APERTEM OS CINTOS – TECO SUMIU!

“Pátria Educadora” é só mais um escárnio produzido pelo cruzamento da cabeça baldia de Lula com o neurônio solitário de Dilma

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O ex-presidente Lula menospreza o estudo, odeia leitura e não sabe escrever. Acha que a acumulação de conhecimentos é coisa de granfino desocupado, nunca foi além da orelha de um livro e os quatro manuscritos que produziu em 60 anos avisam que, submetido a uma prova de redação do Enem, conseguiria a primeira nota abaixo de zero. Em nações civilizadas, seria obrigado a matricular-se num curso de alfabetização de adultos.

Como isto aqui é o Brasil, o Pai da Pátria Educadora coleciona diplomas de doutor honoris causa, já assinou dois prefácios, tornou-se colunista de jornal e subscreveu o acordo da reforma ortográfica. Compreensivelmente, os olhos orientados pela cabeça baldia viram em Dilma Rousseff uma sumidade que merecia ser a herdeira do maior dos governantes desde Tomé de Souza. E um poste de terninho virou presidente da República.

Dilma não lembra o título nem o nome do autor do livro que jura estar lendo (e adorando), exprime-se num dialeto indecifrável para quem fala português, produz frases sem pé nem cabeça em escala industrial e seu repertório vocabular não chega a mil palavras. Mas capricha na pose de Mãe da Pátria Educadora para não dizer nada de aproveitável sobre rigorosamente tudo.

Compreensivelmente, os olhos guiados pelo neurônio solitário enxergaram em Cid Gomes o enviado pela Divina Providência para dar um jeito no sistema de ensino público. O novo ministro da Educação tem tanta intimidade com o assunto quanto Lula com o grego antigo e Dilma com a física quântica. Até agora, sua mais profunda dissertação sobre ensino público foi registrada pelo vídeo gravado em 2011 que ilustra este post. Em menos de 40 segundos, o então governador do Ceará explicou por que rejeitara o reajuste salarial reivindicado por professores da rede estadual:

“Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado. É uma opinião minha que governador, prefeito, presidente,deputado, senador, vereador, médico, professor, policial devem entrar… ter como motivação para estar na vida pública amor, espírito público”, foi em frente. “Quem tá atrás de riqueza… de… de…de dinheiro deve procurar outro setor, não a vida pública”. 

A Pátria Educadora abriga mais de 13 milhões de analfabetos, um oceano de gente que impõe ao Brasil um desolador 8° lugar no ranking da ONU que mede a taxa de analfabetismo em 150 países. Outros 30 milhões de brasileiros não sabem escrever muito mais que o próprio nome. Metade dos alunos das universidades federais é desprovida de raciocínio lógico. Os alunos do 1° grau aprendem que falar errado está certo. Na prova de Redação do Enem, 500 mil estudantes foram estigmatizados com a nota zero.

Promovido a gerente de um sistema educacional em frangalhos, Cid Gomes engoliu sem engasgos o corte de verbas anunciado pela chefe quando ainda decorava o ramal da secretária. O ministro logo terá provado que, no império dos poderosos idiotas, o que está péssimo sempre pode piorar. “Pátria Educadora” não é slogan, nem lema, muito menos bandeira de governo. É só mais um escárnio parido pelo cruzamento da cabeça baldia de Lula com o neurônio solitário de Dilma. Haja cinismo.*

(*) Blog do Augusto Nunes

VACA TOSSIDEIRA

O diretor sumiu

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Se houvesse transparência na condução da economia no governo Dilma, ela não teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação

Tenho pensado muito sobre a delicadeza e a importância da transparência nos dias de hoje. Temos vivido crises de todos os tipos: crise econômica, política, moral, ética, hídrica, energética e institucional. Todas elas foram gestadas pela ausência de transparência, de confiança e de credibilidade.

Se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro. Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir.

Assim que a presidenta foi eleita, seu discurso de posse acompanhou o otimismo e reiterou os compromissos da campanha eleitoral: “Nem que a vaca tussa!”.

Havia uma grande expectativa a respeito do perfil da equipe econômica que a presidenta Dilma Rousseff escolheria. Sem nenhuma explicação, nomeia-se um ministro da Fazenda que agradaria ao mercado e à oposição. O simpatizante do PT não entende o porquê. Se tudo ia bem, era necessário alguém para implementar ajustes e medidas tão duras e negadas na campanha? Nenhuma explicação.

Imagina-se que a presidenta apoie o ministro da Fazenda e os demais integrantes da equipe econômica. É óbvio que ela sabe o tamanho das maldades que estão sendo implementadas para consertar a situação que, na realidade, não é nada rósea como foi apresentada na eleição. Mas não se tem certeza. Ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe. Depois silencia. A situação persiste sem clareza sobre o que pensa a presidenta.

Iniciam-se medidas de um processo doloroso de recuperação de um Brasil em crise. Até onde ela se propõe a ir? Até onde vai o apoio à equipe econômica?

Para desestabilizar mais um pouco a situação, a Fundação Perseu Abramo, do PT, critica as medidas anunciadas, o partido não apoia as decisões do governo e alguns deputados petistas vociferam contra elas. Parte da oposição, por receio de se identificar com a dureza das medidas, perde o rumo criticando o que antes preconizou.

O PT vive situação complexa, pois embarcou no circo de malabarismos econômicos, prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras, omitiu-se na apresentação de um projeto de nação para o país, mas agora está atarantado sob sérias denúncias de corrupção.

Nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança.

É o que o mercado tem vivido e, por isso, não investe. O empresariado percebe a situação e começa a desempregar. O povo, que não é bobo, desconfia e gasta menos para ver se entende para onde vai o Brasil e seu futuro.

Acrescentem-se a esse quadro a falta de energia e de água, o trânsito congestionado, os ônibus e metrôs entupidos, as ameaças de desemprego na família, a queda do poder aquisitivo, a violência crescente, o acesso à saúde longe de vista e as obrigações financeiras de começo de ano e o palco está pronto.

A peça se desenrola com enredo atrapalhado e incompreensível. O diretor sumiu.

MARTA SUPLICY é senadora pelo PT-SP. Foi prefeita de São Paulo (2001-2004), ministra do Turismo (2007-2008) e ministra da Cultura (2012-2014)

CÍRCULO DE FOGO

Presidência acorrentada

Tolerante, desde que as coisas sejam feitas do seu jeito, Dilma adotou a
receita do antigo PSD mineiro: primeiro se decide, depois faz-se a reunião

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Dilma Rousseff reúne hoje o Ministério e adiciona nova fotografia ao álbum da Presidência. Para a maioria, será uma chance de encontrar a chefe. É chegar, ver, ouvir e partir. Em silêncio.

Isso porque são 39 ministros. Se a cada um for permitido sintetizar seus planos em apenas dois minutos, Dilma será obrigada a escutá-los durante hora e meia. Sem intervalo.

Há casos piores. Pré-candidato pelo PMDB à sucessão de Dilma, em 2018, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, precisa de auditório para juntar as 64 pessoas do seu primeiro escalão. Se deixá-las falar por dois minutos, Paes vai passar mais de duas horas apenas escutando. Sem intervalo.

Tolerante, desde que as coisas sejam feitas do seu jeito, Dilma adotou a receita do antigo PSD mineiro, assim resumida por José Maria Alkmin, vice do general Castello Branco: primeiro se decide, depois faz-se a reunião.

A presidente tem hoje um desafio à biografia. O risco de fracasso significa atravessar os próximos quatro anos arrastando correntes no Planalto. Alguns aspectos do cenário:

A escassez de água e os apagões sucessivos infernizam a rotina de 146 milhões de pessoas no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste;

Os rarefeitos programas sociais encolhem, por caixa insuficiente para clientela crescente;

A educação rateia, demonstra o Enem com o meio milhão de notas zero em Redação;

Os serviços saúde pública entraram em falência. As filas nos hospitais refletem a restrição de gastos (R$ 2,5 ao dia por habitante) e as deficiências administrativas no SUS, somadas a duas décadas de congelamento da tabela médica e à precariedade da infraestrutura: apenas 10% das obras de unidades básicas e de pronto atendimento foram concluídas, 83% do programa de saneamento não saíram do papel, assim como 62% das obras de água potável;

A percepção coletiva de segurança econômica está abalada pela inflação alta (7%), que será turbinada pelo tarifaço (até 40% na conta de luz) combinado a uma escalada tributária;

Os juros sobem, desde a reeleição, assegurando a continuidade da recessão industrial. Nos últimos quatro anos, a indústria cortou 188 mil empregos, equivalente a duas Petrobras;

Com o PT atropelado na eleição (perdeu 43% da bancada de sindicalistas e ficou reduzido a 23% dos votos nos maiores centros industriais paulistas, que lhe deram vida 35 anos atrás), Dilma e Lula traçaram um plano. Desde então, o governo se canibaliza na luta com o principal aliado, o PMDB, que completa duas décadas de hegemonia no comando e no controle da pauta do Congresso;

Sobram incertezas sobre as contas corrompidas da Petrobras e seus efeitos no governo, no PT, no PMDB e no PP, entre outros.

A reunião ministerial é para anunciar “ajustes”. Faz sentido, pois o Orçamento da União tem sido drenado em gastos questionáveis, como aluguel de imóveis (R$ 1,2 bilhão), publicidade (R$ 219 milhões), celebrações (R$ 400 milhões) ou no trato e irrigação do jardim presidencial (R$ 1 milhão).

Dilma, porém, tem a chance de desmentir o cético keynesiano John Kenneth Galbraith. Depois de uma temporada no governo Kennedy, ele repetia: reuniões governamentais são indispensáveis, quando não se quer fazer nada.*

(*) José Casado, O Globo

É TUDO A MESMA COISA…

A grande farsa

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SÃO PAULO – Quem votou em Dilma para presidente sem saber elegeu Joaquim Levy. Tampouco ciente do desfecho, quem marcou o 45 de Alckmin para governador paulista levou Jerson Kelman.

Levy, o ministro da Fazenda, e Kelman, o presidente da Sabesp, são a síntese da eleição de 2014. Trazem para os respectivos governos o desmentido cabal das mensagens falsas veiculadas pelos vitoriosos durante a campanha eleitoral.

“Vai faltar dinheiro” e “vai faltar água” eram pregações dos candidatos derrotados, negadas com insistente desfaçatez pelos postulantes à reeleição. Levy e Kelman não só expressam o diagnóstico oposicionista como também implantam a plataforma defendida por adversários.

Dilma está calada. Alckmin não diz coisa com coisa. Mergulhados em cinismo, fiam-se no passar do tempo para acobertar as irresponsabilidades que patrocinaram. A longos quatro anos do fim do mandato, o ciclo político é um vetor a favorecê-los.

Tudo vai depender da repercussão dessa grande farsa na política brasileira, pois o descrédito atinge PT e PSDB, que há duas décadas duelam pelo poder nacional. Irá além do período de purgação e acerto de contas, não inferior a dois anos?

Com recessão no país e penúria acentuada no Estado mais industrializado e populoso, arranjos políticos alternativos podem receber respaldo popular. Teriam condição de chegar ao segundo turno ou até de vencer as principais eleições, a começar das municipais do ano que vem?

Da esquerda à direita, germinam no país movimentos políticos, alguns relacionados a tendências globais. Ingênuos como tudo o que brota na arena pública, nem sempre iluminados na doutrina e no modo de agir, têm agora a chance de tocar nos problemas crescentes do cotidiano da população. Agradeçam ao vácuo de liderança e responsabilidade deixado pelo PT de Dilma e o PSDB de Alckmin.*

(*) Vinicius Mota – Folha de São Paulo

VEM AÍ O SACO DE MALDADES…

Dilma dirá a ministros que falta de dinheiro não serve de desculpa

Na primeira reunião da equipe de governo, presidente vai cobrar resultados e alertar para cortes pesados nos ministérios


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BRASÍLIA – Em meio à mobilização para a eleição da nova cúpula do Congresso e ao bombardeio às medidas econômicas do governo, Dilma Rousseff fará, nesta terça-feira, a primeira reunião ministerial do segundo mandato. A presidente vai dizer aos ministros que o momento é de restrição orçamentária, mas também cobrará resultados e projetos de cada área. Antes mesmo da aprovação do Orçamento Geral da União de 2015, o governo cortou R$ 1,9 bilhão sobre o total que os ministérios podem gastar mensalmente com o custeio da máquina.

Desde que tomou posse, no último dia 1 º de janeiro, a presidente não fez nenhum evento público, mas recebeu os ministros em seu gabinete no Palácio do Planalto para orientá-los sobre a transição. Dilma Rousseff tem dito que “o momento econômico é difícil, e os ajustes nos orçamentos dos ministérios serão pesados, mas que a falta de dinheiro não é pretexto para falta de iniciativas e projetos”.

META É 1,2% DE SUPERÁVIT

O discurso será repetido na reunião, no Palácio do Planalto, em um gesto claro da presidente para dar força à dupla de ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento). A meta da nova equipe econômica é fazer um superávit primário equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e, nos dois seguintes, de 2%.

Na reunião ministerial, Joaquim Levy vai falar sobre conjuntura econômica, avaliando os cenários nacional e internacional, além de mostrar o impacto das medidas do governo e a necessidade de cortar gastos. Também deverá fazer um balanço sobre sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, ao lado do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

A ministra do Desenvolvimento, Tereza Campello, terá um espaço de destaque na reunião. Caberá a ela mostrar os resultados positivos do Brasil sem Miséria no fim estatístico da pobreza extrema no país.

Diante das críticas, inclusive de aliados, às medidas anunciadas desde dezembro, a presidente quer unificar o discurso do governo, ao mesmo tempo em que pretende dar uma resposta positiva à sociedade, mostrando que está agindo. Por isso, os ministros deverão apresentar projetos de suas pastas, tendo como horizonte os próximos quatro anos.

Outro ponto que deve ser levantado na reunião é a crise hídrica no país. Na semana passada, após uma reunião no Palácio do Planalto entre seis ministros, Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, pediu que a população consuma menos água e energia.

DIVERGÊNCIAS NÃO DEVEM SER PÚBLICAS

Até o momento, Dilma não se manifestou sobre as medidas anunciadas para melhorar as contas públicas — que chegaram a ser elogiadas até por seus opositores, mas criticadas por aliados, com destaque para o movimento sindical e setores do PT. Desde o dia 22 de dezembro, Dilma não dá declarações públicas. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, isso aconteceu por causa do recesso de fim de ano e dos despachos que ela precisava fazer com seus novos ministros.

Para equilibrar as contas públicas, o governo anunciou um conjunto de medidas para reduzir despesas e aumentar a arrecadação. Primeiro, veio o pacote de mudanças nas regras de acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários, que devem permitir uma economia de cerca de R$ 18 bilhões anuais, a partir deste ano.

Depois, foram as medidas de correção e elevação de tributos. O governo alterou as alíquotas do PIS/Cofins e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis, equiparou as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do setor de cosméticos e ajustou a alíquota do PIS/Cofins sobre a importação.

Além da crise energética e do ajuste fiscal, Dilma e a equipe econômica têm pela frente temas espinhosos a tratar. Por exemplo: ela vetou a correção de 6,5% da tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas e já sinalizou, através de seu ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, que o governo deverá editar Medida Provisória com um índice de 4,5%, correspondente à meta de inflação do Banco Central para o ano.

Apesar do silêncio, Dilma teve alguns dissabores com seu novo ministério. No encontro, ela determinará aos ministros que as divergências devem ser resolvidas internamente, e não expostas publicamente. Entre os episódios que comprovam essa realidade, um deles ocorreu quando, de férias na Bahia, a presidente se irritou com Nelson Barbosa, do Planejamento, que havia dito que as regras para o reajuste do salário mínimo seriam revistas. Barbosa teve de voltar atrás em nota divulgada por sua pasta.

Outra divergência pública envolveu os ministros Patrus Ananias, do Desenvolvimento Agrário, e Kátia Abreu, da Agricultura, em torno da questão agrária. E, neste fim de semana, Levy e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, manifestaram posições opostas em torno do seguro-desemprego.

No primeiro mandato, Dilma fez três reuniões ministeriais. A primeira, com menos de 14 dias de governo. Em 2012, novamente reuniu os auxiliares no início do ano. Já em 2013, a presidente voltou a reunir os auxiliares em julho, no auge das manifestações e dos protestos nas ruas de todo o país. No ano passado, não houve reunião ministerial.*

(*) LUIZA DAMÉ – O GLOBO

NAU SEM RUMO

O desastroso recomeço de Dilma, a presidente consternada

Enquanto ministros oficializavam o estelionato eleitoral, o escândalo da Petrobras se aproxima do Planalto e o ex-presidente Lula fomenta a guerra interna no PT. Mas Dilma só quis se pronunciar sobre a morte de um traficante

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Era 0h31 do último domingo (15h31 de sábado em Brasília) em Jacarta quando o brasileiro Marco Archer foi executado com um tiro no peito. Criado em uma família de classe média alta, ele se tornou um traficante profissional e rodou o mundo até ser preso no país asiático com 13 quilos de cocaína, em 2004. Archer dizia se arrepender apenas de ter sido flagrado por um agente de segurança indonésio. O governo brasileiro tentou evitar a execução até a última hora por meio de cartas, ameaças de rompimento diplomático e um telefonema feito pela presidente Dilma Rousseff ao colega indonésio Joko Widodo na véspera da execução. Nada adiantou.

Um dia antes da morte de Archer, o policial militar Manoel Messias dos Santos havia sido assassinado friamente por traficantes em Penedo (AL) enquanto caminhava pela rua. Poucas horas depois de Marco Archer ter sido executado, a garota Larissa de Carvalho, de 4 anos, perdeu a vida após ser atingida por um tiro quando saía de um restaurante com a mãe, em Bangu (RJ). No dia seguinte, outra criança morreu em circunstâncias semelhantes: Asafe Willian Costa Ibrahim, de 9 anos, vítima de uma bala perdida enquanto brincava na piscina de um clube em Honório Gurgel, na capital fluminense – ele morreu três dias depois.

Na segunda-feira, o surfista profissional Ricardo dos Santos foi baleado em frente à casa de sua família, em Palhoça (SC), após uma discussão corriqueira com um policial fora de serviço.Morreu no dia seguinte. Se a média de 2013 tiver sido mantida, outras 153 pessoas foram assassinadas no Brasil no mesmo dia. Uma a cada dez minutos. Desde que o traficante foi executado na Indonésia, mais de mil vidas foram tiradas prematuramente no país presidido por Dilma. A chefe da nação não se pronunciou sobre nenhuma delas. Tampouco o fizeram seus ministros.

Embora o pedido de clemência em favor do traficante esteja alinhado à tradição da diplomacia brasileira, as expressões usadas por Dilma, que se disse “consternada” e “indignada” com a sentença de morte, fogem do padrão. Ela não afirmou “consternada” ou “indignada” por causa dos bilhões de reais da Petrobras desviados para abastecer partidos que apoiam seu governo, inclusive o PT. Nem demonstra preocupação ao financiar regimes em que o fuzilamento é política oficial – o caso de Cuba, que construiu o Porto de Mariel com recursos brasileiros, é o mais evidente. Dilma, que pediu “diálogo” com os decapitadores do Estado Islâmico, tampouco se pronunciou quando morreram Manoel, Larissa, Asafe e Ricardo. Para um país que registrou 56.153 assassinatos em 2013, é difícil compreender.

O dicionário Aurélio define a expressão “consternado” com o sentido de “prostrado, desalentado, de ânimo abatido”. É uma boa expressão para definir o comportamento de Dilma Rousseff até aqui. A presidente consternada não deu uma entrevista sequer em 2015. Fora o discurso de posse, em 1º de janeiro, Dilma nem mesmo falou em público. A presidente encastelada deixa ainda mais explícita a falta de rumo do governo: janeiro nem mesmo se encerrou e as limitações e contradições de Dilma se tornaram evidentes.

Nas últimas promessas irreais de campanha deram espaço a decisões opostas, especialmente na economia: nomeação de um liberal para o Ministério da Fazenda, alta na conta de luz, aumento no preço da gasolina, elevação de impostos, redução em benefícios trabalhistas, subida na taxa de juros, corte profundo no Orçamento. Toda a cartilha econômica que ela atribuiu aos adversário Aécio Neves e Marina Silva foi cumprida imediatamente.

O silêncio de Dilma também não foi interrompido no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A presidente, que se especializou em passar sermões nos países desenvolvidos sempre que discursou diante de líderes globais, agora tem pouco o que apresentar ao planeta. Preferiu comparecer à posse do presidente Evo Morales em seu terceiro mandato à frente do governo boliviano, o que também é emblemático sobre as prioridades do governo.

Parte das escolhas que Dilma fez no início do segundo mandato eram necessárias para a economia, como o corte no Orçamento e a correção no preço dos combustíveis. Mas as medidas consistem exatamente no contrário do que ela afirmou que faria. A guinada veio sem uma explicação ou um pedido de desculpas ou pronunciamento à nação.

A ex-ministra de Minas e Energia de Lula, que desfruta da fama de especialista no setor elétrico, também deve se preocupar com a situação energética do país: o apagão da última segunda-feira devolveu às manchetes a situação de risco na geração de energia. Mesmo com o crescimento pequeno da economia nos últimos anos, a rede está perto do limite e o governo precisou importar energia da Argentina.

Nas escolhas políticas que fez, a presidente conseguiu desagradar a aliados e oposicionistas. Nomeou ministros criticados até mesmo pelo PT, escolheu leigos para áreas-chave e não se constrangeu de apontar figuras envolvidas em casos de corrupção, como George Hilton (Esporte) e Eliseu Padilha (Aviação Civil)

No horizonte próximo, há poucas esperanças para Dilma. A restrição orçamentária e as consequências da operação Lava Jato sobre as empreiteiras devem prejudicar o início de novos empreendimentos e programas durante o ano. Ao mesmo tempo, a sombra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a acompanha cada vez mais de perto. As críticas feitas pela ex-ministra Marta Suplicy, que atacou frontalmente o governo Dilma em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, são um recado claro do ex-presidente, que pretende voltar nas eleições de 2018 – e já notou que precisa desatrelar sua imagem da de Dilma para evitar danos à sua popularidade. A divisão entre dilmistas e lulistas é outra fonte de problemas para o governo.

As investigações sobre os desvios da Petrobras devem se aproximar do Palácio do Planalto após a confissão, vinda da empreiteira Engevix, de que os recursos desviados serviam para a compra de apoio político no Congresso. Mais uma razão para Dilma ter medo nos próximos 1.437 dias até o fim do mandato.*

(*) Gabriel Castro, de Brasília – VEJA Online

POR ONDE ANDA A “GOVERNANTA”?

O apagão de Dilma

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Alto lá! Não culpem Levy por pensar como pensa e agir com coerência. Ele não mercadejou o próprio passe. Estava em sossego como executivo bem pago do Bradesco.

Fez à presidente Dilma Rousseff o favor de aceitar o convite para ser ministro da Fazenda, ganhando menos do que ganhava. E para quê? Para virar saco de pancada dos supostos aliados de Dilma?

E sem que ela o defenda? Por que não batem nela?

Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, foi o primeiro a apanhar. Disse lá qualquer coisa que desagradou a Dilma. Acabou obrigado a se corrigir.

Depois foi Eduardo Braga, ministro das Minas e Energia. Caiu na armadilha de responder a perguntas na base do “se”.

Uma vez que dissera que não há racionamento de energia à vista, foi confrontado pela pergunta óbvia: “E se não chover o suficiente?”

Se não chover o suficiente o racionamento será inevitável, respondeu Eduardo. Alguém mais esperto escaparia com a resposta clássica: “Não posso raciocinar sobre hipóteses”.

O racionamento ganhou manchete de jornal. Eduardo levou um carão do seu colega Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil. Abandonou Brasília em silêncio.

Então chegou a vez de Levy. Como Dilma preferiu ir à posse do xamã Evo Morales, presidente da Bolívia, Levy voou a Davos, na Suíça.

À vontade no Fórum Econômico Mundial, admitiu que o Brasil possa atravessar uma leve e breve recessão. Tamanho cuidado com as palavras de pouco adiantou.

A poderosa senhora, que se julga uma economista de primeira, mandou Levy substituir “recessão” por “retração”.

Mas não ficou só nisso. Em entrevista ao jornal britânico “Financial Times”, Levy afirmou que “está ultrapassado” o modelo de seguro-desemprego no Brasil. Ah, para quê…

Foi logo mexer com o social, área que Dilma garantira durante a campanha ser intocável. Não mudaria nem que a diabo tossisse.

Diabo, não. Vaca. O diabo foi citado em outro contexto. Por ela ou por Lula, não lembro agora. Nem quero me socorrer do Google.

Dilma (ou Lula) faria o diabo para vencer a eleição presidencial.  E assim foi. Pintou, bordou e mentiu sem dó. Ganhou por pouco.

De volta ao “ultrapassado” modelo de seguro-desemprego. O Ministério da Fazenda emitiu nota dizendo que a declaração de Levy tivera como objetivo “ampliar o debate pela modernização das regras desse benefício”. Dilma não considerou suficiente.

Mandou que o ministro Miguel Rossetto, da Secretaria Geral da presidência da República soltasse nota chamando o seguro-desemprego de “conquista civilizatória”. Algo que, certamente, tem a ver com “pátria educadora”, novo slogan do governo.

Levy engoliu a nota a seco. Está dando para fazer o que planejou. E até com rapidez. Quanto a Dilma… Emudeceu. Retornou à clandestinidade. Parece envergonhada.

Afinal, entregou o comando da economia a um banqueiro que assessorou a campanha de Aécio Neves (PSDB-MG).

Seguiu a receita de Lula, que ao se eleger pela primeira vez, escalou um banqueiro do PSDB para o comando do Banco Central. No Ministério da Fazenda pôs Antonio Palocci, que não entendia de economia, mas que era do PT.

Ocorre que Dilma não é Lula.

Não tem o carisma dele, nem a habilidade, nem a liderança, nem o cinismo para culpar seus adversários por qualquer erro.

Lula faz política com prazer. Dilma detesta. Lula afaga os aliados até quando os contraria.  Dilma espanca.  Lula governou com o gogó. Dilma usa o gogó para repreender auxiliares.

Pode dar certo? Não sei. Divertido está.

Não tem preço ver petistas da gema estupefatos. Sem voz. Como Dilma.*

(*) Blog do Noblat

SÁBADO, 24 DE JANEIRO DE 2015

E se odeiam com todo amor

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Lula está na muda. Silenciou quando sua invisível aliada Rose Noronha deixou de ser invisível e incomodamente apareceu no noticiário. Mais silente ficou quando viu que seus aliados no Governo foram decepados por Dilma.

Dilma está na muda. Silenciou quando teve de adotar as medidas que acusava Aécio de planejar. Mais silente ficou ao descobrir que seus caros aliados, a quem dedicou tanto carinho, confiáveis não são. E que seu próprio PT está rachado.

A Fundação Perseu Abramo, Lula desde criancinha, a acusa de aprofundar as tendências recessivas da economia com medidas conservadoras e ortodoxas – isso, em linguagem petista, é um insulto e tanto. Marta Suplicy, articuladora do movimento Volta, Lula, abriu fogo pesado contra Dilma. Maria do Rosário, que foi ministra de Dilma até outro dia, não se manifestou; mas seu marido, o também petista gaúcho Eliezer Pacheco, Secretário da Educação de Canoas, disse que Dilma enfrenta a crise achacando os assalariados, “como sempre fizeram os governos de direita”. E completa: “Sou PT, mas não sou cordeiro nem omisso (…) Não foi nisso que votamos (…) Não trairemos nosso projeto nem que a vaca tussa”.

E todos esses são petistas que, se encontrarem Lula em pessoa, terão de fazer enorme esforço para não cair de joelhos e, testa encostada no chão, voz embargada pela emoção, gritar beatificamente “Caramuru! Caramuru!”

O petista-mor José Dirceu, em seu blog, bateu duro em Dilma. Seu filho Zeca Dirceu fez pesado discurso na Câmara contra a corrupção. A vaca anda tossindo.

 

Dirceu sim, Lula não

Este colunista não gosta de coincidências. Há dias, soube-se que José Dirceu está ouvindo outros grão-petistas que não gostam de Dilma e estão sem voz no Governo. O processo pode levar à criação de nova tendência interna no PT, para assumir o comando do partido, que hoje não é exercido por Rui Falcão.

Pois não é que, em seguida, o Ministério Público pede (e obtém) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Dirceu, de seu irmão e sócio e da sua empresa? Dirceu recebeu pouco mais de R$ 3,5 milhões de três empreiteiras investigadas no caso Lava-Jato.

OK – mas se é para investigar quem prestou consultoria às grandes empreiteiras, há um profissional ainda mais famoso, cujo relacionamento com as empresas vai a ponto de usar seus jatinhos e de ajudar a fechar negócios internacionais. É o ex-presidente Lula. Ou só Dirceu interessa à investigação? E por que?*
(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

A ‘PILOTA’ SUMIU

Cadê Dilma? Não foge, não, Dilma!

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O ministro Pepe Legal – ou melhor: Pepe Vargas, das Relações Institucionais – avisou, avisou, avisou… Que não vai rolar nova CPI para investigar a roubalheira na Petrobras. Não vai rolar.

Basta! O caso já mereceu duas CPIs. Uma mista, formada por senadores e deputados. Outra formada só por deputados. Essa praticamente não funcionou.

A outra funcionou sobre o estrito controle do governo por meio dos seus áulicos no Congresso. E sabem no que deu? Em nada. Deu em nada. Sequer serviu para a oposição fazer barulho.

E assim foi apesar da presidente Dilma Rousseff, na época em que ainda precisava falar com jornalistas para se reeleger, ter ficado rouca de repetir que queria a verdade sobre a Petrobras.

Não importava quanto custaria. Ela, a presidente da República, ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, ex-ministra das Minas e Energia, queria a verdade custasse o quanto custasse.

Era lorota, como se viu. Continuará sendo lorota caso Dilma volte a comentar o assunto. Está difícil. Ela foge dos jornalistas desde o final do ano passado. Não quer se juntar com notícias ruins. Só com boas.

E como as boas andam escassas… Há razões de sobra para que se instale uma terceira CPI da Petrobras.

Do encerramento das duas primeiras para cá, muita lama veio à tona comprometendo a imagem daquela que já foi uma das maiores empresas do mundo. A Era PT conseguiu rebaixá-la.

CPI é instrumento de investigação da minoria. Não perde a validade só porque o Ministério Público e a Polícia Federal saíram na frente das apurações.

O silêncio de Dilma, e a fuga à obrigação de oferecer rotineiras explicações ao distinto público, só conspiram para reduzir sua aprovação. É o que restará demonstrado pelas próximas pesquisas.*

(*) Blog do Noblat