ETERNO VEXAME

A NATUREZA DAS COISAS

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Caso passem para o segundo turno Dilma e Marina, a decisão final será tomada pelos que votaram em Aécio e penduricalhos? Se dependesse de decisões exclusivamente partidárias, com certeza a ex-senadora bateria a presidenta. PSDB e DEM têm como ideia fixa afastar o PT do poder. Será aberta, no entanto, a temporada  da Oração de São Francisco, aquela do  “é dando que se recebe”.

Os companheiros podem ser radicais e obstinados, mas bobos não são. Já tem gente, no PT, caçando tucanos e democratas na tentativa de minimizar as perdas. Para garantir a reeleição, vale recolher presas e garras em nome da pacificação ou, pelo menos,  da  convivência. Governadores da oposição precisarão do governo central, podem ser a chave.

Nessa operação já em andamento, será fundamental a atuação do Lula.*

 

(*) Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

EMPRESÁRIO CULT DO LULOPTISMO

QUEM PAGARÁ OS EMPRÉSTIMOS DE EIKE BATISTA NO BNDES, NA CAIXA E NO BANCO DO BRASIL?

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O jornalista Elio Gaspari publicou a seguinte informação sobre um dos empréstimos feitos por Eike Batista em instituições financeiras estatais, que manipulam recursos públicos:”Enquanto isso, a Caixa Econômica continua à cata das garantias do empréstimo de R$ 4 bilhões do Fundo de Marinha Mercante que fez ao estaleiro OSX. Elas eram compostas por ações da empresa (que viraram pó), pelo empreendimento (um terreno no porto do Açu), pelo aval do empresário e por uma apresentação em PowerPoint. Sobrou o PowerPoint.”

Surgem, então, algumas reflexões prostituídas, digamos assim:
1)  as ações das empresas de Eike, trocadas por uma dúzia de ovos, são um mal negócio;

2)  Eike declarou que o patrimônio dele atualmente é negativo em mais de US$ 1 bilhão;

3)  Logo, o terreno já foi para o brejo e o papel que assinou a concessão do aval só serve para embrulhar peixe no mercado;

4)  Assim, o prejuízo da Caixa Econômica será “socializado”, isto é, coberto por grana tungada do povo brasileiro (impostos).

5) O mesmo fenômeno financeiro ocorrerá com os generosos empréstimos conseguidos por Eike junto a outras instituições do Estado, como o Banco do Brasil e o BNDES.

6) Aliás, um dos financiamentos concedidos pelo BNDES (leia-se: Luciano Coutinho), de meio bilhão de reais, está “garantido” pelo Banco Votorantim, que é controlado pelo Banco do Brasil. Ou seja, fica tudo em casa…(*)
(*) CELSO SERRA – TRIBUNA DA IMPRENSA

CORRUPÇÃO GENERALIZADA

A madrinha da corrupção promete castigar

os delinquentes que sempre acobertou

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“Uma das prioridades do meu governo é o combate sem tréguas à corrupção”, recitou Dilma Rousseff em Nova York, esforçando-se para envergonhar o Brasil na ONU sem parar de tapear o eleitorado. Na sexta-feira, já de volta ao Planalto, a protetora da turma que, patrocinada pelo governo, faz bonito no campeonato mundial da corrupção recomeçou o espancamento da verdade.

“No meu segundo mandato, uma das coisas que pretendo atacar é a impunidade, com o fortalecimento das instituições que fiscalizam e punem atos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros”, fantasiou já na abertura da entrevista coletiva. Foi a continuação da interminável Ópera dos Vigaristas, que estreou há 12 anos com reedições mensais, tornou-se um clássico no capítulo do mensalão (veja o vídeo do Implicante) e hoje afronta o país com atualizações semanais.

Até um estagiário sem filiação ao PT sabe que Dilma fez, faz e continuará a fazer o diabo para perpetuar a corrupção impune que Lula institucionalizou. Os entrevistadores presentes, caprichando na cara de paisagem, limitaram-se a anotar o que a candidata dizia. A cordura sugere que concordam com Dilma: o papel da imprensa é divulgar o que diz um governante, sem incomodar o declarante com réplicas, dúvidas ou mesmo pedidos de esclarecimento.

Nenhum deles ousou perguntar por que a presidente não fez no primeiro mandato o que a candidata promete fazer no segundo. Ninguém lembrou à defensora das instituições fiscalizadoras ou punitivas que o seu governo emasculou os órgãos de controle interno, vive obstruindo o avanço de investigações da Polícia Federal que sobressaltam meliantes de confiança e intensifica o aparelhamento do Judiciário com nomeações repulsivas, fora o resto.

A caçadora de corruptos só existe enquanto dura um palavrório eleitoreiro. No Brasil real, o que há é uma nulidade que, no comando do governo formado por incapazes capazes de tudo, age o tempo todo como amiga, admiradora e comparsa de todos os companheiros delinquentes. Foi assim no escândalo do mensalão, inspirador do vídeo em que contracenam vilões e homens da lei. No primeiro grupo, falta a presidente que desfigurou o elenco com a substituição de ministros honrados por ministros da defesa de culpados. Fez isso para garantir aos corruptos condenados um final menos infeliz.

Na coletiva, os entrevistadores nem tocaram no assunto. Coerentemente, tamb[em ficou fora da conversa o papel desempenhado por Dilma na sequência de absurdos que reduziram a Petrobras a uma usina de bandalheiras bilionárias. A ministra de Lula avalizou a infiltração de corruptos na cúpula da estatal. A chefe da Casa Civil negou-se a apurar as primeiras denúncias sobre o ovo da serpente. A presidente do Conselho endossou negociatas de dimensões amazônicas.  A chefe do governo só não presidiu o velório da Petrobras porque a Polícia Federal capturou alguns coveiros e interditou o necrotério.

O amável diálogo de sexta-feira passou ao largo de questões incômodas porque, aos entrevistadores, pouco importa o que efetivamente interessa aos brasileiros que bancam o prejuízo. Como a entrevistada, eles também imaginam que besteirol presidencial é notícia a divulgar com destaque e sem ressalvas. E acham que merece virar manchete qualquer mentira de bom tamanho contada mãe da pátria.

A mais recente fez de conta que a madrinha dos corruptos resolveu castigar os afilhados cujos crimes sempre acoberto.*
(*) Blog do Augusto Nunes

É A LAMA…

Com Petrobras arrombada,

Dilma posa de xerife

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Josias de Souza

“Uma coisa tem que ficar clara”, disse Dilma Rousseff, no debate presidencial veiculado pela Record, ao tentar distanciar-se do escândalo de corrupção da Petrobras. “Quem demitiu o Paulo Roberto fui eu. A Polícia Federal do meu governo investigou todos esses malfeitos, esses crimes, esses ilícitos. E eu sou a única candidata que apresentei propostas concretas de combate à corrupção, principalmente à impunidade. Como, por exemplo, tornar o crime de caixa dois um crime eleitoral…”

Dilma tentava responder a ataques feitos pelo tucano Aécio Neves e pelo Pastor Everaldo. Faltou-lhe, porém, um mínimo de nexo. Nomeado diretor de Abastecimento da Petrobras em 2004, sob Lula, Paulo Roberto Costa, o delator da petroroubalheira, deixou a estatal em 2012, segundo ano da gestão Dilma. Mas saiu sob rasgados elogios pelos “bons serviços” prestados.

A Polícia Federal atua no caso sob convocação da Procuradoria da República, avalizada pela Justiça Federal. Quanto às “propostas concretas de combate à corrupção”, foram anunciadas por Dilma na última sexta-feira, 12 anos depois da chegada do PT ao poder federal. Redigidas em cima da perna, tais propostas ganharam a propaganha eleitoral no sábado, véspera do debate.

A despeito da fragilidade de suas posições, Dilma animou-se a endereçar uma pergunta sobre Petrobras ao rival tucano Aécio Neves. “Em discurso proferido na Câmara em março de 1997, o senhor declarou que pode ser que chegue o momento de discutirmos a privatização da Petrobras… Recentemente, o senhor voltou ao tema, dizendo que a Petrobras não está no radar da privatização do PSDB. Queria dois esclarecimentos: assumiria aqui o compromisso de nunca colocar a privatização da Petrobras no radar? Quais as privatizações que estão no radar?”

Surpreendido com a inusitada levantada de bola, Aécio cortou com gosto: “Tenho sido absolutamente claro sobre a Petrobras. Não vamos privatizá-la. Inclusive, um projeto de lei que proíbe a sua privatização é de autoria do PSDB. Mas eu vou reestatizá-la. Vou tirá-la das mãos desse grupo político que tomou conta dessa empresa e está fazendo aquilo que nenhum brasileiro poderia imaginar: negócios! Há 12 anos.”

Aécio puxou Dilma para perto da encrenca: “A senhora era presidente do Conselho de Administração dessa empresa. É vergonhoso. As denuúcias não cessam. A última, dessa semana, é que o coordenador da sua campanha [de 2010, Antonio Palocci], …buscou desse esquema de propinas recursos para financiá-la. Eu prefiro não acreditar nisso, mas não há, senhora candidata, e vou falar de forma franca, não há um sentimento de indignação” de sua parte.

O tucano prosseguiu: “Não vejo em momento algum a senhora dizendo: ‘não é possível que fizeram isso nas minhas barbas, sem eu saber o que estava acontecendo. Essa indignação está faltando.”

Dilma não se deu por achada: “Candidato, eu combato a corrupção para fortalecer a Petrobras. Tem gente que combate para usar as denúncais de corrupção para enfraquecer a Petrobras. Eu registro que os senhores foram sempre favoráveis a uma relação com a petrobras de privatização. É eleitoreiro falar que o senhor vai reestatizar. Aliás, o senhor vendeu uma parte das ações a preço de banana. E tentaram tirar o ‘bras’ do nome Petrobras. Bras, de Brasil. Por quê? Para vender mais fácil no exterior.”

Aécio trocou o escândalo em miúdos: “Eu não vendi nada, candidata. Mas vou votar ao tema, que é central. Apenas a denúncia do diretor nomeado pelo governo do PT e mantido no seu governo, apenas aquilo que ele assume que foi desviado da Petrobras, permitiria que 450 mil crianças estivessem numa creche. Possibilitaria que 50 mil casas do Minha Csa, Minha Vida tivessem sido construídas. Aí é que está o dolo, aí é que a corrupção impacta na vida das pessoas.”

Coube ao nanico Levy Fidelix, numa “conversa de compadres” com Pastor Everaldo, injetar no debate o fantasma do doleiro Alberto Youssef, que também decidiu suar o dedo indicador. “Everaldo, já tivemos alguns escândalos bem recentes: mensalão e outros que ainda estão por surgir. Creio que, até o final dessa eleição, ao que tudo indica, vem o tal do Youssef com as suas denúncias. Acho que essa eleição não vai terminar bem.”

Em vez de fazer pose de xerife diante da estatal arrombada, Dilma deveria considerar a hipótese de passar a vassoura no setor energético do seu governo enquanto é tempo. Convém cuidar dos minutos, que as horas passam. Está cada dia mais complicado sustentar a pantomima do ‘eu não sabia’.

SEXTA-FEIRA, 26 DE SETEBRO DE 2014

Dilma soube em 2009 de problemas em refinaria, mas caso foi arquivado

Denúncia foi repassada à CGU, que alegou falta de pessoal para investigar


EC – Ipojuca – 30.05.2011 – Obra da Refinaria Abreu e Lima. Foto: Hans von Manteuffel – Hans von Manteuffel / Hans von Manteuffel/30.5.2011

BRASÍLIA — Documentos obtidos pelo GLOBO revelam que a presidente Dilma Rousseff foi informada em 2009 sobre “indícios de irregularidades graves” nas obras da refinaria Abreu e Lima, quando era ministra da Casa Civil. Na época, ela pediu para a Controladoria Geral da União (CGU) apurar o caso, mas o processo acabou arquivado sem punir ninguém.

A CGU apenas requereu informações da Petrobras sobre os indícios de superfaturamento apontados em auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e mandou o processo ao arquivo em janeiro de 2014, sem qualquer avanço. Outro processo havia sido arquivado pela CGU em 2012. Ontem, o Palácio do Planalto afirmou ao GLOBO que a CGU “acompanha” as deliberações do TCU e as providências adotadas pela Petrobras.

A CGU deu duas justificativas para arquivar o processo que tem como origem informações levadas a Dilma. A primeira foi o “avanço físico” das obras em Pernambuco, com 80% da refinaria construída até o dia do arquivamento. A outra foi uma nota informativa elaborada pela área técnica da CGU responsável por acompanhar os processos da Petrobras.

Na nota, consta a informação de que a CGU tem apenas três servidores — “incluindo o chefe de divisão” — para planejar e executar ações de controle da Petrobras, da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e da Secretaria de Petróleo do Ministério de Minas e Energia. Por isso, auditorias em obras como Abreu e Lima não recebem prioridade, diz a área técnica. O documento foi elaborado em 7 de janeiro de 2014. O arquivamento do processo ocorreu dois dias depois.

Em campanha pela reeleição, Dilma adotou o discurso de que precisa ter acesso às denúncias do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso no Paraná, para adotar medidas administrativas. Também costuma exaltar o trabalho da CGU, que passa por uma crise de desinvestimento e falta de pessoal, exposta pelo próprio ministro, Jorge Hage. O esquema de Costa passava por contratos de Abreu e Lima. Quando teve a oportunidade de investigar, o governo de Dilma em nada avançou.

SUSPEITA JÁ NA TERRAPLANAGEM

A suspeita de irregularidades graves informada à então ministra se referiam a um dos primeiros apontamentos feitos pelo TCU, ainda na fase de terraplanagem. O consórcio de empreiteiras responsável teria se beneficiado de um superfaturamento de R$ 59 milhões, segundo auditoria.

O TCU enviou ofícios tanto para o presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, senador Fernando Collor (PTB-AL), quanto para a ministra Dilma, em julho de 2009. Em agosto do mesmo ano, Collor enviou ofício a Dilma sobre o tema. No mês seguinte, a Casa Civil repassou o caso à CGU para a abertura de processo. O arquivamento ocorreu em janeiro de 2014. Com a polêmica sobre o voto favorável de Dilma à compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e novas denúncias contra a estatal, a CGU desarquivou o caso em 15 de maio. Não se sabe qual encaminhamento foi dado desde então.

Outro processo sobre a refinaria teve tramitação semelhante na CGU. Em 2010, o então presidente da Comissão Mista de Orçamento, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), repassou ao governo informações sobre irregularidades apontadas pelo TCU. Dois anos depois, foi tudo ao arquivo. Assim como no outro caso, em maio último o processo foi desarquivado.

O órgão de controle da Presidência tem demorado a levar adiante investigações. No caso de Pasadena, a CGU abriu investigação em dezembro de 2012. Trocou correspondências com a Petrobras por seis meses, e o processo ficou parado até abril de 2014, quando foi apensado a um novo.

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O Palácio do Planalto afirmou que a CGU tem investigações em andamento sobre a Petrobras. Em relação à refinaria de Pasadena, diz que o relatório está “em conclusão” e poderá resultar “na apuração de responsabilidades de agentes públicos e empresas”. Sobre Abreu e Lima, afirmou apenas que a CGU “acompanha as deliberações do TCU em relação às obras e as providências adotadas pela Petrobras”. O Planalto destacou que há investigações em andamento sobre a atuação da Petrobras em “diversas frentes”.

Em nota, a CGU informou que os processos que instaurou em 2009, 2012 e 2013 não eram auditorias. Os processos, segundo a CGU, foram abertos apenas para monitorar o atendimento pela Petrobras do que fora determinado pelo TCU.

“Em razão da elaboração de novos acórdãos do tribunal em 2013, a CGU arquivou os processos de monitoramento anteriores (por estarem desatualizados) e autuou novos processos, incorporando o diagnóstico atualizado do TCU. Assim, não houve prejuízo para o trabalho de monitoramento feito pela CGU ou perda de continuidade no objeto pretendido”, diz a nota.*

(*) VINICIUS SASSINE, EDUARDO BRESCIANI E LUIZA DAMÉ – O GLOBO

 

É MUITA LAMA

Menção a tesoureiro em escândalo da

Petrobras derruba arrecadação do PT

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Problema de caixa A citação do tesoureiro João Vaccari Neto na Operação Lava Jato, que investiga desvios na Petrobras, abriu uma crise na arrecadação eleitoral do PT. Dirigentes contam que as doações à cúpula do partido “despencaram”, o que tem reduzido o fluxo de dinheiro para candidatos em todo o país. Desde que foi vinculado ao escândalo na estatal, Vaccari está “fora de combate”, segundo aliados. Empresários que costumam financiar campanhas também ficaram mais cautelosos.

Cordão sanitário A campanha de Dilma Rousseff sofre impactos, mas mantém uma estrutura independente de arrecadação. No entanto, tem faltado dinheiro a comitês montados para promovê-la em diversos Estados.*

(*) Coluna Painel da Folha de São Paulo

PALAVRAS DE QUEM CONHECE O RAMO

Lula: roubar banqueiro é chato,

mas não faz falta

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Num desses surtos de loquacidade que costuma acometê-lo sempre que se depara com um microfone e uma plateia, Lula criou na noite de quarta-feira (24) uma espécie de assaltômetro. Por esse medidor metafórico, a aversão aos assaltos diminui conforme o nível de riqueza de suas vítimas. Se o assaltado for um banqueiro, aí mesmo é que a culpa do assaltante deve ser atenuada.

Lula discursava em Santo André, no ABC paulista, num comício do seu candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha. A cena foi transmitida pela internet. Em dado momento, a pretexto de criticar o governador tucano Geraldo Alckmin, o orador falou sobre (in)segurança pública. “Agora, a coisa tá tão grave que é pobre roubando pobre”, disse o padrinho de Padilha.

“Eu, antigamente via: ‘bandido roubou um banco’. Eu ficava preocupado, mas falava: pô, roubar um banqueiro… O banqueiro tem tanto, que um pouquinho não faz falta. Afinal de contas, as pessoas falavam: ‘quem rouba mesmo é banqueiro, que ganha às custas do povo, com os juros. Eu ficava preocupado. […] Era chato, mas era… sabe, alguém roubando rico.”

Quer dizer: na visão de Lula, o problema dos assaltos em São Paulo é que a oferta é menor do que a procura —no sentido de que há mais assaltantes procurando assaltáveis do que assaltáveis com dinheiro para ser assaltado. O sábio do PT deu um exemplo dos efeitos da crise que se abateu sobre o mercado dos assaltos.

“Essa semana, a Joana, que trabalha comigo, é irmã da Marisa [Letícia, mulher de Lula], na frente do hospital perto de casa, […] oito horas da manhã, o cara encostou um negócio nas costas dela e falou: ‘É um assalto, eu tô armado. Continua andando normalmente, me dá o celular e me dá o seu dinheiro. A coitada teve que dar sessenta reais pro ladrão…”

A solução, disse Lula, é simples: “Se o Alckmin não tem competência pra fazer as coisas que o governador tem que fazer, nós temos que dizer pra ele: Alckmin, você já está há muito tempo aí. Saia. E deixa o jovem Padilha governar esse Estado para as coisas começarem a melhorar.”

Enquanto o PT tenta combinar com os russos, resta constatar que há na praça dois Lulas. Um financiou suas campanhas com doações milionárias dos bancos. Eleito, propriciou à banca lucros nunca antes vistos na história desse país. Outro desfruta da condição de ex-presidente voando em jatinhos de empreiteiros e recebendo honorários de bancos por palestras feitas à sombra. Sob holofotes, desanca nos palanques as elites assaltáveis desse país.

O carregador de postes do PT ainda não se deu conta. Mas, pelos critérios do seuassaltômetro, Lula é, hoje, um milionário perfeitamente assaltável. Tem tanto que, um pouquinho que for suprimido decerto não lhe fará falta.*

(*) Blog do Josias de Souza

ELEIÇÕES 2014

As jabuticabas eleitorais (Ou as soluções exclusivamente brasileiras para qualquer assunto contra qualquer evidência de lógica em sentido contrário)

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Mais  três jabuticabas de nossa frondosa árvore amadureceram esta semana: a proposta de diálogo com os terroristas  decepadores de cabeças do Estado Islâmico, a onda da razão que não chegou até a praia, e a substituição definitiva das lideranças políticas pensantes por marqueteiros que plantam ilusões, vendem mentiras, e colhem milhões.

teoria da jabuticaba, desenvolvida pelo escritor e diplomata Paulo Roberto de Almeida, que ainda pretende apresentá-la formalmente à comunidade acadêmica, consiste em defender soluções exclusivamente brasileiras para qualquer assunto contra qualquer evidência lógica em sentido contrário.

Foi o que Dilma Rousseff  fez na ONU, antes e durante o discurso de abertura da assembléia geral, formalidade que o protocolo reserva ao chefe de Estado Brasileiro desde 1947.

Depois de lamentar “profundamente” o ataque  aéreo realizado pelos EUA em território sírio contra os terroristas do Estado Islâmico (ISIS), ela disse:

– O Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, o acordo, a mediação da ONU.

Uma platitude ginasiana, que infantiliza a diplomacia brasileira, como se o ISIS fosse uma organização política legítima com quem se pode sentar à mesa e negociar (O que? A forma mais humana de cortar cabeças ?) e não um grupo jihadista sunita que estupra, mata, decepa as cabeças de mulheres e de “infiéis” e espalha o terror, repelido pelos Estados Unidos e uma coalizão de 50 países, pela própria ONU e até pela “moderada” Al Qaeda.

Como se isso fosse pouco, a presidente usou metade do tempo de seu discurso para contar ao mundo as maravilhosas realizações de seu governo, como se o horário obrigatório de propaganda eleitoral tivesse sido imposto ao mundo.

Uma jabuticaba amarga.

Uma jabuticaba eleitoral foi plantada pela campanha de Aécio Neves, que resolveu batizar  um esboço de reação nas pesquisas como o início de uma “onda da razão”, que iria varrer o país para transformar todos os eleitores em filósofos cartesianos.

Onda de razão é uma contradição em termos, quase um oxímoro, como Partido do Socialismo e da Liberdade. Assim como não se conhece uma experiência concreta da convivência de socialismo com liberdade, o significado da palavra “onda” simplesmente exclui a possibilidade de sua convivência com a razão. Ondas são emocionais, turbulentas, irracionais – a antítese da razão.

Um “wishful tinking”  inventado pelos marqueteiros do neto de Tancredo Neves, com ínfimas chances de dar certo.

A terceira jabuticaba  é a nova roupagem do nosso velho conhecido: o  pensamento mágico, aquele que cria do nada o dinheiro com que o governo paga as suas contas, e que, temperado com uma certa dose de delinquência intelectual, transforma Marina Silva em uma “neoliberal”.*

(*) Sandro Vaia, jornalista, no blog do Noblat

ORIGEM DOS NOMES DOS MESES

000- a coluna do Joauca - 500

No calendário de Rômulo, o primeiro rei de Roma e seu fundador, o ano começava em março e tinha dez meses, cujos nomes primitivos eram Martius (em homenagem ao deus da guerra, Marte), Aprilis (nome relacionado a Apros ou Afros, designativo de Afrodite, nome grego da deusa Vênus, a quem abril era dedicado, ou ao sânscrito áparah, que significa “posterior”, da mesma raiz do gótico afar ou aftra, que significa “depois”; Aprilis era o nome de um dos espíritos que seguiam o carro de Marte), Majus (em homenagem à deusa Maia, uma das Atlântidas, amada de Júpiter e mãe de Mercúrio), Junius (em homenagem à deusa Juno, equivalente à deusa Hera dos gregos), Quintilis, Sextilis, September, October, November e December. A relação de aprilis com aperire (abrir) surgiu posteriormente, na vigência do calendário de Numa Pompílio, por ser abril o mês da primavera, em que “todas as coisas se abrem”.

            Numa Pompílio (circa 715-circa 672 a.C.), sucessor de Rômulo, querendo igualar a contagem do tempo romano à dos gregos e fenícios, reformou o calendário de Rômulo, instituindo os meses de Januarius (em homenagem ao deus Janus, protetor dos lares) e Februarius, do latim februus, adjetivo de primeira classe que significa “o que purifica, purificador”. Februus tornou-se o nome de um deus infernal. No mês de fevereiro, realizavam-se cerimônias de purificação, como sacrifícios expiatórios e os ritos de purificação chamados “lupercálias”. O nome “Luperca” designa a  loba, que amamentou os gêmeos Rômulo e Remo na gruta chamada Lupercal. Na realidade “lupus”, lobo, em latim, primitivamente, não tinha feminino. A loba-animal era “lupus femina”. “Lupa” designava a cortesã, daí o nome “lupanar” para designar o prostíbulo. A “lupa” que amamentou os gêmeos era, na verdade,  uma cortesã  chamada Aca Laurentia ou Laurentina. Os sacerdotes romanos é que “purificaram” a origem de Roma atribuindo à loba-animal a amamentação dos gêmeos que fundaram a cidade. As lupercálias eram festas em homenagem a Pã, realizadas no dia 15 de fevereiro, em que jovens saíam nus da gruta Lupercália flagelando os transeuntes com um cinto de pele de cabra chamado também lupercal, considerado capaz de eliminar a esterilidade e provocar partos felizes. Lupercus se teria originado da justaposição de lupus (lobo) com hircus (bode), mas, como era outro nome de Pã, deus dos pastores e dos rebanhos, presume-se que lupercus signifique também “o que afasta o lobo”.

            Os meses Quintilis e Sextilis foram rebatizados com os nomes de julho e agosto,  em homenagem aos dois primeiros dos doze césares: Julius  (Júlio César) e Augustus. Para que julho e agosto tivessem o mesmo número de dias, subtraíram-se dois dias do mês de fevereiro. Repare-se que as festas de junho são juninas (de Juno), mas as festas de julho são julianas (de Júlio), e não “julhinas” ou “julinas”, nomes que os dicionários não registram e os gramáticos não abonam. Julina formou-se por analogia com junina. Julhina é de emprego raro.

Nas modificações efetuadas por Numa Pompílio no calendário de Rômulo, o ano civil tinha um erro de dez dias em relação ao ano solar, por isso ele tentou corrigir o erro acrescentando um período de dez dias entre 23 e 24 de fevereiro. Mas essa solução trouxe tantos problemas que, em 44 a.C., Júlio César resolveu modificar novamente o calendário, dando ao ano a duração de 12 meses ou 365 dias, de acordo com o calendário egípcio. Foi um astrônomo de Alexandria, chamado Sosígenes, que descobriu que o ano civil tinha seis horas menos que o ano solar. Assim, Roma instituiu que a cada quatro anos seria acrescentado um dia em fevereiro. Os dias em latim não eram numerados, como fazemos hoje. Os romanos usavam os nomes calendas, nonas e idos a partir dos quais se contavam os dias. Assim, por exemplo, em vez de dizer “10 de março”, os romanos diziam “ante diem sextum Idus Martias” (os idos de março correspondiam ao dia 15); o dia 4 de outubro era chamado “ante diem quartum Nonas Octobres” (as nonas em outubro caíam no dia 7); a expressão “desde o dia 3 de junho até 31 de agosto” se dizia assim, em latim: “terceiro dia antes das nonas de junho até o primeiro das calendas de setembro” (ex ante diem III Nonas Junias usque ad pridie Kalendas Septembres). O dia que correspondia ao dia 24 de fevereiro, era chamado “sexto das calendas” (calendas era o nome do primeiro dia de cada mês). O  dia adicional era acrescentado após o equivalente ao nosso dia 24 de fevereiro, e não, como hoje fazemos, ao final do mês.  Havia portanto duas vezes o sextus dies (bissextus) das calendas. Essa é a origem do nome “ano bissexto”.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)