AGONIA GOVERNAMENTAL

Inflação sobe para 7,47%, juros para 13%

e previsão do PIB para (-)0,58% em 2015.

 0000000000000000 - onerismo AroeiraLevy3
 Diante de uma expectativa de inflação cada vez maior, os analistas de mercado passaram a contar com uma elevação maior na taxa básica de juros, a despeito do enfraquecimento da economia neste ano. É o que mostra o boletim Focus, do Banco Central, que apura semanalmente previsões junto a cerca de cem instituições.
Na edição de hoje, a mediana dos analistas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu pela nona semana consecutiva, de 7,33% para 7,47%. Para o mês de fevereiro, a previsão foi de 1,04% para 1,07%. Essa alta da inflação responde a preços administrados mais salgados, cuja estimativa subiu de 10,4% para 11%, e a um câmbio mais depreciado. Os analistas veem o dólar terminando o ano em R$ 2,91, ante R$ 2,80 há quatro semanas.

Assim, a estimativa para a Selic, que ficou estacionada por algum tempo em 12,50%, há duas semanas subiu para 12,75% e, agora, para 13%. A taxa está, atualmente, em 12,25% ao ano. Enquanto isso, as expectativas para a atividade continuam a se deteriorar. A mediana das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano passou de queda de 0,50% para contração de 0,58%, enquanto a da produção industrial saiu de recuo de 0,35% para retração de 0,72%.*

(*) Valor Econômico

O INVENTOR DO BRASIL

 Lula, de esperança a forte

ameaça à democracia

000 - a correios, mensalão, Rose, bancoop, petros, petrolão......

O que leva Dilma, aos 67 anos de idade, a ser tão rude com seus subordinados? A pedido de quem me contou, não revelarei a fonte da história que segue. No ano passado, ao ouvir do presidente de uma entidade financeira estatal algo que a contrariou, Dilma elevou o tom da voz e disse: – Cale a boca. Cale a boca agora. Você tem 50 milhões de votos? Eu tenho. Quando você tiver poderá ocupar o meu lugar.

Dilma goza da fama de mal educada. Lula, da fama de amoroso. Não é bem assim. Lula é tão grosseiro quanto ela. Tão arrogante quanto. Eleito presidente pela primeira vez, reunido em um hotel de São Paulo com os futuros ministros José Dirceu, Gilberto Carvalho e Luís Gushiken, entre outros, Lula os advertiu: – Só quem teve voto aqui fui eu e José Alencar, meu vice. Não se esqueçam disso.

Em meados de junho de 2011, quando Dilma sequer completara seis meses como presidente da República, ouvi de Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, um diagnóstico que se revelou certeiro. “Dilma tem ideias, cultura política. Mas seu temperamento é seu principal problema”, disse ele. “Outro problema: a falta de experiência. E mais um: tem horror à pequena política. Horror”.

Na época, Eduardo era aliado de Dilma. Nem por isso deixava de enxergar seus defeitos. “Dilma montou um governo onde a maioria dos ministros é fraca”, observou. “Todos morrem de medo dela. No governo de Lula, não. Ministro era ministro. Agora, é serviçal obediente e temeroso. Lula não pode fingir que nada tem a ver com isso. Afinal, foi ele que inventou Dilma”.

Lula não perdoa Dilma por ela não ter cedido a vez a ele como candidato no ano passado. Mas não é por isso que opera para enfraquecê-la sempre que pode. Procede assim por defeito de caráter. Com Dilma e com qualquer um que possa causar-lhe embaraço. Se precisar, Lula deixa os amigos pelo meio do caminho. Como deixou José Dirceu, por exemplo. E Antonio Palocci.

Pobre de Dilma quando Lula se oferece para ajudá-la. Na última quarta-feira, ele jantou com senadores do PT. Ouviu críticas a Dilma e a criticou. No dia seguinte, tomou café da manhã com senadores do PMDB. O pau cantou na cabeça de Dilma. Tudo o que se disse nos dois encontros acabou se tornando público. Em momento de raro isolamento, Dilma precisa de muitas coisas, menos de briga.

Pois foi com o discurso belicoso de sempre, do nós contra eles, do PT e dos pobres contra as elites,  que Lula participou de um ato no Rio em favor da Petrobras. Sim, da Petrobras degradada nos últimos 12 anos pelo PT e seus aliados. Pediu que seus colegas de partido defendessem a empresa e se defendessem da acusação de que a saquearam. E por fim acenou com a possibilidade de chamar “o exército” de João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Sem Terra, para sair às ruas e enfrentar os desafetos do PT e do governo.

Washington Quaquá, presidente do PT do Rio de Janeiro e prefeito de Maricá, atendeu de imediato ao apelo de Lula. Escreveu em sua página no Facebook: – Contra o fascismo, a porrada. Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda. Está na hora de responder a esses filhos da puta que roubam e querem achincalhar o partido que melhorou a vida de milhões de brasileiros. Agrediu, damos porrada. É o exemplo que vem de cima!

Para o bem ou para o mal, este país carregará na sua história a marca indelével de um ex-retirante nordestino miserável, agora um milionário lobista de empreiteiras, que disputou cinco eleições presidenciais, ganhou duas vezes e duas vezes elegeu uma sem voto, sem carisma e sem preparo para governar. Lula já foi uma estrela que brilhava sem medo de ser feliz. Foi também a esperança que venceu o medo. Está se tornando uma forte ameaça à democracia.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

AQUI, O QUE PODE PIORAR, PIORA.

Pepe Vargas virou peça

decorativa no Planalto

000000000000000000000000jmarcos

Titular da pasta das Relações Institucionais, o ministro Pepe Vargas (PT-RS) deveria ser o articulador político de Dilma Rousseff. Desde que assumiu o desafio, em 1º de janeiro, não conseguiu expor aos aliados do governo no Congresso um itinerário. Como o poder não tolera a impotência, seu colega Aloizio Mercadante (Casa Civil) assumiu o volante. E Pepe virou um articulador ornamental.

Nos dois meses iniciais do segundo mandato de Dilma, o nome de Pepe foi anotado na agenda oficial da presidente uma mísera vez, no dia 9 de janeiro. E não foi para uma conversa a sós, mas para uma reunião da qual tomaram parte também os ministros Mercadante e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência).

Lula costuma dizer que o coordenador político de um governo tem prazo de validade curto. Com Pepe, o desgaste veio na velocidade de um raio. Principal sócio do empreendimento governista, o PMDB desligou-o da tomada. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, chama-o de trapalhão. O comandante do Senado, Renan Calheiros, o ignora.

No momento, a prioridade do Planalto é azeitar no Congresso a votação das medidas provisórias que compõem o esforço fiscal do governo. Na semana passada, a equipe econômica —Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central)— jantou com o PMDB. Dilma providenciou para que Mercandate acompanhasse a troica, não Pepe.

Um emissário de Dilma foi conversar com Eduardo Cunha na residência oficial da presidência da Câmara. De novo, a missão foi confiada a Mercadante, não a Pepe. Entre todos os 39 ministros, Mercadante é o que mais vira a maçaneta da sala de Dilma.

Afora as conversas extra-oficiais, Mercadante apareceu na agenda da presidente sete vezes em dois meses. Colados nele, vêm os ministros Nelson Barbosa (Planejamento), com cinco audiências; e Joaquim Levy, com quatro.

Por ora, o vaivém do governo apenas acrescentou descoordenação ao que já estava fora de controle. O próprio Lula engrossou o coro dos críticos em duas reuniões político-gastronômicas da semana passada —um jantar com a bancada de senadores do PT e um café da manhã com os dirigentes do PMDB.

Nesta segunda-feira, empurrada por Lula, a própria Dilma receberá para jantar no Palácio da Alvorada os caciques do PMDB. Vão discutir a relação à luz do que disse o aliado Renan Calheiros: “A coligação está capenga”.*

(*) Blog do Josias de Souza