A INCOMPETENTA COM OS DIAS CONTADOS

Barômetro de Brasília: chances de impeachment de Dilma voltam a subir

Porém cenário mais provável ainda é o de a presidente resistir, enfraquecida, até 2018

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SÃO PAULO – As chances de a presidente Dilma Rousseff não completar seu segundo mandato aumentaram entre agosto e setembro, mas ainda não são suficientes para selar seu futuro. É o que mostra a terceira edição do Barômetro de Brasília, o indicador criado pelo O Financista para medir a pressão política no centro do poder. Na sondagem anterior, os cientistas políticos consultados apontaram 47,5% de possibilidade de interrupção do mandato. Agora, o percentual subiu para 50%.

Os 7 participantes desta rodada deram notas de 0 (nenhuma possibilidade) a 10 (certeza absoluta) para a possibilidade de Dilma não completar o segundo mandato. A nota média ficou em 5. Isto é, se fosse uma escala de 0% a 100%, as chances, hoje, estariam exatamente no meio do caminho.

É verdade que 50% quer dizer, em estatística, “pode ser que sim, pode ser que não” – a resposta mais aberta possível. Mas, convenhamos: quem consegue cravar, com absoluta certeza, o que acontecerá nos próximos meses? Por um lado, a alta de 2,5 pontos percentuais na possibilidade de Dilma sair, entre uma edição e outra do Barômetro de Brasília, reflete a maior disposição de Eduardo Cunha, presidente da Câmara, de encaminhar os pedidos de impeachment; o recrudescimento da crise econômica, com a perda do grau de investimento; e a maior articulação política da oposição, que lançou uma frente pró-impeachment.

(Arte: Renzo Fedri)

Por outro, apesar de todos os trancos e barrancos, parte das medidas do ajuste fiscal foi aprovada; os panelaços arrefeceram; as organizações que lideraram os protestos de rua do “Fora Dilma” perderam cartaz depois de mobilizar menos gente nas últimas manifestações. E, sobretudo, ainda não está claro quem ganharia com a saída de Dilma. “Não creio que haja vontade política e articulação em magnitude suficiente para que a queda de Dilma seja o cenário mais provável”, afirma o cientista político Ricardo Ribeiro, da consultoria MCM.

Um pouco melhor

Seu impedimento deveria ser, necessariamente, aprovado pelo Congresso. E, nesse ponto, a situação apresentada pelos 7 consultados lhe é desfavorável. Enquanto cresce, ainda que ligeiramente, a chance de Dilma sair, a presidente parece ter recuperado um pouco de terreno no Legislativo. Da segunda para a terceira edição do Barômetro, a nota média para esse item baixou de 7,0 para 6,07. A escala vai de 0 (influência total do Executivo sobre os parlamentares) a 10 (nenhuma influência). Ou seja, o ponteiro se moveu na direção favorável à presidente.

Isto porque a escala foi pensada para refletir a pressão sobre o Planalto. Quanto maior a nota, maior é a pressão sofrida pelo governo. Quanto menor a nota, menor a pressão e mais fácil a vida de Dilma. Com a esperada reforma ministerial que deve ser anunciada em breve, a presidente tentará recuperar terreno no Congresso, mas o resultado é incerto. “Dependendo do fatiamento dos ministérios, caso o PMDB continue dividido, o Executivo dificilmente passará algo no Congresso”, alerta Roberto Romano, professor de Ética da Unicamp.

A recuperação de parte da influência sobre os parlamentares, contudo, não se refletiu sobre a capacidade geral de articulação política do Executivo, segundo os participantes desta edição do Barômetro. A nota subiu de 7 para 7,14, em uma escala de 0 (capacidade total de articulação) a 10 (absoluta incapacidade de articulação). Para Romano, os próximos dias serão decisivos para saber se Dilma conseguirá respaldo político que lhe permita governar. “Com a volta da presidente da ONU e com as propostas de reforma, será possível saber se ela contará com o PMDB e com o próprio PT”, afirma.

Sob pressão e admitindo que demorou para perceber a crise, Dilma mostrou-se mais disponível a uma das coisas de que menos gosta: negociar com políticos. Essa atitude pode lhe ser a garantia de permanência no Palácio do Planalto. “O Executivo parece ter se aberto ao diálogo, ainda que com dificuldades”, afirma o cientista político Paulo Silvino, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp). Ele lembra que, em busca de apoio, a presidente reuniu-se com os governadores, na esperança de que eles convençam os parlamentares a mudar de atitude. “Acredito que, no médio prazo, o quadro irá mudar”, diz, referindo-se à capacidade de Dilma reagir.

Se isto acontecerá, só mesmo lendo a próxima edição do Barômetro de Brasília. Participaram dessa rodada: Antônio Lavareda; Murillo de Aragão (Arko Advice); Paulo Silvino Ribeiro (Fespsp); Rafael Araújo (Fespsp); Ricardo Ribeiro (MCM Consultoria); Roberto Romano (Unicamp); e Vitor Oliveira (Pulso Público).*

(*) O Financista

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