A CASA CAIU

FIFA: J. HAWILLA, RÉU CONFESSO,

VAI DEVOLVER US$ 151 MILHÕES

J. Hawilla era repórter e virou um superempresário

Além do ex-presidente da CBF José Maria Marin, de 83 anos, outros dois brasileiros são citados pela Justiça norte-americana no escândalo de corrupção entre a Fifa e empresas de marketing e transmissão esportiva.

O mais conhecido deles é o réu confesso José Hawilla, de 71 anos, dono da Traffic Group, maior agência de marketing esportivo da América Latina, que tem os direitos de transmissão, patrocínio e promoção de campeonatos de futebol e jogadores, além de empresas de comunicação no Brasil.

O departamento de Justiça revelou que J. Hawilla, como prefere ser chamado, teria confessado culpa, em dezembro do ano passado, por acusações de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça – ele é o único brasileiro entre os réus confessos declarados culpados pela Justiça dos EUA.

O caso envolvendo Hawilla, uma das figuras mais proeminentes do futebol nacional, só veio a público na manhã desta quarta-feira, com a divulgação da nota do departamento de Justiça, onde aparece com destaque.

JÁ PAGOU US$ 25 MILHÕES

Segundo a nota do governo dos EUA, o executivo teria concordado com o confisco de US$ 151 milhões de seu patrimônio – US$ 25 milhões deste total já teriam sido pagos no momento da confissão. O mandatário da Traffic já foi classificado diversas vezes pela imprensa nacional como “dono do futebol brasileiro”.

De acordo com reportagens publicadas pela imprensa brasileira nos últimos 10 anos, estima-se que o faturamento anual da empresa de J. Hawilla, que começou a carreira profissional como vendedor de cachorros-quentes, gire em torno de US$ 500 milhões.

O Departamento de Justiça americano indiciou 14 pessoas por fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha: nove dirigentes da Fifa e cinco executivos de empresas ligadas ao futebol.

O grupo é acusado de armar um esquema de corrupção com propinas de pelo menos US$ 150 milhões de dólares (mais de R$ 470 milhões), que existe há pelo menos 24 anos.

CORRUPÇÃO DESENFREADA

“O indiciamento sugere que a corrupção é desenfreada, sistêmica e tem raízes profundas tanto no exterior como aqui nos Estados Unidos”, disse a procuradora-geral Loretta Lynch. “Essa corrupção começou há pelo menos duas gerações de executivos do futebol que, supostamente, abusaram de suas posições de confiança para obter milhões de dólares em subornos e propina.”

A nota divulgada pela Justiça americana afirma ainda que investiga suposto pagamento e recebimento de suborno e propina em um acordo de patrocínio “da CBF com uma grande fabricantes de roupas esportivas dos EUA”, na seleção do país anfitrião da Copa do Mundo de 2010 e nas eleições presidenciais da FIFA em 2011.

“Que fique claro: este não é o último capítulo na nossa investigação”, disse o procurador americano Kelly T. Currie, durante o anúncio dos envolvidos no esquema de corrupção.

A empresa de J. Hawilla é a atual responsável pelos direitos de torneios como a Copa Libertadores, passes de jogadores como o argentino Conca e o brasileiro Hernanes, dona de times como o Estoril Praia, de Portugal, e pelas vendas de camarotes do Allianz Parque, estádio do Palmeiras, em São Paulo.

A Traffic teve exclusividade na comercialização de direitos internacionais de TV da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, em 2014. O empresário brasileiro também foi o responsável pelo contrato celebrado em 1996 entre a Nike e a seleção brasileira – alvo de uma CPI, encerrada em junho de 2001 sem desdobramentos práticos.

Em 2008, J. Hawilla foi eleito o 56º homem mais influente do futebol mundial pela revista britânica World Soccer.

MARIN E MARGULIES

José Maria Marin, presidente da CBF até o mês passado, é outro brasileiro entre os detidos pela polícia americana. Aos 83 anos, tem fama de ter subido na carreira por ser “o homem certo no lugar certo”.

O terceiro brasileiro investigado pelo FBI é José Margulies, de 75 anos, proprietário das empresas Valente Corp. e Somerton Ltd., ambas ligadas a transmissões esportivas.

Segundo o departamento de Justiça, Margulies supostamente atuou como intermediário para facilitar pagamentos ilegais entre executivos de marketing esportivo e autoridades do futebol.

Margulies aparece na lista dos acusados pela Justiça americana – que inclui outras nove pessoas, mas não traz mais informações sobre os desdobramentos práticos das acusações.*

(*) BBC BRASIL

FINALMENTE…

Marin, ex-presidente da CBF, é detido na Suíça acusado de corrupção

O ex-presidente da CBF José Maria Marin, 83, e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos nesta quarta-feira (27), pela polícia suíça em uma operação surpresa, realizada a pedido das autoridades dos Estados Unidos. Os cartolas são investigados pela Justiça americana em um suposto esquema de corrupção.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, foram detidos, além de Marin, Jeffrey Webb, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Eugenio Figueredo e Rafael Esquivel (veja abaixo o perfil dos dirigentes). Eles participariam do congresso da Fifa e da eleição da entidade, que ocorre nesta sexta (29).

As autoridades suíças relataram que os detidos devem ser extraditados para os Estados Unidos, onde a Procuradoria de Nova York faz a investigação.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, a maior parte do esquema envolvia subornos e propinas entre dirigentes da Fifa e executivos do setor na comercialização de jogos e direitos de marketing de campeonatos como eliminatórias da Copa do Mundo na América do Norte, a Concacaf, a Copa América, a Libertadores e a Copa do Brasil –esta última, organizada pela CBF.

Os alvos da operação são principalmente dirigentes da Concacaf, como Webb, presidente da entidade que engloba os países das Américas do Norte e Central e do Caribe. Foram feitas busca e apreensão em um escritório da Concacaf em Miami.

As autoridades também investigam o pagamento de propina envolvendo o patrocínio da CBF por uma grande empresa dos EUA, a escolha da África do Sul como anfitrião da Copa de 2010 e as eleições presidenciais da Fifa em 2011.

Agentes chegaram no início da manhã (horário local) ao luxuoso hotel cinco estrelas Baur au Lac, em Zurique, onde os dirigentes estão reunidos para um congresso anual da entidade máxima do futebol. A entrada do prédio foi bloqueada e dezenas de jornalistas se aglomeravam no local.

O ex-presidente da CBF José Maria Marin, que atualmente é vice-presidente da entidade, foi escoltado por autoridades suíças na saída do hotel. Não há a confirmação para onde os detidos foram encaminhados.

Braço direito de Marin, o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, está hospedado no mesmo hotel em Zurique. Seu nome não aparece entre os acusados. O dirigente participa de uma conferência da Conmebol, nesta quarta, em um hotel de Zurique

Ennio Leanza/Efe

ESQUEMA DE MAIS DE US$ 150 MILHÕES

As acusações, segundo a polícia suíça, estão relacionadas a um vasto esquema de corrupção de mais de US$ 100 milhões dentro da Fifa nos últimos 20 anos, envolvendo fraude, extorsão e lavagem de dinheiro em negócios ligados a campeonatos na América Latina e acordos de marketing e transmissão televisiva.

Em nota, autoridades suíças divulgaram que contas dos acusados foram bloqueadas no país. Elas eram usadas para recebimento de subornos.

Além dos detidos nesta quarta, outros sete dirigentes e empresários foram acusados de corrupção no caso por lavagem de dinheiro, fraude. “Num esquema que atuava há 24 anos para enriquecer dirigentes através da corrupção no futebol internacional”, informa nota da Justiça americana.

Segundo autoridades dos Estados Unidos, quatro acusados detidos confessaram culpa no caso nesta quarta.

Além da investigação nos EUA, as autoridades suíças recolheram nesta quarta (27) documentos na sede da Fifa, em Zurique, em uma apuração relacionada à escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022.

“A Fifa vai cooperar plenamente com a investigação e apoiar a busca por provas. Como observado pelas autoridades suíças, a coleta de provas está sendo realizada numa base de cooperação. Estamos satisfeitos em ver que a investigação está sendo energicamente perseguida para o bem do futebol e acredito que vai ajudar a reforçar as medidas que a Fifa já toma”, informou a entidade em nota divulgada para a imprensa.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, 14 pessoas serão acusadas formalmente por envolvimento no caso. Além dos detidos, estão também os dirigentes Jack Warner e Nicolás Leoz, os executivos de marketing esportivo Alejandro Burzaco, Aaron Davidson, Hugo Jinkis, Mariano Jinkis, além de José Margulies, um suposto intermediário que facilitava pagamentos ilegais.

Réu confesso, José Hawilla, 71, dono da Traffic Group, maior agência de marketing esportivo da América Latina, que tem os direitos de transmissão, patrocínio e promoção de campeonatos de futebol e jogadores, além de empresas de comunicação no Brasil, também é citado pela Justiça americana.

Segundo a nota do governo dos Estados Unidos, o executivo teria concordado com o confisco de US$ 151 milhões (R$ 473 milhões na cotação atual) de seu patrimônio –US$ 25 milhões (R$ 78 milhões) deste total já teriam sido pagos no momento da confissão.

ELEIÇÃO ESTÁ CONFIRMADA

O diretor de Comunicação da Fifa, Walter de Gregório, disse em entrevista coletiva que a entidade é parte “prejudicada” pelo episódio, e que está colaborando com as autoridades.

Segundo ele, apesar do momento difícil, a operação é uma “coisa boa” para a entidade.

De acordo com o assessor, as autoridades suíças relataram que escolheram esta quarta para as prisões por causa da facilidade em encontrar todos os dirigentes acusados no mesmo lugar. A Fifa confirmou a realização da eleição para a próxima sexta (29).

No cargo desde 1998, Blatter deve ser reeleito com tranquilidade –seu único adversário é o príncipe da Jordânia, Ali bin Al-Hussein. Em comunicado nesta quarta comentando a operação da polícia suíça, Ali disse que “hoje é um dia triste para o futebol”.

O ex-jogador português Luís Figo era candidato até semana passada, quandosaiu da disputa disparando contra o comando da entidade. Junto dele também desistiu da candidatura o dirigente holandês Michael van Praag. Ambos apoiam agora o príncipe da Jordânia.

Em um comunicado, Figo criticou a eleição de sexta e classificou de “ditadura” o atual modelo de comando da Fifa.

Ao todo, 209 federações votam no pleito. Até agora, do ponto de vista relevante, o príncipe da Jordânia recebeu apenas o apoio dos cartolas europeus, sobretudo do presidente da Uefa, Michel Platini, mas insuficiente para derrotar Blatter.

Editoria de arte/Folhapress

DIRIGENTES DETIDOS

José Maria Marin – Ex-presidente da CBF e membro do comitê organizador do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 2016.

Jeffrey Webb – Vice-presidente da Fifa e membo do comitê executivo, presidente da Concacaf e presidente da Associação de Futebol das Ilhas Cayman.

Eduardo Li – Membro eleito do comitê executivo da Fifa e presidente da Federação de Futebol da Costa Rica.

Julio Rocha – Integrante do comitê de desenvolvimento da Fifa. Presidente da Federação de Futebol da Nicarágua.

Costas Takkas – Assessor da presidência da Concacaf.

Eugenio Figueredo – Vice-presidente da Fifa e membro do comitê executivo da entidade. Ex-presidente da Conmebol e da Federação de Futebol do Uruguai.

Rafael Esquivel – Membro do comitê executivo da Conmebol e presidente da Federação de Futebol da Venezuela. *

(*) LEANDRO COLON – ENVIADO ESPECIAL A ZURIQUE – DE SÃO PAULO – FOLHA DE SÃO PAULO

CULPA DA IMPRENSA GOLPISTA, É?

Ex-diretor da Camargo Corrêa confirma que tratou de doações ilegais com Vaccari em 2010

Eduardo Leite, que depõe nesta terça na CPI da Petrobras, disse que que contratos ilícitos com a Petrobras começaram em 2002

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BRASÍLIA — Em depoimento na CPI da Petrobras, na manhã desta terça, o ex-vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Leite, que cumpre prisão domiciliar e aderiu à delação premiada, confirmou que conheceu o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, em 2010, e que, primeiro, tiveram um encontro formal, na qual trataram de doações legais e campanha.

— Primeiro, houve uma conversa institucional, como funcionava doação eleitoral na Camargo. Houve uma segunda reunião, aí foi diferente. Ele (Vaccari) disse que a Camargo estava em débito com a Diretoria de Engenharia no pagamento de propina e que se a empresa não desejava liquidar isso com pagamento de campanha eleitoral para o PT. A resposta foi que não iríamos proceder desta forma — disse Leite.

Ele também fez um relato do esquema, falou de reuniões e afirmou que, ao assumir a diretoria de Óleo e Gás, em 2009, teve que manter os acordos de corrupção pré-existentes e cumprir esses contratos, que se iniciaram em 2002.

— Herdei uma prática e tive que administrar. Em meus depoimentos reconheci os ilícitos praticados juntos a Petrobras. Recebi dos meus antecessores uma situação pré-existente. A situação preexistente consistia em contratos que foram celebrados através de consultorias a partir de 2002. Tive que administrar os procedimentos adotados — disse Eduardo Leite.

O ex-diretor trabalha há 21 anos na Camargo Corrêa, onde entrou como estagiário. Leite disse ainda que manteve contatos co Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Pedro Barusco, João Vaccari e Júlio Camargo, José Janene, entre envolvidos no esquema. Ele contou que, de Youssef, recebeu cerca de R$ 1,5 milhão, sendo R$ 500 mil do próprio e mais de R$ 1 milhão da empresa Samco, via o doleiro.

Ao ser questionado pelo relator da CPI, Luiz Sergio (PT-RJ), Leite disse que, quando assumiu a diretoria de óleo e gás, foi passado a ele os compromissos de propina, os contratos ganhos e os assumidos. Ele afirmou que não foi lhe passado um histórico, mas, que pelo que teve conhecimento, os grandes movimentos ocorreram a partir de 2006.

Eduardo Leite chegou a chorar durante seu depoimento da CPI da Petrobras, quando falou de sua família. Um parlamentar perguntou como se sentia diante dos filhos. Ele retirou um lenço do bolso e começou a enxugar as lágrimas. Leite afirmou que não se via cometendo um crime, mas fazendo parte de algo que já existia, funcional, quando assumiu o cargo de vice-presidente, no segundo semestre de 2011.

— Prefiro que não seja um choro. Houve um prejuízo de imagem a minha família. Isso não me é agradável — disse Leite.

O ex-diretor confirmou informação de que a empresa pagou R$ 110 milhões de propina, soma que atinge vários anos. Ele contou que numa conversa com Ricardo Pessoa, presidente da UTC, comentaram que entendiam um absurdo o valor de propina paga.

— Falei com Ricardo Pessoa sobre o volume de coisa que temos que pagar, que era um absurdo. Um desconforto absoluto — disse Leite.

Perguntado sobre como foram os momentos de prisão em Curitiba, na carceragem da Polícia Federal, respondeu:

— Diria que as relações lá eram de pessoas. Passamos Natal, Ano Novo. O grande debate que se teve lá não envolvia a Lava-Jato, mas o que estava acontecendo com cada um. O suporte a cada um. Suporte relativo a destempero, o momento de cada um.

Eduardo Leite afirmou acreditar que a Justiça atingirá todos que tem que ser atingidos.

— Acredito na Justiça, porque estou sofrendo com ela.*

(*) EVANDRO ÉBOLI – O GLOBO

A CASA CAIU – EFEITO DOMINÓ

Lobão Filho pagou suposto emissário em paraíso fiscal com verba pública

O ex-senador Lobão Filho (PMDB-MA) contratou, de 2009 a 2010, com verba de gabinete, o advogado Márcio Coutinho, que é apontado em inquérito na Justiça como representante do ex-ministro Edson Lobão (PMDB-MA) em uma holding nas Ilhas Cayman, conhecido paraíso fiscal no Caribe.

Por meio da cota parlamentar do Senado, destinada a despesas como aluguel de imóveis para escritório político, alimentação e passagens aéreas, Lobinho, como é conhecido, pagou R$ 6.750 mensais a Coutinho de abril de 2009 a fevereiro de 2010, no total de R$ 74.250.

Segundo Lobinho, Coutinho foi locador de três salas comerciais onde funcionou seu escritório político durante este período. O ex-senador diz que ele e Coutinho são amigos e que ele atua como seu advogado ”em algumas causas”, além de ter sido coordenador político de sua última campanha.

O ex-congressista disputou em 2014 o governo do Maranhão contra Flávio Dino (PCdoB-MA), que derrotou o peemedebista.

Lobinho era suplente de seu pai e deixou o Senado neste ano, quando Lobão reassumiu o mandato após deixar o Ministério de Minas e Energia.

Coutinho é citado como representante de Lobão na empresa Diamond Mountain em um processo que investiga o ex-ministro por suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O processo teve início na Justiça Federal de São Paulo, mas foi encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em fevereiro deste ano, uma vez que Lobão, como senador, tem foro privilegiado.

Lobão é suspeito, de acordo com “O Estado de S. Paulo”, que revelou o caso, de ser sócio oculto da holding Diamond Mountain, grupo sediado nas Ilhas Cayman, responsável por captar recursos de fundos de pensão, empresas que recebem dinheiro de bancos públicos e de fornecedores da Petrobras.

A defesa de Lobão nega que o ex-ministro tenha qualquer relação com a empresa, mas admite que no dia 2 de junho de 2011 o peemedebista recebeu no Ministério de Minas e Energia um executivo da holding, Marcos Henrique da Costa. No encontro, segundo o advogado de Lobão, Antônio Carlos de Almeida Castro, foram tratados apenas assuntos relacionados a investimentos do grupo no país.

Também estaria presente no encontro o advogado maranhense Márcio Coutinho, que seria o representante de Lobão na holding.

OUTRO LADO

O ex-senador Lobão Filho disse que a contratação de Coutinho foi realizada na forma legal e regimental do Senado. Ele disse que seu pai não tem relação com as empresas citadas e ”muito menos possui ativos financeiros ou patrimoniais, direta ou indiretamente, nas ilhas Cayman ou outro paraíso fiscal”.

Segundo o peemedebista, a relação de seu pai, o senador Edison Lobão (PMDB-MA) com Coutinho era protocolar até 2014, ”quando houve uma aproximação maior por meu intermédio”. Lobinho disse ser amigo de Coutinho e disse que o advogado atua em algumas de suas causas, sem dar detalhes, além de ter sido coordenador político de sua última campanha.

Folha telefonou para o escritório de Coutinho e deixou recado com a secretária, mas ele não retornou. O advogado também não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem por e-mail.*

(*) ANDRÉIA SADI – DE BRASÍLIA – FOLHA PODER

ESTÃO CHEGANDO LÁ…

Cerveró, ex-diretor da Petrobras, é

condenado a cinco anos de prisão

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O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró foi condenado, nesta terça-feira (26), a cinco anos de prisão –em regime, inicialmente, fechado– pelo crime de lavagem de dinheiro. A decisão é do juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato.

Cerveró foi acusado pelo Ministério Público de adquirir um apartamento de luxo no Rio de Janeiro com dinheiro que teria recebido como propina na Petrobras.

“O imóvel teria sido adquirido com produto de crimes de corrupção praticados por Nestor Cerveró no exercício do cargo de Diretor Internacional da Petróleo Brasileiro S/A [Petrobras]”, diz o despacho do juiz.

O imóvel, que fica em Ipanema, foi avaliado em R$ 7,5 milhões. Ele está registrado em nome da empresa Jolmey do Brasil -que, segundo o MPF (Ministério Público Federal), é de propriedade de Cerveró. Segundo denúncia contra ele, o ex-diretor recebia propinas em contratos da Petrobras e lavava esse dinheiro no Uruguai, transferindo os valores para a empresa offshore Jolmey S/A.

Foi a Jolmey do Brasil que comprou o apartamento em Ipanema, em 2009, o reformou e o alugou para Cerveró na sequência, por R$ 3.650 mensais -valor abaixo da média de mercado.

“Evidente, pois, que a Jolmey do Brasil é apenas uma empresa de fachada criada e utilizada com o único propósito de ocultar a propriedade de bem”, afirmam os procuradores na denúncia. “Foi apenas um estratagema utilizado pelo denunciado para ocultar que era o real proprietário do bem.”

O objetivo do esquema, para o Ministério Público, era evitar que Cerveró fosse alvo de investigação por enriquecimento sem causa.

No despacho, Moro ainda condena Cerveró ao pagamento de 150 dias-multa, cada uma no valor de cinco salários mínimos. Ele justifica a determinação da prisão argumentando que ainda não é possível saber o tamanho do patrimônio e que, portanto, há risco de “prática de novos crimes de lavagem que previnam o seu sequestro pelo Poder Público, caracterizando risco à ordem pública”.

Quando a denúncia foi aberta, o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, negou as acusações e disse que a denúncia é “totalmente inepta”. Segundo ele, o ex-diretor não era proprietário de nenhuma das empresas citadas pelos procuradores. “Isso não existe, é uma criação mental do Ministério Público Federal”, afirmou.

Cerveró foi preso em janeiro ao desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro. Desde então, está detido na carceragem da superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba.*

(*)

PETRORROUBALHEIRA

‘Querida companhia’

O problema central é político. Está na concepção do “papel estratégico” da Petrobras como alavanca para um projeto de poder estatal quase absoluto na condução da economia

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Números falam, e nem sempre revelam coisas agradáveis. O caso da Petrobras sob o governo Dilma Rousseff é exemplar: a estatal perdeu 73% do valor das suas ações em dólares, entre janeiro de 2010 e dezembro passado.

Pela calculadora de gestoras de fundos, como a Canepa Assets, equivale a tocar fogo numa pilha de US$ 83 bilhões — mais de três vezes o valor estimado do controvertido “ajuste” nas contas governamentais.

É apenas um pedaço da conta. Menos visível é a dívida de US$ 130 bilhões acumulada nos 11 anos dos governos Lula e Dilma.

Nada menos que 80% desses débitos são em moeda estrangeira (dólar e euro). Nos próximos quatro anos vencem seis de cada dez dólares dessa monumental dívida externa.

O saldo devedor a ser liquidado no médio prazo soma-se à crescente necessidade financiamento de pesquisa, exploração e produção de petróleo nas reservas do pré-sal.

O valor de investimento não é consensual, mas as estimativas da empresa nunca são inferiores a US$ 20 bilhões anuais — ou US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos.

Apenas para desenvolver um único campo (Libra), segundo as próprias previsões, ela precisaria investir US$ 32 bilhões na próxima década, proporcionais à sua fatia de 40% no consórcio responsável pelo negócio.

A Petrobras agora encontra-se numa situação de asfixia financeira, com evidências de supressão da respiração (pela dívida) e reduzida circulação (pela escassez de caixa e de crédito).

Inverter o quadro é difícil, mas não impossível. Nem é tarefa exclusiva do grupo de executivos financeiros no comando da “nossa querida companhia, símbolo do orgulho nacional”, como tem repetido o presidente, Aldemir Bendine.

O problema central é político. Está na concepção do “papel estratégico” da Petrobras como alavanca para um projeto de poder estatal quase absoluto na condução da economia.

Com Lula e Dilma, essa fantasia já levou a “querida companhia” a perdas de US$ 5,8 milhões por dia, ou US$ 241 mil por hora.

Aconteceu num período de seis anos e sete meses seguidos (entre julho de 2005 e o início de 2012) quando o “símbolo do orgulho nacional” ficou 2.370 dias sob guarda do “companheiro” José Sérgio Gabrielli, expoente baiano do PT.

Com a complacência de Lula e Dilma, suas digitais espalharam-se por US$ 13 bilhões em iniciativas contabilizadas como danosas ao patrimônio da estatal. A conta não inclui o custo do repasse da corrupção aos contratos. Também não reflete a escalada no endividamento realizada na gestão temerária de Gabrielli. Mostra apenas uma face da incúria.

A degradação tende a crescer. De um lado, pelo aumento da pressão governamental pelo pagamento de dividendos elevados, como contribuição ao saneamento do déficit público cavado por Lula e Dilma. De outro, pela persistência do uso da Petrobras como alavanca de um projeto de poder estatal quase absoluto na economia. Isso, sem que se tenha resposta para uma questão crucial: com qual dinheiro a empresa, hoje asfixiada, vai sustentar sua hegemonia na exploração dos campos do pré-sal?

Um feirão de ativos parece ser a alternativa, debate-se no conselho de administração da estatal. Significa privatizar — epílogo de um projeto político que ainda era construção quando se tornou ruína.*

(*) José Casado – O Globo

E QUEM ERA MESMO O PRESIMENTE – ISTO – PRESIMENTE DA REPÚBLICA?

 Irregularidades com a Petrobras começaram em 2002, diz empreiteiro na CPI

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O ex-vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Hermelino Leite afirmou nesta terça-feira (26) que os contratos ilícitos da empreiteira com a Petrobras foram “celebrados a partir de 2002”. Ele depõe hoje à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Deputados que investiga as irregularidades na estatal.

“A partir de setembro 2009, quando assumi a diretoria de Óleo e Gás, recebi da empresa uma situação pré-existente de meus antecessores. A situação pré-existente da Camargo Corrêa consistia em combinações e contratos que foram celebrados através de consultorias a partir de 2002, conforme cópias de documentos já entregues ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal”, declarou Leite ao se referir aos pagamentos de propina.

É a primeira vez que um empreiteiro menciona contratos anteriores ao governo do PT no país — em 2002, o presidente era Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Questionado pelo relator da CPI, Luiz Sérgio (PT-RJ), sobre a origem do esquema, o executivo disse que não lhe “foi passado o histórico”.

“Minha única disposição é a de falar a verdade. Mais que arrependimento, tenho uma profunda frustração profissional, de ter batalhado e estar hoje envolvido neste escândalo de grandes dimensões”, disse o empreiteiro.

Leite realizou acordo de delação premiada com o Ministério Público. Ele se emocionou ao ser indagado sobre os motivos que levaram a colaborar com as investigações e se possui filhos. Eu penso nisso [fazer delação] desde que a operação começou. […] Essa questão da delação é um processo individual e não é uma boa decisão jurídica é uma decisão pessoal”, declarou Leite.

Ainda respondendo o que o motivou a fazer a delação, o empresário confirmou que tem filhos e chorou. “Prefiro que isso não seja um choro. [Há] um prejuízo de imagem à minha família, não me é agradável”, disse.

O empreiteiro reafirmou que o doleiro Alberto Youssef, os ex-diretores da estatal Renato Duque e Paulo Roberto Costa, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto participavam do esquema de pagamento de propina de empreiteiras à petrolífera.

“O volume de propina que tínhamos que pagar era um absurdo, era um desconforto absurdo”, declarou Leite.

Ele também reafirmou que pagava propina de 1% do valor dos contratos para as diretorias de Serviços e Abastecimento. Leite declarou aos deputados da CPI que a relação da empreiteira com a estatal seria “muito difícil” se não houvesse o pagamento de propina a diretores.

Leite, em depoimento da delação, afirmou aos procuradores que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto cobrou pessoalmente uma suposta dívida da empreiteira superior a R$ 10 milhões de “pagamentos de vantagem indevida frente a contratos da construtora com a Petrobras” e determinou que o valor fosse pago ao PT como doação oficial eleitoral ao partido.

Leite disse ainda que que a propina não era um tema discutido entre os acionistas da companhia, e sim considerado um “custo” para a construtora.

O PT sempre negou que as doações eleitorais fossem provenientes de pagamento de propina e tivessem origem ilegal.

Leite foi preso em novembro de 2014 por suspeita de participar de um esquema de formação de cartel de empreiteiras que pagaram propina a diretores da Petrobras. Ele agora cumpre prisão domiciliar após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) no início de maio.*

(*) Bruna Borges – Do UOL, em Brasília

PEGA PRA CAPAR

NOVO CONFRONTO ENTRE

DILMA E EDUARDO CUNHA

Mesmo com a presidente Dilma no México, deflagra-se hoje mais um round entre Madame e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Os deputados começarão a examinar a reforma política, tanto faz se a partir do relatório encomendado mas contestado, ou isoladamente, uma proposta depois da outra.

Qualquer aprovação exigirá no mínimo 308 votos, número que Eduardo Cunha imagina dispor a partir de forte base do PMDB. O problema é que cada sugestão vem despertando mais discordâncias do que apoios.

O teste inicial dirá respeito ao chamado “distritão”, estabelecendo que em cada estado serão considerados eleitos os candidatos a deputado federal, estadual e vereador que obtiverem mais votos. À primeira vista parece lógico, mas há meandros capazes de conduzir à areia movediça. Sustentam os adversários, a começar pelos pequenos partidos, que a extinção das coligações partidárias favorecerá os grandes. Os que tiverem melhores estruturas e mais dinheiro garantirão a maioria das vagas.

Eduardo Cunha é o patrono do “distritão”. Já a presidente Dilma, ávida de recompor-se com o PT, fica do outro lado. Os companheiros temem que a mudança reduza suas bancadas.

PERFUMARIA

Quase todo o resto do elenco de reformas consiste em perfumaria. Alterações partidárias e eleitorais inviáveis, umas, e supérfluas, outras. A proibição de doações de empresas para as campanhas eleitorais até que serviria para moralizar as eleições, mas a Câmara, em peso, rejeita a hipótese. O Senado também. Como abrir mão de recursos fundamentais para a reeleição da maioria, mesmo que depois precisem retribuir com suas performances o auxílio jamais desinteressado? A ideia de muitos é limitar as doações empresariais, que a Justiça Eleitoral jamais conseguirá fiscalizar.

Acabar com a reeleição de presidentes da República, governadores e prefeitos é um consenso nacional, mas a confusão se estabelece quando se pretende aumentar os mandatos de deputados para cinco anos e os de senador para dez, já que será impossível reduzi-los a cinco. A coincidência de eleições, todas num só dia, tumultuará o processo. Acabar com dois suplentes de senador, reduzindo para um só, não passa de jeito nenhum na Câmara Alta. Nem a cláusula de desempenho, capaz de tirar recursos do fundo partidário dos partidos de aluguel. E assim por diante.

A presidente Dilma já foi entusiasta da reforma política, até por algum tempo aderiu ao absurdo da convocação de uma assembleia constituinte exclusiva. Depois refluiu. Derrotar Eduardo Cunha tornou-se prioridade. Melhor aguardar.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet

E NA CASA DA MÃE DILMA…

LEVY FINGE TOSSE E NEGA TER PEDIDO

PARA SAIR DO GOVERNO

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O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, negou os rumores de que ele estaria de saída do governo por não concordar com o tamanho do corte no Orçamento, de R$ 69,9 bilhões, anunciado apenas pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

“Eu não pensei nada de sair”, afirmou Levy. “Não houve divergência, estava gripado, resfriado, enfim. Mas houve um certo alvoroço dessa história e não entendi bem o porquê. É dado o direito de todo mundo se alvoroçar”, disse ele, segunda-feira, no final da uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, dando uma leve tossida, que provocou risos entre os jornalistas presentes, já que ele não havia tossido nenhuma vez antes. O ministro acabou rindo também.

GRIPADÍSSIMO…

O chefe da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff deveria fazer o anúncio junto com Barbosa, e as informações oficiais da pasta de sua ausência era que ele estava “gripadíssimo”. Levy vinha defendendo aos seus interlocutores um valor mais elevado para o contingenciamento, entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões, mas o corte ficou pouco abaixo do piso que ele havia estipulado.

Segundo assessores do Planalto, a justificativa dada para a ausência de Levy foi a avaliação de que não havia necessidade de expor os dois ministros no anúncio da maior tesourada no Orçamento da história, por isso, foi preferível deixar apenas Barbosa, que está menos desgastado com a opinião pública do que o titular da Fazenda, divulgar o número.

DESCONFORTO

Durante a coletiva no Planalto, Levy aparentava bastante desconforto ao lado do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Ambos destacaram a importância da aprovação das medidas provisórias que alteram as regras trabalhistas e previdenciárias para ajudar a equilibrar as contas públicas, aprovadas pela Câmara dos Deputados e que agora tramitam no Senado Federal com prazo muito curto para a aprovação, pois expiram em 1o de junho.

Os dois ministros avisaram ainda que será criada uma Comissão para discutir a sustentabilidade da Previdência, que será integrada por vários quatro ministros: Levy, Mercadante, Barbosa e Carlos Gabas (Previdência). O objetivo é debater alternativas ao fim do fator previdenciário e levá-las ao fórum criado pelo governo com a sociedade civil para debater o mesmo assunto. Na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse aos ministros que participaram do encontro que o governo deveria ter uma proposta própria para o fim do fator previdenciário.

CALMA COM IMPOSTOS

Mais cedo, ao chegar ao ministério da Fazenda, Levy tomou uma atitude que surpreendeu os setoristas e resolveu falar na portaria, algo que ele havia proibido logo que assumiu, sinalizando que queria mandar algum recado. Ele alertou sobre as limitações da receita e mudou o discurso sobre a necessidade de aumentar mais tributos para conseguir tapar o buraco das contas públicas já que o corte do Orçamento não será suficiente. “A agente tem que ir com calma na parte de imposto. Não adianta a gente inventar novos impostos como se isso fosse salvar a economia brasileira”, declarou.

Levy também sinalizou que há a possibilidade de haver uma piora nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) que serão anunciados na próxima sexta-feira. Em 2014, o segundo e terceiro trimestre tiveram queda e o país só não entrou em recessão propriamente dita porque o quarto trimestre deu uma pequena elevação, de 0,3%. “Vamos ver o que acontece. O PIB tinha um pequeno blipping (virada) no quarto trimestre, que aliás, pode ser revisto”, avisou.*

(*) Rosana Hessel e Julia Chaib – Correio Braziliense

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG DA TRIBUNA NA INTERNET – Pegou mal este fingimento de Levy, isso não é comportamento de uma autoridade. Devia sair logo do governo, mas o Bradesco não deixa. (C.N.)