É MUITO ROUBO PRA POUCO PAÍS

 O mapa da propina

000 - O lulopetismo e a corrupção institucionalizada

O colarinho branco realçava o tom borgonha da gravata, sob barba e cabelos grisalhos aparados com esmero. Paulo Roberto Costa nem parecia um ex-diretor da Petrobras com algema eletrônica no tornozelo.

Escoltado por um agente federal de colete à prova de balas e armado com fuzil, falou por horas na Procuradoria da República, no Centro do Rio. A rua abaixo fervilhava no calor da quarta-feira pré-carnaval, 11 de fevereiro.

— Vocês obviamente têm um papel aqui, mas não se limitem à Petrobras — incitou os procuradores. — Não se limitem, não. O que acontece na Petrobras, acontece no Brasil.

Prosseguiu:

— Essas empresas do cartel não trabalham só para a Petrobras. Trabalham para portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. Então, o interesse deles é tudo, não é só na Petrobras. Eu falei no primeiro dia, lá na força-tarefa, antes de assinar o acordo de delação, que a minha área era só a ponta do iceberg. Agora teve lá uma declaração do Ricardo Pessoa (acionista da UTC/Constran), e ele confirma. Falei também, com clareza, lá na CPMI (no Congresso): “Não pensem que esse assunto se restringe à Petrobras, porque não é!”

Exemplificou recordando seus encontros em Brasília para tratar da harmonia de interesses político-empresariais:

— Normalmente, o Aníbal Gomes (deputado federal do PMDB) pedia a reunião. Era uma por mês, com o Romero Jucá e o Renan Calheiros (senadores do PMDB). Eu ia lá na casa do Renan e falava das perspectivas, de projetos. Qual era o interesse desses políticos? É que as empresas do cartel ganhassem, porque se elas ganhassem revertia uma parte pra eles.

Nas últimas duas semanas, o juiz Sérgio Moro indicou no processo o acúmulo de evidências de que “o esquema criminoso vai muito além da Petrobras”. Repetiu-se nos autos: “A mesma cartelização das grandes empreiteiras, com a manipulação de licitações, ocorreria no país inteiro”. Insistiu, ao autorizar a prisão — com uso de algemas — de um acionista da Galvão Engenharia: “Há indícios veementes de que os crimes transcendem a prática de cartel, corrupção e lavagem em obras da Petrobras.”

Num despacho da semana passada, o juiz mostrou-se inquieto com os dados já obtidos sobre o fluxo de propinas no circuito fora da Petrobras. Essa nova etapa da investigação partiu de “uma tabela” de “comissões” montada pelo operador financeiro do Partido Progressista, Alberto Youssef, sobre 750 empreendimentos de empresas estatais e órgãos governamentais. Esse mapa da propina “é perturbador”, qualificou Moro.

A tendência, indicou, é a exposição pública de uma sequência de crimes político-empresariais em “dimensão ainda muito superior aos danos já provocados à Petrobras”. Multiplicam-se “registros documentais”, exemplificou, “como os depósitos bancários apreendidos no escritório de Youssef em favor de um senador”. Assim como há “prova documental do repasse de parte da ‘propina’ em doações eleitorais ao Partido dos Trabalhadores”.

O juiz Sérgio Moro e o réu confesso Paulo Roberto Costa coincidem na essência: não existe propina grátis. A conta desses subornos é paga pelos cofres públicos, com dinheiro subtraído do bolso de cada brasileiro.*

(*)  JOSÉ CASADO – O GLOBO

PETR0RROUBALHEIRA

Alvo da Lava Jato, empreiteira

OAS pede recuperação judicial

A empreiteira OAS protocolou nesta terça-feira (31) o pedido de recuperação judicial do grupo em uma vara empresarial de São Paulo.

O endividamento total do grupo é de R$ 9,2 bilhões, dos quais R$ 8 bilhões estão incluídos no pedido. Se for aceita pela Justiça, a recuperação judicial do grupo será uma das maiores já feitas no país.

Para pagar as dívidas, a OAS informa que colocou à venda sua participação na Invepar (24,44%) –que tem a concessão do aeroporto de Guarulhos–, sua fatia no estaleiro Enseada (17,5%) –um dos fornecedores da Sete Brasil–, a OAS Empreendimentos (80%), a OAS Soluções Ambientais (100%) e na OAS Defesa (100%).

Nota distribuída pelo grupo diz ainda que sua participação na OAS Óleo e Gás, que não foi incluída no pedido de recuperação judicial, será também posta à venda.

A empresa também deve vai negociar a SPE Arenas, veículo de gestão dos estádios Arena Fonte Nova (50%), em Salvador, e a Arena Dunas (100%), em Natal.

O processo envolve a holding OAS S/A e outras nove companhias: Construtora OAS, OAS Empreendimentos, OAS Arenas (SPE Arenas Multiuso), OAS Infraestrutura, OAS Imóveis, OAS Investimentos, OAS Investments GMBH (com sede na Áustria), OAS Investments Limited e OAS Finance Limited (ambas com sede nas Ilhas Virgens Britânicas).

As três empresas com sede no exterior foram criadas para que o grupo captasse recursos no exterior e não são operacionais, afirma o documento entregue à Justiça, ao qual a Folha teve acesso.

Segundo o pedido, a estrutura organizacional do grupo é “baseada na estreita relação operacional e financeira das sociedades que o integram”, por isso, o processo de recuperação judicial tem de ser feito de forma conjunta.

O documento, assinado pelos advogados Eduardo Munhoz, do escritório Mattos Filho, e Joel Thomaz Bastos, do escritório Dias Carneiro Advogados, afirma que o sucesso de uma empresa “está intimamente ligado ao sucesso da outra”, já que as dívidas possuem avais “cruzados”, ou seja empresas do grupo se endividaram dando como garantia ativos de outras companhias do conglomerado.

PROBLEMAS

Uma das maiores empreiteiras do país, a OAS é alvo da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras.

A construtora, fundada em 1976 e com operação em 19 países, é uma das acusadas de pagar propina a ex-funcionários da estatal em troca de vantagens em licitações e contratos com a petroleira.

Ao ser incluída entre as investigadas na operação no ano passado, a empresa passou a ter dificuldades para firmar novos empréstimos.

O BNDES também suspendeu pagamentos de financiamentos à exportação concedidos a clientes da OAS no exterior, o que piorou a situação de caixa da companhia no curto prazo, afirma o documento.

Com isso, em novembro do ano passado, a agência de risco Standard & Poors rebaixou a nota de crédito da empresa, fazendo com que credores tivessem o direito de pedir o pagamento antecipado das dívidas da empresa. A decisão de cortar a nota da empreiteira foi seguida por outras agências nos meses seguintes.

A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa, desistiu ainda de injetar em fevereiro R$ 200 milhões na OAS Empreendimentos, empresa da qual é sócia.

Segundo os advogados da companhia, “tornou-se absolutamente inviável” que a OAS seguisse honrando seus compromissos. No início do ano, o grupo já havia dado calote em investidores no Brasil e no exterior.

Outras duas companhias acusadas de fazer parte do esquema na Petrobras já seguiram o mesmo caminho e pediram proteção à Justiça para escapar da falência: Alumini Engenharia (ex-Alusa) e Galvão Engenharia.

TEMPO

O pedido de recuperação judicial do grupo OAS já era esperado há semanas. A companhia aguardava, porém, o fim de março para protocolá-lo, já que receberia nos últimos dias do mês a remuneração por algumas obras feitas, apurou a Folha.

Com a recuperação judicial, a empresa ganha o direito de suspender pagamentos enquanto monta um plano de restruturação, que precisará, ao final, ser aprovado pela maioria dos credores.

A OAS terá 60 dias a partir da aprovação do pedido pelo juiz para apresentar o plano. Os credores terão um mês para entregar suas manifestações. Uma assembleia com os credores então será agendada para a votação do plano final.

De acordo com o documento apresentado à Justiça, a OAS é responsável hoje por 80 obras de infraestrutura no Brasil e no exterior e emprega 110 mil pessoas direta e indiretamente.

O processo de recuperação judicial está sendo conduzido pelo escritório Dias Carneiro Advogados. A reestruturação da OAS é feita pelo escritório de advocacia Mattos Filho e pelas consultorias G5 Evercore e Mcksinsey.

PLANO

O sucesso da recuperação judicial da OAS dependerá das negociações com investidores internacionais, donos da maior parte da dívida. Até o momento, não houve reuniões formais com esse grupo de credores.

A ideia da OAS é apresentar para os investidores internacionais os resultados da companhia e o fluxo de caixa esperado daqui para a frente nos próximos dias.

Segundo apurou a Folha, o plano de recuperação ainda está sendo definido, mas deve incluir a entrada de um investidor.

A ideia é que ele injete entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões no grupo, dinheiro necessário para que sobreviva aos meses de recuperação.

Inicialmente, o montante será aportado por meio de uma linha especial de financiamento chamada DIP Financing, que permite ao investidor ter prioridade no recebimento do dinheiro. Mas o plano é que o acordo envolva ainda a preferência na compra da participação da empreiteira na Invepar.

É a possibilidade de comprar uma fatia da empresa, dona de concessões de rodovia, metrô e aeroporto, que tem atraído interessados. O processo, contudo, ainda deve levar de 30 a 60 dias, estimam executivos próximos às conversas. *

(*) RENATA AGOSTINI – RAQUEL LANDIM – FOLHA DE SÃO PAULO

QUADRILHA NO PODER

Youssef diz em depoimento que deixou R$ 400 mil na porta do diretório do PT

000 - a mafia

O doleiro Alberto Youssef, delator no caso da operação Lava Jato, afirmou, em novo depoimento à Justiça Federal nesta terça-feira (31), que entregou cerca de R$ 800 mil para o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O dinheiro seria fruto de propina paga no contrato para obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), entre 2009 e 2010. A Lava Jato apura o desvio de verbas na Petrobras para favorecer servidores públicos e políticos da base aliada e também da oposição.

O valor, segundo o doleiro, foi dividido em dois –metade, diz ele, foi deixado na porta do diretório nacional do partido, localizado na Rua Silveira Martins, em São Paulo. A outra metade foi retirada no escritório de Youssef, afirma o delator.

Por conta de um processo sobre operações ilegais de câmbio realizadas pelo laboratório Labogen –empresa que ele tentou infiltrar no Ministério da Saúde na gestão do então ministro Alexandre Padilha (PT)– Youssef disse que fez dois pagamentos para o tesoureiro “a mando da Toshiba (Infraestrutura)”.

“Eu entreguei esse valor pessoalmente. O segundo valor foi entregue na porta do diretório do PT nacional pelo meu funcionário Rafael Ângulo para o funcionário da Toshiba para que ele pudesse entregar o valor para o Vaccari”, afirmou Youssef em seu depoimento.

Vaccari irá depor na CPI da Petrobras no dia 9.

Outro lado

Por meio de nota da Secretaria de Finanças do PT,Vaccari Neto, “nega veementemente que tenha recebido qualquer quantia em dinheiro por parte do senhor Alberto Youssef ou de seus representantes”.

“Chama a atenção o fato de que, na delação realizada em fevereiro, Youssef afirmou que uma suposta entrega do dinheiro teria sido feita em um restaurante em São Paulo. No depoimento de hoje, se contradiz e afirma que foi na frente da sede do PT”, informa a nota petista.

O partido diz ainda que “Youssef também afirma que um funcionário dele teria entregue o dinheiro a um representante da empresa Toshiba [investigada na Lava Jato], e não diretamente a Vaccari ou a outro representante do PT”. “A Toshiba nega veementemente que algum dos seus funcionários tenha repassado recursos para representantes do PT”, informa o PT.

“A afirmação de Youssef causa ainda mais estranheza porque sua contadora, Meire Bonfim Poza, declarou à CPI Mista da Petrobras, no último dia 8 de outubro, que não conhece e que nunca fez transações financeiras com Vaccari Neto. Essa Secretaria de Finanças reitera que todas as doações que o Partido dos Trabalhadores recebe são feitas na forma da lei e declaradas à Justiça”, diz a secretaria do PT na nota.*

(*) UOL

TEMPOS SOMBRIOS

LEMBRANÇAS NECESSÁRIAS

Durante os 21 anos do regime militar, todo dia 31 de março comportava comemorações públicas. Depois, as referências limitaram-se aos quartéis e às ordens-do-dia dos ministros castrenses. Os governos da Nova República ignoraram a data, hoje lembrada por número cada vez menor de quantos participaram da deflagração do golpe e, depois, de suas administrações.

Aqui e ali certos patetas empenham-se em pedir o retorno das forças armadas ao poder, esquecidos de que a História só se repete como farsa.

É preciso registrar, no entanto, que apesar dos excessos e da truculência com que os donos do poder enfrentavam os problemas nacionais, foi aos poucos que a opinião pública posicionou-se contra eles. A sucessão de atos institucionais e de pacotes arbitrários acabou levando multidões às ruas, exigindo a volta ao regime democrático. A natureza seguiu seu curso até que o último dos presidentes militares, general João Figueiredo, percebeu estar esgotado o modelo imposto em 1964. Pediu até que o esquecessem, tendo antes adotado as medidas necessárias, como o levantamento da censura, a anistia e a proibição da tortura. Não deve ser esquecido, pois dele também vieram iniciativas como o fim da lei de Segurança Nacional e a possibilidade de criação de novos partidos políticos.

Hoje virou moda todo mundo dizer que “lutou contra a ditadura”, mas não foi bem assim. A maioria acomodou-se, mesmo sem gostar dos que, sem mandato popular, impunham sua vontade.

AJUSTE A CONTA-GOTAS

Quem botou o dedo na ferida foi o presidente do Senado, Renan Calheiros, quando declarou estar tudo errado na tentativa de o governo ver aprovado o ajuste fiscal. Porque as medidas deveriam ter começo, meio e fim, ou seja, o ministro da Fazenda precisaria definir num só conjunto o que pretende. Apresentar o ajuste a conta-gotas é desgastante.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA

Falido como partido, PT

tenta sorte como piada

000 - ...e ponha merda nisso, Rui

Após reunião com Lula e o presidente do PT, Rui Falcão, dirigentes do partido nos Estados divulgaram um manifesto revelador. O texto indica que o PT não só acredita em vida depois da morte como crê piamente que é esta que está vivendo. Após fenecer como partido, o PT tenta a sorte como piada.

O manifesto do PT anota a certa altura: “Como já reiteramos em outras ocasiões, somos a favor de investigar os fatos com o maior rigor e de punir corruptos e corruptores. […] E, caso qualquer filiado do PT seja condenado em virtude de eventuais falcatruas, será excluído de nossas fileiras.”

É como se o partido desejasse dar um banho de gargalhada no país. A última vez que o PT declarou-se a favor de apurações rigorosas foi antes do julgamento do mensalão. Sentenciada, sua cúpula passou uma temporada enjaulada na Papuda. E não há vestígio de expulsão. Ao contrário.

Vítima de um expurgo cenográfico na época da explosão do escândalo, Delúbio foi readmitido nos quadros da legenda. Com as bênçãos de Lula. Dirceu e Genoino são cultuados nos encontros partidários como “guerreiros do povo brasileiro”.

Noutra evidência de que o cotidiano do petismo é uma tragédia que os petistas vivem como comédia, o manifesto aponta a existência de “uma campanha de cerco e aniquilamento”, na qual vale tudo para acabar com o PT, “inclusive criminalizar” a legenda. A cruzada antipetista é realmente implacável.

Deve-se a criminalização do PT aos petistas que, ocupados em salvar o país, não tiveram tempo de ser honestos. A Procuradoria da República e o juiz Sérgio Moro elegeram como inimigo número 1 da honra petista o tesoureiro João Vaccari Neto. José Dirceu, reincidente, está na bica de ser convertido em inimigo número 2.

Noutro trecho, o manifesto sustenta: “Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.” Trata-se de uma reedição do velho discurso do “rouba mais faz”. Só que num formato bem mais divertido.

“Não toleram que, pela quarta vez consecutiva, nosso projeto de país tenha sido vitorioso nas urnas”, acrescenta o texto, numa cômica injustiça com os 13% de brasileiros que, segundo o Datafolha, ainda consideram Dilma Rousseff ótima ou boa três meses depois da segunda posse.

O 5º Congresso do PT, marcado para junho, deve “sacudir” a legenda, antevê o manifesto. Anuncia-se a retomada da “radicalidade política” e o desmanche da “teia burocrática” que imobiliza a direção partidária “em todos os níveis”, levando o partido a habituar-se com o “status quo”.

Suspeita-se que os redatores do manifesto tenham desejado dizer o seguinte: o PT vai se auto-sacudir radicalmente, para combater seu próprio status quo. De preferência, destruindo o status sem mexer no quo.

Uma coisa é preciso reconhecer: o ex-PT cada vez mais se dá bem consigo mesmo. O que é tragicamente cômico.*

(*) Blog do Josias de Souza

DOMINGO, 29 DE MARÇO DE 2015

GOVERNOS PETISTAS CRIARAM MAIS

4,5 MIL CARGOS EM COMISSÃO

A proposta de redução no número de ministérios é a nova motivação da velha briga entre PT e PMDB dentro da base da presidente Dilma Rousseff. Enquanto os peemedebistas apostam no discurso de redução pela metade das pastas da Esplanada, alegando a necessidade de economia dos gastos públicos, petistas acusam os integrantes do maior partido aliado de traição e apontam a ideia como demagógica.

Com o corte de pastas, cairia também o volume de cargos comissionados, os chamados cargos de confiança, que não necessitam de concurso público para o ingresso, dependendo somente da indicação política.

O governo federal fechou 2014 com um saldo de 22.926 cargos comissionados. Os dados são do Boletim Estatístico de Pessoal e Informações Organizacionais, elaborado pelo Ministério do Planejamento.

MAIS 456 CARGOS

Em seu primeiro mandato, Dilma aumentou os cargos de confiança em 456, diante do patamar de 21.870, deixado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, no final de seu segundo mandato.

Lula havia herdado o governo de Fernando Henrique Cardoso com 18.374 cargos de confiança e, ao longo de seus oito anos, contratou 3.496 novos cargos. Ou seja, nos últimos 12 anos em que o país foi governado pelo PT, foram criados 4.552 cargos comissionados.

Já FHC, contratou 767 novos cargos em seis anos, de 1997, quando teve início a publicação do levantamento, até 2002.

Atualmente existem 39 ministérios, 18 a mais que FHC que fechou 2002 com 21 pastas no primeiro escalão, entre ministérios e secretarias.

BRIGA PT/PMDB

O PT acusa o PMDB de mirar nas pastas comandadas pelo partido da presidente e de defender a redução depois de não ter conseguido que a presidente cedesse os ministérios de “porteira fechada”, reinvindicação antiga dos peemedebistas. Já o PMDB, embarca na proposta propagandeada pelo tucano Aécio Neves durante a campanha no ano passado.

Nesta semana, a proposta de autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que limita o número de pastas entrou na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, mas sua admissibilidade não foi votada devido a uma manobra do PT, que pediu vistas do projeto.

Na alegação dos petistas, há um vício de origem na proposta, já que a Constituição Federal prevê que a criação ou extinção de cargos é de competência exclusiva do Executivo. No entanto, na briga entre os dois partidos, a questão legal acaba ficando em segundo plano. O que o PT teme é que a proposta ganhe apoio popular que acabará sendo capitalizado pelo PMDB.

IMPEACHMENT

Em reservado, alguns deputados petistas alegam não acharem normal que um aliado se aproveite da fragilidade do governo neste momento para mostrar que como governaria o PMDB em caso de impeachment da presidente.

Para os colegas de partido da presidente, as ideias defendidas pelo PMDB e o comportamento do vice-presidente Michel Temer; do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL), acabam dando força às ideias de impeachment.

Entre as ações que preocupam os petistas estão as conversas de Temer com Aécio, a aproximação do aliado com partidos de oposição como o DEM, além das declarações feitas por Renan e Cunha na última semana.

Renan, em evento na Confederação Nacional da Industria, fez um trocadilho, “lançando” um novo programa do governo de Dilma, o “Menos Ministérios”. Fomos a favor do Mais Médicos, agora queremos o Menos Ministérios. Outra declaração de Renan que não agradou ao Planalto foi em relação ao pacote fiscal. “Do jeito que está não passa”, disse o presidente do Senado. Cunha, por sua vez, forçou a barra colocando a proposta de redução do ministério para ser apreciada na CCJ.*

(*) Luciana Lim – do iG Brasília

NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

Valentia do PMDB torna

oposição coadjuvante

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Ou o PSDB e seus satélites têm uma estratégia capaz de superar o antagonismo de resultados do PMDB ou a oposição condenou-se ao papel de coadjuvante num enredo estrelado pelos investigados Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Hoje, a dupla comanda a tática de fazer Dilma Rousseff “sangrar” pelo tempo que for conveniente.

No momento, se a presidente da República fosse intimada a optar entre os peemedebistas que presidem as duas Casas do Congresso e o líder da oposição brasileira, daria uma resposta fulminante: “Vida longa a Aécio Neves!” E, com isso, ficaria claro que, para Dilma, o aliado da onça é a grande preocupação. O resto virou paisagem.

Aécio até que se esforça. Há dois dias, discursando em Lima, no Peru, chamou de “rudimentar” o pacote fiscal do governo. Mas, como Dilma tomou-lhe de assalto parte da agenda, o rival tucano por vezes parece rodopiar na entrada da grande área como um zagueiro hesitante, que entra de sola pedindo desculpas:

“Joaquim Levy certamente é um homem que comunga de algumas das nossas ideias”, disse Aécio na capital peruana. “É um técnico extremamente competente, mas está longe de ter a autonomia necessária para fazer a reforma estruturante que o Brasil precisa.”

Simultaneamente, Renan e Cunha, cavalgando a aprovação mixuruca de Dilma —na casa dos 13%, segundo o Datafolha— devam de ombros para a pregação da presidente segundo a qual não há dinheiro em caixa para tirar do papel a lei que renegociou em bases generosas as dívidas de Estados e municípios com a União.

Escorados na ira de governadores e prefeitos endividados, Cunha aprovaria na Câmara, horas depois do chororô de Dilma, um projeto cujo único propósito é o de obrigar o governo a efetivar em 30 dias a renegociação das dívidas estaduais e municipais. A encrenca foi enviada para o Senado. Seria aprovado, também ali, na velocidade de um raio. Porém…

Atendendo às súplicas de um Levy autoconvertido em articulador político de um governo desarticulado, Renan, o magnânimo, adiou para terça-feira a nova humilhação que o PMDB pretende fazer Dilma passar. “De onde eu vou tirar R$ 3 bilhões”, indagou o ministro da Fazenda ao presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o petista Delcídio Amaral. A cifra refere-se ao custo anual para o Tesouro do refresco que será servido aos governos estaduais e municipais.

Renan e Cunha levam sobre Aécio uma vantagem inestimável. Eles são os donos da pauta dos plenários do Senado e da Câmara. Calibram os temas a serem votados segundo os seus interesses tóxicos. O oposicionismo de ambos cresce na proporção direta do avanço das investigações do petrolão.

Assim, enquanto as manchetes estiverem monopolizadas pela hemorragia presidencial, a agenda do país vai sendo administrada por um par de anti-mocinhos. Ao perceber que Cunha roubava-lhe centímetros de noticiário, Renan converteu-se num oposicionista de fazer inveja a Luciana Genro, do PSOL.

Juntos, Renan e Cunha capricham na coreografia. Admita-se que falam sério quando defendem, por exemplo, a lipoaspiração da Esplanada, emagrecendo-a de 39 pastas para apenas 20. De saída, o PMDB poderia devolver os seis ministérios que ocupa. Alguns deles, por cenográficos, ficariam de bom tamanho se fossem convertidos em secretarias de outras pastas: o da Aviação e o dos Portos no organograma dos Transportes. O da Pesca na Agricultura. O do Turismo como apêndice da Integração Nacional ou do Desenvolvimento Econômico…

Suprema ironia: cada vez que Renan morde Dilma como cachorro louco há vergonha e remorso na alma de ilustres ocupantes de gabinetes do Palácio do Planalto, que precisam explicar por que pegaram em lanças para reelegê-lo presidente do Senado em fevereiro.

Não foi por falta de informação. O petrolão já havia sido empurrado para o colo de Renan. Tampouco foi por falta de alternativa. O senador catarinense Luiz Henrique, também do majoritário PMDB, ofereceu-se como opção viável. O triunfo de Renan teve muitos cúmplices voluntários ou disfarçados. Os votos decisivos à sua eleição vieram do petismo e adjacências. Com as bênçãos de Dilma e de Lula.*

(*) Blog do Josias de Souza

BOTANDO O GALHO DENTRO

Levy diz que não criticou Dilma

e que ministros agem com humildade

Titular da Fazenda lamenta interpretação dada a

frase sobre atuação da presidente


BRASÍLIA e SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, veio a público, no começo da noite deste sábado, dar explicações sobre uma palestra que ministrou para ex-alunos da Universidade de Chicago, na última terça-feira, em São Paulo, na qual afirmou que a presidente Dilma Rousseff é bem intencionada, mas nem sempre age de forma efetiva. Por meio de nota, ele lamentou a interpretação dada à frase. Trechos da fala e do áudio, em inglês, foram reproduzidos em reportagem no site do jornal “Folha de S.Paulo”. O encontro contou também com alguns professores da instituição. Por isso, na conversa gravada Levy fala em inglês.

Na nota, Levy procurou contextualizar o comentário: “O ministro sublinha que os elementos dessa fala são os seguintes: aqueles que têm a honra de encontrarem-se ministros sabem que a orientação da política do governo é genuína, reconhecem que o cumprimento de seus deveres exige ações difíceis, inclusive da Exma Sra. Presidente, Dilma Rousseff, e eles têm a humildade de reconhecer que nem todas as medidas tomadas têm a efetividade esperada”.

CONVERSA INFORMAL

No texto, Levy destaca que sua nota não é oficial e tem caráter pessoal, uma vez que o conteúdo de uma conversa informal com os universitários americanos foi reproduzida numa reportagem on-line. “Isto não é uma nota oficial, mas uma manifestação pessoal do ministro”. A nota acrescenta que Levy procurou transmitir os pontos principais e a importância de se executar um ajuste econômico em face à evolução da economia global e a exigência de crescimento no Brasil.

Embora tenha criticado antes atos e políticas adotados no primeiro mandato do governo Dilma Rousseff, esta foi a primeira vez que Levy se referiu diretamente à presidente.

Na conversa com ex-alunos da Universidade de Chicago, onde estudou e se graduou Ph.D., Levy diz:

“Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes não da maneira mais fácil, mas… Não da mais efetiva, mas há um desejo genuíno”.

Em inglês, idioma em que fez a declaração, o ministro disse: “I think that there is a genuine desire by the president to get things right, sometimes not the easiest way, but…Not the most effective way, but there is this genuine desire”.

PLANALTO NÃO COMENTA

Em outras ocasiões, Levy havia qualificado como “um negócio muito grosseiro” o programa de desonerações da folha de pagamentos adotado no primeiro mandato de Dilma. Ao justificar as mudanças que sua equipe propôs para o seguro-desemprego, o ministro afirmara que o modelo atual “é completamente ultrapassado”.

Dias antes de atacar o seguro-desemprego, falando a investidores em Davos, na Suíça, Levy previra “um trimestre de recessão” para o Brasil neste início de ano, completando, que “isso não quer dizer nada em relação ao crescimento”. Depois a Fazenda divulgou nota dizendo que o ministro se confundiu e quis dizer contração.

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse que a manifestação do ministro Levy demonstra a dificuldade da presidente Dilma de ouvir os outros.

— Essa declaração demonstra que ninguém consegue conviver com a presidente Dilma. Ela obriga as pessoas a serem subservientes. O ministro confirma aquilo que sempre pontuamos. Isso mostra o quanto ela é centralizadora e que uma de suas características é não ouvir as pessoas — disse Caiado.

A presidente Dilma Roussef foi informada das declarações do ministro da Fazenda, por volta das 18h, antes da divulgação da nota de Levy, mas o Palácio do Planalto não quis se pronunciar.*

(*) MARTHA BECK / CRISTIANE JUNGBLUT – O GLOBO

 

SOS BRAZIL…ZIL…ZIL…

 Apertem os cintos:

o piloto do Brasil sumiu

duke

A situação é de descontrole na cabine de comando do Planalto, com queda abrupta em todos os níveis

Não há antídoto contra a loucura de quem pilota um avião ou um país. Podemos submeter um piloto de Airbus ou o presidente de uma nação a avaliações psicológicas e físicas periódicas, para tentar assegurar um certo equilíbrio e coerência nas decisões tomadas na cabine de comando. Mas nada é 100% garantido. Crises de depressão ou egocentrismo são especialmente perigosas para quem controla a vida de centenas de passageiros ou milhões de habitantes.

Vivemos uma situação de descontrole total na cabine de comando do Planalto. A queda do país é abrupta em todos os níveis – e já era esperada por quem não se deixou iludir em 2014. Está claro que a recessão começou no ano das mentiras. Desemprego sobe, renda tem a maior queda em dez anos, preços aumentam 7,9%. Trabalhadores são assaltados nos metrôs, nos pontos de ônibus, nas vias expressas congestionadas, nos túneis. Os Estados estão quebrados, os aliados voam como baratas tontas e moscas azuis, a “comandanta” é chamada de agiota por prefeitos muy amigos.

Só não sabemos ainda quem são hoje o piloto e o copiloto do Brasil – e qual deles é mais propenso a ataques de pânico ou de autoritarismo. Temos apenas duas certezas: uma é que tem gente demais empoleirada no comando, posando de bonzinho, mas querendo derrubar o Brasil de encontro às montanhas, estilhaçar qualquer possibilidade de ajuste de expectativas. A outra certeza é que nós somos os trancados do lado de fora, reféns de um bando de loucos mal-intencionados.

Quem são o piloto e os copilotos hoje responsáveis por nossa vida e a de nossos filhos e netos? Está difícil enxergar Dilma Rousseff sentada na poltrona de quem aperta os botões e define a direção e a velocidade do jumbo Brasil. Se traçarmos um paralelo com a tragédia do Airbus que provocou luto e estupor no mundo, Dilma hoje se parece mais com aquele que foi ao banheiro em hora imprópria, de aterrissagem, e não conseguiu retornar.

Ninguém escuta mais as broncas de Dilma, que estão virando sussurros. Ela pegou o machado para decepar a lei de novembro passado, que aliviava as dívidas dos prefeitos. O machado voltou como bumerangue. Não importa mais o partido político na hora em que o bolso aperta. Pode ser Eduardo Paes (PMDB-RJ) ou Fernando Haddad (PT-SP). Paes já entrou com ação contra Dilma. Haddad já disse que não vai deixar barato. Os calotes se ampliam nos Estados. A irresponsabilidade fiscal compromete o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Trocando em miúdos, os únicos que precisam pagar as contas em dia somos nós, os contribuintes.

Ao enfrentar um clima adverso, nuvens negras e trovoadas, o pior conselheiro é a solidão – por isso, é tão crucial ter “alguém” com experiência, honestidade e credibilidade ao lado do comandante. Quem será?

O jumbo Brasil precisa do tecnocrata Levy como copiloto. Mas lhe faltam experiência e autoridade políticas para lidar com os abutres ou aplacar disputas. Quem teria de enfrentar as rebeliões dos aliados seria a “presidenta”. Não foi ela quem ganhou nas urnas? Só que Dilma foi ao banheiro e não conseguiu voltar, não abrem a porta para ela, não há mais cavalheiros, só cavaleiros do apocalipse, até em seu próprio partido, o PT.

O que parecia inacreditável aconteceu. Quem apoia hoje medidas de austeridade da presidente, quem é contra o impeachment, quem é a favor da governabilidade para não espatifar o Brasil no Planalto Central é uma das instituições mais criticadas por Lula, Dilma e sua turma: a imprensa.

O jumbo Brasil está sem rumo. E quem está aboletado na cabine de comando são os amotinados do PMDB, a dupla caipira Renan Calheiros e Eduardo Cunha, um alagoa­no e um carioca com milhares de fios de cabelos implantados e muitos delírios de Poder na cabeça. Ambos odeiam um tripulante da nave Brasil com fama de oportunista, Gilberto Kassab. A manobra de Kassab para criar mais um partido, o PL, é chamada por Renan de “molecagem” e por Cunha de “alopragem”.

Sob a pressão de moleques, aloprados e loucos, Dilma é a primeira refém da armadilha que Lulalá e ela criaram. Já não lhe compete demitir ou nomear. Dilma hoje é torpedeada até quando tenta acertar. Mas é impossível ter pena. Se a hora é de arrocho, Dilma, dê o exemplo, ceda à jogada do novo PMDB e comece a cortar seus 39 ministérios e seus 22 mil cargos de confiança. Porque é imoral o tamanho dessa máquina e das boquinhas públicas.

Confiança se ganha devagar e se perde muito rápido. Poucos de seus eleitores embarcariam hoje num avião pilotado pela senhora. Os maiores reféns somos nós. Apertem os cintos.*

(*) Ruth Aquino – Época