VERGONHOSO

PETROLÃO: SALVAM-SE QUASE TODOS


Salvo engano, a pizza está no forno. Fica evidente que um juiz só não faz verão, como a andorinha. Apesar de toda a diligência do juiz Sérgio Moro, nove presos no escândalo da Petrobras acabam de ser soltos por decisão do Supremo Tribunal Federal. Ficou um só, porque como os demais que não são parlamentares, estão em casa, livres para acertar seus depósitos fajutos no estrangeiro. Desconfia-se que tenham agido assim os já beneficiados com a delação premiada, que cumprem suas penas em casa.

Mas tem pior. Os 42 deputados e senadores integrantes da lista do Procurador Geral estão, teoricamente, sendo investigados por inquérito judicial junto ao Supremo Tribunal Federal para apurar se também participaram da lambança. Sendo esses inquéritos sigilosos, ignora-se quem foi e quem não foi ouvido até agora, tudo a cargo da Polícia Federal.

Só que a Procuradoria Geral da República e os policiais federais estão em choque, tendo o dr. Rodrigo Janot exigido que cheguem ao seu gabinete detalhes das inquirições que a PF ainda vai fazer. Quer informações prévias sobre o tempo, local e configuração dos atos, ou seja, vai opinar até sobre as perguntas que serão feitas aos detentores de mandato, para aprová-las ou não.

Em resumo, assim como no caso do mensalão, parece que salvar-se-ão quase todos. Uma prova de que o ritmo de trabalho da mais alta corte nacional de justiça continua em descompasso com os anseios da sociedade. São essas coisas que desmoralizam o Brasil perante outras nações.

AJUSTE CAPENGA

Não será tão cedo que o Congresso apreciará as medidas do ajuste fiscal propostas pelo ministro da Fazenda, mas a precedência será para a supressão de direitos trabalhistas. Sinais inexistem de que deputados e senadores apreciarão as medidas provisórias que suprimem regalias do empresariado, como a que acaba com a desoneração das folhas de pagamento. Deixou de ser apresentada pelo governo a medida provisória que cria o imposto sobre grandes fortunas, assim como a que estabelece o imposto sobre herança.

No dia do trabalhador, quem continua dando as cartas é o patrão.*

(*) Carlos Chagas – Tribuna na Internet