NUNCA NA HISTÓRIA “DEÇEPAÍZ”…

Janot fala em ‘corrupção descomunal’ na Petrobrás e pede voto para ‘terminar o que começou’

Procurador-geral, que disputa a reeleição, participou de um debate com os demais candidatos ao cargo nesta segunda-feira

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O primeiro debate entre candidatos ao cargo de Procurador-Geral da República para os próximos dois anos, realizado nesta segunda-feira, 29, teve a condução da Operação Lava Jato como ponto de maior polêmica. Sob críticas pela forma como guia o caso, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu sua atuação e pediu votos à categoria para “terminar o que começou”. Janot disse que o País vive um “grave momento” e falou em “descomunal caso de corrupção”, em referência ao escândalo da Petrobras.

O procurador-geral defendeu que as mudanças estruturais realizadas permitiram que o Ministério Público enfrentasse a investigação com “profissionalismo”. “Não foi e não está sendo fácil”, afirmou Janot. O mandato do procurador-geral se encerra em setembro e a eleição interna que define a lista tríplice de candidatos a ser encaminhada à presidente Dilma Rousseff está marcada para a primeira semana de agosto. A presidente escolhe então um nome e o submete à aprovação do Senado.

Candidato à vaga de Janot, Carlos Frederico Santos aproveitou o debate para reforçar críticas à forma de condução das investigações da Operação Lava Jato. Para ele, o procurador-geral poderia ter “amadurecido” mais as provas contra políticos antes de apresentar o pedido de abertura de inquérito ao STF. “Por que levamos à Polícia Federal se poderíamos ter resolvido isso dentro da nossa casa?”, perguntou o subprocurador, principal crítico à atual gestão entre os candidatos.

Janot respondeu dizendo que a não apresentação do caso do Judiciário poderia gerar “nulidade” do caso. O procurador-geral defendeu seu trabalho dizendo que a competência da Procuradoria-Geral para investigar políticos “alcança a supervisão de investigação criminal”, ou seja, é preciso que haja uma supervisão do Supremo. “Atos investigatórios sem a supervisão do STF são nulos”, disse. “Prerrogativa de foro trata-se de inquérito judicial e não policial e o próprio Supremo reconhece que a ausência de supervisão dele retrata em nulidade”, completou Janot.

O poder de investigação próprio do Ministério Público e uma maior independência em relação à Polícia Federal também foram bandeiras levantadas por Janot. “Nós temos agora a responsabilidade de criar o modelo para que possamos desenvolver com profissionalismo e objetividade nosso mister. (…) Temos que trabalhar para ter mais independência investigatória a no que se refere cooperação da Polícia Federal”, completou o procurador. Nos primeiros dois meses de investigação de políticos supostamente envolvidos na Lava Jato, PGR e PF tiveram desentendimentos que geraram adiamento de depoimentos marcados.

Janot disse que não poderá se ausentar de Brasília para fazer campanha em razão do momento vivido. “Volto à presença de vocês porque pretendo terminar o que comecei. Estou pronto e firme para prosseguir no desafio. (…) Sem fórmulas magicas e sem vender ilusões peço seu voto para que possamos continuar avançando”, completou o procurador-geral.

Entre os quatro candidatos, Janot e Frederico foram os dois com maior protagonismo no debate. Além deles, concorrem ao cargo os subprocuradores Raquel Dodge, que é vista como uma “opositora moderada” e Mário Bonsaglia, que tem uma posição mais alinhada com a do procurador-geral. Durante o debate foram permitidas apenas perguntas dos procuradores, que poderiam fazê-las pessoalmente ou pela internet. Não foram permitidas perguntas diretas de um candidato para o outro e cada um dos concorrentes respondia a todas as perguntas sorteadas. As perguntas ficaram mais voltadas para questões administrativas, por advirem do público interno.*

(*) Por Beatriz Bulla e Talita Fernandes – Estadão

 

A GRANDE FAMIGLIA

O irmão de Lula no Postalis

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Investigações em curso indicam que um empresário português ligado a Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão de Lula, foi beneficiado com dinheiro da Fundação Postalis, a previdência dos funcionários dos Correios

Investigações em curso indicam que um empresário português ligado a Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão de Lula, foi beneficiado com dinheiro da Fundação Postalis, a previdência dos funcionários dos Correios. Mais de R$ 200 milhões foram usados para a compra de cédulas de crédito imobiliário. Uma dessas CCIs foi emitida pela Riviera Empreendimentos, de Emidio Mendes e Carlos Vespoli. Vavá atuou como lobista de Mendes no primeiro mandato de Lula, inclusive na busca de negócios com a Petrobras. Outra CCI podre está em nome da J2HA, de Alberto Fuzari Neto, sócio do ex-presidente do Banif Antonio Julio Rodrigues.

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Lavagem a seco 
Vespoli e Fuzari estão envolvidos numa mega-fraude no banco português. Segundo processo judicial, o grupo de dirigentes do banco, inclusive seu presidente, aprovou uma série de empréstimos irregulares para empresas ligadas aos próprios administradores. Suspeita-se que os certificados de dívida comprados pelo Postalis tenham lastro nesses contratos fajutos.

Baixando a poeira 
Ninguém viu em Brasília o deputado federal Luis Sérgio (PT-RJ), mencionado em denúncia de ISTOÉ como suposto beneficiário de desvios da Postalis. Outro envolvido, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) viajou em missão à Venezuela.
Só Renan Calheiros deu as caras no Congresso.

Os segredos de Hage  
Ex-ministro da CGU, Jorge Hage pediu à CPI da Petrobras uma semana de prazo para “se preparar” para audiência. Ele comandou a CGU no período dos desvios do petrolão e pediu demissão logo que o escândalo atingiu a cúpula do PT. Hage nunca concordou com delações premiadas.

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A cor do dinheiro 
Policiais federais dizem que Carlinhos Cachoeira trocou o ramo de caça-níqueis pelo poker, permitido pela legislação brasileira. A modalidade “cash game” virou febre nos subsolos de mansões no Lago Sul em Brasília. Para entrar no jogo, é preciso desembolsar no mínimo R$ 2 mil em cash.

Paraíso asiático
Pela análise das quebras de sigilo dos envolvidos na Operação Lava Jato, a Polícia Federal se deu conta de que doleiros e empresários passaram a operar muito mais na Ásia do que no Caribe ou nos Alpes. Os velhos “paraísos fiscais” ficaram manjados e as autoridades estão mais atentas.

Contrato melado
A nova direção do Postalis calcula em R$ 3,5 bilhões o prejuízo financeiro (real) com investimentos em negócios obscuros, como os realizados com o grupo Galileo e a Riviera Empreendimentos. Para reaver essa dinheirama, está movendo histórica ação judicial contra o BNY Mellon, que tem contrato de exclusividade e autonomia sobre a escolha dos investimentos.*

(*) Claudio Dantas Sequeira – Isto É

LEGADO DA FRAUDE ELEITORAL

Sob Dilma, o Brasil derrete

O segundo mandado da presidente destruiu o PIB, aniquilou empregos e espantou investimentos. A má notícia é que tudo pode piorar

No começo de 2015, muita gente acreditou que a crise seria passageira. Reeleita, a presidente Dilma Rousseff e seu renovado ministério dariam um jeito de fazer a economia andar, e seguiríamos em frente apesar de tudo. Depois, lá pelo terceiro mês do segundo mandato, Dilma lançou a ideia de que este seria um ano de ajustes e que teríamos que sofrer um pouco agora para conhecer a felicidade logo adiante. O PIB cairia quase nada, disseram  no Planalto, mas em 2016 tudo seria diferente. Nos últimos dias, a dura realidade bateu mais uma vez à porta dos brasileiros. Ninguém mais – a não ser provavelmente algum membro relapso do governo – acredita que 2015 não será o ano em que viveremos uma tragédia econômica. Ou que, em 2016, as finanças do País vão recuperar os sinais vitais. A retomada, palavra manjada que a atual administração tratou de desgastar, ficará apenas para 2017. Talvez só em 2018 a nação volte a respirar, e mesmo assim sem muito fôlego. Sob Dilma, o Brasil terá seu pior desempenho econômico desde Fernando Collor. Projeta-se para o segundo mandato da presidente um crescimento médio anual de 0,5%. É pouco, quase nada, um desperdício do que poderia ter sido e não foi. “Nós sequer chegamos ao pior momento da crise” diz o economista Mauro Rochlim, professor da Fundação Getúlio Vargas.

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À DERIVA?
Para o ministro Levy, o Brasil vive uma ressaca.
“A gente não pode  deixar o barco nas pedras”

Os indicadores econômicos derreteram no segundo governo Dilma. Eles são tão ruins que não é mais suficiente compará-los com meses anteriores. Suas referências mais próximas são anos distantes. Em alguns casos, só dá para  cotejá-los com dados de duas décadas atrás. Em maio, o mercado formal de empregos registrou o pior índice em 23 anos, com um saldo negativo de 115 mil vagas. A comparação se dá com 1992, quando o Brasil vivia um dos períodos mais sombrios de sua história recente. Envolvido em uma série de denúncias de corrupção, o presidente Fernando Collor enfrentava o processo de impeachment, que culminaria na sua renúncia. Agora, por uma dessas coincidências históricas, os malfeitos resultantes do cruzamento de interesses públicos e privados também ameaçam a governabilidade e ferem de morte a economia nacional.

É um erro dizer que o País parou. Não se trata de paralisia, mas de retrocesso. A inflação de 2015 não será menor do que 9%, mas uma corrente de especialistas já fala em algo próximo a 10%. Se esses percentuais se confirmarem, serão a prova de que recuamos no tempo. Mais exatamente, a 2002 e 2003, quando a alta de preços foi de 12,53% e 9,30%. Há uma diferença marcante entre os períodos: o desempenho do PIB. Em 2002 e 2003 a economia brasileira cresceu 3,1% e 1,2%, enquanto em 2015 ela vai encolher. E muito: para alguns especialistas, até 2%. O Brasil está diante do pior cenário possível. Há um nome feio para isso: estagflação, a combinação de PIB baixo com inflação alta. É possível sair dessa? Dá para frear o estouro inflacionário sem depreciar ainda mais o PIB? Existe uma fórmula para fazer a economia progredir sem alimentar a inflação? Dilma não tem dado respostas satisfatórias para essas perguntas. Para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o País vive uma espécie de ressaca. “A boa notícia é que a ressaca passa”, disse. “A gente tem que se preparar. Não pode deixar o barco nas pedras.”

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Os números estão aí para provar que a crise econômica chegou ao bolso dos brasileiros. Um estudo divulgado na semana passada pelo SPC Brasil, instituição que acompanha os índices de inadimplência, constatou que existem 56,5 milhões de CPFs negativados no País. CPF negativado é o termo usado para se referir às pessoas que não pagam as contas em dia e ficam com o nome sujo na praça. Visto por outro ângulo, esse indicador quer dizer o seguinte: quatro de cada dez brasileiros não honram seus boletos. As pessoas não atrasam os pagamentos por malandragem (pelo menos a maioria delas). Fazem isso por falta de dinheiro. E falta de dinheiro é resultado direto da crise atual.

Os problemas da economia brasileira levaram ao aumento absurdo de preços nos últimos meses. E eles subiram por decisões equivocadas da presidente, como represar tarifas em ano eleitoral. Em 2014, a conta de luz diminuiu, o que comprometeu as finanças das operadoras e deu a falsa impressão de que os brasileiros viveriam dias melhores. Agora, a fatura chegou (a tarifa de energia deve subir mais de 40% em 2015) e com ela o previsível calote. Em maio, o atraso nos boletos de energia aumentou 13,9% em relação ao mesmo mês de 2014. Para o economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, a inadimplência vai crescer até o final do ano, um indicativo de que o tsunami está longe de passar. De acordo com o mesmo levantamento, a maioria dos devedores (55%) têm menos de 40 anos. É que as crises costumam atingir com maior intensidade quem está do lado mais fraco. Ela interrompeu os planos de muitos jovens que estão prestes a entrar no mercado de trabalho ou que não têm uma carreira consolidada. Muitos foram demitidos e atrasaram ainda mais os seus compromissos financeiros. É assim que se constrói um ciclo negativo sem fim.

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Os economistas não hesitam em colocar nos ombros de Dilma a responsabilidade pela crise. “O aumento dos gastos fiscais, as pedaladas e o uso dos bancos públicos para beneficiar determinados segmentos deterioraram as contas públicas e afetaram a nossa percepção de risco junto ao mercado internacional”, diz Roberto Dumas Damas, professor do Insper. “O excesso de intervencionismo não só afugentou investidores como prejudicou ainda mais a nossa capacidade produtiva.” O setor industrial vive a maior crise em anos. Na semana passada, o alemão Phillipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz no Brasil, deu uma entrevista reveladora para o jornal Folha de S.Paulo. O executivo contou que as vendas de caminhões caíram 44% de janeiro a maio. As de ônibus, 27%.

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O motivo do declínio? “Há 10 anos, a inflação era baixa, as contas públicas estavam equilibradas e nós sabíamos o que viria pela frente”, disse. Hoje em dia, as mudanças constantes nas premissas econômicas afetaram a previsibilidade, um elemento essencial para as empresas. Sem ter o mínimo de certeza do que acontecerá no futuro próximo, eles seguram investimentos. E demitem. Na mesma entrevista, Schiemer desconstroi uma desculpa típica do governo Dilma. Segundo a lógica da presidente, o Brasil patina porque outros países também enfrentam dificuldades. “Não sei onde enxergam isso, porque China, Estados Unidos e Alemanha não estão em crise”, afirmou o executivo. “O que temos no Brasil é um problema caseiro.” Último dos grandes economistas a aderir às críticas contra Dilma, Delfim Netto bateu forte contra o governo em um artigo publicado na semana passada. “A economia brasileira navega num mar desconhecido”, escreveu Delfim. Ele fez um prognóstico sombrio. Sem mudanças estruturais, o Brasil corre o risco de ficar à deriva em “mais 43 meses de mediocridade.” O número não é aleatório: 43 meses é o tempo que resta para Dilma terminar o segundo mandato.

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Com reportagem de Ludmilla Amaral – ISTO É
Fotos: André Coelho/Ag. O Globo; Bruno Santos/Folhapress

CONTA, CANTA, PASSARINHO…

Cerveró vai falar?

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Cerveró: pensando em abrir o bico

Nestor Cerveró começou a considerar fazer um acordo de delação premiada com os procuradores da Lava-Jato.

Apesar de já ter sido condenado pela Justiça por lavagem de dinheiro, o ex-diretor internacional da Petrobras ainda pode reduzir a sua pena caso faça revelações importantes.

Cerveró sempre negou que tivesse qualquer relação com o esquema na estatal. Chegou inclusive a bater boca em uma audiência com Sérgio Moro alegando inocência.*

(*) Blog do  Lauro Jardim

TORNIQUETE

Lula se reúne com marqueteiro João Santana em meio à crise no PT

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrará nesta segunda-feira (29) com o marqueteiro João Santana e a direção do PT, em Brasília, em meio às acusações de corrupção envolvendo a cúpula do Planalto.

A reunião ocorre enquanto a presidente Dilma Rousseff está em viagem oficial aos Estados Unidos.

O marqueteiro tem passado os últimos meses na Argentina para tocar a campanha de José Manuel de la Sota.

A vinda de Santana ao Brasil já estava marcada com Rui Falcão, presidente do PT, para falar sobre o programa do partido que irá ao ar em agosto. Petistas querem convencer Santana a fazer o programa, mas o marqueteiro estará na reta final do trabalho no país vizinho e ainda resiste.

Agora, após a delação premiada de Ricardo Pessoa no âmbito da Operação Lava Jato, divulgada nesta sexta (26), envolvendo os ministros petistasAloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secom), a cúpula do PT e Lula querem discutir com Santana uma reação casada ao que chamam de “ataque” e “campanha” contra o partido e o governo.

Pessoa confessou que pagou propina para fazer negócios com a Petrobras e relatou encontros em que discutiu contribuições políticas com Mercadante e Edinho.

A UTC deu R$ 7,5 milhões para a campanha de Dilma em 2014. Pessoa diz que fez a doação porque Edinho, então tesoureiro da campanha, sugeriu que ele poderia ter problemas na Petrobras se não colaborasse, o que Edinho nega.

O empreiteiro disse ter dado R$ 250 mil de caixa dois para a campanha de Mercadante ao governo paulista em 2010. O ministro diz ter recebido R$ 500 mil em duas doações de empresas de Pessoa, ambas legais e registradas.

AÇÃO CONJUNTA

Ministros petistas defendem uma estratégia conjunta de Dilma e Lula para reagir à crise política e econômica, embora a relação entre os dois esteja estremecida.

O ex-presidente tem feito críticas públicas à condução do governo. Emissários de Dilma o procuraram na semana passada e pediram a Lula que reassumisse a liderança da reação petista, com o que o ex-presidente concordou.

Nas palavras de um assessor presidencial, Dilma, Lula e o PT sabem que são uma coisa só, e “ninguém vai superar essa crise sozinho”. Lula tem conversado com ministros, mas não com Dilma. Eles não se falaram depois da revelação dos novos detalhes dos depoimentos de Pessoa.

Lula pretende cobrar dos deputados e dos senadores do PT uma defesa mais enérgica do partido contra o que o governo chama de “vazamentos seletivos” na Lava Jato –na visão dos petistas, para prejudicar só o partido.

Ele ficou especialmente irritado há duas semanas com o que chamou de “cochilo” do PT, que não impediu a convocação de seu braço direito Paulo Okamotto para depor na CPI da Câmara que investiga a corrupção na Petrobras.

Nas bancadas, a principal cobrança dos petistas deverá ser pela adoção de uma agenda que ultrapasse o marco da aprovação do ajuste fiscal –que teve medidas impopulares, como a restrição ao acesso ao seguro-desemprego.

(*) ANDRÉIA SADI – MARINA DIAS – DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

O FIM DO CASAMENTO

Eduardo Cunha diz que articula para aprovar sistema parlamentarista

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), começou a negociar com outros partidos uma emenda à Constituição para implantar o sistema parlamentarista de governo no Brasil. Ele espera obter um acordo para colocar a proposta em votação antes de 2017, quando termina seu mandato no comando da Câmara.

“Temos que discutir o parlamentarismo no Brasil, e rápido”, disse, em entrevista à Folha. Ele sugere que o sistema, que daria ao Legislativo papel preponderante na administração do país, reduzindo poderes do presidente da República, comece a funcionar em 2019, com o sucessor da presidente Dilma Rousseff.

“Agora seria um golpe branco”, afirmou Cunha. “O tema tem ganhado força. Tenho conversado com quase todos os agentes políticos.” O deputado acha que a economia brasileira chegará ao fim do ano pior do que está agora, como diz nesta entrevista.

*

Folha – A semana foi de notícias ruins para o governo na política e economia. O sr. acredita que a presidente Dilma aguentará os quatro anos?
Eduardo Cunha – Apesar de derrotas pontuais, o governo conseguiu passar uma impressão de recuperação da estabilidade com a aprovação do projeto das desonerações. Claro que não é suficiente para reverter nada. O mercado não vê o governo como agente indutor [de mudanças na economia]. Se você falar com nove de dez economistas, estamos muito mais perto do caminho da Grécia do que do caminho da China.

A aprovação do ajuste fiscal e a escolha do vice-presidente Michel Temer para o comando da articulação política não deveriam garantir a estabilidade?
Com uma articulação politica debilitada, o governo precisou chamar o Michel para poder andar. Ele entrou e passou um sinal claro de que tinha uma estabilidade política maior e aprovou [o ajuste fiscal]: ele pegou um vaso todo quebrado e conseguiu colocar uma cola que você não vê que estava colado –pelo menos colou um pouquinho.

Se ele ficar vendendo ilusão ou virando garçom para anotar pedido de Congresso e não conseguir resolver nada, acaba se desgastando, e a gente não quer que aconteça. Essa percepção, com a entrada do Michel, parte para essa melhora, mas o governo tem que mostrar suas ações.

Deputados dizem que não votam com o governo porque cargos e emendas não são liberados para partidos aliados.
Estão reclamando porque eles [o governo] continuam com a política de hegemonia, que quer tudo para o PT. Se o PMDB não ocupou o cargo que foi prometido, esse deputado vê que o cargo está ocupado por um petista. O governo prometeu e não cumpriu.

E quem não está cumprindo os compromissos?
Isso eu não vou dizer. Não pode ser o Michel, porque ele não vai aceitar esse papel. Se o Michel tiver que desempenhar o papel de uma pessoa sem palavra, ele vai sair.

Como acha que a economia estará no fim do ano, e como o PMDB deverá reagir?
Eu acho que a economia vai chegar ao fim do ano muito mal, pior do que está hoje. E quando ela chegar pior, a pressão política vai ser maior, e é aí que o governo precisa ter uma base mais sólida.

Se apresentarem um novo pedido de impeachment de Dilma, a Câmara aprova?
Não podemos tratar o impeachment como recurso eleitoral. Avança-se ou não se houver um fato dentro da ótica constitucional.

O TCU (Tribunal de Contas da União) indica que pode reprovar as contas da presidente.
Se o TCU reprovar as contas do mandato anterior, não quer dizer nada. Se há práticas neste mandato condizentes com improbidade, é outra história. Impeachment é uma coisa grave. O Brasil não é uma republiqueta. A grande evolução que se deve ter é que temos que discutir o parlamentarismo no Brasil, e rápido. Um debate para valer e votar.

Já conversou sobre o assunto?
O tema tem ganhado força. Tenho conversado com quase todos os agentes políticos, PSDB, DEM, PPS, PMDB, PP, PR, com todos os partidos. Com José Serra (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG), Tasso Jereissati (PSDB-CE). Com certeza, vamos tentar votar na minha presidência.

Para agora?
Não um parlamentarismo para ser implantado no mandato dela [Dilma Rousseff], porque isso seria um golpe branco, mas no mandato do sucessor. Para que efetivamente a gente possa ter a figura do chefe de Estado e do chefe de governo. E as condições que possam nos proteger de uma crise igual a essa que a gente vive. Se a gente não evoluir para o sistema parlamentarista no Brasil, vamos ficar sujeitos a crises.

Existe uma dúvida jurídica: como houve o plebiscito [em 1993] que culminou na não aprovação do parlamentarismo, há dúvidas se uma simples emenda constitucional seria suficiente ou se precisaria de plebiscito, ou referendo. Acho que, sem referendo, é muito difícil implementar o parlamentarismo.

Então, o próximo presidente não seria chefe de governo?
Seria um chefe de Estado.

Por que, na sua visão, o parlamentarismo não passou no plebiscito de 1993?
Porque você não consegue convencer a população de que ela vai perder o direito de votar no presidente da República. Então, se a gente construir uma figura em que ela continua votando no presidente, você pode ter um parlamentarismo.

A população não aceitará perder a identidade com seu presidente. Precisamos proteger esse presidente eleito das crises do governo. Se esse modelo tivesse vigente e ela [Dilma] fosse chefe de Estado, teria caído o chefe de governo e o governo. Dissolve o gabinete e ponto.

O Estado é laico, mas há uma bíblia sobre a Mesa Diretora da Câmara, um crucifixo no plenário e sr. abre as sessões com “sob a proteção de Deus”. O Estado não é tão laico assim?
Eu botei o crucifixo e a bíblia no plenário? Todos abriram a sessão assim. Daqui a pouco vão dizer que eu inventei isso tudo, que trouxe o crucifixo, e vão errar, porque evangélico não usa crucifixo.

Mas não há uma contradição entre as práticas do Congresso e a definição de estado laico?
Estado laico significa não ter religião de Estado. Não significa que você tenha que ser ateu. É diferente de Israel, onde a Constituição é a Bíblia.

Mas não estamos em Israel.
Alguém reclamou outro dia que 20 deputados entraram no plenário e fizeram apitaço? Vão dizer que eu permiti o apitaço e daqui a pouco vão dizer que sou índio. Sou evangélico e permiti oração no plenário. O fato de 20 parlamentares entrarem no plenário gritando ou fazendo uma oração qualquer não significa que você está agredindo o Estado laico.

Mas o comportamento pessoal de um parlamentar influencia no voto dele.
Qual o problema? Você colocou na Constituição que um parlamentar para se eleger tem que ser laico ou ateu?

Em relação à pauta conservadora…
Que pauta conservadora?

A legalização do aborto, a homofobia…
Cadê o projeto de aborto para ser votado aqui? Não tem projeto de criminalização da homofobia com urgência aqui. Para ter urgência, tem que ter líderes que representem a maioria. Não tem um projeto que atenda a essas condições, nem vai ter porque não tem esse apoio.

Há excesso nas prisões da Lava Jato, comparando com o processo do mensalão, conduzido por Joaquim Barbosa?
Joaquim, sem abandonar o rigor com que ele conduziu o processo, não decretou nenhuma prisão preventiva no curso da investigação, só executou a sentença depois do trânsito em julgado. O que significa que ele respeitou o princípio constitucional da presunção da inocência, o que me parece que não está sendo respeitado hoje.

O sr. está sob investigação. Renan Calheiros também. E ambos propõem mudanças para melhorar o país após a Lava Jato. Não há um conflito?
Por quê? Não me sinto atingido pela suposta investigação que está sendo feita. E não perdi minha capacidade de legislar nem articulação e capacidade política de reagir. Não vou comentar minha participação neste processo.

A delação de Ricardo Pessoa complica a situação de Aloizio Mercadante, após sua citação, e da governabilidade?
Ainda é cedo para falar. Tem de ver detalhes e o desdobramento da delação.

O sr. é candidato em 2018?
Para cada dia a sua agonia. Não vivo em política o dia de amanhã, vivo o dia de hoje. Qualquer um que queira colocar como projeto de vida candidatura futura vai ser refém do projeto. Eu não pretendo transformar minha vida e ficar refém de nada.

O projeto que reduz a maioridade penal será aprovado?
Depois de 22 anos, eu coloquei o projeto para votação. Quando eu coloquei, o próprio PT e o governo passaram a querer discutir mudança no ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente], que eles não admitiam qualquer mudança. Aí, de repente, acharam que podiam evitar a derrota discutindo mudança em lei ordinária do ECA.

Foram buscar uma aliança com a oposição [PSDB] contra o PMDB. Aí o PMDB se juntou com o partido de oposição que eles buscaram aliança em uma tese intermediária. Então, provavelmente a tese será vencedora e mais uma vez o governo mergulhou na tese do PT. *

(*)  ANDRÉIA SADI – BRUNO BOGHOSSIAN – DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

OPERAÇÃO LAVA RAMPA

Nos EUA, Dilma nega irregularidades em campanha e diz que não respeita delator

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A presidente Dilma Rousseff (PT) negou nesta segunda-feira (29), durante entrevista em Nova York, qualquer irregularidade em sua campanha eleitoral e disse “não respeitar delatores”. Na semana passada, a imprensa divulgou que o ex-presidente da UTC, Ricardo Pessoa, teria afirmado em sua delação premiada na operação Lava Jato que deu dinheiro à campanha da petista. “Eu não respeito delator. Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é que é. Tentaram me transformar em uma delatora”,  disse a presidente.

A presidente, que está em viagem oficial aos Estados Unidos, disse que todos os recursos arrecadados por sua campanha foram legais e registrados e afirmou não aceitar que insinuem qualquer irregularidade contra ela ou sua campanha. Dilma ressaltou que a empresa também fez doações a seu adversário no segundo turno da eleição presidencial, Aécio Neves (PSDB), em valores semelhantes aos recebidos por sua campanha. “Eu não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade. Primeiro porque não houve. Segundo, se insinuam, alguns têm interesses políticos.”

“E há um personagem que a gente não gosta, porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. E ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator”, observou, mencionando o homem que traiu os participantes da Inconfidência Mineira.

Ricardo Pessoa afirmou, na delação, que repassou R$ 3,6 milhões de caixa dois para o ex-tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010, José de Filippi, e para o ex-tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, entre 2010 e 2014.

Na última quinta-feira (25) o STF (Supremo Tribunal Federal) homologou a delação do empresário, o que significa que as informações prestadas por ele em depoimento à Procuradoria Geral da República poderão ser utilizadas como indícios para ajudar as investigações.

Apesar de criticar delatores, a presidente afirmou que a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal devem investigar as acusações. “Tudo, sem exceção”, ressaltou.

Os supostos pagamentos a José de Filippi Jr. relacionados pelo ex-presidente da UTC somam R$ 750 mil e teriam sido feitos nos anos eleitorais de 2010, 2012 e 2014. Há apenas um pagamento fora da calendário eleitoral, no ano de 2011, de R$ 100 mil.

Em 2010, quando era tesoureiro da campanha de Dilma, conforme a planilha, ele teria recebido de caixa dois R$ 250 mil. No TSE (Tribunal Superior Eleitoral) há registro de repasse de R$ 1 milhão da UTC para a direção nacional do PT. Na prestação da campanha de Dilma, não há registro de doação da empreiteira nem da Constran, um dos seus braços. Nos demais anos, a planilha do “caixa dois” indica repasses nos valores de: 2012 (R$ 200 mil); 2013 (R$ 100 mil) e 2014 (R$ 100 mil).

Pessoa chegou a arrolar Fillipi como sua testemunha de defesa no processo em que o empreiteiro é acusado de chefiar o esquema de empreiteiras que pagava propina para executivos e partidos políticos em troca de conseguir os melhores contratos na petroleira.

Pessoa entregou à Procuradoria-Geral da República planilha intitulada “Pagamentos de caixa dois ao PT” na qual lista repasse de R$ 250 mil à campanha do atual ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) ao governo de São Paulo, em 2010. O empresário acusa o também ministro Edinho Silva (atualmente na Secretaria de Comunicação Social) de tê-lo pressionado para doar R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma em 2014, sob o risco de perder contratos na Petrobras, segundo a revista “Veja”. Os dois ministros negam as acusações e dizem que as doações foram legais.

Com o vazamento da delação de Pessoa, Mercadante deixou de viajar aos Estados Unidos e ficou em Brasília, segundo fontes, para evitar que a crise embarcasse junto com a comitiva presidencial. A medida, acreditam auxiliares da presidente, serviu para proteger o governo do escândalo e deixá-lo circunscrito ao território nacional e minimizar o desconforto com o episódio.

Filippi disse, em nota, que durante o pleito de 2010 manteve contato “de forma transparente com diversas empresas em busca de doações eleitorais, portanto legalmente registradas, incluindo o senhor Ricardo Pessoa”.

A revista “Veja” deste final de semana aponta que a delação premiada de Pessoa traz menção a pelo menos 16 políticos. Além de Dilma, o delator citaria a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de 2006. De acordo com a publicação, a delação conta com 40 anexos com planilhas e documentos. Pessoa apontou ainda o repasse de R$ 250 mil a Mercadante; de R$ 15 milhões a Vaccari Neto e de R$ 3,2 milhões a Dirceu. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), recebeu R$ 2,6 milhões e o secretário de saúde do petista, R$ 750 mil.*

(*) UOL com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo

SUBIU A RAMPA

Em jogo, a cabeça de Dilma

000 - subiu a rampa

O escândalo em torno da roubalheira na Petrobras subiu a rampa do Palácio do Planalto onde despacham o ministro da Secretaria de Comunicação Social Edinho da Silva, o ministro-chefe da Casa Civil da presidência da República Aloizio Mercadante, e a presidente da República Dilma Rousseff.

Em outro front, bateu à porta do Instituto Lula, na capital paulista, onde costuma ser encontrado o ex-presidente.

De duas, uma. Ou o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, chefe do cartel de empreiteiras que roubou a Petrobras, é um delirante formidável ou fala a verdade.

Sua delação premiada contém detalhes capazes de causar inveja a bons romancistas. O que um delator conta à Justiça só vale se for provado. Se mentir, perderá o direito a uma pena menor. Qual a vantagem de mentir, portanto?

Pessoa disse que pagou propina a políticos de vários partidos e ao PT com dinheiro desviado de contratos superfaturados para a prestação de serviços à Petrobras.

Dilma viajou de cabeça quente ao encontro de Barack Obama. Por sinal, sempre que o então presidente José Sarney viajava, Fernando Henrique Cardoso repetia: “A crise viajou”.

O comentário não se aplica a Dilma. A crise não é somente ela. A crise tem mais a cara de Lula e do PT. De Lula que inventou Dilma. Dele e do PT que protagonizaram até aqui os maiores escândalos da história do país.

O mensalão é a mais ruidosa obra do primeiro governo Lula. Virou trocado a se comparar com a roubalheira na Petrobras. Dilma não é inocente no caso da Petrobras.

Quem foi ministra das Minas e Energia, presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e sempre fez questão de cuidar dela, não pode ser inocente. Lula, porém, por obra, graça ou omissão é o responsável por tudo.

Dilma não passa de uma gerentona sem talento, arrogante, refratária a pessoas em geral e dona de ideias econômicas ultrapassadas. Está sobrando na espaçosa cadeira que ocupa.

Para agravar a desdita dela – ou melhor: a nossa – é vítima de algo tão nativo como a jabuticaba. Pois Lula inverteu a ordem natural das coisas e age como o criador que tenta agora destruir a criatura.

Lula elegeu Dilma para mandar no governo dela e sucedê-la depois de quatro anos. Dilma nem deixou que ele mandasse tanto, nem renunciou ao direito de concorrer ao segundo mandato.

Há mais de um ano, Lula só faz criticá-la – ultimamente, porque teme ser preso e acha que Dilma nada faz para defendê-lo. Até que há 15 dias, Lula ultrapassou todos os limites. Declarou guerra a Dilma. Ele e o PT.

Procede como um implacável adversário dela, enfraquecendo-a – e ao seu governo – por toda parte. Emite sinais de que, no limite, poderá entregar a cabeça de Dilma para preservar a sua.

Não duvidem.  Lula é amoral, e dá provas disso com frequência. Se necessário, negociará com o PMDB e outros partidos aliados do PT a substituição de Dilma por Michel Temer, o vice-presidente.

Em 2018, se quiser ou se puder, tentaria voltar ao lugar de onde jamais gostaria de ter saído. (Saudades do sanduíche de ovo servido a qualquer hora da madrugada!) Afinal, foi nele ou a partir dele que descobriu os luxos que só as grandes fortunas proporcionam.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

DOMINGO, 28 DE JUNHO DE 2015

Editorial do ‘Post’ sobre governo de Dilma fala em ‘retrocesso no Brasil’

A democracia brasileira vive uma crise e a presidente Dilma Rousseff enfrenta agora o desafio de permanecer no cargo, e tentar governar, pelos próximos três anos e meio, afirma o jornal “The Washington Post”.

Em duro editorial, feito em razão da visita de Dilma aos Estados Unidos, iniciada neste sábado (27), a publicação afirma que o cenário não é fácil para a presidente.

“Ela viu boa parte de seu poder efetivamente esvaziado pelos líderes do Congresso, que diluíram algumas de suas medidas de austeridade”, afirma o jornal, em referência ao ajuste fiscal do governo.

Intitulado “Um retrocesso no Brasil”, o texto cita o escândalo de corrupção na Petrobras, com dezenas de executivos e mais de 50 membros do Congresso implicados em um esquema de pagamento de propinas que soma US$ 2 bilhões (R$ 6 bilhões).

“A corrupção na Petrobras foi em grande parte produto das políticas equivocadas de Rousseff, como a tentativa de restringir a companhias brasileiras os fornecedores da estatal”, diz.

As críticas à política econômica de Dilma continuam. O jornal afirma que, embora Dilma tenha vencido Aécio Neves, do PSDB, nas últimas eleições presidenciais, alegando que seu oponente “se renderia aos desmandos de banqueiros e do FMI (Fundo Monetário Internacional), ela está impondo as mesmas medidas tipicamente priorizadas pelo Fundo, incluindo cortes nos subsídios para energia.

O “Post” defende que o Brasil precisa de mais do que reformas liberalizantes. O jornal diz que é preciso incentivar o investimento privado no país e também a maior entrada de recursos estrangeiros na economia brasileira. “Sem isso, o futuro do Brasil continuará em suspenso.” *

(*)  GIULIANA VALLONE – THAIS BILENKY – DE NOVA YORK – FOLHA DE SÃO PAULO