A BRUXA ESTÁ SOLTA

Caneladas de início

Agora, passada a fantasia eleitoral, o caminho recomeça a ser trilhado
com muitas dificuldades e uma grave herança maldita na política.

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Nem bem começou, já acabou a lua de mel com a presidente eleita: o PMDB deu as boas-vindas coordenando a aprovação do decreto legislativo que derruba o decreto presidencial sobre os conselhos populares. O tema em si foi mal costurado, mal debatido, mal encaminhado e inoportuno quanto a seu timing. O governo merecia ser derrotado por ter embalado tão mal uma boa ideia.

Já na sequência, o PMDB anunciou que Eduardo Cunha é o seu candidato à presidência da Câmara dos Deputados. Talvez o candidato menos desejado pelo Palácio do Planalto. E o partido parece disposto a compor com a oposição para evitar que o PT tenha o controle da Casa. No Senado, o roteiro será semelhante. O PMDB deve buscar uma composição com o PSDB e os demais partidos e ameaçar de isolamento o PT.

O PMDB tem outra bomba na manga. A pauta da Câmara neste final de ano ameaça criar mais confusão, incluindo aposentados, bombeiros, policiais e municípios. Tudo o que pressiona fortemente a política fiscal.

Para não ir muito longe, o PTB anunciou que vai apoiar uma nova CPI para continuar as investigações da Petrobras. Mais um problema à vista. Assim, engorda o apoio para que as investigações continuem.

Ainda atordoado pela vitória eleitoral, o governo caminha para purgar alguns de seus problemas insepultos. Mencionarei apenas um deles: sua precária coordenação política, que terminou por permitir que muitas minas terrestres fossem plantadas no caminho. A derrota de terça-feira não é totalmente inesperada. E tem raízes antes mesmo das eleições. As disputas e os conflitos no processo somente ampliaram uma insatisfação latente.

Outro problema sério é a divisão do PMDB. O partido voltou a ser cindido em diversos grupos cujas agendas são, nada menos, do que três: uns vão ser contra, outros independentes e, talvez, a maioria a favor. A união será pontual ou perene, se existir uma construção política excepcional.

Contra os prognósticos, temos o fato de que a política e o governo não funcionaram bem no primeiro mandato de Dilma. Obrigatoriamente, isso terá de melhorar, só não se sabe se o suficiente. Falta reflexividade e sobra voluntarismo em muitos dos atores principais. No passado recente, todos os mecanismos de diálogo político e social, tais como as reuniões do Conselho Político, foram abandonados e sabotados por uma agenda que não priorizava o político.

Nas eleições presidenciais, o risco de derrota sempre existiu. Uma das causas foi a inapetência em simplesmente fazer política, lubrificada sobretudo pela conversa mole. Agora, passada a fantasia eleitoral, o caminho recomeça a ser trilhado com muitas dificuldades e uma grave herança maldita na política.  Para piorar, ronda, tal qual um dragão alado sobre o universo político, o avanço das investigações do Petrolão! *

(*) Murilo Aragão, cientista político, no blog do Noblat

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