NÃO TEM SAÍDA

Preço ao alto!

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou que não haverá tarifaço de eletricidade após as eleições. A presidente Dilma, na Confederação Nacional da Indústria, garantiu que não haverá tarifaço elétrico.

Prepare-se, pois: tarifaço não haverá, mas uma revisão do equilíbrio econômico das empresas do setor com viés exógeno de ascensão modal estruturante, isso ninguém desmentiu.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

ELA GANHA DO DAVID COPPERFIELD

A economia dos poderes mágicos da mente

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A presidente Dilma Rousseff é uma batalhadora. Essa virtude ninguém pode negar. Ela briga com as palavras, a lógica, os fatos, os números, a teoria econômica e os princípios mais simples da administração. Não é uma vida fácil, até porque os números têm o hábito lamentável de atacar traiçoeiramente. Enquanto ela pregava otimismo aos empresários, na quarta-feira à tarde, o Tesouro Nacional divulgava as contas do governo central, com mais um déficit primário – de R$ 1,95 bilhão em junho – e mais uma coleção de cifras assustadoras. No dia seguinte o Banco Central (BC) mostrou um quadro ainda mais feio, ao publicar as contas consolidadas do setor público. Segundo seu critério, o mês de junho havia terminado com um buraco de R$ 2,7 bilhões na administração central e de R$ 2,1 bilhões no conjunto, com desempenho pouco melhor dos governos regionais e das empresas controladas. Na sexta-feira, novo ataque dos números mostrou mais um tombo da produção industrial: o volume foi 1,4% inferior ao de maio e 6,9% menor que o de junho do ano passado.

No mesmo dia, à tarde, as cifras do comércio exterior pareceram trazer alguma ajuda: as contas de julho foram fechadas com superávit de US$ 1,57 bilhão. Mas pouco mais de metade desse valor, US$ 866 milhões, foi garantido pela exportação fictícia de uma plataforma de exploração de petróleo. Além disso, no acumulado do ano restou um déficit de US$ 916 milhões. Sem aquela operação – legal, mas fictícia, porque a plataforma continua no País – o déficit de janeiro a julho ainda seria US$ 1,78 bilhão.

Mas a presidente, auxiliada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, continua cobrando otimismo de todos, como se isso garantisse um desempenho melhor da economia brasileira. Os dois atribuem os problemas – pequenos, naturalmente – ao pessimismo espalhado pelos mercados e às condições da economia internacional. Na Confederação Nacional da Indústria (CNI), na quarta-feira, a presidente chegou a falar em protecionismo no mundo rico para explicar o enfraquecimento das exportações. Em relação ao comércio exterior e à competitividade, os números e dados conhecidos também têm sido adversos às teses presidenciais.

A presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda têm aplicado à economia uma criativa mistura de ideias. As teses de Norman Vincent Peale, autor do best-seller O Poder do Pensamento Positivo, aparecem mescladas com crenças primitivas em faculdades mágicas da mente. Além de injusta em relação ao pastor Peale, essa mistura passa longe de qualquer ideia econômica sobre a importância das expectativas. Decisões sobre consumo, produção e investimento são realmente afetadas por expectativas, e isso os economistas sabem há muito tempo. Mas os fatos são muito mais complexos e, quando se trata de explicar o desempenho de uma economia, é sempre bom levar em conta a qualidade da política. Expectativas podem ser importantes, mas a competência de quem conduz a política também pesa.

De janeiro a junho deste ano a produção industrial foi 2,6% menor que a do primeiro semestre do ano passado. Em 2013 o produto industrial aumentou 2%, mas havia diminuído 2,3% em 2012. Nem retornou, portanto, ao nível de 2011, quando o pífio crescimento havia ficado em 0,4%. Desde o primeiro ano do governo Rousseff, qualquer iniciativa rotulada como política industrial fracassou, portanto, de forma indisfarçável.

Atribuir esse resultado ao pessimismo generalizado seria um exagero, até porque os consumidores demonstraram boa disposição e considerável otimismo durante boa parte desse período. Talvez seja o caso, diante desses dados, de abandonar a conversa sobre expectativas pessimistas e explicar o fiasco da política pelo mau-olhado. Por que não, se o poder mágico da mente é tão relevante? A culpa deve ser de oposicionistas, de neoliberais invejosos e, de modo geral, de pessoas sem patriotismo. Afinal, o crítico do governo, segundo o discurso oficial, sempre torce pelo pior e é inimigo da Pátria.

Mas as falas da presidente e do ministro revelam algo mais que a crença nos poderes mágicos do pensamento, positivo ou negativo Denunciam também uma concepção muito especial da expectativa. Uma estranha noção está implícita nessa conversa: as pessoas podem ser pessimistas ou otimistas em relação aos fatos ou dados conhecidos. Se são conhecidos, no entanto, como falar de pessimismo ou otimismo? Um fato é claro: o mau humor de empresários e analistas está associado em primeiro lugar a informações amplamente difundidas, como a persistência de pressões inflacionárias, o emperramento da indústria, a piora das contas públicas e as más condições do comércio exterior.

Informações mais detalhadas podem tornar pior esse humor. Exemplo: de janeiro a junho deste ano, a produção de bens de capital, isto é, de máquinas e equipamentos, foi 8,3% menor que a do primeiro semestre do ano passado. Em 2012 e 2013 essa produção ficou estagnada. Além disso, entre janeiro e julho o valor gasto com a importação de bens de capital foi 6% menor que o dos mesmos meses de 2013. Conclusão inescapável: os brasileiros estão investindo menos na ampliação e na modernização da capacidade produtiva. Como o crescimento da economia depende do investimento, exceto quando há grande capacidade ociosa, o potencial de expansão do Brasil continua comprometido. É uma relação elementar. Não é questão de pessimismo. Embora seja difícil calcular aquele potencial, respeitáveis economistas concordam pelo menos quanto a um ponto: sem investir muito mais o Brasil pouco poderá crescer nos próximos anos.

As autoridades às vezes parecem admitir esse raciocínio. Mas continuam falando como se os fatos conhecidos fossem positivos e as más expectativas, infundadas, George Orwell chamou de “duplipensar” a sustentação de ideias incompatíveis. Em alguns casos, talvez fosse mais adequada outra palavra: “semipensar”.*

(*) ROLF KUNTZ – O ESTADO DE S.PAULO

ILHA DA FANTASIA

Atraso de obras aproximam PAC da quiromancia

Blog do Josias de Souza

Isso sim é que é governo eficiente. Ele mesmo planeja as obras, ele mesmo atrasa o cronograma, ele mesmo se desculpa, ele mesmo refaz o calendário, ele mesmo finge que não é com ele. Vendida por Lula em 2010 como “mãe do PAC”, Dilma Rousseff chega a 2014 com cara de madrasta. Criou uma torturante metodologia de trabalho.

Funciona assim: anuncia-se em 2007 o PAC 1, ambicioso programa de obras orçado em R$ 503 bilhões. Em 2011, lança-se o PAC 2, enfia-se dentro dele todos os empreendimentos atrasados do PAC anterior e eleva-se o orçamento para R$ 955 bilhões.

Em 2014, descobre-se que, dos 101 projetos que deveriam ser inaugurados neste ano, 27 não ficaram prontos e 4 foram abandonados. Mas isso não tem a menor importância porque vem aí o PAC 3, com cronogramas e planilhas de preços novinhos em folha.

De todos os vexames, o mais eloquente é a transposição do Rio São Francisco. Lula prometera cortar a fita em 2010. Em dezembro daquele ano, a 17 dias de passar a faixa presidencial para Dilma, ele vistoriou a encrenca. “Estou percebendo que a obra vai ser inaugurada definitivamente em 2012, a não ser que aconteça um dilúvio…”

Em dezembro de 2012, o então ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) foi chamado a se explicar no Senado. Verteu um dilúvio de desculpas: houve falhas no projeto básico, abandono de canteiros por algumas empresas, fragmentação dos contratos e dificuldades para desapropriar terras. “Não faltou planejamento nem gestão”, disse ele. “É porque é complicado, mesmo com projetistas do mais alto quilate técnico.”

Há dois meses e meio, a próprioa Dilma voltou ao canteiro do São Francisco. Resumiu assim o fiasco do cronograma: “A gente começou bastante inexperiente, e houve uma subestimação. Em nenhum lugar do mundo em dois anos é feita uma obra dessa dimensão. Ela é bastante sofisticada, leva um tempo de maturação. Houve atraso porque se superestimou a velocidade que ela poderia ter, minimizando a complexidade.”

Ministra, Dilma avalizara um orçamento de R$ 4,8 bilhões. Presidente, viu o custo saltar para R$ 8,4 bilhões. Hoje, concorre à reeleição prometendo a inauguração para 2015. Na hipótese de não ser reconduzida ao cargo, já pode abrir uma banca de quiromancia: Casa da Mãe Dilma.

QUADRILHA

Petrobras teve questões de CPI, diz revista

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De acordo com a publicação, a presidente da empresa, Graça Foster, o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e o ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró tiveram acesso antecipado às perguntas e foram treinados pela equipe da companhia sobre como deveriam respondê-las.

A revista baseia a informação em um vídeo que flagra uma conversa entre José Eduardo Barrocas, chefe do escritório da Petrobras em Brasília, e Bruno Ferreira, advogado da estatal.

No diálogo, registrado com uma câmera escondida numa caneta por um terceiro personagem, não identificado, os dois dão detalhes do acerto, segundo a revista.

De acordo com a conversa gravada, o senador José Pimentel (PT-CE), relator da CPI, repassou o “gabarito” a Graça Foster, usando como intermediário José Eduardo Dutra, diretor Corporativo e de Serviços da estatal.

No vídeo, Barrocas afirma ainda que parte das perguntas que compunham o roteiro a ser executado na comissão foi formulada pelo assessor da Secretaria de Relações Institucionais, Paulo Argenta, segundo a publicação.

PASADENA

Um dos objetivos da comissão criada no Senado é investigar irregularidades cometidas na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, operação que foi aprovada quando a presidente Dilma Rousseff comandava o Conselho de Administração da estatal.

Dilma desencadeou uma crise política ao afirmar que votou a favor da aquisição com base num relatório “falho”, que omitia informações importantes sobre o contrato. O relatório fora elaborado pelo ex-diretor Cerveró.

A CPI foi criada em 14 de maio no Senado e é composta exclusivamente por congressistas alinhados ao Palácio do Planalto. Em um boicote à comissão, a oposição não indicou parlamentares.

O deputado Mendonça Filho, líder do DEM na Câmara dos Deputados, afirmou que irá requisitar a anulação dos depoimentos de Foster e Gabrielli à CPI e a reconvocação dos dois. Disse ainda que irá pedir a convocação de Paulo Argenta e do ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini.

Questionada sobre a participação de Argenta na formulação das perguntas para a CPI, a assessoria de imprensa da Presidência da República afirmou apenas que “não irá comentar”.

A Petrobras não respondeu os questionamentos da Folha até a conclusão desta edição. O senador Pimentel e os demais integrantes da comissão no Senado não responderam aos contatos feitos pela reportagem.

DEMOCRACIA, É?

Os abutres do bem

000 - DEVER DE CASA

Governo brasileiro tem autoridade para defender a Argentina nesse momento difícil, porque segue a mesma escola

Lula da Silva pediu a cabeça de uma funcionária do Santander. O banco entregou-lhe a cabeça dela. Era uma funcionária abutre, dessas que atacam os cordeirinhos socialistas, escrevendo coisas desagradáveis sobre o governo popular. Como ousa essa agente do capitalismo selvagem dizer que a queda de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais anima o mercado?

É bem verdade que a queda de Dilma nas pesquisas anima o mercado, mas… precisava dizer isso para todo mundo? A analista do Santander não poderia ser mais discreta com seus clientes? Não dava pelo menos para falar mais baixo? Ou mudar de assunto? Não dá para entender por que esses analistas de conjuntura insistem em falar de coisa triste. Em vez desses boletins sisudos e cinzentos, poderiam mandar mensagens coloridas e alegres, prevendo um PIB maravilhoso e garantindo que a inflação está quietinha no seu canto. Se o ministro da Fazenda faz isso, por que um banco não pode fazer? São mesmo uns pessimistas. Abutres!

Mas aqui no nosso terreiro, financista estrangeiro não vai cantar de galo, não. Como avisou Dilma na Copa do Mundo, o brasileiro já superou seu complexo de vira-latas. Os pastores alemães sentiram na carne o que significa isso. E os pitbulls do governo popular foram para cima do Santander: Dilma rosnou, Lula mordeu, e o banco teve que engolir suas palavras. Onde quer que esteja agora, o companheiro Hugo Chávez deve estar explodindo de orgulho dos seus amigos petistas. Lula já dissera que a Venezuela chavista é um modelo de democracia, e agora mostra que não estava brincando.

A reação do filho do Brasil em defesa da reeleição de sua criatura foi um ato de estadista. O que fazer diante de uma análise desfavorável ao governo do PT? Elementar: fuzilar o analista. Com classe: “Não entende porra nenhuma de Brasil.” Quase é possível ouvir a reação eufórica do coronel Chávez: “Meu garoto!”

Aqui na Terra, a parceria chavista também é só alegria. Depois de destroçar a economia argentina com seu populismo cor-de-rosa, Cristina Kirchner deu o calote e recebeu o caloroso abraço do Brasil. “Não podemos aceitar que a ação de alguns poucos especuladores coloquem em risco a estabilidade e o bem-estar de países inteiros”, declarou Dilma em Caracas, lugar ideal para esse tipo de ternura. Estão vendo como esses abutres são maus? Atacam uma viúva indefesa, que é leal ao falecido e mantém irretocável a reputação caloteira da família.

O abraço de Dilma em Cristina é pleno de simbolismo. A presidente brasileira deve muito à companheira argentina. Foi Cristina quem começou, corajosamente, a esconder os indicadores feiosos da economia, e a fabricar números novinhos em folha — tornando os índices de inflação, por exemplo, até simpáticos. Dilma tomou coragem e foi atrás, implantando no governo brasileiro a contabilidade criativa — sem dúvida uma das realizações mais engenhosas do PT no poder. Numa triangulação mágica entre o Tesouro, o BNDES e estatais como a Petrobras e a Caixa, o governo popular aprendeu a esconder déficits e assim ampliar o orçamento do fisiologismo. Nem a seleção alemã pôs o Brasil na roda com tanta maestria.

Entre outras maravilhas da bravura bolivariana, os Kirchner arruinaram as empresas de energia — base do crescimento — para garantir a conta de luz baratinha, que o povo adora. Os abutres pensam que é fácil enganar o povo, mas enganados estão eles: custa caríssimo. Propaganda populista, truques assistencialistas, engordar a máquina para enriquecer os aliados — isso tudo custa dinheiro. Como declarou Dilma, é um absurdo que esses urubus não tenham um mínimo de sensibilidade para com o bem-estar dos marajás da viúva.

E o governo brasileiro tem autoridade para defender a Argentina nesse momento difícil, porque segue a mesma escola de abutres do bem: além dos números amestrados, por aqui o setor elétrico também foi depredado em favor da bondade tarifária — que ajudou adicionalmente a sumir com metade do valor da Petrobras (fora o antro de negociatas, que ninguém é de ferro). E, para provar que o Brasil faz questão de estar no mesmo barco da Argentina, o governo Dilma acaba de bater um novo recorde, depois de construir os estádios de futebol mais caros do mundo: o primeiro semestre de 2014 registrou o maior déficit nas contas públicas do século 21.

É bem verdade que o PT ainda não conseguiu torpedear a imprensa com a eficiência dos Kirchner. Mas tem suas listas negras, e continuará caçando essa gente que não entende porra nenhuma de Brasil.*

(*) Guilherme Fiuza é jornalista – O Globo

CHEGOU A CONTA…

O PROBLEMA DA ECONOMIA É QUE JÁ ESTÁ ESGOTADA A CAPACIDADE DE AS FAMÍLIAS SE ENDIVIDAREM

A medida tomada pelo Banco Central de liberar R$ 30 bilhões para o mercado de crédito, por meio do afrouxamento do instituto do desconto compulsório do Banco Central, pode não dar o resultado que se espera.

O desconto compulsório é o recolhimento obrigatório a que todos os bancos comerciais são obrigados a fazer nos depósitos à vista e nas poupanças que seus clientes depositam. Assim, se um hipotético Sr. Joaquim deposita em poupança R$ 1.000,00 no  HSBC, por exemplo, tal banco é obrigado a recolher 44% desse valor em uma conta única ao Banco Central, de tal modo que esse montante não sirva para o HSBC como recursos de empréstimo.

Sendo assim, sobram apenas os R$ 660,0 restantes para o banco comercial trabalhar oferecendo empréstimos a outros clientes tomadores.

Isso faz com que o volume de dinheiro disponível para empréstimo caia, reduzindo o padrão de consumo da população. E esta é a ideia do desconto compulsório instituído pelo Banco Central.

AFROUXAMENTO,

Agora, com a medida de afrouxamento o Banco Central libera R$30,0 bilhões para os bancos comerciais emprestarem aos tomadores de empréstimos.

Acontece que, como disse o economista-chefe da Corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, ao manter a taxa Selic em 11%, o BC abre um ponto de inflexão entre as duas medidas, pois, se liberou mais recurSos para se emprestados de um lado, continua a restringir o crédito ao inibir a tomada de empréstimos, porque a taxa de juros Selic continua alta, o que faz manter também altos os juros de empréstimos praticadas pelos bancos.

É como se uma medida anulasse a outra. Portanto, a decisão do BC é muito mais emocional do que racional.

E mais, o economista Fernando Motero não acrescentou o que já postulamos, porque não só o crédito está muito caro e, portanto, proibitivo, como as famílias estão com seus orçamentos apertados pelo endividamento já feito. Endividamento que compromete 46% de seus orçamentos familiares anuais.

CARGA TRIBUTÁRIA

Acrescente-se a decomposição do orçamento das famílias brasileiras pelo comprometimento também com o pagamento da carga tributária, que, como calcula o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) chega a 41% do orçamento.

Logo, se somarmos os dois compromissos teremos, por espanto, 87% (!) do orçamento das famílias já comprometidos com as dívidas e com o pagamento de tributos.

Sobram apenas 13% (!) para as famílias manobrarem os custos com a manutenção da casa e despesas básicas de existência como alimentação, vestuário, saúde, educação e transporte.

Veja que, sobre esses 13%, há, também, o efeito corrosivo da inflação!

Isso explica o porquê de no primeiro trimestre do ano corrente o IBGE ter apontado para um recuo do consumo e agora os índices do IBC-BR do BC terem apontando para uma recessão da nossa economia.

O poder de consumo da sociedade brasileira esgotou-se. E se não há consumo (demanda), não adianta criar oferta, e a economia entra em recessão. Simples assim.*

(*) Wagner Pires – Tribuna da Imprensa Online

ELEIÇÕES 2014

A EXPECTATIVA ANTIDILMISTA

As rodadas mais recentes dos dois principais institutos de pesquisa trouxeram uma possibilidade interessante de leitura. A consulta para a eleição presidencial mostrou que a distância entre a presidente Dilma e Aécio, o segundo colocado, continua significativa, na casa dos 20 pontos. Em terceiro vem Eduardo Campos, com aproximadamente 10% das intenções.

A curiosidade está nas simulações de segundo turno. Apesar da margem de folga da candidata à reeleição nas consultas relativas ao primeiro turno, nos confrontos diretos, Aécio ou mesmo Campos sobem muito mais do que a adversária: ela não chega a 50% enquanto qualquer um dos dois se aproxima dos 40%.

Os números do Ibope e do Datafolha demonstrariam, assim, um forte fator anti-Dilma. As intenções de voto dadas aos demais concorrentes, diluídas no primeiro turno, parecem tender a concentrar-se no rival da petista nas hipóteses de segundo turno. É mais ou menos assim: “Voto em quem disputar com Dilma”.

Essa leitura das pesquisas retrata um clima cada vez mais presente de que o governo vai mal. Estão vencendo os discursos de que a inflação está fora de controle (embora isso não seja verdade), que o país não cresce quanto deveria (o que é verdade) e que os serviços de saúde e educação são uma lástima (ainda que quem critica contrate ambos da rede privada). E essa faixa de sintonia de humor, que anda contagiosa, já favorece os adversários de Dilma.

Mesmo assim, ela ainda é favorita. Tenhamos uma certeza, contudo: se uma nova vitória da presidente se confirmar, seu segundo mandato será entre espinhos e pedregulhos. O símbolo máximo dessa profecia é a carta do Santander endereçada a seus clientes mais abonados: o cenário de sucesso eleitoral da petista faz mal à economia.

PODER ECONÔMICO

É notável o poder econômico das expectativas autorrealizáveis, e a história é farta de exemplos. Assim como o banco espanhol, entendem os entendidos que a equipe econômica de Dilma é incapaz de aproveitar as oportunidades de crescimento, que o governo dela gasta muito e mal e não controla (pior, alimenta) a inflação. Com isso, um novo mandato manteria o país numa iminência de estagnação com inflação (a famosa estagflação). Antevendo as agruras de um novo mandato, o agente econômico não investe, não contrata, não se endivida: a economia não cresce com boa parcela de culpa da autorrealização de expectativas.

Segundos mandatos já tendem a ser piores do que os primeiros porque a saída do poder dentro de quatro anos tem um viés de desestímulo e porque o poder de novidade que propicia mudanças num primeiro governo não se repete. Imaginemos qual seria, então, a relação de Dilma com o Congresso num segundo governo. Todos os partidos aliados, inclusive o PMDB, venderam caro a fiança para uma nova adesão agora e saíram rachados.

“Todo esse pacote de desesperança já não seria motivo para votar em outro?”, provocam os antidilmistas. Se quiser dobrar o mau humor endêmico e a força das expectativas autorrealizáveis, o trabalho dela e do PT deve começar já e tem o desafio de ir além da propaganda eleitoral.*

(*) João Gualberto Jr. – Tribuna da Imprensa Online