PELEGADA BARRA PESADA

Os donos da Editora Gráfica Atitude

Prisão do tesoureiro do PT João Vaccari Neto pode estender investigação ao Sindicato dos Bancários de São Paulo e ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

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Com a prisão de João Vaccari Neto, a investigação da força-tarefa da Lava Jato chega ao coração do PT. Não só pela prisão do tesoureiro na manhã desta sexta-feira 15, mas pela descoberta de que Vaccari usava a Editora Gráfica Atitude para receber propinas desviadas de contratos da Petrobras. A citada gráfica funciona como órgão de comunicação da CUT, assim como o site “Rede Brasil Atual”; e, segundo registro na Junta Comercial de São Paulo, tem como sócios o Sindicato dos Bancários de São Paulo e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, duas entidades que estão na base de sustentação do próprio PT.

De acordo com as investigações, a Editora Gráfica Atitude recebeu ao menos R$ 1,5 milhão do esquema. O valor, porém, pode ser maior. Em novo depoimento à PF, o executivo Augusto Mendonça, da Setal Óleo e Gás (SOG), também envolvida no petrolão, disse que Vaccari lhe pediu R$ 2,5 milhões para cobrir propagandas na Revista do Brasil. A PF identificou até agora 14 depósitos feitos na conta da Gráfica Atitude pelas empresas Tipuana e Projetec, usadas como fachada pela quadrilha do petrolão.
ISTOÉ identificou também que a Editora Gráfica Atitude obteve recursos de contratos de agências de publicidade com a própria Petrobras, além de Banco do Brasil e Correios. Não foi possível obter os valores, o que deve acontecer em breve com a decisão de Moro de autorizar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da gráfica. A medida também poderá ser estendida aos sindicatos dos Bancários de São Paulo e dos Metalúrgicos do ABC.
Comandada por dirigentes das duas entidades sindicais, a Editora Gráfica Atitude tinha como objeto social em sua origem a “fabricação de produtos de papel, cartolina, papel-cartão e papelão ondulado para uso comercial e de escritório, exceto formulário contínuo”. A partir de 2008, passou a editar “livros, jornais e revistas”. Em 2010, o TSE puniu a gráfica por propaganda ilegal de apoio à então candidata Dilma Rousseff. A Revista do Brasil tem linha pró-PT e defende regularmente o controle da mídia e o fim do monopólio, conhecidas bandeiras petistas.

(*)  Claudio Dantas Sequeira – Isto É

A VERDADEIRA CASA DA MÃE JOANA

Que país é esse?

“Houve um momento em que a maioria de nós acreditou que a esperança tinha vencido o medo. Depois descobrimos que o cinismo tinha vencido a esperança. Agora o escárnio venceu o cinismo. Mas o crime não vencerá a Justiça.” Cármen Lúcia, ministra do Supremo

Assim como a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, o político abolicionista Joaquim Nabuco se notabilizou por ser uma figura pública à frente de seu tempo. Personificou a vanguarda, quando muitos ainda insistiam no atraso. Separados por mais de um século, eles se entrelaçaram na última semana pelos seus ideais. Como agora, no Império o Senado também se constituía numa Casa revisora cujas decisões e propósitos já eram alvo de sérios questionamentos. Dizia Nabuco: “Para o Senado, a política é uma distração. A função é outra. Os lutadores desinteressados que ele contém influem tanto no jogo da instituição como a bandeira de um navio nos movimentos da máquina”. Na manhã de quarta-feira 25, Carmen, numa de suas mais brilhantes intervenções na corte, encarnou Nabuco ao puxar o primeiro voto, na sequência do relatório do colega Teori Zavascki, pela manutenção na cadeia do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Num recado direto aos senadores, em especial parlamentares que se escoram no foro privilegiado para perpetrar crimes de toda a sorte, disparou: “Um aviso aos navegantes dessas águas turvas de corrupção e iniquidades: criminosos não passarão a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade e impunidade e corrupção. Em nenhuma passagem, a Constituição Federal permite a impunidade de quem quer que seja. O crime não vencerá a Justiça”. A ministra foi além: “Houve um momento em que a maioria de nós brasileiros acreditou que a esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a ação penal 470 (do mensalão) e descobrimos que o cinismo venceu a esperança. E agora o escárnio venceu o cinismo”.

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Na semana passada, a política brasileira produziu tal desfaçatez. Num País em que sempre achamos que já vimos de tudo ainda é possível se deparar com situações das mais implausíveis graças à ousadia ilimitada dos nossos políticos. Como poderíamos imaginar que um senador da República, líder do governo, em pleno exercício do mandado, iria tramar a fuga pelo ar ou pelo mar de um criminoso confesso preso na Lava Jato? E que um banqueiro seria acusado de financiar a operação? E que, na mesma semana, um pecuarista – amigo e dono de acesso livre a um ex-presidente da República – seria preso sob a suspeita de ser o laranja deste mesmo ex-presidente? E, para completar, o presidente da Câmara faria articulações em plena luz do dia para escolher como, quando e quem deveria conduzir uma investigação contra ele próprio? Realmente, e é triste constatar, vivemos em meio à esculhambação geral.

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O senador e líder do governo Delcídio do Amaral foi preso na quarta-feira 25 depois de flagrado em tratativas para tirar do País Nestor Cerveró, que firmou na semana passada um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Há suspeitas de que Delcídio seja destinatário de repasses ilegais. Seria ao menos US$ 1,5 milhão, segundo o ex-diretor da Pertrobras adiantou aos procuradores da República. Isso explicaria a articulação para tentar barrar a delação. A estratégia discutida por Delcídio envolvia pressionar o Supremo a libertar Cerveró da prisão. O senador teria procurado vários ministros. Disse a interlocutores que recorreria até ao vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), autoridade com trânsito no tribunal. Nas horas seguintes, foram empreendidos movimentos para tornar a situação ainda mais inacreditável. O Senado teria de analisar em até 24 horas a decisão do Supremo. As provas, naquele momento, já se mostravam definitivas. Cabais. Mesmo assim, o Senado se comportou como uma autêntica casa de tolerância. Também envolvido na Lava Jato, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) articulou para que a votação em plenário fosse secreta, o que aumentaria em muito as chances de Delcídio ser libertado no mesmo dia.

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Durante a sessão, foi desfiado um rosário de impropérios. Em sua catilinária, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), político outrora afastado da Presidência da Casa por corrupção na Sudam e que aparece citado no áudio em que Delcídio articula a fuga de Cerveró, entabulou a defesa pelo voto fechado. No plenário do Senado, disse que “nenhum senador precisa ser fiscalizado pela opinião pública”. Outros o acompanharam. Mas, sob forte pressão da população, em sessão transmitida ao vivo pela TV Senado para todo o País, Renan foi derrotado duas vezes: na maneira como seriam proferidos os votos e no mérito da questão. Ao fim, numa votação aberta, os senadores evitaram o suicídio institucional. Mais uma vez de olho nos próprios umbigos, afinal estamos às vésperas de mais um ano eleitoral, eles mantiveram a prisão de Delcídio por 59 votos favoráveis, 13 contra e uma abstenção. Claro que não poderia faltar outra situação indigna do Parlamento. Apesar de o PT ter abandonado Delcídio à própria sorte em nota e da existência de provas irrefutáveis contra ele, o líder do partido no Senado, Humberto Costa (PE), orientou a bancada a votar pela soltura do senador petista. A orientação, embora na contramão dos interesses da sociedade, é mais coerente do que a nota emitida pela cúpula do PT. O partido faz de tudo para tentar se desvincular de Delcídio. Nos próximos dias, a Executiva Nacional da sigla pretende se reunir para deliberar sobre o caso. A tendência é a de que a expulsão do senador seja discutida. A tentativa de dissociá-lo do PT constitui-se, mais uma vez, de puro jogo de cena político. O senador, indiscutivelmente, era um dos principais quadros do PT. Não por acaso, era líder do governo no Senado e um dos parlamentares mais próximos da presidente Dilma Rousseff e de Lula. Às vésperas de sua prisão, Delcídio se reunia semanalmente com o ex-presidente e teria agendado um encontro com ele no dia seguinte à detencão. Por isso, sua prisão representa mais uma mácula, entre tantas outras acumuladas até aqui, na legenda da estrela rubra.

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Quando o Senado discutia se endossava ou não a decisão do STF, o País ainda repercutia a 21ª fase da Lava-Jato, que, na véspera, levara para a cadeia o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula. Assim como Marcos Valério no Mensalão, Bumlai é apontado pelos procuradores da República como um operador do PT no Petrolão. Há indícios de que o pecuarista possa ter se tornado um laranja do próprio Lula. A questão é ainda mais grave. A cada operação da PF, os procuradores reforçam a constatação de que o ex-presidente petista possa ter sido o elo entre todos os escândalos. Por exemplo, Delcídio foi quem, ao lado do ex-governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, apresentou o ex-presidente a Bumlai.

De acordo com as investigações da Lava Jato, Bumlai teria articulado em 2004 um empréstimo, no valor de R$ 12 milhões, junto ao Banco Schahin para ajudar o PT financeiramente, então com dívidas de campanha. O empréstimo foi citado na delação premiada de Eduardo Musa, ex-gerente da Petrobras. Em contrapartida, o grupo Schahin teria sido compensado com um contrato com a Petrobras, no valor de US$ 1,6 bilhão, para operar o navio sonda Vitoria 10000. Musa disse ter ouvido essa versão do próprio Cerveró. A defesa do empresário alega que o emprestimo junto ao Schahin foi contraído para ser usado em negócios pecuários. Não é o que entendem as autoridades brasileiras. Em fevereiro deste ano, ISTOÉ teve acesso com exclusividade a relatório do Banco Central demonstrando que a versão de Bumlai não pára em pé. O documento afirma que o pecuarista foi beneficiado com uma operação liberada de forma irregular “sem a utilização de critérios consistentes e verificáveis”. Para liberar a bolada, o Schahin burlou normas e incorreu em seis tipos de infrações diferentes. O documento está anexado ao inquérito da Operação Passe Livre e reforça denúncia do empresário Marcos Valério, o operador do mensalão, feita em 2012 ao MPF. Valério afirmou que o pecuarista intermediou operação para comprar o silêncio do empresário de transportes Ronan Maria Pinto. O empresário estaria ameaçando envolver o ex-presidente Lula, e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho no assassinato do então prefeito de Santo André Celso Daniel.

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Na ocasião, Valério tentava um acordo de delação premiada. Não obteve. Porém, nos últimos dias, a Receita Federal colheu indícios de que parte dos valores do empréstimo do Schahin a Bumlai pode mesmo ter sido direcionada a Ronan. Ele teria adquirido, em 2004, 60% das ações do Diário do Grande ABC S/A no valor de R$ 6,9 milhões. Para isso, recorreu a empréstimos e assumiu dívidas de terceiros junto às empresas das quais era sócio, a Rotedali Serviços e Limpeza Urbana Ltda. e a Expresso Nova Santo André. Tais dívidas ficaram sem quitação durante nove anos, conforme revelaram suas declarações. “No contexto, a suspeita levantada pela Receita é a de que esses empréstimos não teriam sido reais, mas apenas “teriam servido, em tese, para dissimular a real origem de recursos utilizados na aquisição das ações”, descreveu o juiz Sérgio Moro no decreto de prisão de Bumlai. Ao discorrer sobre esta nova fase da Lava Jato, o procurador Carlos Fernando Lima, da Lava Jato, afirmou que há indícios de que o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares atuaram para ajudar na liberação do empréstimo do Schahin a Bumlai. Em comum, entre estes três personagens, há o fato de todos terem sido ou serem de alguma forma muito próximos ao ex-presidente Lula.

Na quinta-feira 26, o petista, cujos amigos tombaram um a um (leia quadro na pág. 42), foi instado, durante o almoço na sede da CUT, em São Paulo, a comentar a prisão de Delcídio. Ao que ele respondeu: “Foi uma grande burrada. Uma coisa de imbecil”. O ex-presidente disse ainda ter ficado surpreso quando soube dos detalhes da gravação que levou o senador à cadeia. Para Lula, o senador é um político experiente, sofisticado, e não poderia ter se deixado gravar por um smartphone de forma simples, como feito por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras. Na avaliação do ex-presidente, no momento em que o governo parecia ter ganhado um bom fôlego, o episódio faz com que a base aliada a Dilma no Congresso volte a ficar combalida. Ao tomar conhecimento das críticas de Lula, enquanto prestava depoimento à PF, Delcídio ficou descontrolado a ponto de interromper a oitiva. Em seguida, passou a negociar uma delação com a Polícia Federal.

Foi nesse clima surreal que a construtora Andrade Gutierrez resolveu na quinta-feira 26 também assinar um acordo. Após aceitar pagar a maior multa da Lava Jato, cerca de R$ 1 bilhão, admitiu o repasse de propinas em obras da Copa do Mundo, da Petrobras, da usina de Angra 3, Belo Monte e da Ferrovia Norte-Sul.

O temor do Planalto, agora, é o retorno à baila da agenda do impeachment. Se aqui estivesse, Joaquim Nabuco certamente repetiria suas palavras proferidas há pouco mais de um século, em meio às discussões sobre a abolição da escravatura e o fim da monarquia. Num ambiente de total esculhambação, “necessitamos de uma reforma de nós mesmos, do nosso caráter, do nosso patriotismo e do sentimento de responsabilidade cívica”.*

(*) Sérgio Pardellas e Marcelo Rocha – Isto É

PICARETAZINHO

Filho de Lula usou Wikipedia para tentar enganar a polícia

Relatório da PF diz que textos entregues por Luís Cláudio Lula da Silva para justificar o recebimento de 2,4 milhões de reais de um escritório de lobby foram tirados da internet e estão em “total falta de sintonia com os milionários valores pagos”

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Os textos que Luís Cláudio Lula da Silva entregou à polícia para justificar o recebimento de 2,4 milhões de reais de uma empresa de consultoria não passam de “meras reproduções de conteúdo disponível” na internet, “em especial, no site do Wikipedia”, informa relatório da Polícia Federal.

No depoimento que prestou à PF no início do mês, o filho caçula do ex-presidente Lula afirmou ao delegado Marlon Cajado, responsável pela Operação Zelotes, que o dinheiro que recebeu entre 2014 e 2015 do escritório de lobby Marcondes & Mautoni eram referentes a pagamento por “trabalhos prestados” por sua empresa, a LFT Mar­keting Esportivo. A Marcondes & Mautoni é suspeita de ter negociado com autoridades do governo a renovação de uma medida provisória que, decretada em 2014, prorrogou benefícios para empresas do setor – o grosso da clientela do escritório. Seu principal sócio, Mauro Marcondes Machado, está preso desde o mês passado.

Solicitado a detalhar o teor de tão bem remunerado trabalho, Luís Cláudio afirmou à polícia ter entregue à Marcondes & Mautoni projetos de “pesquisa, avaliações setoriais e elaboração propriamente dita”, com “foco relacionado à Copa do Mundo e à Olimpíada” do Rio. Cópias do suposto trabalho foram deixadas com os investigadores. Ao analisá-las, porém, a PF concluiu que , além de terem sido baseadas na Wikipedia, “pareciam ser de rasa profundidade e complexidade, em total falta de sintonia com os milionários valores pagos”.

Luís Cláudio formou-se em Educação Física pela FMU, em São Paulo, mas sua defesa alegou à PF que sua expertise na área de consultoria tem “lastro na prestação de serviço, por cinco anos ininterruptos, em quatro dos mais destacados clubes de futebol”: Luís Cláudio de fato passou pelos clubes São Paulo, Palmeiras, Santos e Corinthians., sempre levado por amigos do pai, mas em nenhum deles desempenhou atividade que pudesse ter utilidade nos projetos que diz ter desenvolvido para o escritório hoje sob investigação da PF.O caçula de Lula entrou no São Paulo como estagiário no departamento amador do clube, e dali em diante, nos demais times onde esteve, nunca passou de auxiliar de preparador físico.

(Da redação da VEJA)

CANTA, CANTA, PASSARINHO!

Abandonado, Delcídio

ameaça falar o que sabe

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Preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) segue um roteiro que já se tornou usual nos escândalos da era petista. Encrencado, o ex-líder do governo esperava obter a solidariedade dos amigos e companheiros. Ao sentir-se abandonado, ele ameaça contar segredos capazes de encrencar outras pessoas. O movimento tem o ritmo da chantagem, feita por alguém que espera obter proteção.

Delcídio irritou-se com o resultado da votação em que o plenário do Senado decidiu mantê-lo na prisão por 59 votos a 13, mais uma abstenção. Abespinhou-se também com comentário atribuído a Lula, segundo o qual ele teria se portado como um “imbecil” ao tentar comprar o silêncio do delator Nestor Cerveró. Essa observação, negada posteriormente por Lula, foi às manchetes nas pegadas da nota oficial em que o presidente do PT, Rui Falcão, escreveu que o partido “não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade” com Delcídio.

Um amigo de Delcídio disse ao blog que ele tem razões para estar decepcionado. Contou que, nos últimos meses, o senador tornara-se interlocutor frequente de Lula. Conversavam amiúde, por telefone e pessoalmente. Nas palavras desse amigo, Delcídio “monitorava” os humores do pecuarista José Carlos Bumlai, o amigo de Lula que também foi preso nesta semana. Bumlai e Delcídio se conhecem do Mato Grosso do Sul.

Em depoimento a dois procuradores da República e um delegado federal, Delcídio disse ter tentado libertar o delator Nestor Cerveró por “razões humanitárias”. O interrogatório baseou-se no conteúdo de uma gravação feita por Bernardo Cerveró, em 4 de novembro, numa suíte de hotel em Brasília. Nela, ouvem-se as vozes de Bernardo, de Delcídio e do advogado Edson Ribeiro, que respondia pela defesa de Nestor Cerveró. A certa altura do interrogatório, perguntou-se a Delcídio sobre um trecho da conversa gravada em que ele diz que falou ou falaria com ministros do STF para obter, entre outras coisas, a liberdade de Cerveró.

Ouve-se Delcídio dizer na gravação: “Agora, […] eu acho que nós temos que centrar fogo no STF. Eu conversei com o Teori [Zavascki], conversei com o [Dias] Toffoli, pedi pro Toffoli conversar com o Gilmar [Mendes]. O Michel [Temer] conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o [ex-diretor da Petrobras Jorge] Zelada, e eu vou conversar com o Gilmar também.”

Segundo notícia veiculada pela Globonews, os inquisidores pediram a Delcídio que falasse sobre a preocupação de Temer com Zelada, que está preso em Curitiba. O senador disse ter conhecimento de que Temer tem relação próxima com Zelada. Instado a qualificar a proximidade, Delcídio se absteve de responder. Temer preside o PMDB. Dos 18 senadores peemedebistas presentes à sessão em que o Senado avalizou a prisão de Delcídio, 16 votaram a favor da permanência do colega na cadeia —Edison Lobão (MA) se absteve e Renan Calheiros (AL), como presidente da Casa, não é dispensado de votar.

Ao farejar as segundas intenções de Delcídio, Temer apressou-se em responder. Por meio da assessoria, mandou dizer: “Em 2007, o senhor Jorge Zelada foi levado à Presidência do PMDB por estar sendo indicado para cargo na Petrobras. Nessa ocasião foi apresentado a Michel Temer. O presidente do PMDB não o indicou nem trabalhou pela sua manutenção no cargo. O presidente do PMDB nega qualquer proximidade com Jorge Zelada e repudia veementemente as declarações do senador Delcídio do Amaral.”

Durante o depoimento, Delcídio recordou que o hoje delator Nestor Cerveró foi nomeado diretor da área Internacional da Petrobras em 2003, sob Lula. Nessa época, era Dilma Rousseff quem respondia pelo Ministério de Minas e Energia, de cujo organograma pende a estatal petroleira.

Delcídio disse ter sido consultado por Dilma sobre a nomeação de Cerveró. Opinou favoravelmente. Por alguma razão, o senador fez questão de realçar que Dilma já conhecia Cerveró de longa data. Segundo disse, os dois se conheceram na época em que Dilma era secretaria de Energia do governo do Rio Grande do Sul. Cerveró era gerente da diretoria de Gás e Energia da Petrobras.

“Como a área de exploração de gás era bastante desenvolvida naquele Estado, havia contatos permanentes entre a diretoria de gás e energia da Petrobras e a secretaria comandada por Dilma”, disse Delcídio.*

(*) Blog do Josias de Souza

COISA DE AMADOR…

Delcídio foi rebaixado por Lula a “imbecil” não por desandar na bandidagem, mas porque não aprendeu com o mestre como se faz para delinquir sem dormir na cadeia

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Depois de examinar o episódio protagonizado por Delcídio do Amaral, Lula emitiu um parecer que honra, pela clareza concisa, a categoria dos especialistas em casos de polícia: “Coisa de imbecil. Uma burrada”. Como o ex-presidente jamais censurou bandidagens envolvendo amigos, parentes, sócios e aliados, está claro que o que considera imbecilidade não é a obscena tentativa de obstrução da Justiça. É a inexistência de um esquema de segurança que impeça gravações de alta periculosidade.

Para Lula, só merecem respeito, além do selo de “inocente” ilustrado pela estrelinha do PT, delinquentes de estimação que se esmeram na ocultação de provas do crime. Esses são bons companheiros, gente fina, inteligente, sublinha o comentário de 1 minuto para o site de VEJA. Alguns não escaparam da gaiola, outros continuam em liberdade. Mas todos fizeram o possível para aperfeiçoar-se, assimilando os ensinamentos do mestre Lula, na arte de pecar sem dormir na cadeia.*

(*) Blog do Augusto Nunes

SITUAÇÃO DESESPERADORA

Governo vai bloquear R$ 10,7 bilhões, e serviços serão paralisados

Presidente cancelou viagem ao exterior por conta do agravamento da crise

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A votação estava marcada para o início da semana, mas acabou sendo adiada para o dia 3 de dezembro por causa das turbulências provocadas no Congresso pela prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), acusado de tentar obstruir as investigações da operação Lava-Jato. Assim, na prática, para poder seguir a recomendação do TCU, a equipe econômica precisa trabalhar com a meta que ainda está em vigor, de um superávit primário de R$ 55,3 bilhões para o governo federal.

Para seguir esse compromisso, no entanto, será preciso paralisar a máquina pública. Este ano, até outubro, governo federal já acumula um déficit primário de R$ 33 bilhões. No último relatório bimestral de receitas e despesas, o governo alertou para o fato de que seria preciso fazer um contingenciamento adicional de gastos de R$ 107,1 bilhões para garantir a meta oficial. No entanto, nesse momento, o valor que pode efetivamente ser contingenciado é de apenas R$ 10,7 bilhões.

“Cabe ressaltar que o contingenciamento dessas despesas levaria a graves consequências para a sociedade, com a interrupção da prestação de importantes serviços públicos e da execução de investimentos necessários à manutenção da infraestrutura do País e à retomada do crescimento econômico”, afirma o documento.

(*) MARTHA BECK / CATARINA ALENCASTRO

NÃO SOBRA UM…

Delcídio afirma à PF que Temer tem ‘relação próxima’ com Zelada, diz TV

Em depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (26), o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) afirmou que o vice-presidente Michel Temer tem “relação próxima” com Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras que é acusado de receber propina que e teria chegado ao cargo com apoio do PMDB de Minas Gerais.

As informações são da Globonews, que teve acesso ao depoimento.

Ainda de acordo com a TV, Delcídio foi questionado sobre que relações seriam estas, mas ele não respondeu.

O senador foi preso na Operação Lava Jato por suspeita de tentar atrapalhar as investigações do esquema de corrupção na Petrobras. Em gravação feita por Bernardo, filho do ex-diretor da estatal Nestor Cerveró, Delcídio e o advogado Edson Ribeiro –que foi preso nesta sexta (27) ao voltar dos Estados Unidos– discutiram uma forma de retirar Cerveró da prisão por meio de influência política no Supremo Tribunal Federal e, depois, retirá-lo do país pelo Paraguai.

Nessa conversa, o líder do governo no Senado avaliou a situação de integrantes da cúpula do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras, chegando a citar o vice-presidente. Segundo a gravação, Delcídio afirma que “Michel está muito preocupado com o Zelada”.

De acordo com investigadores, houve o pagamento de propina de US$ 31 milhões na contratação de um navio-sonda pela Petrobras em 2008, sendo que parte foi paga a Zelada e ao ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa e outra parcela foi destinada ao PMDB.

Na conversa gravada, Delcídio diz que poderia acionar Temer para tentar conversar com o ministro do STF Gilmar Mendes para discutir a liberdade do ex-diretor.

Nesta quinta, o vice-presidente da República negou o teor das citações envolvendo seu nome feitas pelo senador e disse, segundo sua assessoria, que “não está preocupado com possível delação de Jorge Zelada”.

A assessoria do vice também afirmou que ele “não foi procurado pelo senador Delcídio do Amaral para tratar de qualquer assunto da Lava Jato no STF” e que “jamais fez pedido ao ministro Gilmar Mendes sobre a investigação no Supremo”.

Na gravação, Delcídio afirma o vice falou com o ministro do Supremo sobre o caso de Zelada. “O Michel conversou com o Gilmar também” sobre a situação do ex-diretor, disse o senador, “porque o Michel tá muito preocupado com o Zelada”.

STF

Segundo informou a Globonews, Delcídio disse em seu depoimento à PF que não esteve com ministros do STF para tratar de Cerveró.

Afirmou, ainda, que o filho do ex-diretor da Petrobras pediu que ele falasse com ministros da Corte sobre um possível habeas corpus em benefício de seu pai, e que só usou de palavras de conforto com ele –informação que o advogado do senador já havia relatado.

Na conversa gravada, Delcídio afirma que havia se encontrado com os ministros Teori Zavascki, Dias Toffoli e Gilmar Mendes para falar sobre Cerveró.

O senador, ainda de acordo com a Globonews, disse também que não tem medo de delação premiada –Cerveró fechou acordo com a Procuradoria-Geral da República.

O LEGADO DA COPA DE 2014

Andrade acerta acordo, confessa suborno na Copa e pagará multa de R$ 1 bi

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Após aceitar pagar a maior multa da Operação Lava Jato, de cerca de R$ 1 bilhão, a empreiteira Andrade Gutierrez acertou um acordo de delação com a Procuradoria Geral da República e da força-tarefa de procuradores e policiais que atua em Curitiba (PR) no qual ira relatar que pagou propina em obras da Copa do Mundo, na Petrobras, na usina nuclear Angra 3 e em Belo Monte e na ferrovia Norte-Sul, um projeto cuja história de corrupção começa em 1987, com o acerto das empresas que ganhariam a licitação, como revelou à época o colunista Jânio de Freitas.

A maior indenização já paga na Lava Jato até agora foi da Camargo Corrêa: R$ 800 milhões.

A Andrade foi acusada junto com a Odebrecht de ter pago R$ 632 milhões de suborno em contratos com a Petrobras. A Odebrecht é a maior empreiteira do pais, e a Andrade, a segunda. O suborno era pago para que agentes públicos não colocassem obstáculos nos acertos feitos pelas empreiteiras. No cartel que atuava na Petrobras, vários delatores relataram que as empresas escolhiam as obras que queriam fazer porque tinham experiência naquele tipo de trabalho ou por causa do valor do contrato e porte da obra.

Com o acordo, que trará benefícios tanto a empresa quanto para os executivos, a Andrade quer se livrar de ser proibida de celebrar contratos com o poder público, uma das consequências de quando o governo declara a empresa inidônea. A empreiteira é altamente dependente do poder público: quase a metade de sua receita vem de obras contratadas pelo governo.

Na Copa do Mundo, por exemplo, a Andrade Gutierrez atuou, sozinha ou em consórcio, na reforma do estádio do Maracanã, no Rio, do Mané Garrincha, em Brasília, do Beira-Rio, em Porto Alegre, e na construção da Arena Amazonas, em Manaus (AM).

A Andrade Gutierrez foi contratada para tocar obras gigantes da Petrobras, como o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e pretende complementar a história dos subornos já relatada por delatores como o ex-diretor Paulo Roberto Costa.

Três dos executivos que estavam presos (Otávio Azevedo, Élton Negrão de Azevedo Júnior e Flávio Barra) foram transferidos em definitivo do Complexo Médio Penal, que fica em Pinhais (PR), na Grande Curitiba, para a carceragem da Polícia Federal por razões de segurança. A transferência também facilita os depoimentos da delação e o contato dos presos com a família. Otávio e Élton foram presos em junho e Barra no mês seguinte.

Havia duas dificuldades para o acerto final do acordo, que foram sanadas: o valor a ser pago e a necessidade de Otávio Azevedo confessar crimes que ele sempre negou. Os procuradores de Brasília queriam uma indenização de R$ 1,2 bilhão, quando a empreiteira alegava não ter mais do que R$ 800 milhões para pagar a multa.

Otavio Azevedo, que já foi eleito o executivo do ano pela revista “Exame”, relutava confessar seu envolvimento em pagamento de suborno alegando que a Polícia Federal não tinha prova de nada contra ele. Ele foi convencido por executivos da empresa: se ele não confessasse, os outros relatariam os casos em que ele esteve envolvido.

O valor de R$ 1 bilhão visa ressarcir as empresas que foram prejudicadas por acertos do cartel que atua em obras públicas.

Há uma série de relatos de pagamento de suborno por parte da Andrade Gutierrez. O primeiro delator da Operação Lava Jato, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, contou ter recebido US$ 4 milhões da Andrade e da Estre Ambiental em um contrato da Petrobras. A empreiteira tentou anular a delação de Costa no Supremo depois que o lobista Fernando Soares, o Baiano, contou ter pago valores bem maiores Costa, de US$ 20 milhões a US$ 25 milhões. A estratégia, porém, não deu certo.

O advogado contratado para costurar o acordo da Andrade com os procuradores foi Celso Vilardi, o mesmo que atuou na colaboração da Camargo Corrêa que resultou na multa de R$ 800 milhões. Procurado pelaFolha, Vilardi não quis se manifestar. Até este momento a Andrade Gutierrez não havia se pronunciado.

O acordo terá de ser homologado pelo juiz Sergio Moro, porque relata crimes na Petrobras, e pelo ministro Teori Zavascki, porque há menção a políticos que receberam propina e eles só podem ser investigados pela instância máxima da Justiça. *

(*) MARIO CESAR CARVALHO – DE SÃO PAULO – BELA MEGALE – ENVIADA ESPECIAL A CURITIBA

FOLHA DE SÃO PAULO

TODOS ENQUADRADOS

DELCÍDIO CONDENOU TODOS OS RÉUS

Tribunais, ministros e juízes não querem que o mundo caia sobre suas cabeças.
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O líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT), assinou a sentença de condenação e de prisão de todos os envolvidos no escândalo da Petrobras. As decisões de um juiz de primeira instância, Sérgio Moro, dificilmente serão revisadas por qualquer tribunal.

Isso vale para o Tribunal Regional Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. A partir de agora o debate judicial e a busca de brechas para anular a operação Lava-Jato cai por terra.

Os diálogos gravados citando nomes de ministros do STF expõe os magistrados e os coloca na desconfortável situação de quem ficará exposto se conceder uma habeas corpus ou anular alguma prova. Ainda mais quando o senador Delcídio diz que uma gama de políticos será acionada para fazer gestões a este e aquele ministro do STF.

Será que o STJ, depois da presente tentativa obstrução da Justiça, terá peito de colocar em prisão domiciliar (com tornozeleira) o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio de Azevedo? Foi isso o que ocorreu no julgamento do recebimento da denúncia no caso mensalão. Era agosto de 2007 e O GLOBO mostrara tentativa de ministros de combinar votos que poderiam levar a rejeição da acusação contra alguns dos acusados.

Delcídio passa a mesma imagem agora. Ele afirma que vai comprar Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, para que ele mude ou anule o teor de sua delação premiada. Diz que vai procurar vários ministros do STF para combinar com eles o cambalacho. Cita os ministros que seriam procurados e seriam sensíveis aos argumentos dos quais era porta-voz. Planeja a distribuição de tarefas, entre os políticos, para abordar os ministros da mais alta corte do país.

A Justiça foi constrangida. Isso, à luz da experiência passada, não favorece os réus. Tribunais, ministros e juízes não querem que o mundo caia sobre suas cabeças.*

(*) Ilimar Franco – O Globo