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Reapareceu ‘Silvinho’, um personagem do mensalão

“Silvinho” não era um petista qualquer. A primeira sede do partido, em Osasco, funcionou nos fundos da lanchonete Cebolinha, de sua família

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A defesa do comissário José Dirceu soltou uma informação de aparência banal: quem nomeou Renato Duque para uma diretoria da Petrobras não foi ele, mas Silvio Pereira, o “Silvinho”, secretário-geral do PT até 2005. No seu depoimento de sexta-feira Dirceu limitou-se a dizer que não indicou Duque, sem citar “Silvinho”.

“Silvinho” não era um petista qualquer. A primeira sede do partido, em Osasco, funcionou nos fundos da lanchonete Cebolinha, de sua família. Em 2003, ele coordenava a distribuição de cargos para o partido, com a ajuda de 130 cadernos e blocos. É plausível que o nome de Duque tenha passado por “Silvinho”.

Nessa época, o PT ajudava a manutenção de alguns de seus quadros do novo governo. Nada a ver com a máquina distributivista do mensalão, cuidava-se apenas do Executivo. Uma pessoa que viu um dos cadernos de “Silvinho” chamou-o de “gibi”.

Em 2005, quando a palavra “mensalão” entrou no léxico nacional, Silvio Pereira formou com José Dirceu e o tesoureiro Delúbio Soares a trindade do poder petista acusado de corrupção. Ele submergiu, mas meses depois a empresa de engenharia GDK, fornecedora da Petrobras, reconheceu ter dado a “Silvinho” um jipe Land Rover. (Ele devolveu o carro; quanto à GDK, conseguiu 19 novos contratos com a Petrobras e reapareceu dez anos depois na Lava-Jato.)

“Silvinho” deixou o partido e, em 2008, fez um acordo com a Procuradoria-Geral da República, aceitando cumprir 750 horas de serviços comunitários. José Dirceu e Delúbio não fizeram acordo, um tomou uma sentença de dez anos e o outro, de seis.

Paga a conta, “Silvinho” voltou para Osasco, fez um curso de gastronomia e voltou ao restaurante da família, o Tia Lela, localizado em frente à prefeitura.

Apesar de Silvinho ter dito que “há cem Marcos Valérios atrás do Marcos Valério”, as investigações do mensalão deram pouca importância à conexão Petrobras e sua rede de fornecedores. Veio a Lava-Jato e deu no que deu. É possível que o Ministério Público se interesse em ouvir de novo Marcos Valério. O sinal dado pela defesa de Dirceu sugere que talvez valha a pena conversar com Silvio Pereira.

Elio Gaspari é jornalista – O Globo

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