PETRORROUBALHEIRA

Petrobras lidera ranking global…de corrupção

00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000-roque-abrac3a7o-simbolico

Petrobras vai mesmo fechar o ano como o maior caso de corrupção em curso, de acordo com uma votação aberta ao público mundial que está sendo coordenada pela ONG Transparência Internacional.

A Transparência escolheu quinze casos emblemáticos em curso, deu o nome de Desmascarar os Corruptos e abriu para a votação.

Resultado: neste momento, o escândalo envolvendo a maior empresa brasileira lidera o ranking, com 8.505 votos. Está à frente de casos de fraudes e propinas para ninguém botar defeito, como o do filho do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang; e o escândalo da Fifa.

A votação começou no dia 9 e se estende até o início de fevereiro.*

(*) Lauro Jardim – O Globo

NO MUNDO DA FANTASIA

O mundo virtual de Dilma Rousseff

Se a doutora acreditava no que disse ao tomar posse, o país está frito, se não acreditava, tanto melhor

0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000alei

Há um ano a doutora Dilma assumiu seu segundo mandato e discursou no Congresso. Já não precisava propagar as lorotas típicas das campanhas eleitorais. Vencera a eleição e, com a escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, admitira a gravidade da crise econômica em que jogara o país.

Quem relê esse discurso fica com a pior das sensações. Sai do pesadelo de 2015 com a impressão de que entrará em outro, o de 2016. Não só pelo agravamento da situação econômica, política e administrativa do país, mas pela percepção de que a doutora vive em outro mundo ou julga-se com poderes suficientes para oferecer à população uma vida de fantasias.

Ela disse:

“Em todos os anos do meu primeiro mandato, a inflação permaneceu abaixo do teto da meta e assim vai continuar.”

Segundo as últimas projeções do mercado, ela fechará 2015 acima dos 10%, longe do teto de 6,5% e a maior taxa desde 2002. O estouro da meta era pedra cantada.

“A taxa de desemprego está nos menores patamares já vivenciados na história de nosso país.”

Ótimo, para discurso de despedida. O terceiro trimestre de 2015 fechou com a taxa de desemprego em 8,9%, a maior desde 2012, quando o IBGE começou a calculá-la com uma nova metodologia. Outra pedra cantada.

“As mudanças que o país espera para os próximos quatro anos dependem muito da estabilidade e da credibilidade da economia.”

No primeiro ano de seu novo mandato, o Brasil perdeu o grau de investimento. Em janeiro havia o risco. Nos meses seguintes, o governo tornou o rebaixamento inevitável.

Com a faixa no peito, repetiu platitudes:

“Sei o quanto estou disposta a mobilizar todo o povo brasileiro nesse esforço para uma nova arrancada do nosso querido Brasil.”

“Mais que ninguém sei que o Brasil precisa voltar a crescer.”

As duas frases diziam nada, pois um país não cresce ou deixa de crescer por falta de disposição dos governantes. A disposição da doutora levou-a a uma arrancada, em marcha a ré. A economia encolheu em 2015 e encolherá de novo em 2016.

“A luta que vimos empreendendo contra a corrupção e, principalmente, contra a impunidade, ganhará ainda mais força com o pacote de medidas que me comprometi durante a campanha, e me comprometo a submeter à apreciação do Congresso Nacional ainda neste primeiro semestre.”

No segundo semestre, ela baixou a Medida Provisória 703, refrescando a vida das empreiteiras apanhadas na Lava-Jato. Favorecendo a impunidade, ela permite que as empresas voltem a receber contratos do governo sem que seja necessário admitirem “sua participação no ilícito”, como exigia a lei 12.846, assinada em agosto de 2013 por Dilma Rousseff.

Quando a doutora tomou posse, ela sabia que o “nosso querido Brasil” estava patinando, longe de uma arrancada. Não precisava ter dito o que disse.

Em outros momentos do seu discurso, fez gentilezas e promessas que devem tê-la levado ao arrependimento:

“Sei que conto com o apoio do meu querido vice-presidente Michel Temer, parceiro de todas as horas.”

Esqueça-se que “nosso lema será: Brasil, pátria educadora!”

Dilma Rousseff concluiu seu discurso com uma nota poética:

“Esta chave pode ser resumida num verso com sabor de oração: ‘O impossível se faz já; só os milagres ficam para depois’.”

Entre o impossível e o milagre, deixou de fazer o possível.*

(*) Elio Gaspari – O Globo

2016 VAI SER BOM, NÃO FOI?

Capa da ‘Economist’ alerta para queda do Brasil e prevê desastre em 2016

Segundo publicação, país enfrenta um desastre político e econômico

000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000a-queda-do-brasil

RIO — A tradicional revista britânica “The Economist” escolheu a crise no Brasil como tema de sua primeira capa de 2016. Com o título de “Queda do Brasil” e uma foto da presidente Dilma Rousseff de cabeça baixa, a capa alerta para “ano desastroso” à frente.

Em vez do clima de euforia que seria de se esperar no início de 2016 por causa da realização das Olimpíadas, aponta a revista, o Brasil enfrenta “um desastre político e econômico”.

O texto cita a perda do grau de investimento pela agência de classificação de risco Fitch Ratings e a saída do governo do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, menos de um ano após assumir o cargo. A previsão de que a economia brasileira encolha até 2,5% ou 3% no ano que vem também é citada. “Até a Rússia vai crescer mais do que isso”, destaca.

Os problemas na esfera política são outro destaque da reportagem, que lembra que o governo tem sido desacreditado por causa do escândalo de corrupção em torno da Petrobras. E que a presidente Dilma, acusada de esconder o tamanho do déficit orçamentário, enfrenta um processo de impeachmet no Congresso.

ESCOLHAS DIFÍCEIS

A “Economist” ressalta que, como o B do BRICS, o Brasil “supostamente deveria estar na vanguarda do crescimento das economias emergentes. Em vez disso, enfrenta uma turbulência política e, talvez, um retorno à inflação galopante”. Segundo a publicação, “somente escolhas difíceis podem colocar o país de volta ao curso, mas, no momento, a presidente Dilma não parece ter estômago para isso”.

A revista aponta que o “sofrimento do Brasil”, como o das demais economias emergentes, se deve em parte à queda dos preços das commodities globais. Fora isso, o déficit fiscal aumentou de 2% do PIB, em 2010, para 10%, em 2015.

OUTRAS CAPAS

Esta não é a primeira vez em que a crise brasileira aparece na “Economist”. Em fevereiro, a matéria principal da capa da revista para a América Latina também foi o Brasil. Uma passista de escola de samba usando uma fantasia com as cores da bandeira brasileira aparecia em um “atoleiro” (ou pântano) quase toda coberta por uma espécie de lodo verde.

Em setembro deste ano, a revista também teve duas reportagens sobre a crise no Brasil, embora não fossem o tema principal da capa. Com chamada de “Brasil decepciona, de novo”, duas reportagens falavam sobre a economia brasileira com cenário político desalentador. Em meio às ações da Operação Lava-Jato e à recessão confirmada pelo PIB, o país sofria com as disputas políticas entre uma presidente com apenas 8% de aprovação e um Congresso que gasta energia tentando derrubar Dilma “em vez de procurar uma maneira de remediar o orçamento”, dizia o texto da revista.

Foi a mesma “Economist” que em 2009 estampou em sua capa uma imagem do Cristo Redentor “decolando” do Corcovado, uma representação positiva do crescimento da economia brasileira na época. Em 2013, o mesmo Cristo Redentor foi mostrado em um voo “desordenado”.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/capa-da-economist-alerta-para-queda-do-brasil-preve-desastre-em-2016-18384376#ixzz3vowjQXJ9
© 1996 – 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

O GRANDE PALESTRANTE E O JAPONÊS DO MAL

PF põe fotos de Lula e de Okamotto no inquérito da Odebrecht

Documento reforça relações de ex-presidente e seu sócio na LILS Palestras e Eventos com maior empreiteira do País

FOTO E DADOS LULA

A Polícia Federal anexou aos autos do inquérito que investiga a Odebrecht, maior empreiteira do País, fotos e planilhas com dados pessoais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003/2010) e do seu sócio Paulo Tarciso Okamotto, na LILS Palestras, Eventos e Publicações – empresa que Lula criou para administrar sua rotina de contratos com empresas. A PF juntou ao documento cópia do Pedido de Compra 5318, datado de 4 de julho de 2013, emitido pela Construtora Odebrecht e tendo como ‘fornecedora’ a LILS, no valor de R$ 400 mil, para ‘apresentação de palestras’.

Os investigadores incluíram esse documento aos autos para reforçar a linha de investigação sobre as relações do ex-presidente com a Odebrecht, que está sob suspeita de ter integrado cartel para fraudar licitações bilionárias da Petrobrás no período entre 2004 e 2014 (governos Lula e Dilma). “Conforme se apurou da investigação, os representantes das empresas do Grupo Odebrecht associaram-se aos administradores de grandes empreiteiras com atuação no setor de infraestrutura para, de forma estável e permanente, com abuso do poder econômico, cometer crimes e dominar o mercado de grandes obras de engenharia civil, eliminando a concorrência”, afirma a PF.

ANALISE PAGAMENTO LILS LULA ODEBRECHT

Sobre os R$ 400 mil recebidos, a LILS recolheu a título de impostos R$ 8 mil aos cofres municipais de São Bernardo do Campo, onde fica a sede da LILS e a residência de Lula.

Em um trecho do relatório, a PF faz alusão a dado atribuído pela revista Veja, em agosto, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras – órgão de inteligência do Ministério da Fazenda – sobre movimentação de R$ 27 milhões da LILS entre abril de 2011 e maio de 2015. Desse total, R$ 10 milhões teriam como depositantes empreiteiras envolvidas na Lava Jato.
QUALIFICA LILS

DADOS E FOTO OKAMOTO

A PF não imputa nenhum ato ilícito na análise do negócio, apenas reproduz documentos apreendidos nas buscas da Lava Jato.

A Odebrecht nega envolvimento com o cartel de empreiteiras no esquema de corrupção e propinas na Petrobrás. O Instituto Lula e o ex-presidente têm negado irregularidadeS nas atividades profissionais.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

“A Odebrecht Infraestrutura reafirma que mantém uma relação institucional e transparente com o ex-presidente Lula. O ex-presidente foi convidado pela empresa para fazer palestras no Exterior, voltadas para empresários, investidores e líderes políticos sobre as potencialidades do Brasil e de suas empresas, exatamente, o que têm feito presidentes e ex-presidentes de outros países, como Estados Unidos, França e Espanha, quando promovem empresas dos seus respectivos países na busca de uma maior participação no comércio global. Como é público, o ex-presidente foi contratado para palestras por empresas dos diversos setores da economia, brasileiras e estrangeiras.”8

(*)  FAUSTO MACEDO E RICARDO BRANDT – ESTADÃO

NO VOLUME MORTO

Ano novo?

Em 2016, não será fácil ‘arrumar’ este Brasil do qual sabemos mais do que queremos

00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000AUTO_nicolielo

Chega o ano novo (do calendário) e eu me sinto mais velho do que nunca. E o nunca é uma palavra pesada por que – além de predispor quem a usa ao traiçoeiro cacófato (veja-se, o trivial e horrível “nunca ganha”) – ela se refere a um tempo sem tempo…

O fato, porém, é que o menino dentro de mim tem que segurar esses incríveis dois milênios, uma década e seis anos. E o menino é também um velho – ou um ‘jovem de idade’ como me diz um bondoso geriatra – e está tão alarmado quanto esperançoso. Já tivemos passagens mais auspiciosas e menos vexatórias.

O novo ano, que era sempre “bom”, tornou-se duvidoso. Todas as previsões econométricas e éticas dizem que ele vai ser um ano ruim. Mas como festejar um “mau ano” na virada protocolar com a qual marcamos o tempo, dividimos eras e, mais uma vez, tentamos cortar a água?

Revolvi calendários de muitas crises – suicídio de Vargas, golpe militar, ditadura, ato institucional, prisões por motivos políticos, ódios partidários irremissíveis, discussões acaloradas permeadas de bofetes, hiperinflação e roubalheiras com macumba presidencial – e eis que muitos desses supostos antigos brasileirismos estão nas nossas costas neste ambíguo e novíssimo 2016.

Posso fugir do espaço, mas não posso me evadir do tempo. E para aumentar minhas ansiedades, inauguramos um belíssimo Museu do Amanhã justo num momento em que o amanhã ensolarado do progresso, da solução de problemas recorrentes e de um Brasil mais justo, administrado com mais rigor e honestidade, sumiu de todos nós.

Em 2016, não será fácil “arrumar” este nosso Brasil do qual sabemos mais do que queremos. A retrospectiva é tenebrosa.

Jamais vi em toda a minha vida um desmanche tão grande do drama político nacional. Jamais fui espectador de tantos atores medíocres, tentando fazer o papel público que lhes cabia desempenhar e, em pleno ato, desabando pela mais completa ausência de sinceridade diante do papel. A presidente, por exemplo, não consegue acertar as falas nem quando as lê!

Não se assiste a tal desastre sem pedir de volta o dinheiro da entrada. Imagine a cena: o presidente da Câmara, sério e de olho na câmera, diz não ter conta na Suíça. Dias depois, a procuradoria suíça o desmente. O presidente nega mentira dita em tempo real. Uma lógica idêntica enquadra o presidente do Senado, o qual fala como um pároco moralista, quando se sabe que ele próprio deve explicações à República. Mas, muito pior que isso, é aguentar a recapitulação da roubalheira planejada e consentida da Petrobrás. Um roubo inédito do governo roubando a si mesmo.

E nisso vai a conta dos generosos empréstimos do BNDES ao Sr. Bumlai, amigo do peito do ex-presidente Lula, um cara que tinha entrada livre no Palácio. Um amigo de fé, mas com o qual Lula somente falava de coisas banais e impessoais. Nem futebol Bumlai discutia com Lula o qual, como informante da polícia, afirma que a Petrobrás era controlada pelo famoso “guerreiro do povo brasileiro”, José Dirceu. Herói injustamente condenado que, contudo, teve a imaginação e a capacidade para ganhar mais do que nós recebemos em todas as nossas vidas, enquanto estava mais embrulhado com a lei do que presente de Natal. Dentro em breve, porém, uma boa nova no novo ano circula que ele será indultado.

No Brasil, sempre valeu o axioma do “aos inimigos a lei; aos amigos, tudo!”. Menos, é claro, para o ex-presidente Lula, para a presidenta Dilma e para os petistas graduados. Entre eles, não cabe esse lema político que tem fabricado a história do Brasil e explicado o País mais do que a fábula da tal “revolução burguesa”. Revolução, aliás, com burguesia, mas sem os burgueses de Maupassant, Balzac e Flaubert.

Vamos entrar em 2016 com a República nos devendo muito. Sobretudo no que tange ao equilíbrio delicado entre Executivo, Legislativo e Judiciário, pois o que testemunhamos é o alto risco de um total desequilíbrio entre esses poderes. Isso para não falar da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal.

Mesmo não sendo pessimista, eu sei que devemos todos passar por um sério momento de reconstrução da honestidade e do sentido de dever neste ano de 2016. Caso contrário, morremos civicamente.

De um lado, tudo retorna, mas volta como farsa, conforme se gosta de repetir, mas como densa tragédia; do outro, tudo vai ser novo e cristalino, porque assim exigimos. E nisso está, espero, o espírito de 2016.

Feliz ano novo!

Em 2016, não será fácil ‘arrumar’ este Brasil do qual sabemos mais do que queremos. *

(*) Roberto DaMatta – Estadão

PINTANDO & BORDANDO

Fazendo o diabo, de novo

00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000AUTO_sponholz

A presidente Dilma Rousseff termina o ano de 2015 como começou, arrogante, errática e metida numa crise monumental, agora tentando escapar do impeachment sob um fogo cruzado: de um lado, a sociedade e o setor produtivo exigindo responsabilidade e ajuste das contas públicas; de outro, a pressão do PT para dobrar a aposta do primeiro mandato e priorizar uma política econômica populista em detrimento do bom senso e do desenvolvimento sustentável.

A mente e o coração de Dilma balançam entre uma coisa (botar a casa em ordem) e outra (ceder à tentação de agradar PT, CUT, MST e UNE). É aí que mora o perigo. Os sinais da presidente na reta final deste ano já tão dramático são no sentido de que, para tentar salvar o pescoço e a fidelidade dos movimentos alinhados ao PT, “faz-se o diabo”, como nas eleições.

Com a saída de Joaquim Levy, evaporou-se o último e pálido empenho de Dilma com os ajustes, a responsabilidade fiscal, a possibilidade de o Brasil recuperar a credibilidade externa e interna e se preparar para voltar a crescer em 2017. Com a chegada de Nelson Barbosa, aumentam as dúvidas sobre a capacidade de Dilma de fazer o que é preciso para tirar o País da crise.

Barbosa é um, digamos, “desenvolvimentista”, apegado à velha ideia – nunca admitida, mas praticada na “nova matriz econômica” – de que um pouquinho de inflação não faz mal a ninguém, desde que crie uma fugaz sensação de bem-estar em eleitores ou em entrevistados das pesquisas de opinião. Antes, era o “tudo pelo social”. Agora, é o “tudo pela popularidade periclitante de Dilma”.

Até um ato burocrático de ontem reforça emblematicamente essa opção de Dilma: a sanção de uma lei do Congresso que alterou de 50 para 10 anos o prazo desde a morte para a inclusão de brasileiros no Livro dos Heróis da Pátria. A medida tem um único intuito: transformar Leonel Brizola em “Herói da Pátria”.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União nos estertores de 2015, tem simbologia, porque relembra a todos que Dilma foi do PDT e só o trocou pelo PT em 2001, às vésperas da primeira eleição de Lula para a Presidência. E que ela mudou de partido, mas manteve sua alma brizolista.

O que significa? O brizolismo foi construído em cima de quatro pilares: o combate à ditadura militar, de fato heroico; o caudilhismo; o velho “nacionalismo” que achava bacana fechar as portas aos investimentos e avanços internacionais; e o “estatismo”, pelo qual as canetadas do Estado seriam mais benéficas ao País do que a força e as potencialidades da parceria do setor privado com a sociedade.

Dilma é isto: foi uma guerreira contra a ditadura, tem uma alma mandona e é uma “nacionalista” às antigas e uma estatizante capaz de desestruturar o setor elétrico e de segurar artificialmente as tarifas públicas pela convicção de estar praticando o “bem”, o “justo”, “o que é melhor para o povo”.

Dilma e Levy eram como água e vinho, que nunca se misturam. Mas Dilma e Barbosa têm tudo a ver. E foi a aliança ideológica e de princípios econômicos entre eles que deu no que deu em 2015. Dilma pode querer dobrar a aposta, mas deve saber o quanto será perigoso, para o País e para ela, trocar a estabilidade e o futuro por um efêmero apoio do PT e de seus aliados. Eles nunca serão PDT, como Dilma nunca será PT.

Sucesso. Parabéns ao Estado, que brilhou em 2015 com a farra do Fies, as pedaladas da Dilma, a compra das MPs do setor automotivo, o envolvimento do caçula de Lula com lobista dessas MPs, o rombo do Postalis, o especial da Amazônia, a melhor foto do ano (de Dida Sampaio), a microcefalia e o zika vírus, entre tantas outras.*

(*) Eliane Cantanhede – Estaadão

INFELIZMENTE…

Feliz ano velho

0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000AUTO_sponholz

Peço emprestado a Marcelo Rubens Paiva o título, perfeito para definir o ano que se inicia depois de amanhã. Poderia até ensejar otimismo, considerando a produção de tantas e tão más notícias em 2015. Em tese, 2016 ofereceria ao Brasil a única opção de melhorar.

O ano novo, no entanto, nasce velho. A começar pela repetição da cantilena oca de um governo cujo encerramento do ano é pautado pelo canto de vitórias que nada projetam além da coleção de novas derrotas.

A reunião do ministro Nelson Barbosa com os governadores chamados a Brasília para discutir uma agenda de superação da crise econômica foi um exemplo da distância entre as intenções e os gestos. Ninguém esteve ali para “unir esforços”, muito menos para montar uma impossível “agenda conjunta”. Se conjugação há, é a de carências mútuas.

Os objetivos são divergentes, quando não excludentes. Os governadores querem do governo federal socorro financeiro e o governo federal quer dos governadores apoio político, sendo que nenhuma das duas partes está em condições de atender a essas demandas.

A União mal se sustenta nas próprias pernas. Enfrenta recessão, inflação, perda de grau de investimento, queda na arrecadação, necessidade imperativa de cortar gastos, uma dívida das “pedaladas” a ser quitada e toda sorte de dificuldades decorrentes do modo de pensar e de agir dos mesmos que agora prometem “com o tempo dar um jeito”, para usar palavras do ministro da Fazenda.

Nelson Barbosa, aliás, não parece ter entrado na reunião realmente disposto a discutir soluções, vez que diante dos pedidos lembrou aos governadores que estava no comando da Fazenda “há apenas sete dias”. Qual, então, a finalidade do encontro? Produzir uma foto e criar um factoide a fim de simular um apoio político que o Planalto não tem nem poderá obter dos governadores mergulhados em suas respectivas crises e sem controle sobre as bancadas no Congresso.

Não podem mudar a posição de parlamentares dispostos a apoiar o impeachment nem podem convencer o Parlamento a aprovar a CPMF ou tornar exequível a aprovação da reforma da Previdência. Muito menos em ano de eleição. A mensagem de fim de ano do PT, veiculada no início da semana, é prova disso quando prega uma mudança na política econômica defendendo o impossível na atual conjuntura: expansão de crédito, criação de empregos, juros baixos, investimentos do BNDES.

Com isso o partido está tentando criar uma rede de proteção junto ao eleitorado, a fim de reduzir os danos previstos nas eleições de prefeitos e vereadores nas capitais e grandes cidades, onde o voto de opinião tem peso e o debate tende a se direcionar para temas nacionais. Se for realmente tentar segurar a peteca desse modo, o PT não apoiará o governo. Diante disso os outros aliados não encontrarão razões para embarcar no sacrifício.

O PT pede “ousadia” ao governo de maneira tão ousada quanto inviável, tentando enquadrar a realidade aos seus desejos. Assim como fez a presidente Dilma no início do segundo mandato, quando prometeu correções que não cumpriu. Parte delas dependia do Congresso, mas o Executivo tampouco fez a sua parte: não reduziu ministérios conforme anunciou, economizou menos de 10% do que prometeu e deixou a extinção de milhares de cargos em comissão para as calendas.

Nesse cenário, os ministros da Justiça e da Casa Civil apresentam suas alegações finais na forma de entrevistas declarando que o perigo do impeachment passou e que a crise política serenou. Qualquer semelhança com o sujeito que despenca do 20.º andar e na altura do 12.º avisa que “até aqui tudo bem” não é mera coincidência.*

(*) Dora Kramer – Estadão

QUER SABER?

Déficit recorde: como você paga, na prática, o rombo do governo

Os quase R$ 40 bilhões de perdas acumulados pelo governo até novembro chegam, cedo ou tarde, no seu bolso

00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000help

SÃO PAULO – O Banco Central informou, nesta terça-feira (29), que o déficit primário do setor público alcançou o recorde de R$ 19,6 bilhões em novembro. No acumulado do ano, o rombo chega a quase R$ 40 bilhões. A conta refere-se às perdas da União, estatais, Estados e municípios. Se você pensa que isso é apenas um assunto para engravatados de Brasília e tubarões do mercado financeiro, prepare-se: direta ou indiretamente, você já banca parte desse prejuízo – e a outra parte vai chegar no seu bolso.

Há apenas duas formas de o governo, qualquer governo, se sustentar: cobrando impostos ou pedindo dinheiro emprestado; e você é afetado por ambas. Lembre-se de que 2015, que está às vésperas de partir, começou com o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciando o aumento das alíquotas de PIS/Cofins e da Cide sobre os combustíveis. Na época, o objetivo era arrecadar R$ 20 bilhões, diante da meta (agora utópica) de gerar um superávit primário de 1,2% neste ano. Na ocasião, Levy também anunciou o aumento de PIS/Cofins para produtos importados, a alta do IPI para os atacadistas de cosméticos e a elevação do IOF para créditos a pessoas físicas.

– Espresso Financista: receba grátis a newsletter que tem tudo para você ficar bem informado

Na prática, isso significa que os brasileiros passaram 2015 pagando mais impostos e, ainda assim, a conta não fechou. O motivo é simples: a arrecadação total despencou, diante da recessão. Mas isso não quer dizer que o governo desistiu da ideia: 2016 já começará com várias tungadas no seu bolso. É verdade que, desta vez, os responsáveis serão os Estados, e não o governo federal. Basicamente, os Estados se sustentam com repasses da União e com o recolhimento do ICMS. A crise econômica derrubou a arrecadação do imposto e, ao mesmo tempo, freou os recursos transferidos pelo governo central.

Alguns Estados praticamente pararam nos últimos meses, como o Rio Grande do Sul, Alagoas e Rio de Janeiro. Por isso, pelo menos 15 governadores já determinaram aumentos de impostos para o ano que vem – de IPVA a ITCD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, o imposto da herança), passando por um ICMS mais alto na conta de luz. Outras medidas também são avaliadas. Uma que promete causar polêmica é a que determina que os planos de saúde reembolsem o Estado — e não a União — por beneficiários que usarem o SUS (Sistema Único de Saúde). A razão é que, no limite, os planos repassarão aos clientes os custos com a nova exigência.

A presidente Dilma Rousseff também prepara uma garfada federal: o brasileiro tem tudo para terminar 2016 revendo uma velha conhecida, da qual julgava ter se livrado – a CPMF. O Planalto conta com ela para angariar R$ 10 bilhões no próximo ano. A alternativa seria elevar novamente a Cide sobre os combustíveis. Traduzindo: não há como escapar de um aumento de impostos estaduais e federais nos próximos meses. Isso, sem contar os municipais. Lembre-se de que o início do ano é marcado, também, pelo envio dos boletos de IPTU – principal tributo municipal. E os prefeitos das maiores cidades brasileiras também fazem cálculos para fechar o orçamento.

Na conta do Abreu

Outro modo clássico de um governo, qualquer governo, se sustentar é pegando dinheiro emprestado. Neste caso, a dívida é concentrada na União, já que Estados e municípios não podem emitir títulos próprios de dívida. Mas não é preciso ser um banqueiro para ser afetado por isso. Você paga a conta de algumas formas. A primeira é que você recebe serviços públicos de má qualidade, embora a carga tributária brasileira seja equivalente à de muitos países desenvolvidos. Essa diferença não vem apenas da má gestão dos recursos, mas também da necessidade de o governo economizar para pagar os juros e as dívidas que fez, por desequilibrar as contas.

É a famosa necessidade de gerar um superávit primário – aquela economia da qual saem os recursos para pagar os credores. Não é, necessariamente, errado que um governo se endivide. O que os especialistas em contas públicas criticam é a má qualidade dos gastos dos vários níveis de governo no Brasil. Uma coisa é pegar dinheiro emprestado para investir em educação, saúde, energia, portos, segurança. Outra coisa bem diferente é usar os recursos para manter uma máquina pública inchada e ineficiente, cujo principal gasto é a folha de pagamento. E adivinhe para onde vai a maior parte do dinheiro que o governo brasileiro toma emprestado.

E aí entra outra forma como você cobre o déficit público: pagando juros muito altos nos seus financiamentos. Para compensar a fama de gastador, o governo oferece aos credores juros altos – hoje, em 14,25% ao ano. Na prática, ele estabelece um piso para qualquer operação de crédito feita no país. Afinal, por que o credor se contentaria em cobrar juros menores de você, se ele pode ganhar dois dígitos financiando um governo que teima em desequilibrar as contas, e já corre o risco de fechar 2016 com um novo rombo, se não aprovar a CPMF, nem obter receitas extras com concessões públicas? Prepare-se: as contas continuarão chegando no ano que vem… as suas, e a do governo.*

(*)  O Financista

INCOMPETÊNCIA, CORRUPÇÃO & PAROLAGEM

Além da saúde, crise financeira no RJ atinge outros setores

Educação, segurança pública e assistência social são outras áreas da administração do governador Luiz Fernando Pezão que foram afetadas pela falta de recursos

000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000cartilha-do-cabral

A crise financeira do Estado do Rio de Janeiro, que paralisou emergências hospitalares nas últimas semanas, atinge mais setores da administração do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Na educação, que acumula 285 milhões de reais em dívidas, os professores ameaçam não iniciar o ano letivo se os salários e os décimos terceiros não estiverem em dia. Na saúde, além dos hospitais, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estão afetadas. Já na segurança pública, a comida dos presos perdeu qualidade e o Programa Disque Denúncia corre o risco de parar.

“Sem o pagamento de salários, o ano não começa”, alertou Marta Moraes, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino. Segundo ela, as escolas da rede estadual tiveram um fim de ano “caótico”. “Faltou de material pedagógico a comida. Com limpeza irregular, as escolas ficaram sujas. Terminamos o ano em total caos”, afirmou.

merenda começou a faltar no fim de novembro. Saíram do cardápio arroz, feijão, proteína e salada. A refeição das crianças foi biscoito, bolo e refresco – itens mais baratos. Com o atraso salarial de empregados terceirizados, a limpeza ficou restrita a três dias na semana. Os professores se queixam ainda do parcelamento do 13º e da mudança no cronograma de pagamento dos salários, que podem ser depositados até o sétimo dia útil. “Na prática, vamos receber no dia 10, 12, enquanto as contas vencem no dia 2. Quem vai arcar com os juros?”, questionou a sindicalista.

A Secretaria de Educação informou que, por causa da “baixa arrecadação do Estado” teve de “trabalhar com recursos mais limitados, o que gerou a necessidade de realizar um replanejamento financeiro, com o objetivo de garantir os serviços educacionais”.

A comida também rende queixas dos agentes do Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas (Degase), responsável por adolescentes infratores. A refeição não é mais feita na cozinha da unidade por causa do atraso no pagamento de fornecedores. “Todos estão recebendo comida fria, muitas vezes com odor já desagradável. Ninguém sabe quando foi feita. Não tem variedade. Quase todo dia é carne moída”, disse o presidente do sindicato da categoria, João Luiz Rodrigues.

De acordo com levantamento dos débitos do Estado, feito pelo deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) no Sistema de Informações Gerenciais da Secretaria de Estado de Fazenda, o governo deve 11,6 milhões de reais aos fornecedoras de alimentação ao Degase. Comida inadequada é “sempre foco de tensão”, afirma Rodrigues. “O risco de rebelião aumenta. O verão é o período mais tenso por causa do calor e da superlotação, que nessa época do ano chega ao triplo do ideal.” O Degase informou que foram liberados cerca de 10 milhões de reais para a alimentação dos internos.

O problema já afeta a alimentação dos presos adultos. O Estado não pagou 88,7 milhões de reais para os fornecedores de refeições em presídios. Assim, o cardápio do ex-banqueiro André Esteves, que esteve preso em Bangu 8 este mês, variou pouco. Ele os demais presos comiam ou salsicha ou moela.

UPAs – No caso das UPAs, que atuam em casos de complexidade intermediária, os problemas são diários. Na que funciona no bairro Colubandê, em São Gonçalo, na região metropolitana, os vigilantes estão em greve desde o último domingo por falta de salário. A Polícia Militar deslocou uma patrulha para ficar 24 horas no local. Mais quatro UPAs na região metropolitana (Bangu, Santa Cruz, Itaboraí e Duque de Caxias) estão com restrições no atendimento pediátrico.

Só procedimentos de baixa complexidade têm sido realizados na UPA. Com hérnia umbilical, a professora Dulceléa Martins, de 49 anos, penou para ser atendida. Ela esteve no Hospital Alberto Torres (São Gonçalo), onde foi orientada a ir à UPA. Mas os médicos a devolveram ao hospital, com a alegação de que hérnia é problema complexo. “Só quero ser atendida, mas cada um empurra a responsabilidade para o outro”, criticou. A Secretaria Estadual de Saúde informou que o hospital e as UPAs funcionam normalmente.

Na Secretaria de Segurança, onde a dívida do governo com fornecedores já chega a 231 milhões de reais, a crise afeta programas como o Disque-Denúncia. Segundo o coordenador Zeca Borges, o governo deixou de repassar 1,2 milhão de reais ao projeto este ano. O atendimento ao cidadão, realizado 24 horas, deixará de funcionar na madrugada, aos domingos e feriados, possivelmente a partir de janeiro. “Já estava negociando contratos e agora vamos simplesmente deixar de fazê-lo.”

Na área da assistência social, há 24.8 milhões de reais de dívidas em projetos de alimentação saudável e 10,7 milhões de reais em programas de proteção a crianças e adolescentes. Por nota, a Secretaria de Assistência Social respondeu que trabalha com a Fazenda “para realizar o pagamento o mais breve possível” e que nenhum serviços foi interrompido.*

(*) Veja.com