COM CHEIRO DE NAFTALINA

O Feliz Ano Velho de Dilma

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A presidente Dilma Rousseff desejou um Feliz Ano Novo aos brasileiros num artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, no qual afirma “estar convicta da capacidade do país de chegar ao fim de 2016 melhor do que indicam as previsões atuais”. Mas qual a base para esse extemporâneo sentimento alentador? Dilma responde: “A principal característica das crises econômicas do Brasil, desde os anos 1950, é uma combinação entre crise externa e crise fiscal”. É a velha ladainha repetida pela presidente e por seus satélites que consiste em responsabilizar o cenário externo ou seus adversários pelas próprias escolhas teimosas que deram errado. É fato que a autocrítica nunca foi uma virtude de Dilma. Mas, ao evocar o “contexto histórico” e apontar o dedo para os vizinhos, a presidente tenta disfarçar suas responsabilidades pelos desarranjos fiscais do Estado e pela equivocada “nova matriz econômica” – a jogada de marketing do petismo quando a onda era a favor para flexibilizar o tripé econômico (câmbio flutuante, superávit fiscal e meta de inflação). Sobre inflação, aliás, Dilma arrisca um prognóstico perigoso: “Ela cairá em 2016, como demonstram as expectativas dos próprios agentes econômicos”. Em 2014, a então candidata à reeleição também assegurou que a inflação não voltaria a assombrar a vida dos brasileiros, como demonstravam as expectativas dos agentes econômicos. Deu errado.

Não é a única frase do artigo que traz à memória palavras ao vento dos tempos de campanha eleitoral: Dilma afirma que “o investimento direto estrangeiro demonstra confiança dos investidores”, mas se esquece de dizer que as principais agências de classificação de risco rebaixaram a nota de crédito do Brasil no último trimestre. A petista se autocongratula pela reforma administrativa, ainda que não tenha coragem de enxugar a máquina e cortar gastos para não desagradar políticos aliados.

A despeito da nau sem rumo da economia e dos inexplicáveis autoelogios em dias difíceis, o texto termina com uma frase honesta, mas que, infelizmente, jamais foi obedecida por quem mais deveria: o partido da presidente da República: “O Brasil é maior do que os interesses individuais e de grupos”.*

(*) Silvio Navarro, de São Paulo, Veja.com

LADEIRA ABAIXO

Vale a pena ler de novo: Os problemas que ameaçam arrastar ladeira a baixo o governo Dilma 2 (01/01/2015)

2015 chegou com pelo menos três graves problemas a serem enfrentados pelo governo Dilma 2. Um deles deverá nos atingir diretamente no bolso. Portanto, comecemos por esse.

A política econômica do governo Dilma1 foi um desastre para o país – e uma maravilha para reeleger Dilma.

Em 2014, a presidente passou batida pela maioria das medidas que, uma vez tomadas, talvez lhe custasse o segundo mandato.

A política econômica do governo Dilma 2 está destinada a pôr ordem nas contas públicas  – e a desarranjar as contas particulares de muita gente.

Domar a inflação e fazer o país voltar a crescer de forma sustentável – eis o complicado desafio a ser vencido ou não pelo governo Dilma 2.

Faça-se o mal de início e com todo o vigor para ao cabo se fazer o bem aos poucos. A receita servirá para pavimentar o caminho de retorno de Lula em 201.

Os outros dois problemas graves que o novo governo Dilma terá pela frente: o que fazer para recuperar a Petrobras? Como lidar com os políticos citados no escândalo da roubalheira na Petrobras?

A Petrobras perdeu em 2014 40% do seu valor. A empresa com mais de 80 mil funcionários deixou de ser o orgulho dos brasileiros.

Não seria tão complicado assim reabilitá-la. Primeiro, Dilma deveria substituir toda a sua diretoria – da presidente Graça Foster até o mais desimportante dos gerentes.

Segundo, anunciar o fim do loteamento político dos cargos da empresa. Terceiro, escalar para comandar a empresa uma equipe de técnicos reconhecidamente capazes.

O que impede que Dilma proceda assim? Ela mesma e sua fidelidade eterna à amiga Graça.

O último dos três mais graves problemas a marcarem o início do Dilma2: os políticos que se beneficiaram da corrupção na Petrobras. Como o governo deverá agir em relação a eles?

Dê-se de barato que a quase totalidade desses políticos faz parte da base de apoio do governo dentro do Congresso e fora dele. Eles esperam que Dilma seja capaz de socorrê-los, mantida a devida discrição.

Aqui mora o perigo: se o distinto público se convencer da cumplicidade do governo com esses políticos em apuros, o Dilma 2 correrá o perigo de ser arrastado pelo escândalo ladeira a baixo. E aí adeus ao Lula3.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

SAÕ MUITOS OS “GOLPISTAS”…

Me dê motivo

São mais de dois terços dos brasileiros, cerca de 130 milhões de cidadãos, que querem o impeachment, enquanto pouco menos de um terço é contra

 

Impeachment (Foto: Arquivo Google)

Os números do Ibope são contundentes: 67% dos brasileiros querem o impeachment de Dilma. Não sabem bem por qual motivo, mas querem vê-la fora do governo. Lula chegou até a culpar o machismo pela impopularidade da presidenta, mas são justamente as mulheres, 70%, contra 65% dos homens, que mais desejam o seu afastamento.

Entre os jovens de 16 a 24 anos, são 75% que querem Dilma longe do palácio. E pior: entre os pobres, que ganham até um salário-mínimo, tradicional clientela eleitoral petista, 68% apoiam o impeachment. Mais até do que os ricos, que ganham acima de cinco salários: só 66% deles são pró-impeachment.

São mais de dois terços dos brasileiros, cerca de 130 milhões de cidadãos, que querem o impeachment, enquanto pouco menos de um terço é contra. Uma maioria avassaladora e qualificada, que, se representada no Congresso, tem poder até para mudar a Constituição.

Com as mesmas intolerância e radicalismo que agora o atingem, o PT pediu o impeachment de Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique no Congresso. Perdeu os três, e acabou contribuindo para os adversários ganharem uma sobrevida e se fortalecerem na reafirmação de sua legitimidade.

É o melhor que pode acontecer a Dilma. Ser processada pelo Congresso e absolvida por uma maioria, que não garante apoio a seu governo e a faz refém dos seus salvadores. E continuará ladeira abaixo como um Sarney sem jaquetão. Sarney fez o diabo para conseguir cinco anos de mandato e ganhou o quê? Mais 365 dias para ser desmoralizado, humilhado, desprezado e execrado.

Todos já sabem que os maiores beneficiários de um improvável impeachment seriam Lula e o PT, que se livrariam de Dilma, passariam à oposição como vítimas de um golpe “da direita”, e iriam até 2018 gritando contra a crise que deixaram e prometendo redenção.

Muita gente é contra o impeachment, não por amor a Dilma, mas pelos mesmos motivos de Fernanda Torres: “porque livrará o PT da responsabilidade pela atual crise e, só atravessando a fase aguda da infecção, com todos os envolvidos presentes, ganharemos imunidade contra o populismo de esquerda e o oportunismo de direita.”

Nelson Motta é jornalista – O Globo

FELIZ ANO VELHO

Novas e velhas calamidades

Brasil palhaço (Foto: Arquivo Google)

Em mais um capítulo de sua luta tenaz contra a aritmética e a racionalidade econômica, o PT espera que o novo ministro da Economia, Nelson Barbosa, cumpra o seu dever, jogue o ajuste fiscal no lixo, faça respiração boca-a-boca nos números estragados, e leve o País ao milagre da ressurreição do crescimento.

Barbosa foi incitado pelo presidente do PT, Ruy Falcão, a adotar políticas “criativas” de crescimento e foi terminantemente proibido pelo chefão do MST, Joao Pedro Stédile, de provocar uma só demissão a mais. O MST, avisou Stédile, do alto de sua onipotência, simplesmente “não tolerará” mais demissões.

Sabe-se que Barbosa foi ungido para o cargo no lugar do “Chicago Boy” Joaquim Levy para dar uma reviravolta de 180 graus na política econômica e tirar de cena esse papo chato de ajuste fiscal para entronizar outra vez a “nova matriz macroeconômica” que foi exatamente a rota que o governo percorreu para chegar à ruinosa situação atual.

Ao assumir, em suas primeiras declarações e entrevistas à imprensa, entretanto, Nelson Barbosa colocou o pé no freio do entusiasmo partidário. Ele disse que a prioridade do governo agora é atacar o rombo das contas públicas, porque sem isso não haverá nem crescimento sustentável, nem controle da inflação e nem aumento do emprego.

Pronto, saiu o “neoliberal” Joaquim Levy e ele foi substituído por uma cria do PT, que em vez de pegar a batuta e reger a nova sinfonia do crescimento, repetiu a mesma cantilena do seu antecessor, que saiu sem conseguir fazer nada do que pretendia e ainda acabou levando a culpa pelas irresponsabilidades dos que o antecederam.

Um cenário esquizofrênico que se repete, desde que o governo petista abandonou a política ortodoxa de Antônio Palocci, e que a atual presidente se recusou a aceitar um plano de ajuste fiscal feito por ele e que ela chamou de “rudimentar”.

E o velho axioma de Milton Friedman, segundo o qual “não existe almoço grátis”, continua soando como anátema aos ouvidos das novas e velhas esquerdas, que nunca conseguiram extrair do seu pensamento mágico um antídoto para essa mesquinha e pétrea verdade universal.

Os petistas profissionais e amadores das redes sociais e de alguns setores da imprensa, se esforçam para espantar a crise da maneira mais panglossiana que conseguem: negando-a. Se as praias estão cheias no verão, se os hotéis estão lotados, se as pessoas continuam saindo de férias e se os aviões de carreira continuam voando, onde está a crise?

Os números, que insistem em manter o país em recessão durante dois anos seguidos, são evidentemente uma manipulação da imprensa, dos banqueiros, dos reacionários, dos coxinhas, dos imperialistas e dos que não gostam de viajar ao lado de pobres no avião.

O desemprego aumenta, a inflação está fugindo do controle, as contas públicas estão desarrumadas, os juros vão subir mais um pouco, mas o governo não tem nada com isso. A culpa é da falta de colaboração da oposição, que torce contra o país e não se conforma com o fato que o PT tenha tirado tantas pessoas da miséria (para a qual, aliás, as está devolvendo – mas isso não vem ao caso).

Existe uma luta sem trégua entre a narrativa forjada pelo PT e a realidade. Poderemos, segundo cálculos da revista The Economist, chegar ao final de 2016 com uma renda per capita 20% inferior à de 2010, quando ela atingiu o seu valor mais elevado.

“Agora- diz a revista – a presidente Dilma Rousseff, sucessora a quem Lula escolheu a dedo, comanda um elenco de calamidades sem precedentes”.

Quantas calamidades sobraram para 2016?*

(*) Sandro Vaia, jornalista, no blog do Noblat

POBRE BRASIL…

O que faltou, e falta, é educação

Alegria na Escola (Foto: Arquivo Google)

Lula disse em Madrid ao jornal El País, (11 de dezembro), “Eu sei que isto não agrada aos portugueses, mas Cristóvão Colombo chegou a Santo Domingo [atual República Dominicana] em 1492 e, em 1507, já ali tinha sido criada a Universidade. No Peru, em 1550, na Bolívia em 1624. No Brasil, a primeira universidade surgiu apenas em 1922”.

Há quem se surpreenda com a reação indignada de alguns jornais portugueses. Ora, o sujeito vai à Península Ibérica e resolve agredir Portugal. E, por tabela, o Brasil. Somos ignorantes e atrasados? Ou melhor, burros? A culpa, é claro, é dos portugueses…

Não concordo, em absoluto, com o que Lula disse, aliás, não acho que ele deva falar sobre tema do qual ele está mais distante que nós de Marte.

Nós nos tornamos independentes de Portugal em 1822. Falta muito pouco para comemorarmos os 200 anos da Independência. Quer valer quanto como Lula achou que esse assunto, explosivo, era ótimo para afastar a cabeça dos jornalistas em Madrid do que realmente interessa agora? O petrolão estruturado durante os governos Lula e Dilma e o horror em que está o Brasil, sem Saúde, sem Educação, e à beira de um poço sem fundo?

Colocar em Portugal a culpa pelo nosso atraso intelectual era o melhor que ele fazia para que ninguém lhe fizesse perguntas incômodas sobre impeachment e Lava-Jato, foi o que pensou. E deu certo!

Lula se gaba de ter fundado mais universidades do que qualquer outro presidente. Essa obsessão por universidades, por títulos de Doutor, é típica de quem não estudou e acha que passar pelos portões de uma Universidade é chegar ao Arco-Íris.

Não é. Se assim fosse, dada a quantidade de universidades erguidas pelo PT, o Brasil estaria no topo do IDH do Mundo. Não está. Universidades são o coroamento de uma longa educação que começa em casa e passa por creches, jardins de infância, ensino básico e ensino fundamental, o alicerce da Educação.

Mais do que Instrução, o que nos falta é Educação. No mais amplo sentido.

Copio aqui, e deixo como presente de Fim de Ano para os leitores do Blog do Noblat, um pequeno trecho assinado por José Saramago, intitulado ‘Lições de vida’:

“A educação preocupa-me muitíssimo, sobretudo porque é um problema muito evidente, claro e transparente e ninguém faz nada a este respeito. Confundiu-se a instrução com a educação durante muitos anos e agora estamos a pagar as consequências. Instruir é transmitir dados e conhecimentos. Educar é outra coisa, é transmitir valores […] Se, para ser educado, tivesse que ter sido instruído previamente, eu seria uma das criaturas mais ignorantes do mundo. Os meus familiares eram analfabetos, como me iriam instruir? É impossível. Mas sim, educaram-me, sim, transmitiram-me os valores básicos e fundamentais. Vivia numa casa paupérrima e saí dali educado. Milagre? Não, não há nenhum milagre. Aprendi a vida e a lição dos mais velhos quando nem eles mesmos sabiam que me estavam a dar lições”. 4 de Fevereiro de 2007. In José Saramago nas Suas Palavras

Os valores básicos e fundamentais são transmitidos como? Pelo exemplo, não é? Em casa, de nossos mais velhos. Na rua, de nossos governantes.

O que esta inacreditável Pátria Educadora não percebeu é isso: a importância do exemplo.

E como os exemplos que temos recebido são os piores possíveis, o que fazer para que esta Pátria Revoltada transforme-se numa Pátria Educada?

Mais universidades?  Ou mais ensino básico, a começar pelas creches?  E escolas para onde as crianças se dirijam alegres, cientes de que lá serão tratadas com amor, respeito e cuidado?

Se nos fosse dada uma varinha de condão, o que você faria neste 1º de janeiro de 2016?

Já pensou nisso?

Que os brasileiros tenham um Novo Ano melhor que o que ontem se encerrou, são meus votos.*

(*) Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, professora e tradutora, no blog do Noblat

VAMOS PASSAR O PAÍS A LIMPO

Vem aí o ano da Lava Jato

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Não se trata de premonição nem de desejo: 2016 será o ano da Lava Jato. Pelos prazos processuais, investigações em curso e a atuação de Moro, que não se enquadra no figurino do procrastinador, essa operação mãos limpas “tupiniquim” ditará o rumo do Brasil.

A esse caldo de bruxaria se junta o desastre econômico previsto por dez a cada dez analistas de economia em todo o mundo. A perspectiva de um novo annus horribilis é decorrente da continuidade de décadas – e intensificada nos últimos anos – de populismo, clientelismo, aparelhamento estatal e estado inchado e inoperante.

O que vemos hoje é uma Dilma abandonada em seu labirinto. As forças da esquerda que dizem apoiá-la já preparam o desembarque. A CUT ameaça o governo caso este não siga a cartilha nacionalista-populista que insiste em ter como bandeira. O PT divulga notas oficiais mais ácidas que as da oposição e debita a Dilma e Levy o desastre que nasceu com Lula.

É questão de tempo e oportunidade. O PMDB já está fora. O PT não quer ser o último a apagar a luz, nem a carpideira do velório com data marcada. Enquanto isso, Dilma tenta manter-se à tona, pagando, com nossos impostos, o preço exorbitante para continuar a ocupar a poltrona que  prometeu a seu criador ocupar por somente 4 anos.

Além do naufrágio ecônomo,  um vetor não está sob o controle do lulopetismo: a Lava Jato. Barroso, o escabroso, mostrou a que veio ao assumir o comando da tropa de choque dos “ministros de defesa”, mesmo que, para tanto, precise ocultar trechos de leis e mentir sobre o que está nos códigos e na Constituição do Brasil. O Legislativo aguarda a abertura do caixa para sacar o preço de eventuais apoios. Os estados da Federação são reféns de uma atuação econômica que é exemplo do que nunca deveria ser feito. Sérgio Moro, o Ministério Público e a Polícia Federal não são reféns de ninguém. Não precisam ser.

Aguardemos 2016 e os inquéritos e processos em curso, mesmo os que foram retirados das mãos de Moro e se encontram no ritmo desejado pelo governo, ou seja, parados. Não será assim sempre. Em 2016 seremos todos japoneses. E estaremos batendo nas portas dos bandidos já identificados às seis horas da manhã.*

(*) REYNALDO ROCHA – NO BLOG DO AUGUSTO NUNES