O ‘ITALIANO’ VAI MOFAR NO XILINDRÓ

Polícia Federal pede prisão preventiva de Antônio Palocci
Ex-ministro está preso temporariamente desde a última segunda-feira pela Lava-Jato

paloci

SÃO PAULO – O delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, da Força-tarefa da Lava Jato no Paraná, pediu nesta sexta-feira ao juiz Sérgio Moro a conversão da prisão temporária do ex-ministro Antônio Palocci e de seu braço direito, Branislav Kontic, em preventiva, o que significaria o seu confinamento por tempo indeterminado.

Palocci foi preso na última segunda-feira pela Operação Omertà por suspeita de recebimento de propinas da Odebrecht. O prazo para a prisão temporária vence nesta sexta-feira e Moro deve dizer ainda hoje se aceita ou não o pedido da PF. O Ministério Público Federal também opinou pela prisão preventiva de Palocci e Kontic e defendeu que a medida é necessária para “assegurar a ordem pública, a instrução criminal e a aplicação da lei penal”.

Os procuradores dizem que há indicativos de que Palocci e Kontic ocultaram elementos úteis à investigação, pois as mesas da Projeto, empresa do ex-ministro, foram encontradas pelos agentes da PF, no dia da operação, sem desktops, apenas com monitores, móveis e teclados, e os fios estavam desconectados.

Apesar de Kontic ter afirmado que os desktops foram retirados por serem antigos, os procuradores dizem que as imagens registradas pela PF indicam que os equipamentos eram “bastante novos e em ótimo estado”.

O MPF afirmou ainda que já provas de que Palocci recebeu dinheiro em espécie, com entregas que relacionam a planilha “Italiano”, da empreiteira Odebrecht. Os procuradores dividiram as entregas em três lotes: – R$ 16,2 milhões, divididos em 17 entregas de recursos em espécie entre julho e setembro de 2010; R$ 15 milhões em nove entregas entre outubro e novembro do mesmo ano e R$ 1,5 milhão vinculado a pessoa identificada pelo codinome “Menino da Floresta” na planilha da empreiteira.

Além disso, ao confrontar a planilha “Italiano” com extratos da conta ShellBill, que pertence ao marqueteiro do PT João Santana e à mulher dele, Mônica Moura, o MPF diz ter sido possível identificar depósitos de US$ 11,7 milhões feitos pela Odebrecht por meio da offshore Innovation Research entre julho de 2011 a maio de 2012.

No documento de 86 páginas, o delegado Hille Pace também havia reforçado as suspeitas de que Palocci fazia a ligação entre o PT e a empreiteira Odebrecht, intermediando assuntos de interesse da empreiteira. Afirma ainda haver indícios de que o ex-ministro teria recebido os valores de maneira ilícita, os quais acabaram registrados nas planilhas da empresa, somando R$ 128 milhões.

Nesta semana, o Banco Central bloqueou, a pedido de Sergio Moro, quase R$ 31 milhões das contas pessoal e empresarial de Palocci.

(*) O GLOBO

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