COBRA ENGOLINDO COBRA

O semeador de ventos

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Aécio Neves passou boa parte do tempo, no início de sua campanha, montando acordos em todo o país. Discretamente, habilmente, rachou partidos alinhados a outros candidatos (exemplos: Pezão, PMDB do Rio, está oficialmente com Dilma, mas extraoficialmente tinha se aliado a ele; o PSB paulista de Márcio França estava, claro, com Eduardo, mas também com Aécio). Bastou uma semana de alta acelerada de Marina Silva nas pesquisas para que tudo mudasse: até os tucanos de bico mais comprido já estão assobiando, olhando para os lados e torcendo para quem ninguém os note. Aécio chegou àquela fase de inferno astral de campanha em que os inimigos são muito menos perigosos do que os amigos.

Alckmin, por exemplo, é franco favorito para o Governo paulista, é Aécio desde criancinha, mas transferir seus votos a ele, convenhamos, dá trabalho. Marconi Perillo é favoritíssimo em Goiás e alma gêmea de Aécio, mas como pode impedir que amigos que o apoiam para o Governo façam propaganda de Dilma para a Presidência? E Serra, à frente na luta para o Senado, não estaria sossegado demais quando se trata de transferir votos para o candidato à Presidência?

Ninguém fará a grosseria de lembrar que, nas três eleições presidenciais anteriores, Aécio assistiu com calma à derrota de seus aliados. Em 2010, fez campanha – não em Minas, onde tinha votos, mas viajando para regiões onde jamais tinham ouvido falar dele. Para o PSDB, o importante é derrotar o PT, mesmo que seja com Marina.

O semeador de ventos que colha sozinho suas tempestades.

Recordando

Em 2010, o PSDB sonhou com a chapa Serra e Aécio, unindo São Paulo e Minas. Aécio deu a entender a caciques tucanos que ficaria feliz com a vice. Quando a ideia vazou, seus aliados abriram fogo, acusando Serra de tentar salvar-se da derrota obrigando Aécio a candidatar-se.

A pancada doeu; e Serra, sem alternativa, escolheu o primeiro vice que conseguiu laçar, o fluminense Índio da Costa, desconhecido fora do Rio. Entre as qualidades que Serra porventura tenha, certamente não está a capacidade de perdoar. Engolir ofensas passadas por um objetivo comum, que o beneficie, vá lá; mas vingar-se é gostoso demais. *

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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