E O MARKETEIRO, O QUE DIZ?

Tudo o que o Brasil não precisa é de governantes com medo

Dilma tem uma dívida com a sociedade, e enquanto não saldá-la e pedir perdão por ela não poderá se permitir pedir paciência às pessoas

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Equivoca-se quem aconselhou a presidenta Dilma a não falar em rede nacional no 1º. de Maio, Dia do Trabalhador, a exemplo do que ela vinha fazendo todos os anos. Trata-se de uma decisão que não combina com sua biografia de lutadora contra a ditadura e que, além disso, humilha os trabalhadores num momento que, mais do que em outras vezes, eles precisam, sim, ser protegidos contra o medo de perder suas conquistas.

Se há uma coisa da qual não necessita o Brasil de hoje, desencantado e preocupado com seu presente e seu futuro, é de ver seus governantes fugirem das vaias. Precisa vê-los firmes, seguros, capazes de enfrentar o protesto e de dar a cara a tapa.

Como mulher e como alguém que não recuou nas suas convicções juvenis na época em que militava nos grupos da guerrilha armada e enfrentou a prisão e a tortura, Dilma não deveria temer o ruído das vaias.

Se poucos meses depois de iniciado seu primeiro mandato, como primeira mulher à frente do país, ela teve a coragem de colocar oito ministros na rua, inclusive alguns herdados de seu tutor, o ex-presidente Lula, e foi aplaudida e elogiada como a uma presidenta com mais coragem que os homens na luta contra a corrupção, hoje não pode nem deve aparecer por medo de ser contestada.

No último Dia da Mulher, quando seu discurso ao país foi recebido com panelaços, aquela resposta foi mais a suas palavras do que à sua pessoa, que continua sendo tratada com respeito. Equivocou-se quem a aconselhou na ocasião a “pedir paciência” para uma sociedade irritada com o Governo por causa sua política econômica, considerada errada, e pela elevação do nível de corrupção política, da mesma forma como se equivocam agora aqueles que tentam escondê-la.

Dilma tem uma dívida com a sociedade, e enquanto não saldá-la e pedir perdão por ela não poderá se permitir pedir paciência às pessoas. Essa dívida é com os 54 milhões que lhe deram seu voto e sua confiança nas urnas depois de ela lhes pintar um país cor de rosa, sem crise econômica, e seus opositores como os verdugos que se propunham entregar a o país e suas conquistas sociais nas mãos dos ricos e dos banqueiros.

Enquanto a presidenta não reconhecer não que mentiu aos eleitores, como muitos pensam, mas que simplesmente errou e que hoje está se esforçando para reparar seus equívocos passados, esse medo de ser vaiada continuará sendo real.

No Brasil, governantes e políticos podem se atemorizar com a hipótese de reconhecer seus possíveis erros e tranquilizar os cidadãos de que estão dispostos a repará-los e a melhorar as coisas.

Não é assim, por exemplo, nos Estados Unidos, o país mais rico e poderoso do mundo, onde parece natural que o presidente Obama vá à televisão pedir desculpas por algum de seus erros táticos, seja na economia, no aspecto social ou até na política externa. Essa admissão de culpa não só não o diminui como também o fortalece.

O que o Brasil menos necessita hoje é ver seus governantes fugindo amedrontados de serem contestados por uma sociedade cada vez mais exigente, que aceita menos do que antes ser enganada.

Não é só Dilma, aliás, que hoje é vaiada em público. Seu vice, Michel Temer, acaba de ser vaiado em São Paulo, e o presidente do Congresso, Eduardo Cunha, é vaiado aonde quer que vá. E vaiado foi, dias atrás, Geraldo Alckmin, governador do mais populoso e mais rico Estado do país.*

(*)  – El Pais

ACABOU-SE O QUE ERA DOCE

A casa das três mulheres

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 Dilma Rousseff, Marta Suplicy e Marina Silva têm um ponto em comum: eram do PT, foram ministras do governo Lula e, de certa forma, disputaram as graças do chefe e grande líder. O ponto de união para por aí.

Marta, da aristocracia paulistana, foi a menina rica, loura e linda dos colégios de freira dos grandes centros urbanos de décadas atrás. Entrou na política trilhando os caminhos do então marido Eduardo Suplicy, mas criando seus próprios atalhos e defendendo as, à época, “causas perdidas”: gênero, sexualidade, direitos de minorias, igualdade social. Além do sobrenome, capitalizou sua marcante atuação de vanguarda na TV.

Marina, cabocla bem brasileira, cresceu descalça num povoado distante do já distante Acre, só foi alfabetizada na adolescência, comeu o pão que o diabo amassou nos colégios de freiras que paparicavam Marta e não só se formou como entrou para a política perseguindo causas amazônicas e ambientais, pelas quais seu mentor Chico Mendes foi assassinado e seu grupo conquistou reconhecimento internacional.

Mineira que se assumiu como gaúcha, Dilma vem da classe média abastada, recebeu boa formação intelectual do pai estrangeiro, lutou contra o regime militar, foi presa e torturada quase menina e fez carreira política no PDT, seguindo os princípios nacionalistas e trabalhistas do brizolismo, hoje um tanto retrógrados.

Mais pragmática e mais ideológica do que a paulistana rica e a ex-empregada doméstica do Acre, Dilma fez o caminho partidário inverso ao delas. Ambas estão na origem e na história do PT, mas se desiludiram com o partido no poder e tomaram outro rumo, Marina ainda no governo Lula, Marta agora. Já Dilma se fez no PDT e só pulou no barco petista quando ele já estava a pleno vapor.

Enquanto Dilma seguia Brizola, a menina rica e a menina pobre tinham como referência Lula, migrante nordestino que virou metalúrgico e entrou para a história como o grande líder sindical na resistência à ditadura. Vestiam a camisa vermelha, desfilavam com a estrela símbolo do partido, sonhavam com um país melhor e mais justo, acreditavam que o PT unia os puros e justos.

Mas foi Dilma, sem jamais ter sido sequer eleita vereadora, que virou presidente da República. E virou pela vontade de Lula e pelas circunstâncias do PT. José Dirceu e Antonio Palocci afogaram-se com Valdomiros, mensalão, quebra de sigilo de caseiros, casas suspeitas e apartamentos mal explicados. Lula tinha de pescar alguém. Pescou Dilma.

Ela é a presidente no 13.º ano de PT no poder, num momento em que o partido vai ladeira abaixo, desequilibrado por mensalões e petrolões da era Lula e empurrado pela crise política e econômica da era Dilma.

Se ela chegou ao PT e parece caminhar com ele para o precipício logo ali à frente, Marina Silva fez meia volta ainda no governo Lula, quando saiu para o PV, depois articulou a criação da Rede Sustentabilidade e enfim filiou-se ao PSB para ser vice de Eduardo Campos. E Marta está desde ontem fora do partido e a caminho do mesmo PSB para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2016.

Ou seja: Dilma pulou dentro do PT quando o partido se preparava para chegar ao poder e afunda junto com ele, enquanto Marina e Marta ajudaram a empurrar o barco para mar aberto e para a glória, mas pularam fora quando viram que o combustível começava a faltar, que as cores esmaeciam e, principalmente, que já não cabiam mais dentro dele.

A Dilma, agora, só resta ir até o fim no PT, enquanto Marta luta pela prefeitura que o partido lhe negava e a matreira Marina observa, avalia e pensa nos passos a seguir. Com uma curiosidade: fundadora do PT, ela hoje demonstra mais identidade com Fernando Henrique Cardoso do que com PT, Lula e, principalmente, Dilma.

O que fica evidente, a partir da história e do destino dessas três mulheres, é que o PT não é mais o PT, Lula não é mais Lula e Dilma nunca foi a Dilma do marketing. Enfim, o sonho acabou.*

(*) Eliane Cantanhede – Estadão

INCOMPETENTA

Medo de falar no rádio e na televisão arranha a imagem da mulher de coração valente

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Dilma fala quando deveria calar e cala quando deveria falar. Não tem jeito mesmo. É uma trapalhona.

Qual foi o gênio que a aconselhou a falar em cadeia nacional de rádio e televisão no Dia Internacional da Mulher, celebrado no domingo oito de março último?

Na ocasião, Dilma pediu paciência aos brasileiros. E disse que são “temporais” os problemas que o país enfrenta.

Seu discurso foi recepcionado com um panelaço em várias capitais. Na época, o governo tinha pesquisas que mostravam o espetacular grau de rejeição de Dilma.

Qual foi agora o gênio que aconselhou Dilma a não falar em cadeia nacional de rádio e televisão no próximo 1 º de Maio, Dia do Trabalhador?

O governo dispõe de pesquisas que atestam que a impopularidade de Dilma parou de crescer. Em algumas pesquisas, ela até recupera uns pontinhos.

Mas não é disso que se trata aqui – falar ou não falar conforme as pesquisas.

O Dia da Mulher está longe de ser tão importante como é o Dia do Trabalho. De carregar o simbolismo político que este carrega.

O panelaço do Dia Mulher teve mais a ver com o que Dilma disse, valendo-se de um discurso velho e sem nenhuma imaginação, do que com ela mesma.

O momento está cheio de assuntos que poderiam marcar um discurso de Dilma capaz de soar bem aos ouvidos dos trabalhadores.

Ao desistir de ser ouvida por eles, Dilma demonstrou medo, fraqueza, covardia. Tudo o que pode manchar sua imagem de mulher corajosa.(*)

(*) Blog do Ricardo Noblat

É TUDO APARELHADO

A doença do Brasil

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Gastamos muito, erramos muito mas, acima de tudo, continuamos a imaginar a centralização como a saída para todos os problemas nacionais

O Brasil é doente, diagnosticou o insuspeito ex-presidentre do Uruguai José Mujica, numa entrevista à BBC que O GLOBO repercutiu na sua edição do dia 24 do corrente. Para Mujica, com 80 anos e muitos quilômetros rodados na vereda política e tendo como norte a irmandade esquerdista latino-americana, a patologia nacional brasileira tem como centro o “tráfico de influência” que seria uma “tradição” do nosso sistema político.

Concordo em gênero, número e grau com Mujica.

Ele não leu o que tenho reiterado em livros e neste espaço, mas é exatamente isso que afirmo quando entendo que toda a cosmologia do Brasil se fundamenta nas relações pessoais e como essas relações são administradas.

A lógica do dar e receber (ou do dar para receber) é o coração do “favor”. Se eu te faço um favor, se eu te devo favores, esses favores nem sempre se encaixam nas divisões ideológicas e jurídicas que regem o Brasil como país.

José Mujica discerne o problema quando acentua que conseguir a maioria parlamentar no Brasil em nível local ou nacional é muito dificil porque “o Brasil é um macramé”. Ora, o macramé, como esclarece o dicionário, é uma colcha de retalhos. Em sociologuês, di-ser-ia — como elaborei num livro publicado em 1979 (“Carnavais, malandro e heróis”) — que é uma conjunto de elos imbricados, constituídos a partir de simpatias e antipatias pessoais, num palco demarcado por papéis institucionais. Se o macramé fala de liames pessoais, o lado legal do sistema demanda que ele se dobre ou venha a romper-se pelos deveres impostos pelos papéis institucionais. Um presidente de estatal não pode nomear somente companheiros de partido. Ele é obrigado pelo papel que ocupa a escolher pelo mérito. Entre esses dois impulsos ou obrigações, situa-se o que chamei de “dilema brasileiro”. Um dilema vigente em todas as democracias inspiradas nos ideias universalistas de 1789.

Num nível tudo parece muito simples: gastamos muito, erramos muito mas, acima de tudo, continuamos a imaginar a centralização como a saída para todos os problemas nacionais, esquecendo a força dos velhos costumes, os quais têm o poder das velhas tecelagens, como revela Mujica.

Tanto no plano econômico quanto no político, as regras são claras e formais. Mas o mundo das “influências” advindas da casa, uma ética da reciprocidade interfere com a do Estado e distorce o chamado “espirito do capitalismo”. Nessa tecelagem, a empresa não visa ao lucro, mas ao emprego para os amigos e recursos para o partido.

O Brasil se diferencia da Europa Ocidental, dos Estados Unidos e da América Latina porque ele não teve republicanismo e, até 1888, foi uma monarquia fundada no trabalho escravo. Na transição entre esses regimes, os conflitos foram reprimidos precisamente pela ética dos elos pessoais entre monarquistas, escravistas, republicanos e protocapitalistas que jamais abandonaram seus hábitos aristocráticos. Todos nós temos todas as coragens, menos a de negar o pedido de um amigo, conforme dizia Oliveira Vianna num ensaio de 1923.

Neste mundo marcado pela transparência eletrônica, esse hóspede não convidado pelo nosso mulatismo cultural e avesso ao confronto, as contradições surgem claramente no laço entre riqueza e poder. Entre as demandas de quem gerencia a economia (cujas regras são digitais: “não posso gastar mais do que tenho!”); e as da política, as quais incluem não apenas os jeitinhos ou “pedaladas”, mas sobretudo as relações pessoais mescladas ou não de ideologia, as quais são infinitas.

Mujica aponta que confundimos governar com mandar. E adverte: não se pode misturar a vontade de ter dinheiro com política. Se fizermos isso, complementa, estamos fritos. “Quem gosta muito de dinheiro tem que ser tirado da política”. A corrupção brasileira tem um sinal: ela se funda na apropriação de cargos por pessoas que, mesmo quando são eleitas debaixo de uma bandeira populista ou socialista, acabam bilionárias. É impossível resistir aos amigos, mas é muito mais difícil liquidar essas sobras aristocráticas que são, a meu ver, a marca mais forte e permanente do nosso republicanismo: cargos que impedem punição, crimes que prescrevem, responsabilidades que não são cobradas. Num certo sentido, não temos noção da tal “coisa pública” — esse conceito imprescindível para uma vida igualitária e democrática — republicana.

(*) Roberto DaMatta é antropólogo – O GLOBO

 

 

PRIMEIRO DE MAIO

DO DIA DO TRABALHADOR

PARA O DIA DO EMPREITEIRO

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Triste mesmo foi a decisão da presidente Dilma de não se pronunciar por ocasião do Dia do Trabalhador, através de cadeia de rádio e televisão. Madame seguiu o conselho de pelo menos dez ministros, além do Lula. Todos entenderam que haveria reação por parte da população. No caso, mais um panelaço. Sendo assim, melhor esconder-se.

A gente pergunta o que acontecerá se a moda pegar. A presidente vai sumir a partir de agora, por medo de um bater de panelas? Governantes fujões sempre podem ser identificados, através da História, geralmente para evitar golpes e revoluções, até para salvar a própria vida. Mas para evitar uma democrática e ruidosa manifestação não há registro, pelo menos no Brasil. Vaias costumam ser rotineiras, entre nós. Haverá que conviver com expressões de descontentamento, para quem optou pela vida pública.

Tempo ainda há, no caso dois dias, para Dilma rever o vexame, apesar de já ter sido anunciado pelo ministério da Comunicação Social.

Outra indagação refere-se ao trabalhador, que, se começa a utilizar telefones celulares, só rarissimamente pode dar-se ao luxo de assinar a Internet. Assim, a mensagem que a presidente pretende divulgar pelas redes sociais não atingirá o alvo. Humilhados e ofendidos estão os milhões que vivem do salário mínimo. Também os assalariados que recebem pouco mais.

Quando se recorda estar no governo o Partido dos Trabalhadores, a conclusão é de não ser partido, muito menos dos trabalhadores.

Uma dúvida que fica refere-se aos conselheiros da omissão. Que ministros tenham sugerido à presidente ficar calada, senão justifica, explica-se: quiseram poupar-se dos respingos do panelaço. Agora, ter o Lula também se pronunciado pelo silêncio da sucessora, não dá para entender. Se não é, já foi trabalhador. Como torneiro-mecânico, quantas vezes celebrou o dia de seus companheiros? Como presidente da República, por oito anos, jamais deixou de dirigir-se à categoria. Estaria pensando em recomendar a Dilma discursar no Dia do Empreiteiro?

NERVOS À FLOR DA PELE

Eduardo Cunha e Renan Calheiros não tinham motivo para engalfinhar-se, cavando trincheiras no Congresso. Afinal, o projeto da terceirização é apenas mais um, de longa trajetória.

Há quem suponha outras razões para o entrevero. Os presidentes da Câmara e do Senado integraram a lista do Procurador Geral da República, como parlamentares agora submetidos a inquérito judicial pelo Supremo Tribunal Federal. São suspeitos de envolvimento no escândalo da Petrobras. Se culpados ou inocentes, saberemos mais tarde, mas é óbvio que o desconforto leva seus nervos à flor da pele.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

DESMORALIZAÇÃO TOTAL

MARTA SUPLICY VAI DEMOLIR

O QUE AINDA RESTA DO PT

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O presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza, avisou ao comando nacional do partido que reivindicará na Justiça Eleitoral o mandato da senadora Marta Suplicy, que formalizou  terça-feira sua saída da sigla.

Na carta em que pede a desfiliação do partido, ela disse que não poderia compactuar com corrupção. O teor de seu pedido de desligamento irritou a cúpula partidária, até então dividida sobre a hipótese de ir à Justiça.

Contra a medida, petistas argumentavam que a ação vitimizaria a senadora. Além disso, não há precedente nesse sentido, já que o mandato de senador é classificado como majoritário, ao contrário do que acontece na Câmara.

No carta em que justifica sua saída do partido, a senadora ressalta que os princípios e o programa partidário do PT “nunca foram tão renegados pela própria agremiação, de forma reiterada e persistente”.

TESE JURÍDICA

As críticas fizeram com que dirigentes antes resistentes se rendessem à alegação de que o mandato da senadora pertence ao partido. A assessoria jurídica do PT busca argumentos para desqualificar a tese de que a permanência de Marta no partido seria inviável.

O secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, afirmou que a carta é uma prova de oportunismo da senadora, que se se diz vítima de perseguição após ter questionado as denúncias de corrupção contra o partido.

Para ele, Marta jamais se manifestou internamente durante reuniões partidárias. Ele lembrou ainda que ela sempre ocupou espaço de relevância no PT e no governo. “A relação só desandou quando ela saiu do Ministério”, disse.

“Simplesmente falar isso depois de tanto tempo é puro oportunismo. Vida que segue”, afirmou.*

(*) FOLHA DE SÃO PAULO

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG  DA TRIBUNA NA INTERNET– 
Como o PT não consegue fazer nada certo, está cometendo mais um gravíssimo erro ao reivindicar o mandato da senadora. Se a direção petista insistir, o caso vai virar um rumoroso processo judicial, no qual Marta Suplicy terá de provar que o PT está descumprindo seu programa partidário ou cometendo irregularidades. Ela conseguirá fazer isso com a maior facilidade, claro, e vai demolir o que ainda resta do PT. (C.N.)

CIRCO BRASIL

DILMA HUMILHA JANINE,

O NOVO MINISTRO DA EDUCAÇÃO

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Um documento feito pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, com propostas para reformar a educação, causou mal estar dentro do próprio governo federal. O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, não foi consultado para o trabalho, apresentado na sexta-feira (24).

A proposta contém ações como apoio técnico a escolas em dificuldades; afastamento de diretores que não conseguirem atingir resultados desejáveis; criação de uma carreira federal para professores de educação básica; e uma rede de escolas federais que sejam referência aos demais colégios públicos.

Segundo a Folha apurou, Janine ficou desconfortável com a situação. Ele teve acesso ao documento na quarta-feira (22), quando alguns educadores de fora do governo já haviam tido acesso ao material. O plano foi feito pelo titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, e sua equipe.

Na segunda-feira, após debater a proposta com membros da sociedade civil, Unger disse que o trabalho foi desenvolvido a pedido da presidente Dilma Rousseff. “Será ela que mediará essa discussão?”

AGORA JANINE VAI DISCUTIR

Publicamente, o Ministério da Educação afirma que o trabalho de Unger já havia sido debatido com o ministro anterior da Educação, Cid Gomes.

Em nota, o ministério disse que Ribeiro, agora, “vai analisar com sua equipe o referido documento preliminar, para então encaminhar as discussões sobre o mesmo dentro do MEC [Ministério da Educação], bem como com outros ministérios e segmentos da sociedade”.

A Educação disse ainda que Unger “é um grande pensador, que contribuirá muito para o projeto de educação do governo federal”.

Durante o debate desta segunda, em São Paulo, alguns dos participantes questionaram tanto a ausência do Ministério da Educação na discussão quanto a relação da proposta com o Plano Nacional de Educação, aprovado ano passado no Congresso e sancionado por Dilma.

“O plano tem aspectos positivos. Mas precisa ver como será a relação com o MEC, Estados e municípios. Sem eles, nada anda”, disse a secretária estadual de Educação de São Paulo na gestão Serra (PSDB), Maria Helena Guimarães Castro.*

(*) Fábio Takahashi e Thais Bilenky – Folha de São Pulo

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG  DA TRIBUNA NA INTERNET
De que adianta colocar um ministro com bom currículo na educação se ninguém liga para ele? Realmente, chega a ser patética essa desconsideração com Janine Ribeiro, que poderia despontar como o melhor quadro de um ministério gigantesco e medíocre. O governo não existe, mesmo. É uma bagunça. (C.N.)

A VIDA É BESTA

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A cada quem sua ambição: é o tamanho da fome que mede o valor do pão. Mas não é a grandeza da ânsia de viver que mede o valor da vida.  Deus vivia no Nada da Eternidade sem ter quem lhe admirasse a onipotência, por isso inventou o homem para ser amado e idolatrado, para ter alguém que se extasiasse diante do seu poder. Por isso a lei mosaica, pretensamente a marca de sua vontade, tem três dos dez mandamentos dedicados a Ele. Trinta por cento. Mas duvido que o sentido da vida esteja na satisfação da megalomania divina.

Talvez tampouco esteja no egoísmo do crente que reza e rende ou pede graças a Deus pensando apenas na salvação da alma depois de morrer. Como as freiras enclausuradas que se isolam do mundo para se dedicarem a si próprias. Como as aves do céu e os animais da terra, que só vivem em função de si mesmos, para manter a própria sobrevivência  ainda que à custa da vida alheia. Se talvez  não exista sentido nem mesmo numa vida dedicada ao próximo, menos sentido haverá numa vida assim…

Num de seus poemas, Manuel Bandeira diz que passou a vida à toa, à toa… Drummond termina um de  seus poemas dizendo que a vida é uma coisa besta. Num e noutro, a expressão do mesmo sentimento de que a vida é um desperdício ou uma grande inutilidade.

Como no mito de Sísifo, assim que chegamos a algum ponto desejado, na procura de um sentido para a vida, temos de voltar atrás e começar tudo de novo, porque o sentido da vida consiste em se procurar eternamente um sentido para ela. Em outras palavras: a vida não tem sentido nenhum.  Pomo-la num leito de Procusto: esticamo-la quando sofremos e diminuimo-la quando sentimos prazer, embora em ambos os casos ela transcorra na mesma velocidade.

Passei a vida inteira achando que poderia fazer alguma coisa que me desse o consolo de achar que tenha valido a pena viver. Não valeu.

A vida é mesmo uma coisa besta… *

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

 

VERGONHOSO

STF manda soltar Pessoa e mais 8 empreiteiros presos pela Lava Jato

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Por 3 votos a 2, a segunda turma do STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu nessa terça-feira (28) liberdade ao empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, e mais oito empreiteiros que foram presos pela Polícia Federal por suspeita de participação na operação Lava Jato.

Os empresários devem usar tornozeleira e cumprirão prisão domiciliar. Os votos favoráveis à soltura foram dos ministros Teori Zavascki, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, e os contrários, de Cármen Lúcia e Celso de Mello.

Os demais empresários que serão soltos são Agenor Franklin Medeiros, diretor-presidente da área internacional da OAS; Erton Medeiros Fonseca, diretor de negócios da Galvão Engenharia; João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa; José Ricardo Nogueira Breghirolli, apontado como contato do doleiro Alberto Youssef com a OAS, Mateus Coutinho Sá Oliveira, funcionário da OAS; Sérgio  Cunha Mendes, vice-presidente executivo da Mendes Júnior; Gerson  Almada, vice-presidente  da empreiteira Engevix; e José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS.

Ricardo Pessoa e os demais empreiteiros estavam presos desde a deflagração da sétima fase da Lava Jato, em novembro do ano passado. O dono da UTCé apontado como o líder do “clube” de empreiteiras que se reuniram para a formação de cartel, segundo o Ministério Público. Também é acusado pelo MP de ter participado de um esquema de pagamento de propina a ex-diretores da estatal para auxiliar no fechamento de contratos.

A soltura representa uma derrota no STF do juiz Sergio Moro, que julga os casos da Lava Jato em primeira instância. Os pedidos de habeas corpus dos outros empreiteiros investigados na Lava Jato estavam sendo negados pelo Supremo até o momento. Os ministros do tribunal alegavam que os recursos ainda deveriam passar pela análise das instâncias inferiores como STJ (Superior Tribunal de Justiça) e o TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). O pedido julgado hoje já foi analisado e rejeitado por estas instâncias.

Defesa critica Moro

O advogado de Pessoa, Alberto Toron, argumentou que a prisão preventiva é uma medida excepcional e que os argumentos apresentados pelo juiz Sérgio Moro para justificar a prisão dos empreiteiros não se sustentam atualmente.

Toron disse que seu cliente foi afastado da UTC e que o processo de investigação do esquema já está quase concluído na Justiça Federal do Paraná, pois só restam testemunhos de defesa. Esta última tese, segundo o advogado, se contrapõe ao argumento de Moro de que Pessoa aliciaria prováveis testemunhas de acusação se estivesse solto.

Relator do processo, Teori Zavascki concordou com os argumentos da defesa de Pessoa e votou pela liberdade do empreiteiro. Os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes acompanharam o voto do relator.

A ministra Cármen Lúcia argumentou que o processo investigatório na primeira instância da Justiça não foi concluído e, portanto, interrogatórios ainda podem ser alterados. “Não existe mulher quase grávida, não existe instrução quase acabada”, declarou a ministra. Também defendeu que seu afastamento da empresa não garante que Pessoa não irá voltar a cometer crimes se colocado em liberdade.

O único preso pela PF suspeito de envolvimento no caso que foi solto pelo STF foi o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que voltou para prisão em março após a descoberta de novos indícios de irregularidades.

O empresário negociou com os procuradores da Lava Jato um acordo de delação premiada. Ele declarou aos investigadores que pagamentos feitos à consultoria do ex-ministro José Dirceu eram parte de propina cobrada pelo esquema de corrupção, que correspondiam a 2% do valor de seus contratos com a estatal.

Há expectativa dos procuradores que Pessoa revele possíveis irregularidades em contratos de outra estatal, a Eletrobras, conforme mencionou o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. A concessão de liberdade de Pessoa pode frustrar a efetividade de novas revelações do empreiteiro.

Quem ainda está preso

Permaneceram 15 presos pela Lava Jato: o doleiro do esquema, Alberto Youssef; Nestor Cerveró, diretor da área internacional da Petrobras; Adir Assad, empresário apontado como um dos operadores do esquema; Fernando Antônio Falcão Soares, lobista conhecido como Fernando Baiano; Renato Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras; Mário Frederico Mendonça Góes, apontado como um dos operadores; as doleiras Nelma Kodama e Iara Galdino; os ex-deputados federais Pedro Correa, Luis Argolo e André Vargas; Ricardo Hoffmann, diretor de agência de publicidade; João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT; Dario Galvão, presidente do grupo Galvão; e Guilherme de Jesus, funcionário da Galvão.*

(*) Bruna Borges – Do UOL, em Brasília