DE VOLTA À IDADE MÉDIA

Evangélicos e entidades empresariais reforçam lobby por Gandra Filho  


O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Ives Gandra Martins Filho, deve receber nos próximos dias apoio formal de entidades ligadas a setores empresariais e de denominações evangélicas.

Apesar de ser católico militante, ligado à Opus Dei, Gandra conta com a simpatia de igrejas pentecostais porque suas posições em questões de costumes, sobretudo temas como aborto e casamento entre pessoas de mesmo sexo, são semelhantes às dessas entidades.

Assim como fez a Fiesp, a expectativa de apoiadores da candidatura de Gandra Filho é que outras confederações e federações setoriais se manifestem em favor de sua nomeação pelo presidente Michel Temer. Nesse caso, as principais credenciais do ministro do TST são suas conhecidas posições em matéria trabalhista — a favor da flexibilização das regras — e fiscal (ele fez parte da equipe que, no governo FHC, ajudou a redigir a Lei de Responsabilidade Fiscal).

A ofensiva do lobby pró-Gandra para obter apoio expresso de setores influentes é uma tentativa de neutralizar a campanha contra sua indicação, deflagrada na semana passada por setores mais à esquerda e ligados à defesa de minorias.

Essa campanha, intensificada pela divulgação de textos e entrevistas de Gandra Martins defendendo posições conservadoras no campo dos costumes, tirou pontos do presidente do TST na corrida pela vaga de Teori Zavascki no Supremo, de acordo com interlocutores de Temer para esse assunto.

Embora o presidente tenha Gandra Filho e o pai, o tributarista Ives Gandra Martins, como amigos, e enalteça a biografia à prova de máculas éticas do magistrado, auxiliares do peemedebista dizem que seria um “desgaste” para ele enfrentar novamente acusação de afrontar as mulheres, como aconteceu quando anunciou o ministério só com homens.

Isso porque entre as posições defendidas por Gandra constam ideias como a de que a mulher deve ser “submissa” ao marido e o combate frontal a qualquer permissão de aborto. Ele alega que essas posições foram tiradas de contexto e não devem pautar sua atuação como ministro, que será orientada pela Constituição.*

(*) Vera Magalhães – Estadão

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