POBRE BRASIL

“Greta Garbo, quem diria”…

…Vamos pôr Deus entre parênteses e enfrentar sozinhos o desafio pela frente. O mundo moderno é precisamente marcado por esta realidade: estamos sós e somos nós os responsáveis pelo nosso caminho. Também por isso os radicais islâmicos nos combatem…

000 - Ela avisou que ia fazer o diabo.... e fez
Na última semana fui a Santa Catarina para documentário sobre a morte do surfista Ricardo dos Santos, assassinado com dois tiros nas costas por um soldado da PM embriagado. Constatei que o soldado respondeu a quatro inquéritos, um por tortura. O Ministério Público pediu sua retirada das ruas. Ele não só continuava trabalhando normalmente, como usava a arma oficial, uma ponto 40. Tentei falar com o governador Raimundo Colombo e com o comandante da PM, eles se esquivaram. Não foram ao enterro, não viram a família, só se eclipsaram.

Por que as pessoas do governo não dão as caras nessas circunstâncias? Ao fazer essa pergunta, lembrei-me de Dilma, que também se refugiou no Palácio do Planalto e não apareceu para falar francamente das medidas econômicas e da crise hídrica que já atinge 45 milhões de brasileiros. Nem mesmo para nos consolar pela situação energética (é uma especialista) e dizer quais são os rumos do País nesse campo. Dilma, na sua fase Greta Garbo, quem diria, acabou no Planalto Central.

Não me estou referindo a essas aparições programadas, com blindagem à prova de perguntas elementares. Com os ministros, foi como se aparecesse de chapéu e óculos escuros, se escondendo. Era preciso não apresentar como sua a nova política econômica. Era preciso explicar por que não a mencionou na campanha. Ao contrário, atribuiu as medidas de austeridade aos adversários, caracterizando-as como um saco de maldades.

Sabe-se ainda que o governo pretendia mudar as regras de seguro-desemprego e pensões de viúvas antes das eleições. Mas não teve coragem de mencioná-las. De novo, atribuiu aos adversários conservadores e neoliberais que não gostam dos pobres.
… “É no processo eleitoral que encontramos algumas respostas para o descolamento da esfera do governo, permitindo que a presidente paire no limbo dos corredores do palácio enquanto o País espera respostas urgentes. Numa campanha comandada pelo marketing, o governo criou uma novela de quinta categoria em que a heroína, Coração Valente, enfrentava banqueiros que tiravam a comida da mesa dos pobres. Em 2018, criam outro script e, assim, esperam, vencem as eleições de novo. A propósito: o roteirista que imaginou Lula vestido de laranja na frente da Petrobrás deveria ser mandado para a Sibéria”…
Ainda na Guarda do Embaú, no pé da Serra do Tabuleiro, navegando no Rio da Madre, tentei me colocar a pergunta essencial para mim: por que a esfera da política se descolou da sociedade e os governantes não se sentem responsáveis em reconhecer erros, apontar rumos?

À noite vi pela TV o ministro de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, numa mesa-redonda em Davos defender a política de Dilma. Segundo ele, o País retomou o caminho do meio, entre consumo e investimento, é um movimento normal. O que acontece, na verdade, é o fracasso de uma política econômica que, em certos casos, como o da energia, estimulou o aumento de consumo de forma equivocada, econômica e socialmente.

É no processo eleitoral que encontramos algumas respostas para o descolamento da esfera do governo, permitindo que a presidente paire no limbo dos corredores do palácio enquanto o País espera respostas urgentes. Numa campanha comandada pelo marketing, o governo criou uma novela de quinta categoria em que a heroína, Coração Valente, enfrentava banqueiros que tiravam a comida da mesa dos pobres. Em 2018, criam outro script e, assim, esperam, vencem as eleições de novo. A propósito: o roteirista que imaginou Lula vestido de laranja na frente da Petrobrás deveria ser mandado para a Sibéria.

É simplesmente impossível que Dilma não apareça para comentar a questão da água. Vamos passar tempos difíceis, precisamos de uma política, de curto e de longo prazos, para equacionar o uso desse recurso, muitas vezes mais valioso que o petróleo. Isso se não nos detivermos só no preço do litro, embora em muitos pontos do País o litro da água mineral bata o petróleo também nesse quesito.

É possível que Dilma esteja esperando o fim da temporada das chuvas. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que contava com Deus, que é brasileiro. Deus está vivo e bem em São Gabriel da Cachoeira, usa barba, camisa vermelha e aceita uma graninha. Vamos pôr Deus entre parênteses e enfrentar sozinhos o desafio pela frente. O mundo moderno é precisamente marcado por esta realidade: estamos sós e somos nós os responsáveis pelo nosso caminho. Também por isso os radicais islâmicos nos combatem.

De que adianta argumentar se as esferas se descolaram, o universo da política se tornou opaco e inalcançável? A única saída é recolher as evidências que possam ser um antídoto para o enredo da próxima novela, em 2018.

Nas eleições de 2008 já era um tema importante o registro no tribunal eleitoral do programa de governo. Por esse processo era possível qualificar o estelionato eleitoral. O problema é que os candidatos registram qualquer coisa, às vezes nem registram com antecedência, o que impossibilita o debate.

Uma grande fonte de financiamento, os desvios na Petrobrás, deve secar. Certamente a corrupção vai buscar novas brechas, mas a tendência é um enxugamento das campanhas milionárias. É apenas mais uma das chances que o Brasil tem de se livrar da presença calamitosa do PT, evitar que as campanhas políticas se transformem em panfletos de quinta categoria.

Segunda-feira a oposição volta do recesso. É um verão quente, mas ela devia ter-se reunido mais, falado mais, cobrado mais. Enfim, tudo mais, como nos versos da canção popular. Ainda tem uma chance de desmontar peça por peça a novela marqueteira. Isso será pedagógico.

Por que a Coração Valente apareceu para os ministros, e não para nós, pagadores de impostos, desempregados, os que têm pouca ou nenhuma água, os que acendem vela nos apagões? Dilma prometeu que não haveria mais apagões. Mas já houve um na energia. Há outro, pois o modelo Greta Garbo é, na verdade, um apagão no diálogo com a sociedade.

Tudo isso ocorre num processo crescente de violência nas grandes e médias cidades e até em balneários para descanso e relaxamento. Onde está mesmo aquele plano de integração dos órgãos de segurança, todos conectados, todos online, sabendo até a cor do sapato do assaltante? No Rio, 14 pessoas foram alvejadas por balas perdidas, duas crianças morreram. Todo esse aparato foi comprado para Copa do Mundo e Olimpíada. Por que não funciona, por que a insistência na desconexão, diante de um cenário tão complexo?

Governantes são de Marte. O pouco que sei dos habitantes desse planeta: costumam ser sensíveis ao cheiro de fumaça e acionam o instinto de sobrevivência, desde que devidamente estimulados.*

(*) Fernando Gabeira, Estadão

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

FRASES

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Do jornalista Vitor Vieira:

– Olha aí o Brasil de Dilma: luz, só no fim do túnel.

Do jornalista José Luiz Teixeira:

– Depois dos ministros escolhidos e das medidas econômicas adotadas, o governo federal já está até falando tucanês. O apagão foi explicado como “restrição na transferência de energia”*

(*) Citados por Carlos Brickmann para o Observatório da Imprensa

ELE VAI ABRIR O BICO?

Quebra do sigilo de Gabrielli ameaça afogar o filhote de Lula no naufrágio que pilotou

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Em 2005, o então presidente Lula assumiu orgulhosamente a paternidade de uma genuína ideia de jerico: instalar José Sérgio Gabrielli no comando da Petrobras. Como registrou o post de 2014  reproduzido na seção Vale Reprise, o palanque ambulante desdenhou dos que discordaram da escolha desastrosa: “Não faltaram pessoas que me diziam assim: o mercado não vai gostar, o mercado vai reagir, é melhor deixar quem está lá”, gabou-se o recordista sul-americano de bravata & bazófia. “Como eu não tenho nenhuma relação de amizade com o mercado, resolvi indicar quem eu queria”.

Quem ele queria era o companheiro baiano que, nesta quarta-feira, teve quebrado o sigilo bancário e fiscal de Gabrielli. Até agora, o piloto do naufrágio vinha escapando do mar de corrupção agarrado a ameaças veladas. Caso sentisse a aproximação do afogamento, avisou, afundaria atirando. Convém a Lula rezar para que o afilhado preze o sentimento de gratidão e não esqueça os favores devidos ao padrinho. Se contar tudo o que sabe, o Brasil saberá que Gabrielli virou presidente da empresa devastada pela ladroagem não pela desobediência às leis do mercado, mas pela obediência cega ao chefão que trata a lei a pontapés.*

(*) Blog do Augusto Nunes

A GRANDE FARSA

Pernada de anão de Dilma era crônica anunciada, mas o PT não lê Marx direito

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Karl Marx falou como ninguém no conceito de alienação. Acabou com o blá-blá-blá de Hegel, Bauer, Fichte, da Teologia Negativa (S. Cirilo, S. Paulo, S. João Escoto Erígena) de que era algo deífico. Em suma: a única alienação é a das coisas que se perdem de nós. Materialmente.Muito escritor de direita, notava Marx, tinha obras geniais, libertárias (ele amava o conservador Balzac). Simplesmente porque a obra de desprende, se aliena do próprio autor: o monstro vira algo diverso de seu criador.

Pois bem: de uma semana para cá o Brasil vem sido surpreendido por petistas, progressistas, e o escambau a quatro, que propõem uma guerra técnica contra Dilma. Joaquim Levy, estabelecem, é um candiru (aquele peixe amazônico que penetra buracos humanos ao banho lacustre…) que vai sugar as entranhas do trabalhador em prol de um  mercado curvado ante às austeridades bancárias.

 

Uai: esse pessoal não leu Marx?

Simples: o projeto de Brasil de Dilma se alienou das promessas sustentadas nas eleições. As eleições elas mesmas, deveriam saber, já eram algo alienado, destacado do que é a Dilma 4G de agora.

Eleição é algo alienado do que o candidato é.

Eleição é outra coisa.

Promessa eleitoral é Papai Noel: todo mundo conhece. Mas na prática não existe.

Marx e Engels escreveram muito sobre isso.

Marx e Engels viram o nascimento do Partido dos Trabalhadores na Alemanha, o Partido Social – Democrata (SPD) em 1875. Com as promessas do SPD não cumpridas, Marx e Engels escreveram carta aos líderes do SPD,. Estavam muito “pês” da vida, face o não-cumprimento dass promessas de campanha. E, na carta ,perguntavam se o partido não tinha sido “infectado com doenças parlamentares, acreditando que, com o voto popular, o Espírito Santo é derramado sobre os eleitos.”

Avisavam desde então que eleição de aliena do que o candidato é: e este se aliena das promessas de campanha. Dialético, não?

Eis o que o “Espírito Santo” de Dilma criticou nas eleições, em Marina, e hoje reza pelo mesmo missal:

 

 

10 setembro de 2014

 

A presidente Dilma Rousseff ampliou ontem os ataques à sua principal rival na corrida presidencial, a ex-senadora Marina Silva (PSB), acusando-a de querer “entregar aos banqueiros” a condução da política econômica se for eleita.

Num comercial de 30 segundos veiculado na televisão, a campanha petista atacou a proposta de Marina de garantir em lei a autonomia do Banco Central para combater a inflação, dando mandatos fixos a seus dirigentes.

“Ou seja, os bancos assumem um poder que é do presidente e do Congresso, eleitos pelo povo. Você quer dar a eles esse poder?”, pergunta o locutor do comercial, que a seguir mostra uma família que fica sem ter o que comer.

 

11 de setembro de 2014

As duas principais candidatas à presidência da República – Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) – são destaque nos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo nesta quarta-feira (10) após trocarem farpas sobre a condução econômica do país. Dilma subiu o tom das críticas à adversária ao sugerir  submissão da representante do PSB aos bancos, numa referência à parceria da pessebista com a herdeira do Banco Itaú, Maria Alice Setúbal, coordenadora de seu programa de governo, que tem a autonomia do Banco Central (BC) entre as propostas.

Em comercial veiculado na TV, Dilma diz que a autonomia do BC proposta por Marina entregaria o poder político do país aos bancos.  “Ou seja, os bancos assumem um poder que é do presidente e do Congresso, eleitos pelo povo. Você quer dar a eles esse poder?”, questiona o locutor do comercial, que a seguir mostra uma família que fica sem ter o que comer.

 

12 de setembro de 2014

A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, respondeu às críticas feitas por sua adversária Marina Silva (PSB), que afirmou que “nunca os banqueiros ganharam tanto” como no atual governo.

A ex-ministra ainda acusou o governo de distribuir “bolsa banqueiro” para o setor.

Na resposta, Dilma se referiu indiretamente ao Banco Itaú e a Neca Setúbal, herdeira da instituição financeira coordenadora e uma das doadoras da campanha da pessebista.

A presidente defendeu que o Banco Central já é autônomo. “Não adianta querer falar que eu fiz bolsa banqueiro. Eu não tenho banqueiro me apoiando e me sustentando”, atacou Dilma conforme o jornal O Globo.*

(*) Blog do  

A GERENTONA DO ENGODO

Um Levy na Petrobras

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Conselheiros da presidente, gente próxima de Dilma Rousseff, até ministros, diziam ontem que Graça Foster não teria mais condições de continuar na presidência da Petrobras. Graça estaria “por um fio, mas o fio está na mão da presidente”.

A nova barafunda em torno da troca do comando da Petrobras, óbvio, se deve à incapacidade da empresa de apresentar balanço que não seja fajuto, que não superavalie ativos.

Gente do governo dizia ontem que apenas no balanço do quarto trimestre, previsto para abril, apareceria uma conta razoável dos valores perdidos com corrupção direta, superfaturamentos, estouros de orçamentos etc. Até agora, a empresa não sabe bem como fazer tal conta. Os atuais integrantes do conselho divergem sobre métodos e, enfim, temem entrar numa fria ainda maior de reputação ou mesmo em rolos legais se assinaram papéis que acabem na Justiça.

Se Dilma banca a permanência de Graça, qual a novidade? Ou seja, ontem ou no mês passado, Graça estaria onde sempre esteve, sob a guarda de Dilma. As possíveis novidades seriam, segundo essas gentes do governo:

1) Mais ninguém de relevância no governo apoia a permanência de Graça, embora quase ninguém atribua a “culpa” da crise à executiva;

2) “Nomes top do mercado”, cotados para assumir postos na direção ou no conselho da empresa, estão ainda mais relutantes de aceitar o convite. Não apenas porque não querem receber a batata quente e envenenada do balanço, mas porque veem dificuldades de modificar os rumos da administração da petroleira. “A gente precisa de uma espécie de Joaquim Levy na Petrobras. Mas o Levy da Petrobras ainda é a Dilma”, diz um “nome top”.

Sem renovar o conselho da empresa, fica ainda mais prejudicada a estratégia de Dilma de passar um verniz na empresa sem alterar as grandes linhas da política do governo para a empresa (gastos excessivos com conteúdo nacional, participação talvez inviável nos futuro e ora improváveis leilões de exploração do pré-sal etc.).

Estas e outras intervenções do governo, além de gastos excessivos e descumprimento de metas de faturamento, multiplicaram o endividamento relativo da empresa por quase cinco entre 2010 e 2014 (trata-se aqui da relação dívida líquida e Ebitda ajustado).

Sem balanço completo, entre outros muitos problemas, a empresa se arrasta administrativa e perde crédito. Apesar das promessas de cortes de investimentos, de despesas e de venda de ativos, ainda há enormes dúvidas a respeito de como a empresa vai se financiar neste ano (vai precisar do BNDES? De aumento de capital bancado pelo Tesouro).

O nome da crise não é Graça Foster. A simples remoção da executiva também não melhora em nada a reputação ou o estado da empresa. A nomeação de outra diretoria, no entanto, poderia significar uma rendição de Dilma à realidade de que a Petrobras precisa de uma reorientação tão grande quanto a que ocorre agora com a política econômica, sob Joaquim Levy. Essa discussão está aberta, ao menos fora do governo, desde novembro. A novidade agora, ressalte-se, é que muita gente relevante no governo acredita que, sem mudança da diretoria, não irá adiante nem mesmo o insuficiente plano Dilma de recuperar a empresa.*

(*) Vinicius Torres Freire – Folha de São Paulo

VERGONHA MUNDIAL

Dividendo pode ser suspenso em caso de ‘estresse financeiro’, diz Petrobras

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O diretor da Petrobras, Almir Barbassa, afirmou, nesta quinta-feira (29), que o não pagamento de dividendos a acionistas é uma “alternativa que poderá ser considerada, dependendo da avaliação da situação financeira da companhia”. Segundo ele, porém, a hipótese ainda não está “colocada”.

Barbassa lembrou que a lei prevê uma remuneração mínima aos donos de ações preferenciais, com a garantia de distribuição de 25% dos lucros.

“Entretanto, há uma possibilidade que não está sendo neste momento ainda colocada, mas poderá sê-lo. Trata-se de uma situação que, se julgada na Lei das S.A., na situação de estresse financeiro, há possibilidade de não pagamento”.

Barbassa participa de conferência com analistas de mercado conduzida pela presidente da Petrobras, Graça Foster, na sede da empresa, neste momento, no Rio.*

(*) SAMANTHA LIMA – LUCAS VETTORAZZO – FOLHA DE SÃO PAULO

E OS CULPADOS, HEIM?

Lucro da Petrobras cai 38% no 3º tri; balanço não traz perdas com desvios

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A Petrobras divulgou na madrugada desta quarta-feira (28), após dois adiamentos, o balanço com os resultados do empresa no terceiro trimestre de 2014. A estatal viu seu lucro despencar 38% no período, em comparação com o trimestre anterior, de R$ 4,9 bilhões para R$ 3,1 bilhões. Em relação ao terceiro trimestre de 2013, o lucro caiu 9%.

O valor, contudo, não contabiliza o dinheiro perdido em desvios investigados na Operação Lava Jato e nem a perda de valor recuperável de alguns de seus ativos por efeito do escândalo de corrupção. A companhia atrasou o balanço desde 14 de novembro justamente para a realização de tal ajuste.

As ações da petroleira repercutem negativamente os números na BM&FBovespa. Os papéis preferenciais, mais negociados e sem direito a voto,despencavam 10,12%, às 13h42 (de Brasília), para R$ 9,14 cada um. Já os ordinários, com direito a voto, tinham desvalorização de 9,33%, para R$ 8,74. Mais cedo, ambos chegaram a cair até 12% cada um.

A estatal afirma em balanço que a metodologia que adotou para descontar o valor incorporado indevidamente como investimento, mas desviado em esquema de corrupção entre 2004 e 2012, mostrou-se “inadequada” e, por isso, recuou da promessa de subtrair o valor de seus ativos. A fórmula, diz a Petrobras, tinha “elementos que não teria relação direta com pagamentos indevidos”.

Em comunicado divulgado com o balanço, a presidente da companhia, Maria das Graças Foster, reconhece a necessidade de ajustes, mas diz que é “impraticável a exata quantificação destes valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da Companhia.”

No documento, Foster disse que a fórmula criada, e posteriormente desprezada, apontava a necessidade de ajuste de R$ 88,6 bilhões em seus ativos, baixa que incluiria os custos atribuídos à corrupção, além de falhas e contingências nos projetos, dentre outros.

DECISÃO

A decisão de não aplicar a fórmula foi tomada após reunião do conselho de administração da empresa durante toda a terça-feira, em que as inconsistências foram apontadas. A estatal diz que vai “aprofundar” outra metodologia, pedindo informações à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e sua equivalente americana SEC (Securities and Exchange Commission).

Segundo as normas contábeis, os valores que a empresa decidir lançar como perda, quando o fizer, serão abatidos dos ativos. Parte dele, ainda impossível de definir, será lançada como despesa no trimestre em que ocorrer, jogando o lucro do período para baixo.

Como a Petrobras não fez o ajuste prometido, a empresa alerta que os números serão passíveis de revisão. O comunicado diz que a fórmula adotada ia realizar um ajuste “composto de diversas parcelas de natureza diferente, impossíveis de serem quantificadas individualmente”, como câmbio, projeções de preços e margens de insumos e de produtos vendidos, entre outros.

Lula Marques – 29.dez.2010/Folhapress
Ex-presidente Lula em cerimônia lançamento da pedra fundamental para a instalação Premium 2, em 2010
Ex-presidente Lula em cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Premium 2, em 2010

SEM AVAL

O balanço auditado deveria ter sido apresentado até 14 de novembro de 2014, mas não recebeu o aval da empresa de auditoria PwC(PricewaterhouseCoopers) –a legislação do mercado de capitais exige essa auditoria.

Depoimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar, fez a PwC se recusar a assinar o documento até que o efeito da corrupção nos negócios da estatal fosse conhecido e eliminado.

Com isso, a Petrobras se viu obrigada a reavaliar os ativos construídos pelas empreiteiras denunciadas por Costa e, desde dezembro, impedidas de fechar contratos com a estatal.

O balanço apresentado nesta quarta não atende à lei, mas atende a exigência de credores de parte de sua dívida, que, por contrato, poderiam exigir o vencimento antecipado dos débitos em 30 de janeiro, caso não tivesse um balanço, ainda que não auditado.

DESPESAS

A empresa atribui a queda do lucro no 3º trimestre às “maiores despesas operacionais, principalmente pela baixa dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I e Premium II [no Maranhão e no Ceará]”, estimadas em R$ 2,7 bilhões.

O documento aponta ainda perdas com PIS/Cofins recolhido indevidamente entre 1999 e 2002. Ao todo, a despesa financeira líquida da Petrobras no trimestre foi de R$ 972 milhões, R$ 32 milhões a mais do que no trimestre anterior.

O Ebitda, indicador de geração de caixa, caiu 28%, de R$ 16,246 bilhões para R$ 11,735 bilhões, entre o segundo e o terceiro trimestre de 2014. No último trimestre de 2013, o lucro havia sido de R$ 7,69 bilhões.

O indicador dívida/Ebitda, um dos considerados pelo mercado para avaliar o nível de endividamento, cresceu entre o segundo e o terceiro trimestre, de 3,92 para 4,63.

A meta de Graça Foster era reduzi-lo para 2,5 até 2015, indicador considerado pelas agências de classificação de risco para manter uma empresa como “grau de investimento”. Companhias com tal classificação pagam menos juros ao mercado quando precisam captar dinheiro.

PREJUÍZO

Dos sete segmentos de negócio da Petrobras, seis tiveram prejuízo operacional. O ramo de Abastecimento da companhia registrou piora ante o segundo trimestre do ano, com perda de R$ 5,180 bilhões, contra R$ 3,883 bilhões no período anterior. No ano, o resultado desfavorável já contabiliza R$ 13,871 bilhões.

Já o ramo de Gás & Energia da estatal registrou no terceiro trimestre prejuízo de R$ 271 milhões, ante um lucro de R$ 702 milhões no segundo trimestre. No acumulado do ano, o segmento registrou um saldo positivo de R$ 946, ante R$ 1,262 bilhão em 2013.

Já o ramo de biocombustíveis da estatal ampliou as perdas de R$ 66 milhões no segundo trimestre para R$ 89 milhões no período subsequente.

O segmento de Exploração & Produção foi o único a registrar saldo positivo, com lucro líquido de R$ 10,131 bilhão. O resultado, no entanto, é 6% menor do que o registrado no trimestre anterior, de R$ 10,793. No ano, o segmento registra lucro líquido de R$ 31,578 bilhões. *

(*) SAMANTHA LIMA – FOLHA DE SÃO PAULO

BRAZIL…ZIL…ZIL…

Diz que vai, vai, vai

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O ditador italiano Benito Mussolini não disse exatamente essa frase, mas é como se tivesse dito: ser ministro de Dilma não é difícil, é apenas inútil.

Dilma ainda nem havia reunido o Ministério e já tinha forçado seu homem de confiança, o ministro do Planejamento Nelson Barbosa, a recuar na questão do aumento do mínimo; e, em seguida, deixou claro que as posições da estrela de seu Governo, o ministro da Fazenda Joaquim Levy, não são as que vai adotar. Acha que ele foi infeliz ao dizer que o seguro-desemprego no Brasil está ultrapassado. Quem manda é ela, só ela, que neste mandato não obedece nem a Lula.

As normas anunciadas por Levy para o seguro-desemprego (cujo custo se multiplicou, enquanto o Governo jurava que o desemprego nunca foi tão baixo) e o seguro-defeso (se o Brasil tivesse tantos pescadores quanto os que recebem o seguro-defeso, pago durante o período em que a pesca é proibida, estaríamos nadando em peixe), visavam uma economia anual de R$ 18 bilhões. O primeiro a atacá-lo foi um colega de Ministério, Miguel Rossetto, secretário-geral da Presidência, dilmista desde criancinha. Só diz, e com alegria, o que Dilma determina.

Certo, ser ministro tem suas vantagens: carro com chapa de bronze, motorista, jatinho, gente que vai à frente abrindo as maçanetas. O problema é que os parceiros internacionais não querem saber se o ministro tem direito a pompas, nem se é um sábio: querem saber se podem confiar em suas palavras. Se não puderem, irão ouvi-lo só por gentileza. E lhe darão menos atenção do que Dilma lhe dá.

Quebra-cabeças

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Uma coisa é certa: aquele partido unido, fechado, em que os discordantes saíam por falta de espaço, está agora dividido. E dividido publicamente. Quem poderia imaginar, hoje, uma reconciliação entre Marta e Mercadante?

Ou um acerto de opiniões entre o trotskista Miguel Rossetto e o Chicago Boy Joaquim Levy?

Opinião crítica

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Do jornalista Janio de Freitas, da Folha de S.Paulo, cuja posição frequentemente coincide com a do PT: “O país não decidiu mudar. A maioria do eleitorado não apenas votou pela continuidade: rejeitou a política econômica proposta por Aécio e agora adotada por Dilma. Quem decidiu mudar foi Dilma Rousseff, e decidiu sozinha, em uma extravagância de poder contra a vontade das urnas”.

Contra-opinião

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Dilma mudou os ministros, mas até agora os obrigou a recuar mais de uma vez. Só se saberá se Dilma decidiu mudar quando disser o que quer.

Está difícil: faz uns 40 dias que a presidente está mais muda que torcedor do Brasil na Copa.

Marta x Dilma

Briga-de-mulher

Opinião de Marta, sobre o Governo de Dilma (do qual, aliás, fez parte até recentemente): “Se tudo ia bem, era necessário alguém para implementar ajustes e medidas tão duras e negadas na campanha? Nenhuma explicação”.

Opinião de briga

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Gilberto Carvalho, ex- secretário-geral da Presidência, ligadíssimo a Lula e nem tanto a Dilma, acha que é hora de lutar: “Tem uma central de inteligência disposta a fazer o ataque definitivo ao Partido dos Trabalhadores e nosso projeto popular. Não vamos subestimar a capacidade deles para nos criminalizar, nos identificar com o roubo, para nos chamar de ladrão, para tentar impingir em nós uma separação definitiva em relação à classe média, para tentar nos isolar e inviabilizar em 2018 a candidatura do Lula, seja politicamente, seja judicialmente.”

Os mistérios da vida

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Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, pediu ao juiz Sérgio Moro que arrolasse a presidente Dilma Rousseff como sua testemunha de defesa na ação penal que enfrenta no Paraná. Menos de três horas depois, Cerveró mudou de ideia: desistiu de pedir a convocação da presidente.

Que terá acontecido neste curto espaço de tempo para que Cerveró mudasse de opinião a respeito do arrolamento de Dilma? Segundo o advogado Edson Ribeiro, Cerveró lhe disse que este caso não passou pelo Conselho (que era presidido por Dilma), mas foi decidido diretamente pela Diretoria.

Ah, as armadilhas da memória! Pensar que menos de três horas antes Cerveró não tinha lembrado desse fato tão importante! Nem o tinha, até agora, contado a seu advogado!

Calma no Brasil

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Dilma está quieta, silenta. E toma decisões lentamenta, calmamenta. Em 30 de julho de 2014, há seis meses, o ministro Joaquim Barbosa deixou o Supremo Tribunal Federal (e já havia feito a comunicação à presidente em 29 de maio). Até hoje seu substituto não foi escolhido. Os processos que caberiam a seu substituto vão sendo distribuídos aos outros ministros, sobrecarregando-os. Se Dilma está conversando com aliados sobre o novo ministro, guarda sigilo total.

Sonho distante

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Lula sempre disse, enquanto presidente, que quando deixasse o poder realizaria seu sonho de voltar a cozinhar coelhos em seu sítio Los Fubangos, perto de São Bernardo do Campo, seu paraíso particular. Até agora isso não lhe foi possível.

Em homenagem ao ex-presidente, vamos torcer para que realize seu sonho.*

(*) Coluna Carlos Brickmann