ao olhar para trás para ver  a destruição de Sodoma e Gomorra (Gen. 19, 26.). Aliás, o Noé e sua família lembram a versão mitológica de Deucalião e Pirra, que repovoaram o mundo depois do dilúvio. Se bem me lembram as leituras adolescentes dos romances de José de Alencar, em O Guarani, no final do romance,  há uma  versão indígena do dilúvio em que Ceci e Peri representam o casal destinado à perpetuação da espécie. Os mitos se repetem em todas as religiões. Já por isso,  Lévi-Strauss, no estudo em que propõe as unidades constitutivas dos mitos, ou “mitemas”, dizia que os mitos, “aparentemente arbitrários, se reproduzem com os mesmos caracteres e segundo os mesmos detalhes, nas diversas regiões do mundo” (LÉVI-STRAUSS, Claude. A estrutura dos mitos. In: —. Antropologia estrutural. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975, p.  239).

Acho que foi Luís Fernando Veríssimo que se manifestou, numa crônica, sobre o sonho, amaldiçoando-o por ser algo que nos chega sem  ser  desejado, independente de nossa vontade. Acho, no entanto, que o sonho é uma forma de nos mantermos vivos quando perdemos parte de nossa vida a dormir. Um homem de 75 anos passou  25 anos dormindo. Sonhar é diminuir um pouco essa perda significativa do nosso tempo de vida, desde que nos esforcemos para que o sonho não seja esquecido quando acordamos. Afinal, dizem os entendidos, todos nós sonhamos sempre que estamos dormindo. Mas pensamos que não sonhamos porque nos esquecemos do sonho quando acordamos. E, por mais longo que o sonho possa parecer, é sempre curto e quase sempre precede os instantes finais do sono, quando estamos prestes a acordar.

Acho que é pelo que há de fantasioso e suprarreal que os sonhos são sempre maravilhosos, ainda que se manifestem como pesadelos. Quem sabe se acreditar numa vida depois da morte não seja também uma suprarrealidade que as religiões acalentam? Bendigamos os sonhos, no próprio e no figurado. São uma prova de que estamos vivos.*

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)