SALVE-SE QUEM PUDER

Já vi esse filme. No fim, o bandido ganha.

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A campanha da presidente Dilma, ela mesma, Lula e boa parte do PT debocharam do que disse a candidata Marina Silva (PSB) sobre como montaria seu governo caso se elegesse.

Marina afirmou que simplesmente governaria com os melhores elementos de cada partido sem discriminar nenhum partido.

É uma boba, garantiram alguns. Uma sonhadora, acusaram outros. Governar com os melhores é impossível, apenas isso.

Ou Marina dominava uma receita que só ela conhecia ou então se pautaria pelo bom senso. E o bom senso lhe aconselhava a procurar gente decente, comprometida com a ética e talentosa para ocupar cargos do primeiro e do segundo escalão da República.

E se essa gente fosse incapaz de lhe garantir a maioria dos votos no Congresso? E se por causa disso o governo capengasse?

Marina confiava que não passaria sufoco porque, em primeiro lugar, governaria apenas por quatro anos. Descartara a reeleição.

O que a seu ver seria o bastante para apaziguar os ânimos no Congresso e refrear as ambições, por suposto.

Segundo porque governaria com transparência, prestando contas aos eleitores de todos os seus passos e discutindo com eles suas dificuldades.

Fernando Collor se elegeu presidente em 1989 sem maioria no Congresso. Quis cooptar o PSDB e não conseguiu.

Chamou de “único tiro” contra a inflação o plano econômico que garfou a poupança dos brasileiros.

Por mais estúpido que tenha sido o plano, o Congresso não se negou a aprová-lo. Caso desse certo, o Congresso ficaria bem na foto. Se desse errado, o presidente é que ficaria mal.

Não foi por falta de apoio do Congresso que Collor acabou deposto. Foi por falta de apoio popular.

O Congresso é sensível ao sentimento das ruas. E todo presidente, a princípio, se beneficia de um período de lua de mel com a opinião pública.

Até que o período se esgote, ele pode se comportar com um grau de liberdade que mais tarde se estreitará. A não ser que o sucesso bata à sua porta.

Ninguém mais do que Lula reuniu condições para governar sem ser obrigado a fazer concessões que por fim o apequenassem, e ao seu partido.

Foi o primeiro nordestino ex-pau de arara, ex-líder sindical, ex-preso político a subir a rampa do Palácio do Planalto.

Ocupou o principal gabinete do terceiro andar com crédito para gastar por muito tempo. Encrencou-se porque piscou primeiro.

Sob pressão para lotear o governo como seus antecessores haviam feito por hábito ou necessidade, Lula subestimou o apoio das ruas.

Preferiu apostar no apoio do Congresso. Logo ele, que no final dos anos 80 do século passado, enxergara ali pelo menos 300 picaretas.

Foi atrás dos picaretas. Beijou a cruz – e de quebra a mão de Jáder Barbalho. O mensalão quase o derrubou.

Dilma atravessou a metade do seu primeiro governo resistindo à ideia de ceder ao “pragmatismo político”.

Em conversa, certo dia, com um amigo, ouviu dele: “Tirando três ou quatro, só tem desonesto no Congresso”. Ela respondeu: “E eu não sei?”

Para se reeleger, cedeu ao apetite dos desonestos. Beijou a cruz. E de quebra a mão de Helder Barbalho, filho de Jáder, seu futuro ministro da Pesca.

Foi medíocre o primeiro ministério de Dilma O governo que resultou disso foi naturalmente medíocre.

Pois bem: ela está perto de cometer o prodígio de montar outro ministério igual ou talvez pior.

O que a diferenciava dos políticos a quem tanto desprezava é, hoje, o que a torna cada vez mais parecida com eles.

Feliz Ano Novo para todos!*

(*) Blog do Noblat

DESCALABRO TOTAL

Deficit público dobra e atinge quase

6% do PIB, maior patamar desde 2003

 

O deficit nas contas do setor público dobrou nos últimos 12 meses e chegou a 5,8% do PIB (Produto Interno Bruto) em novembro, segundo o Banco Central.

Com isso, o resultado de União, Estados e municípios se aproximou do pico de 6% alcançado entre julho e setembro de 2003.

Esse percentual equivale a R$ 297,4 bilhões. Desse valor, 288,2 bilhões se referem aos juros da dívida. O restante, à diferença entre receitas e despesas não financeiras (resultado primário), que está em R$ 9,2 bilhões ou 0,18% do PIB em 12 meses.

Em novembro, o setor público teve deficit primário de R$ 8 bilhões, maior resultado negativo para este mês do ano já registrado nas estatísticas do BC, que têm início em dezembro de 2001.

No ano, o resultado está negativo em R$ 19,6 bilhões. No mesmo período de 2013, era positivo em R$ 80,9 bilhões.

A piora nas contas públicas tem levado ao aumento das dívidas desses entes da Federação. A dívida líquida (que desconta o valor das reservas em dólar) subiu de 33,6% em dezembro de 2013 para 36,2% do PIB em novembro de 2014. A dívida bruta passou, no mesmo período, de 56,7% para 63,0% do PIB.

O BC informou ainda que, pela primeira vez neste ano, acumula prejuízo com as operações de swap cambial (contratos que oferecem proteção contra a alta do dólar). Como o real tem se desvalorizado nos últimos meses, o governo tem arcado com o custo de pagar essa variação aos investidores.

A instituição chegou a lucrar mais de R$ 20 bilhões até agosto, mas o resultado foi revertido para uma perda de R$ 284 milhões até novembro após fortes baixas em setembro e no mês passado.*

(*) EDUARDO CUCOLO – DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

ESTELIONATO ELEITORAL

Levy critica: Tesouro assumiu

“responsabilidades desproporcionais”

000 - caras de pau

Futuro ministro da Fazenda reconhece erro na política econômica de Dilma Rousseff

Para Levy, ações no setor de energia produziram “deterioração das contas públicas”

Dilma segurou preço de energia em 2014 porque era um ano eleitoral

Presidente obrigou o Tesouro “a assumir responsabilidades totalmente desproporcionais à sua capacidade”

O futuro ministro da Fazenda a partir de 2015, Joaquim Levy, fez duras críticas à atual política econômica conduzida pela presidente Dilma Rousseff.

Ao falar sobre tarifas de energia, Levy afirma que houve “deterioração das contas públicas”, entre outras razões, porque o Tesouro assumiu “responsabilidades totalmente desproporcionais à sua capacidade”.

Em entrevista à jornalista Claudia Safatle (a íntegra está disponível para assinantes), o futuro ministro não aponta o dedo de maneira direta para Dilma Rousseff, mas deixa suas críticas mais do que implícitas. As tais “responsabilidades desproporcionais” assumidas pelo Tesouro Nacional se deram por determinação direta da própria presidente da Repúblicas –ela queria que as contas de luz fossem mantidas artificialmente baixas durante 2014, um ano eleitoral.

Segundo Levy, agora a chamada Conta de Desenvolvimento Energético vai passar “para a tarifa de consumo”, ou seja, para todos os brasileiros que pagam suas contas de luz. “É uma conta que ultrapassou R$ 10 bilhões ao ano e que, se mantida no Tesouro, terá implicações perigosas para o ‘rating’ da dívida pública”, afirma o futuro titular da Fazenda.

A fala do ministro indicado tem também um pouco de torcida. Ele dá a entender que não sabe se tudo funcionará como se espera. “Nessa conta [do setor de energia] houve recentemente o reconhecimento de um passivo de mais de R$ 8 bilhões no chamado sistema isolado, sem que haja indicação de como ele será equacionado. Vai precisar determinação para acertar essas contas, além de um pouco de sorte para a situação hídrica melhorar”.

Em outras palavras, apesar de todo o esforço do governo impondo uma contenção econômica para os brasileiros, tudo pode fracassar se não chover no nível necessário.

Também chama a atenção na entrevista de Levy o paralelo que faz entre a situação atual do Brasil e o estado da economia dos EUA em 2008, quando eclodiu uma forte crise mundial.

Trata-se de mais uma crítica à condução atual da política econômica (arquitetada pelo atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, com total apoio da presidente Dilma Rousseff).

Levy fala que a crise financeira-bancária que eclodiu nos EUA em 2008 foi decorrência da decisão do “governo Bush de sustentação do crescimento baseada em desonerações tributárias e expansão do crédito garantida pelo Tesouro americano”. E também porque George W. Bush “fechou os olhos ao aumento de alavancagem geral para manter o desemprego baixo”. Conclui Levy: “O coquetel se completava com o corte de impostos para agradar parcelas chaves do eleitorado e algum protecionismo”.

Guardadas algumas proporções, os erros de George W. Bush foram em grande parte repetidos no Brasil nos últimos anos pela política econômica adotada por Dilma Rousseff.

AJUSTE FISCAL
Levy anunciou também que a economia que o governo fará em 2015 (o “superávit primário”) será de R$ 66 bilhões.

Neste ano de 2014, a economia do governo federal ficará em torno de R$ 10 bilhões.

Essa economia, o “superávit fiscal”, é necessária para equilibrar as contas públicas, pagar juros da dívida do governo e controlar as expectativas dos agentes econômicos. Em outras palavras, é necessário dar um “cavalo de pau” na economia em 2015 para que, em teoria, o país volte a crescer de maneira mais robusta em algum momento a partir de 2016.

Tudo considerado, o que Joaquim Levy quer dizer em sua entrevista à Claudia Safatle é que 2015 será um ano difícil, com inflação alta e uma economia quase parada.

Eis alguns trechos da entrevista de Levy, que será determinante no comportamento do mercado financeiro nesta segunda-feira (29.dez.2014):

Nova política fiscal: “O reequilíbrio [da economia] exige mudança de preços relativos e cuidado com a expansão do crédito. E uma reorientação imediata da política fiscal”.

Cenário externo: “Olhando para onde vão as duas grandes economias do mundo, o Brasil tem que mudar rápido. Os estímulos fiscais e monetários das grandes economias estão sendo retirados. Nos EUA, os estímulos fiscais saíram de cena desde 2013, inclusive com o Tesouro vendendo ações das empresas em que teve que intervir. Não vai precisar de muita paciência para ver os juros curtos nos EUA subirem. A China acabou com os estímulos fiscais a grandes investimentos públicos e vem se desengajando cada vez mais do apoio ao imobiliário, focando agora em questões estruturais, como o financiamento das cidades para dar cidadania aos migrantes. E está administrando a inflação baixa, puxada pela queda do preço das commodities, inclusive petróleo”.

Riscos para bancos brasileiros: “Aqui não há riscos imediatos no sistema financeiro em si. Mas vale lembrar que a crise financeira global de 2008 veio da política do governo Bush de sustentação do crescimento baseada em desonerações tributárias e expansão do crédito garantida pelo Tesouro americano. Para tentar que a economia crescesse tanto quanto no período Clinton, Bush expandiu o crédito imobiliário fácil, apoiado na garantia do Tesouro a empresas como a Fannie Mae. Ele fechou os olhos ao aumento de alavancagem geral para manter o desemprego baixo. O coquetel se completava com o corte de impostos para agradar parcelas chaves do eleitorado e algum protecionismo.

Ajuste fiscal em 2015: [chegará a R$ 100 bilhões?] “Tecnicamente o ajuste implicará passar de um primário de talvez R$ 10 bilhões este ano para R$ 66 bilhões no ano que vem. Considerando outras pressões, como subsídios que terão que diminuir, o esforço será um pouco maior, mas não dá para validar esse número de R$ 100 bilhões”.

Preços de energia: “Um primeiro passo já dado foi para estancar a deterioração das contas públicas, que vinha levando o Tesouro a assumir responsabilidades totalmente desproporcionais à sua capacidade. As tarifas de energia elétrica passarão, a partir de 2015, a refletir o custo da geração térmica, evitando acúmulo de passivos. Aí, o próximo passo será acomodar urgentemente os subsídios, que vêm crescendo muito, exigindo devolver a CDE [Conta de Desenvolvimento Energético] para a tarifa de consumo. É uma conta que ultrapassou R$ 10 bilhões ao ano e que, se mantida no Tesouro, terá implicações perigosas para o “rating” da dívida pública. Aliás, nessa conta houve recentemente o reconhecimento de um passivo de mais de R$ 8 bilhões no chamado sistema isolado, sem que haja indicação de como ele será equacionado. Vai precisar determinação para acertar essas contas, além de um pouco de sorte para a situação hídrica melhorar. Mas vale a pena”.

Expansão da economia ao exterior: “Sem prejuízo de atender à demanda interna é, realmente, indispensável expandir o perímetro da nossa economia. A expansão do nosso comércio exterior, mesmo em um quadro em que a economia internacional não anda muito forte, vai ser essencial. E vai requerer esforço e agilidade, porque os principais parceiros regionais enfrentam problemas e a possibilidade de ampliar os estímulos fiscais e creditícios se esgotou”.

Destino dos bancos públicos: “Tentar superar a dualidade do crédito não vai significar o fim dos bancos públicos, notadamente os já ou eventualmente listados em Bolsa. Por outro lado, permitirá que a política monetária adquira outra conformidade, aumentando sua potência e dando continuidade à gradual redução da amplitude dos seus ciclos, observada desde os anos 90. E não custa lembrar: em geral, quando acaba a dualidade, muito mais gente tem acesso ao bem ou serviço. Não ficou mais difícil viajar ou trabalhar quando se superou ou diminuiu a dualidade nos mercados de câmbio e de trabalho– a oferta e acesso ao credito tenderá a aumentar, inclusive para as pequenas e médias empresas.

Firmeza do governo com a nova política econômica: “Acredito que os fatos devem mostrar a disciplina. Há bastante harmonia entre o que a equipe econômica vem falando. A própria presidente acenou com a abertura de capital da Caixa, o que tende a mudar a dinâmica de governança da instituição e, provavelmente, até alguns aspectos do seu posicionamento estratégico”.

Assinantes do jornal “Valor” podem ler a íntegra da entrevista de Joaquim Levy à jornalista Claudia Safatle.*

(*)  Blog do Fernando Rodrigues

VANGUARDA DO ATRASO

O mundo bipolar do PT luta contra os

heteropolares: conservador não é direitista

 000 - DA PRA TROCAR

O ensaísta mexicano Octavio Paz costumava dizer que a primeira forma de corrupção se dá na linguagem (para desespero da Petrobras, que não admite concorrência nesse quesito…)

Pois bem: dê uma passeada nos sites ditos “progressistas”. Ali você encontra o primeiro terreno fértil para esse tipo de corrupção ser colhida. Porque é nesse território em que ocorre a mais sacrossanta distorção do silogismo. Premissa maior: o governo do PT é de esquerda. Premissa menor: quem não é de esquerda é de direita. Conclusão: quem se opõe à esquerda (PT) só pode ser de direita…

Mesmo os que se dizem versados em sociologia e ciências políticas (geralmente pais do auto-desbunde de que são de “esquerda”), indicam que devem voltar para a faculdade fazer DP. São os que mais alimentam a ideia de que o oposto de esquerda é ser de direita.

Os termos “política de direita” e “política de esquerda” foram cunhados na  Revolução Francesa (1789–99). Inicialmente, apenas se referiam ao lugar onde políticos se sentavam no parlamento francês. Aqueles sentados à direita da cadeira do presidente parlamentar eram singularmente favoráveis ao Antigo Regime (defesa cega da hierarquia,  tradição e clero).

Aqui e agora, interessa aos zeros à esquerda dizer que no Brasil o oposto da esquerda é tão somente a direita furiosa.

Mentira: a maioria oposta à esquerda dita progressista, no Brasil, é composta por conservadores. E eles em sua imensa maioria não são direitistas.

Mesmo os conservadores trazem contradições que chocariam nossas esquerdas: Edmund Burke, bretão pai do conceito de conservadorismo, era dito conservador porque se opunha à Revolução Francesa (mas defendia com unhas e dentes a Revolução Americana, para o arrepio das nossas esquerdas…)

A corrupção da nossa linguagem, tocada sobretudo pelo PT, ensina que conservadores são em essência direitistas vorazes.

Vendem nossos conservadores como se fossem caudilhos golpistas. Caudilho é outra coisa: se vende como semi-deus, seja de direita ou de esquerda. E sempre fica no poder num tempo dilatado além da conta, que arrepia as constituições e os pleitos diretos.

Aqui se vende também que, por exemplo, que Winston Churchill, Ronald Reagan e Margaret Thatcher eram direitistas. Não, eram apenas conservadores.

A política “reaganomics”, nos anos 80, visava taxar mais o salário de quem ganha menos: porque, dizia Reagan, quem usa mais serviços públicos é quem ganha menos: por isso deve pagar mais ao estado (na sua última semana de governo, Reagan disse ao “The New York Times” que “os mendigos fizeram uma opção ao ter esse tipo de vida”…)

Thatcher implantou em 1989 o Poll Tax, ou imposto comunitário, impondo a mesma taxa, a ser cobrada igualmente fosse do rico, fosse do pobre (ninguém pagava imposto  calculado de acordo com o valor dos imóveis que dispunha, com o é o nosso IPTU).

Isso é ser conservador. Não é ser de direita.

Mas é óbvio que toda essa discussão não interessa aos filhos do mundo bipolar.

O PT não quer um mundo heteropolar. E ponto final…*

(*) Blog do  

PETROGATUNAGEM

Ação da Petrobras vale menos que o panetone

As ações da Petrobras voltaram a cairno pregão desta sexta-feira. Os papéis ordinários, com direito a voto, recuaram 6,66%. Os preferenciais, 6,56%. Lipoaspiradas, as ações ON foram cotadas novamente abaixo dos R$ 10, estacionando em R$ 9,85. Não dá para comprar um panetone de frutas. De acordo com o site buscapé, o preço de um panetone da marca Visconti varia de R$ 10,79 a R$ 13,29. Se for Bauducco, vai de R$ 19,95 até 29,99.

Deve-se o recuo às más notícias que fluem da maior estatal brasileira como vazamento de petróleo em alto mar. Depois de certo estágio, é difícil deter a mancha. Na noite de terça-feira, a agência de classificação de risco Moody’s informou que submete a nota da Petrobras a uma reavaliação. Pode rebaixá-la. Passado o feriado do Natal, a notícia ecoou negativamente na Bovespa.

Há quatro dias, instada a comentar a petrorroubalheira que fez da Petrobras um caso de polícia, Dilma Rousseff disse, em entrevista, que a estatal, do ponto de vista da produção, “vai bem, obrigada”. Informou que Graça Foster fica no comando. E acrescentou: “Trabalhamos com o seguinte fato: uma luta incansável para não rebaixarem a nota” da companhia. Ficou a impressão de que, nessa luta, o acionista da Petrobras entra com a cara.

– Aqui, mais detalhes sobre o papelório da Petrobras.*

(*) Blog do Josias de Souza

“NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS”…

A crise moral em termos

Saber que as empreiteiras serão julgadas com mais rigor e que há poderosos empresários vendo o sol nascer quadrado em celas de presos comuns pode não ser tudo, mas faz de 2014 um ano não de todo ruim

Policiais federais conduzem os onze presos detidos na operação Lava Jato. A maioria dos envolvidos são diretores de grandes empreiteiras (Foto: Michel Filho / Agência O Globo)

Policiais federais conduzem os onze presos detidos na operação Lava Jato. A maioria dos envolvidos são diretores de grandes empreiteiras

Na enquete que a coluna de Ancelmo Gois fez junto a “15 coleguinhas da casa” para saber o que pediriam a Papai Noel, dez respostas tinham a ver com corrupção, o tema que de fato predominou no noticiário e no vocabulário político de 2014.

Houve quem pedisse como antídoto “vergonha na cara dos homens públicos”, houve quem quisesse o fim do petróleo, a estatização da Petrobras, uma faxina geral, um Poder Judiciário fazendo sua parte. Esse talvez tenha sido mesmo o maior vexame nacional.

Pode-se alegar que a derrota de 7 x 1 para a Alemanha feriu a autoestima da população mais do que o petrolão. Sim, mas no caso há sempre a desculpa de que foi um acidente, um acaso infeliz que dificilmente se repetiria, enquanto o que ocorreu com a nossa estatal, orgulho nacional, não foi um surto passageiro, mas a manifestação de um mal endêmico, enraizado.

Não se pode esquecer também o baixo nível da campanha eleitoral, com os xingamentos e as “desconstruções”, um eufemismo para o processo de desmoralização do adversário.

Duas outras expressões frequentaram o repertório político do ano: “Lava-Jato” e “Delação premiada”. A primeira deu nome à operação de limpeza cujo único erro está no título, pois a inspiração não é “lava jato”, e sim “lava a jato”. A outra traz consigo uma inversão semântica, já que delator sempre foi uma figura desprezível na História, desde Calabar, e no mundo do crime sob a forma de “X-9” e alcaguete. Entre os traficantes, o “X-9”, quando descoberto, é “julgado”, torturado e sumariamente executado.

A Operação Lava-Jato redimiu a figura do delator, que com suas traições destampou os dutos da petroleira por onde corria, em vez de óleo, lama. Paulo Roberto Costa possibilitou a descoberta de tantos escândalos que corre o risco de sair como mocinho dessa história em que só parece haver vilões.

Mesmo Venina, que surgiu como heroína sem mácula num primeiro momento, hoje não é fácil encontrar quem bote a mão no fogo por ela, lançando a suposição de que sua motivação se deve a interesses contrariados ou não atendidos.

O perigo da delação premiada é estimular ladrões em potencial a achar que podem roubar bastante, guardar uma boa parte e, quando apanhados, entregar toda a quadrilha e diminuir sua pena. É claro que não é bem assim, mas alguns podem fazer essa leitura.

Os mais pessimistas apostam que em breve os colarinhos brancos estarão soltos ou em prisão domiciliar. Mas só saber que as empreiteiras serão julgadas com mais rigor e que há poderosos empresários vendo o sol nascer quadrado em celas de presos comuns pode não ser tudo, mas faz de 2014 um ano não de todo ruim.*

(*) Zuenir Ventura, O Globo

 

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Temida, Dilma é. Querida?

Nem um pouco

Lula e sua turma começaram a se achar maltratados por Dilma na reforma do ministério. Foi por isso que ela adiou o anúncio de mais um pacote de ministros

000 - criança não mente

Dilma passará à história do Brasil como a primeira mulher a governá-lo – até aqui estamos todos de acordo. E como o presidente menos querido pelos políticos desde o fim da ditadura militar de 1964 – e aqui talvez haja discordância. Ou não? Aos fatos.

Sarney (1985 a 1989) foi um presidente fraco, mas que se deu bem com políticos de todos os matizes. Herdou um governo montado pelo presidente Tancredo Neves, que morreu sem tomar posse.

Tão logo pôde montou o seu. Loteou-o para não correr o risco de ser deposto. E sob esse aspecto foi bem-sucedido.

Fernando Collor se elegeu fazendo de conta que não dava bola para os políticos. Que não era um deles – quando de fato era.

Ameaçado de ser deposto por causa de corrupção no governo, cedeu às pressões dos partidos e entregou todos os cargos disponíveis. Só caiu porque perdeu o apoio da opinião pública.

Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula souberam lidar com os partidos amigos e adversários. Compartilharam o poder com eles.

E cultivaram os políticos que eram grandes eleitores dentro do Congresso. Afinal, nem só de cargos vivem os políticos, mas também de atenção e carinho.

Dilma é um caso à parte – e isso nada tem a ver com o fato de ser mulher. Ela faz questão de se manter ostensivamente afastada dos políticos.

Não disfarça a ojeriza que tem por eles. Sente-se superior a todos. E faz questão de deixar isso muito claro. É temida. Mas amada, jamais.

Gustavo Uribe e Paulo Gama, repórteres do jornal “Folha de São Paulo”, se debruçaram sobre dados coletados pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

E conferiram o que muitos intuíam: com Dilma, aumenta a infidelidade da base de apoio ao governo na Câmara dos Deputados.

Este ano, em 34% das vezes, os deputados governistas votaram contra propostas encaminhadas à Câmara por Dilma. Ou patrocinadas por ela.

Nenhum presidente, de 1989 para cá quando o primeiro deles foi eleito pelo voto popular, contou com uma base de apoio tão indisciplinada.

Ex-presidentes que enfrentaram sérias crises políticas tiveram mais apoio na Câmara do que Dilma.

Foi o caso, por exemplo, de Fernando Collor. Em 1992, ano em que foi deposto, a taxa de fidelidade de sua bancada na Câmara atingiu 92%. A de Lula, em 2005, ano do mensalão, foi de 79%.

Dilma só perdeu apoio dentro da Câmara desde o primeiro ano do seu governo. Em 2011, 89% de um total de 513 deputados fizeram tudo o que ela quis.

Em 2012, 76%. No ano seguinte, 74%. E este ano, 66%. No ano passado, o aliado de Dilma mais infiel foi o PP, dono do Ministério de Cidades, um dos mais ricos. Votou com o governo 46% das vezes.

O mais fiel, naturalmente, foi o PT com 91%. A taxa de fidelidade do PMDB foi de 54%.

O PMDB tem cinco ministérios. Ganhará mais um no segundo governo Dilma. O PT perderá ministérios. Já perdeu o da Fazenda e o da Educação.

Lula e sua turma começaram a se achar maltratados por Dilma na reforma do ministério. Foi por isso que ela adiou o anúncio de mais um pacote de ministros.*

(*) Blog do Noblat

ONDE ESTÁ O MEU?

PRESENTES QUE PAPAI NOEL DEIXOU

000 - por precaução...

Papai Noel veio direto do Pólo Norte para Brasília, na noite de quarta para quinta-feira. Só abandonou o trenó quando ia sobrevoar o palácio da Alvorada, preferindo   trocá-lo por um tanque de guerra: preparou-se para receber os petardos que Dilma  costuma arremessar sobre auxiliares, integrantes de sua base parlamentar e quantos buscam instruções a respeito de como ajudá-la a governar. Por conta da Babel em que se transformou a atual administração, deixou como presente um sofisticado telefone celular, daqueles capazes de traduzir idiomas variados para os interlocutores. O aparelho evitará o constrangimento de a presidente  não falar a mesma língua de seus ministros, prevenindo desentendimentos e conflitos no segundo mandato.

No palácio do Jaburu, morada do vice-presidente Michel Temer, precisou descer para conter a multidão de filiados ao PMDB,  cobrando mais vagas no ministério.

O velhinho passou sobre o Congresso, levando lembranças para deputados e senadores, mas frustrou-se ao verificar que não havia um só deles nas amplas dependências. Deixou   na portaria exemplares do manual de sobrevivência na selva, endereçados aos novos parlamentares. Despachou cópias do Código Penal, pelo Sedex, para serem entregues no começo de 2015 na penitenciária da Papuda, aos integrantes da lista do procurador-geral da República, que lhe havia enviado dias antes. Nos escritórios da Petrobrás e nas representações das principais empreiteiras, preferiu deixar catálogos com instruções sobre como dormir no chão em celas superlotadas.

Na Esplanada dos Ministérios, distribuiu montes de caixas de Lexotan para quantos atuais ministros se encontram à beira de um ataque de nervos, ainda sem saber se continuam ou serão mandados embora.

No pátio do Supremo Tribunal Federal espalhou fotografias do ex-ministro Joaquim Barbosa com os dizeres “ele voltará!”. Como o atual presidente Ricardo Lewandowski estava de plantão, preferiu colocar em sua antessala um tratado sobre a arte de enxugar gelo e ensacar fumaça.

Tentou aproximar-se do palácio do governador de Brasília e não conseguiu, tendo em vista monumental e permanente caos no trânsito. A festa foi para suas renas, que comeram capim à vontade, crescido  nos jardins e à beira das avenidas. O jeito foi presentear Agnelo Queirós com uma tesoura de cortar grama.

Passando pelo monumental e abandonado estádio “Mané Garrincha”, fez cair no gramado sacos de sementes de trigo e soja, sua contribuição para recuperar o agronegócio na capital federal. Sobre o Lago Paranoá depositou uma canoa em cujo casco estava escrito: “Nova Sede do Ministério da Pesca”.

Papai Noel deixou Brasília no meio da madrugada com uma indagação: a cidade ainda estará aqui no próximo Natal?*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet