A VIÚVA É RICA

Gasto da Olimpíada no Rio passa a R$ 37,6 bi com novas obras

Dos 52 projetos essenciais para a Olimpíada, 15 ainda estão sem custo e prazo de início de obras definidos

Parque Olímpico no Rio de JaneiroParque Olímpico no Rio de Janeiro (Genilson Araújo/Agência O Globo/VEJA)

Com novas obras licitadas, no Complexo Esportivo de Deodoro, os custos com projetos relacionados às arenas, para os Jogos Olímpicos de 2016, passaram de 5,6 bilhões de reais para 6,5 bilhões de reais. Essa diferença representa uma atualização da Matriz de Responsabilidade da Olimpíada, documento que enumera as obras fundamentais para o evento. Agora, os gastos com os Jogos de 2016 já alcançaram 37,6 bilhões de reais, assim distribuídos: arenas: 6,5 bilhões de reais; legado: 24,1 bilhões de reais; e investimento do Comitê Organizador da Olimpíada, 7 bilhões de reais. O orçamento previsto na candidatura brasileira era de 28,8 bilhões de reais.

“Não se trata agora de um aumento de custos. Como houve a licitação de onze intervenções em Deodoro, as cifras foram atualizadas”, disse, nesta terça-feira, no Rio, o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), general Fernando Azevedo e Silva.

Dos 52 projetos essenciais para a Olimpíada, quinze ainda estão sem custo e prazo de início de obras definidos. Quando houver a licitação, os valores do gasto total com os Jogos vão ser alterados. “Essa mudança se dá automaticamente quando a licitação é feita. Portanto, são custos previstos”, disse o general.*

(*)  VEJA ONLINE

TÁ TUDO DOMINADO

Luiz Moura e cinco empresas de ônibus são suspeitos de lavagem de dinheiro para o PCC

Parlamentar e viações que operam na zona leste de São Paulo são citados em apuração coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco); seu irmão, o vereador Senival Moura (PT), também aparece na investigação

SÃO PAULO – O deputado estadual Luiz Moura (PT) e cinco empresas de ônibus que operam em São Paulo são citados em investigação que apura esquemas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). O procedimento, sigiloso, é coordenado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. A informação foi antecipada pelo estadão.com.br. Moura nega as acusações.

 

Evelson de Freitas/Estadão
O deputado Luiz Moura, do PT

O Tribunal de Justiça ainda precisa dar aval para que o deputado seja investigado. Ele está suspenso do PT desde o mês passado. Moura foi flagrado pela Polícia Civil em março, em uma reunião de perueiros em que havia suspeitos de integrar a facção criminosa.

Moura apareceu na investigação do Ministério Público depois de os promotores apurarem denúncia de que o Consórcio Leste 4, grupo contratado pela SPTrans em 2007 para operar linhas de ônibus na zona leste da capital, era formado por três empresas cujos sócios eram “indivíduos que estariam lavando dinheiro, produto do cometimento de crimes” para a facção que opera nos presídios, segundo os autos. Sete pessoas foram denunciadas. Inicialmente, o nome de Moura estava fora das acusações.

Em 2010, quando as investigações tiveram início, Moura era diretor de uma das empresas citadas, a Happy Play. As outras eram a Himalaia e a Novo Horizonte. Ao investigá-las, os promotores observaram que um dos endereços da Happy Play era de uma casa de carnes. O outro era o da garagem da cooperativa Transcooper – que tinha Moura como um dos sócios e o irmão dele, o vereador Senival Moura (PT), como cooperado.

Finanças. Ao analisar a movimentação financeira dos demais investigados, os promotores descobriram ainda casas sendo compradas à vista, perueiros com patrimônio superior a R$ 22 milhões e motoristas com seguros de vida superiores a R$ 1 milhão, segundo as informações do processo.

Dois dos suspeitos, Gerson Adolfo Sinzinger e Vilson Ferrari, o Xuxa, levantaram R$ 4 milhões cada, no intervalo de dois anos, enquanto trabalhavam nas cooperativas da cidade, segundo as investigações.

O dinheiro serviu para o acúmulo de capital da empresa Happy Play, ainda de acordo com a investigação do Ministério Público. “A empresa não possuía nenhum veículo, mas recebia repasses do Consórcio Leste 4”, diz um trecho dos autos.

Ambos ainda fizeram parte do quadro societário da cooperativa Aliança Paulista, que também opera na zona leste. Essa empresa, também investigada, é citada em boletins de ocorrência anexados à investigação, acusada de usar funcionários para ameaçar motoristas e cobradores da concessionária Via Sul, que atua na mesma região.

As ameaças seriam para que a empresa cedesse linhas tidas como mais lucrativas para os perueiros – o caso resultou em ação na Promotoria do Patrimônio Público e Social.

A investigação aponta que a dupla chegou a fazer parte das três empresas que compunham o Consórcio Leste 4. A reportagem não conseguiu localizar seus representantes ontem.

Sigilos. Diante das evidências de enriquecimento ilícito – complementadas também por representação feita por sócios descontentes da Viação Novo Horizonte -, os promotores do caso pediram e obtiveram quebra de sigilo financeiro de Moura, dos outros sete suspeitos e das cinco empresas (Consórcio Leste 4, Himalaia. Novo Horizonte, Happy Play, Trascooper e Aliança Paulista), ainda em 2011. Segundo o processo, os bancos demoraram mais de um ano para repassar os dados – e chegaram a ser multados.

Agora, os promotores solicitam ao Tribunal de Justiça a instauração de um procedimento investigatório para esclarecer se o enriquecimento verificado teve relação com lavagem de dinheiro de drogas para o Primeiro Comando da Capital, como disseram as denúncias, ou se foram fruto de alguma outra irregularidade.*

(*) BRUNO RIBEIRO, DIEGO ZANCHETTA, LUCIANO BOTTINI FILHO E RAFAEL ITALIANI – O ESTADO DE S. PAULO

ISTO PODE, ARNALDO?

Demissão de analista do

Santander é hipocrisia

A três meses da eleição presidencial, o mercado financeiro vive o seguinte drama: metade da equipe de analistas está nervosa porque Dilma diz que a economia vai bem mas sabe que ela está mentindo e prepara ajustes para o caso de ser reeleita. A outra metade da equipe de analistas está nervosa porque Dilma diz que a economia vai bem e sabe que ela acredita mesmo nisso e não preparou nenhum ajuste. E Dilma está nervosa porque não sabe se diz que fará ajustes que ainda não preparou ou se prepara os ajustes e não diz. Ou vice-versa.

Foi contra esse pano de fundo confuso que o Santander enviou aos seus correntistas endinheirados um boletim sustentando a tese segundo a qual o sucesso eleitoral de Dilma potencializará a deterioração da conjuntura econômica. A plateia não viu a cara do autor do texto. Mas o vazamento da análise fez dele —ou seria ela?— o fantasma mais execrado da República.

O presidente do PT, Rui Falcão, chamou o desconhecido de terrorista. Lula vestiu saia no hectoplasma: “Essa moça não entende porra nenhuma do Brasil”. E endereçou um conselho para Emilio Botín, presidente mundial do Santander: “Ô, Botín, é o seguinte, meu querido: manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar embora. E dá o bônus dela pra mim, que eu sei como falo.”

Dilma preferiu o timbre de ameaça. “É inaceitável”, ela disse. “É inadmissível”, vociferou. “Eu vou ter uma atitude bastante clara em relação ao banco.” Emparedado, o companheiro Botín veio à boca do palco para informar que o Santander teria enviado ao olho da rua a pessoa que redigiu o tal informe. Absteve-se de dar pseudônimo aos bois. A sinceridade do gesto é tão confiável quanto o catolicismo do banqueiro que se persígna ao passar pela porta de uma igreja.

Sendo o percentual de admiração e bondade das casas bancárias e dos operadores do mercado muito reduzido, o melhor a fazer antes de sair por aí dando urros, patadas e destilando ódio contra um fantasma, é reparar no ridículo que permeia a cena. Ganha um cargo de direção no Santander e um troféu de ingenuidade quem acreditar que uma análise de conjuntura chegaria às mãos dos correntistas mais ricos de um dos maiores bancos do mundo com conteúdo alheio ao pensamento da casa.

Admita-se, para efeito de raciocínio, que a análise anti-Dilma seja obra solitária de um fantasma com CPF e RG. Nessa hipótese, seu crime teria sido o de deitar sobre o papel raciocínios econômicos sussurrados por onze de cada dez analistas de mercado. Seu propósito não seria o de influir no vaivém das pesquisas, mas o de orientar os investimentos da clientela bem-posta do Santander. Uma caciquia que frequenta a tribo dos que conservam algo como R$ 2 trilhões investidos em fundos mútuos no Brasil —o grosso alocado em títulos da dívida pública.

Essa gente não está interessada na opinião de Rui Falcão, de Lula ou de Dilma. Essa gente quer ganhar dinheiro. E os ganhos aumentam na proporção direta dos desacertos da política fiscal do governo. Funciona assim: o Tesouro gasta mais do que o fisco arrecada. Em vez de apertar o cinto, a Fazenda recorre à criatividade contábil.

Para cobrir suas despesas, Brasília endivida-se até a raiz dos seus cabelos, dos meus, dos nossos cabelos. Não resta ao Banco Central senão elevar a taxa de juros. E ao Tesouro, pagar a remuneração necessária para se manter solvente. Em vez de investir na produção de copos e palitos de fósforos, a tribo dos fundos mútuos investe no papelório do governo. E o PIB definha. Nesse ambiente, a tempestade produzida pela análise do fantasma do Santander surte o mesmo efeito de um tablete de Alkaseltzer: é tempestade num copo d’água. O máximo que pode produzir é a migração para outros bancos dos clientes que se julgarem mal aconselhados.

O que provoca a lipoaspiração dos índices de Dilma nas pesquisas não são as análises do mercado, mas os efeitos que a inflação exerce na rotina dos assalariados e dos beneficiários do Bolsa Família. Esse pedaço do eleitorado está interessado no café com leite, não nos boletins do Santander. Num país inflacionário, seu principal problema é que sobra cada vez mais mês no fim da remuneração.

Nesse contexto, a suposta demissão de um analista-fantasma do Santander é mera hipocrisia. Se a moda pega, haverá um desemprego em massa no mercado financeiro. Se Lula e o petismo querem mesmo socorrer Dilma, é melhor esquecer os fantasmas e tentar convencê-la de que atribuir todos os desacertos econômicos à crise financeira internacional é o caminho mais longo entre o projeto reeleitoral e sua realização.*

(*) Blog  do Josias de Souza.

PRESIDENTA INCOMPETENTA

Dilma e seus fantasmas

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Presidente volta a culpar ‘pessimistas’ por economia ruim, mas não dá nome a bois nem trata de motivos

“ESTÁ HAVENDO o mesmo pessimismo que aconteceu com a Copa com a economia brasileira. E com a economia é mais grave, porque economia é feita com expectativa”, disse a presidente na sabatina promovida por esta Folha.

Quem é pessimista? Falta um sujeito na afirmação. Dilma Rousseff jamais deu nome aos bois ou a seus fantasmas desde que essa sua queixa se tornou recorrente, no ano passado.

O que é pessimismo? No discurso de final de ano de 2013, a presidente insinuou que pessimistas promovem “guerra psicológica”, “instilam desconfiança, especialmente desconfiança injustificada” no país.

Desde o final do ano passado, cerca de 60% dos eleitores entrevistados pelo Datafolha estimam que a inflação vai aumentar. São “pessimistas”, acreditam que o futuro será pior do que é razoável esperar?

Caso se aceite a hipótese do “pessimismo”, o eleitorado teria sido influenciado por campanhas de “setores” que promovem “guerra psicológica”?

Os principais disseminadores de estimativas são economistas de consultorias e bancos, uma centena deles ouvidos semanalmente pelo Banco Central (aliás, precisam acertar seus chutes informados a fim de ganhar a vida). A previsão mediana deles é de ligeira queda da inflação em 2015. É verdade que, desde o início do ano, o pessoal cortou a estimativa de crescimento pela metade, perto de 1%, neste 2014.

De certo modo, pode-se dizer que, na mediana, os economistas estavam mais “otimistas” em janei- ro. Aliás, é o que ocorreu nos anos Dilma, a cada início de ano: os economistas subestimaram a infla- ção e superestimaram o crescimento do PIB.

Pode-se não gostar desses economistas “do mercado” por motivos teóricos, políticos, estéticos ou sabe-se lá. Mas está difícil de dizer que suas estimativas difundam pessimismo. Sim, a maioria deles, os mais vocais, atribui parte dos maus resultados a Dilma. Essa, porém, é outra história (a “culpa”). O fato é que a realidade é ruim.

O grosso do eleitorado ficou inseguro com a economia, temendo mais inflação, depois de anos de alta do nível de preços de comida e bebida, em especial depois do pico de 14% de inflação desses itens, em abril de 2013. É mais fácil acreditar que o brasileiro sentiu na carne o efeito da carestia do que imaginá-lo deprimido com o noticiário econômico.

Redução da expectativa de lucro (devido a alta de custos) e tabelamentos de preços e ameaças de fazê-lo, fatos do Brasil dos últimos três anos, são assombrações para empresários. Baixo crescimento, fatos de 2011 e 2012, quando não havia “pessimismo” (ou queixas da presidente a respeito), também assustam.

Quando o Brasil crescia a 4%, anos Lula, mesmo a elite que detesta o PT (larga maioria) sorria ou ficava quieta em relação ao governo do partido. Dinheiro (quase) não tem cheiro. Aliás, mesmo nas internas do “empresariado”, pouco se ouvia falar mal de Dilma até fins de 2012. O humor azedou em 2013.

Obviamente, muita gente quer aproveitar a má ocasião para dar cabo político do PT. Mas acreditar que houve surto de histeria coletiva ou conspiração é desprezar as durezas da vida e a inteligência da maioria da população.*

(*) VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA DE SÃO PAULO

LEGADO DA COPA

‘Pessimismo que antecedeu a Copa
agora afeta economia’

000 - Pessimismo é inadmissível.

A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que o mesmo clima de ‘pessimismo inadmissível’ que antecedeu a Copa também afeta hoje a economia. ‘Isso é muito grave. É uma especulação contra o país’, afirmou a petista durante sabatina da Folha, UOL, SBT e rádio Jovem Pan.

 

A presidente Dilma Rousseff apresentou o conjunto de argumentos que deverá usar ao longo de sua campanha pela reeleição para se defender das críticas em relação à inflação e ao fraco desempenho da economia brasileira nos últimos anos.Aos jornalistas que a entrevistaram no Palácio do Alvorada, Dilma deu muita ênfase à ideia de que o mundo passa por uma grave crise internacional ­-uma dificuldade até maior que a inicialmente imaginada-, mas que o Brasil a enfrenta “de forma corajosa”, sem produzir desemprego e sem descontrole da inflação.

Dilma chegou a admitir que o ex-presidente Lula cometeu um equívoco ao dizer que a crise internacional iniciada em 2008 chegaria no Brasil como uma “marolinha”. Ao jornalista que perguntou se seu antecessor havia errado, ela respondeu: “Todos nós erramos. Sabe por que? Porque [ninguém] tinha ideia do grau de descontrole que o sistema financeiro internacional tinha atingido”, disse. “Não fomos só nós que erramos, o mundo errou”, completou.

Lembrando que a inflação é tradicionalmente mais alta no primeiro semestre do que no segundo, a presidente afirmou ainda o índice deste ano deverá ficar no teto do intervalo estabelecido no programa de meta.

E, mais de uma vez, reclamou do que chamou de “jogo de pessimismo” no país, criticando as previsões não confirmadas de uma grande crise cambial, do risco de descontrole inflacionário e da possibilidade de racionamento de energia. Chegou a comparar essas análises com as previsões pessimistas que alguns faziam antes em relação à organização da Copa do Mundo no Brasil.

“O mesmo pessimismo que tinha em relação à Copa está havendo em relação á economia brasileira. E no caso da economia é mais grave, porque a economia é feira de expectativa”, disse.

Dilma classificou como “lamentável” o conteúdo de um texto do banco Santander enviado recentemente aos seus clientes com renda mensal superior a R$ 10 mil. No documento, um informe anexado ao extrato bancário, a instituição afirmou que, se Dilma subir nas pesquisas de intenção de voto, os juros tendem a subir, o cambio a se desvalorizar e a bolsa a cair.Lembrando das especulações em relação à vitória de Lula em 2002, Dilma disse que é “inadmissível” aceitar qualquer tipo de interferência de instituições financeiras no processo eleitoral. Ela confirmou que recebeu um pedido de desculpa do banco em relação ao episódio, mas deu a entender que não ficou satisfeita com isso pois a retratação era apenas “protocolar”.

Repetindo não saber quem foi a pessoa que escreveu o documento, afirmou que irá tomar uma atitude “bastante clara” sobre o assunto. Não quis antecipar, porém, se estuda ou se já decidiu processar a instituição financeira. Afirmou que conhece bem o CEO do banco e que, se tiver agenda, pretende falar com ele sobre esse assunto.

No domingo, o presidente mundial do Santander, Emilio Botín, disse que o referido informe não foi feito pelo banco, mas por um analista que o tomou a iniciativa sem consultar. Sem especificar prazo, a direção do banco no Brasil chegou a dizer que todos os envolvidos com a elaboração e a aprovação do texto serão demitidos.

Para a presidente Dilma houve discrepância da investigação entre o caso do mensalão do PT, que resultou na condenação de 25 réus por parte do STF (Supremo Tribunal Federal), e o mensalão tucano, que foi remetido para a Justiça de Minas Gerais, onde aguarda julgamento.“Nessa história da relação [do tema corrupção] com o PT tem dois pesos e umas 19 medidas”, afirmou. “Por que? Porque o mensalão [petista] foi investigado. Agora, o mensalão mineiro [do PSDB], não”, completou.

Quando o jornalista Josias de Souza a corrigiu, lembrando que o mensalão tucano foi investigado, sim, mas a diferença era o fato de ter sido remetido à primeira instância e ainda não ter sido julgado, Dilma respondeu com uma pergunta em tom de ironia, insinuando que haverá engavetamento: “E o que vai acontecer, hein Josias? O que vai acontecer?”

Em outro trecho sobre o tema corrupção, Dilma defendeu a recente substituição de César Borges por Sérgio Passos no ministério dos Transportes a pedido do PR, operação que no meio político foi interpretada como condição para o apoio da sigla à sua campanha. “Só aceito ministros que eu tenho em alta conta”, afirmou ela. “Não tem nenhum fato que desabone o Paulo Sérgio. Pelo contrário: ele foi um grande ajudante [quando ocupou o mesmo ministério pela primeira vez]”.

A presidente também falou da crise envolvendo a compra da refinaria de Passadena (EUA) por parte da Petrobras em 2006, quando ela era do Conselho de Administração da estatal. Para alguns, foi um mal negócio, que gerou prejuízos ao país. Dilma entende que não sofreu desgaste com isso. “Pelo contrário, eu acho que Pasadena mostra que sempre tive uma conduta muito decente nos cargos públicos”, afirmou, lembrando que acabou excluída do processo do TCU (Tribunal de Contas da União), que cobra ressarcimento de US$ 792 milhões.

A presidente lembrou que, entre seus colegas no conselho da Petrobras, estavam experientes empresários, que também aprovaram o negócio. Citou Jorge Gerdau (Gerdau), Fábio Barbosa (Editora Abril) e Cláudio Haddad (Insper). “Não tivemos todos os dados”, repetiu.

Para Dilma, não é correto afirmar que os recentes ataques de Israel aos palestinos na Faixa de Gaza são um “genocídio”. No seu entendimento, trata-se de “um massacre”.

A expressão foi usada por ele depois de afirmar que tem grande apreço por Israel e lembrar que o Brasil foi o primeiro país a reconhecê-lo como Estado.

“Não á genocídio, mas ação desproporcional”, reforçou. “Tem de acabar com aquela história de matar os três jovens israelenses. Mas não é possível matar crianças e mulheres [palestinas] de jeito nenhum.”

Na semana passada, o Brasil divulgou um documento oficial condenando a violência promovida por militares israelenses na Faixa de Gaza e, num gesto diplomático de reprovação, chamou de volta o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Henrique Pinto. Em resposta, uma autoridade diplomática israelense afirmou que o Brasil é um “anão diplomático”.

Apesar de lamentar as palavras do porta-voz de Israel (“elas produzem um clima muito ruim”), Dilma acenou com um abrandamento da relação. Garantiu que não há ruptura e que o embaixador brasileiro “oportunamente” voltará para seu posto original.

Para Dilma, as críticas do senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) em relação ao emprego de cubanos no programa Mais Médicos é um “despropósito”, fruto de uma visão “fundamentalista” sobre a ilha.

Na sabatina com Aécio no último dia 17, o tucano afirmou que, caso seja eleito, fará alterações no sistema de remuneração e nas regras para ingresso de profissionais no programa. Defendeu que é preciso rever o acordo do governo com a OPAS (Organização Panamericana da Saúde) para a contratação de cubanos, que hoje são cerca de 80% dos participantes, lembrando que o governo cubano retém a maior parte da remuneração desses profissionais.

Depois de lembrar que todos os países da América Latina condenam o bloqueio econômicos promovido pelos Estados Unidos contra Cuba, Dilma defendeu o programa e a parceria com os cubanos citando estatísticas a respeito do déficit de médicos no Norte e no Nordeste, em regiões do interior e na periferia dos grandes centros.

A presidente afirmou que os cubanos recebem R$ 3 mil por mês no Brasil, auxílio-alimentação, auxílio-moradia e, nos lugares mais distantes, auxílio-transporte. E que uma outra parte da remuneração é depositada para eles em Cuba. Profissionais brasileiros e de outras nacionalidades recebem R$ 10 mil no Brasil.*

(*) Folha de São Paulo

LULA ENCERRA CONTA

Analista do Santander não

entende nada de Brasil, diz Lula

000 - Lula encerra conta bancária.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira (28) o informe produzido pelo Banco Santander que prevê um cenário econômico negativo para o país caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita. Segundo ele, a responsável pelo texto enviado a clientes da instituição “não entende porra nenhuma de Brasil”.

Em discurso na 14º plenária da Central Única dos Trabalhadores, ele ressaltou que não há outro país em que o Santander lucre tanto como no Brasil e questionou ainda o fato da funcionária que escreveu o informe ter chegado a um cargo de chefia.

“Essa moça que falou [isso] não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma Rousseff. Manter uma mulher dessas em cargo de chefia é sinceramente… Pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim, que eu sei como é que eu falo”, criticou.

Para o petista, o governo federal não “vai jogar fora a confiança” que o país conquistou nos últimos anos. No discurso, no qual fez críticas ao mercado financeiro, o ex-presidente afirmou que há investidores que falam mal do governo federal para terem lucro e “inventam mentiras contra outras pessoas”.

O petista lembrou a oposição feita a Getúlio Vargas e disse que as pessoas que ofendem Dilma não admitem o “compromisso ideológico” dela e “sabem que ela tem lado”: “Foi possível fazer tudo? Não foi, mas não é possível fazer tudo em dez ou 12 anos”.

Na avaliação do petista, a eleição deste ano irá decidir se haverá a continuidade das conquistas sociais dos últimos anos ou o retrocesso. Em uma crítica aos adversários da presidente, afirmou que eles foram feitos para governar “para o andar de cima”.

“Eu não imagino eles se reunindo com catadores de papel ou com trabalhadores rurais.” O petista disse que o seu governo criou mais mecanismos de combate à corrupção que os governos anteriores e ressaltou que a esquerda tem a obrigação de ser mais honesta que qualquer outro grupo: “Se tiver entre nós alguém que roube, que pague”, disse.*

(*) GUSTAVO URIBE – FOLHA DE SÃO PAULO

DE PONTA CABEÇA…

DILMA E A ECONOMIA

000 - a inflação

Na última semana pesquisas diversas constataram: o desempenho da economia piorou e vai piorar mais, caem os índices de avaliação do governo e de intenção de votos na presidente Dilma e cresce sua rejeição entre os eleitores, alcançando 35%, a taxa mais alta entre todos os candidatos. Cenário áspero, cada dia mais difícil para uma disputa eleitoral que há seis meses dava como certo um segundo mandato para a petista.

Desde o primeiro ano, 2011, a fragilidade do governo Dilma tem sido desordenadamente construída pelo vazio de um projeto para o País e por uma sucessão de erros na gestão econômica, que têm nas medíocres taxas de crescimento do PIB a inescapável resposta. Entre 2011 e 2013, a taxa média do PIB foi de 1,97% e, se conseguir alcançar 1% em 2014 (há apostas abaixo disso), Dilma terminará seu mandato com 1,7% – o terceiro pior desempenho econômico da história do País, depois dos presidentes Collor (-1,3%) e Floriano Peixoto (-7,5%).

Diferentemente de seu antecessor e padrinho: em oito anos de Lula, a expansão média do PIB ficou em 4%. Em 2010 a taxa subiu para 7,5% e ajudou (muito) a eleger Dilma. A situação agora se inverte e ela não consegue ajudar a si própria.É certo que Lula contou com a sorte de uma economia mundial próspera em seu primeiro mandato. E, no segundo, o País abalado com a crise financeira do mundo rico, Lula usou de artifícios para acelerar a economia e vencer a eleição em 2010, fez a sucessora, mas lhe entregou uma herança pesada que ela não soube desfazer e até aprofundou. Exemplo: o represamento de tarifas públicas e a preocupante situação financeira da Petrobras.

SEM SURPRESAS

Pesquisas recentes (retração de 0,18% na economia, medida pelo Banco Central, o BC; estagnação das vendas do comércio e serviços; desaceleração na geração de empregos) e outras antigas e renitentes (inflação colada no teto da meta; juros nas alturas; queda da produção industrial) não são surpresa para o governo Dilma. Elas têm sido captadas pelo Banco Central, para monitorar suas ações e decisões, e explicitadas em cada relatório trimestral da inflação que a diretoria do banco apresenta ao Senado. No último deles, no fim de junho, o BC manifestou preocupação com o baixo crescimento de todos os setores da economia e previu: em 2014 a agricultura vai despencar de 7% para 2,8%, a indústria retrocede 0,4% e serviços crescem só 2%. Depois das últimas pesquisas, certamente o BC está refazendo essas projeções.

Portanto, surpresa não é. Mas, a cada pesquisa de maus resultados, a equipe da presidente Dilma reage como avestruz: viu antes, mas finge que não viu, surpreende-se e descreve um mundo cor-de-rosa (e desacreditado) para o futuro, garantindo que o quadro será revertido nos meses seguintes. Na arte da ilusão o ministro Guido Mantega é campeão, mas a última foi do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT): ao divulgar que a geração de 25,4 mil empregos em junho foi a pior desde 1998, ele reagiu: “Nos próximos meses vai expandir mais porque a presidente vai anunciar medidas de estímulo para as pequenas e médias empresas”.

TAPANDO BURACOS

E tem sido assim. Se o emprego vai mal, se a indústria se retrai, se o consumo recua, o governo corre para tapar buracos. Desde 2006, quando Dilma venceu a disputa pelo comando da economia com o ex-ministro Palocci e a ordem passou a ser gastar mais, imediatamente surgiu a operação “tapa-buraco” em rodovias. Não se pensou em construir novas e carentes estradas, mas em queimar dinheiro cobrindo buracos nas existentes, que as chuvas e o desgaste do asfalto tratam de refazer.

A “mãe do PAC” fez um plano para o País acelerar o crescimento no presente e vencer disputas eleitorais, mas não se preocupou em desenhar estratégias e construir projetos para o futuro. E assim tem sido nestes quatro anos. Junte-se aí uma sucessão de erros de gestão (o represamento de tarifas de combustíveis e energia elétrica e os truques e mágicas nas contas públicas são os mais graves), e Dilma Rousseff colhe agora a descrença de quem pretende e tem potencial para investir, mas acaba adiando investimentos. E o mau desempenho da economia reflete isso.*

(*) Suely Caldas, O Estado de S. Paulo

VIVA A VAIA

DEUS É FIEL

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Tem gente de todas as religiões – e até ateus – em São Paulo prometendo prestigiar a inauguração na próxima quinta-feira do Templo de Salomão, o maior espaço de orações do País construído no Brás pela Igreja Universal do Reino de Deus.

Não é todo dia que se tem a oportunidade de vaiar a Dilma, o Lula, o Alckmin e o Fernando Haddad, não necessariamente nessa ordem, entre outras autoridades convidadas para a celebração evangélica.*

(*) Tutty Vasquez, no Estadão.