OS BICHOS ESTÃO SOLTOS

Feitiços delatados

Desde setembro de 2014, quando o juiz Sérgio Moro homologou a primeira delação premiada da Operação Lava Jato, a de Luccas Pace Júnior, assessor da doleira Nelma Kodama, todas as delações vêm a público, algumas até antes de serem oficializadas, protagonizando o escândalo da semana.

Nesse período, 70 réus viraram delatores, e outros quase 100, entre eles os 77 executivos da Odebrecht, começaram a falar. E, fora a estranha anulação do pré-acordo de Léo Pinheiro, da OAS, peça-chave para a investigação dos casos envolvendo o ex-presidente Lula, as delações têm sido utilíssimas para desbaratar as teias de corrupção que capturaram o Estado brasileiro.

Não à toa, teme-se pelo destino da delação do fim do mundo.

Tornadas públicas pela diligência das apurações jornalísticas ou vazadas pelos atores do processo, as delações têm tragado para a lama políticos, empresários, assessores, marqueteiros – culpados ou não, quem tem ou não contas para acertar com a Justiça.

Na primeira leva, as denúncias pegaram em cheio o PT do ex Lula, que nomeara os diretores da Petrobras, operadores da sofisticada máquina de propinas, o PP, PR, PTB, PRTB, PMN e uns poucos peemedebistas. Na metade do caminho, delatores envolveram o DEM e o PSDB. Agora, golpearam feio o PMDB, partido do presidente da República, Michel Temer, ele também citado por dois dos delatores da Odebrecht.

Nesta fase, os vazamentos e as apurações da imprensa pegaram, além de Temer, toda a cúpula do PMDB e gente de peso do PSDB, incluindo o governador paulista, Geraldo Alckmin, que seria o “santo” do departamento da propina da empreiteira.

Tudo na etapa de coleta de dados e início de investigações, mas com consequências graves para os mencionados pelos delatores e mais danosas ainda para o país, que, por mais que a equipe econômica de Temer tente ministrar antiácidos, soluça e regurgita entre uma e outra denúncia.

Para os petistas, as delações de agora são escandalosas. Dariam motivos para degolar Temer, o PMDB e o arqui-inimigo PSDB. As anteriores, que alcançaram Lula, o líder máximo do PT, não.

Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e ministro da Casa Civil da presidente deposta Dilma Rousseff, e Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma, e o senador fluminense Lindbergh Farias, o “feio”, são, pelo menos até agora, os únicos petistas na lista odebrechtiana. Virão mais. Mas, até que apareçam, o PT e seus seguidores vão cozer em um mesmo caldeirão todo tipo de ilícito: os generosos pagamentos para manter maioria parlamentar, os dólares que foram parar fora do país e os outros que encheram as burras de muitos, o caixa dois financiado com recursos públicos e o dinheiro legal para campanhas, o que era permitido até a eleição de 2014.

Na ótica dos que têm dívida com a Justiça, o jeito mais fácil de purgar pecados é ludibriar a opinião pública, misturando tudo e todos. Fazer crer que os políticos não prestam, são todos iguais, verdadeiras incorporações do diabo.

Algo que ecoa na impaciência das ruas, que, ultrapassando a doutrina lulista do nós versus eles, junta-se não para construir algo, mas para bradar um insensato “fora tudo”.

Ruim de voto – em 2006, obteve 99 mil, ficando em 53º entre os 70 deputados federais paulistas, último entre os três pemedebistas eleitos – Michel Temer nunca se imaginou popular. Mas nem de longe pensava ser rejeitado por 64% do país. Tem pouco tempo, carta alguma na manga, nenhuma mágica possível. Sabe disso.

Em discurso de fim de ano às Forças Armadas, disse que “não há mais espaços para feitiçarias”, para “imprimir dinheiro, maquiar contas e controlar preços”. Não há mesmo. Mas não só na economia.

Uns e outros tentam truques, a exemplo de Lula, que para se safar processa seus acusadores, ou de Renan Calheiros, que ameaça a Justiça para ficar livre dela, mas o tempo de estripulias com o dinheiro público está se findando.

Os feitiços, ainda que tardiamente, começaram a se virar contra os feiticeiros.*

(*) Por Mary Zaidan, jornalista, no blog do Noblat

SE EXISTIR, NEM MILAGRE O SALVA

Petistas já questionam tática da defesa de Lula

lula-pedido-noel

A precariedade da situação jurídica de Lula começa a preocupar integrantes da cúpula do PT. Os petistas costumavam trazer na coleira suas opiniões sobre a estratégia adotada pelos advogados do ex-presidente. Isso começou a mudar. Em privado, correligionários de Lula criticam a tática adotada pela defesa. Avalia-se que a reação é mais política do que técnica. E tem se revelado ineficaz.

Hoje, Lula é réu em quatro ações penais, foi denunciado uma quinta vez e é investigado em quatro inquéritos. As investidas contra Sergio Moro, cuja isenção foi questionada em foros nacionais e até na ONU, resultaram infrutíferas. O juiz Vallisney de Souza Oliveira, de Brasília, revelou-se tão draconiano com Lula quanto o colega de Curitiba. Algo que desafia a tese do complô da força-tarefa curitibana.

Os petistas que enxergam a defesa de Lula de esguelha acreditam que a direção do partido deveria discutir o tema com o líder máximo do PT. Teme-se que a delação coletiva da Odebrecht complique a situação penal de Lula, portencializando o risco de condenação da única alternativa presidencial do partido.*

(*)  Blog do Josias de Souza

SÁBADO, 17 DE DEZEMBRO DE 2016

Fora Tender

Só um governo popular teria a sensibilidade de conectar os cofres públicos diretamente ao coração sofrido das empreiteiras

lula-militontos

Denunciado novamente na Lava-Jato, Lula soltou uma nota, por intermédio de seu Instituto, criticando os procuradores da operação. Um trecho dela diz o seguinte: “Os procuradores da Lava-Jato não se conformam com o fato de Lula ter sido presidente da República.”

Esse argumento encerra toda a polêmica: os playboys da Lava-Jato não suportam a ideia de viver num país onde o poder já esteve nas mãos de um pobre. Felizmente, o ex-presidente tem amigos ricos, um partido rico e um instituto rico para bancar os advogados milionários que redigiram esse argumento matador. A nota complementa:

“Para a Lava-Jato, esse é o crime de Lula: ter sido presidente duas vezes. Temem que em 2018 Lula reincida nessa ousadia.”

Fim de papo. Está na cara que é essa a motivação do pessoal de Curitiba: se vingar de um nordestino petulante e cortar as asinhas dele. Mas este não é um país só de playboys fascistas e rancorosos. Ainda há espaço para a bondade e a fraternidade, como mostra a planilha “Amigo” da empreiteira progressista, socialista e gente boa Norberto Odebrecht.

Amigo era o codinome de Lula, a quem Marcelo Odebrecht contou ter dado dinheiro vivo — alguns milhões de reais, como acontece em toda amizade verdadeira. Eis o flagrante contra os procuradores elitistas da Lava- Jato: eles não aguentam ver um pobre com dinheiro na mão.

Enfim, um brasileiro humilde que teve a chance de transformar sua roça num belo laranjal — onde pôde plantar seus amigos, como dizia a canção, e também seus filhos, e os amigos dos filhos. Em lugar dos discos e livros, que não eram muito a dele, plantou Bumlai, Suassuna, Bittar, Teixeira e outros cítricos. A colheita foi uma beleza.

Empreiteiras e grandes empresas em geral costumam irrigar candidaturas de todos os matizes — como apareceu na delação da Odebrecht — no varejão eleitoral. Mas uma sólida amizade só se estabelece com retribuição farta — e foi aí que o homem pobre, com sua proverbial generosidade, resolveu retribuir com a Petrobras. Nunca antes neste país se hipotecou tamanha solidariedade ao caixa das empreiteiras amigas. Só mesmo um governo popular teria a sensibilidade de conectar os cofres públicos diretamente ao coração sofrido do cartel.

Não dá mesmo para engolir um presidente que põe o bilionário BNDES, antes elitista e tecnocrático, para avalizar esses laços de amizade profunda — do Itaquerão a Cuba, de Belo Monte à Namíbia. Ver um sorriso iluminando o rosto cansado de um presidente da OAS não tem preço. O que ele entrega de volta tem preço — mas isso é com o Maradona. Aqui só vamos falar de sentimento.

Ai, como se sabe, o pior aconteceu. A direita nazista que tomou conta do Brasil, mancomunada com os androides da Lava-Jato, deu um golpe de estado contra a presidenta mulher — só porque ela manteve os laços de amizade criados por seu mentor, dando uma retocada de batom e ruge nas contas públicas que estavam com cara de anteontem. Quem nunca escondeu umas cartinhas do baralho para surgir com um royal straight flash? Não tem nada de mais. Parem de perseguir quem rouba honestamente. O Brasil caiu em recessão porque quis.

Para defender o legado precioso do homem pobre e da mulher valente, militantes aguerridos foram às ruas lutar contra a PEC do Fim do Mundo. De fato, essa ideia de botar as contas públicas em ordem sem usar batom e ruge é o fim do mundo. Mas os protestos são pacíficos. O pessoal só joga pedra e coquetel molotov para dissuadir os que pensam em usar a violência. Eles desistem na hora.

Esse governo branco, careta e de direita botou para tomar conta da Petrobras, do BNDES, do Tesouro, do Banco Central, enfim, das joias da Coroa, gente que não tem o menor espírito de amizade. Grandes brasileiros como Cerveró, Duque e Youssef estão tendo sua memória desrespeitada por práticas hediondas, que negam aos companheiros a oportunidade de agregar um qualquer. Essa elite branca é egoísta mesmo.

Agora vêm com esse papo de reforma previdenciária. Não acredite no que eles falam. Confie nesses discursos que você recebe por WhatsApp dizendo que o rombo da Previdência não existe. De fato, todos os países do mundo estão passando por problemas fiscais causados pelo sistema de aposentadoria, por conta do crescimento demográfico das últimas décadas e do envelhecimento populacional. Menos o Brasil.

Como se vê, não faltam boas causas para os atos cívicos dessa gente indignada e espontânea, sempre pronta a barbarizar em defesa da paz e da amizade. Chega de baixo astral. Cada dia que o maior amigo da nação amanhece à solta é um milagre. A militância há de sair às ruas para celebrar tal graça, neste que ficará conhecido como o Natal da Mortadela. Fora Tender!*

(*) Guilherme Fiuza, O Globo

ATÉ QUANDO?

O ano se vai, a crise não

Diferença entre os anos de chumbo e os atuais é que aqueles eram mil vezes piores, mas era possível saber o que iria acontecer mais cedo ou mais tarde

tempo

Nessa mesma época do ano passado, eu começava uma crônica fazendo ironia: “Quem sabe saindo de cena por uns tempos eu não ajude a resolver a crise política? Se ninguém se considera responsável por ela — nem Dilma, nem Temer, nem Renan, muito menos Cunha — vai ver que o culpado sou eu. Por isso, vou tirar umas semanas de recesso, junto com o do Congresso”.

De fato tirei (como vou tirar agora) e, quando voltei, tudo continuava do mesmo jeito ou pior. Hoje, estou temendo a repetição, porque, ao contrário do provérbio escatológico português, nem as moscas mudaram, a não ser uma ou outra. A m… é a mesma.

Continuamos nos perguntando se estamos vivendo a nossa pior crise. Não sei, mas com certeza é a mais completa e abrangente, pois atinge ao mesmo tempo a política (desmoralizada), a economia (rebaixada), o meio ambiente (enlameado) e a ética (ultrajada pela inversão total de valores).

Escrevi então: “Com o país rachado, o ódio vicejando, com uma presidente impopular tentando se livrar do impeachment, com o vice conspirando e também sob suspeita de pedaladas, com o presidente da Câmara lutando para não ir para a cadeia, com o seu colega do Senado sendo investigado, com a população desencantada a sensação para nós, pobres mortais diante do deprimente espetáculo, é de total confusão”.

Não parece que foi hoje? Só falta acrescentar o bate-boca público entre juízes do STF.

Para quem gosta de comparar, a diferença entre os anos de chumbo e os atuais é que aqueles eram mil vezes piores, mas era possível saber o que iria acontecer mais cedo ou mais tarde.

Não havia dúvida de que um dia a ditadura ia acabar. Agora, não dá para prever o que acontecerá quando o Natal passar, o carnaval chegar, a euforia acabar, e Câmara e Senado caírem de novo na real, ou na fantasia.

De sua parte, o prefeito Marcelo Crivella já tratou de prevenir dizendo que Deus vai ajudá-lo a “fazer o impossível”. Assim, se não fizer, a responsabilidade não será dele, mas da falta de ajuda.

Andamos falando mal de 2016 e dizendo que ele já vai tarde. O problema é que a crise não vai, parece permanente. A um ano ruim sucede um pior, e isso nos deixa inseguros em relação a 2017.

Pelo jeito, o futuro da política no Brasil pertence à Lava-Jato. Ninguém está livre dela, não há personagens acima de qualquer suspeita, e a fila da Odebrecht está longe de terminar. É triste, mas inevitável.

Até o ano que vem, com desculpas pelo pessimismo. A culpa é de 2016, de tantas perdas — Ferreira Gullar, dom Paulo Evaristo Arns, Villas-Bôas — para só falar dos que acabam de nos deixar.*

(*)  Zuenir Ventura – O Globo

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA

Alexandre de Moraes quer erradicar

maconha no continente

maconha
O ministro da Justiça Alexandre de Moraes chocou especialistas em segurança pública na segunda-feira ao apresentar as diretrizes do plano de redução de homicídios que lançará em breve.

Participaram do encontro, no escritório da Presidência em São Paulo, representantes do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Instituto Igarapé, Instituto Sou da Paz e Open Society.

Moraes, que foi ao Paraguai em julho e se deixou ser filmado desbastando pés de maconha, quer erradicar a maconha na América do Sul — feito que os Estados Unidos não conseguiram com a folha de coca na Colômbia. Além de hercúlea e cara, a missão gera poucos frutos, considerando que o grosso do lucro do tráfico vem da cocaína.

O ministério também quer turbinar a Força Nacional, criando um pelotão de sete mil homens e que terá funções mais abrangentes do que as atuais.

Outra ideia apresentada pode gerar atritos com o STF. Moraes quer usar os recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) para a segurança pública e não para investimentos nos presídios. Em setembro, o STF mandou o governo descontingenciar os recursos do fundo e retomar os investimentos no sistema carcerário.

Os presídios, no entanto, precisariam de mais investimentos, porque provavelmente ficariam mais cheios. Moraes de fato quer apresentar ao Congresso uma proposta que endureça a progressão de pena, para que os presos cumpram mais do que um sexto da pena antes de progredir para o regime semiaberto.

O plano terá um traço novo em relação a todos os programas de combate à violência desde o governo FH: tratará o problema apenas com ações de polícia, do Ministério da Justiça, sem incluir pastas da área social. Na área de prevenção, por exemplo, oferecerá a populações de áreas com altas taxas de homicídio um curso de arquivista. Indagado por que a escolha, Moraes respondeu que “é uma especialidade da pasta”.*

(*) Guilherme Amado – O Globo

UM VEZ CANALHA…

Jucá por Jucá

romero-juca

Líder do governo no Senado dá a solução para tirar o Brasil da crise

“Querem dilapidar a estabilidade do País com esses vazamentos semanais. Nesse clima de turba, de linchamento, de Revolução Francesa não dá para ninguém investir”.

Romero Jucá, líder do governo no Senado, explicando que a crise econômica e moral brasileira é culpa da Lava Jato e não de políticos como Romero Jucá*

 

(*) Blog do Augusto Nunes

LULA O “PAI DOS POBRES”, É?

Ex-zelador de tríplex se irrita com advogados de Lula em audiência: ‘Bando de lixo’

José Afonso Pinheiro reafirmou visitas de Lula e Marisa Letícia ao imóvel

spon-lula-marisa-triplex-sitio

SÃO PAULO — O ex-zelador do tríplex no Guarujá, cuja propriedade é atribuída pela força-tarefa da Lava-Jato ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, irritou-se com uma pergunta dos advogados do petista sobre sua candidatura a vereador na cidade de Santos, durante audiência ao juiz Sérgio Moro. José Afonso Pinheiro, que trabalhava no condomínio durante as obras, foi demitido em abril deste ano. Questionado sobre como se deu o ingresso na política, Pinheiro chegou a afirmar que os advogados de Lula são um “bando de lixo”.

— Você não sabe o que é uma pessoa estar desempregada, passando por uma dificuldade terrível, o desemprego está altíssimo. Porque eu fui envolvido numa situação que eu não tenho culpa nenhuma. Eu perdi o meu emprego, perdi minha moradia e aí você vem querer me acusar, falar alguma coisa contra mim? O que você faria numa situação, como é que você sustentaria sua família? — perguntou José Afonso.

Um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins, negou que estivesse acusando José Afonso, que continuou:

— Você nunca passou por isso, quem é você para falar alguma coisa contra mim? Vocês são, posso falar o que vocês são? Um bando de lixo, lixo! Isso que vocês são! — disse Pinheiro, que foi interrompido por Moro, que pediu para que o zelador se acalmasse.

A partir de então, Moro considerou que as perguntas feitas pela defesa estavam sendo ofensivas a José Afonso Pinheiro e indeferiu todas as questões feitas por Zanin Martins em relação à participação de José Afonso Pinheiro.

Demitido em abril do condomínio Solaris, José Afonso Pinheiro candidatou-se pelo Partido Progressista a vereador de Santos. Quando de sua demissão, Pinheiro afirmou que a perda do emprego fora uma represália por seu depoimento aos procuradores da Lava-Jato em que relatou visitas de Lula e Marisa Letícia ao imóvel. Em depoimento na audiência de hoje, o zelador afirmou que a ex-primeira-dama se portava como proprietária do imóvel.

Em nota, a defesa de Lula citou o episódio. Confira o trecho:

“Quando questionado sobre o tema, também o ex-zelador do edifício Solaris, José Afonso Pinheiro, não foi capaz de apresentar nenhum dado que comprovasse ser de Lula o apartamento. Firmando seu depoimento em impressões pessoais e mesmo tendo o juiz Sérgio Moro indeferido as perguntas da defesa relativas ao tema, o depoimento de Pinheiro tem uma vinculação à questão alvo da ação que, sem dúvida, compromete sua narrativa. A fama que o triplex conquistou estimulou a nascente carreira política de Pinheiro, que fez o registro de sua candidatura pelo PP como “Afonso, zelador do tríplex”, evidenciando interesse no desfecho da causa.

Descontrolado, Pinheiro chegou a ofender Lula e seus advogados, os qualificando de “lixo”, não sendo repreendido pelo juiz. Muito ao contrário. Ao término da audiência, o juiz Moro pediu “desculpas” ao depoente sob o pretexto de que foi Pinheiro o ofendido, em manifesto descompasso com a realidade.

O fato soma-se ao rol dos demais episódios que evidenciam a parcialidade do juiz Moro no julgamento do ex-Presidente e que integram o Comunicado feito ao Comitê dos Direitos Humanos da ONU, em julho. Suas provocações e exaltações no curso desta audiência foram enfrentadas com muita serenidade, especialmente considerando que o juiz apresentou ao longo da sessão fatos estranhos ao objeto da ação, como a queixa-crime subsidiaria em que figura como querelado – proposta pelo ex-Presidente Lula e seus familiares diante de graves fatos que denotam, em tese, abuso de autoridade – e a ação de reparação por danos morais proposta em face do procurador da República Deltan Dallagnol pelos ilícitos configurados durante a entrevista coletiva realizada em ‪14/09. Moro chegou a atacar a “qualidade da advocacia” da defesa de Lula.”*

(*)  Dimitrius Dantas – O Globo

“O CAMPEÃO VOLTOU”

Agente de Bangu 8 carregou malas de Cabral

Reprodução
Agentes penitenciários do Rio  estão revoltados com o retorno de Sérgio Cabral a Bangu 8. Na saída de Cabral, no começo da semana, um deles teve até que carregar as malas de Cabral — uma regalia inimaginável para um preso comum.*
(*) Guilherme Amado – O Globo

O MALACO É TETRA!… É TETRA!

Juiz aceita denúncia e Lula vira réu na Operação Zelotes no DF

 auto_myrria

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho Luis Cláudio Lula da Silva viraram réus na Operação Zelotes.

Além deles, o casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, sócios da consultoria M&M (Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia), também viraram réus.

O juiz federal Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal, aceitou a denúncia oferecida contra os quatro na semana passada.

De acordo com o Ministério Público Federal, Lula e Luís Cláudio participaram de um esquema de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo a compra de 36 caças Gripen, da sueca Saab, pelo governo brasileiro. Os procuradores também viram indícios de irregularidades na prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627. Para os investigadores, o grupo atuou na formulação da MP-627 a fim de beneficiar alguns agentes públicos e privados.

O esquema, diz a denúncia, ocorreu de 2013 a 2015, quando Lula já era ex-presidente.

Segundo os investigadores, Lula prometeu à consultoria M&M interferir para beneficiar clientes da empresa na negociação dos caças junto ao governo federal. Mauro e Cristina convenceram então os executivos da Saab “que possuíam proximidade com o ex-presidente e que poderia contar com a sua influência junto ao governo para assegurar uma vitória na disputa concorrencial”.

Em troca, diz ainda a acusação, a LFT Marketing Esportivo, empresa de Luís Cláudio teria recebido R$ 2,55 milhões da consultoria entre junho de 2014 e março de 2015.

Os serviços não foram prestados, segundo os investigadores.

Os procuradores apontaram uma “relação triangular” envolvendo clientes da M&M, intermediários (Lula e os sócios da consultoria) e “agente público que poderia tomar as decisões que beneficiariam os primeiros (a então presidente da República Dilma Rousseff)”. Durante as investigações, no entanto, não foram encontrados indícios de que a presidente tivesse conhecimento do suposto esquema.

No entanto nos trechos da denúncia que foram tornados públicos não há descrição de quais indícios são considerados pelos procuradores para afirmar que Lula “integrou um esquema que vendia a promessa de que ele poderia interferir junto ao governo”.

Não são citados supostos indícios de que Lula tenha afirmado a Marcondes ou seus clientes que poderia beneficiar seus negócios ou que tenha procurado autoridades para pedir favores a Marcondes. Nesse ponto, em sentido contrário, a denúncia reconhece não haver indícios de que a ex-presidente Dilma Rousseff “tivesse conhecimento do esquema criminoso”.

Também não há menção a eventuais indícios de que Lula tenha pedido ou intermediado os pagamentos de Marcondes à empresa do seu filho Luis Cláudio.

Os procuradores afirmam que mensagens indicam que o casal Marcondes “vendeu” promessas a seus clientes, mas não são mencionados indícios sobre eventual conhecimento prévio de Lula dessas atividades.

Esta é a quarta vez que Lula se torna réu. Na quinta (15), outra denúncia contra ele foi apresentada, na Lava Jato, no Paraná.

O ex-presidente já responde na Justiça Federal do Distrito Federal por tentativa de embaraçar a investigação da Operação Lava Jato. Na ação, ele é acusado de tentar evitar com que Nelson Cerveró, ex-diretor de Internacional da Petrobras, fizesse acordo de delação premiada.

Além desses processos, Lula responde por suposto favorecimento à empreiteira OAS em uma ação da Lava Jato, que tramita na Justiça Federal de Curitiba (PR).

Além dos processos na primeira instância, Lula é alvo de dois inquéritos da Lava Jato que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal): um que investiga a participação de políticos do PT em uma suposta quadrilha montada na Petrobras e outro que apura tentativa de obstrução à Justiça – ele teria sido nomeado para o ministério da Casa Civil no começo de 2016 em uma tentativa de sair da jurisprudência do juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato no Paraná.

OUTRO LADO

O Instituto Lula reafirma o que foi dito na nota após o oferecimento da denúncia, na semana passada.

Diz que nem o ex-presidente nem seu filho “participaram ou tiveram conhecimento de qualquer ato relacionado à compra dos aviões caças da empresa sueca SAAB, tampouco para a prorrogação de benefício fiscais relativos à Medida Provisória nº 627/2013”

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni. *

(*) LETÍCIA CASADO – DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

CURITIBA… PARTIU.

O início da confissão dos Odebrecht anuncia o fim do Amigo Lula

Além de Marcelo, o herdeiro que sabe muito, logo estará em cena Emílio Odebrecht, o patriarca que tudo sabe

Dura é a vida de petista no Brasil da Lava Jato. No começo desta semana, por exemplo, a seita dos devotos de Lula fez o possível para animar-se com o desempenho do chefão no Datafolha. A pesquisa informa que, se a eleição de 2018 fosse realizada agora, o único líder popular do mundo que só se apresenta para plateias amestradas venceria no primeiro turno candidatos que, como ele, acabarão impugnados pela Odebrecht. Se o índice obtido pelo ex-presidente não é lá essas coisas, a taxa de rejeição está perto de 50%. Metade do eleitorado quer ver pelas costas o antigo campeão de popularidade. O que restou do PT também fez o possível para entusiasmar-se com a chegada da Lava Jato a figurões do PMDB instalados na cúpula do governo Michel Temer, como se ninguém soubesse que a ladroagem do Petrolão resultou da parceria entre o partido do governo e a sigla que não consegue respirar longe do poder.

O restante da semana reafirmou que, no Brasil enfim inconformado com a canalhice hegemônica, alegria de adorador de gatuno agora dura pouco. Nesta quinta-feira, a ofensiva contra os corruptos foi retomada pelas primeiras revelações de Marcelo Odebrecht e pelo detalhamento de bandalheiras envolvendo o patrimônio imobiliário do ex-presidente. Como insiste em jurar que não lhe pertencem propriedades que ganhou de empreiteiros amigos, o dono do triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia só não recebeu de Guilherme Boulos uma carteirinha de sócio do clube dos sem-teto por ter registrado em cartório a posse do apartamento onde mora em São Bernardo. Alcançada no fígado pelo primeiro golpe da Odebrecht, a defesa de Lula avisou que não comentaria “especulação de delação” e enfiou o rabo entre as pernas.

O que a tropa de bacharéis sem álibi chama de “especulação” reduziu sensivelmente a distância que separa seu cliente da cadeia. Na segunda-feira e na terça, já nos depoimentos inaugurais, Marcelo Odebrecht confirmou que fez pagamentos ao ex-presidente, alguns deles em espécie. Os maços de cédulas foram providenciados pelo Setor de Operações Estruturadas, codinome do departamento de propinas da maior empreiteira do país. O Ministério Público e a Polícia Federal já podem provar que é Lula o “Amigo”, codinome que identifica nas planilhas o beneficiário de 23 milhões de reais. Desse total, 8 milhões de reais foram pagos em 2012, “sob solicitação e coordenação de [Antonio] Palocci”, informa o relatório de indiciamento do ex-ministro dos governos Lula e Dilma, hoje dando expediente na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Só na terça-feira, a abertura da caixa-preta controlada por Marcelo Odebrecht, acompanhada por dois advogados e quatro procuradores federais, consumiram 10 horas de revelações. Não é pouca coisa, e no entanto é um quase nada diante do que está por chegar. Além de Marcelo, o herdeiro que sabe muito, logo estará em cena o patriarca que tudo sabe. O codinome do mais poderoso lobista a serviço do departamento de bandidagens da empreiteira foi sugerido pela fraterna ligação que unia o ex-presidente a Emilio Odebrecht, que cuidava pessoalmente da estratégica parceria com o Amigo. O começo da confissão de Marcelo acabou com a amizade. O depoimento de Emílio vai acabar com Lula.*

(*) Blog do Augusto Nunes