UM DIA A CASA CAI

‘Fernando Collor e Dilma Rousseff possuem mais em comum que o destino de terem sofrido um impeachment’

z-Roque Sponholz

Fernando Collor e Dilma Rousseff possuem mais em comum que o destino de terem sofrido um impeachment previsto na Constituição brasileira. Não só o final, mas o início. Compartilham o surgimento na cena política nacional. Suas aparições foram tão fulminantes que cabe perguntar: como os dois terminaram no Palácio do Planalto?

Sabemos por que Fernando Henrique e Lula foram eleitos: ambos tinham sólidas trajetórias políticas, um como respeitado sociólogo, outro como vitorioso líder operário. Sabemos por que Fernando Henrique e Lula foram reeleitos: ambos fizeram primeiros governos eficientes, costurando inteligência política e bons resultados econômicos.

Collor vendia a juventude dos 40 anos e a fama de ser “o caçador de marajás”. Dilma vendia o avanço de ser nossa primeira mulher presidente e a fama de ser “a mãe do PAC” (Programa de Aceleração do Crescimento). Os candidatos eram mais símbolos do que realidades. No caso de Dilma, a transferência de votos de Lula explica a eleição.

Contudo, e esta é a pergunta de um milhão de acarajés, o que explica a sua reeleição?

Em 2010, ainda não se sabia que Dilma era Dilma. Em 2014, já. Como Collor, ela demonstrara ser duplamente incapaz: de fazer política e de conduzir a economia. Mostrassem habilidade para uma ou outra coisa, teriam permanecido no cargo, mesmo sendo procedentes as acusações de corrupção e de fraude fiscal que serviram de base para os respectivos afastamentos. No de Dilma, o “algoz” Eduardo Cunha selecionou, dentre os pedidos de impeachment, uma acusação que não respingasse nele mesmo.

Collor e Dilma foram produtos da mesma ilusão. Há uma perversão perigosa da democracia quando candidatos são fabricados por marqueteiros pagos graças ao abuso do poder econômico, seja o dinheiro arrecadado legal ou ilegalmente.

Pelo bem daquele que o ex-primeiro-ministro britânico Churchill chamou de o pior sistema político com exceção de todos os outros, talvez fosse o caso de se pensar em prisão preventiva para os marqueteiros durante a campanha eleitoral de 2018.*

(*) Arthur Dapieve – O Globo

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