SALVE-SE QUEM PUDER

Kit sobrevivência

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Além de cargos, liberação de emendas ao Orçamento para a construção de obras em redutos eleitorais de deputados, e outros favores simplesmente inomináveis, o governo Dilma se valerá dos seguintes recursos para tentar sobreviver ao impeachment:

* O discurso do golpe, já desautorizado por cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF);

* O discurso ainda em fase de ensaio que juntará Temer a Eduardo Cunha para desqualificar os dois;

* Um fato novo que possa manchar a imagem de Temer. Esse recurso depende mais do juiz Sérgio Moro do que do governo que dele se aproveitaria apenas;

* A entrega de ministérios para pessoas acima de quaisquer suspeitas, como fez Fernando Collor para não cair, e não adiantou;

* Lula na chefia da Casa Civil se o STF deixar; ou como assessor especial de Dilma para cabalar votos;

* Um arremedo de reforma administrativa com a extinção de cargos que não serão extintos;

* Um novo programa de governo alinhado às pressas;

* Proposta de realização de uma nova eleição presidencial este ano. Só será apresentada ao Congresso em caso de desespero absoluto.

O governo aceita sugestões.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

JOGANDO COM PROFISSIONAIS

A oligarquia depenou o PT

Dilma aceitou jogar cartas com um baralho viciado e perdeu o prazo de validade porque finge não saber disso

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O PMDB nunca pensou, não pensa em sair do governo e sente-se ofendido se alguém admite essa hipótese. Quem corre o sério risco de sair do governo é o PT. O partido que foi de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves e hoje é de Eduardo Cunha e Renan Calheiros quer apenas tirar uma licença de alguns meses, até o início do governo de Michel Temer, seu atual presidente.

A ideia de que o PMDB resolveu sair do governo não tem nexo nem propósito e destina-se apenas a esconder um objetivo. Os doutores querem que se creia que nada têm a ver com a ruína e pretendem retornar ao poder como se Michel Temer fosse o sucessor constitucional da senhora Rousseff por ocupar a vice-presidência do Flamengo, não a da República, eleito por duas vezes, sempre compartilhando a chapa.

O PMDB sai do governo para continuar no poder, dando esperanças a oposicionistas que não tiveram votos e a todos os gêneros de maganos tementes da Operação Lava-Jato. Ninguém sabe quais são os planos dessa coalizão para um eventual dia seguinte à posse de Temer, mas seu objetivo essencial está claro: trata-se de desossar a Lava-Jato.

A armação oligárquica precisa sedá-la, pois há barões na cadeia e marqueses temendo a chegada dos homens de preto da Federal.

O PT e Dilma reagiram às investigações das ladroeiras com uma conduta que foi da neutralidade-contra à pura hostilidade. Se hoje a rua grita o nome do juiz Sérgio Moro e pede “Fora PT”, isso se deve em parte à incapacidade dos companheiros de perceber que se tornaram fregueses num jogo viciado.

O comissariado acorrentou-se à própria falta de princípios. Desprezou a lição trazida pelas sentenças do mensalão e achou que pularia a fogueira do petrolão. A cada um desses lances de soberba jogou n’água uma parte de suas bases populares. Confiando na própria esperteza, foi para um carteado com jogadores profissionais e um baralho viciado. Os oligarcas depenaram-no. (Refresco para a crise: Quem quiser pode ver “Cincinatti Kid”, com Steve McQueen e Edward G. Robinson num de seus melhores momentos. Nessa mesa o baralho era honesto.)

Sem cartas, Lula compara-se a Getúlio Vargas e seu comissariado grita “Golpe”. Tudo parolagem. Getúlio foi encurralado por uma rebelião militar a partir de um caso em que membros de sua guarda pessoal tentaram matar o principal líder da oposição. Getúlio era um homem frugal. Ao contrário de Lula, nunca teve apartamento na praia e sua fazenda vinha de herança familiar. Não pode ser golpe o cumprimento de um dispositivo constitucional seguindo-se o ritual da lei, sob as vistas do Supremo Tribunal.

Resta uma questão: as pedaladas fiscais não seriam motivo suficiente para o impedimento de um presidente. Além das pedaladas, há sobre a mesa otras cositas más. Admita-se que essas cositas fazem parte de outro processo. Na atual etapa, tudo desemboca numa questão político-aritmética: a Câmara só poderá decidir a abertura do processo contra a doutora pelo voto de dois terços mais um de seus deputados. Como Dilma, eles foram eleitos pelo povo, e a Constituição diz que é deles a decisão nessa fase do julgamento. Sem os dois terços, não haverá impeachment. Com eles, haverá. Ademais, era nesse Congresso que o PT cevava sua maioria, a famosa base de apoio.*

(*) Elio Gaspari é jornalista – O Globo

ZERANDO A FATURA

Começar de novo

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O PMDB ontem encerrou um capítulo da longa narrativa da crise ao confirmar a retirada de seu apoio ao governo e, com isso, aproximar o Brasil da possibilidade de ver interrompido o segundo mandato presidencial no espaço de pouco mais de 20 anos.

O epílogo dessa história, no entanto, ainda está por ser escrito. Caso venha mesmo a ocorrer o impeachment da presidente Dilma Rousseff, essa tarefa caberá ao conjunto das forças políticas – se possível com o PT incluído – em aliança com a sociedade e as demais instituições. O País não aguenta mais o atual governo, é verdade.

A hipótese do fim antes do tempo regulamentar propicia um horizonte de alívio imediato, embora não represente a solução para os males que nos assolam nem significa o fim do caminho. Ao contrário: marca a urgente necessidade de um recomeço, pois o Brasil tampouco aguenta mais conviver com a incúria, a corrupção e o cinismo na forma de fatores imprescindíveis ao exercício do poder.

A luta, portanto, continua, vai além do ciclo do PT. É muito maior que a montagem de um governo de transição “surpreendentemente bom”, conforme as palavras do senador José Serra, espectador e interlocutor privilegiado do episódio atual e daquele que resultou na queda de Fernando Collor há 24 anos. Se a provável interrupção do governo Dilma não resultar numa proposta firme e séria de recomeço, o impeachment não terá valido de coisa alguma.

Suas excelências estejam atentas: trocar seis por meia dúzia não vai angariar a simpatia do público escaldado e temente até de água fria. O governo de Itamar Franco cumpriu seu dever de transição. Serviu a uma alteração de paradigmas logo de imediato, mas não se prestou à extinção das velhas e viciadas práticas. Apesar disso, construiu algo ao resultar no Plano Real que estabilizou a economia e preparou o País para o crescimento.

Se for o caso de Dilma ser substituída, a quem vier a assumir no lugar dela – o vice ou um novo eleito – caberá dar início a um processo de demolição de uma obra podre e, ato contínuo, a reconstrução de um Brasil em alicerces fincados em valores segundo os quais incúria, corrupção, cinismo, demagogia não sejam regra e passem a ser exceção.

Disposição transitória. Os tucanos, inclusive aqueles favoráveis à participação do PSDB em eventual governo de transição presidido por Michel Temer, defendem como premissa para qualquer acordo o compromisso do vice de não se candidatar a presidente em 2018.

No ano passado, quando as conversas sobre o tema consideravam o afastamento de Dilma como hipótese ainda remota, o tucanato chegou a propor a Temer a apresentação de uma emenda ao capítulo das Disposições Transitórias da Constituição, cujo texto contemplaria essa condição.

Na época, Temer rechaçou a proposta.

Para concluir. A título de mero registro: dos ministros e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal que já se pronunciaram em prol da legalidade do processo de impeachment, repudiando a tese do “golpe”, cinco foram indicados em governos do PT. Luis Roberto Barroso, Antônio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Carlos Ayres Britto e Eros Grau.

Isso sem contar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que durante os últimos anos esteve entre a omissão e a ponderação no tocante a críticas ao governo, que não apenas respalda como acaba de apresentar novo pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Evidência de que, no caso em tela, a espada é a lei.*

(*)  Dora Kramer – Estadão

MISSA DE SÉTIMO DIA

Temer, Lula e o pós-Dilma

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Com o rompimento do PMDB, o foco sai da presidente Dilma Rousseff e passa para o vice Michel Temer, já que o impeachment ganhou ímpeto e tem até um “deadline”: a chegada da tocha olímpica ao Brasil, prevista para meados de maio. A intenção é gerar um ambiente de festa, congraçamento e recomeço – com um novo governo para mostrar ao mundo.

Quanto mais Dilma representa o passado, mais Temer passa a personificar o futuro, para o bem e para o mal. Para o bem, porque o vice sonha entrar para a história como o presidente da transição que reconduziu o País aos trilhos. Para o mal, porque ele vai atrair, junto com montanhas de adesões, também os raios e trovoadas do PT.

Se o discurso do PT e do governo é de que está em curso “um golpe” contra a democracia, agora é hora de dar cara, voz, cor e partido a esse “golpe”. É por isso que o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT), acusa Temer de “chefe do golpe” e o líder no Senado, Humberto Costa (PT), ameaça: se Dilma for destituída, Temer “seguramente será o próximo a cair”.

É a estratégia do medo, enquanto o Planalto troca as negociações partidárias (no “atacado”) por cooptação deputado a deputado (no “varejo”). Ambas – o medo e o varejo – são de altíssimo risco e de resultados incertos porque, quando a onda encorpa, ninguém segura.

Com o rompimento do PMDB, o cálculo de governo e oposição é que os partidos da base aliada vão debandar. O PSB já se foi e, aliás, fez um programa de TV duríssimo contra o governo na semana passada. O PRB também já vai tarde, apesar de a Igreja Universal do Reino de Deus ter lá seus interlocutores com o Planalto. O PSD libera os correligionários para votarem como bem entenderem. O PP e o PR serão os próximos.

Dilma acha que, além de comprar um voto daqui outro dali no Congresso, é capaz de se sustentar graças aos movimentos sociais alinhados com o PT. Eles vão às ruas agora para gritar contra “o golpe” e são uma ameaça a um eventual governo Temer – como, de resto, a qualquer composição que substitua Dilma e exclua o PT. Isso, porém, depende muito menos de Dilma e do governo e muito mais de Luiz Inácio Lula da Silva.

PT, CUT, UNE, MST… não vão às ruas por Dilma, mas sim por Lula e o que ele chama de “nosso projeto”, ameaçado pela Lava Jato e pela quebradeira da Petrobrás, mas principalmente pelo desastre Dilma, que desestruturou de tal forma da economia a ponto de, como informou o Estado, fechar 4.451 indústrias de transformação num único ano, 2015, e num único Estado, São Paulo, gerando milhões de desempregados. Não foi à toa que em torno de 400 entidades publicaram um contundente anúncio nos jornais de ontem clamando pelo impeachment.

Aí chegamos a Lula e à conversa que ele teve com o vice Michel Temer em São Paulo, em pleno Domingo de Páscoa. Lula não iria a Temer mendigar uma reviravolta do PMDB ou o adiamento da reunião que selou o fim da aliança com o Planalto. Mas Lula iria ao vice, sim, fazer uma avaliação dos cenários (inclusive o de Dilma fora, Temer dentro) e discutir um pacto de convivência que, em vez de destruir a transição com Temer, possa construir uma chance para o PT em 2018. De forma mais direta: Lula e o PT sabem que Dilma está perdida e já discutem o “day after”. Partir para um guerra com Temer em que ninguém sobreviveria ou selar uma trégua para uma recomposição de forças políticas e a recuperação da economia?

Para todos os efeitos, Lula está empenhado ao máximo em salvar Dilma. Na prática, está se mexendo para nem ele nem o PT morrerem com ela. Isso passa por um acordo com Temer e pode chegar a uma ordem de comando para, no caso da posse do vice, o exército vermelho sair das ruas e ficar apenas de prontidão. *

(*) Eliane Cantanhede – Estadão

BEM NA FITA

82% dos entrevistados desaprovam a maneira de governar de Dilma

A porcentagem da população que considera o governo da presidente Dilma Rousseff ruim ou péssimo oscilou de 70% para 69% de dezembro para março

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A porcentagem da população que considera o governo da presidente Dilma Rousseff ruim ou péssimo oscilou de 70% para 69% de dezembro para março, de acordo com pesquisa realizada pelo Ibope sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A parcela dos entrevistados que avalia a atual gestão como ótima ou boa também oscilou, de 9% para 10%. Já os que consideram o governo regular oscilaram de 20% para 19%. Todas as variações ocorreram dentro da margem de erro máxima de dois pontos porcentuais.

De acordo com a pesquisa, 82% dos entrevistados desaprovam a maneira de governar de Dilma em março, mesmo patamar desde setembro de 2015. A proporção dos que aprovam também se manteve em 14%. Não souberam ou não responderam 3%.

A CNI e o Ibope também perguntaram sobre a confiança em relação à presidente Dilma Rousseff. A parcela dos que não confiam nela oscilou de 78% em dezembro para 80% em março – o pior nível desde o governo José Sarney, quando em junho de 1989 a parcela que não confiava em Sarney era de 80%. O porcentual daqueles que confiam na pessoa da presidente permaneceu em 18%.

Políticas públicas. A pesquisa mostra um recuo na desaprovação da política do governo no combate ao desemprego. Em dezembro, 87% desaprovavam o governo nessa área, hoje são 86%. Também caiu a desaprovação das políticas do governo no combate à fome e à pobreza (de 71% para 69%), na educação (de 76% para 74%), na segurança pública (de 85% para 84%) e no meio ambiente (de 74% para 68%).

A pesquisa mostra ainda que a parcela dos entrevistados que percebe o noticiário mais desfavorável ao governo subiu de 75% para 76%, enquanto aqueles que vêm o noticiário mais favorável subiram de 9% para 10%. O porcentual dos que enxergam o noticiário nem favorável nem desfavorável ao governo caiu de 11% para 9%.

As notícias sobre o governo mais lembradas pela população são Presidente Dilma convida o ex-presidente Lula para assumir ministério(31%); notícias sobre manifestações a favor da do impeachment (17%) e notícias sobre Operação Lava-Jato (13%).

A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 20 deste mês, tendo sido iniciada quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi anunciado como ministro da Casa Civil e teve início uma série de manifestações na porta do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 142 municípios. O grau de confiança da pesquisa é de 95%.

Análise. O gerente de Pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, avaliou que a combinação de crise política e econômica tem gerado insatisfação e mantido a popularidade da presidente Dilma Rousseff em nível baixos. Segundo pesquisa feita pelo Ibope a pedido da entidade, oito em cada dez brasileiros avaliam que o segundo mandato está sendo pior que o primeiro e desde setembro de 2015, 82% desaprovam a maneira da presidente de governar.

Fonseca observou ainda que os dados indicam que ainda há um grupo de apoia a presidente e que avaliou que os conflitos entre as duas partes pode estar alimentando alguma recuperação nos índices de avaliação da presidente. “Obviamente tem um grupo que apoia o governo e a presidente tem se segurado nesse grupo nesse momento. É difícil saber o que vai acontecer para frente”, disse.

“A presidente está com uma popularidade muito baixa. É o mais baixo desde o governo Sarney. A soma de crise política com econômica gera essa insatisfação e explica popularidade tão baixa”, observou Fonseca. Ele ponderou, no entanto, que houve uma ligeira melhora. No quesito avaliação do governo como ruim/péssimo, passou de 70% para 69%. A maioria dos indicadores que apresentaram alguma recuperação, no entanto, ficaram dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos porcentuais.*

(*) VICTOR MARTINS – O ESTADO DE S.PAULO

E NO CONVÉS DO TITANIC

Dilma empurra o Brasil para o abismo, diz americano ‘Washington Post’

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Assim como os ingleses “The Guardian” e “The Economist”, o jornal americano “Washington Post” defendeu, em editorial, a renúncia da presidente Dilma Rousseff.

“Dilma, cuja administração está paralisada por meses, poderia servir melhor ao seu país se ficasse de lado e permitisse ao seu vice-presidente formar um novo gabinete de coalizão”, diz trecho do texto. “Ao se entrincheirar, Dilma está empurrando o Brasil para a beira do abismo”.

No editorial, o jornal faz uma análise do momento político do país e diz que, com os protestos contra a corrupção e a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o ministério da Casa Civil, o “drama subiu para outro nível”.

“Por mais de um ano, a quinta maior nação do mundo tem sido atingida pela recessão e convulsionada por investigações sobre propinas envolvendo a empresa estatal de petróleo, maiores empresas de construção do país, e dezenas de políticos de alto escalão”, diz.

Segundo o editorial, até agora a remoção de Dilma do cargo parecia duvidosa e a acusação de manipular contas orçamentais, antes de sua reeleição, em 2014, dificilmente merecia impeachment. O cenário, no entanto, mudou e a “aparente tentativa de proteger Lula pode justificar a ação do Congresso”.

OUTRAS PUBLICAÇÕES

Nas últimas semanas, outras publicações internacionais relevantes trataram da saída da presidente Dilma do cargo.

No dia 20, o britânico “The Observer”, edição dominical do “The Guardian”,sugeriu a renúncia da presidente e destacou o risco de intervenção militar no caso de os protestos (pró e contra o impeachment) perderem o controle.

“O dever de Dilma é simples: se ela não pode restabelecer a calma, deve convocar novas eleições -ou sair”, disse a publicação.

Dias antes, um editorial do norte-americano “The New York Times” classificara a justificativa de Dilma para a nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil de “ridícula”.

Na semana passada, Dilma foi capa da edição para as Américas da revista britânica “The Economist”, com o título “Hora de Partir” (“Time to Go”).

O texto avaliava que, até recentemente, mesmo sob protestos, o governo Dilma tinha legitimidade intacta, e que a presidente podia dizer que tinha o desejo de ver a justiça ser feita –mas que, com a nomeação de Lula para o ministério, Dilma “rejeitou o que vestia de credibilidade”.

No começo do mês, o também britânico “Financial Times” elogiou em editorial a Operação Lava Jato e afirmou que a denúncia do Ministério Público contra o ex-presidente Lula reforça a ideia de que não há “intocáveis” no Brasil. *

(*) Folha de São Paulo

NOVO RUMO

Além do desembarque

O desembarque do governo que o PMDB está decidindo nesta terça-feira deve ser visto como a busca da porta de emergência por parte de políticos dotados de forte instinto de sobrevivência

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A manchete do Estadão dessa segunda-feira mostra, na prática, o descalabro que tem sido a política econômica do governo nos últimos sete ou oito anos. Em 2015, nada menos que 4,4 mil fábricas fecharam suas portas apenas no Estado de São Paulo, como relata matéria redigida pela repórter Cleide Silva.

Não fecharam em consequência da atuação da Operação Lava Jato como tem explicado, inexplicavelmente, o ex-presidente Lula. Fecharam em consequência da política econômica desastrada adotada pelo governo.

Dizer, simplesmente, que esse é o resultado da recessão e que é preciso colocar em marcha uma política econômica contracíclica é ignorar que a recessão está sendo provocada pela desordem das contas públicas e que estas só estão assim porque o governo vem gastando substancialmente mais do que vem arrecadando. Olhar para os resultados estatísticos das políticas sociais e ignorar o cemitério de empregos que essa destruição de empresas está produzindo é outra demonstração de desconhecimento e de inconsequência do governo Dilma.

A mesma atenção precisa ser estendida para as pedaladas fiscais. Certos políticos, até mesmo da oposição, têm afirmado que as pedaladas fiscais podem parecer práticas um tanto esquisitas, mas não podem ser vistas como crime grave, que desemboque na destituição de um governo: “Impeachment apenas por causa dessa insignificância que eles chamam de pedalada?”, perguntam eles.

Pensar assim é desconhecer que as pedaladas, ou seja, práticas que empurram artificialmente a contabilização de despesas do governo para o exercício seguinte, foram expediente condenado pela lei, destinado a escamotear as contas públicas, que já estavam substancialmente deterioradas. E por que ficaram deterioradas? Porque a política fiscal adotada foi equivocada, o que corroeu os fundamentos da economia, que por sua vez, corroeram as bases políticas do governo.

O desembarque do governo que o PMDB, presidido por Michel Temer (foto), está decidindo nesta terça-feira não pode ser visto apenas como reação visceral de uma batelada de políticos, muitos deles dados a ostensivas práticas fisiológicas. Deve ser visto como a busca da porta de emergência por parte de políticos dotados de forte instinto de sobrevivência, porque ficou impossível apoiar um governo que já não governa, que despreza regras básicas de administração pública e que repete automaticamente que, além de destruir a economia, o Poder Judiciário está patrocinando o golpe.

Como a política econômica já é caótica, não dá para dizer que esse desembarque, se confirmado, vá produzir o caos. O mercado financeiro, altamente sensível a movimentos tectônicos, entende de outro jeito. Prefere ver nessas novidades a possibilidade de saída da crise, como se pode ler pelo comportamento do mercado de ações e do câmbio .

Ninguém consegue ver o que nos trará o dia seguinte a uma mudança de governo, especialmente se for traumática. Só se pode dizer que, mantidas as coisas como estão, tudo tenderá a ser ainda mais caótico.*

(*) Celso Ming – Estadão

TREM DESCARRILHADO

Brasil se recusa a pagar o pato da patetice de Lula e Dilma

Veja resumão

Mendonca golpe sitio charge

– STF deve decidir na quinta-feira se processos contra Lula ficam com o juiz Sergio Moro. Se tudo correr conforme a lei, a moralidade e a jurisprudência, Lula já pode ser preso na semana que vem, junto com Marisa, Lulinha e Luis Cláudio Lula.

Eu já separei a pipoca.

– Em entrevista coletiva, Lula acusou a Lava Jato de “ter um objetivo: tentar destruir sua imagem”. O título do New York Times mostra que nem o jornal americano de esquerda caiu na tentativa do petista de politizar a atuação de Sergio Moro:

“Lula ataca juiz que investiga corrupção”.

– Lula disse que Lava Jato prejudica economia. Folha publica: “desde que foram alvejadas pela Operação Lava Jato, há pouco mais de dois anos, a Petrobras e suas subsidiárias demitiram 169,7 mil pessoas”.

Além de pautar a Carta Capital, Lula pauta a Folha também?

– A culpa obviamente é dos corruptos, não dos que investigam os corruptos; e todo jornalista que se preze tem obrigação de deixar isto claro em qualquer construção verbal sobre o assunto, como este blog aponta há mais de um ano.

O lulismo é o avesso do jornalismo.

– Ao dar toco em Lula e avisá-lo do rompimento, Michel Temer ainda reclamou com ele da nomeação do peemedebista Mauro Lopes para a Aviação Civil, mesmo após o PMDB ter fechado questão contra aceitar cargos no governo por 30 dias:

“Eu avisei o senhor que esse episódio ia cair muito mal”, disse o vice-presidente, segundo o Estadão.

Mas Lula, como todo o PT, é assim: apunhala pelas costas e, na hora do desespero, quer diálogo.

– De acordo com o jornal, “os dois teriam até iniciado negociações sobre o pós-Dilma, com o vice-presidente se comprometendo a não realizar uma ‘caça às bruxas’ no governo”. Lula defende Dilma em público, mas já negocia cargos e anistias no governo Temer. O problema para Lula é que, até segunda ordem, Temer não pode lhe dar foro especial.

– Gilmar Mendes vai relatar recursos contra o impeachment, informa o Radar de VEJA. “Ele é o chamado relator prevento, que recebe todos os processos sobre o tema, devido a ter sido o primeiro sorteado no mandado de segurança que os deputados Paulo Pimenta e Wadih Damous apresentaram ao STF”. Mais um tiro no pé do PT. Ainda sobrou algum dedo?

– Até Luis Roberto “Minha Posição” Barroso declarou que impeachment não é golpe. Só Ricardo Lewandowski, amigo da família Lula, é que ficou em cima do muro dizendo que golpe é um termo político e o STF trata de questões jurídicas.

O Brasil está de olho, Lewandowski.

– Presidentes do PSDB, DEM, PPS deram entrevista à imprensa internacional para defender a legalidade do impeachment após Dilma e Lula denunciarem ao resto do mundo um “golpe” inexistente. É assim que se faz.

Chega de perder a guerra de narrativas para a propaganda petista.

– Governo só conseguiu reunir 5 senadores em encontro da base aliada, sendo 3 deles petistas. Os líderes de PMDB, PDT, PP e PR não compareceram à reunião no Planalto. O ministro Ricardo Berzoini ficou chupando dedo.

Até o Senado está desembarcando do Titanic.

– VEJA: “Partidos aliados devem seguir o PMDB e abandonar o governo. PSD, PP e PR avaliam liberação de parlamentares para votar como quiserem em relação ao impeachment da presidente.” Todos de olho num carguinho no governo Temer.

– Folha: “No rastro de Henrique Eduardo Alves, cuja exoneração a pedido do Ministério do Turismo foi publicada no Diário Oficial da União, Mauro Lopes (Aviação Civil), Eduardo Braga (Minas e Energia) e Helder Barbalho (Portos) informaram a aliados e auxiliares a intenção de deixarem as pastas.” A ala mortadela do PMDB também está de olho no governo Temer.

– “Resistentes a abandonar a Esplanada dos Ministérios, Marcelo Castro (Saúde), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Kátia Abreu (Agricultura) ainda não decidiram se deixarão o governo ou a sigla.” O povo brasileiro, eles já deixaram.

– Radar de VEJA: “Kátia Abreu procura, sem sucesso, sigla para poder ficar no governo”. “Nem a ideia de voltar para o PSD foi bem-sucedida: caciques da sigla demonstraram que o caminho do PSD também é de saída”.

Quem mandou virar miguxa da Dilma? Tchau, querida.

– O funk romântico dizia: “Avião sem asa, fogueira sem brasa / Sou eu assim sem você”. Minha versão: “Dilma sem a base, Lula sem o foro, Brasil querendo crescer…”

– Correio Braziliense: “Cerca de 5 mil patos infláveis foram colocados no gramado central da Esplanada dos Ministérios na manhã desta terça-feira (29/3). Outro pato, de cerca de 20 metros de altura, também será inflado no local.”

Chega de impostos. Chega de pagar o pato.*

(*)  Felipe Moura Brasil – Veja.com

BATENDO PALMAS PARA MALUCOS

 Dilma, Lula e a imprensa internacional

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Lula e Dilma resolveram pintar dois Brasis que não existem em recentes entrevistas à imprensa internacional.

Primeiro, a presidente fez uma rodada de conversas com veículos estrangeiros em que não se furtou a repetir que está em curso um golpe no país.

A investida presidencial levou ministros e ex-ministros do Supremo, a OAB e outras instituições a declarar o óbvio ao longo do fim de semana: o Brasil vive a normalidade democrática.

Há um processo de impeachment instaurando num Congresso democraticamente eleito, que está previsto na Constituição e cujo rito foi pormenorizado pela mais alta corte do país.

O PT e o governo devem ter avaliado que, ao vocalizar o #NãoVaiTerGolpe, Dilma deu mais um tiro no pé, porque nesta segunda-feira foi a vez de Lula convocar os veículos estrangeiros para pintar outra realidade.

Nesta, mais edulcorada, o impeachment é uma possibilidade facilmente afastável. O governo contaria, vejam só, com votos suficientes no PMDB para derrotar a proposta.

Ele mesmo, lembrou Lula, governou com só uma parcela do partido. Verdade. A opção, logo no início do seu mandato, levou ao mensalão, o primeiro escândalo petista.

O fato é que a imprensa gringa não comprou nem o golpe de Dilma nem o país das maravilhas de Lula. A “The Economist” pediu a renúncia da presidente em sua capa. Mesmo com a predileção de Dilma e Lula de falar com a imprensa internacional, não faltaram petistas para espinafrar a revista britância, a mesma que era louvada quando estampou na capa o Cristo Redentor decolando.*

(*) Vera Magalhães – Coluna Radar – Veja.com