CÍNICOS JURAMENTADOS

DILMA E TEMER CONSEGUIRAM DESMORALIZAR

O ESPÍRITO DO NATAL  

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A presidente Dilma Rousseff telefonou para o vice-presidente Michel Temer no Natal. Com isso, banalizaram e mandaram para o inferno o espírito natalino. Um deboche. Rangendo os dentes, elevaram aos céus as armas da hipocrisia e do cinismo. Até as pedras das ruas sabem que os dois não se toleram. Querem se ver pelas costas. Mortinhos da silva.

Estão em times contrários. Tudo não passou de farsa e conversa fiada. Trégua de araque. Constrangeram inclusive as renas do Papai Noel. Depois do cretino diálogo, não se sabe quem vomitou primeiro.*

(*) Vicente Limongi – Tribuna na Internet

COITADINHO DO “GUERREIRO DO POVO BRASILEIRO”

Deputados do PT reclamam que STJ debochou de Dirceu no Twitter

‘José Dirceu vai passar o ano novo atrás das grades’, diz texto do tribunal na rede

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BRASÍLIA — Deputados do PT reagiram à publicação de uma mensagem na conta que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) mantém no Twitter. Segundo eles, a corte debochou da situação do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, que teve um pedido de liberdade negado pelo presidente do STJ, o ministro Francisco Falcão. Os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) enviaram um ofício a Falcão solicitando a imediata abertura de sindicância interna para apurar o caso, a retirada da postagem, e um pedido de desculpas.

“Como o recesso do Judiciário só termina em fevereiro, José Dirceu vai passar o ano novo atrás das grades”, diz mensagem publicada em 29 de dezembro, mesmo dia em que Falcão determinou que o pedido seja analisado pela 5ª Turma da corte. Como o STJ está de recesso, a turma volta a trabalhar somente em fevereiro.

A postagem foi a segunda de uma série de três sobre a decisão. A primeira diz: “STJ determina que pedido de habeas corpus de José Dirceu seja analisado pelo MPF para depois ser julgado pela 5ª Turma”. A última conclui: “‘Com o retorno, remetam-se os autos para análise da Egrégia Turma’, decidiu o presidente do STJ, Min. Francisco Falcão”.

O teor do ofício enviado ao presidente do STJ foi reproduzido no site do PT. Lá, também foi publicada uma montagem, acrescentando imagens de tucanos ao texto. Trata-se de uma referência ao PSDB, principal adversário do PT. “Não podemos aceitar que a comunicação de um órgão que representa um poder da República seja aparelhada por militantes do PSDB ou da direita que destila ódio diariamente contra o PT”, afirmou Pimenta no site do partido.

Os deputados dizem ter tomado conhecimento do texto com surpresa e indignação. “A comunicação institucional do STJ se vale de linguagem e termos inadequados para um Tribunal Superior. A comunicação de qualquer órgão público deve, ao informar, apresentar postura neutra e respeitosa, ainda mais quando se trata da comunicação de um órgão que tem a nobre função de julgar”, diz trecho do ofício.

As reclamações continuam: “A divulgação revela, ainda, o já conhecido uso da prisão como espetáculo. Dessa forma, não basta o ex-ministro estar preso preventivamente — sob critérios com justeza questionados por sua defesa. Ele precisa ser exposto e ter a dignidade aviltada. A comunicação oficial do STJ agiu de maneira parcial. Sancionou, assim, o uso do sistema penal como instrumento político, o que absolutamente não é condizente com o Estado Democrático de Direito. Não é crível que essa postagem na rede social tenha tido a anuência da direção do Tribunal, que se intitula como aquele da Cidadania.”

Reprodução da postagem do STJ no Twitter – Reprodução

No julgamento do mensalão, Dirceu foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a sete anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa. Ele foi preso em novembro de 2013 e começou a cumprir pena no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. Depois conseguiu o benefício de cumprir o restante da pena em casa, também em Brasília. Mas em agosto foi preso novamente, desta vez preventivamente, por suspeitas de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, investigado na Operação Lava-Jato.*

(*) ANDRÉ DE SOUZA – O GLOBO

 

PIOR DO QUE ESTÁ, FICA

Por que a disparada do dólar, em 2015, é pior que a de 2002

Há 13 anos, investidores temiam o desconhecido, com Lula chegando; em 2015, temem um governo conhecido por insistir nos erros

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SÃO PAULO – O dólar encerrou 2015 com a segunda maior valorização desde a criação do real em 1994. A moeda norte-americana acumulou uma alta de 48,49%, fechando o último dia de negociação do ano cotado a R$ 3,9480 para venda. O desempenho só perde para o de 2002, quando o câmbio subiu 52,27%. Mas, quando se consideram os motivos mexeram com a taxa nos dois episódios, a conclusão é de que a disparada de 2015 é pior que a de 13 anos atrás.

Em rápidas palavras, pode-se dizer que o pico de 2002 representava um medo que se desfez nos anos seguintes. Já a disparada deste ano reflete um pessimismo com um governo já conhecido, que inicia o segundo mandato sem perspectivas de mudanças para melhor.

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É verdade que, em ambos os casos, o principal gatilho foi político. Em 2002, o mercado temia a eleição do petista Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência. À medida que ficava clara a vantagem de Lula sobre os demais candidatos, a cotação do dólar subia, refletindo a insegurança geral. Às vésperas do segundo turno daquele ano, realizado em 31 de outubro, o dólar bateu em R$ 4.

Para completar, em outubro de 2002, o governo Fernando Henrique Cardoso se desdobrava para pagar uma dívida cambial de US$ 3,67 bilhões. Como é de praxe para qualquer administração, a de FHC tentou rolar a dívida, trocando os papéis que venceriam por outros de prazo mais longo. Diante da eleição iminente de Lula, o mercado relutava em aceitar a proposta. Em meados daquele mês, apenas 18% da dívida havia sido renegociada, elevando o temor de uma eventual inadimplência. Foi o bastante para que a taxa batesse nos R$ 4.

Não era o bicho papão

O que se deve notar, contudo, é que aquele comportamento refletia o medo do desconhecido. Lula crescia, na onda de governos populistas de esquerda que ascendiam pelo continente sul-americano. Os investidores temiam que o petista implantasse algo semelhante a um regime socialista no país.

A Carta aos Brasileiros, divulgada por Lula às vésperas do segundo turno, e a nomeação de uma equipe econômica ortodoxa, chefiada, na época, pelo ministro da Fazenda Antônio Palocci, ajudaram a dirimir o medo. As primeiras medidas adotadas pelo governo, aliás, deixaram a esquerda perplexa. Uma delas foi a nomeação de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central – um respeitado banqueiro, que fez carreira no Bank of Boston, até tornar-se presidente da operação brasileira.

Para resgatar a confiança dos investidores, Lula, Palocci e Meirelles seguiram a cartilha ortodoxa: o BC elevou a taxa básica de juros (Selic) logo na primeira reunião sob o novo governo; Lula bancou também o aumento da meta de superávit primário; garantiu o câmbio flutuante e reafirmou o compromisso com a meta de inflação.

O resultado foi que, aos poucos, o mercado descobriu que Lula não seria um bicho-papão que devoraria o capitalismo. Pelo contrário: o então presidente conquistou elogios internacionais, ao conduzir a economia de modo bastante conservador, até 2008, e mesclá-la com políticas de inclusão social e assistência, como o Bolsa Família.

O reflexo disso foi o paulatino recuo do dólar. Depois de bater em R$ 4, a moeda fechou 2002 em R$ 3,53. Já em 2003, a desvalorização foi 18,23% frente ao real, encerrando o primeiro ano do governo petista em R$ 2,89. A trajetória do câmbio foi de queda pelos anos seguintes, mostrando a crescente confiança dos investidores no futuro do país. Apesar do repique de 32% em 2008, causado pela eclosão da crise financeira mundial, Lula concluiu o segundo mandato, em 2010, com o câmbio em R$ 1,74.

Insistindo nos erros

A situação é bastante diferente agora. Dilma Rousseff encerra o primeiro ano de seu segundo mandato sem uma exibição convincente de força política (está acossada pelo processo de impeachment que corre na Câmara dos Deputados) ou convicção ideológica para ajustar a economia e recolocar o país na rota do crescimento sustentável. O dólar, neste sentido, é o espelho mais preciso do crescente pessimismo do mercado quanto à capacidade de reação de Dilma.

Os sinais de Dilma apenas alimentam a desconfiança. A presidente apoiou a aprovação de uma meta fiscal mais flexível para 2016, entre 0% e 0,5% do PIB, por exemplo. Foi a gota d’água para que Joaquim Levy deixasse a Fazenda e levasse, consigo, o último fiapo de esperança de que o governo realmente está comprometido com o ajuste fiscal e o combate à inflação. Escaldado, o mercado desconfia de que Nelson Barbosa, tido como desenvolvimentista, ocupou o posto de Levy para servir de barreira a qualquer tentativa de ajuste mais sério.

O resultado é que ninguém espera que o câmbio retroceda no ano que está para começar. O último boletim Focus do Banco Central, divulgado em 24 de dezembro, mostra que o mercado projeta que o dólar encerre 2016 cotado a R$ 4,20. Se a estimativa for confirmada, representará um ganho de 6% sobre os R$ 3,9480 com que a moeda encerrou o último pregão deste ano.

É o medo que o mercado tem de um governo cada vez mais conhecido… pela sua capacidade de tomar decisões erradas.*

(*) Márcio Juliboni – O Financista

TÓC-TÓC-TÓC, MANGALÔ TRÊS VEZES

‘Querem que o céu caia sobre minha cabeça’, diz Dilma

Após ano difícil, Dilma diz aguentar pressão, mas não dispensa pulseira de olho grego na virada

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BRASÍLIA – Supersticiosa, a presidente Dilma Rousseff contou que entrará em 2016 carregando no pulso esquerdo sua antiga pulseira de olho grego, poderoso talismã para espantar o mau olhado e as energias negativas. Diante da economia em frangalhos, com a popularidade em queda e sob grave crise política, a presidente – que tem medo de avião – sabe que enfrentará muito mais turbulências neste ano novo. A todos com quem conversa, porém, ela diz que o processo de impeachment não vingará.

“Não acharam nem vão achar uma vírgula que possa me incriminar”, afirma Dilma. Quando interlocutores querem saber o seu estado de ânimo, a inquilina do Palácio do Planalto responde: “Tem gente que quer que o céu caia sobre a minha cabeça, mas eu aguento bem a pressão. A única pessoa que pode derrotar você é você mesma”.

Apesar da retórica de resistência, Dilma teve momentos de depressão neste primeiro ano do segundo mandato. Dezessete quilos mais magra por causa da rigorosa dieta Ravenna, ela já esperava que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desse a largada para o impeachment, mas não escondeu o abatimento quando, no último dia 8, o plenário da Casa elegeu uma chapa com maioria oposicionista para a Comissão Especial que analisará o pedido de afastamento.

“Quer dizer que vamos perder tudo?”, perguntou Dilma, incrédula, a ministros do núcleo político do Planalto. A presidente já havia sido alertada de que a estratégia usada por Cunha, com a adoção do voto secreto, favorecia a traição dos aliados. Mesmo assim, ficou surpresa quando viu que o governo tinha conseguido apenas 199 votos, uma margem muito estreita, levando-se em conta que, para barrar o processo no plenário, são necessários 171 deputados.

O alívio veio nove dias depois, com a decisão do Supremo Tribunal Federal, que derrubou o rito estabelecido por Cunha e deu ao Senado – Casa com maioria governista – a palavra final sobre o impeachment. O voto do ministro Dias Toffoli, no entanto, foi recebido como um tiro no Planalto. Subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e ex-advogado do PT, Toffoli irritou Dilma. “Se um presidente não tem apoio de 1/3 dos deputados, fica difícil a governabilidade”, afirmou ele, ao votar contra o governo.

Kombi. No ano em que a Operação Lava Jato revelou a corrupção na Petrobrás, pesos pesados do PT foram presos, o vice Michel Temer escancarou divergências com Dilma, o PMDB ameaçou abandonar o barco e Joaquim Levy deixou a Fazenda acusando o governo de ter “medo de reformas”, Dilma promoveu várias reuniões secretas.

Em pelo menos duas ocasiões, ministros do PT chegaram ao Palácio da Alvorada “escondidos” no banco de trás de peruas Kombi, para “despistar” a imprensa. Embora até Lula incentivasse um acordo com Cunha – acusado de manter contas na Suíça com dinheiro desviado da Petrobrás –, a certa altura ficou evidente que a abertura do impeachment seria inevitável.

Lula reclamou de sua “criatura” a vários amigos. Disse que ela não o ouvia e só dava “notícia ruim”, deixando o ajuste fiscal e a Lava Jato dominarem a agenda do País. “Eu não posso falar mal dela, mas também não tenho motivos para falar bem”, afirmou o ex-presidente a um deputado aliado, pouco antes de constatar, em reunião com religiosos, que tanto ele como a sucessora estavam “no volume morto”. Dilma ficou furiosa.

O inferno da presidente ganhou contornos mais dramáticos quando o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou o balanço de 2014 do governo, em 7 de outubro, abrindo caminho para o impeachment. A reprovação das contas teve como base as pedaladas fiscais, manobras que consistiam em atrasar repasses do Tesouro aos bancos para pagamento de programas sociais.

Antes disso, em 12 de setembro, dez ministros se reuniram para traçar estratégias de reação ao agravamento da crise. Dilma estava preocupada com a inflação, o desemprego, o “pibinho” e a perda do grau de investimento. A versão divulgada foi a de que se discutia ali um corte nas contas do governo para cobrir o déficit de R$ 30,5 bilhões no Orçamento. Na prática, porém, o tema do encontro foi a tentativa da oposição, com apoio de uma ala do PMDB, de tirar a presidente do Planalto.

Nem mesmo a reforma ministerial, anunciada em 2 de outubro, conseguiu amenizar as dificuldades. Dilma cortou oito pastas, mas entregou sete ministérios ao PMDB e o “coração” do Planalto a homens da confiança de Lula, como Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Jaques Wagner (Casa Civil). Dois meses depois, o PT anunciou que não salvaria Cunha no Conselho de Ética, o impeachment foi aberto e Temer apareceu flertando com o PSDB.

“Mas o que é isso?”, indagou Dilma, no último dia 7, ao ler uma carta escrita pelo vice. Eram 18h30 quando o envelope lacrado, com a correspondência de Temer, foi entregue a ela, no Planalto. No texto, o vice dizia cumprir papel “decorativo” e se queixava da “absoluta desconfiança” da presidente e do seu entorno em relação a ele e ao PMDB. “Que coisa estranha!”, exclamou Dilma.

Ministros do PT interpretaram a carta como um pretexto para Temer se divorciar de Dilma. “Não aceito a pecha de conspirador”, reagiu o vice. O desfecho desta história, no entanto, ficou para 2016. No Planalto, dizem que há muito olho grego para rolar embaixo da ponte.*

(*) VERA ROSA – O ESTADO DE S. PAULO

TITANIC BRASIL

Balanço de 2015

O ano em que se confirmou o fim do modelo lulopetista

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Historiadores não seguem o calendário gregoriano. Por método, dividem os fatos em ciclos, por sobre a convenção de se limitar o ano a 12 meses. Getúlio, na primeira encarnação, por exemplo, perdurou sete anos, de 1930 até o golpe do Estado Novo, e por aí segue.

Hoje, concluem-se os primeiros 12 meses do segundo mandato de Dilma. São, portanto, cinco anos de Dilma no poder, e também 13 de PT no Palácio do Planalto, todos com Dilma em postos proeminentes: ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil, presidente da República. Com o detalhe de ter presidido o Conselho de Administração da Petrobras de 2003 até disputar as eleições presidenciais de 2010.

Dilma é o fio condutor pelo qual o lulopetismo põe em prática o projeto dos sonhos: dirigista, concentrador de rendas da sociedade no Estado, este aparelhado pelo partido, a fim de redistribuir o dinheiro do contribuinte para fazer o “bem” ao pobres e aos empresários escolhidos para ser futuros “campeões nacionais”.

Portanto, a seriíssima crise na qual Dilma 1 embalou o Brasil precisa ser colocada numa contexto amplo. Esses 12 meses de 2015 são apenas a menor parcela de um experimento catastrófico. Ele foi sinalizado a partir do final do primeiro mandato de Lula, quando, afastado José Dirceu da Casa Civil, Dilma, a substituta, rejeitou, por “rudimentar”, a proposta que lhe foi apresentada pelos ministros da Fazenda e Planejamento, Antonio Palocci e Paulo Bernardo, para impedir que as despesas públicas crescessem mais que o PIB. A ideia, correta, sensata, livraria o país desta que deve ser a mais grave crise desde a provocada pela Grande Depressão americana, em 1929/30. Consta que Lula, sempre ardiloso, ordenou a Dilma matar na origem aquela proposta, contrária ao ideário do “Estado forte”.

Já a crise mundial iniciada em 2008, com a explosão da bolha imobiliária-financeira americana, serviu de pretexto para o início de implementação do “novo marco macroeconômico”, ainda com Lula no poder, sob inspiração da ministra Dilma, coadjuvada por Guido Mantega, na Fazenda. Que ela manteria no primeiro mandato, juntando-se aos dois o secretário do Tesouro Arno Augustin, o mago da “contabilidade criativa”, das pedaladas e outros truques. Gastos sem controle, descuido com a inflação, manipulação do câmbio e de preços administrados se constituem a fórmula básica que destruiu a Venezuela chavista e desestabilizou a Argentina kirchnerista, aparecendo aos brasileiros mais distraídos apenas neste ano. Antes sufocada por razões eleitoreiras, a crise desabrochou: inflação em dois dígitos, déficits fiscais cavalares, recessão grave e desemprego em alta rebaixam a nota de risco do país para nível especulativo e elevam a cotação de papéis que servem como seguro contra uma quebra do Brasil, os CDS (Credit Default Swaps). (gráficos)

Entra-se na fase final do ciclo da política econômica lulopetista. Haverá pelo menos mais um capítulo, com o economista Nelson Barbosa, transferido do Planejamento para a Fazenda, no lugar de Joaquim Levy. Barbosa, próximo ao PT, fará o que a economista Dilma quiser. Também por isso é dito que 2015 não acaba hoje. E ainda não é possível saber até onde irá.*

(*) Editorial do O Globo

SENTIREMOS SAUDADES DE 2015

Impossível domar o bom monstro

O bom monstro (Foto: Arquivo Google)

A matriz econômica que criou as empresas campeãs, a complacência com a inflação, as regras intervencionistas nas concessões de PPPs, as intervenções desastrosas no setor de energia, do açúcar e do álcool, o controle irracional de preços administrados, a inconsistência regulatória e a insegurança jurídica fortaleceram o monstro que é a economia brasileira. Nossa economia está disfuncional. Não apenas pela crise econômica nem somente pelas investigações da Operação Lava-Jato, mas pelo descompasso entre as respostas do mundo político à situação que se apresenta.

No passado recente, as intenções eram as melhores possíveis: acelerar o crescimento, criar empresas nacionais com robustez internacional, distribuir renda e aliviar os problemas sociais crônicos. Uma espécie de Frankenstein, um bom monstro. O projeto, porém, tinha pés de barro e cabeça de vento. Não deu certo. Não há crescimento sustentável na base da bolsa TJLP sem regras claras e segurança jurídica.

A impossibilidade de domar o bom monstro se revela no fato de que, mesmo tendo boas intenções, ele não é bom. Sua essência, como tal, pressupõe interesses que, aparentemente, bons não são. O bom monstro existiria para a prática de uma espécie de colonização dos interesses do povo. Um sistema gerado pela soberba ideológica justificado a partir de um ideário de boas intenções. Numa sociedade de paspalhos e néscios, as boas intenções seriam suficientes para nos resgatar do fracasso. Mas não é bem assim que o mundo real funciona. Nem deve ser assim por aqui.

Qualquer projeto de poder que assuma a direção dos destinos dos homens com uma vocação salvacionista deve ser repelido como escravagista e colonizador. Não é o caminho certo para se construir uma sociedade livre e responsável, de direitos e deveres. Não faz sentido superlotar uma sociedade de benesses sem lhe dar a noção de direitos e responsabilidades. Não funcionou nos países socialistas, apesar da força da ditadura que tentou implantar tal modelo social e econômico.

No Brasil de hoje, não havia clareza de que as benesses eram condicionadas ao momento fiscal. Sacrificou-se o equilíbrio da nação para manter a distribuição de recursos para os programas sociais. Com isso, o governo enganou a todos, já que, no limite, podemos entrar em default. É a síndrome do bom monstro que tudo faz para agradar. Inclusive, sem querer, matar a todos.

Hoje, o bom monstro nos mata com a inflação recorde, o desemprego e o desinvestimento. Infelizmente, a recessão e o insucesso não fizeram, ainda, com que o bom monstro fosse para o Polo Norte ou sumisse da humanidade, como no romance de Mary Shelley. Vamos penar algum tempo até que o fracasso seja grande o suficiente para forçar um novo jogo. A opção do momento é tentar conciliar as boas intenções do bom monstro com a dura realidade atual.

As chances de dar errado são imensas. Não é hora de conciliar. Mas, sim, de enfrentar os desafios e reconhecer o fracasso da matriz econômica que robusteceu o monstro que nos escraviza. Em não acontecendo o desafio fatal, prosseguiremos em nossa sina de acreditar que o monstro é apenas desastrado. Disse a poetisa portuguesa Florbela Espanca: “de tudo o que nós fazemos de sincero e bem intencionado alguma coisa fica.” Digo eu: até mesmo os efeitos perversos de nossas escolhas e de nossos fracassos. *

(*) Murillo de Aragão, no blog do Ricardo Noblat

QUINTA-FEIRA, 30 DE DE DEZEMBRO DE 2015

Subsidiária da Eletrobrás contrata advogado para defender empresa em processo na Europa

Empresa alemã afirma que estatal brasileira usou garantias irregulares para empréstimos

A Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), uma subsidiária da Eletrobras, contratou por R$ 150 mil o escritório do advogado Fábio Ulhoa Coelho, especialista em direito empresarial, para produzir um parecer sobre “normas legais brasileiras”. O documento terá de ficar pronto até esta quarta-feira (30). É uma tentativa de derrotar o banco, uma espécie de BNDES alemão. A instituição cobra da CGTEE, desde 2010, indenização por suposta emissão de garantias ilegais em favor de uma empresa privada que construiria sete usinas de biomassa de geração de energia. A iniciativa fere a Lei de Responsabilidade Fiscal. Para piorar, cinco dessas usinas nunca saíram do papel, conforme revelou ÉPOCA (ponha o link da material aqui) naquele ano. Numa ação movida na justiça gaúcha, ÉPOCA que revelou que o KfW afirmou que Valter Cardeal, conhecido no setor elétrico como “o homem da Dilma”, tinha conhecimento de todo o negócio desde o início. Ele era presidente do Conselho de Administração da CGTEE. Recentemente Cardeal foi afastado de cargo de chefia da Eletrobras.*

(*) NONATO VIEGAS E MURILO RAMOS – ÉPOCA

POR FORA, BELA VIOLA. POR DENTRO, PÃO BOLORENTO

O Rio dos paradoxos

O inegável charme da capital da Olimpíada de 2016, globalmente celebrado, convive com a inépcia do poder público, atalho para a dramática crise financeira que fechou hospitais controlados pelo estado

Cristo Redentor - Eletrocardiograma

Pela televisão, tudo sempre parecerá mais organizado e bem administrado do que a realidade entrega. Estima-se que 4,5 bilhões de pessoas em algum momento entre 5 e 21 de agosto de 2016 acompanhem as partidas de vôlei de praia da Olimpíada com o mar de Copacabana ao fundo, a maratona à margem da Baía de Guanabara, de um lado o Pão de Açúcar, do outro o Cristo Redentor lá no cume do Corcovado, num recorte da natureza que um dia o antropólogo Claude Lévi-Strauss comparou, com mau humor, a uma boca banguela. A boa toada das obras esportivas, a inauguração de longos trechos de infraestrutura de mobilidade urbana, tudo ancorado no empenho do prefeito Eduardo Paes, pareciam indicar um caminho sem muitos sobressaltos para os Jogos Olímpicos do Rio – especialmente se comparados ao país em plena crise econômica e política. O Brasil de 2009, quando o Rio ganhou a corrida olímpica, não existe mais – mas a cidade parecia resistir aos estragos.

Não mais. Na véspera do Natal, o governo estadual revelou a existência de uma dívida financeira de 1,4 bilhão de reais com fornecedores da área de saúde. O resultado foi o fechamento total ou parcial de pelo menos sete hospitais e dezessete Unidades de Pronto Atendimento, parte deles na capital. A alegação oficial foi a queda brusca na arrecadação de ICMS e na receita de royalties do petróleo com o declínio do preço do barril. São explicações plausíveis, mas insuficientes para esconder a inépcia e o mau planejamento. As cenas tristes de pacientes à espera de um leito certamente não aparecerão na televisão – mas não há como escondê-­las, como mostra a reportagem a seguir. O Rio olímpico, o Rio da esperança de um amanhã menos desigual, é também o Rio de hoje, no pronto-socorro. Salvá-lo do colapso da saúde é o único caminho de recuperação de uma cidade celebrada globalmente – apesar do tráfico de drogas, do crime, da sujeira e do descaso – por um estilo de vida singular. Não há outro lugar no mundo capaz de manter essas duas facetas em doses iguais. Mas, para que o lado bom e bonito prospere, é crucial que o ruim e feio esteja minimamente controlado. A convite de VEJA, alguns cariocas da gema, e outros por escolha, traduziram em artigos exclusivos esse estado de espírito de uma população que continua a enxergar na sua praia o umbigo do universo, mesmo passado mais de meio século dos áureos tempos de capital federal. Neste pacote especial há um pouco de história, um tanto das mazelas atávicas e um bocado do jargão local – enfim, aquilo que faz do Rio o Rio, apesar da vergonha de hospitais momentaneamente protegidos por tapumes.*

(*) Veja.com

FAZENDA MODELO

SEM CORTES, BOLSA FAMÍLIA TORRA R$ 25,3 BILHÕES
PROGRAMA SEGUE INTOCÁVEL E RUMO AO RECORDE DE GASTOS EM 2015
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Apesar do desgaste político com a barganha para aprovar a redução da meta fiscal e mascarar o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Bolsa Família permaneceu intocado e já consumiu R$ 25,3 bilhões até novembro. Ao ritmo de gastos de R$ 2,3 bilhões por mês, o ano de 2015 será de recorde histórico em gastos do governo com o  programa e deve ultrapassar os R$ 28 bilhões até janeiro de 2016.O governo cortou investimentos, mas manteve a distribuição do Bolsa Família e contribui diretamente para inflação galopante de mais de 10%

A gastança do governo será comprovada com dois recordes em 2015: Bolsa Família – R$ 28 bilhões e Orçamento – déficit de R$ 120 bilhões

Bahia, Maranhão, Pernambuco e Ceará estão entre os cinco maiores beneficiários, junto com São Paulo. Os quatro levaram R$ 13,1 bilhões.*

(*) DIÁRIO DO PODER