EU TAMBÉM ME ACUSO

Eu acuso: votei no PT, idolatrei Dirceu:  e ajudei Lula a combater um grampo em sua casa

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Paulo Francis era trotskista na juventude (trosco). Os escritores André Gide, John dos Passos, Arthur Koestler, George Orwell, abandonaram o marxismo e se aproximaram da chamada direita. Os melhores autores de marxismo que li na vida, Milovan Djilas (Iugoslávia) e Leszek Kolakowski (Polônia), se converteram nos maiores críticos do marxismo, nos anos 70.

Ferreira Gullar (que já foi comuna no naipe Ferreira Gullag) odeia o PT.

E o finado Leandro Konder, comunista de carteirinha, tinha no também finado e refinado escritor José Guilherme Merquior (herói do conservadorismo) a maior autoridade em marxismo do mundo.

Diz algo, não?

Segue a confissão: já fui petista. Segue a segunda confissão: ajudei a amigos de Lula a detectarem um grampo telefônico em sua casa no ABC, quando ele era candidato na campanha que o elegeu presidente.

A confissão brotou publicamente pela primeira vez num meu livro lançado pela então editor de Xico Sá e Pinky Wainer. Você pode ler a íntegra aqui, em pdf:

https://tupiwire.files.wordpress.com/2009/12/livro-tognolli_ok1.pdf

Agora em maio lanço dois livros. Sobre um posso falar: trata de espionagem. Nele estará relatada em  mais detalhes a história no grampo na casa do Lula.

O maior protagonista na história desses grampos, como você verá, é o policial federal Francisco Carlos Garisto, pai do sindicalismo na PF…

Bom: e por que eu votava no PT e ajudei o Lulinha paz e amor no lance dos grampos telefônicos?

O que me seduziu, acreditem, foi um lance do então deputado federal…Zé Dirceu!!!

Já contei aqui a história de um amigo, morto já pouco, responsável por Dirceu  ter sobrevivido a uma tocaia armada:

https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/morre-policial-a-quem-a-cia-encomendou-a-morte-de-232100192.html

Mas agora segue o que fez, a mim, o Dirceu um cara sério. Nos 90 o Brasil era acossado pelo caso dos Anões do Orçamento. A saber: em 1993, a CPI dos Anões do Orçamento investigou 37 parlamentares por suposto envolvimento em esquemas de fraudes na Comissão de Orçamento do Congresso Nacional. O relatório final de Roberto Magalhães(PFL-PE), pediu a cassação de 18 deles:  mas apenas 6 perderam seus mandatos. Os envolvidos roubaram mais de R$ 100 milhões públicos, com esquemas de propina, para favorecer governadores, ministros, senadores e deputados.

Foi atribuído ao deputado João Alves a articulação do esquema, que dominava, acreditem, desde 1972 (quando passou a integrar a Comissão de Orçamento do Congresso, colaborando com o Executivo ao impedir que seus colegas parlamentares fizessem mudanças em projetos). Em troca, Alves acertava a inclusão e aprovação de emendas parlamentares entre os gastos oficiais, cujas verbas eram direcionadas para seus redutos eleitorais.

Todo o esquema comandado pelo baiano, João Alves, na época do PFL, foi por ele assim justificado:  ganhou tudo na loteria, 56 vezes só em 1993 ( o que, pelos rigores pétreos da probabilidade matemática, representaria um gasto de US$ 17 milhões em apostas…)

Pois bem: o deputado José Dirceu de então propôs um decreto legislativo que era chamado informalmente de “lei anti-impunidade”. Seu objetivo: encurtar ao máximo o tempo em que o parlamentar tinha direito à renúncia. Denunciado à Mesa, babau: já perdia o direito à renúncia para poder voltar nas eleições seguintes. Assim, por ideia do Dirceu, tão logo a representação contra um deputado ou senador, por quebra de decoro parlamentar, chegasse à Mesa da Câmara ou do Senado, automaticamente o parlamentar perdia o direito de renunciar ao mandato… hoje isso só acontece quando o processo é aberto no Conselho de Ética.

O decreto de José Dirceu vigorou entre março e junho de 1994. E era tão demencialmente stalinista que impunha a perda ao direito de renúncia não apenas a quem tinha representação instaurada na Mesa, mas também a quem já estava sendo investigado “por qualquer órgão do Poder Legislativo”.

Adorei isso: era, aos meus olhos, um stalinismo necessário para purgar o Brasil dos gatunos.

Me lembro da seguinte cena: o deputado José Dirceu subindo no teto de uma das casas de um gatuno dos anões do orçamento, José Carlos Alves dos Santos. Ele era o responsável técnico da Comissão do Orçamento, e foi o delator do esquema, após suspeita de ordenar a morte da mulher.  Santos relatou à CPI que sua mulher sabia do esquema, mas tinha conhecimento apenas das comissões, que variavam entre 20% e 30%. Santos matou sua mulher Ana Elizabeth Lofrano a golpes de picareta na cabeça (como Ramon Mercader fez contra Trotsky, no México). Lembro de Dirceu subindo o forro de um cafofo de Alves,  para achar documentos para entregar a nós, jornalistas.

O impenitente (e polaroidemente demencial) Zé Dirceu era nosso herói. Tinha uma rede dos diabos para alimentar repórteres. Entregava-nos até cousas contra seu próprio PT, num lance a que chamava de “vazamento controlado”.

Uma vez ministro da Casa Civil, passou a condenar nos outros o que condenavam nele. Dirceu, nessa nova classe de pegada, apontava nos outros os seus próprios defeitos. Um seu amigo próximo me disse: “Olha, o Dirceu está pregando muito contra os defeitos alheios. Perdoa-se o pecador, mas jamais o pregador. Dirceu vai cair por isso”.

Dirceu caiu. E  ainda está caindo: e eu não lhe perdôo por isso, falou ?*

(*) Blog do Claudio Tognolli

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