BATEU DESESPERO

Lula, à beira do abismo, só falta dar um passo para frente…

O conluio entre Lula e família e as grandes empreiteiras acaba de desaguar na transformação do ex-presidente da República em réu de crimes capazes de levá-lo à prisão, tanto quanto a quadrilha por tanto tempo acostumada às suas  benesses e falcatruas. Se acontecer, junto com o necessário afastamento definitivo de Dilma Rousseff,  nem por  isso estará o país livre da rachadura. Mesmo com o PT posto em frangalhos, a divisão entre as elites  e as massas tornará as ruas e as consciências  intransitáveis.

Batalhas  entre o Brasil formal e o Brasil real visam  impedir  opções e espaço para a conciliação.  Isso, só depois da explosão, de resultados imprevisíveis.  Raras vezes tem-se verificado dicotomia tão profunda em nossa História,  recaindo a responsabilidade  pelo embate na avidez das  lideranças das duas porções em choque. Perderão ambas, mas o que resultará do mútuo  esgotamento das partes?

Tempo ainda há, muito curto, para evitar o pior. Antecipar as eleições gerais para breve pode constituir-se em  solução, ainda que tanto as elites quanto as massas apresentem suas soluções inconciliáveis. Imaginar a terceira alternativa sempre será possível, ainda que geralmente ilusória. O  radicalismo de um lado e de outro obstará  a conciliação, deixando mínimo espaço para desenvolver-se. Como se trata da derradeira oportunidade de evitar o caos, quem sabe?

Não é hora de fulanizar, porque mesmo disfarçados,  os grupos em choque serão facilmente identificáveis. À beira do abismo, porém, tudo é possível para evitar a  queda.*

(*)  Carlos Chagas – Tribuna na Internet

OS DONOS DO “PUDÊ”

Paes, Lula e Cangurus:

Itararé nos jogos do Rio

Entre um capítulo e outro da novela “Velho Chico”(o rio da minha aldeia), tenho acompanhado, também, com atenção, cada lance das presepadas (para usar uma expressão bem soteropolitana que o folhetim do coronel Saruê na TV repôs no dia a dia) do prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ), nestes dias pré-olímpicos de julho no Brasil. A desta semana foi  a “guerra dos cangurus”, declarada contra atletas da delegação da Austrália, que reclamaram contra precariedades dos alojamentos a eles destinados na Vila Olímpica dos Jogos do Rio.

Sigo tudo isso de Salvador, à beira da esplêndida Baia de Todos os Santos. Portanto, em cômoda posição de observador: a mais de mil e seiscentos quilômetros de distância da não menos espetacular Baia da Guanabara (apesar das toneladas de sujeiras, dos engodos e desenganos, que as duas preciosidades da natureza, tão generosa com o país, escondem nas suas profundezas. Ou que exibem, dramaticamente, em suas superfícies, depois de anos e anos de abandono e malfeitos de seus administradores públicos e aproveitadores privados.

Maldades e desvios históricos acumulados, que exigiriam uma Lava Jato – e um juiz Sérgio Moro à frente com a Polícia Federal no apoio decidido – para por cobro a tamanho descalabro. Enquanto algo assim não acontece, o histriônico prefeito carioca vai esgotando o seu estoque de manjadas malandragens. Fenômeno, aliás, bastante parecido com o que acontece com o seu notório aliado e amigo do peito – o ex-presidente Lula (os dois tarimbados especialistas na arte de morder para depois assoprar). À exemplo do que ficou demonstrado, também, na mais recente e patética passagem pelo Nordeste do ex-todo-poderoso mandatário do país, fundador do PT. O fraseado repetitivo e “dejá vu” não mais empolga. D&aacu te; sinais de ter perdido o velho charme.

Antigas piadas perderam a graça. As desgastadas mágicas não guardam mais segredos, não funcionam  mais nem deslumbram o público como antes.

Provavelmente por estes motivos, ao tempo em que o MST e outros aliados e assessores anunciam novo périplo pelo Nordeste do ex-presidente (em palpo de aranha com a Lava Jato e outras operações policiais de investigação), Lula trata de reforçar seu repertório de apelos e truques políticos e pessoais. Vai testar nos palanques do novo tour nordestino, marcado para começar no dia 3 de agosto, em Porto Seguro, na Zona do Descobrimento, no sul baiano, com o propósito de reforçar candidatos petistas e “dos movimentos sociais”, na campanha municipal que se aproxima. E, evidentemente, defender-se a si próprio.

Esta semana, Lula conseguiu surpreender muita gente, ao recorrer na quinta-feira, 28, ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o que considera  “violações da Operação Lava Jato” cometidas contra ele. Os advogados do ex-mandatário protocolaram petição em Genebra, na Suíça, na qual destacam “supostos abusos de poder cometidos pelo juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba”, conforme assinala o jornal espanhol El Pais. “Lula está recorrendo à ONU, porque ele não conseguiu Justiça no Brasil sob o sistema inquisitorial em vigor”, justifica o advogado anglo-australiano Geoffrey Robertson, um dos assinantes da petição, famoso por sua atuação na defesa do boxeador Mike Tyson e do ativista Julian Assange, do Wikileaks, atualmente refugiado na sede da embaixada do Equador, em Londres.

Sem dúvida, um lance internacional caro e de alto risco para Lula, ao buscar ressonâncias e respaldos fora do país, para os dilemas graves de ordem política e moral que ele enfrenta aqui dentro.

O juiz Sérgio Moro, de comprovada capacidade técnica e notório rigor ético e jurídico, hoje um nome de renome e reconhecimento mundial, seguramente não será uma presa fácil neste jogo. Mesmo estando à frente dos peticionários, em defesa do petista, o afamado advogado anglo- australiano. E estamos de volta à “guerra dos cangurus” do começo deste artigo. No caso de Eduardo Paes, o prefeito do Rio vai tentando levar na valsa as críticas severas, suspeitas e acusações que se acumulam contra ele às vésperas da abertura dos Jogos Olímpicos, com repercussão internacional. Ou na base do samba de breque, mais de acordo com o gosto dos antigos malandros das gafieiras do boêmio bairro da Lapa, onde praticamente tudo se resolvia em volta de alguns copos de cerveja ou entre goles de cachaça

Incomodado com as reclamações dos atletas quanto aod  alojamentos, reagiu com uma “tirada” que, provavelmente, teria feito sucesso em outro tempo e em outras circunstâncias em terras cariocas. Disse que poderia “mandar buscar uns cangurus para ficar pulando na frente da Vila Olímpica, e assim agradar aos visitantes”. Pegou mal, muito mal, como se viu. A reação em cadeia, alertou o prefeito, amigo de Lula. para o perigo. E logo, Paes tratou de providenciar uma patética cerimônia midiática, para pedir desculpas públicas aos visitantes. E tudo terminou em pizza, ou, para ser exato, em troca de presentes e beijinhos no rosto de parte a parte. Uma espécie de Itararé, a batalha que não aconteceu.

O ex-governador Leonel Brizola, ao retornar do longo exílio político que enfrentou, costumava dizer que, em suas viagens pelo mundo, jamais encontrou país tão parecido com o Brasil quanto a Austrália, nem povo tão parecido com o brasileiro, quanto o australiano. Então até correu a frase (não tenho certeza se de autoria do ex-governador do Rio, notável frasista político): “A Austrália é o Brasil que deu certo”. Só sei que, esta semana, algumas semelhanças ficaram evidentes, embora não da forma mais apropriada, como Brizola preconizava em suas entrevistas e discursos. Vamos ver, agora, no caso do advogado australiano que irá defender Lula na ONU. Mas isto &eac ute; outra história, na qual o oponente será o juiz Sérgio Moro. É bom tirar os cangurus do meio. A conferir.*

(*) Vitor Hugo Soares, jornalista, no blog do Ricardo Noblat

 

RUMO À REPÚBLICA DE CURITIBA

Lula culpa o Brasil

Fingir que não é com ele, mentir para livrar a sua cara e a sua pele são traços impressos na personalidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sempre foi assim. Desde os palanques de São Bernardo do Campo — quando recitava palavras de ordem óbvias diante da massa e de uma ditadura que lhe era dócil –, até à quase inacreditável petição contra o Estado brasileiro que impetrou, na quinta-feira, junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU. Uma alma narcisa que só pensa em si. Que xinga e elogia, soca e abraça por conveniência e só age na primeira pessoa.

O mesmo Lula que em 1993 escorraçou a Câmara dos Deputados afirmando que ela abrigava “300 picaretas” dedicou loas à Casa, 10 anos depois, ao receber a Suprema Distinção Legislativa: “não existe nada mais nobre que um mandato parlamentar”.

Pouco despois de se eleger em 2002, desfilou de braços dados com José Sarney, a quem já acusara de ser “grileiro”. Adulou Renan Calheiros para ficar em pé durante o processo do mensalão; bajulou Paulo Maluf – que já fora o mal em si – para eleger Fernando Haddad, o prefeito mais impopular que São Paulo já teve.

Algumas lembranças do Lula de ocasião fazem arrepiar até a esquerda cativa que ainda hoje o aplaude. Collor de Mello que o diga. A entrevista ao Bom Dia Brasil, na TV Globo, pouco antes de ser eleito presidente da República pela primeira vez, é simbólica. Ali, elogiou, em alto e bom som, os governos de Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, que “pensavam o Brasil estrategicamente”. E discordou de bate-pronto da afirmativa do entrevistador sobre as altas taxas de inflação que os generais deixaram como herança. “Não é verdade”, assegurou.

Depois de vencer a eleição, Lula soltou ainda mais a verve. Fez do hoje condenado e preso José Dirceu o “capitão do time”, para depois puxar-lhe o tapete. Foi a público, em cadeia de rádio e TV, pedir desculpas pela traição dos seus no escândalo do mensalão, ocorrência que, meses depois, passou a negar peremptoriamente.

Quando se vê sem alternativas, escolhe a categoria de vítima, posando como perseguido da mídia e da elite. A mesma elite que lhe prestou favores pessoais e garantiu os bilhões para custear o sonho da hegemonia petista. Tudo à custa de generosas propinas nos negócios públicos.

Ainda que um pouco chamuscado, livrou-se do mensalão. E, se já podia tudo, Lula acreditou no infinito. Inventou Dilma Rousseff, enfiou-a goela abaixo do PT e dos aliados, provocando uma indigestão que nem todos os bilhões desviados de obras públicas, dos fundos de pensão e do sabe-se lá mais onde, foram suficientes para curar.

Vieram a Lava-Jato, o processo de impeachment de Dilma, a incerteza, o medo da cadeia.

O Lula que agora recorre à ONU não é mais o mesmo. Está fragilíssimo.

Por ironia da história, virou réu em Brasília – não em Curitiba — quase que simultaneamente à sua tentativa de estender ao mundo a sua versão de mártir.

Mas suas bravatas já não ecoam. O processo que tenta impor em Genebra é um amontoado de mentiras. O cerne da peça — o juiz Sérgio Moro age arbitrariamente para forçar delações de prisioneiros e não há tribunais para rever as sentenças – desintegrou-se em uma simples nota da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe): “O sistema processual brasileiro garante três instâncias recursais e, até o momento, menos de 4% das decisões do juiz Sérgio Moro foram reformadas”. E a tentativa de dizer que as acusações que pairam sobre si não passam de uma ação articulada de forças conservadoras para impedir a sua candidatura em 2018 beira o ridículo.

O Lula que agora recorre à ONU, seja para criar um fato novo em pré-impeachment ou facilitar uma eventual solicitação de asilo político no futuro, se mostra miúdo, debilitado, anêmico.

Ao acusar a Polícia Federal, a mesma que ele tanto elogiava durante o seu governo, e a Justiça, para a qual ele e sua sucessora indicaram 13 ministros, oito dos onze em atividade na Suprema Corte, Lula enterra-se, definitivamente, na lama.

Sua defesa age como se todas as instituições brasileiras – incluindo a imprensa, é claro — fossem criminosas. E ele, só ele, inocente. O Lula que agora recorre à ONU é patético.*

(*) Mary Zaidan, jornalista, no blog do Ricardo Noblat

OLIMPÍADA DO COCÔ

O maior legado da Olimpíada

É pavoroso o crime de omissão de sucessivos

governos no cenário natural mais belo do mundo

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Esses apartamentos inacabados na Vila Olímpica não são nada para mim. Nada, diante da grande vergonha, de dimensões planetárias, que é a catástrofe ambiental do Rio de Janeiro. É pavoroso o crime de omissão (e provável desvio de verba) de sucessivos governos estaduais no cenário natural mais belo e majestoso do mundo. Pelo menos o crime está sendo exposto para o mundo. Viva a Olimpíada!

Além de carioca, sou militante desta Cidade Maravilhosa, nasci em Copacabana quando “arrastão” nada mais era que pescadores chegando com suas redes à areia coalhada de conchas e tatuís, peixes brilhando ao sol, águas cristalinas. Quando o Rio de Janeiro foi escolhido sede dos Jogos, em 2009, concorrendo com Madri, Tóquio e Chicago, vibrei. Era o momento de investir com seriedade. A adesão do povo foi impressionante: 85% queriam muito que o Rio fosse escolhido. Ingenuidade? Otimismo? Uma pesquisa da revista Forbes com 10 mil pessoas em 20 países acabava de eleger o Rio como “a cidade mais feliz do mundo”.

Meu artigo, há sete anos, parafraseava Barack Obama no título: “Sim, nós podemos”. Escrevi que cobraríamos o cumprimento de promessas porque estávamos “cansados de testemunhar falcatruas e projetos megalomaníacos que enchem os bolsos de políticos e são inúteis para a população”. Confiava em “uma virada” se houvesse “planejamento e responsabilidade”.

Nesse balneário com vistas de tirar o fôlego e clima ameno, havia três desafios a ser confrontados com a garra de atletas que buscam o ouro no pódio: a despoluição da Baía de Guanabara, a segurança pública e a infraestrutura urbana, com transporte adequado. Sabíamos como Barcelona havia aproveitado a oportunidade para se tornar um polo internacional de turismo. Por que não o Rio?

Até o prefeito Eduardo Paes me contradiz agora. Para o jornal inglês The Guardian, ele disse que “sim, nós perdemos”. “Esta [Olimpíada] é uma oportunidade perdida para o Brasil. Não estamos nos apresentando bem. Com todas essas crises econômicas e políticas, com todos esses escândalos, não é o melhor momento para estar nos olhos do mundo”, comentou, mas também reclamou de exagero nas críticas. “Isso me deixa louco. Se você ler os meios de comunicação internacionais, parece que tudo aqui é zika e pessoas atirando umas nas outras.”

Torcemos para a Olimpíada dar certo, em paz, sem ataques terroristas, sem assaltos a delegações e turistas, sem mortes de inocentes. E que sejam contornáveis os problemas na organização. Já nem são medalhas a nossa prioridade.

Um legado da Olimpíada talvez seja o reconhecimento de nosso vexame maior: as águas imundas e poluídas do Rio. Especialistas em saúde deram aos nadadores e velejadores um conselho. Fiquem de boca fechada para evitar doenças com dejetos, lixo, bactérias, rotavírus. “Os atletas estrangeiros estarão literalmente nadando em m… humana e correm o risco de adoecer por conta de todos aqueles micro-organismos”, disse ao jornal The New York Times Daniel Becker, pediatra carioca.

No ano passado, almocei com o governador Pezão e mencionei o fracasso de seu compromisso de despoluir a Baía até a Olimpíada. “Ruth, isso também é exagero do pessoal. Tem uns sacos boiando, uns pneus… a gente vai conseguir limpar.” Em 2014, ele dizia que a meta era ter 80% do esgoto tratado. Mas empurrou a meta com a barriga. Nas águas da Baía, há geladeiras, sofás, resíduos químicos de fábricas, óleo dos petroleiros. E, volta e meia, cadáveres.

Só pode ser gozação chamar de “ecobarco” aquele troço que faz papel de Comlurb na Baía de Guanabara, retirando toneladas de “lixo flutuante”. “Ecoboat” e ecobarreira não são nem paliativos. A 11 dias dos Jogos, foi retirada uma geladeira da água. Lars Grael, medalhista olímpico nas Olimpíadas de Seul e de Atlanta, disse que será “uma competição de vela com obstáculos”. Seu diagnóstico, em dia sem chuva: “Bastante sujeira, muito óleo na superfície e detritos. Plásticos, latas, engradados. Imagina, em plena regata, essa quantidade de lixo prendendo no casco da embarcação”.

Não foi por falta de planos bilionários ou de doações internacionais. Até ajuda do Japão o Rio já teve. As instalações de tratamento de esgoto são abandonadas ou sofrem vandalismo. As bombas param de funcionar e fica tudo por isso mesmo. Foi é por falta de vergonha.

Muita gente culpa “o brasileiro”, esse povo sem cultura ambiental. É verdade. Mesmo brasileiro com doutorado não sabe cuidar do lixo ou sai emporcalhando as praias. Mas o buraco é muito mais embaixo. Mais de 100 milhões de brasileiros não têm saneamento básico. Metade da população do país não tem coleta de esgoto! Depois da Olimpíada, talvez mude a cultura ambiental. É só a gente não ficar de boca fechada.*

(*)  Ruth de Aquino – Época

NO DOS OUTROS É REFRESCO

O STF quer transparência para os outros

Ao proteger um sigilo que pode até mesmo encobrir serviço malfeito, a burocracia de Lewandowski atravessou a rua para escorregar na casca de banana

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Em menos de um mês, o presidente do Supremo Tribunal Federal associou seu mandato de presidente da Corte e do Conselho Nacional de Justiça a três iniciativas inquietantes para quem vê no Judiciário um guardião da liberdade e da transparência.

No início de julho, o chefe da segurança do Supremo, doutor Murilo Herz, pediu à Polícia Federal que investigue a origem do boneco inflável de Lewandowski que desfilava pela Avenida Paulista nas manifestações contra o governo petista. Ele representaria um “intolerável atentado à honra do chefe desse Poder e, em consequência, à própria dignidade da Justiça brasileira”.

Pouco depois, Lewandowski podou a resolução 226 do CNJ e livrou todos os magistrados de contar quanto recebem por suas palestras fora dos tribunais (um ministro do Tribunal Superior do Trabalho faturou R$ 161 mil com 12 palestras.) A exigência foi suprimida a pedido de Lewandowski, que julgou necessário “resguardar a privacidade e a própria segurança” dos juízes, “porque hoje, quando nós divulgamos valores econômicos, estamos sujeitos, num país em crise, num país onde infelizmente nossa segurança pública ainda não atingiu os níveis desejados…”.

O salário dos ministros do STF é público: R$ 39.293. Há poucos dias, Daniel Chada, engenheiro-chefe do projeto “Supremo em Números”, da FGV Direito Rio, e o professor Ivar Hartmann, coordenador da iniciativa, puseram na rede um artigo com um título provocador: “A distribuição dos processos no Supremo é realmente aleatória?”.

Numa resposta rápida, é. Cada ministro do Supremo recebe cerca de 500 processos. Em tese, ninguém pode prever qual processo vai para qual ministro. Com base na Lei de Acesso à Informação, um contribuinte pediu ao Supremo o código-fonte do programa de computador que faz a distribuição aleatória. Foi informado de que não seria atendido, tendo em vista a “ausência de previsão normativa para tal”.

A lei diz que não pode haver sigilo para informação necessária “à tutela judicial ou administrativa de direitos fundamentais”. Um programa bichado pode ser violado. A divulgação de um código-fonte não o torna vulnerável. Pelo contrário, permite a percepção de brechas. O código-fonte do Bitcoin, bem como aquele usado pelo banco Itaú para dar números aos clientes, são públicos.

Nunca apareceu maledicência que justificasse uma suspeita de vício na distribuição dos processos no STF. Ao proteger um sigilo que pode até mesmo encobrir serviço malfeito, a burocracia de Lewandowski atravessou a rua para escorregar na casca de banana que estava na outra calçada.*

(*)  Elio Gaspari é jornalista – O GLOBO

BRASIL PANDEIRO

 

Noves fora

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O ex-presidente Lula está com problemas em todas as áreas: é difícil acreditar que não seja dono do sítio de Atibaia e do apartamento triplex no Guarujá, que não haja seu dedo nos valiosos presentes de empreiteiras com o objetivo de valorizar esses imóveis, ou que não haja outro dedo seu nas imensas vigarices cometidas por seus subalternos enquanto era presidente da República. Há investigações sobre filhos, sobre a esposa, sobre velhos amigos da política. É dificílimo que outro de seus dedos aponte dirigentes importantes do PT livres de processos judiciais ou já presos. Murmura-se sobre o que pode surgir da delação premiada do Príncipe dos Empreiteiros, Marcelo Odebrecht, pois o que já foi dito a respeito de seu Governo por empreiteiros menos nobres e homens de negócios em geral é devastador.
Lula, político nato, sabe que, se não dá para discutir os fatos, deve-se mudar o foco da discussão. Criou então um fato político, levando seu caso ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Suíça, acusando o juiz Sergio Moro de “abuso de poder”. Contratou um advogado estrelado, Geoffrey Robertson, e caríssimo – dez mil euros por dia. Ele defendeu o criador dos WikiLeaks, Julian Assange. Mas que ação tomou Moro contra Lula? Nenhuma. Que pode fazer a ONU por Lula? Exceto redigir uma condenação ao Brasil, se achar que Lula tem razão, não tem o que fazer. E esse texto leva um ano para sair.

Tudo, pois, é marolinha. E, noves fora, nada.

Leite contra Lula

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Moro não é, no momento, o problema de Lula: o problema é outro juiz, Ricardo Leite, da 10ª Vara do Distrito Federal. Leite transformou Lula em réu, pela primeira vez: tentativa de obstruir a ação da Justiça no caso da compra do silêncio de Nestor Cerveró. Ao lado de Lula, são réus no caso o ex-senador Delcídio do Amaral, o banqueiro André Esteves, o pecuarista José Carlos Bumlai, seu filho Maurício Bumlai, o advogado Edson Ribeiro e o ex-chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira. Com Lula entre os réus, abre-se campo para que conte sua versão das histórias a seu respeito e até busque desmoralizar os acusadores.

A grande atração

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Lula, em busca de novos fatos, volta às conferências, depois de um bom tempo sem convite para palestras – desde as primeiras delações premiadas que as apontaram como maneira de retribuir medidas governamentais. Neste fim de semana, a palestra “Sistema Financeiro e Sociedade” foi especial para dirigentes sindicais bancários, reunidos em evento da CUT em São Paulo. É o clima festivo de que Lula gosta, com aplausos garantidos e entusiásticos.

O custo da adesão

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Kátia Abreu, a feroz antipetista que comandava a Confederação Nacional da Agricultura, CNA, conversou com a presidente Dilma Rousseff e gostaram uma da outra. Rapidamente se transformaram em amigas de infância, Dilma levou Kátia para seu Governo, Kátia foi uma das poucas autoridades a manter-se fiel à presidente na hora do impeachment. E agora paga a conta: seus liderados da CNA não a quiseram mais no cargo. E, para não ser deposta, Kátia Abreu renunciou ao cargo. Parabéns pela fidelidade à amiga – seja a amiga quem for.

Problema estranho

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Nelson Jobim já ocupou vários cargos: foi ministro de Fernando Henrique e Lula, foi ministro do Supremo Tribunal Federal, foi deputado constituinte em1988, foi parceiro de Ulysses Guimarães na montagem da atual Constituição, é hoje advogado de sucesso. Nunca tinha sido banqueiro. Agora é: a convite do banqueiro André Esteves, grande acionista, transformou em sócio do BTG. A julgar pelas últimas fotos de Nélson Jobim, o BTG encontrou o sócio ideal: um que tem excesso de fundos.

Os gurus do vice 

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A ida do presidente Michel Temer à escola, para buscar o filho Michelzinho, de sete anos, foi uma iniciativa do trio de marqueteiros que o assessora. O objetivo (atingido) era mostrar que aquele cavalheiro impassível, formal, que se expressa em Português impecável e tem excelentes conhecimentos de Latim, casado com uma mulher bonita e quase 50 anos mais nova que ele, é gente como a gente, gente normal, com preocupações normais, e tem condições de obter índices mais altos de aprovação popular. O trio de marqueteiros é formado por Elsinho Mouco, Gaudêncio Torquato e Antônio Lavareda, este também responsável pela análise dos resultados.

Desculpe, Gleisi

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Esta coluna se enganou, em sua última edição, ao informar que a senadora Gleisi Hoffmann é catarinense. Gleisi não é catarinense, mas paranaense. O equivoco, pelo qual este colunista se desculpa, provocou muitas manifestações de leitores de Santa Catarina e do Paraná. Os catarinenses protestaram. Os paranaenses agradeceram.

(*) Coluna do Carlos Brickmann, na Internet

TICO & TECO AVARIADOS

Neurônio feminista

Dilma acha que os brasileiros só descobriram que ela é mulher depois da eleição

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“Quando uma mulher se torna a primeira presidente da República, abre espaço para uma avaliação da mulher que é muito estereotipada. De um lado são histéricas. De outro, insensível, fria e sem coração”. (Dilma Rousseff, a Assombração do Alvorada, em entrevista à revista Time, explicando que, desde que assumiu a Presidência da República, os machos brasileiros passaram a dividir as mulheres em apenas dois bandos: o das marilenas chauís e o das suzanes richthofens).*

(*) Blog do Augusto Nunes

EU JÁ SABIA, MENOS O LULA

‘Todo político pilhado na corrupção diz que é perseguido político’, diz jurista sobre Lula na ONU

Modesto Carvalhosa, autor de ‘o livro negro da corrupção’, avalia que reação do ex-presidente não tem originalidade e que Organização das Nações Unidas não vai acolher

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Autor de ‘O livro negro da corrupção’, crítico implacável dos malfeitos que sangram os cofres públicos, o jurista Modesto Carvalhosa acompanha o cenário político do País desde sempre e avalia: os esquemas investigados pela Operação Lava Jato são diferentes daqueles já descobertos em governos anteriores ao do PT. A Lava Jato desvendou formação de cartel e pagamento de propina a políticos a partir de contratos de empreiteiras com a Petrobrás entre 2004 e 2014.

“O que houve foi uma organização da corrupção pelo PT. Enquanto os partidos anteriores, em governos anteriores, não havia nenhum planejamento para aparelhar o Estado para a corrupção”, afirma.

Modesto Carvalhosa é professor e doutor em Direito e autor, entre outros livros, de ‘Considerações sobre a Lei Anticorrupção das Pessoas Jurídicas’ e ‘O Livro Negro da Corrupção’. O jurista vê com preocupação a atuação do Poder Legislativo no combate à corrupção.

“Existem no Brasil duas forças que se debatem: a força que combate a corrupção, representada simbolicamente e na realidade pela Operação Lava Jato e pela força-tarefa do Ministério Público ligada à Operação Lava Jato, e do outro lado todas as forças para, no Congresso Nacional, legalizar a corrupção”, relata.

Nesta entrevista, o professor avalia ainda a petição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Organização das Nações Unidas (ONU). O petista denuncia o juiz Sérgio Moro e os procuradores da República que atuam na Operação Lava Jato por “falta de imparcialidade” e “abuso de poder.”

“Essa reação do Lula não tem nenhuma originalidade, porque instintivamente todo político no mundo quando é pilhado praticando corrupção diz que é perseguido político. Eu acho que a ONU não vai levar em consideração esse tipo de pedido que não tem originalidade nenhuma”, afirmou.*

Entrevist com o jurista Modesto Carvalhosa aqui no link:

‘Todo político pilhado na corrupção diz que é perseguido político’, diz jurista sobre Lula na ONU

(*) Julia Afonso – Estadão