A CONFERIR…

Para Janine, Levy é

‘único ministro indemissível”

000 - aaaaaaa tarja vermelha estrelada

Pode-se dizer muita coisa do professor e filósofo Renato Janine Ribeiro, menos que ele seja do tipo que traz as opiniões na coleira. O novo ministro da Educação é dono de avaliações agudas. E não costuma se esquivar de exprimi-las. Ao contrário. Leva-as à vitrine num ritmo frenético, em artigos e entrevistas. Já declarou, por exemplo, o seguinte: “Como o governo da Dilma foi uma decepção do ponto de vista econômico, então, a política que ela está adotando agora é tucana. Com ressalvas, mas é parecida com a dos tucanos.”

Para Janine, o titular da pasta da Fazenda, Joaquim Levy, “talvez seja o único ministro indemissível desse governo. Não apenas porque ele é forte. Se ele se demitir, todos saberão que Dilma não apoiou seu projeto de recomposição da economia.” Nas atuais circunstâncias, nem os empresários, que talvez preferissem Armínio Fraga —o ministro da Fazenda que Aécio Neves não teve a oportunidade de nomear—, nem mesmo eles apoiam a saída intempestiva de Dilma Rousseff do cargo antes do prazo constitucional de 2018.

Ouça-se Janine: “Se o preço de o Armínio entrar for um processo complicado deimpeachment, com manifestações na rua, com contramanifestações, greves… Se o governo for mais à direita pelo fruto de um processo não democrático, como aconteceu no Paraguai e em Honduras, haverá fortes riscos de a sociedade entrar em uma crise séria. Isso não é bom para os empresários.”

O Janine retratado nesse texto pode ser encontrado numa conversa publicada há 12 dias na revista Brasileiros. Um detalhe conspirou a favor da franqueza do entrevistado. Àquela altura, Janine, um eleitor não-petista de Dilma Rousseff, ainda não farejava a hipótese de colocar os sapatos na Esplanada dos Ministérios. Aliás, ele não invejava a rotina dos auxiliares de Dilma.

Ouvido pelas repórteres Luiza Villaméa e Márcia Pinheiro, Janine lamentou que Dilma tenha conservado no segundo mandato um hábito do primeiro. “Os ministros continuam tendo as orelhas puxadas cada vez que falam uma coisa de que ela não gosta. Não há autonomia dos ministros.” O agora ministro da Educação abriu apenas duas exceções. Além de Joaquim Levy, apenas Juca Ferreira, o ministro da Cultura, tem “mais autonomia” do que os colegas.

Na opinião de Janine, Levy dispose de autonomia “justamente por ser quase uma intervenção tucana na economia, um símbolo do descumprimento da promessa de campanha”.   Quanto a Juca, embora comande uma pasta que o governo considere desimportante, ele “tem força no meio cultural que dá a ele grande autonomia.” De resto, Juca “maneja um orçamento pequeno, comparado com o resto, provavelmente não vai levar puxão de orelha.”

Não se sabe que compromissos Dilma assumiu com Janine para convencê-lo a assumir o comando da Educação. Mas não é negligenciável a hipótese de os dois terem trocado ideias sobre orelhas. Janine não ignorava os riscos: noves fora Levy e Juca, “os outros ministros correm o risco de terem a orelha puxada o tempo todo. O que torna difícil para eles irem a público. Vão defender o quê? De repente, muda tudo. Defendem o governo e recebem uma correção de cima.”

Neste sábado, a repórter Joana Cunha revelou um fato que desafia a máxima de Janine. Ela conta que, há quatro dias, o ministro da Fazenda disse, a portas fechadas, que Dilma nem sempre age da maneira mais eficaz. Levy falava para um grupo de ex-alunos da escola de negócios da Universidade de Chicago. Expressando-se em língua inglesa, afirmou:

“Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil… Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuino”. A repórter obteve gravação dos comentários. Em condições normais, Dilma ficaria furiosa. Mas se Janine estiver certo, as orelhas de Levy estão a salvo. Afinal, que presidente ousaria maltratar um ministro “indemissível”?

Num artigo publicado em 5 de janeiro no jornal Valor, Janine já havia esmiuçado a tese da indemissibilidade do ministro da Fazenda. Nesse texto, o novo ministro de Dilma anotara que Joaquim Levy “é tão necessário ao governo Dilma 2.0 quanto Henrique Meirelles foi ao governo Lula 1.0”.

Acrescentou: “Doze anos atrás, o banqueiro Meirelles foi o fiador do governo Lula junto ao mercado. Com os anos, deixou de ser indispensável (embora tenha continuado no cargo), porque o patronato adquiriu confiança em Lula. Hoje, Levy é o fiador do segundo governo Dilma junto ao mercado. Ao menos nos proximos anos, se ele demitir-se ou for demitido, serão sérios os riscos para a governabilidade econômica. Isso lhe dá um mandato forte.”*

(*) Blog do Josias de Souza

FOLHEADO A OURO COM PÉS DE BARRO

Os 8% de teimosos agora são mais de 60% e se

multiplicam nas ruas. A seita lulopetista ficou

menor que a inflação real

000 - aa bunda

Em 9 de junho de 2009, o título do post reproduzido na seção Vale Reprise ironizou o pânico epidêmico provocado pela instauração de uma CPI da Petrobras: alguém deve ter gritado “olha o rapa!” na porta da maior estatal brasileira, resumia. Estavam pálidos de espanto diretores, fregueses, fornecedores, pequenos acionistas e o homem do cafezinho. Estavam transidos de horror o presidente da República, ministros de Estado, senadores e deputados da base alugada, oposicionistas a favor, porteiros do Palácio do Planalto e o jornaleiro do Congresso. Por que tanta correria? Por que o medo coletivo? Aí tem, concluía o texto.

Tinha mesmo, sabiam os que nunca perderam o juízo e a vergonha. E como tinha, vem reiterando desde março de 2014 a devassa do Petrolão. Abstraídas as dimensões assombrosas da roubalheira e as propinas calculadas em milhões, a descoberta do maior, mais guloso e mais atrevido esquema corrupto da história não pareceu surpreendente aos olhos de quem não cai em conto do vigário e vê as coisas como as coisas são. Os leitores da coluna são testemunhas (e o timaço de comentaristas é protagonista) desse filme em que o PT morre no fim. E não foi por falta de aviso que tanta gente demorou tanto para entender que o país está sob o domínio de um bando de farsantes.

Se a abulia epidêmica fosse menos longeva, os comparsas envolvidos no grande embuste seriam alcançados mais cedo pelo desmoralizante castigo sonoro que fez Lula perder a voz, o rumo e o sono no Maracanã, na cerimônia de abertura dos Jogos Panamericanos de 2007. A vaia, lembrou um post de 17 de julho de 2009, “é o som que funde a fúria, o cansaço, o sarcasmo e a chacota. Sobressalta o presunçoso, silencia o falastrão, inibe o debochado, constrange o arrogante, desfaz o sorriso do canalha, assusta o ladrão. Nada como a propagação da vaia para combater surtos de bandidagem política semelhantes à que devasta o Brasil neste começo de século. Não há nada a perder além da sensação de impotência e da indignação há tanto tempo represada”.

Há seis anos, os supermercados de pesquisas repetiam que não passavam de 8% os que achavam ruim ou péssimo o governo lulopetista. Os nativos indignados, portanto, já foram uma espécie em extinção. Eram tão poucos que alguns blogueiros estatizados sugeriram que os críticos do governo fossem identificados um a um e examinados cuidadosamente, porque certamente sofriam de algum distúrbio psíquico ainda não catalogado pela ciência. A ideia ganhou força em 2012, quando o poste ameaçou superar o recorde do seu fabricante e chegar a 100% de popularidade (ou 103%, se a margem de erro oscilasse inteira para cima).

Passados dois anos, todas as pesquisas escancaram a dramática mudança na paisagem. Os 8% se multiplicaram com extraordinária rapidez. Agora são mais de 60% os que acham ruim ou péssimo o desempenho de Dilma e seus ministros A resistência democrática está nas ruas ─ e na ofensiva. Os poderosos vigaristas da virada da década estão acuados por manifestações de protesto. Muitos estão na cadeia, outros fogem do camburão. Lula sumiu, Dilma não sabe o que fazer e não diz coisa com coisa. Os satisfeitos com o desgoverno somam desprezíveis 7% do eleitorado.

A seita lulopetista ficou do tamanho da inflação oficial. E muito menor do que a inflação real.*

(*) Blog do Augusto Nunes.

O “HERÓI DO POVO”

José Dirceu, o melhor “consultor” do mundo: era só contratar e ter lucro certo

(Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Mesmo depois de ser preso por seu envolvimento no mensalão, Dirceu recebeu mais de um milhão de reais de clientes de sua “consultoria” (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

O MELHOR CONSULTOR DO MUNDO

Investigado no petrolão, José Dirceu tinha a receita do sucesso para qualquer empresa: era só contratá-lo que o lucro era certo

Reportagem de Hugo Marques Daniel Haidar publicada em edição impressa de VEJA

Depois de deixar o governo Lula em 2005 pela porta dos fundos, o petista José Dirceu passou a atuar como consultor valendo­-se da vasta influência que exerce sobre companheiros instalados nas mais diversas engrenagens do governo. O fato de sua carteira de clientes incluir algumas das principais empreiteiras acusadas de participar dos desvios bilionários da Petrobras fez com que ele logo passasse a ser investigado no escândalo do petrolão. O Ministério Público pediu a abertura de um processo para aprofundar essa relação.

Na semana passada, o juiz Sergio Moro liberou para consulta pública parte das informações constantes dos autos. Com isso, ficou-se sabendo que Dirceu não é apenas um consultor bem-sucedido – é um sucesso retumbante. De 2006 a 2013, o ex-ministro faturou 29,3 milhões de reais em contratos de consultoria com empresas de todos os tamanhos e atuantes nos mais variados setores da economia – de cervejaria a laboratório farmacêutico, de escritório de advocacia a concessionária de automóveis, Dirceu estava em todas.

Pudera: sua contratação, como se verá a seguir, era garantia de ótimos resultados.

Tamanha eficiência fez com que, mesmo durante sua temporada na prisão, Dirceu seguisse recebendo pagamentos por seus serviços. A VEJA, dois de seus clientes, a construtora Consilux e o laboratório EMS, admitiram que destinaram 1,2 milhão de reais ao ex­-ministro quando ele já estava atrás das grades. São os contratos com as empresas que faturavam alto na Petrobras, porém, que podem levar Dirceu a ter de travar novo embate nos tribunais antes mesmo de cumprir o restante da pena do mensalão. Do clube do bilhão, o petista recebeu pelo menos 8 milhões de reais.

O ápice dos pagamentos se deu em 2012, período em que o petrolão estava funcionando a pleno vapor e que coincidiu com a condenação de Dirceu por participação no mensalão. Entre as empreiteiras que aparecem na lista de clientes do ex-ministro estão OAS, Engevix, UTC, Galvão Engenharia e Camargo Corrêa – todas acusadas de integrar o cartel que atuava na Petrobras.

Dirceu nega que sua consultoria abrisse caminho para negócios na Petrobras ou no governo. Mas, assim como aconteceu no mensalão, os fatos sugerem que ele não fala a verdade. Há quatro anos, uma reportagem de VEJA revelou que as consultorias do ex-ministro não passavam de eufemismo para acobertar a prática de tráfico de influência. Da notória empreiteira Delta surgiu o primeiro exemplo de como os serviços do ex-ministro encurtavam o caminho rumo aos cofres públicos.

Em 2009, a Delta, por meio de outra empresa do grupo, a Sigma Engenharia, fechou um contrato com a empresa de Dirceu, a JD Assessoria e Consultoria. Oficialmente, o objetivo era ampliar a participação da companhia no Mercosul. Mas foi no Brasil que os negócios da empresa se multiplicaram. De partida, a Delta dobrou o valor de seus contratos com o governo federal e, logo depois de passar a contar com os serviços do “consultor” Dirceu, entrou para o seleto grupo de prestadoras de serviço da Petrobras.

Não era coincidência. Na ocasião, um sócio da empresa, Romênio Machado, admitiu: “O trabalho dele (Dirceu) era fazer tráfico de influência”.

Agora, com a lista de clientes de Dirceu exposta à luz, é possível dizer que a Delta não era exceção. Outras empreiteiras ampliaram exponencialmente seus negócios após recorrer aos préstimos do mensaleiro. E o milagre da multiplicação não se dava apenas na Petrobras. Era extensivo a órgãos do governo federal.

As consultorias de Dirceu contavam com a ajuda de parceiros valiosos. Em 2011, ele (no detalhe da foto) e Lula viajaram juntos ao Panamá para encontros com autoridades do país (Foto: VEJA)

As consultorias de Dirceu contavam com a ajuda de parceiros valiosos. Em 2011, ele (no detalhe da foto) e Lula viajaram juntos ao Panamá para encontros com autoridades do país (Foto: VEJA)

A Galvão Engenharia é um exemplo. No mesmo ano em que contratou Dirceu, a empreiteira recebeu do governo 203 milhões de reais, onze vezes mais do que havia recebido no ano anterior. No primeiro ano de contrato com o “consultor”, outra companhia, a SPA Engenharia, experimentou um salto de 40% em seu faturamento junto aos cofres do governo. Recebeu 237 milhões. O ano seguinte foi ainda melhor: o valor passou para 541 milhões.

Até a tradicional Camargo Corrêa, que em 2009 estava assistindo a uma queda nos seus negócios com a administração federal, de repente viu a curva mudar de rumo. Bastou contratar Dirceu e as coisas melhoraram.

Para fazer valer os gordos “honorários”, Dirceu contava com parceiros ocasionais importantes. Um deles era o ex-presidente Lula, que, depois de deixar o governo, se lançou no mundo das consultorias e palestras. Em 2011, por exemplo, os dois fizeram juntos uma viagem de negócios ao Panamá. Lá, sem esconderem a condição de lobistas, tiveram encontros com o presidente do país e ministros de Estado.

Em mais uma evidência do cruzamento de interesses públicos e privados, em parte de seus compromissos no país a dupla contou com o auxílio logístico de funcionários da embaixada brasileira.

Na lista de clientes de Dirceu há um detalhe repleto de significado: entre os pagadores há um lobista que, de acordo com as investigações, recorria às suas amizades no PT para fechar negócios na Petrobras e, como contrapartida, se encarregava de retribuir a gentileza distribuindo propina a quem o ajudava. A Dirceu, esse lobista pagou quase 1,5 milhão de reais. Por serviços de consultoria, claro.

COBRA ENGOLINDO COBRA

Paes foi fisgado pela mosca azul 

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Até pouco tempo, a distância entre o comando nacional do PMDB e o dos palácios das Laranjeiras e da Cidade era do tamanho de uma transamazônica.

Hoje, governador e prefeito têm assentos nas reuniões do Jaburu, “bunker” do comando do PMDB. Foi numa dessas reuniões que o prefeito Eduardo Paes se insurgiu contra o ministro da Fazenda, com quem, segundo suas próprias palavras, “discutiu loucamente”, por causa da renegociação da dívida da prefeitura.

Na intimidade do “bunker” Paes tem desancado Dilma, como poucos oposicionistas tiveram a coragem de fazê-lo. A súbita adesão do prefeito ao coro oposicionista tem uma explicação lógica: ele foi fisgado pela mosca azul e estimulado por essas novas companhias a ser o candidato do partido à sucessão da Dilma.

Faz sentido. Paes é um dos raros peemedebistas limpos dos escândalos até agora. E como o PMDB quer seguir uma carreira solo, ele passa a ser sua principal opção.
Lamento sertanejo

Renan, como presidente do Senado, recusa jantares e conversas com a presidente, alegando sua condição de chefe de um poder independente. Mas, na intimidade do PMDB, defende com unhas e dentes seus apadrinhados no governo, ao ponto de ter tentado vetar Henrique Alves para a vaga de um de seus apaniguados.

É o mesmo que acordar Lampião e dormir Maria Bonita.*

(*) Jorge Bastos Moreno – O Globo

“EU NÃO SABIA”…

JOAQUIM LEVY AVISA QUE ECONOMIA

DEU “FORTE DESACELERADA”

000 - falta avisar dilmá, lulá e cia. ilimitada

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta sexta-feira que não houve surpresa nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro referentes ao ano passado, mas que os números apontaram para um início de 2015 sem impulso na atividade doméstica.

“Vamos descobrir (adiante) que a economia deu uma desacelerada forte neste começo de ano”, disse Levy a jornalistas, em entrevista para comentar os dados divulgados mais cedo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo ele, no entanto, as questões que geravam incertezas já estão sendo respondidas. “Na medida em que a gente também vai construindo essa estratégia da retomada do crescimento, certamente a economia vai responder, porque o principal fator era a incerteza que havia na virada do ano”, afirmou.

TRANSIÇÃO?

Levy repetiu que o Brasil vive um momento de transição e que os ajustes em curso na política econômica são necessários para que a confiança seja retomada e os investimentos cresçam. O ministro afirmou ainda que o real mais depreciado ajudará as exportações, beneficiando a economia brasileira à frente. Em relação aos investimentos, ele espera uma recuperação no segundo semestre deste ano.

“Começa a haver espaço para uma recuperação das exportações. No ano passado, a contribuição das importações e exportações foi neutra, uma compensou a outra. Este ano, nós esperamos que haja recuperação das exportações e que, portanto, o setor externo possa ajudar no crescimento da economia”, afirmou o ministro.

RECUO DO ÍNDICE

Para o ministro, empresas que desejem “se aparelhar” não só para exportar, mas para atender o mercado local, podem alavancar a compra de máquinas e equipamentos e, consequentemente, elevar a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – uma medida de investimento – e a própria taxa de investimento da economia brasileira.

O IBGE divulgou que a economia brasileira cresceu 0,3% no quarto trimestre na comparação com os três meses anteriores, beneficiada pela expansão do setor agropecuário. No acumulado de 2014, porém, a atividade teve expansão mínima de 0,1%, com a FBCF recuando 4,4%, o pior resultado desde 1999.*

(*) Agência REUTERS

MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM É CÚMPLICE

O SENADO ENQUADRA A PRESIDENTE

O Senado decidiu votar emenda constitucional que obriga todo presidente da República a indicar um jurista, no máximo em   90 dias, para qualquer vaga aberta de ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de uma reação mais do que necessária à estranha delonga da presidente Dilma em ver preenchido o lugar de Joaquim Barbosa, aposentado em julho do ano passado. Os protestos do Supremo são conhecidos há muito, pois funcionando com dez e não com onze ministros, seus trabalhos vem sendo prejudicados.

Fica difícil, quase impossível, perscrutar os motivos porque Madame não faz a indicação. Não será pela falta de cidadãos detentores de alto saber jurídico e reputação ilibada. Até porque poderia ser selecionado um jurista amigo do governo, capaz de votar segundo seus interesses. Essas situações são comuns.

Agora que Renan Calheiros endossou a proposta, pode ser que a presidente demore ainda mais para indicar o novo ministro, por capricho ou represália, mas quem fica mesmo prejudicado é o Judiciário. E nem ao menos o Executivo se beneficia. Afasta-se, como mesquinha, a hipótese de os senadores estarem decididos a rejeitar qualquer nome proposto, como parte do entrevero entre o Senado e o palácio do Planalto. Fica no ar a indagação sobre a demora.

LAVANDO A JATO

Enquanto isso, desenvolve-se a Operação Lava-Jato. Mais dois presos, ontem, por ordem do juiz Sérgio Moro. Não vai demorar o julgamento dos envolvidos no escândalo da Petrobras que não são parlamentares, a se verificar na primeira instância da Justiça do Paraná. Mesmo os que detém mandato parlamentar, respondendo a inquérito junto ao Supremo, deixam de contar com prazos ilimitados. A expectativa é de que as denúncias, quando admitidas, sejam processadas até o fim do ano.

A conclusão a tirar de mais um capítulo da novela do embate entre o governo e o Congresso é de parecer longe a trégua na Praça dos Três Poderes.

PROIBIÇÃO SEM FINANCIAMENTO

Há apreensão entre os parlamentares mais dedicados à reforma política. Sabem que as contribuições empresariais nas campanhas eleitorais estão na base da corrupção que assola o país, mas hesitam em promover a proibição pura e simples. O futuro da classe política estaria em jogo, pois ninguém se elege sem muitos milhões. O financiamento público atenderia pequena parte das necessidades e, mesmo assim, é visto com antipatia pelo eleitorado. Num país onde se cortam gastos sociais, como justificar recursos do tesouro nacional para ajudar a eleger políticos? O risco é de continuar tudo como está.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

POUCA VERGONHA É POUCO

TEA PARTY TUCANO

Na semana passada, as grandes atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg se beijaram na novela das nove. As duas têm 85 anos e interpretam um casal de senhoras que vivem juntas, como acontece em muitos lares brasileiros.

Um deputado do PSDB, o pastor João Campos, descreveu a cena como um “estupro moral” destinado a “afrontar os cristãos”. Líder da Frente Parlamentar Evangélica, ele pediu aos fiéis que boicotem a novela e seus anunciantes. Se for obedecido, milhões de donas de casa terão que mudar de canal e marca de xampu.

Nesta terça, a Comissão de Educação da Câmara fará uma audiência pública para discutir a “doutrinação política e ideológica nas escolas”.

Um deputado do PSDB, Izalci Ferreira, marcou a sessão. Por telefone, ele explicou que o governo tem usado professores e livros didáticos para pregar o homossexualismo e “transformar o Brasil na Venezuela”. Perguntei que ideologia o preocupava tanto. “Não sei se é comunista, anarquista ou socialista. É uma mistura”, ele respondeu, antes de citar a sobrinha de 5 anos como vítima da doutrinação. “Outro dia, ela pegou um livro para colorir e estava cheio de estrelinhas. Quando vi, ela tinha colorido todas de vermelho”, contou o tucano, dizendo-se indignado.

No último dia 13, parlamentares discursaram sobre as manifestações marcadas para o domingo seguinte.

Um deputado do PSDB, Delegado Waldir, acusou o governo de censurar um artigo de Arnaldo Jabor. Passou a ler um texto primário, falsamente atribuído ao cineasta. “Tudo fica ridículo diante da ditadura, ditadura mesmo, do lulopetismo, a maior ditadura do mundo”, esbravejou, na tribuna. “O Brasil é uma ditadura!”, bradou outras quatro vezes.

Uma direita tacanha está sequestrando o partido de Covas, Montoro e FHC. Se Aécio Neves não explicar aos colegas que o Estado é laico e que a Guerra Fria acabou, corre o risco de disputar as próximas eleições em um Tea Party tupiniquim.*

(*) Bernardo Mello Franco – Folha de São Paulo

DEGRADAÇÃO TOTAL

Fabricando a própria mentira

As experiências de Westen mostram que se a realidade não se adapta às verdades que seu cérebro rejeita, ele cria uma realidade paralela à qual seu cérebro se adapta

É possível que esteja acontecendo alguma coisa que a nossa vista não alcança.

Mas os fatos se avolumam diante de nossos olhos e ainda assim existe um exército disciplinado tentando nos convencer de que os fatos não são exatamente fatos. São apenas uma versão distorcida dos fatos, fabricada por nosso superego reacionário e elitista que não se conforma com a ascensão social das classes mais pobres.

Esse truque semântico é um truque pobre, mas pode ter lá a sua eficácia dentro do um universo onde o raciocínio raso se transforma em palavra de ordem e em farol e guia de alguém que anda à procura de um farol e de um guia para justificar a falta de substância e de propósito investidos na defesa do indefensável.

Temos hoje o que é talvez um dos piores governos da história da República,há evidências gritantes de um esquema de corrupção que parece construído para sustentar não os desvios de caráter  da ganância individual mas os alicerces de um projeto de perpetuação do poder, e mesmo assim a desconversa institucionalizada tenta convencer-nos de que todos são iguais.

Tudo o que é malfeito hoje é versão copiada dos malfeitos de ontem.

Um fato extraordinariamente significativo para ilustrar a diferença entre o “todos são iguais” e o esquema organizado de controle do poder é o caso do Postalis, o fundo de pensão dos empregados dos Correios, onde detectou-se um déficit de 5,2 bilhões de dólares, que terá que ser coberto por aportes adicionais dos funcionários durante pelo menos 15 anos para equilibrar as contas e garantir o pagamento das aposentadorias adicionais de quem resolveu apostar uma velhice tranquila nele.

O que você pode dizer de um fundo de pensão estatal que é controlado pelos partidos que dividem o governo, o PT e o PMDB? Que o dinheiro foi desviado? Não se sabe, não há provas. O que o Tribunal de Contas da União diz é que no portfólio do Fundo havia títulos da dívida pública da Venezuela e da Argentina. E havia também ações da empresa do Eike Batista.  Gestão temerária?

Quem é que no pleno domínio de suas faculdades mentais pega as economias de uma multidão de 71 mil trabalhadores e investe em títulos podres como esses? Só há duas explicações possíveis: má fé ou incompetência absurda.

Qualquer das duas hipóteses caracteriza dolo: ou alguém roubou ou alguém foi muito incompetente a ponto de jogar o dinheiro alheio no lixo. Seja qual for a explicação, ela não absolve ninguém.

Contra todas as evidências, os exércitos retardatários de Thomas Traumann, o secretário de Comunicação Social do governo de Dilma, devidamente defenestrado pelo vazamento de seu “documento secreto”, insistem em ignorar a realidade e tentam levar a sua contradança para o terreno da fantasia da luta do bem contra o mal.

A negação da realidade é um sintoma mais um menos agudo de uma patologia que, em seus casos mais graves, pode ser definida como uma espécie de esquizofrenia, uma doença sem cura que procura adaptar à realidade aos sonhos e delírios do paciente.

No livro “O Cérebro Político” do neurologista norte-americano Drew Westen, existe uma tentativa de explicação científica para essa espécie de negação da realidade, que foi medida em várias experiências feitas em laboratório através de ressonância magnética.

As experiências de Westen mostram que se a realidade não se adapta às verdades que seu cérebro rejeita, ele cria uma realidade paralela à qual seu cérebro se adapta. Ou seja: você cria sua própria realidade e passa a viver dentro dela.

Através desse mecanismo você passa a acreditar em suas próprias mentiras. Não é legal?*

(*) Sandro Vaia, jornalista, no blog do Noblat