PRAGA NACIONAL

Ministro é suspeito de participar de fraude agrária

Juiz federal em Mato Grosso pede ao Supremo que titular da pasta

de Agricultura, Neri Geller, do PMDB, passe a ser investigado

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Brasília – A Justiça Federal em Mato Grosso pediu ao Supremo Tribunal Federal que autorize a investigação do ministro da Agricultura, Neri Geller. Filiado ao PMDB naquele Estado, ele é suspeito de envolvimento em fraudes na negociação de terras da União destinadas à reforma agrária.

Conforme o inquérito da Operação Terra Prometida, deflagrada na quinta-feira, 27, pela Polícia Federal, Neri e os irmãos Odair e Milton integram o chamado “Grupo Geller”, que possuiria entre 15 e 18 lotes obtidos irregularmente no Assentamento Itanhangá/Tapurah, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Odair e Milton estão presos em Cuiabá desde a noite de quinta, quando se apresentaram à PF.
O pedido de investigação de Neri foi feito pelo juiz federal Fábio Henrique Rodrigues de Moraes Fiorenza, em despacho do dia 27 de agosto deste ano. Por terem foro privilegiado, ministros de Estado só podem responder a inquéritos penais no Supremo. No documento, o magistrado destaca o depoimento de testemunhas, que deram detalhes do suposto envolvimento de Neri com o esquema em Mato Grosso.
“Da análise detalhada do inquérito policial que embasa as representações, vislumbra-se a existência de elementos que apontam o possível envolvimento de autoridades detentoras de prerrogativa de foro no esquema criminoso, quais sejam o ministro de Estado Neri Geller”, escreveu o juiz. Consultado pela reportagem, o Supremo não forneceu dados sobre o andamento do caso.
‘Laranjas’. Nos depoimentos à PF e ao Ministério Público Federal, testemunhas disseram que, para explorar os terrenos, Neri os colocava em nome de “laranjas”, alguns deles seus próprios parentes. A ocupação por familiares dele foi confirmada por laudos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Duas áreas teriam sido vendidas pelo ministro a um fazendeiro para financiar sua campanha a deputado federal em 2010 – Neri ficou como suplente da bancada naquela campanha e tornou-se ministro em abril, após a saída de Antonio Andrade (PMDB), que foi eleito vice-governador em Minas Gerais.
Um dos depoentes, não identificado nos autos, contou ainda que o ministro exploraria os terrenos mediante pressão sobre a cúpula do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Desde 2012, o órgão é presidido por Carlos Mário Guedes de Guedes, cujo nome é cotado para assumir o Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao qual é vinculado, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.
“Essa família Geller possui mais de 15 lotes dentro do assentamento. Por isso, Neri Geller, na condição de ministro da Agricultura, tem se empenhado tanto em pressionar o superintendente do Incra, através do presidente do Incra de Brasília”, afirmou a testemunha.
Outro depoente, Adair dos Santos, contou ter prestado serviços para o ministro nos lotes, retirando madeira e deixando com ele a maior parte da produção. Segundo Santos, a administração dos lotes cabia a outro irmão de Neri, Antônio Geller. Os parentes supostamente escalados como “laranjas”, incluindo outros irmãos do ministro, não saberiam nem sequer onde fica o assentamento. “A maioria dessas pessoas não sabe nem onde que fica o lote, muito menos Itanhangá”, declarou.
Procurado, o Ministério da Agricultura informou que Neri Geller só vai se pronunciar depois de notificado pelo Supremo. Em nota enviada na quinta ao
, a pasta negou participação do ministro no esquema investigado pela operação da PF.
O presidente do Incra disse, por meio de sua assessoria, nunca ter tratado do assentamento com Neri. Ele reiterou que o órgão é parceiro da PF na investigação. *
(*) FÁBIO FABRINI E NIVALDO SOUZA – ESTADÃO
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