CASA DOS HORRORES

A PRAÇA DOS TRÊS PODERES NÃO SUPORTARÁ

POR MUITO TEMPO A CONFUSÃO

Tripudiar ainda não é o termo, mas provocar, sem dúvida, é o que estão fazendo com a presidente Dilma os presidentes da Câmara e do Senado. Eduardo Cunha e Renan Calheiros não perdem a menor oportunidade, por palavras e atos, de criar dificuldades para Madame. Ainda agora, valendo-se da passagem do Dia do Trabalhador, assestaram suas baterias contra o palácio do Planalto.

Cunha anunciou, por inspiração do Paulinho da Força, a entrada na ordem do dia de projeto alterando o índice de correção do FGTS, da TR para a inflação, velha reivindicação das centrais sindicais. Aprovada, a proposta determinará um prejuízo de centenas de milhões aos cofres públicos e desorganizará o orçamento da União. Justo na hora em que o governo insiste no ajuste fiscal. O grave é que a iniciativa vem apoiada pelo PMDB em peso e mais o DEM.

Renan declarou-se aturdido pelo fato de a presidente da República haver cancelado seu pronunciamento por conta do Primeiro de Maio, “por nada ter que dizer ao trabalhador”. Autotransformado em defensor perpétuo dos que vivem de ínfimos salários, o senador nem atende os telefonemas de Dilma e não perde um dia sem criticá-la.

TÊM MOTIVOS

Claro que os dois chefes do Legislativo têm motivos para defender os humildes e minorar-lhes as agruras, mas dão a impressão de que pretendem mais agredir a presidente do que cuidar dos trabalhadores. Trata-se de um embate onde demonstram intransigência sem que tornem claro o verdadeiro motivo de sua beligerância.

Pode ser por julgarem influência do governo na inclusão de seus nomes na lista dos parlamentares que respondem a inquérito judicial junto ao Supremo Tribunal Federal como suspeitos de envolvimento no escândalo da Petrobras. Pode ser por patriotismo…

IMPEACHMENT

De qualquer forma, apesar de Dilma ter sido aconselhada pelo Lula a ter paciência e cautela, de nada valeram o jantar que ela ofereceu a Eduardo Cunha ou os telefonemas não atendidos a Renan Calheiros. Apesar de os dois presidentes se terem pronunciado contra o impeachment da presidente, há quem imagine empenharem-se muito pouco para conter o ânimo de alguns tucanos. Estariam, em surdina, estimulando a iniciativa?

Conhecendo-se, como se conhece, o temperamento de Dilma, aguarda-se para breve o dia em que devolverá os agravos. Como não poderia deixar de ser, ela conta com a solidariedade do vice-presidente Michel Temer, às voltas com o insolúvel problema de compor um número bem menor de nomeações possíveis para o segundo escalão do governo com a enxurrada de pretensões dos partidos da base oficial. Mas com certeza não será oferecendo a Cunha e a Renan cargos para seus protegidos. Ou seria essa a chave para o desarmamento?

Em suma, a conclusão é de que do jeito que vão, as coisas não poderão continuar sem um desfecho inusitado. A Praça dos Três Poderes não suportará esse bombardeio por muito tempo. Nem as instituições aguentarão por mais dois anos tamanha confusão.*

(*)  Carlos Chagas – Tribuna na Internet

BANANA REPUBLIC

LULA FEZ A PETROBRAS PERDER

R$ 872 MILHÕES NA BOLÍVIA

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A amizade de Lula e Evo Morales custou caro à Petrobras

Um acordo com a Bolívia, negociado em 2007 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, causou prejuízo de R$ 872 milhões aos cofres da Petrobras no ano passado, segundo o balanço da empresa. O rombo equivale a 14% à perda atribuída pela empresa à corrupção (US$ 6,2 bi).

Em agosto, após sete anos de negociação, a Petrobras pagou à estatal boliviana YPFB US$ 434 milhões pelo excedente energético do gás natural vendido ao Brasil.

O “gás rico”, como é chamado, nunca foi pedido nem aproveitado pela empresa brasileira, mas passou a ser cobrado a partir do governo do presidente Evo Morales, que assumiu o poder no país vizinho em 2006.

Ao anunciar o acordo durante visita de Morales a Brasília, em 15 de fevereiro de 2007, Lula afirmou que os países mais ricos têm de ter “generosidade” e “solidariedade” com economias menores.

PAGO EM DOBRO

A demora entre a assinatura e o pagamento se deveu à resistência interna na Petrobras. O departamento jurídico da estatal chegou a recomendar que não houvesse pagamento à Bolívia.

Para técnicos da Petrobras ouvidos pela Folha no ano passado sob a condição do anonimato, a estatal pagou duas vezes pelo mesmo produto, já que o poder calorífico do gás está previsto no contrato de 30 milhões de metros cúbicos/dia, e o combustível exportado não era separado das outras moléculas.

O prejuízo da Petrobras com esse acordo foi ainda maior do que consta no balanço de 2014, já que, em encontro de contas, houve um abate de US$ 23 milhões por causa de multas devidas pela Bolívia por problemas e fornecimento, segundo valores informados pela YPFB.

Além disso, a estatal já havia pago uma primeira parcela de US$ 100 milhões em 2010 pelo “gás rico”.

“LEGÍTIMO”

Ao justificar o pagamento no ano passado, a Petrobras afirmou que iria gerar um saldo positivo de US$ 128 milhões (R$ 386 milhões) no final de 2014, pois o cálculo incluiria outros acordos com a Bolívia envolvendo o gás natural, principalmente o fornecimento à térmica de Cuiabá, feito em contrato à parte.

“A Petrobras esclarece que o cálculo é absolutamente correto. É legítimo que a companhia considere seus acordos com a Bolívia de forma global, pois o resultado obtido reflete um conjunto de negociações que não podem ser vistas separadamente”, escreveu o gerente de imprensa Lucio Pimentel em carta enviada no final de agosto à Folha.

A reportagem voltou a procurar a Petrobras na última sexta-feira. Cinco dias depois, e estatal informou que não iria comentar o prejuízo causado pelo acordo.*

(*) Fabiano Maisonnave – Folha de São Paulo

DÁ PRA ACREDITAR NESTA GENTE?

AONDE FOI PARAR A TRANSPARÊNCIA

PROMETIDA POR LEVY E BARBOSA?


Assim que tomaram posse, os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, anunciaram novos tempos na economia. Além de medidas fundamentais para arrumar a casa e reverter todo o estrago provocado nos quatro primeiros anos do governo de Dilma Rousseff, como a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), comprometeram-se com um valor fundamental para um país que, dia após dia, vem sem deparando com denúncias de corrupção: dar transparência à administração pública.

Depois de quase cinco meses no cargo, nem Levy nem Barbosa dão demonstrações claras de que vão cumprir o que prometerem no quesito transparência. As pastas que comandam continuam funcionando como verdadeiras caixas-pretas. Conseguir informações relevantes à sociedade é quase impossível, sobretudo se os dados desvendarem mamatas e o descalabro em várias áreas do governo.

Tente, por exemplo, saber da Fazenda e do Planejamento quantos são os assentos que o governo tem em empresas estatais, cargos que são repartidos entre um grupo restrito de servidores públicos e indicados políticos selecionados pelo Palácio do Planalto. Cobre do Departamento de Controle das Estatais (Dest), órgão vinculado a Barbosa, informações sobre as empresas que vêm colocando em risco o ajuste fiscal. No máximo, receberá respostas genéricas, que desrespeitam a inteligência.

INTERESSES ESCUSOS

É inaceitável que seja assim. O mais assustador, porém, é que não há perspectiva de mudança. A máquina pública foi construída para facilitar malfeitos, viabilizar grupos com o objetivo claro de enriquecer às custas dos contribuintes. Transparência não combina com esses interesses escusos.

Pode ser que até Levy e Barbosa venham a surpreender ao romper com esse modelo nefasto. Os dias estão correndo. Enquanto mantiverem os olhos fechados, os malfeitos prevalecerão e milhões de reais continuarão escorrendo diariamente pelos ralos da corrupção.

O custo da falta de transparência para o país é elevado. Em seminário semana passada, Cristiano Herckert, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, foi enfático: “Abrir dados é uma forma de gerar desenvolvimento econômico e social para nosso país”. Pena que nem mesmo os colegas de trabalho dele acreditem nisso. Se acreditassem, contribuiriam para a grande revolução que todos anseiam: um governo que não tem medo de se mostrar.*

(*) Vicente Nunes – Correio Braziliense

O REI DO BLÁ-BLÁ-BLÁ…

MEDIOCRIDADE DE LIDERANÇAS POLÍTICAS NO LULOPRAGMATISMO

Sequela da despolitização promovida pelos doze anos de lulopragmatismo. Quando o historiador, no futuro, tentar estudar as razões de ver a atual fase política brasileira ter como “lideranças” de destaque sacripantas do nível de Eduardo Cunha, Mendonça Filho, Gilberto Kassab, Paulinho da Força, na sequência de Renan, Jucá e Sarney; apenas para citar alguns, e sem esquecer os Zé da cueca Guimarães e Sibá Machado, vai ter dificuldade de explicar o fenômeno sem se aprofundar nas contradições produzidas pela ascensão de Luiz Inácio ao poder. Porque a História não se constrói por acasos imprevisíveis. Eles podem até ocorrer, mas não têm peso decisivo sobre a realidade objetiva em que a sociedade realiza seu destino.

A facilidade com que se aprova a destruição de direitos trabalhistas consolidados; com que se defende a diminuição da Petrobras na exploração do nosso petróleo já descoberto; com que se aprova voto distrital sem nenhuma discussão ou participação do ilustre eleitor; em que se trata da redução de maioridade penal como forma de combater a violência crescente na mesma proporcionalidade em que cresce a desigualdade social; tudo isso estabelece um cenário de horrores.

Um cenário em que o senso comum imbecilizado se impõe de forma aterrorizante, abrindo espaços para experiências previsíveis de um autoritarismo de novo tipo. De um autoritarismo que não dependerá mais de tanques nas ruas, porque vai se impor pelo assentimento social majoritário, com a cobertura e orientação diária do Jornal Nacional.

RESPONSABILIDADE

Ou seja; queiram ou não os incondicionais do lulopragmatismo, a responsabilidade, pelas concessões de princípios programáticos; pelas composições partidárias, abjetas e contraditórias, na formação de alianças parlamentares; tem nome e endereço conhecidos. Nada disso ocorre por inevitável, mas sim por decisão política. Por transformismo ideológico, que nos roubou, na vitória de 2002, a possibilidade de o País dar um salto qualitativo na sua ordem social. E os culpados pela tragédia não podem continuar a ser deificados, a não ser por autoflagelação. Ou, pior, por cumplicidade.

Construir uma alternativa que se sobreponha a essa direita arcaica ou à sua nova versão social-liberal é fundamental para a garantia de sobrevivência de um processo incessante de democratização e produção de justiça social em nosso Pais. Luta que Segue!! A despeito do pessimismo habitual.*

(*) Milton Temer, Tribuna na Internet

A GRANDE FRAUDE

DESALENTO NO DIA DO TRABALHADOR

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Um 1º de Maio desalentador. Tirando o dia de folga e a possibilidade de desfrutar alguns momentos extras com a família ou com os amigos, quem rala neste país não tem mesmo o que comemorar. Até a folga é motivo de preocupação. Em dias de crise, a produção parada e o movimento do comércio brecado só pioram as coisas.

E a sucessão de más notícias não tem fim. O fato de a presidente evitar falar em cadeia de rádio e televisão foi correto do ponto de vista político, afinal, a fala dela poderia desencadear novas ondas de protestos e oportunidades para adversários interromperem dias de menos rebeldia entre as Casas institucionais.

Porém, se por um lado a “covardia” ou a “precaução” de Dilma faz bem ao governo, por outro, desalenta a classe trabalhadora. O silêncio, como dito, faz bem para o momento político de Dilma, mas muito mal para quem espera mínimas reações.

Um dia antes do feriado, o trabalhador que pretendia comprar uma casa própria foi surpreendido por uma notícia de arrepiar os cabelos. O dinheiro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, usado para financiar moradias, simplesmente desapareceu.

O SONHO ACABOU

O João, um funcionário daqui do jornal, com menos de três anos de carteira e enquadrado no perfil de SBPE, já tinha encontrado o imóvel, negociado o valor com o proprietário e conversando com o seu gerente. Com a notícia, antecipada por O Tempo de quinta-feira, o João está passando um feriado terrível, mesmo com a Caixa Econômica negando que haja problemas.

O seu sonho de algumas décadas desapareceu em minutos. Ele leu a notícia pela manhã e algumas horas depois se chocou com as respostas que teve do banco. Nem ele nem funcionários da CEF sabem ainda o que será o que vai acontecer.

CRÉDITO CONSIGNADO

No mesmo dia, o Senado aprovou o aumento do empréstimo consignado, possibilitando o comprometimento de 40% da folha de pagamento. Mais uma covardia contra aposentados e assalariados humildes, como é o caso de uma senhora de setenta e poucos anos que me abordou na semana passada perguntaNdo por que, no mês de março, ela tinha recebido somente R$ 480 dos R$ 810 a que ela tem direito de uma pensão do Ipsemg.

Fui verificar o contracheque. Lá estava discriminado que R$ 130 correspondiam à 17ª parcela de um financiamento de 60 meses com o Banco Bonsucesso e outros R$ 114 eram a 5ª de 11 parcelas de outra consignação feita diretamente com o Banco do Brasil. Os descontos ainda incluíam os R$ 30 pagos ao serviço de saúde e outra renegociação de dívida.

A idosa não sabia nem mesmo o que tinha feito com os empréstimos. Lembrava-se vagamente de uma moça, com voz macia, oferecendo mais “dinheiro” através do telefone. Novamente, um 1º de Maio desalentador.*

(*) Heron Guimarães – O Tempo

LULOBOY

Instituto Lula rebate matéria de revista que fala em tráfico de influência

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Em resposta à matéria da revista “Época” desta semana, o Instituto Lula divulgou, no final da tarde desta sexta-feira (1º), nota contestando as informações e dizendo que, ao ser procurado, o presidente do instituto, Paulo Okamoto, não foi informado sobre a iniciativa do Ministério Público (MP) e que a publicação também não divulgou “as respostas dadas às ilações incorretas da revista”.

A publicação traz na capa matéria exclusiva intitulada “Lula, o Operador”, destacando que o MP abre investigação contra o petista por tráfico internacional de influência e que ele seria suspeito de ajudar a construtora Odebrecht a ganhar contratos na América Latina e na África com dinheiro do BNDES.

Na resposta, Okamoto diz que “na esfera internacional, o Instituto Lula tem como principais objetivos cooperar para o desenvolvimento da África e apoiar a integração latino-americana e que nos últimos quatro anos, realizamos diversas atividades nesse sentido, com diferentes parceiros do Brasil e do exterior”.

Okamoto diz também que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe com frequência dezenas de convites para explicar o êxito econômico e social do seu governo e opinar sobre temas regionais e globais.

“Esses convites partem tanto de entidades populares, empresariais, sindicais, movimentos sociais, universidades e centros de pesquisa, quanto de governos, organismos multilaterais e órgãos de imprensa. Em todas as agendas do ex-presidente predomina o empenho em consolidar a imagem e os interesses da nação brasileira. A diversidade e quantidade de eventos institucionais realizados estão à disposição em nosso site.”

Na resposta, Okamoto ressalta que no caso de atividades profissionais, palestras promovidas por empresas nacionais ou estrangeiras, o ex-presidente é remunerado, como outros ex-presidentes que fazem palestras e como de praxe, as entidades promotoras se responsabilizam pelos custos de deslocamento e hospedagem. “O ex-presidente faz apenas palestras, e não presta serviço de consultoria ou de qualquer outro tipo.”

Ele também argumenta que todas as viagens do ex-presidente foram divulgadas para a imprensa, que “não houve nenhuma viagem sigilosa” e que a viagem citada pela revista foi divulgada por release para a imprensa no dia 25 de janeiro de 2013, material que está disponível no site do instituto. E destaca ainda que em suas viagens o ex-presidente participa como convidado de grandes eventos públicos e realiza encontros com lideranças de diversos setores e tudo isso também está disponível no site do instituto.*

(*) UOL – ESTADÃO

A CASA ESTÁ CAINDO…

Em festa da CUT, Lula diz quer elite tem medo que ele volte à Presidência

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco da festa organizada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) em comemoração ao Dia do Trabalho para defender o governo Dilma Rousseff. Aproveitou para criticar aqueles que pedem o impeachment e a “elite brasileira”, que, segundo ele, teme a sua volta ao Planalto.

Ele avisou a quem chamou de “detratores” que vai percorrer o país para garantir a manutenção do governo.

“A Dilma é presidente e eu quero que ela governe esse país, e quero ficar quieto no meu lugar para não dizer que estou pondo ingerência. Aos meus detratores, eu agora vou começar a andar o país outra vez. Vou começar a desafiar aqueles que não se conformam com o resultado da democracia. Aqueles que desde a vitória da Dilma estão pregando a queda da Dilma. Eles têm que saber que se tentar mexer com a Dilma, eles não estão mexendo com uma pessoa. Estão mexendo com milhões e milhões de brasileiros”, disse.

Ele afirmou que não tem intenção de concorrer novamente ao governo, mas que cansou de provocações.

“Eu estou quietinho no meu canto. Mas não me chame para a briga. Porque sou bom de briga e vou entrar na briga”, discursou, acrescentando: “Eu não tenho intenção de ser candidato a nada. Mas está aceita a convocação”.

Irritado com a publicação da revista “Época”, segundo a qual ele é alvo de investigação por tráfico de influência, Lula reagiu ao que chamou de insinuações de que seu nome apareça na Operação Lava Jato e disse que parte da elite tem medo de que ele volte a ser candidato.

Para ele, esse é um temor inexplicável. “Nunca ganharam tanto dinheiro como no meu governo”.

Dirigindo-se aos jornalistas que assistiam seu discurso ao pé do palanque, Lula chamou de lixo as revistas “Veja” e “Época”. “Não valem nada”, disse.

INVESTIGAÇÃO

Reportagem da “Época” divulgada em sua página na internet na noite desta quinta (30) diz que a Procuradoria da República em Brasília abriu uma investigação contra Lula por tráfico de influência internacional e no Brasil.

Segundo a revista, ele é suspeito de usar sua influência para facilitar negócios da empreiteira Odebrecht com governos estrangeiros onde faz obras financiadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Um trecho reproduzido da peça da Procuradoria fala em “supostas vantagens econômicas obtidas, direta ou indiretamente, da empreiteira Odebrecht pelo ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, entre os anos de 2011 a 2014, com pretexto de influir em atos praticados por agentes públicos estrangeiros, notadamente os governos da República Dominicana e Cuba, este último contendo obras custeadas, direta ou indiretamente, pelo BNDES”.

Para os procuradores, diz “Época”, relações de Lula com a construtora, o banco e os chefes de Estado podem ser enquadradas, “a princípio”, em artigos do Código Penal.*

(*) BELA MEGALE
CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO
RENAN MARRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SÃO PAULO

TIRO NO PÉ

Ajuste fiscal: PMDB agora

cobra o aval da CUT

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Dilma Rousseff deu um tiro contra o próprio pé ao reunir sindicalistas ligados à CUT para criticar o projeto de terceirização na véspera do Dia do Trabalho. Com seu gesto, a presidente afagou o sindicalismo ligado ao PT. Mas deixou irritado o PMDB. Um pedaço da legenda passou a condicionar a aprovação do ajuste fiscal do governo ao aval da CUT.

Braço sindical do petismo, a CUT torce o nariz para o ajuste de Dilma. Rejeita a imposição de regras que reduzirão o pagamento de benefícios como pensão por morte, auxílio-doença, abono salarial, seguro-desemprego e seguro-defeso. E os peemedebistas, tachados de inimigos do trabalhador em manifestações da CUT por ter apoiado a proposta de terceirização, agora ameaçam aderir à central na resistência ao pacote de Dilma.

O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) expressou em voz alta o sentimento que seus colegas de bancada sussurram na Câmara: “Eu estava inclinado a aprovar o ajuste fiscal para tirar o país da crise. Mas, ao ouvir a presidente criticar a terceirização a pretexto de defender as conquistas do trabalhador, fiquei tentado a me associar a ela nas suas preocupações trabalhistas, votando contra o ajuste fiscal criticado pela CUT.”

Lúcio arrematou: “O governo alega que seu ajuste não tira direitos dos trabalhadores, apenas corrige distorções. Se é assim, Dilma e Lula precisam chamar os dirigentes da CUT e das demais centrais sindicais e convencê-los a defender publicamente o pacote fiscal. Se o presidente da CUT disser que não prejudica os trabalhadores, eu voto a favor. O que não é aceitável é que os partidos aliados do governo assumam o ônus do ajuste enquanto Dilma, Lula e o PT fazem média com a CUT para ficar bem na fita.”

As primeiras votações do ajuste fiscal devem ocorrer a partir de terça-feira (5). Hostilizado em protestos de CUT por ter apoiado a proposta da terceirização de mão de obra, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, já avisou que franqueará o acesso da CUT e dos seus filiados às galerias da Casa. Em privado, insinua que fará isso para constranger o PT.*

(*) Blog do Josias de Souza

INACREDITÁVEL

 Brasil: o país onde se espanca professores que nas ruas pedem mais salários

É preciso responsabilizar os culpados, em todos os níveis, mas é preciso também explicar como é possível que professores sejam perseguidos e espancados nas ruas

Não consigo imaginar qualquer outro país com as cenas que vimos esta semana de professores sendo espancados nas ruas de Curitiba. Ainda mais difícil encontrar país onde haja comemoração dentro da sede do governo ao ver professores sendo perseguidos por policiais e cachorros. E isto acontecer em um país cujo governo nacional usa o slogan de Pátria Educadora. E deixa educação nas mãos dos governos locais.

Daqui a alguns anos haverá tentativa de explicar como aquilo aconteceu. O mais visível é a incompetência policial. Mas no âmago a causa é o histórico desprezo nacional pela educação, que se mostra com o desprezo ao magistério.

Houvesse empolgação nacional com educação, professor seria profissional respeitada, seus salários estariam entre os melhores, não haveria necessidade de greves, eles não precisariam manifestar-se nas ruas, aquelas cenas não ocorreriam. E se ocorressem, o Brasil inteiro se levantaria contra os causadores da vergonhosa perseguição.

Mas, o desprezo fará com que alguns fiquem incomodados, e logo esquecerão, outras greves levarão a movimentos similares e outras violências ocorrerão.

É preciso responsabilizar os culpados, em todos os níveis, mas é preciso também explicar como é possível que professores sejam perseguidos e espancados nas ruas. É imaginar que país teremos com fatos como esse.*

(*)  Cristovam Buarqueé professor emérito da UnB e senador pelo PDT-DF