EIKE CONTINUA “CAMPEÃO”

Eike é o primeiro bilionário “top 10” da Forbes a ser preso, desde Pablo Escobar

Desde Pablo Escobar, que apareceu na lista dos bilionários da revista “Forbes” na primeira edição, em 1987 – e em outros seis números seguidos–, nenhum dos que chegaram a estar entre os dez maiores bilionários havia sido preso até hoje. Pablo Escobar, líder do Cartel de Medellín, fez fortuna com o tráfico internacional de drogas. Ao listá-lo entre os homens mais ricos do mundo, a publicação americana estimou sua fortuna em US$ 3 bilhões. El Patrón, como era conhecido, foi preso em 1991 e fugiu da cadeia no ano seguinte. Acabou morto em 2 de dezembro de 1993 pela polícia e Exército colombianos. Ele recebeu seis tiros e morreu um dia depois de fazer 44 anos.

O anúncio de que o empresário Eike Batista era foragido da Justiça e que teve a prisão preventiva decretada na Operação Eficiência colocou o ex-bilionário em situação semelhante à de Pablo Escobar.

Em 2012, Eike Batista era o sétimo homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 30 bilhões. No ano seguinte, com perdas expressivas, caiu para a centésima posição no ranking da “Forbes”. Em 2014 já estava fora do ranking que lista os 1.645 bilionários do mundo.

Além de Eike e Escobar, outros bilionários tiveram problemas nos últimos anos com a Justiça de seus países, mas nenhum do top 10 da revista americana. Em 2007, o presidente da Hyundai Motor, Chung Mong Koo, de 78 anos, foi condenado a três anos de prisão pela Justiça sul-coreana. Ele foi acusado de retirar mais de US$ 100 milhões da montadora e de empresas ligadas ao grupo para uso pessoal e para pagar propinas a políticos. O empresário era o 5º mais rico da Coreia do Sul em 2016 e o número 351 na lista da “Forbes”.

Outro sul-coreano que também apareceu na lista dos bilionários e esteve na mira da justiça por mais de dez anos é Chey Tae-won, presidente do conglomerado empresarial SK Corp. Tae won havia sido condenado por irregularidades contábeis, em 2005, mas a Alta Corte de Seul suspendeu a sentença de três anos.

Dez anos depois, a presidente Park Geun-hye perdoou o empresário que havia sido condenado em janeiro de 2013 a quatro anos de prisão por apropriação indevida de fundos da empresa. Tae-won é o número 569 na lista da Forbes e o oitavo mais rico da Coreia do Sul.

Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro italiano e empresário de comunicação, é outro empresário que aparece na lista da revista americana e que teve de prestar contas à justiça de seu país. Acusado de fraude fiscal, Berlusconi cumpriu pena de meia jornada estabelecida pela Justiça com os pacientes de Alzheimer do Centro de Assistência de Cesano Boscone, na região de Milão. A sentença foi resultado do ‘caso Mediaset’, um de seus muitos problemas judiciais. Ele figura na posição 188 da lista da “Forbes” e é o quinto homem mais rico da Itália.*

(*) FOLHA DE SÃO PAULO – EDITORIA

CANALHAS JURAMENTADOS

Confissões da Odebrecht

É na Bahia, onde há nove décadas o grupo constrói sua identidade, que se espraiam os efeitos mais corrosivos das delações entre famílias, amigos e vizinhos.

É na Bahia onde se espraiam os efeitos mais corrosivos das confissões da Odebrecht, validadas ontem pelo Supremo — consequência natural da identidade baiana construída há nove décadas pela família controladora do grupo.

Salvador, capital da colonização escravocrata, concentra ansiedade pública pelas revelações dos Odebrecht e seus executivos sobre corrupção. Prevalece a convicção de que devem se refletir em mudança de rumos da política e dos negócios no estado.

O clima é similar ao observado em Brasília. Com agravantes derivados da atenção pública aos ruídos de embates familiares, entre eles, os do patriarca Emílio, herdeiros e o filho Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba.

Repete-se no condomínio praiano de Interlagos, onde partilham a beira-mar o ex-diretor da Odebrecht em Brasília, Cláudio Melo Filho, o ex-ministro do governo Temer Geddel Vieira Lima e os publicitários das campanhas de Lula e Dilma, João Santana e Mônica Moura.

A relação Cláudio e Geddel, contou o executivo à Justiça, “era muito forte”, bem além da simples vizinhança: “Geddel recebia pagamentos qualificados, e fazia isso oferecendo contrapartidas claras.” Conversavam bastante — contaram-se 117 ligações num único ano. Geddel era “Babel” na planilha de pagamentos.

Vizinhos deles na praia, os publicitários João e Mônica também compartilhavam a folha Odebrecht. Receberam US$ 24 milhões nas campanhas de Lula (2006) e Dilma (2010 e 2014), confessou Vinícius Borin, responsável pelos repasses no Meinl Bank, em Antígua.

O casal foi recompensado com outros US$ 5 milhões por Eike Batista, preso no Rio. Eike pagou-os pela conta panamenha da Golden Rock, que também usou para repassar US$ 16,5 milhões ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

Nesse circuito sobressaem expoentes de uma elite republicana moldada em vícios típicos do Brasil colonial, descrito pelo poeta Boca do Inferno, o advogado Gregório de Matos, na Salvador onde tudo se permitia aos amigos do rei:

“Furte, coma, beba e tenha amiga,

Por que o nome d’El Rei dá para tudo

A todos que El-Rei trazem na barriga.”

Desde então, sob o manto do foro nobre, multiplicam-se histórias de impunidade. Nele pouparam-se, entre outros, fidalgos como Fernão Cabral, que lançou viva na fornalha de seu engenho uma escrava grávida do “gentio do Brasil”, conta o historiador Ronaldo Vainfas.

O resguardo em foro especial, atenuante na Justiça e na Igreja da Colônia, prossegue. Ano passado, Dilma aplicou-o a Lula, levando-o à Casa Civil, no lugar de Jaques Wagner.

Ex-governador da Bahia, Wagner seria “Polo” na folha da Odebrecht, com US$ 11 milhões recebidos. Do total, US$ 8 milhões sustentariam a eleição do sucessor, o governador Rui Costa, segundo Melo Filho. Em troca, “Polo” pagou à empresa uma fatura pendente de US$ 85 milhões, valor sete vezes maior.

Na sexta-feira 20 de janeiro, o governador Costa fez Wagner secretário de Desenvolvimento. No mesmo pacote nomeou o engenheiro Abal Magalhães para a Companhia de Desenvolvimento Urbano. Precisou demitir Magalhães 24 horas depois. Descobriu que ele militava em redes sociais qualificando Wagner como integrante de “quadrilha” do PT financiada pela Odebrecht. E repetia: “#lulanacadeia”, “#dilmanacadeia” .

(*) José Casado – O Globo

RATO TOMANDO CONTA DE QUEIJO

Renan é indicado como novo líder do PMDB do Senado

Senador elogia escolha Eunício para o comando da Casa: tem ‘liderança e espírito público’

BRASÍLIA — O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi indicado pela bancada para ser o novo líder do partido no Senado, agora que deixará o comando da Casa. Renan disse que está “refletindo”, mas na verdade a ideia é anunciar depois da eleição da nova Mesa do Senado, que ocorre nesta quarta-feira.
— O partido fez uma bela indicação. Eunício tem experiência, tem liderança, tem espírito público e saberá conduzir o Senado e o Congresso nessa travessia particularmente muito difícil da vida nacional — disse Renan.
As disputas internas ocorrem por cargos de comando das comissões temáticas, em especial a CCJ.
— A bancada me indicou também por aclamação como líder, mas estou refletindo E para que não haja divisão do partido — disse Renan.

EUNÍCIO MANTÉM PT NA MESA

Eunício já fez um acerto da composição da Mesa do Senado com a participação do PT, mesmo com a informação de que a maioria dos senadores petistas não quer votar nele. Eunício disse ao GLOBO que o indicado para a primeira secretaria ainda é o senador José Pimentel (PT-CE), um dos defensores de que o PT participe para cumprir a proporcionalidade, que lhe dá direito a cargos. O primeiro vice-presidente da Casa, como O GLOBO já antecipara, será o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Os demais nomes da Mesa são Antônio Valadares (PSB-SE) e Sérgio Petecão (PSD-AC).

— Quero agradecer a confiança da bancada pela aclamação. E buscar, dentro da proporcionalidade (de participação dos partidos), harmonizar a Casa — disse Eunício.*

(*)  CRISTIANE JUNGBLUT – O GLOBO

CARDÁPIO DO CHEF

Cardápio de presídio onde está Eike Batista tem macarrão, feijão e carne

Já no café da manhã desta terça, Bangu 9 ofereceu pão com manteiga

RIO – Dono de um dos restaurantes mais badalados do Rio, o chinês Mr. Lam, o empresário Eike Batista teve como única opção de alimentação o cardápio enxuto da Penitenciária Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, onde ele está preso desde a tarde desta segunda-feira. Segundo agentes penitenciários, Eike fez as refeições normalmente.
Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, onde fica Bangu 9: presídio foi o destino de Eike Batista após se entregar à Justiça
MP vê favorecimento a Eike em transferência para Bangu 9
Chegada de Eike Batista no presidio Ary Franco em Agua Santa Em Bangu, Eike dividirá unidade superlotada com policiais presos
Para o café da manhã desta terça, foram oferecidos a ele e aos demais presos da unidade café com leite e pão com manteiga.

Já o almoço foi composto de arroz ou macarrão, feijão, uma porção de proteína (carne, frago ou peixe), salada, fruta ou doce de sobremesa e refresco. Os detentos têm ainda direito a lanche, com suco e bolo.

Com relação a visita, o prazo médio para a emissão de carteirinha exigida para entrar no presídio, após cadastramento, é de até 15 dias, informou a Secretaria estadual de Administração Penitenciária. É possível, porém, que ele receba uma visita extraordinária.

Preso por policiais federais nesta segunda-feira no Aeroporto Internacional Tom Jobim, logo após chegar em um voo de Nova York, Eike passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), antes de ser encaminhado ao presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte, onde teve a cabeça raspada e vestiu o uniforme de interno. Em seguida, ele foi transferido para Bangu 9.

Eike é suspeito de praticar crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa. O empresário estava em Nova York quando se tornou alvo de mandado de prisão preventiva da Operação Eficiência, deflagrada na última quinta-feira. Seu retorno ao Brasil foi negociado com a Polícia Federal.*

(*) ANA CAROLINA TORRES – O GLOBO

DE VOLTA À IDADE MÉDIA

Evangélicos e entidades empresariais reforçam lobby por Gandra Filho  


O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Ives Gandra Martins Filho, deve receber nos próximos dias apoio formal de entidades ligadas a setores empresariais e de denominações evangélicas.

Apesar de ser católico militante, ligado à Opus Dei, Gandra conta com a simpatia de igrejas pentecostais porque suas posições em questões de costumes, sobretudo temas como aborto e casamento entre pessoas de mesmo sexo, são semelhantes às dessas entidades.

Assim como fez a Fiesp, a expectativa de apoiadores da candidatura de Gandra Filho é que outras confederações e federações setoriais se manifestem em favor de sua nomeação pelo presidente Michel Temer. Nesse caso, as principais credenciais do ministro do TST são suas conhecidas posições em matéria trabalhista — a favor da flexibilização das regras — e fiscal (ele fez parte da equipe que, no governo FHC, ajudou a redigir a Lei de Responsabilidade Fiscal).

A ofensiva do lobby pró-Gandra para obter apoio expresso de setores influentes é uma tentativa de neutralizar a campanha contra sua indicação, deflagrada na semana passada por setores mais à esquerda e ligados à defesa de minorias.

Essa campanha, intensificada pela divulgação de textos e entrevistas de Gandra Martins defendendo posições conservadoras no campo dos costumes, tirou pontos do presidente do TST na corrida pela vaga de Teori Zavascki no Supremo, de acordo com interlocutores de Temer para esse assunto.

Embora o presidente tenha Gandra Filho e o pai, o tributarista Ives Gandra Martins, como amigos, e enalteça a biografia à prova de máculas éticas do magistrado, auxiliares do peemedebista dizem que seria um “desgaste” para ele enfrentar novamente acusação de afrontar as mulheres, como aconteceu quando anunciou o ministério só com homens.

Isso porque entre as posições defendidas por Gandra constam ideias como a de que a mulher deve ser “submissa” ao marido e o combate frontal a qualquer permissão de aborto. Ele alega que essas posições foram tiradas de contexto e não devem pautar sua atuação como ministro, que será orientada pela Constituição.*

(*) Vera Magalhães – Estadão

NOVIDADE…

Ao depor em 2016, Eike disse que BNDES ‘é uma área crítica’

Preso nesta segunda, 30, ao chegar dos Estados Unidos, empresário havia alertado força-tarefa sobre concessões de empréstimos de banco estatal; em depoimento espontâneo, ele havia falado pela primeira em ‘passar o Brasil a limpo’       
“Vocês que estão passando o Brasil a limpo, por favor, essa é uma área crítica.”


O alerta foi sobre concessões de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O autor, o empresário Eike Batista, preso na manhã desta segunda-feira, 30, pela Polícia Federal, ao desembarcar no Rio, procedente dos Estados Unidos.
A menção a “passar o Brasil a limpo” foi feita em maio de 2016, a dois procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, e repetida pelo empresário, na noite deste domingo, à uma equipe da Rede Globo, antes de embarcar em Nova York, para ser preso no Brasil.
“A Lava Jato está passando o Brasil a limpo de uma maneira fantástica. Eu digo que o Brasil que está nascendo agora vai ser diferente, tá certo?.”
depoimento eike sobre bndes
Limpo. Foragido desde a quinta, 26, quando foi decretada sua prisão preventiva na Operação Eficiência, um desdobramento da Lava Jato, que apura repasse de US$ 16,5 milhões em propinas pelo empresário para o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), Eike é um dos novos candidatos a delator – mais de 20 negociações de colaboração premiada estão em andamento, em Curitiba.
Ex-controlador do Grupo EBX, o empresário pode falar a investigadores sobre seus negócios na Petrobrás – em especial, sobre a exploração do pré-sal e também dos campos de gás – e expandir as apurações para outras áreas.
Uma delas são as concessões de empréstimos do BNDES. O grupo foi um dos beneficiados com valores do banco, antes da falência. O ex-presidente da instituição, Luciano Coutinho, é alvo das investigações da Lava Jato, em Curitiba e Brasília.
Oito meses atrás, Eike procurou espontaneamente a Lava Jato para falar sobre seus depósitos na conta secreta do marqueteiro do PT João Santana – preso meses antes, acusado de receber propinas da Odebrecht. O empresário alertou os procuradores sobre as concessões de empréstimos e os bens oferecidos como lastro oferecidos nas transações financeiras.
“Você bota o que quiser (como garantia), uma fazenda que não vale nada, o cara avalia por um trilhão de dólares, é fácil né.”
Eike cita coutinho
Eike procurou o Ministério Público Federal naquele dia 20 de maio de 2016 para falar sobre os contratos de construção das plataformas P-67 e P-70, vencidos pelo Consórcio Integra Offshore (formado pela Mendes Júnior e OSX Construção Naval) – negócios de US$ 922 milhões, assinado em 2012.
O delator da Lava Jato, Eduardo Musa, que foi gerente da área responsável pelo contrato na Diretoria Internacional da Petrobrás, até 2009, e virou diretor da OSX – na época do negócio – falou sobre propina nesse contrato.
O cerco contra Eike fechou quando seu nome apareceu associado á uma conta de empresa offshore – a Golden Rock Foundation -, que depositou valores na conta secreta do marqueteiro do PT.
Eike decidiu então buscar a Laa Jato. Foi ouvido pelos procuradores da República Roberson Pozzobon e Julio Motta Noronha, da força-tarefa, em Curitiba.
O empresário contou que repassou R$ 5 milhões para uma conta indicada pela mulher e sócia do marqueteiro do PT, Mônica Moura, a pedido do ex-ministro da Fazenda Guido e Mantega – mas negou tratar-se de propina.
O “depoimento espontâneo” de Eike livrou-o de ser preso na 34ª fase da Lava Jato (Operação Arquivo X), deflagrada em setembro de 2016, que levou para a cadeia o ex-ministro Mantega – solto no dia seguinte, pelo juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba.
No depoimento, o empresário afirmou que estava disposto a colaborar com as investigações.
eike a disposiçao para colaborar
BNDES. Antes de encerrar a oitiva, em maio, os procuradores perguntaram a Eike sobre os financiamentos públicos em seus negócios.
“Olha, 2012, nós tínhamos recursos no BNDES. Sim. 10% do nosso…”,  respondeu o empresário. “Eram empréstimos que eram garantidos por bancos privados e meus avais com todo meu patrimônio.”
todo meu patrimonio
O empresário afirmou que sobre o BNDES, entregou todo o patrimônio como garantia. “Que negócio é esse?”, questionou Eike.
“O dinheiro do BNDES deve ser investido, então a minha crítica, sinceramente, olhe para os outros que não deram seus avais pessoais, que ai que está a grande sacanagem”, advertiu Eike.
Eike começou seu depoimento espontâneo agradecendo a oportunidade dada pelos procuradores da Lava Jato para “esclarecer” fatos e evitar “mentiras” publicadas.
“Muito obrigado, obrigado pela atenção de vocês, o que eu vim esclarecer aqui é na verdade, não quero que de novo uma mídia errada proporcione dificuldades para minha pessoa, porque eu já constatei três mentiras repetidas três vezes na mídia que acabam virando uma verdade”, afirmou o empresário.
Eike ficará preso em uma cela comum, reservada aos encarcerados da Justiça Federal, no presídio Ary Franco, no Rio. Se quiser buscar uma colaboração premiada com a Lava Jato, terá que negociar com pelo menos três forças-tarefas: a do Rio – que decretou sua prisão -, a de Curitiba e a de Brasília.(

(*) Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Mateus Coutinho – Estadão

É POUCO?

48 horas de tensão

Judiciário, Executivo e Legislativo, cada qual com sua agonia e indefinição


Se janeiro já foi assim, com massacres, morte do relator da Lava Jato, AVC de ex-primeira-dama, febre amarela e prisão do homem que já foi o mais rico do País, imagine como vai ficar com o fim do recesso do Judiciário apressando a Lava Jato, o fim do recesso do Legislativo aumentando o pavor da Lava Jato e o Executivo fazendo de tudo para trocar a pauta real pela ideal – a da reforma da Previdência.
Os três Poderes chegaram estressados ao fim de 2016, entraram perplexos em 2017 e vão se arrastando com os nervos à flor da pele. A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, sofre para definir o novo relator da Lava Jato. O presidente Michel Temer sofre para nomear o novo ministro do Supremo. E a sucessão nas presidências da Câmara e do Senado, que parecia tão definida, ganhou pitadas de tensão nas últimas horas.
Ao homologar as 77 delações premiadas da Odebrecht ontem, conforme antecipara o Estado, Cármen Lúcia parecia ter desanuviado o clima para a escolha do sucessor de Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato, mas, fazendo as contas, ela só ganhou 48 horas. O relator vai ter de ser escolhido de qualquer jeito entre quarta e quinta, na reabertura dos trabalhos.
Prudente, a ministra consultou cada colega em busca de consenso para a indicação. Pensou-se em uma brecha para nomear o decano Celso de Mello, mas essa brecha não surgiu e, além disso, ele anda com fortes dores no quadril. Depois, trabalhou-se a ideia de transferir o mais novo, Edson Fachin, para a Segunda Turma e para o gabinete de Teori, onde ele herdaria tudo, dos processos em andamento – incluída a Lava Jato – aos três juízes auxiliares. Cármen Lúcia vetou: “Não tem precedente”.
É assim que, apesar de ministros (e pessoas de bom senso) torcerem o nariz para o sorteio, não vai ter jeito. Até ontem à noite, as tratativas continuavam freneticamente no Supremo, onde até o procurador Rodrigo Janot deu uma passadinha, mas tudo caminhava para um bingo entre os da Segunda Turma: além de Fachin, recém-chegado, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Façam suas apostas!
Meio fora de tom, Temer elogiou Cármen Lúcia, que “fez o que deveria fazer e, nesse sentido, o fez corretamente”. Presidente de um poder elogiando decisão de presidente de outro?! Quem elogia acaba se sentindo no direito de também discordar, certo? E se Cármen Lúcia sair por aí elogiando o programa econômico do governo? Ou criticando a repactuação das dívidas dos Estados com a União?
O fato é que, quanto mais o Judiciário mantém o ritmo ou apressa os passos da Lava Jato, mais Temer, seus ministros e sua base aliada têm o que temer (sem trocadilho), enquanto ele sofre as dores e as pressões para a nomeação do 11.º ministro do STF. Como é do meio jurídico, Temer faz questão de nomear alguém que ele conheça, com quem tenha afinidade, que jamais tenha dado um pio contra a Lava Jato e que entenda a importância da reforma da Previdência e de mudanças na área trabalhista para ampliar a oferta de empregos.
Como cada nome lançado corresponde uma avalanche de críticas, o presidente passou a avisar, meio em tom de “ameaça”: “Se eu tiver de pagar um alto preço, pago com o Alexandre”. Traduzindo: se é para apanhar com fulano ou beltrano, então ele nomeia sua opção original, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.
Por fim, tudo parecia tranquilo para a eleição de Rodrigo Maia (DEM) na Câmara e de Eunício Oliveira (PMDB) no Senado amanhã, mas, para não ficar monótono, o deputado Júlio Delgado (PSB) liderou uma ação conjunta contra a reeleição de Maia. Mais emoção e perplexidade do que no Brasil, só mesmo nos EUA. E, lá, as decisões tresloucadas de Donald Trump estão apenas começando…*

(*)  Eliene Cantanhêde – Estadão