ENTÃO, TÁ!

Zé Dirceu sobre Marina Silva:

“Ela é o Lula de saias”

Ex-ministro cumpre pena em regime semiaberto em Brasília

Petista vê quadro sucessório decidido com Marina vencedora

Marina, Lula e Dirceu durante lançamento de plano contra o desmatamento da Amazônia, no Palácio do Planalto, em 15.mar.2014. Foto: Jamil Bittar/Reuters

Marina, Lula e Dirceu no Palácio do Planalto durante lançamento de plano contra o desmatamento da Amazônia, em 15.mar.2004. Foto: Jamil Bittar/Reuters

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que cumpre pena em regime semiaberto em Brasília, tem feito análises sobre o quadro eleitoral para os seus poucos interlocutores. Sua frase mais recorrente é esta: “Marina é o Lula de saias”.

Zé Dirceu diz enxergar o cenário muito consolidado, com Dilma e Marina no segundo turno. Depois, vê uma vitória certa para a candidata do PSB, que teria a força semelhante à de Lula em 2002, quando a origem humilde do petista se juntou ao desejo de mudança da maioria dos eleitores. Daí a expressão “Lula de saias”.

Para Zé Dirceu, a culpa pela iminente derrota do PT é quase exclusivamente de Dilma. A presidente teria tomado decisões erradas ao não construir pontes com a sociedade ao longo dos últimos anos. Também não teria chamado o ex-presidente Lula para ajudá-la, sobretudo agora. Por essa razão, Dilma apenas estaria colhendo o que plantou.

Não é segredo que Zé Dirceu nutre uma mágoa imensa pela forma como Dilma o tratou nos últimos anos, com um distanciamento duro e protocolar. Não está comemorando o fracasso da presidente porque não desejava o PT fora do poder central. Mas tampouco está triste por antever a derrota dilmista em outubro.*

(*) Fernando Rodrigues – UOL

HERANÇA “BENDITA”

Economia encolhe 0,6% no segundo trimestre, e Brasil entra em recessão

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A economia brasileira, medida pelo PIB (Produto Interno Bruto), encolheu 0,6% no 2º trimestre em relação aos três meses anteriores. Além disso, os resultados do 1º trimestre foram revisados de alta de 0,2% para queda de 0,2%.

Com dois trimestres seguidos de resultado negativo, considera-se tecnicamente que o país está em recessão. Isso não acontecia desde a crise financeira global de 2008 e 2009.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em valores correntes, o PIB do 2º trimestre alcançou R$ 1,27 trilhão.

Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda foi ainda maior: de 0,9%.

No acumulado do 1º semestre, houve crescimento de 0,5% em relação a igual período de 2013.

O PIB acumulado nos quatro trimestres terminados em junho de 2014 teve crescimento de 1,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Após a divulgação do resultado do 1º trimestre, no final de maio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tinha dito que a Copa do Mundo ajudaria a impulsionar os setores de comércio e serviços, e que o resultado do PIB no 2º trimestre provavelmente seria melhor.

Agropecuária cresceu 0,2%; indústria e serviços encolheram

A agropecuária foi o único setor que cresceu no 2º trimestre em relação ao trimestre anterior, com leve alta de 0,2%.

A indústria encolheu 1,5%. Dentro dos subsetores, apenas a extrativa mineral registrou expansão: 3,2%. A indústria de transformação encolheu 2,4%, a de construção civil recuou 2,9%, e a de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana caiu 1%.

Os serviços encolheram 0,5%, puxados pelo desempenho negativo do comércio, que recuou 2,2%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2013, a agropecuária permaneceu estável, a indústria encolheu 3,4% e os serviços cresceram 0,2%.

No acumulado do 1º semestre em relação a igual período de 2013, a agropecuária cresceu 1,2% e os serviços, 1,1%. A Indústria, por sua vez, encolheu 1,4%.

Previsões para o PIB têm sido cortadas

O governo federal cortou sua projeção de crescimento econômico de 2,5% para 1,8%, segundo relatório bimestral de Receitas e Despesas divulgado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento em julho. Ainda assim, a previsão está otimista em relação às demais.

O Banco Central diminuiu sua previsão para o PIB neste ano de 2% para 1,6%, de acordo com o relatório trimestral de inflação divulgado em junho.

Já o FMI (Fundo Monetário Internacional) cortou sua previsão pela quinta vez seguida, em julho, e agora estima um crescimento de 1,3% do Brasil neste ano.

Os economistas das principais instituições financeiras, por sua vez, falam em PIB de 0,7% em 2014. A informação aparece no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (25). Foi a 13ª semana seguida em que a previsão foi cortada.

Dado do BC apontou queda de 1,2% no acumulado do trimestre

A estimativa do Banco Central, mostrada por meio do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), era de recuo de 1,2% em relação ao 1º trimestre.

O índice é elaborado mensalmente pelo BC e é considerado pelo mercado uma prévia do PIB, embora o Banco Central oficialmente não reconheça que seja uma previsão do PIB.

Mesmo assim, o indicador do BC é visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB, e serve de base para investidores e empresas adotarem medidas de curto prazo. Porém, não necessariamente reflete o resultado anual do PIB e, em algumas vezes, distancia-se bastante.

Em entrevista, um diretor do BC justificou a diferença, dizendo que o IBC-Br não tem a pretensão de medir o PIB, apesar de o mercado o usar como um balizamento.*

(*) UOL Economia

O NOME DISTO É INCOMPETÊNCIA

Mantega nega recessão, e culpa Copa, crise no exterior e seca por PIB ruim

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Após a economia brasileira registrar dois trimestres seguidos de queda, o que indica uma recessão técnica, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o país não está em recessão.

“Recessão é quando você tem desemprego aumentando e renda caindo. Aqui temos o contrário. Na minha opinião, não estamos em recessão”, disse, durante entrevista coletiva após a divulgação dos dados do PIB (Produto Interno Bruto), nesta sexta-feira (29).

O ministro afirmou que o crescimento foi afetado por causa da menor quantidade de dias úteis na primeira metade do ano, devido à realização da Copa do Mundo. Isso teve impacto negativo de 0,2 a 0,3 ponto percentual no resultado total do PIB no segundo trimestre, segundo ele.

“No terceiro trimestre vamos ter 10% a mais de dias úteis. É como termos 10% a mais de produção e comércio”, disse Mantega. “Vamos ter terceiro trimestre positivo”.

O ministro também afirmou que o cenário internacional e “problemas localizados”, como a seca, afetaram o desempenho econômico do país.*

(*) UOL ECONOMIA

 

(Com Reuters)

O SUPREMO ESTÁ DOMINADO…

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS: SUPREMO NEGA PRISÃO DOMICILIAR A JEFFERSON

 

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou hoje (27) pedido do ex-deputado federal Roberto Jefferson para cumprir prisão domiciliar. Jefferson foi condenado a sete anos prisão em regime semiaberto na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Ele está preso em um presídio do Rio de Janeiro.

Por cinco votos a três, a maioria dos ministros entendeu que o estado de saúde de Jefferson não justifica a mudança de regime. Em 2012, o ex-parlamentar fez uma cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas. A prisão de Jefferson foi determinada em fevereiro pelo ex-ministro Joaquim Barbosa.

Para justificar a manutenção da prisão em regime semiaberto, o relator do recurso, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que médicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca) concluíram, em dezembro do ano passado, que o estado de saúde de Jefferson não indica necessidade de cumprimento da pena em casa ou no hospital. O voto do relator foi seguindo pelos ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Celso de Mello.

Os ministros Marco Aurélio, Luiz Fux e Ricardo Lewandowski votaram a favor da concessão da prisão domiciliar. Segundo eles, o condenado deve cumprir o restante da pena em casa devido ao seu estado de saúde.*

(*) Deu na Ag. Brasil

### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG DA TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE – José Genoino, o farsante que simulava grave doença para receber aposentadoria integral (já recebe R$ 20 mil, passaria para R$ 27 mil mensais), já está em fora da cadeia, favorecido por uma série de benefícios”inventados”, como falsos cursos de Direito Constitucional e Informática que teria feito na penitenciária. Roberto Jefferson, que fez uma delicadíssima cirurgia de câncer no pâncreas e escapou por pouco, agora é tido como saudável. Deviam, pelo menos, permitir que ele trabalhe fora, como Dirceu e Delúbio. Mas acontece que o mensalão tem hoje dois tipos de condenados – os petistas e os outros. (C.N.)

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ…

O VENTO SOPRA EM FAVOR DE MARINA

O que faz o povão preferir Marina Silva? Foi pobre, nasceu e morou no meio da floresta, passou fome, aprendeu a ler e escrever aos dezesseis anos, pegou doenças que traz até hoje, é negra, evangélica, dedicou-se ao ambientalismo e à preservação da Amazônia, enfrentou o poder econômico, foi ministra do Lula e obteve 20 milhões de votos na última eleição presidencial.

Essas qualidades, e outras, fazem a candidata identificar-se com a maioria do eleitorado e justificam sua preferência, mas há outro fator essencial: seus concorrentes não sensibilizam o eleitorado. Apresentam lacunas que agora sobressaem em qualquer comparação. Dilma Rousseff, no exercício do poder, não empolgou. Apesar da farta propaganda de seu governo, saltam aos olhos deficiências fundamentais na educação e na saúde públicas, nos transportes coletivos, na infraestrutura e na economia. Além de sua postura autoritária e distante. Pelo jeito, nem sua aproximação com o Lula será capaz de evitar a derrota no segundo turno. Sequer seu passado de guerrilheira que jamais pegou em armas, mesmo torturada a presa pela ditadura.

Quanto a Aécio Neves, apesar do dever de casa bem feito, duas vezes governador de Minas, presidente da Câmara e senador, entra na disputa sem uma forte mensagem. Promete repetir a administração tucana de Fernando Henrique, fator negativo pela própria natureza. No máximo, assegura a continuidade do bolsa-família e outros programas assistencialistas, mas nenhuma proposta social em condições de mudar a vida dos menos favorecidos. Sua característica de produto do establishment funciona contra ele.

Sendo assim, explica-se porque Marina, tornada candidata por um golpe do destino, apresenta-se em patamar bem superior ao antes ocupado por Eduardo Campos e vai deixando os adversários para trás. Já supera Dilma, no segundo turno, por nove pontos percentuais. Continuando as coisas como vão, a ex-senadora pode vencer a eleição, ainda que grande esforço esteja sendo preparado pelo Lula e pelo PT. O vento, porém, sopra do outro lado. O que a candidata do PSB não pode é considerar-se vitoriosa antes de a última tecla ser digitada nas maquininhas de votar, no final de outubro.

SEGUNDO TURNO EM SÃO PAULO?

A mais recente pesquisa revela que Paulo Skaf passou de 11 para 20 por cento nas preferências paulistas, apesar de Geraldo Alckmin continuar com 55. A meta do candidato do PMDB é crescer a ponto de levar a eleição para o segundo turno. Nessa hipótese, tudo poderá acontecer, já que o PT e penduricalhos jamais votariam no atual governador. Resta saber que tipo de aliança eles poderiam celebrar.*

(*) Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa Online.

ATÉ QUANDO?

FANTASMA DE CELSO DANIEL

ASSOMBRA COMPANHEIROS

 Quem poderia imaginar que na quarta campanha presidencial posterior ao aparecimento do cadáver do prefeito de Santo André licenciado para coordenar o programa de governo da candidatura vitoriosa de Luiz Inácio da Silva, do PT, o fantasma de Celso Daniel deixaria o limbo para assombrar seus companheiros? E, pelo visto, o espírito vindo do além não se limitou a puxar o dedão do pé de uns e outros em sono solto, mas deixou-os a descoberto em pleno inverno. Para sorte deles, este inverno não tem sido tão gélido assim. Mas a alma é fria que só. E como é!
Sábado, em reportagem assinada por Andreza Matais, de Brasília, e Fausto Macedo, este jornal noticiou que a Polícia Federal (PF) apreendeu no escritório da contadora Meire Poza, que prestou serviços ao famigerado doleiro Alberto Youssef, contrato de empréstimo de R$ 6 milhões. O documento, assinado em outubro de 2004, reconhece dívida de tal valor, a ser paga em prestações em 2004 e 2005 pelas empresas Expresso Nova Santo André e Remar Agenciamento e Assessoria à credora, a 2S Participações Ltda. A primeira pertence a Ronan Maria Pinto, empresário do ABC e personagem do sequestro e morte de Celso Daniel, cujo cadáver foi encontrado no mato em Itapecerica da Serra em janeiro de 2002.
A 2S pertencia ao publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, peculato e evasão de divisas a pena de 37 anos, quatro meses e seis dias e multa de R$ 3,062 milhões.O elo encontrado pelos federais entre o assassinato do principal assessor de Lula na campanha presidencial de 2002, o escândalo de corrupção do mensalão e as denúncias apuradas na Operação Lava Jato, protagonizadas pelo doleiro acusado de lavar R$ 10 bilhões de dinheiro sujo, estava numa pasta identificada como “Enivaldo” e “Confidencial”. A PF supõe que este seja Enivaldo Quadrado, condenado no mensalão.
YOUSSEF
A investigação em que o juiz federal Sérgio Moro encontrou provas suficientes para mandar prender o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que substituiu Sérgio Gabrielli na presidência da empresa 24 vezes, apurou que a corretora Bônus Banval não era de Enivaldo Quadrado, mas, sim, de Alberto Youssef. Costa, que o ex-presidente Lula, conforme testemunhos citados no noticiário do escândalo, chamava de Paulinho e teria oferecido ajuda nas investigações em troca de alívio na pena (pelo visto, ele conta até com a eventual liberdade), tem sido motivo de aflição de gente poderosa na República, temendo que suas revelações cheguem a comprometer a realização das eleições gerais de outubro.O que já se sabe sem sua ajuda é grave. E a entrada em cena do espectro de Celso Daniel – que não é Hamlet, mas já expôs parte considerável da podridão que reina nestes tristes trópicos -, se não alterar o calendário eleitoral, abalará significativamente a imagem de vários figurões que disputam o posto mais poderoso de nossa velha e combalida República.Em depoimento ao Ministério Público (MP) em dezembro de 2012, também revelado pelo Estado, Valério, chamado pejorativamente de “carequinha” pelo delator Roberto Jefferson, seu colega no banco dos réus do mensalão, contou que dirigentes do PT lhe pediram R$ 6 milhões a serem destinados ao empresário Ronan Maria Pinto. Conforme o depoente, o dinheiro serviria para calar Ronan, que estaria chantageando Lula, o secretário da Presidência, Gilberto Carvalho, e o então chefe da Casa Civil de Lula, José Dirceu. Gilberto Carvalho, conforme se há de lembrar quem ainda não perdeu a memória, tinha sido secretário de Celso Daniel e foi acusado pelos irmãos deste de transportar malas com as propinas cobradas de empresários de ônibus em Santo André para Dirceu, à época presidente do PT.

NÃO MERECIA CRÉDITO…De acordo com a reportagem do Estado no sábado, há 20 meses “o PT não se manifestou oficialmente, mas dirigentes declararam que ele não merecia crédito”. Com a descoberta do documento, contudo, parte da versão de Valério – a que se refere à “dívida”, embora não se possa afirmar o mesmo em relação ao motivo desta – deve ter passado a merecer crédito, se não do PT, ao menos da PF. Crédito similar, por exemplo, ao dado pelo partido no poder federal ao chamado “operador do mensalão” quando o mineirinho emergiu como o gênio do esquema de distribuição de dinheiro, que o relator do processo no STF, Joaquim Barbosa, desvendou de maneira lógica e implacável.O documento assinado por Valério nos papéis da contadora do doleiro acaba com qualquer dúvida, se é que alguém isento e de boa-fé possa ter tido alguma, de que nada há a imputar de político ou fictício à condenação de Dirceu, Valério, José Genoino e outros petistas de escol a viverem parte de sua vida no presídio da Papuda, em Brasília. Isso bastaria para lhe garantir a condição de histórico no combate à corrupção. Mais valor terá se inspirar o MP estadual a exigir da Polícia Civil paulista uma investigação mais atenta e competente sobre a morte de Daniel.

Ao expor a conexão entre o assassinato do prefeito, a compra de apoio ao governo Lula e a roubalheira desavergonhada na Petrobrás, a dívida contraída por Ronan põe em xeque todos quantos, entre os quais ministros do Supremo, retiraram a “formação de quadrilha” da lista de crimes cometidos por vários réus do mensalão. Negar a prática continuada por mais de dez anos de um delito em bando formado pelos mesmos personagens conotaria cinismo e até cumplicidade.

A delação de Paulo Roberto merecerá um prêmio, sim, se ele for capaz de informar quem são os verdadeiros chefões nos três delitos. Acreditar que possam ser um menor da favela, um publicitário obscuro e um doleiro emergente seria como nomear Papai Noel ministro dos Transportes.*

(*) José Nêumanne –  Estadão

COMPARAÇÕES

FEIO NÃO É BONITO

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Do jornalista Gabriel Meissner, citado pelo  Carlos Brickman no Observatório da Imprensa:

– Um dos argumentos que li hoje contra a candidatura de Marina Silva é que ela é feia. E a pessoa que falou isso vota na Dilma.

SE GRITAR, PEGA, LADRÃO…

Chefe do BB pagou multa

para se livrar de investigação

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Receita questionou evolução do patrimônio de Aldemir Bendine em 2010

Executivo não informou origem de recursos usados para comprar apartamento pago com dinheiro em espécie

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, pagou multa de R$ 122 mil à Receita Federal para se livrar de questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio pessoal e um apartamento pago com dinheiro vivo em 2010.

Bendine foi autuado por não comprovar a procedência de aproximadamente R$ 280 mil informados em sua declaração anual de ajuste do Imposto de Renda. Na avaliação da Receita, o valor de seus bens aumentou mais do que seus rendimentos declarados poderiam justificar.

Dirigente da maior instituição financeira da América Latina, Bendine tem por hábito declarar que mantém dinheiro vivo em casa, de acordo com documentos aos quais aFolha teve acesso. Ele informou em suas declarações à Receita ter recursos em espécie quatro anos seguidos, entre 2009 e 2012, no valor de pelo menos R$ 400 mil.

Bendine entrou no radar da Receita Federal em 2010, quando a Folha revelou que ele comprara um apartamento no interior de São Paulo pelo valor declarado de R$ 150 mil, pagos integralmente em espécie. O executivo também declarou ter feito obras no imóvel no valor de R$ 50 mil.

Ao justificar a legalidade da transação imobiliária, ele informou que declarou à Receita possuir R$ 200 mil em dinheiro vivo em casa, guardados desde 2009.

Em 2012, os auditores da Receita enviaram a Bendine um extenso questionário sobre suas despesas em 2010, perguntando quanto ele gastara com seus cartões de débito e crédito, com saúde, educação e outras despesas.

O executivo prestou as informações solicitadas, mas não convenceu. Em novembro de 2012, foi autuado em R$ 151 mil, incluindo multa e juros. Ele não contestou a autuação e pagou o auto à vista, ganhando um desconto. Assim, a conta caiu para R$ 122.460.

Bendine diz que não discutiu com a Receita a origem dos recursos usados na compra do apartamento e diz que o auto de infração resultou de um mero erro em sua declaração à Receita. Mesmo depois de identificar o erro, ele não retificou a declaração.

QUESTÃO FAMILIAR

Questionado pela Folha, Bendine não quis falar sobre o dinheiro, alegando tratar-se de uma questão familiar.

Não é crime comprar imóveis com recursos em espécie. Assim como não é crime guardar dinheiro embaixo do colchão. Mas essas práticas são consideradas pelo Fisco como sinais de sonegação de tributos e por isso despertam a curiosidade dos auditores.

O dinheiro passado de mão em mão, sem circular pelo sistema bancário, não pode ser detectado pelos controles da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

“Que razões haveria para alguém guardar uma alta soma em vez de pôr numa conta bancária, numa aplicação?”, pergunta o diretor de Relações Institucionais do Instituto Justiça Fiscal, Dão Real Pereira dos Santos, ex-superintendente da Receita Federal no Rio Grande do Sul.

Ele fez uma análise do caso a pedido da Folha, sem ser informado do nome do contribuinte. “É uma situação em que naturalmente se inverte o ônus da prova”, afirmou. “Numa situação normal, o Fisco teria que correr atrás das provas. Nessa situação, não. Cabe ao contribuinte explicar por que tem esse dinheiro guardado em casa.”

Não foi apenas em 2009 que Bendine declarou ter R$ 200 mil em casa. No ano seguinte, ele voltou a informar ter a mesma quantia em espécie, após a aquisição e a reforma do apartamento. Ou seja, ele passou a ter novamente R$ 200 mil em dinheiro. Em 2011, declarou ter R$ 100 mil. Em 2012, R$ 50 mil.

O presidente do Banco do Brasil afirmou que adotou esse procedimento por considerá-lo na época a melhor maneira de corrigir o erro cometido no preenchimento de sua declaração, mas reconheceu que o correto teria sido apresentar uma declaração retificadora à Receita Federal.

Como determina a lei, o pagamento imediato do auto de infração, como fez Bendine, obriga a Receita a arquivar o caso, o que elimina a possibilidade de comunicar ao Ministério Público Federal a prática de eventuais crimes fiscais cometidos pelo contribuinte. O caso de Bendine foi arquivado em janeiro deste ano.*

(*) LEONARDO SOUZA – FOLHA DE SÃO PAULO