TRANSPARÊNCIA PERO NO MUCHO

Chefes do Ministério da Transparência nos estados entregam cargos

Em conversa gravada, ministro criticou condução da Operação Lava Jato.
‘Por enquanto’, Fabiano Silveira fica no cargo, dizem assessores de Temer.

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Chefes regionais do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle em ao menos oito estados entregaram seus cargos nesta segunda-feira (30) em protesto pela permanência do ministro Fabiano Silveira na pasta, segundo levantamento do G1. Em gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, Silveira faz críticas à condução da Lava Jato e dá conselhos a investigados na operação.

O Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacom Sindical) afirma que todos os 26 chefes regionais entregaram os cargos. No total, 250 servidores em funções de chefia colocaram seus cargos à disposição nesta segunda, de acordo com o sindicato.

O áudio foi gravado por Machado durante uma reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Silveira, quando ainda era conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na tarde desta segunda, assessores do presidente em exercício Michel Temer afirmaram que, “por enquanto”, Silveira fica no cargo.

Os chefes regionais afirmam que a entrega dos cargos se deve à permanência de Silveira na pasta mesmo após a divulgação das gravações. Eles pedem a exoneração do ministro. A mobilização é realizada pelos servidores da extinta Controladoria-Geral da União (CGU), que teve suas atribuições absorvidas pelo recém-criado Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, chefiado por Silveira.

Em alguns estados, além da entrega dos cargos, as atividades do órgão estão paralisadas. O ministério da Transparência foi procurado, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.*

(*) Do G1, em São Paulo

POBRE E INFELIZ BRASIL…

Penúltima da gestão Temer: ministro da Transparência vinculado à escuridão

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Se Michel Temer não acordar, vai chegar uma hora em que a paciência dos brasileiros, dos quais 58% já não o queriam na Presidência, se esgotará. Quando parece que está tudo normalizado —o Romero Jucá afastado da Esplanada, o Ministério da Cultura recriado, nenhuma acusação nova feita contra o Eduardo Cunha na última meia hora, o Lula quieto, a seleção do Dunga derrotando o time do Panamá por 2 a 0, o impeachment da Dilma caminhando no Senado, as pessoas começando a se conformar com a peruca ridícula do Antonio Fagundes na novela—, surge mais uma gravação do Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.

A encrenca se insinua pela segunda semana. Temer faz um inventário de suas preocupações e pensa: “Hoje, finalmente, vou poder dormir mais tranquilo…”. E não pode. Tem que se preocupar com a nova gravação do delator Sérgio Machado, divulgada pelo Fantástico, em plena noite de domingo. Responsável pelo combate à corrupção, Fabiano Silveira, ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, foi gravado dando aula a suspeitos de desvio$ sobre como se livrar da Lava Jato. Advogado, Fabiano distribuiu seus ensinamentos ao próprio Machado e a Renan Calheiros, padrinho de sua nomeação para o ministério de Temer.

Quem saiu às ruas para pedir a cabeça de Dilma e repudiar a corrupção observa tudo o que houve em Brasília e se desespera com o que ouve nas gravações de Machado. Elas sugerem que Temer no poder é uma troca de seis por meia dúzia. Afastada a ladroagem do PT, assanhou-se a ladroeira do PMDB, que está obcecada pela ideia de asfixiar a Lava Jato, não de salvar o país. Não passa um dia sem que haja um novo problema no governo seminovo —como se não bastassem o André Moura, um triplo-réu na liderança do governo, e o Waldir Maranhão, um néscio multi-investigado no comando da Câmara.

Quando o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) está quase convencendo um pedaço do país de que conseguirá achar uma saída para a crise —ainda que tenha que procurar mais um pouco—, um novo áudio captado pelo Sérgio Machado despeja no noticiário as vozes do esgoto. É como se o governo tentasse consertar a torneira dos gastos públicos e estourasse a privada. Ou Temer afasta Fabiano Silveira da poltrona de ministro ou o odor será insuportável ao final desta segunda-feira.

Na semana passada, um dia depois da saída de Jucá da pasta do Planejamento, Temer reuniu os líderes partidários para pedir empenho no Congresso. Ao abrir o encontro, declarou, batendo na mesa: “Ouvi aqui: ‘O Temer está muito frágil, coitadinho, não sabe governar.’ Conversa! Fui secretário de Segurança Pública duas vezes em São Paulo e tratava com bandidos. Sei o que fazer no governo e saberei como conduzir.” Será? Entregar o Planejamento a um enrolado na Lava Jato, a liderança do govenro a um suspeito até de tentativa de homicídio e a pasta anti-corrupção ao afilhado de Renan não parecem bons prenúncios.

Vivo, Cazuza diria a Temer: “Tuas ideias não correspondem aos fatos. Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades.” No gogó, Temer é um defensor da Lava Jato. Na prática, chefia um governo apinhado de suspeitos e cúmplices. E os problemas não param. Na semana passada, Temer tentou apagar outro pavio. Indagou ao ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, também investigado na Lava Jato, se não seria o caso de deixar a Esplanada. O amigo não se deu por achado. O governo parece ter perdido a noção do perigo. Brinca com os nervos dos brasileiros. Ssssssssssssssssssssssssss…*

(*)  Blog do Josias de Souza

Ó TEMPORA… Ó MORES!

Machado e Renan tinham ‘esquemão’ para atender PMDB, diz Delcídio

Segundo senador cassado, os dois atendiam interesses da sigla no Senado.
Assessorias de Renan e Machado não se manifestaram sobre o caso.

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Ex-líder do governo no Senado, o senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS) disse neste sábado (28) em entrevista exclusiva à GloboNews que o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado era “prioridade absoluta’’ do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na residência oficial do peemedebista. Delcídio relatou episódios em que o presidente do Senado suspendia reuniões com outras pessoas para atender Machado.

Delcídio teve o mandato cassado no último dia 10. Ele foi preso em novembro de 2015 por suspeita de tentar atrapalhar as investigações da operação Lava Jato e deixou a prisão em fevereiro deste ano. Desde então, ele é mantido em recolhimento domiliar.

A cassação de Delcídio ocorreu após parlamentares descobrirem que ele havia firmado acordo dedelação premiada. Na colaboração, ele fez revelações envolvendo diversos ex-colegas de parlamento, como o próprio Renan, o que irritou os senadores. Delcídio atribui a rapidez de sua cassação, antes da votação no Senado do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, a uma “vingança’’ do presidente da Casa.

Delcídio, como senador, era um dos principais parlamentares do Congresso. Ele tinha livre acesso a deputados e senadores de diversos partidos, e atuava como líder do governo de Dilma Rousseff. Como líder, frequentava o Palácio do Planalto, da Alvorada e também a residência oficial do Senado.

Segundo o parlamentar cassado, as reuniões de Renan com Machado, que também fechou acordo de delação premiada, na residência oficial “eram frequentes’’. Ele diz que a dupla formava um ‘’esquemão fidelizado’’. De acordo com Delcídio, Sérgio era “blindado pelo Renan”. “Ninguém encostava nele. Sérgio era totalmente fidelizado a Renan’’, disse. “Sérgio era o cara que fazia a interlocução com os donos das empresas, e outros operavam financeiramente para Renan”, completou.

Para manter o que chamou de “hegemonia”, segundo Delcídio, Renan usava o ex-presidente da Transpetro para atender outros parlamentares da cúpula do PMDB no Senado, como Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RR), José Sarney (AP) e Edison Lobão (MA).

A assessoria jurídica de Sérgio Machado informou que não vai se manifestar por causa do sigilo do processo de delação premiada que ele assinou.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o senador Valdir Raupp informou que “jamais fez indicações políticas para o setor elétrico e que as acusações do ex-senador Delcídio do Amaral são descabidas e inverídicas”. A assessoria de imprensa de Romero Jucá disse que o senador não vai comentar as declarações do parlamentar cassado.

A GloboNews e o G1 entraram em contato com as assessorias de imprensa de Renan Calheiros e Edison Lobão, mas não obtiveram resposta até a última atualização desta reportagem.

Machado ficou mais de dez anos na presidência da Transpetro indicado por Renan. Na semana passada, foram divulgados áudios em que ele gravou conversas comprometendo a cúpula do PMDB do Senado.

Abaixo os principais trechos da entrevista:

GloboNews: Como ex-líder do governo e com trânsito com todos os senadores, o senhor tinha acesso livre à residência oficial do Senado e na presidência. Sérgio Machado frequentava a residência oficial? O senhor já testemunhou a presença dele com Renan?
Delcídio: Eu estive. Mas o Renan blindava demais o Sérgio. O Sérgio era uma pessoa que ninguém encostava nele. E ele também fazia questão de não dar nenhuma ousadia para ninguém. Ou seja, Sérgio era fidelizado a Renan. Para você ter uma ideia, eu estava conversando com Renan, na residência oficial, o Sérgio chegava, e o Renan suspendia a reunião e atendia Sérgio numa saleta que tinha na entrada na casa. Ele nem esperava. Era despacho rápido, eles conversavam, e o Sérgio ia embora. Não dava nenhuma oportunidade de o Sérgio se integrar ou conversar ou ficar junto com o pessoal.

GloboNews: O senhor está falando de que período?
Delcídio: Mais recentemente, no ano passado, até quando o Sérgio saiu da Transpetro (fevereiro de 2015) isso era frequente. Eu mesmo estive em algumas situações em que o Sérgio chegou lá, Renan o recebia e a gente ficava ali esperando até ele ir embora.

GloboNews: Sérgio era prioridade absoluta de Renan, então?
Delcídio: Absoluta. Ele era o único cara que Renan tinha ascendência direta.

GloboNews: E do que eles tratavam?
Delcídio: Eu não presenciei, mas normalmente eram as operações da Transpetro. Todo mundo sabia. Sérgio era o cara que fazia a interlocução com os donos das empresas e outros operavam financeiramente para Renan.

GloboNews: Quem?
Decídio: Eu prefiro não falar agora, ainda.

GloboNews: E o senhor tinha relação com Sérgio?
Delcídio: Falava [com Machado] porque ele foi do PSDB, eu também. Eu tinha relação com ele desta época, tinha um aproximação natural com ele. Então, falava com ele e tal, mas eu nunca vi um esquema tão fidelizado de uma indicação política com alguém que indica como essa relação de Renan com Sérgio. E olha que eu conheço muita gente, é impressionante.

GloboNews: O que o senhor quer dizer com fidelizado?
Delcídio: Fidelizar é o seguinte: é um esquemão mesmo. Uma operação restrita, onde eles tinham controle absoluto e agiram com muita competência. Porque ninguém fica mais de dez anos na Transpetro.

GloboNews: Então, na avaliação do senhor, Machado pode detalhar outras operações envolvendo a cúpula do Senado?
Delcídio: Essas conversas que foram divulgadas, isso é ‘peanuts’ perto do que vem, Sérgio tinha todo controle. É um perigo, por isso o povo está apavorado: ele sabia de tudo. Ele era o cara do Renan e o Renan. Para garantir a hegemonia, atendia outros senadores do núcleo do PMDB que sempre comandou o Senado, através do Sérgio.*

(*) Andreia Sadi – Da Globonews

DURA LEX SED LEX NO CABELO SÓ GUMEX

Por mais rigor da Justiça

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Sejamos francos: políticos com medo de serem presos conspiraram, sim, para derrubar a presidente Dilma. Um governo fraco, autor de graves erros, daria vez a um governo de “salvação nacional”, encabeçado pelo vice Michel Temer, capaz de tirar o país do atoleiro econômico.

E assim, suspeitos ou acusados de corrupção poderiam salvar-se mediante um acordo que freasse o avanço da Lava-Jato. Que tal?

Nada de estranho. Nem mesmo de absurdo.

Os donos do poder, fossem eles políticos ou não, sempre souberam construir acordos e preservar a própria pele em detrimento da moral e da Justiça. Por extensão, também suas fortunas e posições na hierarquia social.

A história do país está repleta de exemplos. E magistrados jamais foram insensíveis a tais acordos. Pelo contrário.

É disso, em resumo, que dão notícia as gravações de Sérgio “Lobo de Wall Street” Machado, presidente da Transpetro nos últimos 12 anos e bem-sucedido caixa oculto para enriquecimento dos caciques do PMDB e financiamento de suas campanhas eleitorais.

Apetrechado com equipamentos de escuta e monitorado por agentes federais a pouca distância, Machado foi à luta e saiu laureado.

No período de uma semana, a divulgação das gravações atingiu três vistosos alvos – os senadores Romero Jucá (RR) e Renan Calheiros (AL), e o presidente de honra do PMDB José Sarney (MA), ex-presidente da República.

Jucá perdeu o Ministério do Planejamento. Renan, a vergonha, se vestígio dela ainda lhe restasse. Sarney arranjou um triste fecho para sua biografia.

O Brasil vive “sob a ditadura” da Justiça, reclamou Sarney. Que aconselhou Machado a não meter advogados em tratativas para escapar da Lava-Jato.

Sarney tinha outro plano: acionar o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Cesar Asfor Rocha, amigo de Teori Zavaski, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Quem sabe Teori não ajudaria Machado?

A  Asfor Rocha, Renan preferia o advogado Eduardo Ferrão, também amigo de Teori. Sarney e Renan garantiram a Machado todo o empenho para que seu caso não “descesse” à República de Curitiba, chamada de “Torre de Londres” por Jucá.

“É preciso estancar a sangria”, advertiu Jucá. E “a moça” imaculada (Dilma) carecia de forças para a tarefa. Temer teria certamente.

É mais correto dizer que Dilma “carecia de forças” para socorrer políticos em apuros do que de vontade. A Procuradoria-Geral da República quer investigá-la pela nomeação de um ministro sob o compromisso de votar a favor da libertação de empreiteiros presos pela Lava-Jato.

Segundo Sarney, a imaculada Dilma pediu a Odebrecht que pagasse no exterior despesa de sua campanha.

Por que em tantos diálogos gravados ou reproduzidos, políticos sugerem dispor de livre trânsito entre ministros de tribunais superiores? Alguns por fanfarronice. Outros porque têm de fato.

Não há julgamento puramente técnico. São homens e mulheres que julgam. E por mais que persigam um estado de isenção plena – e nem todos perseguem -, jamais o alcançam.

O STF mandou para a cadeia 25 dos acusados pelo escândalo do mensalão do PT, mas recusou-se a investigar a fundo a responsabilidade de Lula no episódio.

Desta vez, tudo indica que será mais rigoroso com os réus da roubalheira na Petrobras, sem condescendência com nenhum, seja por distração ou – muito pior – conivência. É o que se espera dele.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

E LA NAVE VA

A dívida dos jornalistas

Se a imprensa continuar sinalizando que disparará em manchete toda gravação que qualquer chantagista lhe enfiar na culatra a política seguirá, como hoje, sendo movida exclusivamente a gravações de chantagistas. E mata-se o Brasil

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Os batedores de bumbo do PT nunca estiveram tão exultantes, desde Waldir Maranhão, com os últimos golpes para “provar que é golpe” a operação que se ensaia para deter o livre despencar da miséria brasileira nas profundezas do caos político e das finanças públicas destroçadas que seu partido nos legaram.

Lá virá a ladainha de sempre para demonstrar que alhos são bugalhos mas é tempo perdido. O que derrubou o PT foi a paralisação da economia, o que paralisou a economia foi a mentira institucionalizada, Temer está onde está porque é o sucessor constitucional no posto do qual o Brasil apeou Dilma, a Lava-Jato não vai parar. Só o Brasil tem força para desencadear ou para suspender processos como esses.

O PT passou 13 anos operando só para si e nas sombras e deu no que deu. Temer começa falando só de Brasil mas ainda hesita em expor-se inteiro ao sol. Vai em busca de sua legitimação junto à única fonte de onde ela pode vir. Pede humildemente endosso da opinião pública à lógica das suas soluções; dispõe-se a adapta-las para consegui-lo.

Por esse caminho é certo que pode dar certo. Mas se, e somente se, a aposta na transparência for absoluta.

Ninguém atravessou a “Era PT” impoluto. O país conhece os políticos que tem e sabe que é com eles que terá de contar. O fato de todos eles estarem discutindo Lava-Jato, como o resto do Brasil, não significa, em si mesmo, rigorosamente nada. Do presidente em exercício para baixo, na equipe política e na equipe técnica, são as mesmas pessoas que serviram o PT que se dispõem, agora, a servir antes o Brasil como poderia ter sido sempre se o governo anterior o tivesse desejado. Muda a música que se toca, muda a dança que se dança.

Gravações?

Haverá outras mil. Nesse departamento vivemos o clássico dilema do ovo ou da galinha. Se a imprensa continuar sinalizando que disparará em manchete toda gravação que qualquer chantagista lhe enfiar na culatra a política seguirá, como hoje, sendo movida exclusivamente a gravações de chantagistas. E mata-se o Brasil. Se passar a investigar e dar manchetes para o maior problema brasileiro, a política nacional passará a girar em torno do maior problema brasileiro. E o Brasil ressuscitará.

Explico-me com um pouco de história. Em 1976, em pleno regime militar e no auge da censura, este jornal publicou a série “Assim vivem nossos superfuncionários” que ficou conhecida como a reportagem “das Mordomias”. Ela expôs em detalhe à miséria nacional o universo obsceno de fausto e desperdício que ela sustentava sem saber e que drenava todo dinheiro público que deveria estar sendo investido em infraestrutura e serviços essenciais à melhoria continuada do desempenho da economia e, consequentemente, do valor do trabalho. Dado o sinal à nação de que havia quem se dispusesse a publicá-las choveram denuncias na redação durante meses a fio revelando as infinitas formas que assumia a ordenha do Estado mal disfarçada na soma de salários e benefícios estratosféricos, no assalto a longo prazo ao erário mediante a “anabolização” de último minuto em aposentadorias que perdurariam por décadas e se desdobrariam em pensões vitalícias transmitidas de pai para filho e nos outros ralos mil abertos por agentes corruptos dos três poderes que viviam de vender esse saque institucionalizado do Estado.

Materializada na exposição direta dos modos de vida que esses esquemas sustentavam, a discussão saiu do nível abstrato. Cada brasileiro, lá do seu barraco, pôde ver com os próprios olhos como e por quem vinha sendo estuprado, e no que se transformava, na realidade, a estatização da economia que a esquerda, de armas na mão, de um lado, exigia que fosse total, e os militares da direita, lá pelo deles, concretamente executaram como nunca antes na história deste país criando mais de 540 estatais. Mas nem a famigerada ditadura militar resistiu à força dos fatos e imagens revelados. Muitas outras reportagens semelhantes foram produzidas país afora e, já em 1979 os generais, pressionados, tinham criado um ministério inteiro para começar a desmontar a privilegiatura. Quando o país emergiu para a redemocratização, em 1985, sabia em que direção tinha de caminhar. A luta para desprivatizar o Estado e devolve-lo ao conjunto dos brasileiros veio até o governo FHC e a Lei de Responsabilidade Fiscal cujo desmonte – e consequências – pôs um fim à “Era PT”.

Esse continua sendo o maior problema brasileiro. Desde 2003 o PT reelegeu o loteamento do Estado como moeda única do jogo político e, ao fim de 13 anos de um processo desenfreado de engorda, cada emprego pendurado no cabide vem desaguando, obeso, na Previdência. O governo Temer aponta vagamente “a Previdência” como o “X” do problema brasileiro e está certo. Mas, pendurado ainda no ar, sabe que tomar a iniciativa de por esse bode na sala é morte certa. É por isso que, nem Henrique Meirelles, nem seu chefe se permitem completar a frase: é a Previdência do setor público, valendo 33 vezes o que vale a outra, que é o “X” do problema brasileiro. E sem mexer profundamente nela o Brasil não desatola.

Não há um único jornalista, especialmente em Brasília onde o despautério é mais visível a olho nu, que não saiba disso. E, no entanto, persiste a cumplicidade com essa mistificação quando até o PMDB já está claramente pedindo o empurrão que falta para que esse tema indigesto suba à mesa.

Para poder voltar a andar o Brasil não precisa, exatamente, de uma reforma da Previdência, espremendo um pouco mais a miserinha que ela distribui depois da festa dos aposentados do Estado na qual, diga-se de passagem, os do Judiciário são reis. Mais do que justiçamentos o Brasil precisa de justiça que é uma ideia bem mais fácil de vender, desde que antes o jornalismo, em vez de só barulho, faça a sua porca obrigação de mostrar em todos os seus escandalosos pormenores o tamanho da injustiça que é necessário corrigir.*

(*) Fernão Lara Mesquita, site vespeiro.com – no blog do Augusto Nunes

O APARELHAMENTO NÃO FOI DESMONTADO

O filé mignon dos conselhos das estatais ainda nem foi fatiado

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Os partidos aliados a Michel Temer esfregam as mãos com um filé mignon que nem chegou a ser fatiado nesta primeira leva de nomeações — os conselhos de administração das estatais.

Será uma espécie de farra do boi. Mistura remuneração alta com apenas uma reunião mensal para participar. Um conselheiro de Itaipu, por exemplo, leva para casa R$ 20 mil por mês. Ali, estão alojados (não por muito tempo) os petistas Jaques Wagner e Giles Azevedo.

Na Eletronuclear, está Marco Aurélio Garcia, ele mesmo, o assessor para assuntos internacionais de Dilma Rousseff, tanto em seu governo como no afastamento do Alvorada.

No BNDES, estão José Eduardo Cardozo, Aldo Rebelo e Miguel Rossetto. Empresa de capital misto também é pouso da turma que engorda os salários como conselheiros.

Eis alguns exemplos:

Brasilcap e Brasilprev: Valdir Simão, Luís Inácio Adams;

Mapfre: Aloizio Mercadante e Edinho Silva;

E, finalmente, a Neoenergia. Em novembro, quando a Lava-Jato já estava em seus calcanhares, Paulo Bernardo foi indicado pelo Banco do Brasil como seu representante no conselho de administração. Desses todos, Bernardo foi o primeiro a dançar. Na semana passada, foi desligado do conselho da Neoenergia.*

(*) Blog do Lauro Jardim – O Globo

TUDO COMO DANTES NO QUARTEL DOS ABRANTES

PMDB vai comandar estatais do setor elétrico

Com PT afastado e caminho livre, partido ficará com Eletrobras e outras empresas

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BRASÍLIA – Sem o PT no governo para dividir o comando das estatais do setor elétrico, o PMDB vai assumir a presidência das principais empresas do setor. A maior delas, a Eletrobras, será mantida nas mãos do PMDB do Senado. O critério adotado na Petrobras, para onde foi escolhido um executivo reconhecido pelo mercado, Pedro Parente, não deverá ser a regra. Na Petrobras, o presidente interino, Michel Temer, disse que não seriam aceitas indicações políticas para a diretoria. No sistema elétrico, porém, será diferente.

— Não necessariamente. Estamos avaliando todas as alternativas. Mas a escolha será feita tendo como base a competência e a qualificação — afirmou um integrante do time de Michel Temer, ao negar a existência de veto às indicações políticas.

RENAN E EUNÍCIO INDICAM

O atual presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, nomeado pelo ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão, e que tem o aval do ex-presidente da República José Sarney, deverá ser substituído. O novo presidente também será indicado pelo PMDB do Senado, e terá como padrinhos o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o líder Eunício Oliveira (CE). A indicação de Renan está sendo mantida em sigilo.

Uma de suas tarefas é sanear a empresa, que teve um prejuízo de R$ 14,4 bilhões no ano passado, acumula uma dívida de mais de R$ 40 bilhões e está com suas ações em negociação na Bolsa de Nova York. A estatal tem participação ou controle acionário de dezenas de empresas de geração e transmissão de energia, entre as quais as usinas de Belo Monte (49,98% do total das ações), Jirau (40%) e Santo Antônio (39%).

PICCIANI TRABALHA POR FURNAS

O PMDB do Rio também faz pressão. Ele quer retomar o controle de Furnas. O presidente local da legenda, o deputado estadual Jorge Picciani, está fazendo as gestões. Entre os ex-presidentes da empresa escolhidos pelo PMDB fluminense estão Luiz Paulo Conde (2007/2008) e Carlos Nadalutti Filho (2008/2011). Este último caiu sob a alegação de que era indicado pelo presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. O presidente atual, Flávio Decat de Moura, nomeado em 2011, também teria o aval de Edison Lobão e José Sarney, embora nos bastidores diga-se que eles apenas apadrinharam uma pessoa escolhida pela própria Dilma.

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, também será contemplado. Seu partido, o PSB, vai assumir a presidência da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco). Esse cargo era ocupado por indicações dos socialistas desde a posse do ex-presidente Lula, em 2003. Mas, com a candidatura presidencial de Eduardo Campos, em 2014, a presidente afastada, Dilma Rousseff, nomeou para o cargo José Carlos de Miranda Farias, indicado pelo PP de Pernambuco.

A empresa Binacional Itaipu, que é presidida desde 2003 pelo petista Jorge Samek, também mudará de mãos. Ele já botou o cargo à disposição, embora seu mandato não se encerre agora, e só está esperando para fazer a transição. O próximo presidente, indicado pelo PMDB do Paraná, deve ser Rodrigo Rocha Loures, ex-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (2203/2011) e atual vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O empresário é pai de um dos assessores de Michel Temer, o ex-deputado Rocha Loures.

DEM TAMBÉM DISPUTA ITAIPU

Apesar disso, uma ala do PMDB paranaense defende a escolha do atual vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil, Osmar Dias. A nomeação teria como objetivo preparar sua candidatura ao governo do Paraná em 2018.

— Conhecer o setor não é um critério absoluto. Tem que ter capacidade gerencial. O Fernando Henrique era economista? E deu no que deu (Plano Real). O Osmar Dias virou referência no agronegócio — comenta um assessor de Temer.

O DEM também resolveu disputar o cargo, e está indicando o ex-deputado Abelardo Lupion, presidente da Companhia de Habitação do Paraná, que tem como avalista o governador Beto Richa (PSDB).

QUEM DEVE DEIXAR O CARGO

José da Costa Carvalho Neto – O atual presidente da Eletrobras, indicado com aval de Sarney, deve ser substituído. Mas o PMDB do Senado vai manter o controle da principal estatal do setor elétrico.

Flávio Decat de Moura – Nomeado em 2011 para a presidência de Furnas Centrais Elétricas, é outro que deve ser substituído. Jorge Picciani, presidente do PMDB do Rio, comanda o processo de troca.

Jorge Miguel Samek – No comando de Itaipu Binacional desde 2003, o petista pôs o cargo à disposição, embora ainda tenha mandato em vigor. O substituto será indicado pelo PMDB do Paraná.

ELETRONORTE E ELETROSUL TAMBÉM FICARÃO COM O PARTIDO

A Eletronorte, sediada em Belém, é tradicionalmente do PMDB do Pará. A escolha de seu titular passa pelas mãos do presidente do PMDB local, senador Jader Barbalho. O atual, Tito Cardoso de Oliveira Neto, foi indicado por ele. Agora, no governo Temer, Jader continuará mandando, mas o Planalto espera que negocie com os senadores Petecão (PSD-AC), Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (PMDB-AM), ex-ministro. Não se sabe se ele manterá Tito ou fará nova indicação.

O cargo de presidente da Eletrosul ficará com o PMDB de Santa Catarina. Os petistas, nos governos de Lula e Dilma, desalojaram os peemedebistas. Apenas por um breve período, no ano passado, a estatal foi presidida por Djalma Berger, irmão do senador Dário Berger (PMDB-SC). Esta semana, a Secretaria de Governo, do ministro Geddel Vieira Lima, deve concluir as negociações e levar os nomes para Michel Temer.*

(*)  ILIMAR FRANCO – O GLOBO

 

ATÉ A TORCIDA DO FLAMENGO SABIA…

‘Lula tinha pleno conhecimento de que o mensalão não era ‘caixa 2′ de eleição’, diz Pedro Corrêa

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Delator condenado no mensalão e na Lava Jato afirma que ex-presidente sabia que valores pagos no primeiro escândalo de seu governo era ‘propina arrecadada junto aos órgãos governamentais para que os políticos mantivessem as suas bases eleitorais e continuassem a integrar a base aliada do governo’

A delação premiada do ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE) confirma a tese sustentada pela força-tarefa da Operação Lava Jato de que os escândalos da Petrobrás e do mensalão tiveram como origem uma sistemática única de corrupção para compra de apoio político para manutenção do poder com a participação direta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Lula tinha pleno conhecimento de que o mensalão não era ‘caixa dois’ de eleição, mas sim propina arrecada junto aos órgãos governamentais para que os políticos mantivessem as suas bases eleitorais e continuassem a integrar a base aliada do governo, votando as matérias de interesse do Executivo no Congresso Nacional.”

O trecho é parte do “Anexo 4″ da delação de premiada de Corrêa, com o resumo do tema tratado sobre “suposto envolvimento de Lula nos esquemas de corrupção”. Nele, há um item específico sobre o “mensalão” – primeiro grande escândalo da era PT no governo federal. Após revelação do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) descobriu-se que o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, comandava a compra de parlamentares da base aliada em troca de apoio político.

José Dirceu e Pedro Corrêa foram condenados no mensalão, em 2012, em processo final no Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois foram presos em 2013 e acabaram novamente detidos e condenados no escândalo da Lava Jato. O juiz federal Sérgio Moro aplicou a Dirceu a mais longeva pena, nesses dois anos de operação: 23 anos de reclusão.

Corrêa relata as reuniões em que participava do Conselho Político criado por Lula. “Nas quais sempre estavam presentes o presidente Lula, o ministro José Dirceu, o ministro Antônio Palocci e, depois, o ministro Aldo Rebello e os presidente dos partidos base aliada.”

Segundo o delator, que foi presidente do PP, nesses encontros “se discutiam os assuntos que seriam tratados no Congresso Nacional e as dificuldades de vários parlamentares dos partidos presentes”. “Muitas dessas dificuldades tratadas estavam umbilicalmente ligadas com o Petrolão, por àquele tempo já havia arrecadação dentro das empresas e órgãos públicos, sobretudo dentro da Petrobrás.”

Corrêa afirmou que nos encontros com Lula e seus ministro do “Conselhão” os presidentes ou líderes dos partidos da base aliada “faziam queixas relacionadas às dificuldades que estavam tendo junto aos dirigentes indicados para os cargos federais do governo, os quais não estavam se empenhando em atender às reivindicações dos parlamentares”.

“O presidente Lula encarregava o ministro José Dirceu de fazer as cobranças sobre os dirigentes para que atendessem, com mais presteza às solicitações dos partidos. Em alguns setores as reivindicações eram de arrecadação de propina e, em outros, de interesses políticos, visando o favorecimento dos estados e municípios dos parlamentares.”

Cassado em 2006 na Câmara dos Deputados, a quarentena imposta a Corrêa pela cassação terminou no ano em que foi deflagrada a Lava Jato. Depois de condenado e preso em 2013, o delator cumpria pena em regime semi-aberto, em Pernambuco, quando foi detido pela Lava Jato, em abril de 2015 – alvo da 11ª etapa denominada “A Origem”.

Para Sérgio Moro, “a prova do recebimento de propina mesmo durante o processamento da Ação Penal 470 reforça os indícios de profissionalismo e habitualidade na prática do crime, recomendando, mais uma vez, a prisão para prevenir risco à ordem pública”.

“(Corrêa) é recorrente em escândalos políticos criminais e traiu seu mandato parlamentar e a confiança que a sociedade brasileira nele depositou”, escreveu Moro. “Nem o julgamento condenatório pela mais Alta Corte do País representou fator inibidor da reiteração criminosa, embora em outro esquema ilícito.”

Outros alvos da Procuradoria no escândalo mensalão estão no radar da Lava Jato. Entre eles o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-secretário-geral do partido Sílvio Pereira e o publicitário Marcos Valério.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DO INSTITUTO LULA

“Pedro Corrêa foi condenado pelo juiz Sergio Moro a mais de 20 anos de cadeia por ter praticado 72 crimes de corrupção e 328 operações de lavagem de dinheiro. Foi para não cumprir essa pena na cadeia que ele aceitou negociar com o Ministério Público Federal uma narrativa falsa envolvendo o ex-presidente Lula.

É repugnante que promotores transcrevam uma farsa histórica em documento oficial e promovam seu vazamento, claramente direcionado a atingir a honra do ex-presidente Lula.

O Estado de Direito não comporta esse tipo de manipulação, insidiosa e covarde, nem por parte dos agentes públicos nem dos meios de comunicação que dela se aproveitam numa campanha de ódio e difamação contra o ex-presidente Lula.

O vazamento dessa farsa é mais uma evidência de que, após dois anos de investigação, a Lava Jato não encontrou um fiapo de prova ou sequer indício de participação de Lula nos desvios da Petrobras, porque o ex-presidente sempre agiu dentro da lei. E por isso apelam a delações mentirosas como a do sr. Pedro Correia.”*

(*) AFFONSO, RICARDO BRANDT E FAUSTO MACEDO – ESTADÃO

O DONO DO “PUDÊ”

Em gravação, Sarney promete ajudar ex-presidente da Transpetro, mas ‘sem advogado no meio’

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As conversas foram gravadas pelo próprio Machado, que nesta terça-feira (24) fechou um acordo de delação premiada no STF. Em um dos diálogos, gravados em março, o ex-senador e ex-presidente manifestou preocupação sobre uma eventual delação de Machado. “Nós temos é que fazer o nosso negócio e ver como é que está o teu advogado, até onde eles falando com ele em delação premiada”, disse o ex-presidente.

Machado respondeu que havia insinuações, provavelmente da PGR (Procuradoria-Geral da República), por uma delação. Sarney explicou a estratégia: “Mas nós temos é que conseguir isso [o pleito de Machado]. Sem meter advogado no meio”.

Machado concordou de imediato que “advogado não pode participar disso”, “de jeito nenhum” e que “advogado é perigoso”. Sarney repetiu três vezes: “Sem meter advogado”.

A estratégia estabelecida por Sarney não fica inteiramente clara ao longo dos diálogos obtidos até aqui pela Folha, mas envolvia conversas com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Sérgio Machado disse que não poderia passar por uma iniciativa apenas jurídica, teria que ser política.

Ao final de uma das conversas, Machado pediu que Sarney entrasse em contato com ele assim que estabelecesse um horário e local para reunião entre eles e Renan.

“E o Romero também está aguardando, se o senhor achar conveniente”, acrescentou Machado. Sarney respondeu que não achava conveniente.

“Não? O senhor dá o tom”, respondeu Machado.

O ex-presidente disse que não achava “conveniente, a gente não põe muita gente”. Em seguida ele contou que o ex-senador e ex-ministro Amaral Peixoto (1905-1989) costumava dizer que “duas pessoas já é reunião. Três é comício”. Medida semelhante havia sido indicada pelo próprio Jucá. Em outro áudio gravado por Machado, ele disse que não era bom todos se reunirem ao mesmo tempo, e sim que Machado falasse com cada líder político, que depois se encarregariam de conversar entre eles.

Nas conversas, Sarney deixou claro que concordava com a iniciativa de impedir que o caso de Sérgio Machado fosse enviado para a vara do juiz Sergio Moro em Curitiba.

“O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito procedente. Não deixar você voltar para lá [Curitiba]”, disse o ex-presidente.

OUTRO LADO

Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira (25), o ex-presidente José Sarney afirmou que, não tendo tempo nem conhecimento do teor das gravações”, não tem “como responder às perguntas pontuais” feitas pelaFolha.

Sarney disse que conhece o ex-senador “Sérgio Machado há muitos anos. Fomos colegas no Senado Federal e tivemos uma relação de amizade, que continuou depois que deixei o Parlamento”.

“As conversas que tive com ele nos últimos tempos foram sempre marcadas, de minha parte, pelo sentimento de solidariedade, característica de minha personalidade. Nesse sentido, expressei sempre minha solidariedade na esperança de superar as acusações que enfrentava. Lamento que conversas privadas tornem-se públicas, pois podem ferir outras pessoas que nunca desejaríamos alcançar”, diz a nota assinada pelo ex-presidente. *

(*) RUBENS VALENTE – DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO