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Eletrobrás registra prejuízo de R$ 14,4 bilhões em 2015

Valor é quase quase cinco vezes superior ao prejuízo de R$ 3,031 bilhões de 2014; no quarto trimestre, prejuízo atribuído aos controladores foi de R$ 10,327 bilhões

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SÃO PAULO – A Eletrobrás registrou prejuízo atribuído aos controladores de R$ 14,442 bilhões, quase cinco vezes superior ao prejuízo de R$ 3,031 bilhões de 2014. Somente no quarto trimestre do ano passado, a empresa teve prejuízo de R$ 10,327 bilhões, um valor quase nove vezes acima do resultado também negativo reportado no quarto trimestre de 2014, de R$ 1,196 bilhão.

Entre as variáveis que afetaram o resultado, a Eletrobrás informa o ajuste contábil em ativos (impairments) de R$ 2,605 bilhões, influenciado pelo impairment de R$ 1,588 bilhão de Angra 3, que ocorreu, principalmente, no aumento da taxa de desconto e alteração na data de entrada em operação da Usina Termonuclear de Angra 3. A Eletrobrás destaca ainda despesas relativas à provisão e pagamento de processos judiciais envolvendo empréstimo compulsório de R$ 5,019 bilhões.

Entre outras variáveis aparece a redução de 155% da receita de venda de energia de curto prazo, influenciada pela queda do PLD e pela sazonalidade; o efeito negativo relacionado à Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da “Parcela A” (CVA), no valor de R$ 339 milhões; a diminuição da remuneração das indenizações relativas a 1ª tranche da Lei 12.783/13, que fizeram a conta de remuneração das indenizações passar de um montante positivo de R$ 131 milhões no terceiro trimestre de 2015 para um montante negativo de R$ 880 milhões no quarto trimestre; o aumento de 20% na receita de fornecimento no segmento de distribuição, influenciada pelo reajuste anual; e a redução de 34% na despesas de energia comprada para revenda.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das empresas controladas da Eletrobrás entre outubro e dezembro de 2015 ficou negativo em R$ 4,081 bilhões, ante Ebitda negativo de R$ 2,754 bilhões no trimestre exatamente anterior. No acumulado do ano, o Ebitda de empresas controladas foi negativo em R$ 5,106 bilhões, ante um número positivo de R$ 3,970 bilhões em 2014.

Já o Ebitda ajustado consolidado em todo o ano de 2015 ficou positivo em R$ 2,853 bilhões, um avanço de 148% contra 2014.  A receita operacional líquida somou R$ 7,861 bilhões no quarto trimestre de 2015, uma redução de 18,7% em relação ao quarto trimestre de 2014. No acumulado do ano, a receita totalizou R$ 32,598 bilhões, 8,13% acima do ano anterior.

O resultado financeiro ficou negativo em R$ 1,686 bilhão no quarto trimestre do ano, ante resultado também negativo de R$ 343 milhões apurado no terceiro trimestre de 2015. Em 2015, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 1,699 bilhão ante uma receita líquida de R$ 695 milhões em 2014.

Expectativas. Em proposta da administração para a Assembleia Geral Ordinária (AGO), que acontecerá no dia 29 de abril, a Eletrobrás comenta que as expectativas para 2016 são positivas para reversão do prejuízo de R$ 14,442 bilhões atribuído aos controladores registrado em 2015. Para atingir esse objetivo, a empresa cita o aprofundamento das medidas de redução de custos, regulamentação do recebimento da 2ª tranche das indenizações da Lei n.º 12.783/2013 e dos novos investimentos feitos pela companhia, que começarão a gerar novas receitas.

Em 2015, a Eletrobrás investiu R$ 10,4 bilhões, sendo R$ 6,1 bilhões na área corporativa e R$ 4,3 bilhões em participações em Sociedades de Propósito Específico (SPEs). Do total de R$ 10,4 bilhões, R$ 5,675 bilhões foram para geração, 76% do orçamento de 2015; R$ 3,414 bilhões para geração, 80% do orçado no início de 2015, e R$ 1 bilhão para distribuição, 60% do planejado. Além disso, foram investidos R$ 301,33 milhões em pesquisa, infraestrutura e qualidade ambiental.

Para 2016, o orçamento para investimentos previsto é de R$ 13,2 bilhões, sendo R$ 10,5 bilhões de investimentos corporativos e R$ 2,7 de SPEs. “Tal montante é coerente com uma companhia que pretende, num horizonte até 2030, estar entre as três maiores empresas globais de energia limpa e entre as 10 maiores do mundo no setor de energia elétrica”, relata a empresa, no documento sobre a AGO.*

(*) MARCELLE GUTIERREZ – O ESTADO DE S.PAULO

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