É PRA BREVE

A prisão de Lula

O time vestiu o uniforme, calçou as chuteiras e quer entrar em campo para buscar a prisão de Lula

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Quem conhece os movimentos da Operação Lava-Jato assegura:

O time vestiu o uniforme, calçou as chuteiras e quer entrar em campo para buscar a prisão de Lula.

Para que isso aconteça são necessárias algumas condições:

1ª – Que o juiz Sérgio Moro aceite o pedido.

2ª – Que a acusação tenha força suficiente para não ser derrubada no Superior Tribunal de Justiça. Isso, entendendo-se que se Moro conceder o pedido é improvável que a medida seja revogada no Tribunal Federal da 4ª Região.

3ª – Ultrapassados esses dois obstáculos, restará um julgamento no Supremo Tribunal.

Ninguém pode saber qual será o desfecho de cada uma dessas situações. De qualquer forma, fica uma certeza: a infantaria da Lava-Jato jogaria numa só mão de carta todas as fichas que acumulou ao logo de dois anos de trabalho. Ganhando, quebra a banca. Perdendo, fica sem uma perna.

Quando a Polícia Federal informou que “o possível envolvimento do ex-presidente da República em práticas criminosas deve ser tratado com parcimônia”, estava dizendo mais que isso. Afinal, se o problema fosse de parcimônia, não precisava ter dito nada.*

(*) Elio Gaspari é jornalista – O GLOBO

O INCORRIGÍVEL MALACO

Lula faz da festa do PT um palco de molecagens

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A festa de 36 anos do PT foi um fracasso.

O partido alugou, no Rio, um espaço onde caberiam quatro mil pessoas bem acomodadas.

No seu melhor momento, a festa, animada pelo cantor Diogo Nogueira e a bateria da escola de samba Portela, só atraiu 1.500 pessoas, se tanto.

O PT esperava, pelo menos, três mil pessoas.

A assessoria de Diogo fez questão de informar que ele não tem vínculo com o PT. Para ele, o show foi como outro show qualquer.

Com medo de vaias, a presidente Dilma preferiu manter-se à distância. Estendeu sua visita oficial ao Chile.

Ouviu-se os gritos de sempre. A saber: “Dirceu/guerreiro/do povo brasileiro” – uma alusão ao ex-ministro José Dirceu, condenado pelo mensalão e preso novamente na Operação Lava Jato.

Também:  “Não vai ter golpe”. Ou ainda: “Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma.”

Naturalmente, a estrela da festa foi Lula. Que aproveitou a ocasião para bater na Justiça, a quem acusou de ser subordinada aos jornais; na mídia e nos seus adversários. Aproveitou para fazer molecagens.

Moleque, segundo o Dicionário do Aurélio, é sinônimo de canalha, patife e velhaco. Mas pode ser sinônimo de pilhérico, trocista e, jocoso.

Digamos que as molecagens de Lula foram as de um sujeito pilhérico, trocista e jocoso.

Ao falar pela primeira vez de público sobre o sítio de Atibaia frequentado regularmente só por ele e sua família, Lula disse que o recebeu de presente do amigo Jacó Bittar, ex-sindicalista, doente, a quem ele visitou às escondidas no último carnaval.

O filho de Bittar, que não tinha dinheiro sozinho para comprar o sítio, associou-se ao empresário Jonas Suassuna para fechar o negócio. O sítio está no nome dos dois.

– Todo mundo aqui conhece o Jacó Bittar, meu companheiro. Ele inventou de comprar uma chácara, fez uma surpresa para mim. Jacó e meus companheiros quiseram comprar a chácara para me fazer surpresa – contou Lula.

Ele não comentou a reforma do sítio feita pela Odebrecht. Mas em petição ao Supremo Tribunal Federal, a defesa de Lula afirmou que a reforma foi feita por José Carlos Bumlai, preso pela Lava-Jato.

No final do ano passado, Lula negou que fosse amigo de Bumlai. Fotografias de Bumlai com Lula provaram a amizade.

Lula falou sobre o tríplex no Guarujá:

– Eu digo que não tenho o apartamento. A empresa diz que não é meu. E um cidadão do Ministério Público, obedecendo ipsis literis o jornal ‘O Globo’ e a ‘Rede Globo’, costuma dizer que o tríplex é meu”.

Ironizou o imóvel como “tríplex do Minha Casa Minha Vida, de 200 metros quadrados”.

O Lula fanfarrão de sempre aproveitou o resto do seu discurso para dizer coisas do tipo:

*  “O Lula paz e amor vai ser outra coisa daqui para  frente”;

*  “Eu queria dizer para eles: vocês não vão me destruir, vamos sair mais fortes dessa luta”;

*  “Se quiserem voltar ao poder, se preparem para 2018 e vamos disputar democraticamente. Sacanagem a gente não aceita”;

* “Temos um partido chamado Globo, um partido chamado Veja, um partido chamado Outros Jornais, que são a oposição desse país”;

*  “Os petistas não podem levar desaforo para casa toda vez que falarem merda da gente”.

O discurso de Lula coincidiu com a divulgação dos resultados da mais nova pesquisa Datafolha. Ela apurou que:

1. Governo Dilma segue rejeitado por 64% dos brasileiros. Outros 60% querem que a Câmara dos Deputados aprove o impeachment de Dilma;

2. 33% dos brasileiros revelam ter votado em Lula sempre que tiveram a chance de fazê-lo de 1989 para cá. Desses, um terço descarta votar de novo em 2018;

3. 58% dos brasileiros acham que Lula foi beneficiado por empreiteiras no caso do triplex do Guarujá e do sítio em Atibaia. E que Lula as beneficiou nos seus dois governos. O famoso toma-lá-me-dá-cá;

4. Mesmo entre simpatizantes do PT, um terço acha que Lula se beneficou de empreiteiras no caso do triplex e do sítio.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

BASTA!

É O FIM DO CAMINHO

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“A liberdade é vermelha”, escreve num post de Paris Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana. É uma alusão a uma trilogia de filmes inspirados nas cores da bandeira francesa. O primeiro deles se chamou “A liberdade é azul”. É compreensível que Mônica Moura tenha escolhido o vermelho entre as cores da bandeira. E que tenha escolhido a liberdade do lema da Revolução Francesa, que também conta com fraternidade e igualdade.

João Santana e Mônica ficaram milionários levantando a bandeira vermelha, no Brasil, na Venezuela, com as campanhas agressivas do PT e do chavismo. Com os bolsos entupidos de dólares, a liberdade é vermelha, pois à custa da manipulação dos eleitores latino-americanos, João Santana e Mônica Moura podem viajar pelo mundo com um padrão de vida milionário.

Mas chega o momento em que a cadeia é vermelha, e Mônica Moura não percebeu essa inversão. Nas celas da Polícia Federal e do presídio em Curitiba, o vermelho predomina. José Dirceu, Vaccari, o PT é vermelho. Marcelo Odebrecht, a Odebrecht é vermelha, basta olhar seus cartazes.

Uma vez entrei na Papuda e filmei uma cela vermelha com o número 13. Os condenados do mensalão estavam a ocupar o presídio. A divulgação da imagem foi um Deus nos acuda, insultos: as pessoas não têm muita paciência para símbolos. Mônica Moura fala esta linguagem. Se tivesse visto o take de seis segundos da cela vermelha, ela iria buscar outra cor para a liberdade.

A situação de Dilma e a do chavismo convergem para um mesmo ponto: tanto lá quanto aqui a aspiração majoritária é derrubá-los do poder. João Santana, num país onde se valoriza a esperteza, foi considerado um gênio. Gênio da propaganda enganosa, dos melodramas, dos ataques sórdidos contra adversários. O único critério usado é a eficácia eleitoral avaliada em milhões de dólares, certamente com taxa extra para os postes, Dilma e Haddad.

Sua obra continental se espelha também no resultado dos governos que ajudou a eleger: Dilma e Maduro são rejeitados pela maioria em seus países. O que aconteceu na semana passada é simplesmente o fim do caminho. Com abundantes documentos, cooperação dos Estados Unidos e da Suíça, não há espaço para truque de marqueteiros.

O dinheiro de Santana não veio de fora. Saiu do Brasil. Saiu de uma empresa que tinha negócios com a Petrobras, foi mandado para o exterior por seu lobista Zwi Skornicki. E saiu também pela Odebrecht.

A Lava-Jato demonstrou que a campanha de Dilma foi feita com dinheiro roubado da Petrobras. E agora? Não é uma tese política, mas um fato, com transações documentadas.

Na semana passada ouvi os panelaços por causa do programa do PT. O programa foi ao ar um dia depois da prisão de João Santana. Mas o tom era o mesmo, uma mistificação para levantar os ânimos. E um pedido de Lula: parem de falar da crise que as coisas melhoram.

Em que mundo eles estão? Em 2003, já afirmei numa entrevista que o PT estava morto como proposta renovadora. Um pouco adiante, com o mensalão, escrevi “Flores para los muertos”, mostrando como uma experiência que se dizia histórica terminou na porta da delegacia.

Na semana passada, escrevi “O processo de morrer”. Não tenho mais saída exceto apelar para “O livro tibetano dos mortos”, que dá conselhos aos que já não estão entre nós. O conselho é seguir em frente, não se apegar, não ficar rondando o mundo que deixaram.

Experimentei aquele panelaço como uma cerimônia de exorcismo: as pessoas saíam às janelas e varandas para espantar fantasmas que ainda estavam rondando as casas. Poc, poc, poc. Na noite escura, o silêncio, um grito ao longe: fora PT. E o PT na tela convidando para entrar nas fantasias paradisíacas tipo João Santana, já trancafiado numa cela da PF em Curitiba.

Simplesmente não dá para continuar mais neste pesadelo de um país em crise, epidemia de zika, desemprego, desastres ambientais, é preciso desatar o nó, encontrar um governo provisório que nos leve a 2018.

De todas as frentes da crise, a que mais depende da vontade das pessoas é a política. Se o Congresso apoiado por um movimento popular não resolver, o TSE acabará resolvendo. Com isso que está aí o Brasil chegará a 2018 como um caco, não só pela exaustão material, mas também por não ter punido um governo que se elegeu com dinheiro do assalto à Petrobras.

É hora de o país pegar o impulso da Lava-Jato: carro limpo, governo derrubado, de novo na estrada. É uma estrada dura, contenções, recuperação da credibilidade, quebradeira nos estados e cidades. É pau, é pedra, é o fim do caminho.

A semana, com a prisão do marqueteiro do PT e os dados sobre as transações financeiras, trouxe mais claramente o sentido de urgência. E a esperança de sair desta maré.*

(*) Fernando Gabeira – O Globo

PASTORES DO ATRASO

O sacerdote que se pretendia

intocável foi desmascarado

Às vezes nossos desacertos se acertam com os do mundo e algo bom acontece: no aniversário de 36 anos do PT, quem comemora é o Brasil que presta.

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Gosto de ler jornais e revistas velhos. Os astrônomos dizem que estamos vendo o céu de 2012. Li isso em janeiro numa revista científica de julho do ano passado, lá no dentista. Paciente dele há décadas, o doutor mantém as revistas antigas por afetuosidade. Uma bobagem, não? Mas essas coisas – à toa assim, despretensiosas e simbólicas, indeléveis na sua delicadeza – são o ninho do afeto.

Que Brasil é este que vemos no 36º aniversário do PT? Todos os índices mostram um país que regrediu, em muitos fundamentos econômicos e sociais, para níveis dos anos 90; o descalabro fiscal do governo ladrão e inepto, somado aos vícios estruturais, levou não somente à diminuição da produção de riqueza como à corrosão da riqueza produzida; a Lei de Responsabilidade Fiscal foi morta pelas pedaladas de Dilma Rousseff devolvendo o Estado à pré-história republicana.

Saúde e educação não escaparam do sucateamento, nem a infraestrutura e a segurança pública no que também compete ao governo federal. A política externa inovou, avançando no primitivismo: nunca estivemos tão resolutamente do lado de bandidos internacionais. Os pastores do atraso tiveram em Lula – o farsante que dissimulava a essência primitiva na aparência do operário que revolucionaria o país – o sacerdote ideal e fizeram o diabo para protegê-lo para, assim, também proteger os próprios desejos, negócios, amantes, famílias, caprichos e o vidão, afinal, ninguém é de ferro.

A proteção exigiu a cópula ininterrupta entre o público e o privado nesse viveiro repugnante para a constante geração de mentiras; disfarçou-se em devoção à causa tão delinquente que, alegadamente pelo nosso bem, só se nutriu do nosso mal. A aparência do sacerdote era a imunização contra a lei, as críticas, a luz e a verdade. Na clivagem vigarista da nação entre nós e eles, no discurso de ódio aos opositores tolerado pelos que agora se levantam contra o “ódio fascistoide da nova direita”, no financiamento do JEG, no mensalão, nas negociatas com antigos inimigos políticos, na desinstitucionalização da república, o jeca atrofiou a nossa incipiente política de tal modo que ela não o detivesse.

Assim, coube à Justiça revelar a essência do sacerdote miserável àqueles que ainda acreditavam na aparência e impor aos comparsas dele a abolição da farsa que patrocinaram. A Lava Jato e as investigações que chegaram ao sítio e ao tríplex educam uma geração inteira ao colocar na cadeia delinquentes com poder político e econômico e desmascarar o sacerdote que se pretendia intocável, coisa impensável desde sempre: desacertos nossos tão singulares que, a partir deles, nos acertamos com o mundo civilizado saltando para um futuro que sempre pareceu utópico.

Isso melhora o país submetido ao retrocesso que lhe custará um bocado do futuro. Enquanto o Brasil que presta deve comemorar o novo patamar civilizatório, o PT, na festa tristonha, comemora o anúncio da PF de que investigará as inúteis confusões íntimas de Mirian Dutra. A nação esbulhada pode deixar o passado para trás; o PT, desesperado por um passado incessante, asfixia-se.*

(*)  Valentina de Botas, no blog do Augusto Nunes

PARTIDO DAS ‘BOQUINHAS’

Agência estatal paga até R$ 39 mil a empregados na campanha de Dilma

Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento

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BRASÍLIA — Um órgão quase oculto no sistema de transparência do governo federal virou reduto de um grupo que atuou na campanha à reeleição de Dilma Rousseff e conquistou emprego com salários turbinados e pagamento de altas diárias em viagens internacionais — uma realidade paralela ao cenário de crise, cortes e ajuste fiscal empreendido pelo Executivo a partir de 2015. A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), passou a abrigar esses militantes que trocaram cargos no governo por funções na agência com remunerações equivalentes ao dobro do que recebiam. Salários, vantagens, diárias e resoluções internas da ABDI são mantidos sob sigilo, diferentemente da transparência a que estão obrigados os ministérios e demais órgãos do Executivo.

O presidente da ABDI, Alessandro Golombiewski Teixeira, foi nomeado por Dilma para o cargo em fevereiro de 2015. Militante do PT do Rio Grande do Sul, Teixeira coordenou o programa de governo na campanha à reeleição. Ao assumir o comando da ABDI, com salário de R$ 39,3 mil, o petista abrigou no órgão mais três militantes da campanha, ocupantes de cargos de assessoramento especial da diretoria cujas remunerações variam de R$ 19,4 mil a R$ 25,9 mil. É mais do que o dobro do valor pago a esses assessores quando eles ocupavam cargos comissionados no Palácio do Planalto ou no Ministério do Planejamento.

Teixeira já exerceu a função de assessor especial do gabinete de Dilma, secretário-executivo do MDIC e presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Em junho do ano passado, o presidente da ABDI e demais diretores decidiram editar uma resolução — mantida sob sigilo e sem publicidade no site da agência — reajustando o valor das diárias para viagens internacionais da diretoria executiva. No continente americano, o valor saltou de US$ 400 para US$ 700. Fora da América, as diárias saltaram de € 320 para € 700. Ministros de Estado, por exemplo, recebem entre 220 e 460 de diária, podendo optar por dólar ou euro e com variação de valor conforme o destino da viagem.

Na ABDI, presidente e diretores podem viajar em classe executiva — assessores que os acompanham também têm direito ao benefício. Teixeira tem ainda duas secretárias, que ocupam cargos de assessoramento especial e recebem cada uma salário de R$ 19,4 mil.

Em meio a uma crise econômica e a um ajuste fiscal em curso, Dilma anunciou no ano passado o fim da primeira classe para ministros, cortes de diárias e passagens, reduções de salários da própria presidente, do vice e dos ministros — de R$ 30,9 mil para R$ 27,8 mil — e redução de ministérios. O pacote de medidas incluiu a própria ABDI. A proposta da presidente prevê a fusão da agência com a Apex, o que ainda não ocorreu. Fontes da ABDI relatam que, até agora, não houve movimentação do governo nesse sentido.

O chefe de gabinete de Teixeira, Charles Capella de Abreu, atuou tanto na campanha de Dilma de 2010 quanto em 2014. Na disputa pela reeleição, Capella cuidou do escritório da candidata em Brasília. Já a partir de 1º de janeiro de 2015, ele foi exonerado do cargo de chefe de gabinete do ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência, cargo pelo qual recebia R$ 11,2 mil. A secretaria hoje está extinta. Na ABDI, o chefe de gabinete tem salário de R$ 24,9 mil.

No mês passado, Capella participou de acareação com dois personagens centrais da Operação Lava-Jato, promovida pela Polícia Federal (PF). Um inquérito em Curitiba investiga suposto repasse irregular de R$ 2 milhões à campanha de Dilma em 2010 — o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci é um dos investigados. Capella, que foi assessor de Palocci, participou de acareação com o doleiro Alberto Youssef e com o lobista Fernando Baiano. Youssef, em sua delação, negou ter recebido qualquer pedido de doação à campanha, mas afirmou ter entregue uma quantia de dinheiro similar. No encontro com Capella, não o reconheceu como destinatário do dinheiro. Baiano sustenta ter ocorrido reunião em Brasília para discutir o repasse.

— Não exerci nenhuma atividade de arrecadação na campanha e não conversava com Palocci sobre o tema. Nunca estive, troquei mensagem nem conversei com Paulo Roberto Costa, Youssef e Baiano. Sempre estive tranquilo com o processo e saí de lá ainda mais tranquilo. Não tenho nada a ver com essa história — diz Charles Capella.

O movimento feito do Palácio do Planalto para a ABDI envolve mais duas servidoras. Em março, Leonita de Carvalho deixou cargo de assessora da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência, onde ganhava R$ 8,5 mil, para ser assessora parlamentar da ABDI, com salário de R$ 19,4 mil. Isabelle Agner Brito deixou a função de assessora especial da Subchefia de Assuntos Parlamentares da extinta Secretaria de Relações Institucionais da Presidência (salário de R$ 11,2 mil) para ser gerente de Gestão da ABDI (R$ 25,9 mil de remuneração). Isabelle não aparece na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como tendo atuado na campanha em 2014. Nelson Martins Júnior deixou um cargo de assessor no Ministério do Planejamento para ser assessor da gerência de Gestão da agência. O salário aumentou de R$ 8,5 mil para R$ 19,4 mil. Ele atuou na campanha à reeleição de Dilma.

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, apesar de ser fiscalizada por órgãos de controle, contar com recursos públicos e ser controlada pelo Executivo, não informa salários, pagamentos de diárias e atos adotados pela diretoria executiva. Criada para executar políticas de desenvolvimento industrial, a agência surgiu na forma de Serviço Social Autônomo — uma entidade privada sem fins lucrativos.*

(*) VINICIUS SASSINE – O GLOBO

 

LULA ESTÁ SITIADO

‘Vocês não vão me destruir’, diz Lula sobre acusações de adversários

Durante a festa de 36 anos do PT, ex-presidente pediu que o partido ajude a presidente Dilma Rousseff

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Em discurso de desabafo durante a festa de 36 anos do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o partido ajude a presidente Dilma, atacou a imprensa, defendeu-se das suspeitas de ser proprietário oculto de um apartamento e um sítio e anunciou que se necessário será candidato a presidente em 2018.

“O Lula paz e amor vai ser outra coisa daqui para  frente”, afirmou, diante de uma plateia de cerca de 1.500 pessoas, metade do esperado pela organização da festa. “Eu queria dizer para eles: vocês não vão me destruir, vamos sair mais fortes dessa luta”, avisou aos adversários. O petista disse estar “acabrunhado” e “de saco cheio” com as investigações que sofre do Ministério Público de São Paulo e na Operação Lava Jato.

Lula disse que o sítio em Atibaia frequentado por ele e sua família foi comprado pelo amigo Jacó Bittar e outros companheiros como uma “surpresa” para ele usufruir depois de deixar a presidência. “A chácara não é minha”, insistiu. Lula fez duros ataques a revistas e o Ministério Público.

Dilma. No discurso, o ex-presidente fez um apelo para que o partido ajude Dilma Rousseff a governar, deixando de lado as divergências. “Queria fazer um apelo porque a companheira Dilma, sozinha, não terá força para resolver esse problema”, disse Lula, numa referência à crise. “Dilma precisa de nós para sobreviver aos ataques que está sofrendo. Não pode, num momento de crise, virar as costas e falar que o problema não é meu. Esse governo é nosso e temos de ter responsabilidade de ajudar, de discutir saídas”.

Embora houvesse na plateia uma faixa com a inscrição “Dilma, chega de ajuste fiscal e superávit!”, quando Lula pediu ajuda à presidente, a plateia gritou várias vezes “Não vai ter golpe”.

Para o ex-presidente, o PT não precisa concordar com tudo o que Dilma faz, mas, mesmo assim, deve ajudar o governo a superar a crise. “Nós temos que saber é que estamos juntos. Isso é que nem casamento. Ela pode brigar com você, mas você é marido dela”, comparou.

Eleições. Em uma referência à disputa presidencial de 2018, Lula desafiou a oposição a lançar um candidato competitivo. “Se quiserem voltar ao poder, se preparem para 2018 e vamos disputar democraticamente. Sacanagem a gente não aceita”, afirmou em tom inflamado. O petista se queixou, ainda, da cobertura da imprensa sobre acusações que pesam sobre petistas e outros aliados do governo. “Temos um partido chamado Globo, um partido chamado Veja, um partido chamado Outros Jornais, que são a oposição desse País”, reclamou.

Lula  disse que a próxima disputa deve abarcar um debate de projetos e citou uma série de realizações de seu governo, especialmente inclusão social. O petista admitiu que a situação no País “não é das melhores” e comparou com o Vasco da Gama, seu time no Rio, que caiu para a segunda divisão. “Vocês sabem o que aconteceu, o Vasco caiu e eu continuo vascaíno”, discursou. *

(*) LUCIANA NUNES LEAL, VERA ROSA E RICARDO GALHARDO – RIO – ESTADÃO

OS SEM RUMO

Parabéns pra você!

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Na década de 1990, surgiram os sem-terra na área rural. Mais adiante, vieram os sem-teto na área urbana. Pois agora está em gestação no Planalto Central a figura da presidente sem partido. Saiu Joaquim Levy, entrou Nelson Barbosa e o partido de Dilma Rousseff, o PT, continua implacável na oposição ao ajuste fiscal do governo e, portanto, à própria Dilma. Já a principal sigla da base aliada, o PMDB, retomou as articulações para o impeachment.

Durma-se com um partido desses! Ou com partidos como esses! Dilma, que já tem (e criou) problemas de sobra, deve estar dando uns bons gritos, roendo as unhas e xingando a mãe de muito petista por aí, inclusive de um tal Quaquá, presidente do PT do Rio, que deixou claro que não fazia a menor questão da presença da presidente, ontem, no aniversário do partido.

Conclusão: Dilma não queria ir à festa do próprio partido, nem o próprio partido queria Dilma num encontro com dois objetivos: atacar Dilma e defender Lula. Os bois de piranha, nos dois casos, foram os ministros Barbosa e José Eduardo Cardozo.

Já na sexta-feira, o PT mandou seus recados contra o que Levy dizia e Barbosa continua dizendo sobre a necessidade de uma política econômica responsável, capaz de fechar as contas públicas, equilibrar receitas e despesas e estancar a trajetória de queda do Brasil e dos brasileiros – sobretudo dos mais pobres – no precipício.

Segundo resolução que passou pelo Diretório Nacional, o PT “só apoia medidas pactuadas com o sindicalismo, as organizações populares e os movimentos sociais”. Ou seja, o PT se volta de costas para o seu governo e de frente para os movimentos aliados. Só topa qualquer coisa com o viés populista e sem nenhum traço de responsabilidade e pragmatismo. Sindicatos, organizações populares e movimentos sociais estão no seu direito, aliás, dever, de fazer pressão, mas o partido da presidente da República tem a obrigação de ir além, de pensar e agir estrategicamente.

Mas, não. Nega-se a admitir que a farra fiscal e a inflação atingem justamente os assalariados e os que dependem do Estado para saúde, educação, saneamento, infraestrutura. Para assegurar isso, dispensam-se discursos contra o “sacrifício do povo trabalhador” e exige-se a responsabilidade de traçar uma política econômica sólida, confiável, que garanta de fato bem-estar e direitos de médio e longo prazos desse mesmo povo trabalhador.

Na prática, o PT faz o oposto do que pretende: fala contra o “golpismo”, mas dá argumentos para o impeachment; defende a unidade, mas racha o governo para um lado e o partido para o outro; sabe que Lula e Dilma são indissociáveis, mas empurra um contra o outro; reconhece que há enorme fragilidade, mas opera para converter os convertidos e ignora reconquistar a maioria que debandou.

Em resumo, o partido da presidente age como se Dilma não tivesse mais jeito. Logo, toda a energia e todas as festas devem ser para renegar o presente, ressuscitar o passado e investir no futuro. Ou seja, contra Dilma, a favor de Lula. Só que… se Dilma não vai bem, porque seu governo destruiu a economia, Lula não está melhor, porque o dele explodiu a Petrobrás e permitiu uma farra com dinheiro público e com as empreiteiras num nível nunca antes visto e imaginado.

E O PMDB? Está sendo novamente empurrado para o PSDB e para a tese do impeachment, depois da prisão de João Santana – aliás, o grande ausente na festa do PT, junto com José Dirceu, Delcídio Amaral, André Vargas e uma penca de ex-tesoureiros. Se o PT é de oposição e o PMDB é uma ameaça, Dilma está perto de criar o movimento dos presidentes sem partido – e sem base, sem povo e sem credibilidade.

Festa do PT é para renegar o presente, ressuscitar o passado e investir no futuro.*

(*) Eliane Cantanhêde – Estadão

A INCOMPETENTA

Persona non grata

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Antes de ser reconhecida pela incompetência, a presidente Dilma Rousseff ficou conhecida pelo cultivo dos maus modos. Maneira de ser, tratada pelo departamento de propaganda do Palácio do Planalto – no momento desativado e posto em desassossego nas dependências da Polícia Federal em Curitiba – como sinal de austeridade e exigência na eficácia do trabalho.

Na versão de sua assessoria, a presidente está sempre “irritada” com alguma coisa. Com o Congresso irritou-se a ponto de considerar desnecessário estabelecer relações cordiais até com parlamentares e partidos e sua base de apoio.

Com subordinados (dos mais aos menos qualificados) irrita-se ante qualquer contrariedade. Com a oposição irrita-se só pelo fato de ela existir. Com a imprensa mostra-se extremamente irritada se cobrada a falar sobre este ou aquele escândalo envolvendo sua administração. Chegou aos píncaros da irritação quando, ainda ministra, (des) qualificou como “rudimentar” a proposta dos então ministros Antonio Palocci e Paulo Bernardo para a condução da economia, cuja preliminar era o ajuste fiscal.

Agora a presidente da República está muito irritada com seu partido, o PT, que resolveu voltar às origens e negar o apoio que deu a Lula em 2003 para a adoção de medidas racionais. Com isso, cai o último bastião de defesa de Dilma. O partido não a quer. E nessa hora em que se encontra cercada de males por todos os lados, não há mais quem a queira, estão todos muito irritados com ela: se fala na TV, a presidente é alvo de panelaços, se transita por ambientes não protegidos arrisca-se a ser vaiada, quando apela ao Congresso não obtém a resposta pretendida. O empresariado não lhe tem apreço e os movimentos sociais já a tratam como inimiga.

Dilma é a “persona” menos grata da República. Não se encontra quem esteja disposto a lhe estender a mão ou nutra por ela alguma simpatia. Resultado da antipatia que semeou.

Isolada, a “rainha” não paira “sobranceira sobre os adversários” como prometeu João Santana. Antes, colhe os frutos da malquerença que com tanto afinco cultivou. *

(*) Dora Kramer – Estadão

APARELHAMENTO CRIMINOSO

Novo flanco do PT

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Não bastassem a crise econômica, o aparelhamento político e a reta final da “sua” CPI, os fundos de pensão das estatais estão sendo chacoalhados por duas novas informações: o presidente do Postalis (Correios) caiu e o prejuízo da Vale do Rio Doce em 2015 foi de R$ 44,2 bilhões, o maior já registrado por uma empresa da Bolsa em 30 anos.

Antônio Conquista, do Postalis, já vinha na mira da Polícia Federal e da Superintendência de Previdência Complementar (Previc) por investimentos que levaram a um rombo estimado em bilhões de reais. Onde estava com a cabeça quando, por exemplo, autorizou, ou permitiu, que o fundo jogasse o dinheiro da aposentadoria de milhares de funcionários em títulos da… Venezuela?!

E onde a Vale entra na história? Assim como milhares de brasileiros aplicaram seu rico FGTSzinho na Vale e na Petrobrás, os fundos de pensão também investiram nas duas grandes. Deu errado. A Vale foi atingida pela onda da China e a consequente queda do preço das commodities, logo, os fundos perdem muito. E todo mundo já conhece o tsunami na Petrobrás.

As novas informações coincidem com a reta final da CPI que apura má gestão e eventuais desvios nos fundos de pensão dos Correios (Postalis), do Banco do Brasil (Previ), da Caixa Econômica Federal (Funcef) e da Petrobrás (Petros). O relatório deve ser apresentado na semana que vem, com votação em meados de março.

Segundo o presidente da CPI, deputado Efraim Filho (DEM-PB), é muito mais fácil desviar recursos dos fundos do que roubar da Petrobrás: “No petrolão, precisava fazer licitação, ter projeto, iniciar a obra, criar o superfaturamento. Dava trabalho. Nos fundos, o dinheiro vai direto a título de investimento, é injeção na veia”.

Receberam dinheiro dos fundos a OAS, a Odebrecht, a Engevix e a Sete Brasil, estrelas dos escândalos da Petrobrás. E ilustra: a OAS assumiu o passivo da Bancoop (que deu no tríplex de Guarujá) em troca de milhões de reais dos fundos; a Sete Brasil (símbolo do petrolão) levou uns R$ 3,5 bilhões dos fundos com apenas um mês de vida.

“Se isso não é tráfico de influência, é o quê?”, indaga Efraim, lembrando que, dos quatro principais fundos, três são presididos por petistas. Esse detalhe deixa de ser detalhe, especialmente se alguns fundos podem aplicar um bom porcentual sem autorização de um colegiado ou de instâncias superiores.

Tudo somado – crise econômica, má gestão, politização –, o resultado é que os fundos têm rombos gigantescos e, para o “equacionamento do déficit”, começaram a garfar parte da aposentadoria dos participantes. O Postalis abriu a temporada com 4%, a Funcef vem atrás em abril com 2,78%, o Petros fica para o segundo semestre e a Previ é só questão de tempo.

Como contraponto, o presidente da Funcef (CEF), Carlos Alberto Caser, diz que o maior vilão da situação dos fundos é “a conjuntura econômica”, ressalva que cada caso é um caso – ou cada fundo é um fundo – e reclama que há uma gritaria porque a Funcef deve cortar 2,78% dos benefícios nas vacas magras, mas já concedeu 11,28% em janeiro deste ano e aumentou 30% nas vacas gordas (2006 a 2011).

Funcionário de carreira da CEF, Caser é filiado ao PT desde 1990, mas reage à tese do aparelhamento petista: “Vá lá ver quem preside as estatais em São Paulo, em 20 anos de PSDB”. Ele também não gosta de traduzir “déficit” por “rombo”, acha que é “injustiçado” e, diante da crise ética do País, prega: “Não se pode pôr todo mundo no altar dos sacrifícios”.

O fato, porém, é que os fundos de pensão são mais um flanco dos já combalidos governos do PT e o relatório final da CPI deve lançar um poderoso slogan para a oposição. Segundo o deputado Efraim, os fundos de pensão escancaram “a face mais cruel dos escândalos petistas, que é roubar do aposentado”.*

(*) Eliane Cantanhede – Estadão