TUDO PELO PODER

Governo austero fica para depois do impeachment

Com o apoio de Temer, o Senado aprovou o reajuste dos servidores do Judiciário e do Ministério Público da União. Impacto na folha até o fim do ano: R$ 2 bilhões

ronaldojc

Sujeito esperto, esse Temer.

Ao assumir como interino a presidência da República, apressou-se a dizer que o país estava quebrado, como de fato está. E que a austeridade seria a marca do seu governo.

Depois acusou o governo daquela senhora intratável de maquiar números para projetar uma meta fiscal mentirosa de apenas R$ 96,6 bilhões.

A meta fiscal mais realista seria de R$ 170,5 bilhões, estimou Temer. E foi com ela que se comprometeu. Um truque. Ficou assim com uma larga margem de manobra para gastar mais se quisesse.

E não se fez de modesto.  Somente ontem, o governo reajustou em 12% o que se paga aos usuários do programa Bolsa Família. Aquela senhora prometera um reajuste de 9%.

O aumento global no valor do Bolsa Família foi de R$ 2,23 bilhões ao mês para R$ 2,5 bilhões, uma diferença mensal de R$ 270 milhões. O impacto até o fim do ano será de R$ 1,62 bilhão.

Com o apoio de Temer, o Senado aprovou o reajuste dos servidores do Judiciário e do Ministério Público da União. Impacto na folha até o fim do ano: R$ 2 bilhões.

O governo da austeridade está dando lugar ao governo da falsa generosidade. Falsa porque Temer não procede assim por generosidade, mas por fraqueza.

O ex-presidente José Sarney ensinou um dia que o primeiro compromisso de um presidente da República deve ser com a manutenção do seu mandato.

Em outras palavras: procurar reunir todas as condições para cumprir seu mandato até o fim. Nisso, Sarney acertou.

Aquela senhora nada aprendeu com Sarney – salvo coisas erradas. Caiu porque desprezou uma das condições indispensáveis para governar: apoio político.

Para atravessar os quase dois meses que faltam para que o Senado julgue aquela senhora, Temer está fazendo todas as concessões que lhe cobram, e outras às quais se antecipa.

Deverá sobreviver e dar adeus à senhora. Mas isso custará um preço alto ao país.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

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