VANGUARDA DO ATRASO

A multiplicação de patetas

De Sarney a Lula, de Dilma a Renan, o que choca é a naturalidade da conivência, o ambiente de cumplicidade, a consciência de ilícitos, sem lembrança do interesse público

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A conversa ganhou um tom confessional:

— O Michel, presidente… Eu contribuí pro Michel.

— Hum…

— Não quero nem que o senhor comente com o Renan. Eu contribuí pro Michel pra candidatura do menino… Falei com ele até num lugar inapropriado… na Base Aérea.

— Mas alguém sabe que você me ajudou?

— Não, sabe não. Ninguém sabe, presidente.

Com oito décadas e meia de vida, seis delas dedicadas ao artesanato da imagem de raposa política, o ex-presidente José Sarney conversou com o aliado Sérgio Machado com a naturalidade de quem se imagina com poder de influir sobre ministros do Supremo ou qualquer magistrado. Efeito, talvez, de meio século de interferências em indicações, promoções e remoções de juízes.

Na intimidade caseira, assentado na longa convivência e conivência com Machado, sentiu-se confortável para confessar a “ajuda” secreta do ex-presidente da Transpetro, que sabia estar sob investigação por corrupção em negócios feitos durante uma década no grupo Petrobras.

Trombou no gravador ambulante e, pela própria voz, colocou-se sob suspeitas. A “contribuição” sigilosa e outras transações agora devem ser expostas pelo mais novo “colaborador do complexo investigatório denominado Caso Lava-Jato” — identificação de Machado no acordo recém-homologado pelo juiz Teori Zavascki.

Hipocondríaco, Sarney procurava um elixir político, como também faziam Lula, Dilma Rousseff, Renan Calheiros, Romero Jucá e outros do PT, PMDB, PP e PSDB. Lula, por exemplo, começara o ano mobilizando sua tropa aliada no Congresso para modificar a essência das leis sobre colaboração de pessoas físicas e empresas. A origem delas remonta a abril de 1989 na Câmara, na comissão criada por iniciativa de Miro Teixeira, com participação de Michel Temer, relator, do então deputado Sigmaringa Seixas, hoje advogado de Lula, e José Genoino, ex-presidente do PT.

Lula, com a mesma singeleza de Sarney, julga decisivo o seu seu poder de influência. Na manhã de segunda-feira, 7 de março, por exemplo, queixava-se ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, dos “meninos” do Ministério Público: “Eles se sentem enviados de Deus”. Paes concordou: “Os caras do Ministério Público são crentes, né?”. Lula reforçou: “É uma coisa absurda (…) Eu acho que eu sou a chance que esse país tem de brigar com eles pra tentar colocá-los no seu devido lugar. Ou seja, nós criamos instituições sérias, mas tem que ter limites, tem que ter regras…” Antes de dormir, falou ao advogado Sigmaringa Seixas de sua frustração com Rodrigo Janot. Lula entendia que ele tinha um dever a cumprir, a genuflexão em agradecimento por nomeá-lo procurador-geral da República: “Essa é a gratidão… Essa é a gratidão dele por ele ser procurador” — lamentou.

De Sarney a Lula, de Dilma a Jucá e Renan, os grampos escandalizam porque expõem o modo arcaico de se fazer política no Brasil. Há delitos previstos no Código Penal. Chocante, porém, é a naturalidade da conivência, o ambiente de cumplicidade, a consciência de ilícitos dos agentes públicos. É notável que os diálogos gravados não contenham sequer resquícios de lembrança do interesse público, ou mesmo referências à honestidade. Convergem na intenção de “acabar” com as investigações, em autodefesa. Talvez seja o milagre da multiplicação de patetas.*

(*)  José Casado – O Globo

A LAVA JATO CONTINUA ATROPELANDO

Crise a jato e de consequências imprevisíveis

Resiliência de Temer é testada pela queda de dois ministros em uma semana

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RIO – A queda de dois ministros em uma semana, num governo com míseros 19 dias de vida, é provavelmente um recorde. Mas, para além de curiosidades estatísticas, levanta sérias dúvidas sobre a capacidade de resiliência de Michel Temer e torna imprevisível o desfecho da crise política.

Como se sabe, Temer fez uma opção clara ao montar seu governo interino: escalou um time político, de reputação duvidosa, com o propósito de ter o controle do Congresso que Dilma Rousseff perdeu. Além da urgência em aprovar uma pauta econômica controversa, precisa, afinal, confirmar o impeachment de Dilma para seguir no poder.

Em outras palavras, o presidente interino voltou-se para o Legislativo e virou as costas para as ruas, cuja pauta principal desde 2013 é a ética. Para um governo que começa em crise e impopular, parece uma aposta alta demais.

A demissão do ministro da Transparência, Fabiano Silveira, dá margem ainda à versão de que o objetivo da troca de comando seria domar a Lava-Jato. Algo que soa razoável quando o homem responsável por cuidar do combate à corrupção no governo é apanhado dando orientações ao presidente do Senado, Renan Calheiros, de como se livrar de seus incontáveis inquéritos no STF.

A verdade, como quase sempre, é provavelmente algo no meio do caminho. Há, de certo, quem tenha visto em Temer apenas a chance de se livrar das investigações. Mas é bom lembrar que o PT exigiu — e conseguiu — até a troca do ministro da Justiça por considerar que Dilma perdera o controle da PF a ponto de ameaçar Lula de prisão.

O fato é que as gravações de Sérgio Machado já fizeram um estrago no governo recém-nascido. Mais alguns áudios, e Temer poderá pedir música. E a Lava-Jato está mais forte do que nunca. Seu controle é impossível. Suas consequências, imprevisíveis.*

(*) ALAN GRIPP – O GLOBO

AGORA NÃO FICARÁ PEDRA SOBRE PEDRA

Odebrecht assina acordo de delação premiada com a Lava-Jato

‘Valor’ confirma acordo; Marcelo já teria começado a depor

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SÃO PAULO – O empresário Marcelo Odebrecht assinou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e já começou a prestar depoimentos aos investigadores da Operação Lava-Jato desde a semana passada. A informação é do jornal “Valor Econômico”. O GLOBO confirmou com fontes próximas às investigações que as partes assinaram um termo de confidencialidade sobre as negociações.

Além de Marcelo, outros executivos da Odebrecht fariam delação. O pai de Marcelo, Emilio Odebrecht, também prestará depoimentos, de acordo com fontes ouvidas pelo “Valor”.

A primeira proposta de delação premiada apresentada pela construtora Odebrecht, na primeira quinzena de maio, foi rejeitada pelos investigadores da Operação Lava-jato. Os advogados do maior empreiteiro do país apresentaram uma versão dos fatos que limitava as contabilidades do “Setor de Operações Estruturadas” à apenas uma estrutura de caixa dois da empresa.

Para a Lava-Jato, já não há mais dúvida que os pagamentos feitos pela setor não eram apenas isso e sim uma diretoria constituída para pagar propinas a agentes públicos e políticos com o objetivo de obter vantagens em contratos públicos. Os termos apresentados também traziam poucos detalhes sobre como ocorriam as conversas com políticos.

Na semana passada, ocorreu uma reunião onde teria sido assinado um termo de confidencialidade entre os advogados da empreiteira e membros da Lava-Jato e onde foi apresentada uma nova versão dos termos, que teria agradado mais os investigadores. Com o novo acordo, o empresário se comprometeu a entregar todas as informações sobre contribuições feitas às campanhas eleitorais majoritárias. Ele também vai detalhar os pedidos de contribuição feitos por políticos a ele e ao Grupo Odebrecht. Todos os partidos investigados no esquema de corrupção da Petrobras — PT, PMDB, PSDB e PP — podem ser implicados na delação da Odebrecht.

Na 26ª fase da Lava-Jato, deflagrada em março, os investigadores da Polícia Federal apreenderam uma planilha com listas de doações feitas pelo Grupo Odebrecht a mais de 300 políticos do país, de mais de dez partidos. O material era de posse de Benedicto Barbosa Silva Júnior, conhecido como “BJ”, presidente da Odebrecht Infraestrutura e um dos principais interlocutores do empresário Marcelo Odebrecht na alocação de recursos a campanhas políticas. O juiz Sergio Moro, depois, decretou sigilo sobre o processo ao qual as planilhas foram anexadas.

As planilhas relacionam políticos de diversos partidos do país a valores pagos pela Odebrecht, vários deles com foro privilegiado, como o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, além de senadores e deputados federais.

A inclusão delas no inquérito em curso contra o publicitário João Santana, marqueteiro do PT, pode fazer com que a denúncia tenha de ser encaminhada para apreciação do Supremo Tribunal Federal, retirando a decisão do juiz Sérgio Moro. Até agora não foram identificados quais os valores relacionados a políticos são doações legais de campanha, se foram de fato pagos e se podem ser relacionados a esquemas de propinas. Além das planilhas também foram apreendidos documentos que citam obras feitas pela Odebrecht em diversos estados e municípios.

Ainda não é possível afirmar se as doações foram feitas legalmente ou por meio de caixa 2. Outros documentos descobertos pela Lava-Jato indicam que alguns desses repasses possam ter sido feitos sem o conhecimento da Justiça Eleitoral. Em depoimento à PF em fevereiro, quando foi preso pela Lava-Jato, Benedicto Júnior disse o ex-presidente de holding, Marcelo Odebrecht, tinha que aprovar os “valores globais” que seriam doados pela empresa.

Na lista, estão políticos de vários partidos. Chama a atenção que os nomes estejam relacionados a codinomes. O senador José Sarney (PMDB), por exemplo, é chamado de “Escritor”. Renan Calheiros, o “Atleta”. Eduardo Paes, prefeito do Rio, tem como codinome “Nervosinho”. Eduardo Cunha (PMDB) , presidente da Câmara dos Deputados, é o “Caranguejo”. O senador Humberto Costa (PT), “Drácula”. O também senador Lindbergh Farias (PT) aparece como “Lindinho”, como, de fato, é conhecido. O apelido de Manuela Pinto Vieira d’Ávila, deputada federal pelo PC do B, é “Avião”.

A soma dos valores relacionados aos políticos é de R$ 55,1 mil, mas pela quantidade de nomes, e o patamar de gastos das campanhas eleitorais, sugere que a quantia possa ser, na verdade, de R$ 55,1 milhões.

DILMA

Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” no último domingo, a presidente afastada Dilma Rousseff disse que “nunca” recebeu no Palácio da Alvorada o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht, alvo da Operação Lava-Jato. Sua agenda oficial disponível no site do Planalto, no entanto, mostra que Dilma recebeu pelo menos duas vezes o empresário para reuniões no Alvorada em 2014, ano em que disputou a reeleição.

Marcelo Odebrecht está preso desde o primeiro semestre do ano passado e já foi condenado a 19 anos e quatro de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. A força-tarefa da Lava-Jato investiga repasses da Odebrecht ao publicitário João Santana, marqueteiro responsável pelas campanhas de Dilma em 2010 e 2014.*

(*) O GLOBO

LEGADO DA ERA DA CANALHICE

Taxa de desemprego vai a 11,2%, pior resultado da série histórica

Dados da Pnad se referem ao trimestre encerrado em abril; País já tem 11,4 milhões de pessoas desempregadas, montante também recorde na série do IBGE

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RIO – A taxa de desocupação no Brasil ficou em 11,2% no trimestre encerrado em abril de 2016, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta terça-feira, 31, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, mas veio dentro das expectativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que estimavam uma taxa de desemprego entre 10,90% e 11,50%, com mediana de 11,10%. A taxa de desocupação no Brasil cresce há 17 trimestres móveis consecutivos.

Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 8,0%. No primeiro trimestre deste ano, o resultado foi de 10,9%.

O País já tem 11,4 milhões de pessoas desempregadas, montante também recorde na série histórica. No período de um ano, 3,383 milhões de pessoas foram levadas à fila do desemprego, um crescimento de 42,1% ante o trimestre encerrado em abril do ano passado.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.962 no trimestre até abril de 2016. O resultado representa queda de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 173,3 bilhões no trimestre até abril, queda de 4,3% ante igual período do ano anterior.

O nível da ocupação – a proporção de ocupados em relação à população em idade de trabalhar – caiu de 56,3% no trimestre encerrado em abril de 2015 para 54,6% no trimestre encerrado em abril deste ano, o patamar mais baixo da série histórica.

A população ocupada foi de 90,633 milhões de pessoas no trimestre encerrado em abril, o equivalente a um fechamento de 1,545 milhão de vagas em um ano, recuo de 1,7% ante o mesmo período de 2015. “Para cada posto de trabalho que se perdeu, surgiram duas pessoas à procura de emprego”, resumiu Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A população em idade de trabalhar cresceu 1,3% no período, o equivalente a 2,074 milhões de pessoas a mais. Já a população inativa aumentou 0,4%, 236 mil pessoas a mais nessa condição.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

Carteira assinada. O mercado de trabalho fechou 1,548 milhão de vagas com carteira assinada no setor privado no período de um ano, recuo de 4,3% em relação ao trimestre encerrado em abril de 2015. Já o emprego sem carteira no setor privado diminuiu 0,6% no trimestre encerrado em abril, o equivalente a 64 mil vagas a menos no período de um ano.

“Você tem uma mudança na estrutura do mercado de trabalho. Tem menos pessoas trabalhando com carteira assinada. A perda de carteira era do tamanho do crescimento do trabalho por conta própria. Isso não está acontecendo mais”, observou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O emprego doméstico aumentou 4,0%, 237 mil pessoas a mais, e o trabalho por conta própria cresceu 4,9%, 1,071 milhão de indivíduos a mais nessa condição. *

(*) DANIELA AMORIM – O ESTADO DE S.PAULO

PONTO PARA A LAVA JATO

Delegada da Lava Jato é a primeira

da lista tríplice a Temer

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Erika Mialik Marena recebeu 1065 votos; Rodrigo de Melo Teixeira ficou em segundo lugar com 924 votos e, em terceiro, Marcelo Eduardo Freitas com 685; Associação de classe pretende entregar relação de nomes como sugestão para a Direção-Geral da PF ao presidente em exercício e ao ministro da Justiça

A delegada de Polícia Federal Erika Mialik Marena, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, foi eleita em primeiro lugar para a lista tríplice que será levada ao presidente em exercício Michel Temer. Ela recebeu 1065 votos.

Em segundo lugar ficou o delegado Rodrigo de Melo Teixeira, com 924 votos, e em terceiro, Marcelo Eduardo Freitas com 685. Ambos atuam na PF em Minas Gerais.

A eleição, ocorrida nesta segunda-feira, 30, é uma iniciativa inédita da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). A entidade pretende entregar o resultado do pleito a Temer e ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

A Associação quer o presidente em exercício escolha um dos nomes para assumir a Direção-Geral da PF, cargo ocupado desde 2011 pelo delegado Leandro Daiello – início do primeiro mandato de Dilma.

Na gestão de Daiello, a PF executou as mais espetaculares operações contra a corrupção, a maior delas a Lava Jato.

Erika Marena, Rodrigo Teixeira e Marcelo Freitas são reconhecidos como policiais determinados, com história e currículos destacados.

A indicação do chefe da PF por lista tríplice é uma das bandeiras dos delegados federais. Para eles o modelo de escolha contribui para o fortalecimento da instituição, meta prevista na PEC 412/2009 – Proposta de Emenda Constitucional que prevê autonomia à PF.*

(*)  JULIA AFFONSO, FAUSTO MACEDO, MATEUS COUTINHO E RICARDO BRANDT – ESTADÃO

LULULECOZINHO É UM GÊNIO

Filho de Lula recebeu cerca de R$ 10 milhões

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Ao analisar os dados do sigilo bancário de Luís Cláudio Lula da Silva, o caçula do ex-presidente Lula, a Operação Zelotes descobriu que ele e sua empresa, a LFT Marketing Esportivo, receberam quase R$ 10 milhões. Até agora, se sabia que Luís Cláudio embolsara R$ 2,5 mi da Marcondes & Mautoni, acusada de comprar medidas provisórias. Na verdade, foram perto de R$ 4 mi. O resto veio de “outras fontes suspeitas”. Os investigadores querem saber qual trabalho foi prestado para resultar no recebimento dos demais valores.

A quebra dos sigilos de Luís Cláudio e da empresa dele abrange o período de 2009 a 2015. A LFT foi constituída em 2011. Uma das linhas da investigação é saber se Lula indicou empresas para contratar a firma do filho. O petista também é alvo da Zelotes.

A empresa de Luís Cláudio não tem funcionários registrados, apesar dos valores milionários que recebeu, nem ele expertise em consultoria. O trabalho para a Mautoni foi copiado da internet.

Além das suspeitas sobre compra de medidas provisórias editadas por Lula e Dilma, a Zelotes investiga suposta propina na compra dos caças Gripen, da fabricante sueca Saab, pelo governo Dilma.

Procurada, a assessoria de Luís Cláudio alegou que não localizou os advogados e que teve pouco tempo para comentar o assunto.*

(*) Estadão

É ISSO AÍ…

Ruim com ele, pior sem ele

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Perguntar não ofende: qual o objetivo de quem é contra o impeachment de Dilma Rousseff e está queimando pneus em estradas, invadindo prédios da Cultura, gritando “Fora Temer” na parada LGBT, exibindo cartazes no exterior para dizer que “there is a coup in Brazil”? E qual o objetivo de quem é a favor do impeachment, mas torce contra o governo interino de Michel Temer, condena as propostas para combater o rombo das contas públicas e repudia a indispensável reforma da Previdência?

Tanto quem é a favor quanto quem é contra o afastamento de Dilma tem de ter em mente a responsabilidade coletiva com a história e que só há três saídas para um país mergulhado em tantas crises. Fora disso, não há alternativa, a não ser anarquia.

Uma saída é dar uma trégua para Temer governar e a equipe de Henrique Meirelles tentar por a economia em ordem nesses dois anos e meio, para entregar para os eleitores em 2018 um país razoavelmente saneado. Temer não é perfeito e o PMDB tornou-se muito imperfeito, mas ele foi escolhido por Dilma e por Lula e eleito na chapa do mesmo PT que anima os queimadores de pneus, os invasores da Cultura, os que gritam “Fora Temer” e uma turma que mora fora – uns, há tantas décadas, que deveriam estar mais preocupados com o Trump.

Além de habitar o Jaburu, Temer despacha agora no Planalto por força da Constituição, que assim determina: sai um(a) presidente, assume o vice. Não importa se é bonito, feio, gordo, magro, se é Itamar Franco ou se é Michel Temer. Ele está lá, e o Brasil, os brasileiros, a indústria, o comércio e os 11 milhões de desempregados precisam desesperadamente que comece a equilibrar as contas públicas e a fazer a economia andar.

A saída número 2 é a volta de Dilma. Sério mesmo, alguém deseja de fato a volta de Dilma, com sua incapacidade de presidir o País, negociar com o Congresso, ouvir os conselhos do padrinho Lula ou, aliás, ouvir qualquer expert de qualquer área sobre qualquer coisa? No aconchego dos seus lares, na convivência com familiares, amigos e vizinhos e nas conversas com seus travesseiros – e com o próprio Lula –, será que os petistas de raiz querem mesmo a volta de Dilma?

Os deputados não são lá essas coisas, mas acataram o impeachment pelo crime de responsabilidade fiscal, previsto na Constituição e confirmado pelo resultado final: um rombo que o governo Dilma admitia ser de R$ 96,6 bilhões e que a equipe de Meirelles descobriu bater em R$ 170 bilhões. Mas, além do fato formal, deputados e senadores tocaram o processo adiante pelo desmantelamento da economia, o esgarçamento das relações políticas e porque Dilma conseguiu ser a presidente mais impopular do país desde 1985.

A opção 3 (dos favoráveis e contrários ao impeachment) seria a antecipação de eleições diretas, empurrando Temer ou Dilma para a renúncia (dependendo de o Senado confirmar ou não o impeachment), ou dando um golpe branco e mudando a Constituição por questões conjunturais. E o que viria depois? Uma eleição às pressas, sem que os partidos tivessem se preparado e sem candidatos à altura da crise. Dá um frio na espinha pensar nos aventureiros que se lançariam como salvadores da pátria, da ética, da economia, dos “bons costumes”, da “ordem” deles, do “progresso” deles.

Isso não é brincadeira. O seguro, que morreu de velho, recomenda respeitar a Constituição, o Congresso que o eleitor elegeu e a posse do vice que 2014 jogou no Jaburu, na perspectiva de assumir com o afastamento constitucional da presidente. Vale, sim, gritar contra muitas coisas, inclusive a nomeação de um ministro da Transparência indicado, ora, ora, pelo senador Renan Calheiros. Mas o esforço para derrubar Temer, neste momento, é trabalhar contra o Brasil.*

(*) Eliane Cantanhêde – Estadão

PAÍS TROPICAL

Você não precisa escolher motocicletas

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Um dos malefícios causados pelo PT foi a ideologização de todos os aspectos da vida. Ideologização que transita entre a desonestidade intelectual e a mais absoluta insanidade.
Veja-se o caso do estupro coletivo da adolescente carioca, ainda não totalmente esclarecido. Petistas culparam o governo Temer — ou a direita — pela “cultura do estupro” no Brasil. Seria um dos lados mais perversos da exploração capitalista. Como escrevi em O Antagonista, o argumento não passa de um estupro da razão.

O jornalista Tales Alvarenga, que morreu em 2006, dois anos depois de deixar a direção da Veja, costumava fazer piada com os estereótipos inculcados pela esquerda. Ele dizia que alcançavam até mesmo as motocicletas. “Quem gosta de Harley-Davidson é de esquerda; quem prefere as motos de corrida é de direita”, brincava. Não duvido que haja gente que chegue a esse ponto.

Na década de oitenta, um livrinho de Marilena Chauí antecipava o fenômeno. Intitulava-se “O que é Ideologia” e integrava a coleção “Primeiros Passos”, da editora Brasiliense. O opúsculo serviu para doutrinar milhares de estudantes secundaristas e universitários. A professora da USP, petista de primeiríssima hora, afirmava que tudo — absolutamente tudo — era ideologia, numa simplificação grosseira daquela outra banalização bem mais vasta chamada marxismo.

Para os ideólogos da ideologia onipresente, onisciente e onipotente, os valores morais que erigiram a civilização ocidental são instrumentos de manipulação das “classes dominantes”. Uma forma de manter sob o seu jugo a massa trabalhadora. Transgredi-los em prol da causa socialista é, mais do que desculpável, necessário. Só devem ser esgrimidos para ferir quem discorda de você, como demonstra a interpretação maluca, mas com método, do episódio do estupro coletivo. O “moralismo udenista” tem lá utilidade.

Na verdade, a ideologização extrema é o exato contrário da politização. Ela relativiza o certo e o errado, embaça as consciências, inviabiliza o debate e impossibilita os consensos. Está para a política como o fanatismo para a religião. Não existe o “PT light”, o PT sempre foi “xiita”, para ficar na imagem ipanemense de trinta anos atrás.

O que nos salva é a vagabundice. Na Rússia de 1917, a ideologização produziu uma ditadura que terminaria quase setenta anos mais tarde. No Brasil do PT, gerou o maior assalto aos cofres públicos de que se tem notícia. Marilena Chauí não é Marx; Lula não é Lênin.

Lembre-se, portanto: você não precisa escolher motocicletas.*

(*)  Mário Sabino – O Antagonista