HORA DA MUDANÇA

AS FREIRINHAS DO CONVENTO REJEITAM A MADRE SUPERIORA

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Saberemos hoje à noite, depois do debate na TV-Bandeirantes, se a presidente Dilma continua em queda livre ou se, através de performance superior à de Aécio Neves, no vídeo, terá condições de equilibrar o jogo. Até agora a candidata do PT não vai bem. Aguarda-se para amanhã a divulgação de nova pesquisa dos institutos Datafolha e Ibope, mesmo atingidos pelo descrédito no primeiro turno.

Cientistas políticos e diletantes tem atribuído a perda de densidade eleitoral de Dilma a mil e uma causas: a roubalheira na Petrobras, depois do mensalão, a alta exposição do PT como cúmplice nas lambanças, a ambição dos partidos da base em lotear o governo, as promessas não cumpridas nos últimos quatro anos, as obras do PAC interrompidas ou se desenvolvendo em ritmo lento, a fraqueza de ministros desconhecidos, a explosão social iniciada em junho do ano passado, o natural desgaste de doze anos no poder pelo mesmo grupo partidário, e outras. Junte-se o mau funcionamento dos serviços públicos e se terá a receita de por que as previsões favorecem a oposição.

Até agora, porém, tem sido ignorado um fator tão essencial quanto delicado: a própria Dilma. Ela e a simpatia não se entendem. Além de áspera e mal-educada com auxiliares e com os interlocutores em geral, a presidente não cuidou de sua imagem durante quatro anos. Sempre apareceu de nariz em pé e cenho fechado, passando a impressão de arrogância. É precisamente o que o povo não gosta e nada tem a ver com firmeza e inflexibilidade. Quando ri, é de modo forçado, quando discursa, jamais quebra a rigidez com algum mote ou mesmo uma piada. Seus acenos são duros e forçados. Parece a Madre Superiora do convento enquadrando as freirinhas. Perde quando cotejada com um Aécio Neves sempre sorridente e expansivo.

Não se deve forçar a natureza das coisas, mas Dilma lembra os presidentes da República Velha, vetustos, distantes e intransigentes. Pode não ser nada disso, mas é a impressão que fica e agora produz seus efeitos.

OVOS E TRASEIROS

O honestíssimo marechal Teixeira Lott, quando candidato à presidência da República, perdeu-se por mil motivos, mas um deles foi a franqueza com que expunha os problemas nacionais. Num comício, recomendou ao povo que contribuísse para a exportação de carne deixando de comer as peças mais suculentas do dianteiro dos bois. Deveríamos comer apenas o traseiro…

Vem agora um infeliz integrante do governo Dilma e sentencia: para evitar a inflação, precisamos nos abster de comer carne, comendo ovos…*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet