DÁ-LHE, JUIZ MORO!

O juiz de Brasília que transformou Lula em réu confirma que o exemplo de Sérgio Moro se alastra pelo Brasil

O ex-presidente que sonhava com a secretaria-geral da ONU agora se contenta com a ajuda da entidade para escapar da Operação Lava Jato

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Às vésperas do encerramento do segundo mandato, Lula imaginava que em 31 de dezembro de 2010, ao despedir-se do Planalto, encontraria no fim da rampa um grupo de dignatários estrangeiros incumbidos de convidá-lo a assumir o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas, com a aprovação unânime dos países que compõem a entidade. Depois de ter resolvido todos os problemas pendentes desde 1500, sobretudo os insolúveis, o inventor do Brasil Maravilha não poderia recusar-se a consertar o resto do mundo.

Como o prêmio Nobel da Paz, a promoção oficial ao posto de Conselheiro do Planeta e tantos outros devaneios delirantes, o secretário-geral que não se expressa corretamente em nenhum  idioma, começando pelo português, nunca existiu fora da cabeça baldia do ex-presidente. Nesta quinta-feira, representado por seus advogados, Lula voltou à ONU. Não para salvá-la, como ocorreria há seis anos, mas para salvar-se da cadeia, livrar-se do juiz Sérgio Moro e escapar da cada vez mais provável temporada na República de Curitiba.

Os doutores argumentam que “falta imparcialidade a Sérgio Moro” para julgar o cliente enredado numa teia de delinquências. Pelo teor da petição encaminhada ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, o campeão nacional de honestidade nada fez de errado. Quem necessita de enquadramento é o magistrado que, com o apoio da Polícia Federal e da força-tarefa de procuradores, vem mostrando como se faz para ensinar que todos são iguais perante a lei a gente que se achava condenada à perpétua impunidade.

Lula deu azar. Também na quinta-feira, o juiz federal Ricardo Leite, de Brasília, aceitou a denúncia do Ministério Público segundo a qual Lula comandou um atrevido esquema montado para sabotar a Operação Lava Jato e, portanto, deve ser julgado por obstrução da Justiça. Pela primeira vez, o ex-presidente que tudo sabe e faz de conta que nada vê se tornou réu numa ação penal. O que dirão agora os advogados do acusado? Remeter outra petição à ONU alegando que também Ricardo Leite sofre de falta de imparcialidade?

Lula sabe que é perseguido não por Sérgio Moro, mas pelo Código Penal. Logo aprenderá que, no Brasil redesenhado pela Lava Jato, não estaria a salvo mesmo se conseguisse escapar do juiz que hoje é um símbolo do combate à corrupção. O exemplo de Curitiba vai se alastrando pelo país. Já são muitos os Sérgios Moros espalhados pelos tribunais do Brasil. Lula acabou de descobrir que um deles se chama Ricardo Leite.*

(*)  Blog do Augusto Nunes

O GIGOLÔ DAS EMPREITEIRAS

Rio 2016, hora do xadrez

A Olimpíada do Rio encerra também a maratona de Lula correndo da polícia. Daí em diante, a prova é de 100 metros rasos

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Dilma e Lula não vão à Olimpíada. Foram pegos no antidoping.

O laboratório da Lava-Jato descobriu que a campanha da presidente afastada derramava milhões de reais numa empresa de fachada do setor de informática, entre outros anabolizantes criminosos. No caso do ex-presidente, uma nova substância ilegal foi atestada em laudo da Polícia Federal — constatando que as reformas no sítio de Lula que não é de Lula foram orientadas pelo próprio. Só a repaginação da cozinha custou 252 mil reais.

O ex-presidente já avisou que não vai deixar barato. De fato, nada que envolva Lula é barato. Perguntem aos laranjas da Odebrecht que compraram um prédio para o Instituto Lula. E lá foi o maior palestrante do mundo para Genebra, com sua comitiva, denunciar à ONU a perseguição que está sofrendo no Brasil.

A elite vermelha está rica, pode rodar o mundo se quiser, alardeando o seu sofrimento, protegida por seus advogados milionários. Há de conseguir uma rede internacional de solidariedade, para que todos tenham direito de matar a fome em cozinhas de luxo, e não falte a ninguém uma empreiteira de estimação.

A ONU é a instância perfeita para o apelo de Lula. É uma entidade recheada de burocratas bem pagos para fomentar a indústria do alarme e da vitimização. Mas a ONU não é perfeita como Lula: parte de suas ações tem efetividade, manchando o ideal do proselitismo 100% parasitário. Deve ter sido um frisson em Genebra a chegada do ídolo brasileiro — que passou 13 anos liderando um governo oprimido, sugando um país inteiro sem perder a ternura, e permanecendo livre, leve e solto, voando por aí. Um mago.

É justamente para continuar livre e solto que Lula foi à ONU. Ele sabe que será condenado por Sérgio Moro. Acaba de virar réu por obstrução de Justiça, no caso Delcídio-Cerveró. Nessas horas é melhor mesmo recorrer aos gigolôs da bondade internacional. É uma turma capaz de ignorar numa boa as obras completas do mensalão e do petrolão, e tratar Lula como um pobre coitado, perseguido por um juiz fascista. A lenda do filho do Brasil cola muito mais fácil do que a do filho adotivo da Odebrecht.

Os plantonistas da solidariedade cenográfica já bateram um bolão na resistência ao golpe contra Dilma. Claro que toda a picaretagem revelada por João Santana não comove essa gente. Nem as confissões da Andrade Gutierrez sobre a rota da propina montada com um assessor direto da companheira afastada, injustiçada e perseguida. Muito menos o buraco em que esses heróis progressistas jogaram o Brasil, escondendo déficits graças à arte da prostituição contábil. Nada disso é crime para os simpáticos jardineiros da fraude.

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro representam um momento histórico. Marcarão a demissão definitiva da mulher sapiens, e a devolução ao povo da frota federal que serve sua filha. Ainda tem gente escolarizada defendendo esse escárnio — contando ninguém acredita —, mas são cada vez menos. Até a vocação para o vexame tem seus limites. A Olimpíada do Rio encerra também a maratona de Lula correndo da polícia. Daí em diante, a prova é de 100 metros rasos. Se a democracia ultrapassar a demagogia, o ex-presidente vai ter que pagar pela ação entre amigos que depenou o Brasil.

A opinião pública segue, como sempre, em sua viagem na maionese. Segundo dois grandes institutos de pesquisa, a maioria quer eleições presidenciais antecipadas.

Ou a maioria não conhece a lei, ou não está interessada em cumpri-la. É a renovação da esperança para a escola de malandragem que o país, a tanto custo, está enxotando do poder. Os heróis providenciais estão todos aí, excitadíssimos, para herdar o rebanho petista. São os que, de forma mais ou menos envergonhada, combateram o impeachment da mulher honrada — aí incluídos os puritanos da Rede, PSOL e demais genéricos do PT. Prestem atenção: estarão todos nas eleições municipais atacando o governo de homens velhos, brancos, bobos e feios de Michel Temer.

Esse governo careta, recatado e do lar, que não tem mulher sapiens para divertir a plateia, está arrumando a casa. Não porque Temer seja um iluminado. Ele só percebeu — como Itamar duas décadas antes — que sua única chance era botar os melhores para tomar conta do dinheiro. E botou. Saiu a delinquência fisiológica, entrou a eficiência. É assustador para os parasitas das lendas humanitárias ver a máquina nas mãos de profissionais.

O vento já virou, o Brasil vai melhorar, e isso é terrível. Como na época do Plano Real, os solidários de butique correm o risco de voltar a pregar no deserto, enquanto a vida da população desgraçadamente progride. Quem vai comprar ideologia vagabunda num cenário desses?

Só pedindo socorro à ONU. Mas se apressem, porque depois da Rio 2016 será a hora do xadrez.*
(*) Guilherme Fiuza é jornalista – O Globo

O ÚLTIMO A SAIR, APAGUE AS LUZES

Vaccarezza de malas prontas para deixar o PT
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Longe dos holofotes desde que foi investigado pela Lava Jato, Candido Vaccarezza participou na manhã deste sábado, 30, de um café da manhã promovido por Campos Machado na sede do PTB. O ex-deputado e ex-líder do governo na Câmara vai pedir a desfiliação do PT.
O destino? Candidatar-se a deputado federal pelo partido de Machado.

Oficialmente, ele afirma que ainda “está amadurecendo” a escolha da nova sigla.

A saída do PT, no entanto, já é certa.

(*) Sonia Racy – Estadão

PELA HORA DA MORTE

Planos de saúde privados, o momento é delicado

A crise está ameaçando diretamente o segurado e os planos de saúde privados

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A crise brasileira é extremamente perversa. Destruiu a confiança no país, gerou um desemprego brutal e ameaça milhares de empresas e centenas de milhares de pessoas com um quadro ainda mais duro nos próximos meses.

Entre os mais afetados estão os planos de saúde privados. Os segurados estão perdendo o benefício e os planos pagando mais e recebendo menos. Abaixo segue artigo publicado na minha coluna do Estadão tratando do tema.

A crise brasileira já fez quase 12 milhões de trabalhadores perderem seus empregos formais. O dado é apavorante. O impacto na vida das pessoas vai muito além dos números frios. Estes 12 milhões de trabalhadores, em verdade, são, no mínimo, 36 milhões de pessoas, levando em conta 3 pessoas por família, o que é uma conta conservadora.

O padrão de vida passa a ser outro. A busca pela recolocação se transforma numa Odisseia, com enormes chances de dar errado e cobrar um preço extra do trabalhador desempregado, que não consegue um novo emprego, apesar de sair de casa cedo e voltar apenas de noite, batendo de porta em porta, sem sucesso.

O insucesso afeta o psicológico da família. Desmotivação, depressão, quadros mais ou menos sérios agravam ainda mais a sensação de perda. É uma situação limite que piora à medida em que, em função da falta do salário, opções de cortes de despesas precisam ser feitas. Clube, academia, lazer, roupas, seguros, tudo, menos, na medida do possível, o plano de saúde privado e a escola particular, entra no rol do dispensável pela falta de recursos mínimos para a manutenção da família.

Desemprego é isso, não é um número frio colocado numa planilha. Os 12 milhões de desempregados têm cara, nome, família, compromissos, sonhos, amigos, enfim, um padrão de vida conquistado a duras penas, fruto de muito trabalho, sacrifícios, superação e vontade de vencer.

De repente, do dia para a noite, em consequência da incompetência dos governantes, dos desmandos de todas as ordens, da corrupção, do nepotismo, a vida vira de ponta cabeça e todos os planos para o futuro passam a ser o retrato do fracasso. A esperança se transforma em pesadelo e o mundo real agrava o quadro, com a pressão dos compromissos diários, que são parte da rotina e estão dimensionados para um padrão de vida pago com o trabalho de cada um.

Um a um os projetos vão sendo adiados, os gastos cortados, o dinheiro contado centavo a centavo, os preços pesquisados, os produtos de sempre trocados por outros mais baratos. Os programas de fim de semana mudam do cinema para a televisão, do rodízio ou da cantina para a pizza e para a comida feita em casa. É a falta de dinheiro apertando o cinto.

Mas há mais e mais dramático. O medo de perder o emprego aumenta a angústia de perder o plano de saúde privado, o seguro de vida, o seguro de automóvel mais barato, contratado através do RH da empresa.

Novas decisões são tomadas. Corretamente tomadas. É hora de antecipar o uso do plano de saúde privado enquanto se está nele. Consultas e tratamentos sem urgência são antecipados. Toda a família vai ao médico, faz exames, se interna para procedimentos que poderiam ser feitos mais à frente, ao longo do ano, no momento certo para cada um deles.

O resultado é a antecipação de despesas que devem ser custeadas pelas operadoras dos planos de saúde privados, sem que elas tenham a contrapartida do aumento das receitas. Ao contrário, em pouco tempo, em função do desemprego, elas terão uma queda em seu faturamento, consequência de 70% dos planos de saúde privados brasileiros serem custeados pelas empresas que, espremidas pela crise, dispensam seus funcionários como última forma de conterem os custos.

Mas os problemas das operadoras não terminam aí. Os planos individuais e os planos coletivos por adesão também são afetados pela crise. Na medida do possível, seus titulares os manterão, mas não é raro acontecer uma mudança de status, para um patamar mais baixo e, portanto, mais barato, que também impacta o caixa do plano de saúde privado, sem que, do outro lado, aconteça uma redução proporcional das despesas.

O resultado dessa conta é ruim e pode colocar em cheque o atendimento futuro de pessoas que imaginam que estão a salvo da crise, sem se lembrar que a operadora do seu plano de saúde está atravessando um momento delicado. Não bastasse tudo isso, elas ainda arcam com o aumento de custos decorrente da desvalorização do Real e nem sempre integralmente transferível para os segurados.

Entre secos e molhados, hoje, estamos todos perdendo.*

(*)  Antonio Penteado Mendonça – Estadão

RUMO À PAPUDA

Lula réu

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Terá consequências políticas e históricas a decisão do juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10.ª Vara Federal de Brasília, que ontem recebeu denúncia contra o ex-presidente Lula na investigação sobre a tentativa de obstruir a Justiça. Lula é acusado pelo Ministério Público, juntamente com o ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral, e mais cinco pessoas, de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró.

Três consequências do despacho do magistrado já podem ser sentidas pela reação do mundo político. Em primeiro lugar, a pressão de vários setores sobre o juiz Sérgio Moro, que comanda a Operação Lava Jato, está gerando outros Sérgios Moros.

Isso ficou claro quando, no mês passado, o também juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, de São Paulo, determinou a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora petista Gleisi Hoffmann (PR), na Operação Custo Brasil.

Agora, quando toda a atenção de Lula e de sua defesa estavam voltadas para o juiz Sérgio Moro, que, anteontem, fora denunciado pelo ex-presidente ao Comitê dos Direitos Humanos da ONU, “por abuso de poder”, um juiz de Brasília torna Lula réu. Não se duvide se em outras regiões do País mais juízes federais tomarem atitude semelhante.

A segunda consequência da determinação do juiz brasiliense diz respeito à movimentação das peças do xadrez político que começa agora, nas eleições municipais de outubro, e se estenderá até as eleições presidenciais de 2018.

O futuro político de Lula passa a ser incerto. Já réu em Brasília, ele pode seguir o mesmo caminho em Curitiba. Caso seja condenado na primeira instância, por um ou por outro juiz, o caminho natural é o recurso ao Tribunal Regional Federal (TRF) da região onde a ação corre. No caso de Curitiba, as decisões do juiz Sérgio Moro têm sido confirmadas pelo TRF da 4.ª Região, que fica em Porto Alegre. Se, em Brasília, a tendência for a de confirmar a decisão do juiz de primeiro grau, como ocorre em Porto Alegre, Lula se tornará ficha-suja, conforme determina a Lei da Ficha Limpa.

Claro que tudo está no terreno da suposição do que pode ocorrer. Mas, como é possível que este seja o caminho, o raciocínio de que Lula poderá ser impedido de concorrer à eleição de 2018 já não é ilógico. Portanto, embora faltem dois anos e dois meses para a próxima eleição presidencial, não dá para dizer que Lula será candidato. Mesmo combalido pelas sucessivas denúncias de envolvimento dele em esquemas esquisitos e tráfico de influência, o ex-presidente ainda é um candidato competitivo.

Em terceiro lugar, a decisão do juiz Ricardo Augusto Leite torna-se um golpe muito duro para o PT e para a presidente afastada Dilma Rousseff. Para o PT porque o partido passa pelo pior momento em seus 36 anos de vida e a tendência é que piore. Com Lula empenhado em se defender numa vara no Centro-Oeste e em outra no Sul, ele terá menos tempo para rodar o Brasil para pedir votos nos candidatos a prefeito pelo PT.

Quanto à presidente afastada, a decisão do juiz de Brasília também a atinge em cheio. O processo de impeachment é político. Por mais que o advogado José Eduardo Cardozo insista em detalhes técnicos na sua defesa, nessas alturas das coisas, a tendência é que os senadores façam associação entre Dilma e Lula e as conversas que tiveram para tornar o ex-presidente ministro, dar-lhe foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF) e livrá-lo das mãos de Moro. O conteúdo da conversa entre Lula e Dilma, vazado por Sérgio Moro, tem muito mais força política do que a insistência de Cardozo em dizer que Dilma não cometeu crime de responsabilidade.*

(*) João Domingos – Estadão

FINALMENTE…

Um dia a conta chega prá todo mundo’,

diz Delcídio sobre ação contra Lula

Ex-senador, também denunciado por obstrução à Justiça, avalia que decisão judicial que põe petista no banco dos réus ‘só fortalece’ suas revelações em delação premiada

ab - O cagão é réu por obstrução de justiça e investigado por várias outras maracutaias

O ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/sem partido/MS) disse que ‘um dia a conta chega prá todo mundo’. Delcídio se refere ao fato de o ex-presidente Lula ter virado réu em ação criminal na Justiça Federal em Brasília por supostamente tramar contra a Operação Lava Jato.

O próprio Delcídio também é réu na mesma ação, ao lado de outros cinco acusados de envolvimento em um plano para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró (Internacionoal), que fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

“Um dia a conta chega prá todo mundo”, disse Delcídio à reportagem do Estadão nesta sexta-feira, 29.

Delcídio também fez delação premiada. Ele foi preso no dia 25 de novembro, por determinação do Supremo Tribunal Federal. Em fevereiro, ele foi solto. Seus depoimentos deram sustentação a várias denúncias da Procuradoria-Geral da República no âmbito da Lava Jato.

Para o ex-senador, a decisão judicial que recebeu a acusação da Procuradoria contra Lula ‘só fortalece’ suas revelações. “Isso só fortalece a minha colaboração, mostra a efetividade da minha colaboração. O juiz, assim como a Procuradoria, se aprofundaram com relação a esse episódio da obstrução. As provas foram consideradas suficientes e levaram à denúncia e ao recebimento pela Justiça.”

“A efetividade da minha colaboração é forte. Muitas denúncias (da Procuradoria) têm respaldo na minha colaboração.”

Em troca de sua delação, o ex-senador deverá se livrar de uma eventual pena de prisão, mesmo que condenado na ação por obstrução da Lava Jato.

Delcídio afirma que está cumprindo todos os termos do acordo de colaboração que firmou com a Procuradoria-Geral da Repúbica.

Na quinta-feira, 28, a Procuradoria da República em Brasília afirmou que Delcídio descumpriu o acordo – ele não estaria comparecendo quinzenalmente à Justiça e nem morando no endereço declarado.

“O problema é que a 12.ª Vara (Federal/Brasília) estava com o endereço que eu passei quando saí do Batalhão da Polícia Militar onde fiquei preso. Mas posso assegurar que tudo está sendo cumprido à risca. Estou trabalhando na fazenda (em Mato Grosso do Sul). Seguimos à risca os termos do acordo no âmbito do Supremo Tribunal Federal.”*

(*) Fausto Macedo e Mateus Coutinho – Estadão

VEM MAIS BOMBA AÍ

Delcídio não contou tudo

o que sabe sobre Lula

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Delcídio Amaral acusou Lula de tramar o suborno de Nestor Cerveró.

Acusou-o também de comandar o esquema de propinas descoberto pela Lava Jato, citando-o 186 vezes em seus depoimentos à PGR.

Apesar disso, Lula nunca pronunciou uma palavra contra Delcídio Amaral.

Ou melhor, pronunciou, sim, num encontro da CUT, em 2015, chamando-o de “imbecil” e de “idiota”. Os insultos foram relatados pela Folha de S. Paulo e Lula correu para desmentir o jornal.

Delcídio Amaral ainda tem muita coisa para contar sobre Lula.*

(*) O Antagonista

SUJÔ, MALACO!

Lei da Ficha Limpa pode tirar Lula da sucessão

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Convertido em réu pela primeira vez na Lava Jato, Lula declarou nesta sexta-feira que sente uma vontade incontida —“uma coceira”— de ser novamente candidato ao Planalto. Esse desejo, no entanto, já não depende apenas da sua vontade. Além do medo de ser preso, Lula passou a conviver com o receio de se tornar inelegível por oito anos. Nessa hipótese, sofreria um duplo revés: ficaria de fora das próximas duas sucessões presidenciais —2018 e 2022. E ainda entraria para a história como o primeiro ex-presidente da República a ser enquadrado numa lei que ele próprio sancionou: a Lei da Ficha Limpa (número 135/2010).

Afora a acusação de tentar obstruir a Lava Jato, que o levou ao banco dos réus na 10ª Vara Federal de Brasília, Lula deve ser alvejado por pelo menos mais três denúncias que estão no forno da força-tarefa de Curitiba. Envolvem a suspeita de que recebeu favores da Odebrecht e da OAS, empreiteiras que ajudaram a pilhar a Petrobras. Esses favores se materializaram nas reformas realizadas no tríplex do Guarujá e no sítio de Atibaia, além do transporte e aluguel de contêiners usados para guardar pertences de Lula.

Entre os crimes que devem ser imputados ao morubixaba do PT, estão lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Sancionada por Lula em junho de 2010, a Lei da Ficha Limpa relaciona 14 hipóteses de inelegibilidade. São delitos que sujeitam seus autores ao banimento eleitoral por oito anos. As encrencas foram incluídas na Lei das Inelegibilidades (número 64/1990). Encontram-se empilhadas no artigo 1º. A alínea ‘e’ anota que “lavagem de dinheiro ou ocultação de bens” são motivos para impedir alguém de se candidatar a cargos eletivos.

De acordo com a lei, para que um político seja tachado de “ficha suja”, sua condenação precisa ser confirmada por um “órgão judicial colegiado.” Assim, os direitos políticos de Lula seriam suspensos, por exemplo, se o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, confirmasse uma eventual condenação decretada por Sérgio Moro. Para azar de Lula os desembargadores do TRF-4 não costumam reformar as decisões do juiz da Lava Jato.

Lula parecia sentir o cheiro de queimado ao se manifestar nesta sexta-feira. “Se o objetivo de tudo isso é me tirar de 2018, isso não era necessário, a gente escolheria outro candidato mais qualificado, mas essa provocação me dá uma coceira”, declarou, antes de exercitar o seu esporte predileto, o autoelogio: “Duvido que tenha alguém nesse país que seja mais cumpridor da lei do que eu, que respeite mais instituições do que eu.” O diabo é que o conceito que Lula faz de si mesmo combina cada vez menos com os fatos.*

(*) Blog do Josias de Souza