BRASIL, NA REAL

 A ordem do dia

NaniTitanic
A presidente Dilma finalmente se decidiu: convocou reunião com o ex-presidente Lula, o vice-presidente Michel Temer, o ex-presidente Fernando Henrique, mais os presidentes do Senado e da Câmara, para buscar soluções de consenso que tirem o país da crise. Deve-se discutir o ajuste fiscal – o que é essencial, o que pode ser negociado, o que pode ser substituído – e acertar uma distensão no clima político. Nada de união nacional, mas de civilidade na política. Não é por ser governista que o cidadão será acusado de ladrão, nem por ser oposicionista que o denunciarão como golpista. Ninguém tentará pacificar diretamente as redes sociais, mas os grupos partidários organizados que preparam a argumentação usada pela guerrilha virtual e manipulam os robôs devem ser desativados.

Foi uma decisão difícil para todos – para Dilma, instada a afastar do centro das decisões ministros de trato áspero, como Mercadante e Pepe Vargas; para Lula, que precisará desistir, ao menos agora, da censura à imprensa; para Fernando Henrique, a quem caberá a complexa conversa com os manifestantes para convencê-los a sair das ruas. É duro para todos, até para o PMDB, que estava adorando mandar no país. Mas as advertências de pessoas como Michel Temer e o advogado Sigmaringa Seixas, sobre o cansaço da população com discursos moralistas enquanto os políticos continuam gastando à vontade, foram ouvidas.

Hoje é 1º de Abril, Dia da Mentira. E, cá entre nós, alguém poderia acreditar numa história dessas, que envolveria tanto desprendimento de nossos líderes?

 

A vida real

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As investigações devem estar atrapalhando o fluxo habitual de parte das propinas para o financiamento de campanhas. Mas o problema, ao menos parcialmente, foi resolvido: o Congresso triplicou o Fundo Partidário, dinheiro público destinado aos partidos. De R$ 500 milhões por ano, passou a R$ 1,5 bilhão.

 

A verdade parcial…

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O ajuste fiscal, garante o ministro Joaquim Levy, é para valer. Mas só até chegar às despesas parlamentares. O salário dos congressistas subiu 26,6%, há destinação de maiores verbas para Gabinete e Atividade Parlamentar. O custo de funcionamento do Congresso se elevou em R$ 1,4 milhão por dia. No total, Câmara e Senado devem gastar R$ 9,3 bilhões neste ano.

Ou R$ 1 milhão por hora.

 

…a verdade total

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E os gastos devem ser maiores. A Câmara pretende construir três novos prédios, com 332 mil m², para ampliar os gabinetes de Suas Excelências e oferecer-lhes conforto mais digno de seu elevado status. Um shopping center, por exemplo, com restaurantes, lojas, lanchonetes, áreas de lazer; e 4.400 vagas na garagem subterrânea. A Câmara estima os gastos em R$ 1 bilhão, coisa pequena, que seriam suportados por empresas privadas em troca da exploração de pontos de comércio.

Algo comum, parecido com o que foi feito nos estádios da Copa.

 

A verdade do PT

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A reunião do PT, dia 30, gerou um manifesto interessantíssimo. “Como já reiteramos em outras ocasiões, somos a favor de investigar os fatos com o maior rigor e de punir corruptos e corruptores (…) E, caso qualquer filiado do PT seja condenado em virtude de eventuais falcatruas, será excluído de nossas fileiras.”

Para que se veja como a Imprensa Golpista, Coxinha, Reacionária, Parcial, Manipuladora e Viciosa procura esconder fatos relevantes a respeito do PT: o caro leitor pode procurar em qualquer jornal, revista, nos informativos de TV, rádio e Internet, nos blogs direitistas, e não encontrará a notícia de que José Dirceu, José Genoíno, João Paulo Cunha e Delúbio Soares, condenados pelo Supremo Tribunal Federal no processo do Mensalão, que cumpriram penas de prisão, foram excluídos do PT.

A Mídia Atrelada ao Grande Capital Internacional e à Zelite escondeu a punição imposta pelo partido aos Guerreiros do Povo Brasileiro!

 

O feriado na Justiça

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Sexta-feira santa é feriado, certo? Para os tribunais, não será um feriado isolado, mas protegido por uma muralha de outros dias de folga. Na maior parte dos tribunais, a semana terminou ontem, 31. Em 16 Estados, os tribunais de justiça trabalham até amanhã. Não faltará tempo para os preparativos religiosos.

 

Refém da solidão

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O jornalista Jorge Moreno, de O Globo, é um dos grandes conhecedores da vida política do país. Amigo de todos (exceto de um parlamentar, a quem chama de Coisa Ruim, provavelmente com razão), com longa vivência, leal, talentosíssimo, não há quem saiba mais da vida e dos relacionamentos dos políticos.

É dele esse texto, em http://oglobo.globo.com/pais/moreno/: “Durante o seu primeiro mandato, Dilma tinha três assessores no Palácio do Planalto que realmente gostavam dela: Giles Azevedo, Beto Vasconcelos e Thomas Traumann. Beto foi para o Ministério da Justiça. Traumann vai para a iniciativa privada. E agora só restou Giles. A maioria dos demais, como se sabe, gosta mesmo é do poder”.

 

Easy, Chicago boy

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Joaquim Levy nega que seja difícil trabalhar com Dilma: “Não é verdade”.

Joaquim Levy tem toda a razão: não é verdade.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

FIM DE FESTA…

Em cena, o velho Lula de sempre

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Com um intervalo de poucas horas entre uma ocasião e outra, Lula, ontem, falou bem e falou mal de Dilma.

Falou bem no discurso que fez para sindicalistas e militantes do PT no Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Falou mal no mesmo lugar ao se reunir um pouco antes com um grupo pequeno de seguidores mais ou menos fiéis.

Foi um deles, autorizado pelo próprio Lula, quem saiu dizendo que ele falara mal de Dilma.

Ingrato, esse Lula!

Falar mal de Dilma logo agora que ela cedeu aos seus apelos e nomeou para o Ministério da Educação e para a Secretaria de Comunicação nomes indicados por ele…

Lula envelheceu. E junto com ele seu discurso e seus truques. Aparentemente, ele não se dá conta disso.

Um truque: defendeu a Petrobras, que está sendo atacada por seus inimigos, inimigos do Brasil.

Ora, foi ele que nomeou diretores da empresa que passaram a roubar tão logo assumiram seus cargos. Nos 12 anos de governos do PT, a Petrobras foi dilapidada e perdeu valor de mercado.

Outro truque: Lula se disse “indignado” com a corrupção. Mas se alguém pensou que ele aproveitaria o momento para admitir erros, quebrou a cara.

Corruptos são os outros. Corruptos são “bandidos que passaram a virar heróis” por terem negociado a delação premiada.

O ataque aos “corruptos” mascara a defesa que ele faz dos seus companheiros suspeitos de envolvimento com a roubalheira na Petrobras.

Lula defendeu a reputação de José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras nomeado por ele. Foi cínico para variar:

– Se tem um brasileiro indignado, este sou eu. Quero saber se alguém vai ter coragem de dizer que esse moço esteve envolvido com corrupção. Mas ele conquistou o direito de andar de cabeça erguida – disse, referindo-se a Gabrielli. “Já o bandido pega 40 anos de prisão, vai fazer delação premiada e vira herói. Diz ‘ouvi falar’, ‘eu acho que…’ e nem precisa de juiz, a imprensa já condenou.”

Mais um truque: creditou em sua própria conta, e também na de Dilma, o esforço de investigação da Polícia Federal, capaz de ir fundo no combate à corrupção.

Ora, a Polícia Federal é um órgão do Estado. Assim como o Ministério Público. Não obedece às ordens do presidente da República. Atua com independência.

Lula sabe disso. Mas não resiste à tentação de manipular os fatos. É de sua natureza.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

INACREDITÁVEL…

Lula “indignado com corrupção” é como comandante de navio revoltado com mar

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“Hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu, indignado com a corrupção.” Com essa frase, dita por Lula num ato público na noite desta terça-feira, o Brasil escalou uma espécie de cume do cinismo. Pior do que a presunção de Lula de que ninguém se lembraria da sua própria cumplicidade com os escândalos é a conclusão de que a presunção é desnecessária.

Mesmo sabendo que ninguém desconhece que os dois maiores escândalos da República —o mensalão e o petrolão— têm origem no seu reinado, Lula acredita piamente que ainda pode dizer o que bem entender. E no vácuo moral em que se encontra mergulhado o país talvez possa mesmo. Tudo pode ser dito e feito quando nada tem consequência.

Tanto que a “indignação” de Lula tem dois gumes. Serve para manifestar sua repulsa à corrupção e também para realçar sua aversão às delações que desnudaram a petrorroubalheira. Com a delação, “bandido vira herói”, resmungou o morubixaba do PT, antes de sapatear sobre o trabalho criterioso da Procuradoria e do juiz Sérgio Moro.

O delator “não precisa nem delatar”, prosseguiu Lula. “Vai lá e fala eu acho, eu penso, eu ouvi dizer que fulano de tal fez tal coisa. E já vira manchete. Não precisa mais de juiz, a imprensa já condenou, a manchete já condenou, as pessoas estão perdendo o direito de andar na rua, as pessoas estão sendo agredidas nos aviões, nos restaurantes, sem prova nenhuma —apenas porque alguém que foi acusado disse: ‘olha, eu fiz isso mas eu era tão bonzinho. Eu virei ruim depois.”

Num timbre antiatopeótico, Lula bradou: “Canalha já nasce canalha. Bandido já nasce bandido.” Chama-se Paulo Roberto Costa o primeiro “canalha” a celebrar com a força-tarefa da Lava Jato um acordo de delação premiada. Foi nomeado diretor de Abastecimento da Petrobras no primeiro reinado de Lula, que chamava o “bandido” de Paulinho. Só deixou o posto, sob elogios escritos, em 2012, já sob Dilma.

Lula lamentou “o que estão fazendo com a Petrobras”. Tentam “mostrar que é uma empresa corrupta”. Errou o tempo do verbo. O lamentável é o que fizeram com a estatal. O dinheiro dos cofres da empresa só saiu pelo ladrão porque os ladrões foram empurrados por partidos da coligação oficial dentro do cofre. Tudo com as bênçãos de Lula, o indignado.

“Se teve corrupção lá dentro não foi corrupção de uma totalidade”, constatou Lula, num flerte com o óbvio. “Foi corrupção de uma ou outra pessoa, que terá que pagar o preço por ter enganado o povo brasileiro.” Enganar o povo não foi nada. O inacreditável é que autoridades como Lula e Dilma fujam de suas responsabilidades, refugiando-se atrás da lorota do “eu não sabia”.

Sem mencionar-lhe o nome, Lula evocou a delação do ex-gerente Pedro Barusco. Referiu-se a ele como o “cidadão que vai fazer delação premiada e diz que tem não sei quantos milhões lá fora”. A Justiça não só quantificou o desvio (US$ 97 milhões) como já está repatriando a grana, que estava entesourada na Suíça.

“Esse cidadão repartiu com vocês?”, perguntou Lula aos militantes que o ouviam. “Ele repartiu com algum partido político ou ele repartiu com a conta bancária dele?” Lula deveria desperdiçar um naco do seu tempo lendo os depoimentos prestados por Barusco. São peças públicas. Nelas, lê-se que, na diretoria que abrigava Barusco, a de Engenharia e Serviços, cabia ao diretor Renato Duque, seu chefe, cuidar do repasse da parte da propina que cabia ao PT.

Para desassossego de Lula, Duque não era o único provedor do PT. A propósito, em depoimento prestado horas antes de Lula despejar sua “indignação” sobre o microfone, o doleiro Alberto Youssef contou que mandou entregar petropropinas ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na porta do diretório nacional da legenda.

Lula nunca viu governos tão maravilhosos quanto os governos do PT. “Ninguém em sã consciência deve deixar de agradecer aos nossos 12 nos de governo, por ter tirado o tapete que escondia a corrupção da sala e escancarar a investigação nesse país. Fomos nós que escancaramos. Fomos nós que indicamos por quatro vezes representantes do Ministério Público indicados pela categoria, sem interferência do governo. Fomos nós que mais do que dobramos o número de agentes da Polícia Federal, mais que dobramos o investimento em inteligência, fomos nós…”

A lista de Lula ficaria mais completa se o orador emendasse: fomos nós que levamos a Petrobras ao balcão da baixa política; fomos nós que entregamos diretorias da estatal a apaniguados do PT, do PMDB e do PP; fomos nós que confiamos o comando da Transpetro a um apaniguado de Renan Calheiros por 12 anos, fomos nós que permitimos que o melado do petrolão continuasse escorrendo mesmo depois do envio da bancada do mensalão para a Papuda, fomos nós…

“Só tem um jeito de um homem ou uma mulher não ser molestado nesse país governado pelo PT: é ser honesto e não praticar nenhum desvio”, afirmou Lula, desobrigando o país de fazer sentido. Lula indignado com corrupção é algo tão inusitado quanto um comandante de navio rebelando-se contra o mar. O enredo atingiu o ápice. A partir de agora tudo é epílogo.*

(*) Blog do Josias de Souza

FRAUDE ELEITORAL

Confiança da população na presidente

Dilma inverte-se em 4 anos

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Mesmo com a estratégia de melhorar a comunicação com a população e de explicar os ajustes feitos pelo governo, a reprovação ao governo da presidente Dilma Rousseff continua expressivo. A confiança da população na presidente Dilma Rousseff inverteu-se completamente em quatro anos, segundo a pesquisa CNI-Ibope divulgada nesta quarta-feira (1º).

Em março de 2011, quando começou o seu primeiro governo, Dilma tinha a confiança de 74% da população. Agora, no início de seu segundo mandato, o mesmo percentual de pessoas dizem não confiar na presidente.

O índice de desconfiança é o mais alto em 20 anos. Segundo a pesquisa, apenas 24% dos entrevistados dizem confiar na petista. O pior resultado havia sido registrado no início do segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1999. No fim daquele ano, o tucano tinha a confiança de apenas 27% da população.

A pesquisa mostrou também a reprovação ao governo Dilma chegou a 64%. A presidente perdeu popularidade em todos os estratos avaliados pela pesquisa, como combate à fome, ao desemprego e à inflação e impostos.

Em dezembro, quando a última pesquisa CNI-Ibope foi divulgada, Dilma teve 40% de aprovação e 27% de reprovação. Agora, apenas 12% dos entrevistados avaliaram o governo positivamente, enquanto 23% o consideraram regular.

A reprovação da maneira de governar da presidente também aumentou expressivamente, chegando a 78% da população. Apenas 19% dos entrevistados aprovam a maneira da petista de governar. Em dezembro, essa aprovação era de 52%.

ELEITORES

A presidente está perdendo popularidade entre seus eleitores, mostrando uma certa decepção do eleitorado. A pesquisa mostrou que houve uma queda entre os eleitores da petista de 63% para 22% na avaliação positiva do governo. Dentre os eleitores do senador Aécio Neves (PSDB-MG), a queda foi de 12% para 2%.

A pesquisa mostra que 76% dos entrevistados avaliam que o segundo governo Dilma está sendo pior que o primeiro, 18% avaliam que ele os dois mandatos estão sendo iguais e apenas 4% dos ouvidos acham que o segundo mandato está sendo melhor.

Questionados sobre as perspectivas para os próximos anos de governo, 55% acham que o futuro do governo não será bom. Apenas 14% acreditam que o restante do governo será ótimo ou bom.

A pesquisa CNI-Ibope analisou o primeiro trimestre deste ano. Realizada entre os dias 21 e 25 de março, ouviu 2.002 pessoas em 142 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o grau de confiança é de 95%.

Para o gerente-executivo de pesquisa e competitividade da CNI, Renato da Fonseca, os resultados negativos são decorrentes da crise econômica e do ajuste fiscal forte promovido pelo governo.

“O que a gente percebe é essa decepção. O que explica essa queda forte são os eleitores de Dilma que, com o quadro atual de intensificação da crise, desemprego aumentando e medidas de ajuste fiscal, geraram essa maior insatisfação. As questões econômicas passam a ser as mais criticadas”, afirmou.

DESAPROVAÇÃO GERAL

A pesquisa avaliou nove áreas de atuação do governo. em todas elas a desaprovação é superior a 60% dos entrevistados.

A maior desaprovação foi verificada em relação à política de juros do governo e à atuação na área tributária, que registraram 89% e 90% de desaprovação, respectivamente. O combate à inflação registrou desaprovação de 84%; apenas 13% avaliaram o setor positivamente.

As áreas com melhor avaliação do governo ainda são o combate à fome e a à pobreza, com 33% de aprovação. Porém, a desaprovação também subiu neste setor, de 43% registrados em dezembro para 64% agora.

A popularidade da presidente é menor entre os mais jovens. Apenas 8% dos entrevistados com idade entre 25 e 34 anos avaliam o governo como ótimo ou bom, percentual que era de 36% na pesquisa anterior.

Entre os entrevistados com 16 a 24 anos, a aprovação na maneira de governar da presidente caiu de 51% para 14%. A faixa etária ainda com maior percentual de aprovação, 27%, permanece sendo o grupo de pessoas com mais de 55 anos ou mais.

A pesquisa mostrou ainda que a queda de popularidade foi maior na região Sul, onde a avaliação positiva do governo caiu de 40%, em dezembro, para 8% em março.

A região Nordeste também registrou queda de popularidade mas continua sendo o local onde a presidente é mais popular, com 34% de aprovação. *

(*) MARIANA HAUBERT – FOLHA DE SÃO PAULO