BANANA REPUBLIC

UM PAÍS ENVELHECIDO

Ganhe Dilma ou ganhe Marina, no segundo turno, já tem gente pensando em 2018. Geraldo Alckmin reivindica o comando da esquadrilha dos tucanos enquanto os companheiros jogam suas fichas no retorno do Lula. Mais do que um vídeo-tape de 2006, uma forma de duas das maiores forças eleitorais voltarem à tona sem salva-vidas, em especial se Marina for a vencedora a 26 de outubro. Porque ela também parece candidata às profundezas,  assim como Dilma, qualquer que seja a mais votada. A pergunta que se faz é se o futuro estará tão envelhecido assim como o presente. Porque dos governadores em vias de se eleger, ninguém desponta em nome da renovação. Muito menos no Congresso ou no PMDB de Michel Temer, cujo tempo se esgotará daqui a quatro anos.

Assistimos, por isso, com tempo marcado, o começo do fim de uma era, se for para examinar o quadro político de amanhã com as lentes de hoje. A verdade é que o país envelheceu. Na teoria, sempre será possível esperar o aparecimento de algum fenômeno, mas as experiências passadas de Jânio Quadros e de Fernando Collor não parecem promissoras, muito pelo contrário. Imaginar nas ideologias uma fonte renovadora estará fora de moda. Assim como nos partidos, o mesmo se verifica no sindicalismo, no empresariado, na intelectualidade ou nas religiões. Nem se fala nos militares. Todos os condutores da vida nacional murcharam, vão saindo pelo ralo sem deixar saudades nem sucessores.

PÁGINA VIRADA

A verdade é que os personagens líderes de cada uma de nossas expressões políticas integram uma página quase virada. Do Lula a Dilma, de Marina a Alckmin, até a Aécio Neves, cuja recuperação só acontecerá por milagre, eles já passaram. Com um pouco de boa vontade, estão acabando de passar.

Há uma razão fundamental para essa conclusão: faltam, no Brasil de hoje, como mais faltarão daqui a quatro anos, inspirações renovadoras. Lufadas de vento capazes de sensibilizar a população e varrer para o passado os esqueletos do presente.

Apenas em termos políticos? Nem pensar. Até no futebol entramos em cone de sombra, mas o que dizer da ciência, há muito carente de candidatos ao Prêmio Nobel, da literatura esvaziada de autores e entregue a acadêmicos de atividades disformes, da medicina sem mais lições e descobertas a oferecer ao mundo, da universidade perdida na produção de greves e reivindicações salariais? E quantas atividades  a mais, igualmente agora insossas, informes e inodoras? A política não poderia ser diferente, mas o que preocupa é o conjunto. O Brasil, como nação, vai perdendo a unidade, se é que algum dia a possuiu.

Geograficamente, mantém a vontade de continuar junto, mas política e mesmo socialmente, constitui um conglomerado amorfo e despojado de estruturas em condições de preservá-lo.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa Online

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