ESTADO LAICO, É?

Escola no interior do estado é acusada de impor pai-nosso a aluno judeu

Secretaria de Educação nega denúncia feita por pai de estudante e garante que oração diária é ato voluntário


RIO — Em um país laico e que tem a liberdade de crença garantida no artigo 5º de sua Constituição Federal, o caso de um menino judeu no município de Engenheiro Paulo de Frontin foi parar na polícia. O pai do jovem denunciou que o filho, que cursa o 9º ano no Ciep Cecílio Barbosa da Paixão, era obrigado a rezar a oração cristã pai-nosso, o que viola a crença religiosa da família, que é judia. No dia 5 de junho, o presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Jayme Salim Salomão, encaminhou um pedido de explicações à direção da escola e também à Secretaria estadual de Educação. A direção do Ciep, segundo a secretaria, nega que o menino tenha sido obrigado a rezar e que a oração é uma ação voluntária de um grupo de alunos e funcionários.

No ofício, a federação pede providências e diz que, lamentavelmente, a legítima recusa em não participar das orações está causando constrangimentos ao adolescente. O documento ressalta a liberdade religiosa e lembra que o Brasil é signatário de diversos tratados e convenções, nos quais foram assegurados o respeito à vida e à dignidade humana. A federação pede ainda que seja garantido ao aluno o direito de não participar e ser dispensado das orações diárias, sem que o mesmo seja vítima de qualquer ato de preconceito ou discriminação por parte dos alunos, funcionários ou professores. Ainda no documento, a federação reitera que tal prática constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão.

O pai do menino publicou em seu perfil no Facebook um longo relato da situação. Diz que o filho passou a ter problemas, até que um dia voltou para casa transtornado e disse que não suportava mais ir à escola todos os dias e ter que rezar. Segundo o pai, “quando saía da fila, todos os alunos ficavam olhando para ele com ar de crítica, e a funcionária (inspetora), pedia para ele voltar, alegando que o pai-nosso é uma oração universal, (isto, após ele ter dito a ela várias vezes que esta oração é cristã, e que não representa a sua fé)”, acrescentando ter denunciado o caso ao Conselho Tutelar e à polícia.

ALUNO FOI PARA OUTRA ESCOLA

A Secretaria estadual de Educação informou, por nota, que a escola é laica e que não orienta e muito menos obriga qualquer aluno a fazer orações, e que a direção do Ciep Cecílio Barbosa da Paixão informou que alguns estudantes e funcionários se reúnem, em um ato totalmente voluntário, para uma oração.

Ainda segundo a nota, a escola explicou à família do aluno que ninguém é obrigado a participar da oração, reforçando que é uma atitude voluntária de alguns estudantes. Mesmo assim, os familiares optaram por transferi-lo para outro colégio. A Secretaria de Educação disse ainda que repudia quaisquer formas de preconceito e proselitismo religioso dentro das unidades escolares da rede. A Diretoria Regional Centro-Sul (ouvidoria) está acompanhando o caso e orientará os responsáveis e o aluno.

Funcionários da escola registraram queixa na 51ªDP (Paracambi) contra o pai do menino. Segundo o registro da ocorrência, eles alegam que foram ofendidos e xingados. O caso já foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

O deputado estadual Gerson Bergher (PSDB), também judeu, encaminhou ofício ao secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, cobrando explicações.

— O caso tem que ser apurado com rigor. Há alunos de todas as religiões que não podem ser submetidos a este constrangimento, que é ilegal e fere a Constituição Federal. Onde está a liberdade de credo? — disse o parlamentar.*

(*) CELIA COSTA – O GLOBO

PINÓQUIO COMPULSIVO

Lula usa dados errados em discurso para empresários

Ex-presidente cometeu deslizes ao falar sobre investimento externo, exportação de alimentos e PIB do Brasil

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SÃO PAULO – Para tentar reconquistar a confiança do empresariado nacional e internacional no governo Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu nesta semana a uma enxurrada de números e indicadores para sustentar a continuidade das conquistas sociais e econômicas de seu governo na gestão de sua sucessora.

 

Uma análise feita pelo GLOBO do discurso que ele fez num evento da Câmara de Comércio França-Brasil mostra, no entanto, que o ex-presidente cometeu vários deslizes em sua fala. Indicadores como investimento externo direto, dívida bruta e corrente de comércio, citados por Lula como “êxitos dos últimos 12 anos”, na verdade pioraram durante o governo Dilma.

O ex-presidente se enganou ainda ao citar dados sobre reajuste salarial, informações sobre exportação de alimentos e também a posição do PIB do Brasil no mundo, em especial na comparação com outras nações emergentes.

A assessoria do Instituto Lula informou que o ex-presidente não adota a paridade monetária para falar sobre o PIB, apesar de esta ser considerada pelo Banco Mundial a medida mais adequada para comparar economias. O instituto admitiu que Lula se equivocou sobre dados relativos à exportação de alimentos e diz haver diferentes dados sobre os índices de reajuste salarial do Dieese.

É ISSO MESMO

– “Em 2013, o Brasil se tornou o segundo maior investidor externo na União Europeia”- Os dados consideram principalmente o investimento de empresas brasileiras em Portugal e Espanha.

Investidores externos da UE (em euros):

EUA – 313 bilhões / Brasil – 21 bilhões/ Suíça – 18 bilhões

– “O salário mínimo, em 12 anos, aumentou 72%” – Segundo o Dieese, este é o índice de ganho, descontada a inflação.

Evolução do salário:

2002: R$ 200/ 2006: R$ 350/ 2010: R$ 510/ 2014: R$ 724

– “Saímos de 70 milhões de brasileiros com contas bancárias para 120 milhões” – Contas poupança, segundo a Febraban:

2010: 97 milhões/ 2011: 98 milhões/ 2012: 112 milhões/ 2013: 125 milhões

– “Com o ProUni, colocamos 1,5 milhões de jovens de periferia para fazer universidade” – De acordo com o MEC, 31,1% dos estudantes de ensino superior estão no ProUni.

– “Há 12 anos, tínhamos 37 milhões de passageiros em aeroportos. Ano passado, foram 113 milhões” –Lula acertou, mas com pequena diferença.

Passageiros transportados no Brasil, segundo Abear:

2002: 36 milhões/ 2006: 49 milhões/ 2010: 79 milhões /2013: 111 milhões

– “Aumentou produção de automóvel de 1,8 milhão para 3,7 milhões” –Produção brasileira de veículos, segundo a Anfavea:

2002: 1,6 milhão/ 2006: 2,4 milhões/ 2010: 3,3 milhões/ 2013: 3,7 milhões

NÃO É BEM ASSIM

– “A ONU adota o bolsa família como o mais importante programa de transferência de renda do mundo” – Embora o programa seja citado como exemplo para a erradicação da pobreza, a ONU também cita o programa Oportunidades, do México, como iniciativa no mesmo patamar.

– “94% dos acordos salariais em 12 anos foram feitos com aumentos salariais reais, acima da inflação” – Segundo o Dieese, apenas em 2012 o índice citado foi alcançado; nos outros anos, não.

Balanço de reajustes acima da inflação (%):

2009- 79,9/ 2010- 88,8/ 2011- 87,5/2012- 95,1/ 2013- 86,9

– “O BNDES é o único banco brasileiro com inadimplência zero, é o único que só empresta para quem pode pagar” – A “inadimplência zero” é obtida graças à rolagem constante das dívidas, peculiares de um banco público de fomento. Foi assim em relação às dívidas das empresas de Eike Batista, por exemplo.

– “Entre 2008 e 2013 o país produziu superavit primário médio de 2,58%” –Para alcançar a média, o governo usou artifícios, como o uso de ações da Petrobras compradas pelo BNDES em 2012 e a contabilização do parcelamento de dívidas de empresas, realizado contra a vontade da Receita Federal.

– “O Brasil tem hoje o sétimo PIB da economia mundial, o segundo maior entre os grandes países emergentes, depois da China” – Segundo o Banco Mundial, o Brasil está em quarto colocado entre os emergentes. O cálculo por paridade de poder de compra é a melhor maneira de comparar o tamanho de diferentes economias.

Maiores economias:

1- EUA/ 2- China/ 3- Índia/ 4- Japão/ 5- Alemanha/ 6- Rússia/ 7 Brasil

– “O Brasil é o segundo maior exportador de alimentos” – Na verdade, é o quarto.

Exportação de alimentos no mundo, segundo a OMC (em dólares):

EUA: 138 bilhões/ Holanda: 84,3 bilhões/ Alemanha: 78,4 bilhões Brasil: 77,2 bilhões

– “Estamos ampliando o investimento público em educação há 12 anos” – Nos três primeiros anos do governo Lula, o investimento em relação ao PIB foi menor que no último ano de FH. Subiu apenas a partir de 2006.

Investimento em educação (% do PIB):

2002: 4,8%/ 2003: 4,6%/ 2004: 4,5%/ 2005: 4,5%/ 2006: 5%/ 2012: 6,4%

NOS ANOS DILMA, FOI PIOR

– “O PIB per capita passou de 2,8 mil dólares para 11,1 mil dólares” – No primeiro ano de Dilma, o PIB cresceu até 12,5 mil dólares, mas caiu e não voltou ao mesmo patamar, segundo o Banco Mundial.

PIB per capita (em dólares):

2010- 10,9 mil/ 2011- 12,5 mil/ 2012- 11,3 mil/ 2013- 11,7 mil

– “Há 10 anos consecutivos a inflação se mantém dentro das metas estabelecidas pelo governo” – Para o mercado, ao comemorar índices que ficaram distantes do centro da meta, o governo passa a mensagem que a meta real não corresponde ao centro, como aponta o discurso oficial. Para manter dentro da margem, o governo segura preços, como da energia elétrica, gasolina e diesel.

– “A reserva de 380 bilhões (de dólares) corresponde a 18 meses de importações” – Para não perder reservas, o governo atua no mercado futuro de câmbio. Até o fim do ano, deverá manter uma posição vendida de cerca de 100 bilhões, o que equivale a quase um quarto das reservas.

– “Saímos de fluxo de balança comercial de 107 bilhões de dólares em 2007 para fluxo de 482 bilhões em 2013. Não é pouca coisa” – O crescimento dos anos Lula não se repetiu e o fluxo ficou estagnado.

Corrente de comércio, segundo o MDIC (em bilhões US$):

2010: 383,7/ 2011: 482,3/2012: 465,7/2013: 481,8

– “Há três anos o Brasil está entre os cinco maiores destinos de investimento externo direto do mundo. Em 2013 foram 64 bilhões, um bilhão a menos que em 2012” – Segundo a ONU, o Brasil caiu da quinta para a sétima posição no ranking de investimento direito em 2013, quando recebeu 4% a menos de investimento. No fluxo mundial o aumento foi de 11%. Entre os emergentes, de 6%.

– “A dívida pública bruta está estabilizada em torno de 57% do PIB” – A dívida pública cresceu no governo Dilma.

Dívida pública bruta, segundo o BC:

dez/2010: 53,3%/ dez/2011: 54,1%/ dez/2012: 58,8%/ abr/2014: 57,7% *

(*) THIAGO HERDY E MARIANA SANCHES – O GLOBO

DESCEREBRADOS

As ondas magnéticas do Planalto

000 - ninguem vai expulsá-los de campo

Tem gente que acredita: no gabinete do presidente, há uma fonte de ondas eletromagnéticas que alteram o funcionamento do cérebro dos seus ocupantes. Essa energia infla-lhe os egos, levando-os a dizer coisas em que só os áulicos da Casa fingem que acreditam.

Ao empossar o novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, no lugar de César Borges, a doutora Dilma disse o seguinte:

“Estamos fazendo uma pequena reorganização no time que toca a infraestrutura logística do governo, estou realocando as melhores pessoas em funções diferentes, ainda que semelhantes na essência e nos princípios”.

Será que a doutora pensa que alguém acredita nisso, inclusive nos “princípios”? Borges foi defenestrado por exigência do PR, que nem assim saciou-se.

Outro dia, ela incluiu os recursos de custeio da máquina no que seria o investimento de seu governo na Educação. Já aconteceu um caso em que a doutora disse que tinha como meta entregar 8.685 creches. Quando o número foi destrinchado, ofendeu-se: “Minha meta é seis mil creches. Quem foi que aumentou para oito mil?”. Ela.

Lula chegou a dizer que, “quando Napoleão foi à China pela primeira vez”, previu seu grande futuro, e que Oswaldo Cruz “criou a vacina contra a febre amarela”. Não estava querendo enganar ninguém. Eram bobagens mesmo.

Presidentes temperamentais dizem o que querem, e os áulicos aprendem a fingir que concordam. O exemplo clássico dessa espécie foi o general João Figueiredo. Chegou a alimentar a construção de uma prorrogação do seu mandato de seis para oito anos. Tivera um infarte, pusera duas safenas e uma mamária, padecia de dores na coluna e adquirira horror ao batente, mas no palácio ninguém o chamava para a realidade. Resultado: elegeu Tancredo, o avô de Aécio Neves.*

(*)  Elio Gaspari, O Globo

SÁBADO, 28 DE JUNHO DE 2014

O poema das eleições

000 - a ideologia partidária

É fácil entender o que está acontecendo na campanha eleitoral. O PMDB apoia Dilma, dá a ela seu tempo de TV, mas o mesmo PMDB apoia Aécio e dá a ele seus principais diretórios estaduais. O PSD apoia Dilma e dá a ela seu tempo de TV, mas apoia também o peemedebista Skaf em São Paulo, continua ligado a José Serra e a quem mais aparecer procurando apoio e tendo algo (de interesse público, claro) a oferecer em troca. O PSB, que se apresenta como alternativa a PT e PSDB, apoia o PT no Rio e o PSDB em São Paulo, tem candidato próprio em Minas mas quem o apoia é só uma ala do partido, que a outra, a de Marina, não se mistura. O PP é Dilma, mas não no Rio nem no Rio Grande do Sul, onde é Aécio. Dilma, que carrega consigo Collor, Maluf e Sarney, ataca a oposição por representar o passado. A turma tucana do cartel do Metrô e dos trens metropolitanos critica o PT pelo Mensalão e pela ladroeira em geral. Eduardo achou que, aliando-se a Marina, ganharia os votos dela; Marina achou que, aliando-se a Eduardo, se beneficiaria de sua famosa habilidade política. Pois juntou-se a votação de Eduardo com a habilidade política de Marina e deu no que não deu.

Como diria o poeta, Dilma amava Collor que amava o PTB que ama Aécio que ama até o Zé Serra, desde que lhe traga votos. Eduardo Campos amou Marina que só ama o verde mas não amou apoiá-lo só pelo verde de seus olhos. Marina e Eduardo amavam Lula mas não amam Dilma que ama o Valdemar Costa Neto, ama Kassab, que a todos ama, e todos amam Lula que só ama a si mesmo.

A raiz de tudo

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A nota acima é inspirada num poema de Drummond, chamado Quadrilha.

Acredite: é homenagem

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Sexta-feira, dia 27, no comecinho da campanha eleitoral, com base na Lei 12.390, de 3 março de 2011, celebrou-se o Dia Nacional do Quadrilheiro.

Acredite: ele disse

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Frase do ex-presidente Lula sobre a Copa, criticando a Seleção japonesa de futebol: “O Japão é um país de primeiro mundo. Mas não ganhou um jogo sequer na Copa do Mundo. O problema do Japão é que eles só pensam em educação e saúde. Se investissem também em futebol ainda estariam na Copa”.

Acredite: ele confessa

00rs0919c - VERGONHA

Aécio Neves, candidato tucano à Presidência, comemorando a conquista do apoio do PTB, até então ligado a Dilma, revelando o que realmente pensa a respeito de seus novos aliados: “Muito mais gente já desembarcou e o governo ainda não percebeu. Vão sugar um pouco mais. E eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”.

Aécio não só dá esse tipo de conselho a seus companheiros como se orgulha disso.

Acredite: ele festeja

cara de  palhaco

O candidato do PMDB ao Governo do Paraná, Roberto Requião, divulga alegremente por seu Twitter a informação de que recebeu um telefonema de cumprimentos de André Vargas, aquele parlamentar que se tornou tão notório que nem o PT o quis. André Vargas, segundo Requião, disse que se defenderá “com energia” dos ataques que recebe – por exemplo, pela ligação com Alberto Youssef, preso sob a acusação de lavagem de dinheiro. Vargas viajou com a família, de férias, num jatinho alugado por Youssef para ele, ao custo de US$ 100 mil. Vargas, até ser abatido em voo, queria sair para o Senado pelo PT paranaense.

Agora, sem legenda, cumprimentou Requião com a frase “Tamo junto”.

Acredite: até ele!

000 - Quer saber  gif

Por enquanto, a coisa fica só nos comentários. Mas comenta-se muito a possibilidade de indicação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. Não que o partido confie em Cardozo, a partir do momento em que tenha um cargo vitalício, à prova de represálias; mas indicá-lo traria uma vantagem óbvia, afastá-lo do Ministério.

Outros candidatos que vêm sendo citados: o advogado geral da União, Luís Adams, e o advogado Heleno Torres (que vêm sendo lembrados há tempos); e os ministros Benedito Gonçalves, Herman Benjamin, Maria Tereza Assis de Moura e Luiz Felipe Salomão, todos do Superior Tribunal de Justiça. A presidente Dilma ainda não tocou no assunto, mas imagina-se que o nome saia após a eleição.

Acredite: ela promete

000000000000000a vaia

A presidente Dilma Rousseff disse que está decidida a entregar a Copa do Mundo ao campeão, no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro. A última experiência de Dilma num estádio foi meio traumática; e o próprio presidente Lula, no Maracanã, foi vaiado pelo público. Dilma, se aparecer mesmo, vai dar uma demonstração de coragem. Lula, que é mais esperto, tem ficado longe dos estádios.

Acredite: ele pode largar o osso

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Quando José Sarney chegou ao Congresso, em 1955, uma ligação interurbana podia demorar dois ou três dias, quando era completada. A Via Dutra, novinha, tinha pista única de São Paulo ao Rio. A França lançava uma novidade nos ares, o Caravelle. Pelé, adolescente, mudava-se de Bauru para Santos. A TV se expandia e chegava a Minas.

Sarney anuncia agora sua aposentadoria. Ufa!*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS…

De acusador a réu

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Em entrevista ao SBT, anteontem, Lula, com ares de Conselheiro Acácio, disse, entre outras coisas, que “o PT vai ter que enfrentar o debate da corrupção”. Ontem, em Salvador, no lançamento da candidatura de Rui Costa ao governo da Bahia, voltou a falar em reforma “para moralizar a política”.

O que se percebe é que o PT ainda crê na possibilidade de retomar a bandeira da moralidade, que o levou ao Planalto, e assumir novamente o comando dessa discussão. Não percebeu que, em quase doze anos no poder, passou de acusador a réu.

Seu alto comando está (ainda) na Papuda. O debate se processará (já está, aliás, se processando) queira ou não o partido. A rigor, não queria, mas tornou-se inevitável. As manifestações que precederam a Copa do Mundo tinham menos a ver com o evento que com o ambiente em que as obras se desenvolveram.

Obras sem licitação, superfaturadas e inacabadas, constituem um velho padrão brasileiro, mas, na Era PT, mostraram-se sistêmicas; ganharam o cunho do oficialismo.

O Mensalão, que Lula diz jamais ter existido – o que colocaria o Supremo Tribunal Federal, que condenou os infratores, no banco dos réus -, não tem precedentes.

Não foi um roubo isolado, mas a tentativa de embolsar um Poder da República – e que só fracassou graças à inconfidência de um dos cúmplices, o ex-deputado Roberto Jefferson, do PTB, que se sentiu enganado. Chegou-se a tal extremo que não há exagero em afirmar que, para descobrir novas falcatruas, basta escolher aleatoriamente uma repartição qualquer do Estado.

O empenho do governo em impedir investigações na Petrobras equivale a uma confissão de culpa. O partido, que fazia das CPIs o seu principal palanque, hoje as evita a todo custo. Ao longo do exercício do poder, viu, um a um, os seus principais quadros intelectuais o abandonarem, em meio a desabafos de decepção. Restaram-lhe figuras que mais se amoldam a uma delegacia policial que a uma tribuna parlamentar.

Não será fácil a Lula enfrentar esse debate, já que ele próprio está no centro de algumas acusações. Tanto o Mensalão como a absurda compra da refinaria de Pasadena ocorreram sob seu governo. E há ainda casos constrangedores, como o de Rosemary Noronha, a namorada que chefiava a Presidência em São Paulo, e que, nessa condição – de chefe e namorada -, nomeava figurões da República e fazia bons negócios.

Lula até hoje não emitiu uma palavra sequer sobre o assunto, o que torna seu silêncio mais eloquente que as palavras.

Difícil imaginar um debate sobre corrupção que passe por cima desses temas. A estratégia até aqui exibida é a de tentar implicar o concorrente em acusações similares, na base do “eles também roubaram”. Não há como cobrar, mais de uma década depois, atos que cabem a quem estar no poder punir.

Lula ensaiou um discurso pacifista e autocrítico na entrevista do SBT, ao reconhecer que os insultos do Itaquerão não decorreram apenas da tal elite branca de São Paulo. São bem mais amplos e foram reproduzidos em outros ambientes. Gilberto Carvalho já havia dito isso em entrevista a blogueiros chapa-branca.

O partido sabe que perdeu o encanto junto à classe média e ao empresariado, sustentáculos consideráveis em sua ascensão e permanência no poder. Resta-lhe a clientela do bolsa-família, nada desprezível do ponto de vista estatístico, mas insuficiente para garantir um segundo mandato de Dilma.

Também nesse segmento, a inflação dos alimentos preocupa, semeia insatisfações e impõe perdas. E os demais candidatos também irão se comprometer com a continuidade daquele benefício, que, aliás, foi herdado da administração tucana.

O discurso do ódio, na base do nós x eles, não parece eficaz e é desaconselhado pelos marqueteiros. Mas o partido não parece ter outro. Tanto assim que ontem, em Salvador, Dilma voltou a proferi-lo, acusando seus adversário de apelar “para o ódio, os xingamentos e a política desqualificada”.

São palavras que não resistem a um exame superficial. Política desqualificada? Que tal examinar os quadros da base parlamentar governista? Xingamentos? E o que Lula disse do ex-presidente Itamar Franco, ao ofender publicamente sua mãe? E o que o PT fez com a blogueira cubana Yoani Sánchez quando de sua visita ao Brasil? E com a deputada venezuelana Maria Corina? E o apoio ao regime venezuelano?

Há bem mais: o financiamento ao porto cubano, o perdão das dívidas de regimes totalitários africanos sem audiência ao Congresso etc. etc. Por aí, não será fácil estabelecer o debate que Lula acredita ter ainda sob controle.*

(*)  Ruy Fabiano, no blog do Noblat.

TORNIQUETE

Rivais minam base de Dilma no Nordeste

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Os dois principais adversários de Dilma Rousseff na corrida presidencial montaram palanques em vários Estados do Nordeste com candidatos de partidos que apoiam a reeleição da presidente, explorando divisões do bloco governista numa região que foi decisiva para a vitória de Dilma nas eleições de 2010.

No Ceará, o senador mineiro Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, fechou com o senador Eunício Oliveira, candidato do PMDB a governador, indicando o ex-governador Tasso Jereissati como candidato ao Senado.

Eunício é aliado de Dilma em Brasília, mas no Ceará a presidente está com o governador Cid Gomes (Pros) e seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, que devem lançar outro candidato a governador com o apoio do PT.

Aliado a Eunício, Aécio conseguiu abrir uma trinca no palanque de Dilma no terceiro maior colégio eleitoral da região Nordeste.

Na sexta-feira (27), Aécio e seu rival Eduardo Campos, pré-candidato do PSB à Presidência, visitaram o Piauí como convidados da convenção que aprovou a candidatura do governador José Filho (PMDB) à reeleição. Os dois fazem parte da chapa peemedebista. O candidato do PT no Piauí será o senador Wellington Dias.

O Nordeste funcionará nesta eleição como uma espécie de câmara de compensação dos votos presidenciais.

Longe de ser o fiel da balança como em 2010, desta vez a região será usada para compensar prejuízos dos candidatos em redutos mais populosos, como o Sudeste.

Com 38,2 milhões de eleitores, o Nordeste perde apenas para o Sudeste em número de habitantes aptos a votar, 62 milhões.

Não por acaso, os três principais candidatos ao Palácio do Planalto fizeram uma ofensiva em Estados nordestinos nesta sexta-feira (27).

Dilma desembarcou na Bahia nesta sexta. Ao lado do ex-presidente Lula, participou em Salvador da convenção que referendou Rui Costa (PT) para a sucessão do governador Jaques Wagner ao governo do Estado.

Dilma tenta manter a dianteira na região que lhe garantiu a vitória em 2010. O objetivo é amenizar eventual desvantagem em São Paulo. Aécio trabalha para reduzir as resistências a seu partido no eleitorado nordestino.

Assim como nas duas últimas corridas ao Palácio do Planalto, o programa Bolsa Família será a principal trincheira da eleição no Nordeste. Nas duas eleições passadas, a bandeira social do PT transformou-se em arma eleitoral contra os tucanos.

De todos os candidatos, o único com sotaque nordestino é Campos, ex-governador de Pernambuco. Ele aposta na origem e no fato de ter participado do início do governo Lula para convencer eleitores de que vai manter o programa social.

(*) Folha de São Paulo

UMA ENTREVISTA

000- a coluna do Joauca - 500

RESPOSTA À ENTREVISTA de Bruna Estevanin Costa,

para a revista Mundo Estranho, da Editora Abril

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1) Qual a origem dos nomes dos dias da semana? 

Há três tipos de nomes para os dias da semana: os da astronomia ou planetários, os da mitologia nórdica e os numerados, reminiscência da tradição cristã de numerar os dias a partir do sábado. Na nomenclatura planetária, partia-se dos planetas conhecidos da época, por ordem decrescente da distância da Terra: Saturno, Júpiter, Marte, Vênus e Mercúrio. Se terminarmos a contagem pela Lua e pusermos o Sol no centro, teremos a seguinte ordem astrológica: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua. Os discípulos de Pitágoras faziam da tétrade (conjunto de quatro grãos ou micrósporos de pólen que se originam da célula-mãe mediante meiose) a chave de um simbolismo numérico que pôde dar um quadro à ordem do mundo. O quadrado era o símbolo da perfeição, por ser sempre igual de qualquer lado por que é visto. O número quatro é considerado um dos mais cabalísticos. Quatro são as fases da Lua, quatro são os elementos (fogo, terra, ar e água), quatro são as letras do nome do primeiro homem (Adão), quatro é o número de letras do tetragrama de Deus: IHWH, de Iahweh; quatro são as proposições aristotélicas (duas afirmativas, A, I) e duas  negativas (E, O), etc. Todo o sistema de pensamento jungiano, por exemplo, se fundamenta na importância fundamental do número quatro, já que a quaternidade  representa para ele o fundamento arquetípico da psique humana. Assim,  se contarmos até quatro seguindo a ordem astrológica acima a partir de Saturno, chegaremos a Sol (primeiro dia da semana); a partir de Sol, contando até quatro, chegaremos a Lua (lunes, lunedi, lundi), o segundo dia; contando até quatro, a partir de Lua,  chegaremos a Marte (martes, martedi, mardi), etc. Assim, de quatro em quatro, temos:

Saturno,     Júpiter,   Marte,  Sol = Primeiro dia (dia do Sol)

Sol, Vênus, Mercúrio, Lua = Segundo dia (dia da Lua)

Lua, Saturno, Júpiter, Marte = Terceiro dia (dia de Marte)

Marte, Sol, Vênus, Mercúrio = Quarto dia (dia de Mercúrio), etc.

Assim, quarta-feira é dia de Mercúrio (miercoles, mercoledi, mercredi); quinta-feira é dia de Júpiter (jueves, giovedi, jeudi); sexta-feira é o dia de Vênus (viernes, venerdi, vendredi). Sábado é o dia de Saturno  (Saturday, em inglês). Sábado se origina do hebraico Shabbath, que significa “repouso” e  seria o sétimo dia da semana ou o dia de descanso para os judeus. Em inglês, o dia de Júpiter é o de Thor, filho de Odin, na mitologia escandinava, ou o deus do trovão. Assim, em inglês, Thursday  é o dia de Thor; e, em alemão, é Donnerstag, pois Donner, em alemão, significa trovão. A terça-feira é dedicada a Tyw, o deus maneta da força e da guerra, na mitologia nórdica, equivalente a Marte. Assim, Tuesday é o dia de Tyw. A sexta-feira em inglês é dia da deusa Freya, esposa de Odin, deusa da juventude, do amor e da morte, na mitologia nórdica, equivalente a Vênus, donde o nome “Freiday” em inglês e “Freitag”, em alemão. A quarta-feira, em inglês, é dedicada a Odin ou Wedin ou Wotan, na mitologia escandinava, equivalente a Zeus, donde o nome “Wednesday”.

A contagem numérica dos dias da semana começou pela tradição cristã antiquíssima de numerar os dias a partir do sábado. O domingo seria a “prima sabbati”, isto é, o primeiro dia depois do sábado; o dia seguinte seria “secunda sabbati”, etc. O domingo era o dia do Senhor (em latim: Dominus). O primeiro a chamar “dia do Senhor” ou “Domingo” a um dia da semana foi São Justino, fundador da primeira escola cristã em Roma, onde foi martirizado no ano 165.  Quanto ao nome “feira”, em português, o nosso equivalente a “feira”, mercado, em latim, era a palavra nundinae (o feirante era o nundinator). Mas o nome atual feira é alteração de feriae (nome feminino plural que designava férias, descansos, donde a palavra feriado). Domingo era dia de descanso, “feira”. Os agricultores se reuniam aos domingos depois da missa no adro das igrejas para venderem seus produtos. Feira, descanso, passou a significar comércio. A segunda-feira seria o segundo dia de feira. A expressão “freguês”, cliente comercial, vem do latim “filius ecclesiae”, isto é, fiho da Igreja. Até hoje se usa a palavra “freguesia” para designar  uma paróquia.

 

2) Eles sempre tiveram essa nomenclatura ou, em algum momento da história, tiveram outro nome?

A palavra semana se origina de septimana, literalmente: sete manhãs.  Os romanos procuravam dar nomes de seus deuses aos astros e, portanto, aos dias da semana. Mas o calendário romano tinha três datas com nome próprio: calendas (o primeiro dia de cada mês), nonas (o dia 5 de todos os meses, exceto março, maio, julho e outubro, em que nonas designava o dia 7) e idos (o dia 15 para aqueles quatro meses e o dia 13 para os outros). Os dias de cada mês eram citados  a partir daqueles três nomes. Assim, o dia 3 de abril era chamado “o terceiro dia antes das nonas de abril (“ante diem tertium nonas Apriles”); o dia 9 é o quinto antes dos idos de abril; o dia 26 de abril era o sexto dia das calendas de maio. Em lugar de numerar os dias em sequência crescente, como fazemos, os romanos numeravam os dias usando as palavras calendas, nonas e idos.  Assim, a expressão “desde 3 de junho até 31 de agosto” se dizia em latim: “ante diem III Nonas Junias usque ad pridie Kalendas Septembres”, isto é, terceiro dia antes das nonas de junho até o primeiro das calendas de setembro. No ano bissexto, nós acrescentamos um dia a mais ao mês de fevereiro, mas, no calendário romano, esse dia a mais era acrescentado ao sexto dia antes do dia primeiro de março, isto é,  havia dois dias com o nome de “sexto das calendas”, daí o nome “ano bissexto”.

 

3) O que influenciou na escolha desses nomes? (Ex: a ordem dos dias, religião, sistema político, etc.) – Resposta dada na primeira questão. A influência foi astrológica e mitológica.

 

4) Você saberia me responder o que determinou a ordem dos dias das semanas?- Resposta dada na primeira questão: foi a partir dos nomes dos planetas conhecidos de então, em ordem decrescente da distância da Terra: Saturno, Júpiter, Marte, Vênus, Mercúrio. O Sol no meio; a Lua no fim, nesta ordem: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua. Para os judeus, sábado é o último dia da semana; para os cristãos, o último dia da semana é o domingo.

 

5) Oficialmente, o domingo é o primeiro dia da semana?  Reposta dada na questão 4.

 

6) Se é o primeiro dia da semana, por que é considerado `final de semana`? Quais elementos influenciaram nisso? (Ex: religião, sistema político dominante, etc.) Para os cristãos, sábado e domingo são realmente os dias finais da semana (já que domingo é o sétimo dia, o dia de descanso do Senhor). O problema é que, por causa do nome “segunda-feira”, o falante do português acha que, por isso, domingo seria o primeiro dia da semana, quando, na verdade, é o último. Para os judeus, sábado é o último dia da semana.

 

7) Desde quando essa ordem é vigente? Existiram outras ordens para os dias da semana ao longo da história, especialmente na história Antiga e Medieval?

Não sei se existiram outras ordens para os dias da semana. Acredito que não. Mas foi o Papa São Silvestre que determinou que não se desse número ao domingo (antes, os dias da semana, como vimos, eram numerados: o domingo era o prima sabbati, isto é, o primeiro dia depois do sábado). Sábado era o único dia não numerado, porque a numeração partia dele.

 

8) Quais civilizações já tiveram/tem diferentes sistemas de ordenação para os dias da semana? Eu teria de pesquisar para saber como eram  os calendários egípcio,  maia,  asteca,  chinês, persa, babilônio, caldeu, etc. para dar uma resposta mais precisa. O calendário da Revolução Francesa dava ao mês a duração de 30 dias divididos em três semanas de dez dias, em que os domingos foram abolidos por sua característica religiosa.  Os dias da semana eram assim chamados: primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi, septidi, octidi, nonidi e decadi.  Mas acredito que o importante não é a ordem dos dias da semana, mas o número de dias da semana, nos diversos calendários. Foi a partir dos dias em que durava cada fase da Lua que se estabeleceu a semana hebdomadária, isto é, com sete dias, o que foi legalizado pelo Concílio de Niceia, em 325.

(Muito do que aqui digo está na minha Gramática Superior da Língua Portuguesa (2. Ed. Brasília: Thesaurus, 2011), no final de cada capítulo, como “Curiosidades Linguísticas”.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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MINISTÉRIO COMANDADO DA PAPUDA

O DIA SEGUINTE PIOR DO QUE A VÉSPERA

Razão mesmo tem mestre Hélio Fernandes, aliás, há muitas décadas, quando diz que no Brasil o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera. No meio dessa lambança explícita dos partidos da base do governo para embaralhar as cartas das eleições de outubro, quem se destacou esta semana foi o PR – Partido da República. Primeiro porque suas decisões provém das celas da Papuda, de onde o ex-deputado Valdemar Costa Neto continua dirigindo o partido. Depois porque diante de óbvia queda nos índices de preferência da presidente Dilma, nas pesquisas eleitorais, esses republicanos de duvidosas intenções acabaram dando o ultimato: ou ela demitia o ministro dos Transportes, César Borges, ou eles passariam a apoiar Aécio Neves.

Esquecem-se de que nos primeiros meses de governo, Dilma precisou afastar Alfredo Nascimento, que ocupava o ministério, acusado de flagrantes irregularidades. Assumiu Paulo Sérgio Passos, técnico e não político, mas logo o PR exigiu sua defenestração: ele não estava disposto a encobrir negócios especiais no ministério. Para compor a situação, já tendo abandonado o ânimo de moralizar seu governo, a presidente aceitou a indicação de César Borges, aliás, um excelente senador e ex-governador da Bahia. O problema é que o novo ministro também não se dispôs a chefiar um balcão de negócios e começou a ser hostilizado pelos dirigentes do próprio partido, que dormiram na pontaria.

Agora, com a reeleição de Dilma sendo posta em xeque, abriu-se a temporada de nova chantagem: ou a presidente demite César Borges ou o PR manda-se para os tucanos. Aceitam até a volta de Paulo Sérgio Passos, a quem devem ter pressionado para tornar-se um ministro diferente do que foi na primeira vez.

Mais desonesta fica a equação quando se ouve que Dilma aceitou a pressão para demitir o ainda ministro. Nada a ver com seus planos de recuperação dos Transportes, muito menos diante de sua performance elogiável até agora. Sequer cogita-se da evidência de que o ministério tem sobrevida até 31 de dezembro, reelegendo-se ou não a presidente.

Ceder à chantagem costuma ser tão vil quanto promovê-la, mas é o que acontece. A ameaça de debandada dos partidos da base oficial corporifica-se a cada dia. O PTB já abandonou o governo, o PMDB apresenta-se rachado em muitos estados. O PP hesita e o PSD finge-se de morto. Convenhamos, o dia seguinte não parece pior do que a véspera?*

(*) Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa Online

DESMORALIZAÇÃO TOTAL…

APRESSADINHO, O MINISTRO BARROSO JÁ QUER LIBERAR GENOINO PARA TRABALHAR FORA DA CADEIA

Carlos Newton

É patética e merece repulsa a afirmação espontânea do ministro Luís Roberto Barroso, no plenário do Supremo Tribunal Federal, a respeito da situação do preso José Genoino. Na condição de relator do processo do mensalão (ação penal 470), quarta-feira Barroso tomou a iniciativa de adiantar ser favorável a que Genoino tenha autorização para trabalhar fora da penitenciária da Papuda.

O posicionamento de Barroso é injustificável, porque não leva em conta uma realidade indiscutível: antes de ser condenado à prisão e ainda na condição de deputado federal pelo PT de São Paulo, Genoino deu entrada na Mesa da Câmara com pedido de aposentadoria por “invalidez permanente”. E quem declara ser “para sempre inválido” não pode voltar a trabalhar, caso contrário fica comprovado ser um farsante.

JÁ ERA APOSENTADO…

Detalhe: desde que perdera a eleição em 2010 e ficara como suplente, Genoino já era aposentado pela Câmara com cerca de R$ 20 mil mensais, além de receber a “Bolsa Ditadura” por ter entrado na luta armada.

Quando surgiu a vaga e o suplente Genoino reassumiu o mandato, ficou suspensa a aposentadoria da Câmara, claro. Pois vejam até onde vai a ganância deste antigo “guerrilheiro”: após ser condenado a 6 anos e 11 meses de prisão no processo do mensalão, em 4 de setembro de 2013 o ainda deputado Genoino protocolou na Mesa da Câmara um novo pedido de aposentadoria, desta vez alegando “invalidez permanente”, para receber o salário integral de R$ 27 mil, ou seja, para ter um aumento de R$ 7 mil na aposentadoria.

De lá para cá, Genoino já foi submetido a vários exames, realizados pelos maiores cardiologistas de Brasília, e todos foram unânimes em atestar que ele não tem “invalidez permanente” e seu estado de saúde é tão estável que o “paciente” tem condições de cumprir a pena na Penitenciária da Papuda.

Depois desse teatro todo, com encenações as mais variadas e um escarcéu na imprensa, com a família e os amigos alegando que Genoino poderia morrer a qualquer momento, agora vem o ministro Luís Roberto Barroso e espontaneamente se manifesta a favor da autorização para que Genoino trabalhe fora da Papuda, um pedido, aliás, que ainda nem foi formalizado pelo advogado do preso.

E depois ainda chamam isso de Justiça…*

(*) Carlos Newton – Tribuna da Imprensa Online